Emergência e Urgência Hipertensiva: Entenda as Diferenças

A hipertensão arterial, ou pressão alta, é uma condição crônica muito comum. Muitos convivem com ela de forma controlada, com medicação e hábitos saudáveis. Mas, e quando a pressão sobe de repente para níveis altíssimos?

Aí, a situação muda de figura e podemos estar diante de um quadro que exige nossa atenção imediata: as crises hipertensivas.

Dentro das crises, existem duas condições que, embora pareçam semelhantes, têm implicações muito diferentes e exigem abordagens distintas: a emergência hipertensiva e a urgência hipertensiva.

Para nós, profissionais de enfermagem e estudantes de enfermagem, compreender essas diferenças é crucial para uma avaliação rápida e uma conduta que pode salvar a vida ou prevenir danos graves a órgãos.

Vamos desvendar cada uma delas?

O que é uma Crise Hipertensiva?

Crise hipertensiva é o termo utilizado para descrever uma elevação acentuada da pressão arterial, geralmente com valores acima de 180/120 mmHg. Essa condição pode se apresentar com ou sem sinais de lesão aguda em órgãos-alvo como o coração, cérebro, rins ou vasos sanguíneos.

A crise hipertensiva se divide em dois tipos principais:

  • Urgência hipertensiva: quando há elevação da pressão arterial sem sinais de dano imediato a órgãos-alvo.
  • Emergência hipertensiva: quando a elevação pressórica vem acompanhada de comprometimento agudo e progressivo de órgãos vitais.

Emergência Hipertensiva: O Perigo Iminente (Dano em Órgão-Alvo)

Imagine a pressão subindo tanto que começa a “quebrar” ou comprometer o funcionamento de órgãos vitais. Isso é uma emergência hipertensiva. Nela, a pressão arterial elevadíssima está causando ou ameaçando causar danos agudos e progressivos a órgãos como cérebro, coração, rins ou olhos.

Características Principais:

    • Valores de PA: Geralmente PA Sistólica ge 180 mmHg e/ou PA Diastólica ge 120 mmHg.
    • Presença de Lesão em Órgão-Alvo: Este é o critério DEFINIDOR. Não é apenas a pressão alta, mas o efeito que ela está causando no corpo.
    • Sintomas Graves: Os sintomas refletem o comprometimento dos órgãos.
    • Tratamento: Redução imediata e controlada da PA (em minutos a 1 hora), geralmente com medicamentos administrados por via intravenosa (IV) em ambiente de UTI ou emergência. A queda deve ser gradual para evitar hipoperfusão (falta de sangue) em órgãos, mas rápida o suficiente para cessar o dano.

Exemplos de Lesões de Órgão-Alvo e Sintomas:

    • Cérebro:
      • Encefalopatia Hipertensiva: Dor de cabeça intensa, confusão mental, convulsões, coma.
      • AVC (Acidente Vascular Cerebral): Fraqueza ou paralisia de um lado do corpo, dificuldade para falar, desvio de rima labial, alterações visuais súbitas.
      • Hemorragia Intracerebral: Sangramento no cérebro.
    • Coração:
      • Infarto Agudo do Miocárdio (IAM): Dor no peito (angina), que pode irradiar para braço, pescoço.
      • Edema Agudo de Pulmão (EAP): Falta de ar intensa, tosse com expectoração rosada, respiração ofegante.
      • Dissecção Aguda da Aorta: Dor torácica súbita e excruciante, que pode se irradiar para as costas.
    • Rins:
      • Insuficiência Renal Aguda: Diminuição acentuada da produção de urina, inchaço.
    • Olhos:
      • Retinopatia Hipertensiva: Visão turva, perda súbita da visão.
    • Outras: Eclâmpsia (em gestantes), crise adrenérgica.

Cuidados de Enfermagem na Emergência Hipertensiva:

    • Prioridade Absoluta: O paciente com emergência hipertensiva é uma prioridade CÓDIGO VERMELHO.
    • Monitorização Contínua: Monitorar a PA de forma invasiva (cateter arterial) ou não invasiva (aferição frequente), frequência cardíaca, saturação de oxigênio e nível de consciência.
    • Acesso Venoso: Garantir pelo menos dois acessos venosos calibrosos.
    • Administração de Medicação IV: Preparar e infundir medicamentos como Nitroprussiato de Sódio, Labetalol, Nicardipino, conforme prescrição médica, monitorando a resposta do paciente. Esses medicamentos exigem diluição e bomba de infusão.
    • Avaliação Neurológica: Realizar escalas neurológicas (Glasgow, NIHSS, se aplicável) e observar alterações.
    • Sinais e Sintomas: Estar atento aos sintomas relatados pelo paciente e a qualquer mudança no seu quadro.
    • Conforto e Segurança: Manter o paciente em repouso no leito, com cabeceira elevada se houver dispneia, e oferecer suporte emocional.
    • Registro Detalhado: Documentar os horários das aferições de PA, as medicações administradas, as doses e a resposta do paciente.

Urgência Hipertensiva: O Alerta Amarelo (Sem Dano em Órgão-Alvo)

Na urgência hipertensiva, a pressão arterial também está muito alta (geralmente nos mesmos níveis ou um pouco menores que na emergência: PA Sistólica ge 180 mmHg e/ou PA Diastólica ge 120 mmHg), mas a principal diferença é que NÃO há evidência de lesão aguda ou progressiva em órgãos-alvo. Os sintomas, se presentes, são mais inespecíficos.

Características Principais:

    • Valores de PA: Geralmente PA Sistólica ge 180 mmHg e/ou PA Diastólica ge 120 mmHg.
    • Ausência de Lesão Aguda em Órgão-Alvo: Este é o critério DEFINIDOR.
    • Sintomas Inespecíficos: Dor de cabeça leve a moderada, tontura, zumbido no ouvido, sangramento nasal (epistaxe), ansiedade.
    • Tratamento: Redução gradual da PA (em horas a dias), geralmente com medicamentos por via oral (VO). O objetivo é reduzir a pressão em 24-48 horas, sem pressa, para evitar hipoperfusão.
    • Manejo: Pode ser feito em ambulatório ou pronto-socorro, sem necessidade de UTI inicialmente.

Cuidados de Enfermagem na Urgência Hipertensiva:

    • Aferição Precisa da PA: Realizar várias aferições de PA, em ambos os braços, para confirmar os valores.
    • Avaliação de Sintomas: Perguntar sobre dor de cabeça, tontura, alterações visuais, e principalmente, investigar ativamente a presença de sintomas de lesão em órgão-alvo (dispneia, dor no peito, fraqueza em membros, confusão). A ausência desses é o que diferencia da emergência.
    • Acalmar o Paciente: Muitos pacientes ficam ansiosos com a pressão alta, o que pode piorar o quadro. Um ambiente calmo e acolhedor é importante.
    • Administração de Medicação VO: Preparar e administrar medicamentos anti-hipertensivos orais (ex: Captopril, Nifedipino de liberação lenta, Clonidina) conforme prescrição médica.
    • Reavaliação Periódica: Reafirmar a PA e reavaliar os sintomas a cada 30-60 minutos após a administração do medicamento oral, até que a pressão esteja em níveis mais seguros.
    • Orientação ao Paciente: Explicar sobre a importância da adesão ao tratamento, da dieta com baixo teor de sódio, da prática de exercícios e do acompanhamento médico regular.
    • Não Usar Nifedipino Cápsula Sublingual: Essa prática não é recomendada por causar queda brusca e descontrolada da PA, com risco de AVC e IAM.

Como é feito o tratamento?

O tratamento varia de acordo com o tipo de crise hipertensiva.

Na urgência hipertensiva, são utilizados antihipertensivos orais, como captopril, clonidina ou atenolol, com monitoramento em observação por algumas horas.

Já nas emergências hipertensivas, o paciente deve receber antihipertensivos intravenosos de ação rápida, como nitroprussiato de sódio, labetalol ou nitroglicerina, com redução da pressão em ambiente controlado e monitorizado, geralmente na UTI.

O Que Nos Leva a Confundir e Como Evitar?

A confusão entre emergência e urgência é comum porque ambos os quadros apresentam PA muito alta. O segredo para diferenciar é sempre procurar por SINAIS E SINTOMAS DE LESÃO EM ÓRGÃO-ALVO. Se a pressão está alta, mas o paciente está assintomático ou com sintomas leves e inespecíficos, é urgência. Se a pressão está alta e o paciente está com dor no peito, falta de ar, alteração neurológica, é emergência.

Nossa avaliação precisa e a comunicação clara com o médico são a chave para o sucesso no manejo dessas situações. Um erro de classificação pode levar a um tratamento inadequado, com consequências graves para o paciente.

Cuidados de Enfermagem

A enfermagem desempenha um papel essencial no reconhecimento, intervenção e monitoramento de pacientes em crise hipertensiva. Entre os principais cuidados, destacam-se:

Avaliação inicial

  • Verificar os sinais vitais com frequência, especialmente a pressão arterial em intervalos curtos.
  • Avaliar a presença de sintomas neurológicos, dor torácica, dispneia ou alterações na consciência.
  • Observar sinais de edema periférico, palidez, sudorese ou alterações visuais.

