PCR na Gestante: Minutos Decisivos

RCP Gestante 2025

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 10/10/2026.

Na parada cardiorrespiratória (PCR) durante a gestação, a equipe precisa agir sem perder tempo com a transferência da paciente ou com procedimentos que atrasem as compressões. As manobras de ressuscitação de alta qualidade continuam sendo prioridade, com adaptações específicas para reduzir os efeitos da gravidez sobre a circulação materna.

O que muda na reanimação materna?

A partir da altura do fundo uterino no umbigo ou acima dele, o útero pode comprimir grandes vasos e reduzir o retorno venoso. Durante a RCP, deve-se realizar o deslocamento uterino manual para a esquerda, mantendo a paciente em posição adequada para compressões torácicas eficazes. Inclinar excessivamente o corpo ou elevar o quadril de forma que prejudique as compressões deve ser evitado.

Imagine uma equipe iniciando as compressões em uma gestante com fundo uterino acima do umbigo. Enquanto um profissional mantém as compressões, outro pode realizar o deslocamento uterino manual, sem interromper a RCP. Essa divisão de tarefas deve ser treinada previamente, pois evita improvisos em uma emergência real.

Compressões, desfibrilação e via aérea

As compressões torácicas devem seguir os parâmetros de RCP de alta qualidade para adultos, com frequência de 100 a 120 por minuto e profundidade de aproximadamente 5 a 6 cm. Se houver indicação, a desfibrilação deve ser realizada com as energias habituais, sem atrasos por causa da gravidez.

A via aérea merece atenção especial, pois alterações fisiológicas da gestação aumentam o risco de dessaturação rápida e podem dificultar a intubação. A equipe deve priorizar oxigenação e ventilação eficazes, com o profissional mais experiente disponível para o manejo avançado da via aérea. Quando houver via aérea avançada, a ventilação deve seguir o protocolo de suporte avançado de vida, evitando hiperventilação.

Na prática, se a equipe estiver monitorando o ritmo e preparando o desfibrilador, a presença de uma gestante não deve atrasar a análise do ritmo nem o choque quando indicado. A prioridade é seguir o algoritmo de PCR, adaptando simultaneamente as medidas obstétricas necessárias.

Parto de reanimação: quando preparar?

Se o fundo uterino estiver na altura ou acima do umbigo e não houver retorno da circulação espontânea com as manobras iniciais, deve-se considerar o parto de reanimação. A preparação deve começar assim que a PCR for reconhecida, com objetivo de realizar o parto até cinco minutos após o início da parada, quando indicado.

Em uma PCR intra-hospitalar, o procedimento deve ser realizado no local da parada, sem deslocar a paciente para o centro cirúrgico. A finalidade é aliviar a compressão aortocava e favorecer a reanimação materna, além de possibilitar a assistência ao recém-nascido. A equipe deve acionar precocemente os profissionais obstétricos e neonatais, sem interromper as manobras de ressuscitação.

Investigue as causas reversíveis

Além das causas habituais de PCR, é necessário considerar condições associadas à gestação e ao parto, como hemorragia, embolia pulmonar, embolia de líquido amniótico, complicações anestésicas, pré-eclâmpsia/eclâmpsia, sepse e cardiopatias. A investigação das causas reversíveis deve ocorrer durante a reanimação, sem atrasar as intervenções essenciais.

A equipe também deve considerar particularidades terapêuticas: acessos intravenosos ou intraósseos nos membros superiores são preferíveis aos inferiores quando possível, e a administração de cálcio pode ser razoável se a parada ocorrer durante a infusão intravenosa de sulfato de magnésio. A monitorização fetal deve ser interrompida durante a PCR materna para que não atrapalhe a reanimação.

Cuidados de enfermagem

A enfermagem deve reconhecer a PCR, acionar imediatamente a equipe de emergência, iniciar ou apoiar as compressões, preparar o desfibrilador e auxiliar no manejo da via aérea e dos acessos. Também deve colaborar com o deslocamento uterino manual, registrar os horários relevantes e organizar os materiais para o parto de reanimação, quando indicado.

