
Vá direto ao ponto!
Na classificação de risco, a cor da pulseira não é apenas uma forma de organizar a fila: ela representa uma decisão clínica sobre quem precisa ser atendido primeiro. É justamente por isso que um paciente que chegou depois pode entrar antes de outro que estava aguardando há mais tempo. O Protocolo de Manchester organiza a prioridade conforme a gravidade identificada na triagem, e não pela ordem de chegada.
Como funciona o Protocolo de Manchester?
O Sistema de Triagem de Manchester utiliza a queixa principal, sinais e sintomas e critérios clínicos chamados de discriminadores para direcionar o profissional por um fluxograma. O resultado é uma das cinco categorias de prioridade: vermelho, laranja, amarelo, verde ou azul.
É importante lembrar: classificação de risco não é diagnóstico médico. Ela determina a prioridade do atendimento naquele momento e pode precisar ser revista se o quadro clínico mudar durante a espera.
As 5 cores e seus tempos
Vermelho — Emergência
Atendimento imediato (tempo-alvo: 0 minuto). É utilizado quando existe risco imediato à vida, como parada cardiorrespiratória, choque, insuficiência respiratória grave ou outras situações críticas.
Laranja — Muito urgente
Atendimento em até 10 minutos. Indica uma situação grave, com potencial de deterioração e necessidade de avaliação rápida.
Amarelo — Urgente
Atendimento em até 60 minutos. O paciente apresenta uma condição que exige avaliação, mas possui menor prioridade em relação às categorias vermelha e laranja.
Verde — Pouco urgente
Tempo-alvo de até 120 minutos. São situações de menor gravidade, nas quais existe necessidade de atendimento, porém o paciente pode aguardar com segurança, desde que permaneça estável.
Azul — Não urgente
Tempo-alvo de até 240 minutos. Corresponde aos casos de menor prioridade, geralmente sem sinais de gravidade ou risco imediato. Dependendo da organização da rede, pode haver encaminhamento para outro ponto de atenção.
Uma situação prática ajuda a entender a lógica: imagine dois pacientes aguardando na recepção. Um chegou primeiro com dor leve e está estável; poucos minutos depois chega outro apresentando dispneia importante e alteração do estado geral. A prioridade não será determinada pelo relógio da chegada, e sim pela avaliação clínica. É justamente essa mudança de lógica que faz a classificação de risco funcionar como ferramenta de segurança.
O que o enfermeiro precisa observar?
Durante a classificação, é fundamental valorizar a queixa principal, início e evolução dos sintomas, sinais vitais, nível de consciência, intensidade da dor, presença de sangramento, alterações respiratórias, perfusão e outros discriminadores previstos no protocolo institucional.
Outro ponto importante é não transformar a classificação em uma fotografia definitiva. Um paciente inicialmente classificado como verde pode apresentar piora enquanto aguarda e precisar de nova avaliação. A prioridade deve acompanhar a condição clínica.
Em uma situação típica de pronto atendimento, por exemplo, um paciente classificado inicialmente como amarelo pode retornar alguns minutos depois relatando piora importante da dor, sudorese e sensação de desmaio. Nesse momento, simplesmente manter a mesma classificação porque “a pulseira já foi colocada” seria um erro de segurança: a alteração clínica exige nova avaliação.
Cuidados de enfermagem
O profissional deve realizar a classificação conforme o protocolo institucional, registrar adequadamente os achados, conferir sinais vitais quando indicados, observar sinais de deterioração e orientar o paciente sobre a necessidade de comunicar qualquer piora durante a espera.
Também é essencial respeitar os fluxos e protocolos adotados pelo serviço. No Brasil, o Cofen destaca que a classificação de risco deve ser realizada por profissional de saúde de nível superior, treinado especificamente para essa atividade e utilizando protocolo previamente estabelecido.
O ponto que mais confunde
A classificação de Manchester não garante que o paciente será atendido exatamente naquele minuto. Os tempos são referências-alvo da metodologia, e a dinâmica do serviço pode sofrer alterações diante de intercorrências, chegada de pacientes mais graves ou mudanças no estado clínico de quem já está aguardando.
Por isso, a pergunta mais importante durante a espera não é apenas “qual é a minha cor?”, mas “meu estado de saúde mudou?”. Se mudou, a equipe precisa ser comunicada para que uma nova avaliação seja realizada.
Protocolo de Manchester
- Vermelho: emergência e atendimento imediato
- Laranja: muito urgente, até 10 minutos
- Amarelo: urgente, até 60 minutos
- Verde: pouco urgente, até 120 minutos
- Azul: não urgente, até 240 minutos
Referências:
- BRASIL. Ministério da Saúde. Sistema Manchester de Classificação de Risco. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Ministério da Saúde — Sistema Manchester de Classificação de Risco
- CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Parecer de Câmara Técnica nº 041/2020/CTAS. Brasília, DF: Cofen, 2020. Cofen — Parecer nº 041/2020
- FUNDAÇÃO HOSPITALAR DR. AFONSO PAVIE. Você conhece o protocolo de Manchester? Minas Gerais, 2023. Fundação Hospitalar Dr. Afonso Pavie
Faltou algum tema ou procedimento?
Conta pra gente qual assunto você quer ver esmiuçado e transformado em ilustração no próximo post!
Christiane Ribeiro
Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva, contribuindo também para a produção de conteúdos educativos voltados à enfermagem.
É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.


Você precisa fazer login para comentar.