Administração medicamentosa

  • Administrar os medicamentos conforme prescrição médica, respeitando a via (oral ou intravenosa) e o tempo correto de infusão.
  • Monitorar os efeitos adversos dos anti-hipertensivos, como hipotensão súbita ou bradicardia.

Apoio emocional

  • Oferecer acolhimento ao paciente, explicando de forma simples o que está acontecendo.
  • Controlar o ambiente para reduzir estímulos estressores, como barulho ou agitação.

Registro e comunicação

  • Registrar todas as alterações no prontuário.
  • Comunicar imediatamente à equipe médica qualquer mudança no estado clínico do paciente.

Entender a diferença entre urgência e emergência hipertensiva é fundamental para que a equipe de enfermagem possa agir com rapidez e precisão. Em ambos os casos, o papel do enfermeiro e do técnico de enfermagem é decisivo na estabilização do paciente e na prevenção de complicações graves.

O conhecimento teórico aliado à prática clínica permite oferecer um cuidado mais seguro, humanizado e eficiente, contribuindo diretamente para a redução da mortalidade por causas cardiovasculares.

Referências:

  1. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA (SBC). 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, Rio de Janeiro, v. 116, n. 3, p. 516-658, mar. 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abc/a/S9Xg4JjV9Qz2Z5T8D9kC7qH/?lang=pt
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Cadernos de Atenção Básica: Hipertensão Arterial Sistêmica. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2013. 
  3. SMELTZER, S. C.; BARE, B. G.; HINKLE, J. L.; CHEEVER, K. H. Brunner & Suddarth: Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018.
  4. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo de Atendimento das Emergências Hipertensivas. 2022.
  5. SILVA, M. T. et al. Avaliação das Emergências Hipertensivas em Serviços de Urgência. Revista Brasileira de Clínica Médica, São Paulo, v. 19, n. 1, p. 56-63, 2021. Disponível em: https://www.rbcm.org.br
  6. PEARCE, C. J. et al. Crises Hipertensivas: Diagnóstico e Manejo. The New England Journal of Medicine. 2019. Disponível em: https://www.nejm.org

Os tipos de Pulso Arterial

A avaliação do pulso arterial é uma das práticas clínicas mais antigas e fundamentais na enfermagem. Ela fornece dados essenciais sobre o sistema cardiovascular, como frequência cardíaca, ritmo, amplitude e regularidade. Observar o pulso é muito mais do que apenas “contar batimentos”: é entender o que está por trás de cada pulsação.

Nesta publicação, vamos explorar os diferentes tipos de pulso arterial, seus significados clínicos e a importância do olhar atento da enfermagem durante o exame físico.

O Que É o Pulso Arterial?

Pense no coração como uma bomba potente. A cada contração (sístole), ele ejeta sangue para a aorta e, em seguida, para as grandes artérias. Essa ejeção de sangue gera uma onda de pressão que se propaga rapidamente pelas paredes elásticas das artérias. É essa onda que nós percebemos como o pulso.

Ao avaliar o pulso, não estamos apenas contando as batidas. Estamos avaliando diversas características:

  • Frequência: Quantas batidas por minuto.
  • Ritmo: Se as batidas são regulares ou irregulares.
  • Amplitude/Força: A intensidade da onda de pulso (forte, fraco).
  • Tensão/Elasticidade: A rigidez da parede arterial.
  • Simetria: Se o pulso é igual nos dois lados do corpo (ex: pulsos radiais).

Agora, vamos aos tipos de pulso que nos dão pistas diagnósticas valiosas:

Pulso Normal (Normosfígmico): O Equilíbrio Saudável

Este é o pulso que esperamos encontrar em uma pessoa saudável.

  • Características:
    • Frequência: Entre 60 e 100 batimentos por minuto (bpm) em repouso.
    • Ritmo: Regular, com intervalos iguais entre as batidas.
    • Amplitude: Moderada, fácil de palpar, nem muito forte nem muito fraca.
    • Tensão: Moderada, a artéria é elástica e não oferece resistência excessiva.
    • Simetria: Presente e igual em ambos os lados.
  • Significado: Indica um bom funcionamento cardiovascular, com débito cardíaco adequado e artérias elásticas.

Bradicardia e Taquicardia: As Variações de Frequência

Estas não são exatamente “tipos” de pulso em termos de qualidade da onda, mas sim variações na sua frequência que são cruciais para a avaliação.

  • Bradicardia:
    • Características: Frequência de pulso inferior a 60 bpm.
    • Significado: Pode ser normal em atletas bem condicionados ou durante o sono profundo. Pode ser causada por medicamentos (betabloqueadores), hipotireoidismo, doenças cardíacas (bloqueios atrioventriculares) ou outras condições.
  • Taquicardia:
    • Características: Frequência de pulso superior a 100 bpm.
    • Significado: Pode ser uma resposta fisiológica ao exercício, estresse, ansiedade, febre, dor, desidratação. Pode ser patológica em arritmias, choque, anemia, hipertireoidismo.

Pulso Filiforme (ou Fino/Débil): O Quase Ausente

Este pulso é um sinal de alerta e exige atenção imediata.

  • Características: Muito difícil de palpar, fraco, mal perceptível, como um “fio”. Geralmente é rápido (taquicárdico).
  • Significado: Indica um débito cardíaco muito baixo, ou seja, o coração não está bombeando sangue suficiente para os tecidos. É um sinal clássico de choque (hipovolêmico, cardiogênico, séptico), desidratação grave, hemorragia intensa ou insuficiência cardíaca grave.

Pulso Forte ou Cheio (Magnus): O Batimento Robusto

É o oposto do pulso filiforme.

  • Características: Amplitude aumentada, muito fácil de palpar e sentir, como uma onda “cheia”.
  • Significado: Pode ser encontrado em situações de aumento do débito cardíaco (exercício, ansiedade, febre) ou em condições como hipertireoidismo, insuficiência aórtica (onde há regurgitação de sangue para o ventrículo, aumentando o volume de ejeção) ou hipertensão arterial sistêmica (especialmente com alta pressão de pulso).

Pulso Arrítmico: A Dança Desordenada

Aqui, a questão é o ritmo.

  • Características: Os intervalos entre as batidas não são regulares. Podem ser irregularmente irregulares (sem padrão) ou regularmente irregulares (com um padrão repetitivo de irregularidade).
  • Significado: Indica a presença de arritmias cardíacas, como fibrilação atrial (irregularmente irregular, muito comum), extrassístoles (batidas extras isoladas) ou bloqueios cardíacos. Cada tipo de arritmia tem um significado clínico diferente, e a identificação do pulso arrítmico é o primeiro passo para a investigação.

Pulso Alternante (Pulso de Broadbent): O Forte e Fraco

É um pulso com variações na sua amplitude, intercalando batimentos fortes com batimentos fracos, em um ritmo regular.

  • Características: Batidas regulares, mas uma é forte e a próxima é fraca, e assim por diante.
  • Significado: É um sinal de disfunção ventricular esquerda grave, ou seja, o lado esquerdo do coração está com dificuldade para bombear o sangue de forma consistente. Geralmente indica insuficiência cardíaca avançada.

Pulso Dicrótico: A Dupla Ondulação

Este pulso é caracterizado por duas ondas distintas em cada batimento cardíaco, sendo a segunda onda (dicrótica) mais fraca.

  • Características: Ao palpar, parece que há duas “pancadas” para cada batida do coração.
  • Significado: Geralmente indica condições com baixo débito cardíaco e alta resistência periférica, como febre tifoide grave ou choque cardiogênico ou hipovolêmico (embora seja menos comum de ser identificado clinicamente e mais por exames).

Pulso em Martelo d’Água (ou Pulso de Corrigan): O Impulso Súbito

Também conhecido como pulso colapsante.

  • Características: Uma onda de pulso muito forte e rápida que sobe e desce abruptamente, como um jato d’água que atinge a mão e recua rapidamente. É mais fácil de sentir na artéria radial com o braço elevado.
  • Significado: É um achado clássico de insuficiência aórtica grave, onde a válvula aórtica não fecha completamente, permitindo que o sangue volte para o coração após cada sístole. Também pode ser visto em hipertiroidismo, anemia grave, ou ducto arterioso patente.

Pulso Paradoxal: O Que Engana na Inspiração

Este é um tipo de pulso em que a amplitude diminui significativamente durante a inspiração profunda e aumenta na expiração. Paradoxal porque, fisiologicamente, a inspiração aumenta o retorno venoso e deveria manter ou aumentar a amplitude do pulso.

  • Características: A diferença na pressão sistólica entre a expiração e a inspiração é superior a 10 mmHg. Isso pode ser difícil de sentir apenas palpando, mas pode ser detectado ao aferir a pressão arterial e observar a diminuição dos sons de Korotkoff durante a inspiração.
  • Significado: É um sinal de condições que limitam a expansão do coração durante a inspiração. As causas mais comuns são: tamponamento cardíaco (acúmulo de líquido ao redor do coração que o comprime), pericardite constritiva e asma/DPOC grave (devido às grandes variações de pressão intratorácica).