Simulações periódicas, definição clara de funções e disponibilidade de equipamentos ajudam a reduzir atrasos. A atuação deve seguir o protocolo institucional atualizado e as competências profissionais de cada integrante da equipe.

Resumo para salvar

PCR na Gestante: Minutos Decisivos

  • Inicie RCP de alta qualidade imediatamente
  • Faça deslocamento uterino manual quando indicado
  • Prepare precocemente o parto de reanimação
  • Investigue causas reversíveis sem atrasar as manobras

Referências:

  1. AMERICAN HEART ASSOCIATION. 2025 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care: Part 10 — Adult and Pediatric Special Circumstances of Resuscitation. Circulation, 2025. Disponível em: https://www.ahajournals.org/doi/pdf/10.1161/CIR.0000000000001380.
  2. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Part 10: Adult and Pediatric Special Circumstances of Resuscitation. 2025. Disponível em: https://cpr.heart.org/en/resuscitation-science/cpr-and-ecc-guidelines/adult-and-pediatric-special-circumstances.
  3. LAVERY, K. E. et al. Cardiac arrest in pregnancy. Obstetrics & Gynecology, v. 131, n. 5, p. 861–871, 2018. Disponível em: https://journals.lww.com/greenjournal/fulltext/2018/05000/cardiac_arrest_in_pregnancy.20.aspx. 

Hipertensão arterial sistêmica (HAS)

Hoje vamos conversar sobre um tema super importante e muito prevalente na nossa prática: a Hipertensão Arterial Sistêmica, ou HAS. Tenho certeza que vocês já ouviram falar, mas vamos aprofundar um pouco para entender todos os detalhes e, principalmente, o nosso papel crucial no cuidado desses pacientes.

Preparados?

O Que é, Afinal, Essa Tal de HAS?

De forma bem simples, a Hipertensão Arterial Sistêmica acontece quando a pressão que o sangue exerce nas paredes das nossas artérias se eleva de forma crônica. Imagina as artérias como canos por onde o sangue flui. Quando essa pressão fica muito alta por um longo período, pode danificar esses “canos” e também o “motor” que bombeia o sangue, que é o nosso coração.

A pressão arterial é medida por dois números: a pressão sistólica (o número mais alto), que representa a pressão quando o coração se contrai para bombear o sangue, e a pressão diastólica (o número mais baixo), que representa a pressão quando o coração relaxa entre as batidas. Consideramos hipertensão quando essas medidas ficam iguais ou acima de 140 mmHg (sistólica) e/ou 90 mmHg (diastólica) em diversas medições.

O grande problema da HAS é que, na maioria das vezes, ela é silenciosa. Muitas pessoas convivem com a pressão alta por anos sem sentir nenhum sintoma. É por isso que ela é conhecida como o “assassino silencioso”. E é justamente essa falta de sintomas que torna o diagnóstico tardio e aumenta o risco de complicações graves.

Por Que a Pressão Sobe? Entendendo as Causas

As causas da HAS podem ser divididas em dois grandes grupos:

  • Hipertensão Primária (ou Essencial): Essa é a forma mais comum, representando cerca de 90% dos casos. Nela, não conseguimos identificar uma única causa específica para a elevação da pressão. Ela geralmente se desenvolve ao longo dos anos e está relacionada a diversos fatores como histórico familiar de hipertensão, idade avançada, obesidade, sedentarismo, consumo excessivo de sal, estresse e tabagismo. É uma combinação de fatores genéticos e de estilo de vida.
  • Hipertensão Secundária: Essa forma é menos comum e geralmente tem uma causa subjacente identificável, como doenças renais, problemas hormonais (como o hiperaldosteronismo), apneia do sono, uso de certos medicamentos (como alguns anticoncepcionais e descongestionantes nasais) e até mesmo a gravidez (pré-eclâmpsia). Nesses casos, o tratamento da causa primária muitas vezes leva à normalização da pressão arterial.