Cuidados de Enfermagem

A avaliação do pulso não é um ato mecânico; é uma arte que exige prática e sensibilidade. Nossos cuidados envolvem:

  1. Técnica Adequada: Usar a polpa dos dedos (indicador, médio e anelar), não o polegar. Aplicar pressão suficiente para sentir o pulso, mas não ocluir a artéria.
  2. Locais de Palpação: Conhecer os diferentes locais (radial, carotídeo, femoral, pedioso, poplíteo, braquial) e saber qual é o mais adequado para cada situação. O pulso carotídeo é o mais indicado em situações de emergência, como na parada cardiorrespiratória.
  3. Avaliação Completa: Não apenas contar a frequência, mas avaliar o ritmo, a amplitude e a tensão. Sempre comparar os pulsos periféricos dos dois lados do corpo (simetria).
  4. Integração com Outros Dados: Correlacionar as características do pulso com outros sinais vitais (pressão arterial, frequência respiratória, saturação de oxigênio) e com o quadro clínico geral do paciente.
  5. Comunicação Efetiva: Registrar os achados de forma clara e comunicar imediatamente qualquer alteração significativa ao médico.
  6. Intervenção Rápida: Um pulso filiforme, por exemplo, exige intervenção imediata para investigar e tratar a causa do choque.

Dominar a avaliação do pulso arterial é uma das competências mais valiosas para profissional de enfermagem. É uma forma simples, não invasiva e rápida de obter informações cruciais sobre o estado cardiovascular do paciente, permitindo-nos agir com precisão e, muitas vezes, fazer a diferença entre a vida e a morte.

Referências:

  1. JARVIS, C. Bates Propedêutica de Enfermagem. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2020. (Consultar capítulo sobre Exame Físico do Sistema Cardiovascular).
  2. PORTO, C. C. Semiologia Médica. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019. (Consultar capítulo sobre Exame do Sistema Cardiovascular).
  3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA (SBC). Diretrizes Brasileiras de Cardiologia. (Disponível em publicações da SBC ou em seus periódicos, como os Arquivos Brasileiros de Cardiologia, para aprofundar em arritmias e insuficiência cardíaca). Disponível em: https://www.portal.cardiol.br/.
  4. BARROS, A. L. B. L. Exame físico: avaliação diagnóstica de enfermagem no adulto. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2016.
  5. BRUNNER, L. S.; SUDDARTH, D. S. Tratado de enfermagem médico-cirúrgica. 13. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015.
  6. MANUAL MERCK. Pulso arterial: avaliação clínica. Disponível em: https://www.msdmanuals.com
  7. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br

Emergências Cardiológicas

As emergências cardiológicas são situações clínicas que envolvem risco imediato à vida devido a alterações no funcionamento do coração e do sistema circulatório. Para o profissional de enfermagem, é essencial reconhecer precocemente os sinais e sintomas dessas condições, a fim de atuar com rapidez e segurança.

As Principais Patologias que Constituem uma Emergência Cardiológica

Vamos conhecer as condições que frequentemente nos deparamos em um cenário de emergência cardíaca:

Infarto Agudo do Miocárdio (IAM)

O IAM, popularmente conhecido como ataque cardíaco, ocorre quando o fluxo sanguíneo para uma parte do músculo cardíaco é interrompido, geralmente por um trombo em uma artéria coronária. Isso leva à morte das células musculares cardíacas por falta de oxigênio.

Sinais e sintomas:
Dor intensa e prolongada no peito (geralmente em aperto), que pode irradiar para o braço esquerdo, mandíbula, pescoço ou costas. Também podem ocorrer suor frio, náuseas, vômitos, palidez e sensação de morte iminente.

Cuidados de enfermagem:

  • Monitorização dos sinais vitais e eletrocardiograma contínuo.
  • Administração de oxigênio, se saturação estiver < 94%.
  • Preparar e administrar medicamentos como ácido acetilsalicílico, nitratos e opioides, conforme prescrição.
  • Manter o paciente em repouso e em posição confortável.
  • Estar preparado para possíveis paradas cardiorrespiratórias.

Angina Instável

A angina instável é um quadro de dor torácica resultante da isquemia transitória do miocárdio. Diferentemente da angina estável, a instável ocorre em repouso, é mais intensa, prolongada e não responde bem à medicação.

Sinais e sintomas:
Dor no peito semelhante à do infarto, mas geralmente sem elevação de enzimas cardíacas. Pode ocorrer em repouso ou com esforço mínimo.

Cuidados de enfermagem:

  • Avaliar a dor: início, localização, intensidade e fatores de alívio ou piora.
  • Administrar nitratos sublinguais conforme prescrição.
  • Monitorar ECG e sinais vitais.
  • Preparar o paciente para exames como troponina e ecocardiograma.

Arritmias Cardíacas Graves

As arritmias são alterações no ritmo dos batimentos cardíacos. Elas podem ser rápidas (taquiarritmias), lentas (bradiarritmias) ou irregulares. Algumas arritmias, como fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso, são emergências que levam à parada cardíaca.

Sinais e sintomas:
Palpitações, tontura, síncope, dor no peito, falta de ar e, em casos graves, perda de consciência.

Cuidados de enfermagem:

  • Monitorização cardíaca contínua.
  • Reconhecer rapidamente sinais de instabilidade hemodinâmica.
  • Auxiliar em procedimentos como cardioversão elétrica ou uso de marcapasso, se necessário.
  • Manter materiais de reanimação prontos.

Insuficiência Cardíaca Aguda

Na insuficiência cardíaca aguda, o coração não consegue bombear sangue de forma eficaz, causando acúmulo de líquido nos pulmões e em outros tecidos. Pode ser descompensada por infarto, arritmias, hipertensão, infecções ou má adesão ao tratamento.

Sinais e sintomas:
Dispneia súbita, ortopneia, tosse com expectoração espumosa, taquicardia, crepitações pulmonares, confusão mental e sinais de hipoperfusão.

Cuidados de enfermagem:

  • Posicionar o paciente com o dorso elevado (Fowler).
  • Administrar oxigênio e monitorar a saturação.
  • Realizar controle rigoroso de balanço hídrico.
  • Verificar sinais de congestão pulmonar e periférica.
  • Auxiliar na administração de diuréticos e vasodilatadores.

Dissecção Aguda da Aorta

Essa é uma condição rara e extremamente grave, caracterizada pela ruptura na camada interna da aorta, criando um falso trajeto para o sangue. Pode ocorrer em pacientes com hipertensão mal controlada ou doenças do tecido conjuntivo.

Sinais e sintomas:
Dor torácica súbita e intensa, descrita como “em facada” ou “rasgando”, podendo irradiar para as costas, abdome ou membros. Pode haver diferença de pulsos entre os braços e sinais de choque.

Cuidados de enfermagem:

  • Reconhecer imediatamente os sinais e acionar a equipe médica.
  • Monitorar pressão arterial e manter controle rigoroso da dor.
  • Preparar para exames como tomografia e possível cirurgia emergencial.
  • Manter via venosa calibrosa e acesso a medicações intravenosas.

Crise Hipertensiva

A crise hipertensiva é uma elevação súbita e grave da pressão arterial, que pode ser uma urgência ou uma emergência.

  • Urgência Hipertensiva: Pressão arterial muito alta, mas sem lesão aguda de órgão-alvo (cérebro, coração, rins). O objetivo é reduzir a pressão em algumas horas, geralmente com medicação oral.
  • Emergência Hipertensiva: Pressão arterial muito alta, com lesão aguda e progressiva de órgão-alvo. Exige redução imediata da pressão arterial, geralmente com medicação intravenosa, para evitar danos irreversíveis.
    • Sintomas Comuns: Cefaleia intensa, dor no peito, falta de ar, alterações visuais, confusão mental, náuseas, vômitos. Os sintomas dependem do órgão que está sendo mais afetado.
  • Cuidados de Enfermagem:
    • Monitorização: Aferição frequente da pressão arterial (a cada 5-15 minutos em emergências), monitorização cardíaca.
    • Administração de Medicações: Administrar anti-hipertensivos IV de ação rápida (como Nitroprusseto de Sódio, Labetalol, Hidralazina) conforme prescrição, titulando a dose para atingir o alvo de pressão.
    • Acesso Venoso: Garantir acesso venoso calibroso.
    • Controle de Sintomas: Aliviar a dor e o desconforto.
    • Educação: Orientar o paciente e a família sobre a importância da adesão ao tratamento e do controle da pressão arterial.

Tromboembolismo Pulmonar (TEP) Maciço

O TEP ocorre quando um coágulo sanguíneo (geralmente formado nas pernas, em uma trombose venosa profunda – TVP) se desprende e viaja até os pulmões, bloqueando as artérias pulmonares. Um TEP “maciço” é uma emergência pois causa um impacto significativo no coração e na oxigenação.

Sintomas Comuns:

Dispneia súbita e intensa (geralmente sem causa aparente), dor torácica aguda (que piora ao respirar fundo), tosse (às vezes com sangue), taquicardia, tontura e ansiedade. Em casos graves, pode levar a choque e parada cardíaca.

  • Cuidados de Enfermagem:
    • Oxigenoterapia: Administração de oxigênio suplementar.
    • Monitorização: Sinais vitais, SatO2, monitorização cardíaca.
    • Acesso Venoso: Acesso para medicação e exames.
    • Preparo para Anticoagulação/Trombolíticos: Administrar anticoagulantes (heparina) ou, em casos graves, trombolíticos (medicamentos que dissolvem o coágulo) conforme prescrição.
    • Posicionamento: Confortar o paciente em posição que facilite a respiração.

O Enfermeiro no Epicentro da Emergência Cardiológica: Agilidade e Conhecimento

Em qualquer uma dessas emergências, o enfermeiro é a primeira linha de defesa. Nossa capacidade de realizar uma avaliação rápida e precisa, iniciar as intervenções de enfermagem protocolares, administrar medicações com segurança, monitorar o paciente de perto e comunicar-se efetivamente com a equipe médica pode ser a diferença entre a vida e a morte.

O conhecimento dessas patologias e a prática constante dos protocolos de emergência são essenciais para um atendimento de excelência.

Referências:

  1. AMERICAN HEART ASSOCIATION (AHA). ACLS: Suporte Avançado de Vida em Cardiologia: Manual do Participante. Dallas, TX: AHA, 2020. (Consultar capítulos sobre síndromes coronarianas agudas, insuficiência cardíaca, arritmias e emergências hipertensivas).
  2. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA (SBC). Diretriz de Emergências Cardiovasculares – 2020. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, São Paulo, v. 116, n. 4, p. 869-913, abr. 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abc/a/S8fW4zY9wJ5c7bT3tV2xG7/?lang=pt
  3. BRUNNER, Lillian S. Tratado de enfermagem médico-cirúrgica. 14. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018. Disponível em: https://www.elsevier.com/pt-br/books/tratado-de-enfermagem-medico-cirurgica/brunner/9788535284957
  4. SMELTZER, Suzanne C.; BARE, Brenda G. Enfermagem médico-cirúrgica. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016. Disponível em: https://www.livrariakoogan.com.br/enfermagem-medico-cirurgica-2v-9788527732653
  5. SILVA, Cláudia Maria S. da et al. Enfermagem em emergência e terapia intensiva. São Paulo: Yendis, 2020. Disponível em: https://www.editorayendis.com.br/enfermagem-em-emergencia-e-terapia-intensiva

RCP em Gestantes: Diretriz da AHA de 2020

Para muitos profissionais de saúde, o atendimento a uma gestante em parada cardiorrespiratória (PCR) pode gerar um nível extra de apreensão.

A complexidade de ter duas vidas em jogo e as particularidades fisiológicas da gestação podem tornar a situação ainda mais desafiadora.

Pensando nisso, a American Heart Association (AHA), na sua atualização de 2020 para as diretrizes de atendimento de PCR, dedicou um fluxograma específico para esse grupo especial de mulheres, trazendo mais clareza e direcionamento para um momento tão crítico. Vamos desvendar esse guia e entender seus pontos chave?

Prioridade Máxima: A Mãe em Primeiro Lugar (Com Impacto Direto no Bebê)

Ao analisarmos o novo fluxograma da AHA, uma mensagem central se destaca: a prioridade absoluta no atendimento da PCR em gestantes é a realização de manobras de ressuscitação cardiopulmonar (RCP) eficazes e de alta qualidade para a mãe.

Essa priorização pode parecer óbvia, mas é fundamental reforçar que a sobrevivência do feto está intrinsecamente ligada à estabilidade da mãe. Se não conseguirmos manter um bom fluxo de oxigênio e perfusão para a gestante, as chances de sobrevida do bebê são drasticamente reduzidas. Portanto, o foco inicial e principal é garantir a vida da mãe.

As Peculiaridades da Gestação: Detalhes que Fazem a Diferença no Atendimento

Para que o atendimento à gestante em PCR seja bem-sucedido, é crucial lembrar de algumas particularidades fisiológicas e anatômicas da gravidez que podem influenciar a abordagem:

  • Equipe Multidisciplinar Fortalecida: Durante o atendimento de uma PCR em gestante, a colaboração de diversos especialistas é fundamental. A presença do socorrista (primeiro a chegar), do obstetra (com expertise nas particularidades da gestação), do neonatologista (preparado para o atendimento ao recém-nascido, caso ocorra o parto) e, se possível, de um intensivista (para o manejo da paciente crítica) pode otimizar significativamente os resultados. Cada especialista traz um conhecimento específico que contribui para um atendimento mais completo e eficaz.
  • Alívio da Compressão Aortocava: Um Posicionamento Estratégico: Uma das manobras específicas para a gestante em PCR é o deslocamento do útero para a esquerda. O útero gravídico pode comprimir a veia cava inferior e a aorta, dificultando o retorno venoso e a perfusão materna (e, consequentemente, fetal). Esse deslocamento, conhecido como dextrorrotação uterina, pode ser conseguido facilmente com a inserção de uma “cunha” sob o quadril direito da paciente. Essa cunha pode ser improvisada com um frasco de soro de 1000 ml, compressão manual ou rolos feitos com lençóis, elevando o quadril em cerca de 30 graus. Essa manobra simples pode melhorar significativamente a eficácia das compressões torácicas.
  • Cesárea Perimortem: Uma Decisão Rápida em Cenários Específicos: Em situações onde a RCP na mãe não está sendo eficaz, e dependendo dos recursos humanos e materiais disponíveis, a realização de um parto por cesárea perimortem pode ser considerada. O objetivo principal dessa intervenção emergencial é melhorar a sobrevida materna (ao aliviar a compressão aortocava e melhorar a ventilação) e/ou fetal. A AHA 2020 sugere que, em alguns casos, essa cesárea pode ser considerada dentro dos primeiros 5 minutos de PCR para otimizar os resultados perinatais e maternos. É importante ressaltar que essa é uma decisão complexa, tomada por especialistas, e visa melhorar as condições para a RCP materna e, potencialmente, o prognóstico fetal.
  • Via Aérea Desafiadora: Atenção à Intubação: A via aérea na gestante geralmente apresenta desafios para a intubação endotraqueal devido a alterações fisiológicas como o aumento do volume sanguíneo e a congestão das vias aéreas. Por isso, é crucial selecionar o profissional mais experiente e capacitado para realizar esse procedimento. A AHA preconiza a intubação endotraqueal ou a utilização de uma via aérea avançada supraglótica o mais rápido possível. A confirmação do sucesso da intubação deve ser feita através da análise da onda na capnografia ou capnometria, garantindo a correta ventilação da paciente. Uma vez confirmada a via aérea avançada, a recomendação é oferecer uma respiração a cada 6 segundos (10 respirações por minuto) com compressões torácicas contínuas.

Após a Tempestade: Investigando as Causas da PCR

Após o atendimento inicial, a estabilização da paciente e a garantia de uma via aérea definitiva, o foco se volta para a identificação da causa da parada cardiorrespiratória. Para auxiliar nesse processo diagnóstico, a AHA 2020 e outras diretrizes utilizam o mnemônico ABCDEFGH, adaptado para o contexto obstétrico:

  • A – Anestesia: Investigar complicações relacionadas a procedimentos anestésicos.
  • B – Bleeding (Sangramento): Considerar sangramentos que podem levar à parada por hipóxia ou anemia aguda.
  • C – Cardiovascular: Avaliar a presença de doenças cardiovasculares prévias ou arritmias.
  • D – Drogas: Checar o uso de medicações prévias que possam ter contribuído para a PCR.
  • E – Embolia: Investigar a possibilidade de embolia pulmonar ou amniótica.
  • F – Febre: Considerar a febre como um possível fator desencadeante.
  • G – Generalidades: Avaliar causas não obstétricas de PCR, lembrando dos “H”s e “T”s.
  • H – Hipertensão: Investigar desordens hipertensivas e suas complicações (eclampsia, síndrome HELLP).

Relembrando os “H”s e “T”s (causas reversíveis de PCR):

  • Hipovolemia
  • Hipóxia
  • Hidrogênio (acidose metabólica)
  • Hipocalemia / Hipercalemia
  • Hipotermia
  • Tensão torácica (pneumotórax hipertensivo)
  • Tamponamento cardíaco
  • Toxinas (overdose de drogas, envenenamento)
  • Trombose pulmonar
  • Trombose coronariana

Seguir esse fluxograma e essa sistematização do atendimento à gestante em PCR oferece uma estrutura clara e organizada para a equipe de saúde. Ao priorizar a mãe, lembrar das particularidades da gestação e buscar ativamente as causas reversíveis da parada, aumentamos significativamente a chance de sucesso no resgate materno e oferecemos uma maior possibilidade de sobrevida ao feto.

Para nós, futuros enfermeiros, conhecer e compreender essas diretrizes é fundamental para estarmos preparados para atuar de forma eficaz em situações tão delicadas e desafiadoras.