É importante que a equipe médica investigue a possível causa da hipertensão para direcionar o tratamento de forma mais eficaz.

Os Perigos da Pressão Alta Não Controlada

Deixar a hipertensão sem tratamento ou com controle inadequado pode trazer consequências sérias para a saúde, afetando diversos órgãos e sistemas do nosso corpo:

  • Doenças Cardiovasculares: A pressão alta força o coração a trabalhar mais, o que pode levar ao espessamento do músculo cardíaco (hipertrofia ventricular esquerda), angina (dor no peito), infarto agudo do miocárdio (ataque cardíaco) e insuficiência cardíaca (quando o coração não consegue bombear sangue suficiente para o corpo).
  • Acidente Vascular Cerebral (AVC): A pressão alta pode enfraquecer as paredes dos vasos sanguíneos do cérebro, aumentando o risco de rompimento (AVC hemorrágico) ou obstrução por coágulos (AVC isquêmico).
  • Doença Renal Crônica: A hipertensão danifica os pequenos vasos sanguíneos dos rins, prejudicando sua capacidade de filtrar o sangue, o que pode levar à insuficiência renal e à necessidade de diálise.
  • Problemas de Visão: A pressão alta pode afetar os vasos sanguíneos da retina, causando a retinopatia hipertensiva, que pode levar à perda da visão.
  • Outras Complicações: A HAS também pode contribuir para o desenvolvimento de demência vascular, disfunção erétil e doença arterial periférica.

Por isso, a detecção precoce e o controle adequado da hipertensão são fundamentais para prevenir essas complicações e garantir uma melhor qualidade de vida para o paciente.

O Papel Essencial da Enfermagem no Cuidado ao Paciente Hipertenso

Nós, profissionais de enfermagem, desempenhamos um papel crucial em todas as fases do cuidado ao paciente com HAS. Nossa atuação vai desde a detecção precoce até o acompanhamento contínuo e a educação para a saúde.

Na Detecção e Diagnóstico:

  • Aferição da Pressão Arterial: Realizar a aferição da pressão arterial de forma correta, seguindo as técnicas padronizadas e utilizando equipamentos calibrados. Registrar os valores de forma clara e precisa no prontuário do paciente.
  • Identificação de Fatores de Risco: Durante a anamnese, identificar os fatores de risco para HAS presentes no paciente (histórico familiar, hábitos de vida, comorbidades).
  • Orientação sobre a Medição Domiciliar da Pressão Arterial (MAPA e MRPA): Explicar ao paciente a importância e a forma correta de realizar a Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) e a Medida Residencial da Pressão Arterial (MRPA), quando indicadas, e orientar sobre o registro dos resultados.

No Tratamento e Acompanhamento:

  • Administração de Medicamentos: Garantir a administração correta da medicação anti-hipertensiva prescrita, observando a dose, a via e o horário. Orientar o paciente sobre a importância da adesão ao tratamento, os possíveis efeitos colaterais e como lidar com eles.
  • Monitorização dos Sinais Vitais: Acompanhar regularmente os sinais vitais, especialmente a pressão arterial, e observar a resposta ao tratamento medicamentoso e não medicamentoso.
  • Identificação de Sinais de Alerta: Estar atento a sinais e sintomas que possam indicar descontrole da pressão ou complicações, como dor de cabeça intensa, tontura, alterações visuais, dor no peito, falta de ar e edema (inchaço). Comunicar imediatamente qualquer alteração à equipe médica.
  • Promoção de um Estilo de Vida Saudável: Essa é uma das nossas principais frentes de atuação. Precisamos orientar o paciente sobre a importância de:
    • Alimentação saudável: Redução do consumo de sal, gorduras saturadas e alimentos processados, e aumento da ingestão de frutas, verduras, legumes e fibras.
    • Prática regular de atividade física: Incentivar a realização de exercícios aeróbicos (caminhada, corrida, natação) por pelo menos 30 minutos na maioria dos dias da semana.
    • Controle do peso: Orientar sobre estratégias para alcançar e manter um peso saudável.
    • Abandono do tabagismo: Informar sobre os malefícios do cigarro e oferecer apoio para a cessação.
    • Moderação no consumo de álcool: Orientar sobre os limites seguros de consumo de bebidas alcoólicas.
    • Gerenciamento do estresse: Ensinar técnicas de relaxamento e estratégias para lidar com o estresse do dia a dia.