Referências:

  1. AMERICAN HEART ASSOCIATION (AHA). Highlights of the 2020 American Heart Association Guidelines for CPR and ECC. Dallas, TX: AHA, 2020. (Consultar seção específica sobre PCR em gestantes). Disponível em: https://www.ahajournals.org/doi/full/10.1161/CIRCULATIONAHA.120.022734.
  2. LAVERY, K. E.; FRIEDMAN, J. M.; SHARMA, P. P.; et al. Cardiac Arrest in Pregnancy. Obstetrics & Gynecology, v. 131, n. 5, p. 861-871, 2018. Disponível em: https://journals.lww.com/greenjournal/fulltext/201805000/Cardiac_Arrest_in_Pregnancy.20.aspx.
  3. AMERICAN HEART ASSOCIATION (AHA). Destaques das Diretrizes da AHA 2020 para RCP e ACE. [S. l.]: AHA, 2020. Disponível em: https://cpr.heart.org/-/media/cpr-files/cpr-guidelines-files/highlights/hghlghts_2020eccguidelines_portuguese.pdf

Hipertensão arterial sistêmica (HAS)

Hoje vamos conversar sobre um tema super importante e muito prevalente na nossa prática: a Hipertensão Arterial Sistêmica, ou HAS. Tenho certeza que vocês já ouviram falar, mas vamos aprofundar um pouco para entender todos os detalhes e, principalmente, o nosso papel crucial no cuidado desses pacientes.

Preparados?

O Que é, Afinal, Essa Tal de HAS?

De forma bem simples, a Hipertensão Arterial Sistêmica acontece quando a pressão que o sangue exerce nas paredes das nossas artérias se eleva de forma crônica. Imagina as artérias como canos por onde o sangue flui. Quando essa pressão fica muito alta por um longo período, pode danificar esses “canos” e também o “motor” que bombeia o sangue, que é o nosso coração.

A pressão arterial é medida por dois números: a pressão sistólica (o número mais alto), que representa a pressão quando o coração se contrai para bombear o sangue, e a pressão diastólica (o número mais baixo), que representa a pressão quando o coração relaxa entre as batidas. Consideramos hipertensão quando essas medidas ficam iguais ou acima de 140 mmHg (sistólica) e/ou 90 mmHg (diastólica) em diversas medições.

O grande problema da HAS é que, na maioria das vezes, ela é silenciosa. Muitas pessoas convivem com a pressão alta por anos sem sentir nenhum sintoma. É por isso que ela é conhecida como o “assassino silencioso”. E é justamente essa falta de sintomas que torna o diagnóstico tardio e aumenta o risco de complicações graves.

Por Que a Pressão Sobe? Entendendo as Causas

As causas da HAS podem ser divididas em dois grandes grupos:

  • Hipertensão Primária (ou Essencial): Essa é a forma mais comum, representando cerca de 90% dos casos. Nela, não conseguimos identificar uma única causa específica para a elevação da pressão. Ela geralmente se desenvolve ao longo dos anos e está relacionada a diversos fatores como histórico familiar de hipertensão, idade avançada, obesidade, sedentarismo, consumo excessivo de sal, estresse e tabagismo. É uma combinação de fatores genéticos e de estilo de vida.
  • Hipertensão Secundária: Essa forma é menos comum e geralmente tem uma causa subjacente identificável, como doenças renais, problemas hormonais (como o hiperaldosteronismo), apneia do sono, uso de certos medicamentos (como alguns anticoncepcionais e descongestionantes nasais) e até mesmo a gravidez (pré-eclâmpsia). Nesses casos, o tratamento da causa primária muitas vezes leva à normalização da pressão arterial.

É importante que a equipe médica investigue a possível causa da hipertensão para direcionar o tratamento de forma mais eficaz.

Os Perigos da Pressão Alta Não Controlada

Deixar a hipertensão sem tratamento ou com controle inadequado pode trazer consequências sérias para a saúde, afetando diversos órgãos e sistemas do nosso corpo:

  • Doenças Cardiovasculares: A pressão alta força o coração a trabalhar mais, o que pode levar ao espessamento do músculo cardíaco (hipertrofia ventricular esquerda), angina (dor no peito), infarto agudo do miocárdio (ataque cardíaco) e insuficiência cardíaca (quando o coração não consegue bombear sangue suficiente para o corpo).
  • Acidente Vascular Cerebral (AVC): A pressão alta pode enfraquecer as paredes dos vasos sanguíneos do cérebro, aumentando o risco de rompimento (AVC hemorrágico) ou obstrução por coágulos (AVC isquêmico).
  • Doença Renal Crônica: A hipertensão danifica os pequenos vasos sanguíneos dos rins, prejudicando sua capacidade de filtrar o sangue, o que pode levar à insuficiência renal e à necessidade de diálise.
  • Problemas de Visão: A pressão alta pode afetar os vasos sanguíneos da retina, causando a retinopatia hipertensiva, que pode levar à perda da visão.
  • Outras Complicações: A HAS também pode contribuir para o desenvolvimento de demência vascular, disfunção erétil e doença arterial periférica.

Por isso, a detecção precoce e o controle adequado da hipertensão são fundamentais para prevenir essas complicações e garantir uma melhor qualidade de vida para o paciente.

O Papel Essencial da Enfermagem no Cuidado ao Paciente Hipertenso

Nós, profissionais de enfermagem, desempenhamos um papel crucial em todas as fases do cuidado ao paciente com HAS. Nossa atuação vai desde a detecção precoce até o acompanhamento contínuo e a educação para a saúde.

Na Detecção e Diagnóstico:

  • Aferição da Pressão Arterial: Realizar a aferição da pressão arterial de forma correta, seguindo as técnicas padronizadas e utilizando equipamentos calibrados. Registrar os valores de forma clara e precisa no prontuário do paciente.
  • Identificação de Fatores de Risco: Durante a anamnese, identificar os fatores de risco para HAS presentes no paciente (histórico familiar, hábitos de vida, comorbidades).
  • Orientação sobre a Medição Domiciliar da Pressão Arterial (MAPA e MRPA): Explicar ao paciente a importância e a forma correta de realizar a Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) e a Medida Residencial da Pressão Arterial (MRPA), quando indicadas, e orientar sobre o registro dos resultados.

No Tratamento e Acompanhamento:

  • Administração de Medicamentos: Garantir a administração correta da medicação anti-hipertensiva prescrita, observando a dose, a via e o horário. Orientar o paciente sobre a importância da adesão ao tratamento, os possíveis efeitos colaterais e como lidar com eles.
  • Monitorização dos Sinais Vitais: Acompanhar regularmente os sinais vitais, especialmente a pressão arterial, e observar a resposta ao tratamento medicamentoso e não medicamentoso.
  • Identificação de Sinais de Alerta: Estar atento a sinais e sintomas que possam indicar descontrole da pressão ou complicações, como dor de cabeça intensa, tontura, alterações visuais, dor no peito, falta de ar e edema (inchaço). Comunicar imediatamente qualquer alteração à equipe médica.
  • Promoção de um Estilo de Vida Saudável: Essa é uma das nossas principais frentes de atuação. Precisamos orientar o paciente sobre a importância de:
    • Alimentação saudável: Redução do consumo de sal, gorduras saturadas e alimentos processados, e aumento da ingestão de frutas, verduras, legumes e fibras.
    • Prática regular de atividade física: Incentivar a realização de exercícios aeróbicos (caminhada, corrida, natação) por pelo menos 30 minutos na maioria dos dias da semana.
    • Controle do peso: Orientar sobre estratégias para alcançar e manter um peso saudável.
    • Abandono do tabagismo: Informar sobre os malefícios do cigarro e oferecer apoio para a cessação.
    • Moderação no consumo de álcool: Orientar sobre os limites seguros de consumo de bebidas alcoólicas.
    • Gerenciamento do estresse: Ensinar técnicas de relaxamento e estratégias para lidar com o estresse do dia a dia.

Na Educação em Saúde:

  • Esclarecimento sobre a HAS: Explicar de forma clara e acessível o que é a hipertensão, suas causas, os riscos de não tratamento e a importância do controle.
  • Reforço da Adesão ao Tratamento: Motivar o paciente a seguir as orientações médicas e a manter a medicação, mesmo quando se sentir bem.
  • Empoderamento do Paciente: Ensinar o paciente a monitorar sua pressão arterial em casa, a reconhecer sinais de alerta e a participar ativamente do seu tratamento.
  • Suporte Emocional: Oferecer apoio emocional e escuta qualificada, pois o diagnóstico de uma doença crônica como a HAS pode gerar ansiedade e medo.

Nosso trabalho como profissionais de enfermagem são fundamentais para o sucesso do tratamento da HAS. Através da nossa avaliação, da administração de cuidados, da educação e do apoio, podemos contribuir significativamente para a prevenção de complicações e para a melhora da qualidade de vida dos nossos pacientes.

Referências:

  1. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 1 v. 116, n. 3, p. 516-658, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abc/a/mprRj48g27P86q7mG7nKkYt/?format=pdf.
  2. MALACHIAS, M. V. B. et al. 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 107, n. 3 supl. 3, p. 1-83, 2016. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abc/a/mprRj48g27P86q7mG7nKkYt/?format=pdf.
  3. SMELTZER, S. C.; BARE, B. G.; HINKLE, J. L.; CHEEVER, K. H. Brunner & Suddarth’s textbook of medical-surgical nursing. 14. ed. Philadelphia: Wolters Kluwer, 2018.

Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC)

A Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC) é uma condição grave e cada vez mais comum, especialmente em idosos e pessoas com doenças crônicas.

Ela ocorre quando o coração não consegue bombear sangue suficiente para atender às necessidades do corpo, levando a sintomas como falta de ar, fadiga e inchaço.

Nesta publicação, vamos explicar o que é a ICC, seus sintomas, causas e, principalmente, os cuidados de enfermagem essenciais para o manejo desses pacientes.

O Que é Insuficiência Cardíaca Congestiva?

A ICC é uma síndrome clínica caracterizada pela incapacidade do coração de bombear sangue de forma eficiente. Isso pode acontecer porque o músculo cardíaco está fraco (insuficiência sistólica) ou porque ele não relaxa adequadamente (insuficiência diastólica).

Como resultado, o sangue pode “congestionar” nos pulmões, fígado, membros inferiores e outros órgãos, daí o termo “congestiva”.

Principais Causas da ICC

A ICC pode ser causada por diversas condições, incluindo:

Sintomas da Insuficiência Cardíaca Congestiva

Os sintomas variam de acordo com a gravidade da doença, mas os mais comuns são:

  • Falta de ar (dispneia), especialmente ao deitar (ortopneia) ou durante a noite (dispneia paroxística noturna).
  • Fadiga e fraqueza.
  • Inchaço (edema) nas pernas, pés e abdômen.
  • Tosse seca ou com secreção espumosa.
  • Ganho de peso rápido devido à retenção de líquidos.
  • Palpitações ou batimentos cardíacos irregulares.

Cuidados de Enfermagem na ICC

O manejo da ICC exige uma abordagem multidisciplinar, e a equipe de enfermagem desempenha um papel crucial. Aqui estão os principais cuidados:

Monitoramento Rigoroso

  • Sinais Vitais: Aferir pressão arterial, frequência cardíaca, saturação de oxigênio e temperatura regularmente.
  • Peso Diário: Aumento rápido de peso pode indicar retenção de líquidos.
  • Balanço Hídrico: Controlar a ingestão e eliminação de líquidos para evitar sobrecarga de volume.

Administração de Medicamentos

  • Diuréticos: Como furosemida, para reduzir o edema e a congestão.
  • Vasodilatadores: Como nitroglicerina, para aliviar a carga sobre o coração.
  • Inibidores da ECA ou BRA: Para melhorar a função cardíaca.
  • Betabloqueadores: Para controlar a frequência cardíaca e a pressão arterial.
  • Digoxina: Para aumentar a força de contração do coração.

Oxigenoterapia

  • Administrar oxigênio suplementar conforme prescrição, especialmente em pacientes com dispneia ou saturação baixa.

Educação do Paciente e Familiares

  • Dieta Hipossódica: Orientar sobre a redução do sal na alimentação para evitar retenção de líquidos.
  • Restrição Hídrica: Ajustar a ingestão de líquidos conforme orientação médica.
  • Reconhecimento de Sinais de Alerta: Ensinar a identificar piora dos sintomas, como falta de ar ou ganho de peso rápido.
  • Adesão ao Tratamento: Reforçar a importância de tomar os medicamentos corretamente e seguir as orientações médicas.

Prevenção de Complicações

  • Mobilização Precoce: Incentivar a movimentação para evitar trombose venosa profunda.
  • Cuidados com a Pele: Prevenir úlceras por pressão em pacientes acamados ou com edema grave.
  • Monitoramento de Eletrólitos: Diuréticos podem causar desequilíbrios como hipocalemia (baixo potássio).

Suporte Emocional

  • A ICC pode ser uma condição limitante e estressante para o paciente e sua família. Ofereça suporte emocional e encaminhe para psicologia ou grupos de apoio, se necessário.

Dicas para Estudantes de Enfermagem

  1. Aprenda a Reconhecer os Sintomas: Familiarize-se com os sinais clínicos da ICC para agir rapidamente.
  2. Pratique a Comunicação: Explique de forma clara e empática os cuidados necessários ao paciente e familiares.
  3. Mantenha-se Atualizado: A ICC é uma área em constante evolução. Participe de cursos e leia artigos científicos.

A Insuficiência Cardíaca Congestiva é uma condição complexa que exige cuidados especializados e uma abordagem holística. A equipe de enfermagem desempenha um papel fundamental no manejo desses pacientes, desde o monitoramento clínico até o suporte emocional.

Com conhecimento técnico, atenção aos detalhes e empatia, você pode fazer a diferença na vida de quem convive com essa doença.

Referências:

  1. França , R. S. de, Barros, J. C. S., Silva, A. C., Rocha, A. C., Santos, J. M. B. dos, Marques, C. H. S., Gusmão, H. S. B. L. B. de, Júnior, A. J. A. C., Laurindo, J. V., Barros, M. R. de, Neto, R. D. C. A., Gama, M. E. S., Rebêlo, M. C. de A., Oliveira, S. da S., Reis, T. de L. A., & Lima, B. T. de. (2024). INSUFICIÊNCIA CARDÍACA CONGESTIVA E SUAS REPERCUSSÕES HEMODINÂMINAS: REVISÃO INTEGRATIVA. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 6(5), 1236–1248. https://doi.org/10.36557/2674-8169.2024v6n5p1236-1248
  2. Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica e Aguda. Arq Bras Cardiol [Internet]. 2018Sep;111(3):436–539. Available from: https://doi.org/10.5935/abc.20180190

Biomarcadores Cardíacos

Você já se perguntou como os médicos conseguem diagnosticar doenças cardíacas com tanta precisão?

Uma das ferramentas mais importantes nesse processo são os biomarcadores cardíacos. Essas substâncias, liberadas na corrente sanguínea em resposta a danos ou alterações no coração, funcionam como verdadeiros detetives, revelando pistas valiosas sobre a saúde do órgão.

O que são biomarcadores cardíacos?

Biomarcadores cardíacos são moléculas ou substâncias que podem fornecer informações importantes sobre a saúde do coração. Eles são liberados na corrente sanguínea em resposta a danos ou alterações no músculo cardíaco ou vasos e podem ser medidos por meio de exames de sangue.

Por que os biomarcadores são importantes?

Diagnóstico

 Os biomarcadores ajudam a confirmar o diagnóstico de doenças cardíacas, como o infarto agudo do miocárdio (IAM), miocardites e insuficiência cardíaca.

Prognóstico

 Ao avaliar os níveis de biomarcadores, os médicos podem estimar a gravidade da doença e prever o risco de complicações futuras.

Monitoramento

Os biomarcadores permitem acompanhar a evolução da doença e a resposta ao tratamento.

Principais tipos de biomarcadores cardíacos

Troponina

Considerada o padrão-ouro para o diagnóstico de infarto agudo do miocárdio, a troponina é uma proteína específica do músculo cardíaco.

Peptídeos natriuréticos (BNP e NT-proBNP)

 Essas substâncias são liberadas em resposta ao estiramento dos ventrículos cardíacos e são utilizadas no diagnóstico e acompanhamento da insuficiência cardíaca.

Mioglobina

 Uma proteína muscular que pode ser liberada rapidamente após uma lesão cardíaca, mas não é específica do coração.

CK-MB

Uma enzima que, embora não seja específica do coração, pode ser útil no diagnóstico de infarto agudo do miocárdio quando combinada com outros marcadores.

Outros biomarcadores

 Existem outros biomarcadores em estudo, como a proteína C reativa, que podem fornecer informações adicionais sobre o risco cardiovascular.

Como os biomarcadores são utilizados na prática clínica?

A dosagem dos biomarcadores cardíacos é realizada através de um simples exame de sangue. Os resultados são interpretados pelo médico em conjunto com outras informações clínicas, como o histórico médico do paciente, os sintomas e os resultados de outros exames.

Cuidados de Enfermagem

A coleta de biomarcadores cardíacos é um procedimento fundamental para o diagnóstico e acompanhamento de diversas doenças cardiovasculares. O enfermeiro desempenha um papel crucial nessa etapa, garantindo a qualidade da amostra e o conforto do paciente.

Preparo do Paciente

  • Jejum: Orientar o paciente sobre o período de jejum necessário antes da coleta, geralmente de 8 a 12 horas.
  • Hidratação: Incentivar a ingestão de água nas horas que antecedem a coleta, a menos que haja restrição médica.
  • Medicamentos: Verificar se o paciente está fazendo uso de algum medicamento que possa interferir nos resultados do exame, como anticoagulantes.
  • Explicar o procedimento: Informar o paciente sobre o objetivo do exame, a forma como será realizado e a importância de seguir as orientações.

Coleta da Amostra

  • Identificação: Confirmar a identidade do paciente por meio de duas vias de identificação (pulseira de identificação e verbalmente).
  • Escolha do local da punção: Preferir veias de fácil acesso, como a fossa cubital.
  • Assepsia: Realizar a assepsia do local da punção com antisséptico adequado.
  • Punção venosa: Utilizar agulha e seringa apropriadas para a coleta, realizando a punção de forma rápida e segura.
  • Ordem de coleta: Seguir a ordem de coleta dos tubos, conforme as orientações do laboratório.
  • Volume adequado: Coletar o volume de sangue necessário para cada tubo, evitando hemólise.
  • Enxágue do tubo: Enxaguar o tubo com o anticoagulante, invertendo-o suavemente.
  • Remoção da agulha: Retirar a agulha e aplicar pressão no local da punção com gaze.
  • Etiquetagem: Identificar os tubos com os dados do paciente, data e hora da coleta.

Cuidados após a Coleta

  • Monitorização: Observar o local da punção, verificando a presença de hematomas ou sangramentos.
  • Compressão: Manter compressão no local da punção por alguns minutos.
  • Disposição do material: Descartar o material utilizado de acordo com as normas de biossegurança.

Transporte e Armazenamento

  • Transporte: Transportar os tubos com a amostra em recipiente adequado, protegido da luz e em temperatura ambiente.
  • Armazenamento: Armazenar a amostra no laboratório conforme as recomendações do fabricante do kit.

Prevenção de Erros

  • Verificar a solicitação médica: Confirmar a solicitação médica antes de realizar a coleta.
  • Identificação correta do paciente: Evitar erros na identificação do paciente.
  • Ordem de coleta: Respeitar a ordem de coleta dos tubos.
  • Volume adequado: Coletar o volume correto de sangue para cada tubo.
  • Hemólise: Evitar a hemólise da amostra, manipulando o material com cuidado.

Considerações Adicionais

  • Biosegurança: Utilizar equipamentos de proteção individual (EPIs) durante todo o procedimento.
  • Conforto do paciente: Oferecer suporte emocional ao paciente durante a coleta.
  • Registro: Registrar o procedimento no prontuário do paciente.

Referências:

  1. Martinez, P. F., Oliveira-Junior, S. A., Polegato, B. F., Okoshi, K., & Okoshi, M. P.. (2019). Biomarkers in Acute Myocardial Infarction Diagnosis and Prognosis. Arquivos Brasileiros De Cardiologia, 113(1), 40–41. https://doi.org/10.5935/abc.20190131
  2. Spineti, P. P. de M.. (2019). Biomarkers in Heart Failure. Arquivos Brasileiros De Cardiologia, 113(2), 205–206. https://doi.org/10.5935/abc.20190167
  3. PARECER TÉCNICO COREN/PR Nº 12/2023
  4. MENDES, Gustavo Silva. O papel do enfermeiro no cuidado do paciente com infarto agudo do miocárdio. 2013. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Enfermagem) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2013. Disponível em: <https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/BUBD-9JMN3K/1/o_papel_do_enfermeiro_no_cuidado_do_paciente_com_infarto_agudo_do__mioc_rdio.pdf&gt;

Insuficiência Cardíaca Descompensada e a Classificação de Stevenson

A insuficiência cardíaca descompensada (ICD) é uma condição em que o coração não consegue bombear sangue suficiente para atender às necessidades do corpo. Isso leva ao acúmulo de líquido nos pulmões (congestão pulmonar) e em outras partes do corpo, causando sintomas como falta de ar, inchaço nas pernas e fadiga.

A Classificação de Stevenson

Diante da complexidade da ICD, o cardiologista americano Leonard Stevenson propôs uma classificação que auxilia na identificação do perfil hemodinâmico do paciente. Essa classificação divide os pacientes em quatro grupos (A, B, C e L), cada um com características e tratamento específicos:

Perfil A: Quente e seco

  • Características: Pacientes com boa perfusão periférica (pele quente e seca), sem sinais de congestão (edema, estertores pulmonares). A pressão arterial geralmente está elevada.
  • Fisiopatologia: O coração tenta compensar a insuficiência cardíaca aumentando o débito cardíaco, mas a pré-carga (volume de sangue que retorna ao coração) está relativamente baixa.
  • Tratamento: Foca em reduzir a pré-carga (diuréticos) e o débito cardíaco (beta-bloqueadores).

Perfil B: Quente e úmido

  • Características: Pacientes com boa perfusão periférica, mas com sinais de congestão pulmonar e sistêmica (edema, estertores, hepatomegalia).
  • Fisiopatologia: O coração tenta compensar a insuficiência cardíaca aumentando o débito cardíaco, mas a pré-carga está elevada, levando à congestão.
  • Tratamento: Foca em reduzir a pré-carga (diuréticos) e o débito cardíaco (beta-bloqueadores), além de vasodilatadores para diminuir a pós-carga.

Perfil L: Frio e seco

  • Características: Pacientes com baixa perfusão periférica (pele fria e pálida), sem sinais de congestão. A pressão arterial geralmente está baixa.
  • Fisiopatologia: O coração não consegue gerar débito cardíaco suficiente, levando à má perfusão dos órgãos.
  • Tratamento: Foca em aumentar o volume intravascular (fluidoterapia) e o débito cardíaco (inotrópicos).

Perfil C: Frio e úmido

  • Características: Pacientes com baixa perfusão periférica e sinais de congestão pulmonar e sistêmica.
  • Fisiopatologia: Representa um quadro mais grave, com choque cardiogênico.
  • Tratamento: Requer tratamento intensivo, com suporte hemodinâmico (vasopressores, inotrópicos), correção de distúrbios eletrolíticos e otimização da oxigenação.

A Importância da Classificação de Stevenson

A classificação de Stevenson é uma ferramenta valiosa para o médico, pois permite:

  • Individualizar o tratamento: Cada perfil exige um tratamento específico, o que otimiza a resposta terapêutica e minimiza os efeitos adversos.
  • Aumentar a segurança do paciente: A identificação correta do perfil hemodinâmico evita o uso de medicamentos inadequados, que podem agravar o quadro clínico.
  • Melhorar o prognóstico: O tratamento adequado da ICD, baseado na classificação de Stevenson, pode prolongar a vida e melhorar a qualidade de vida do paciente.

Fatores que levam à descompensação da insuficiência cardíaca

  • Não adesão ao tratamento medicamentoso;
  • Infecções;
  • Sobrecarga hídrica e salina;
  • Infarto agudo do miocárdio;
  • Arritmias cardíacas;
  • Tromboembolismo pulmonar;
  • Piora da insuficiência mitral;
  • Doença valvar não diagnosticada.

Tratamento da Insuficiência Cardíaca Descompensada

O tratamento da ICD é complexo e envolve diversas medidas, como:

  • Oxigenoterapia: Para melhorar a oxigenação do sangue.
  • Diuréticos: Para reduzir o excesso de líquido no organismo.
  • Vasodilatadores: Para diminuir a pressão arterial e facilitar o trabalho do coração.
  • Inotrópicos: Para aumentar a força de contração do coração.
  • Tratamento das causas subjacentes: Como hipertensão, diabetes e doenças valvares.

Cuidados de Enfermagem

Monitorização

    • Sinais vitais: Frequência cardíaca, pressão arterial, frequência respiratória e temperatura devem ser monitorados regularmente para identificar qualquer alteração que possa indicar deterioração clínica.
    • Saturação de oxigênio: A oximetria de pulso é fundamental para avaliar a oxigenação do paciente e identificar a necessidade de oxigênio suplementar.
    • Balanço hídrico: O controle rigoroso do balanço hídrico é essencial para evitar sobrecarga hídrica e prevenir o edema.
    • Diurese: A diurese deve ser monitorada para avaliar a eficácia da terapia diurética.
    • Ruídos cardíacos e pulmonares: A ausculta cardíaca e pulmonar permite identificar alterações como sopros cardíacos, estertores e roncos, que podem indicar congestão.

Administração de medicamentos

    • Diuréticos: A administração precisa e segura de diuréticos é fundamental para controlar o edema e a congestão pulmonar.
    • Inotrópicos: A administração de inotrópicos requer monitorização rigorosa da pressão arterial e da frequência cardíaca.
    • Vasodilatadores: A administração de vasodilatadores deve ser feita com cautela, monitorando a pressão arterial e a frequência cardíaca.

Educação em saúde

    • Restrição hídrica e salina: O paciente deve ser orientado sobre a importância de restringir a ingestão de líquidos e sódio para controlar o edema.
    • Uso correto dos medicamentos: É fundamental que o paciente conheça os medicamentos prescritos, a dosagem correta e os possíveis efeitos colaterais.
    • Sintomas de alerta: O paciente deve ser orientado sobre os sintomas de alerta da descompensação cardíaca, como aumento de peso, falta de ar, tosse, edema e fadiga.

Promoção da atividade física

    • Exercícios: A atividade física regular, sob orientação médica, é importante para melhorar a capacidade funcional e a qualidade de vida.

Suporte psicológico

    • Escuta ativa: É importante ouvir o paciente e seus familiares, oferecendo apoio emocional e esclarecendo suas dúvidas.
    • Enfrentamento: Ajudar o paciente a lidar com as limitações impostas pela doença e a desenvolver estratégias de enfrentamento.

Outros cuidados importantes

  • Posicionamento: Elevar a cabeceira da cama pode facilitar a respiração e reduzir o edema pulmonar.
  • Higiene: A higiene corporal adequada é importante para prevenir infecções.
  • Nutrição: Uma dieta equilibrada, com baixo teor de sódio, é essencial para controlar o edema.

Diagnósticos de enfermagem comuns na ICD

  • Troca de gases prejudicada: Relacionada à congestão pulmonar.
  • Volume de líquidos excessivo: Relacionado à retenção hídrica.
  • Intolerância à atividade: Relacionada à fadiga e dispneia.
  • Conhecimento deficiente: Relacionado à falta de informação sobre a doença e o tratamento.

Referências:

  1. Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica e Aguda
  2. Mangini, S., Pires, P. V., Braga, F. G. M., & Bacal, F.. (2013). Insuficiência cardíaca descompensada. Einstein (são Paulo), 11(3), 383–391. https://doi.org/10.1590/S1679-45082013000300022
  3. Barbosa, C. C., Perinote, L. C. S. C., Gomes, R. C., Oliveira, F. T., & Costa, J. S. (2024). Cuidados de enfermagem no paciente com insuficiência cardíaca congestiva descompensada. Brazilian Journal of Health Review, 7(2), 1-12. https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/69175

Os tipos de Embolia

A embolia é um evento no qual um corpo estranho presente na corrente sanguínea viaja pelo organismo e acaba ficando impactado em uma artéria, geralmente de pequeno calibre, provocando obstrução da passagem de sangue e consequente isquemia dos tecidos nutridos pelo vaso obstruído.

Os Tipos de Embolia (Êmbolo)

O corpo estranho que provoca a embolia é chamado de êmbolo. Existem vários tipos de embolia, cada um com suas características específicas:

Embolia por Colesterol

    • Ocorre quando pequenos fragmentos de placas de colesterol se desprendem das paredes das artérias e viajam pela corrente sanguínea.
    • Esses fragmentos podem obstruir vasos sanguíneos, causando isquemia nos tecidos afetados.
    • Geralmente associada a doenças ateroscleróticas.

Embolia por Gordura

    • Resulta da liberação de pequenas gotículas de gordura na circulação sanguínea.
    • Pode ocorrer após fraturas ósseas, especialmente fraturas longas como as do fêmur.
    • Os êmbolos de gordura podem obstruir vasos sanguíneos nos pulmões, cérebro e outros órgãos.

Embolia por Gás

    • Ocorre quando bolhas de gás entram na corrente sanguínea.
    • Pode ser causada por trauma, procedimentos médicos ou mergulho profundo.
    • A embolia gasosa pode afetar o cérebro, coração e outros órgãos.

Embolia por Líquido Amniótico:

    • Rara, mas grave.
    • O líquido amniótico, que envolve o feto durante a gravidez, entra na corrente sanguínea da mãe.
    • Pode causar insuficiência cardíaca, dificuldade respiratória e até morte.

Embolia Tumoral

    • Ocorre quando células cancerígenas ou fragmentos de tumores se desprendem e viajam pelo sangue.
    • Esses êmbolos podem se alojar em outros órgãos, causando complicações graves.

Embolia por Corpo Estranho

    • Resulta da entrada acidental de objetos estranhos na corrente sanguínea.
    • Exemplos incluem fragmentos de cateteres, agulhas ou próteses.
    • Pode levar à obstrução vascular e danos aos tecidos.

Embolia Parasitária

    • Causada por parasitas que entram na circulação sanguínea.
    • Exemplos incluem a embolia por Schistosoma (causador da esquistossomose) e a embolia por filárias.

Cuidados de Enfermagem

  1. Monitoramento Contínuo:
    • Avalie constantemente os sinais vitais do paciente, incluindo frequência cardíaca, pressão arterial, frequência respiratória e saturação de oxigênio.
    • Observe qualquer alteração súbita nos sinais vitais, que pode indicar uma complicação relacionada à embolia.
  2. Prevenção de Novas Embolias:
    • Identifique e trate fatores de risco subjacentes, como doenças cardíacas, trombose venosa profunda (TVP) ou aterosclerose.
    • Incentive a mobilização precoce para prevenir a estase sanguínea e a formação de coágulos.
  3. Monitoramento Respiratório:
    • Pacientes com embolia pulmonar devem ser monitorados quanto à dispneia, dor torácica, tosse e sibilos.
    • Administre oxigênio conforme necessário e observe a saturação de oxigênio.
  4. Anticoagulação:
    • Se o paciente estiver em tratamento anticoagulante (como heparina ou varfarina), monitore os níveis de coagulação e ajuste a dose conforme necessário.
    • Eduque o paciente sobre a importância da adesão ao tratamento anticoagulante e os sinais de sangramento excessivo.
  5. Posicionamento Adequado:
    • Elevação das pernas pode ajudar a melhorar o retorno venoso e reduzir o risco de formação de coágulos.
    • Evite posições que possam comprimir vasos sanguíneos.
  6. Avaliação Neurológica:
    • Pacientes com embolia cerebral devem ser avaliados quanto a alterações neurológicas, como fraqueza, dormência, dificuldade na fala ou confusão.
    • Observe sinais de acidente vascular cerebral (AVC) ou isquemia cerebral.
  7. Suporte Psicológico:
    • A embolia pode ser uma experiência assustadora para o paciente. Ofereça apoio emocional e eduque-o sobre sua condição.

Lembre-se de que essas são diretrizes gerais e que o plano de cuidados específico deve ser adaptado às necessidades individuais de cada paciente.

Referências:

  1. MD Saúde
  2. Educar Saúde

Endocardite vs. Pericardite: Quais as diferenças?

A endocardite e a pericardite são duas condições que afetam o coração, mas de formas distintas. Para entender melhor essas doenças, vamos comparar seus principais aspectos:

O que é cada uma?

  • Endocardite: É uma inflamação do endocárdio, a membrana que reveste o interior do coração e as válvulas cardíacas. Essa inflamação geralmente é causada por uma infecção, como a bactéria estreptococo.
  • Pericardite: É uma inflamação do pericárdio, a membrana que envolve o coração como um saco. Essa inflamação pode ter diversas causas, incluindo infecções, doenças autoimunes, tumores e até mesmo infarto do miocárdio.

Quais os principais sintomas?

Os sintomas de ambas as doenças podem ser semelhantes e variar bastante de pessoa para pessoa. No entanto, alguns sintomas são mais comuns em cada uma:

  • Endocardite: Febre, fadiga, perda de peso, dificuldade para respirar, tosse, dor nas articulações, manchas vermelhas na pele (petéquias) e sopros cardíacos.
  • Pericardite: Dor no peito que piora ao deitar ou respirar fundo, dificuldade para respirar, tosse seca, febre baixa e inchaço nas pernas.

Quais as causas?

  • Endocardite: A principal causa é a infecção bacteriana, mas também pode ser causada por fungos ou vírus.
  • Pericardite: As causas são mais variadas e podem incluir infecções, doenças autoimunes, tumores, infarto do miocárdio, radioterapia e até mesmo medicamentos.

Como são diagnosticadas?

O diagnóstico de ambas as doenças envolve:

  • Exame físico: O médico ouvirá o coração com um estetoscópio para identificar sopros cardíacos e outros ruídos.
  • Eletrocardiograma (ECG): Avalia a atividade elétrica do coração.
  • Ecocardiograma: Utiliza ondas sonoras para criar imagens do coração e identificar alterações estruturais e funcionais.
  • Exames de sangue: Avaliam a presença de marcadores inflamatórios e infecciosos.
  • Radiografia de tórax: Pode revelar alterações no tamanho do coração ou a presença de líquido ao redor do coração.

Tratamento

O tratamento depende da causa e da gravidade da doença:

  • Endocardite: Geralmente envolve o uso de antibióticos de alta potência por um longo período. Em casos mais graves, pode ser necessária cirurgia.
  • Pericardite: O tratamento pode incluir medicamentos anti-inflamatórios, analgésicos e, em alguns casos, corticosteroides. Em casos mais graves, pode ser necessário drenar o líquido acumulado ao redor do coração.

Complicações

  • Endocardite: Pode levar a insuficiência cardíaca, embolia (obstrução de um vaso sanguíneo por um coágulo), abscessos no coração e até mesmo a morte.
  • Pericardite: Pode levar ao acúmulo de líquido ao redor do coração (tamponamento cardíaco), que pode comprimir o coração e dificultar a sua função.

Referência:

  1. Montera MW, Mesquita ET, Colafranceschi AS, Oliveira Jr. AC de, Rabischoffsky A, Ianni BM, et al.. I Diretriz brasileira de miocardites e pericardites. Arq Bras Cardiol [Internet]. 2013;100(4):01–36. Available from: https://doi.org/10.5935/abc.2013S004