Na Educação em Saúde:

  • Esclarecimento sobre a HAS: Explicar de forma clara e acessível o que é a hipertensão, suas causas, os riscos de não tratamento e a importância do controle.
  • Reforço da Adesão ao Tratamento: Motivar o paciente a seguir as orientações médicas e a manter a medicação, mesmo quando se sentir bem.
  • Empoderamento do Paciente: Ensinar o paciente a monitorar sua pressão arterial em casa, a reconhecer sinais de alerta e a participar ativamente do seu tratamento.
  • Suporte Emocional: Oferecer apoio emocional e escuta qualificada, pois o diagnóstico de uma doença crônica como a HAS pode gerar ansiedade e medo.

Nosso trabalho como profissionais de enfermagem são fundamentais para o sucesso do tratamento da HAS. Através da nossa avaliação, da administração de cuidados, da educação e do apoio, podemos contribuir significativamente para a prevenção de complicações e para a melhora da qualidade de vida dos nossos pacientes.

Referências:

  1. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 1 v. 116, n. 3, p. 516-658, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abc/a/mprRj48g27P86q7mG7nKkYt/?format=pdf.
  2. MALACHIAS, M. V. B. et al. 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 107, n. 3 supl. 3, p. 1-83, 2016. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abc/a/mprRj48g27P86q7mG7nKkYt/?format=pdf.
  3. SMELTZER, S. C.; BARE, B. G.; HINKLE, J. L.; CHEEVER, K. H. Brunner & Suddarth’s textbook of medical-surgical nursing. 14. ed. Philadelphia: Wolters Kluwer, 2018.

Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC)

A Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC) é uma condição grave e cada vez mais comum, especialmente em idosos e pessoas com doenças crônicas.

Ela ocorre quando o coração não consegue bombear sangue suficiente para atender às necessidades do corpo, levando a sintomas como falta de ar, fadiga e inchaço.

Nesta publicação, vamos explicar o que é a ICC, seus sintomas, causas e, principalmente, os cuidados de enfermagem essenciais para o manejo desses pacientes.

O Que é Insuficiência Cardíaca Congestiva?

A ICC é uma síndrome clínica caracterizada pela incapacidade do coração de bombear sangue de forma eficiente. Isso pode acontecer porque o músculo cardíaco está fraco (insuficiência sistólica) ou porque ele não relaxa adequadamente (insuficiência diastólica).

Como resultado, o sangue pode “congestionar” nos pulmões, fígado, membros inferiores e outros órgãos, daí o termo “congestiva”.

Principais Causas da ICC

A ICC pode ser causada por diversas condições, incluindo:

Sintomas da Insuficiência Cardíaca Congestiva

Os sintomas variam de acordo com a gravidade da doença, mas os mais comuns são:

  • Falta de ar (dispneia), especialmente ao deitar (ortopneia) ou durante a noite (dispneia paroxística noturna).
  • Fadiga e fraqueza.
  • Inchaço (edema) nas pernas, pés e abdômen.
  • Tosse seca ou com secreção espumosa.
  • Ganho de peso rápido devido à retenção de líquidos.
  • Palpitações ou batimentos cardíacos irregulares.

Cuidados de Enfermagem na ICC

O manejo da ICC exige uma abordagem multidisciplinar, e a equipe de enfermagem desempenha um papel crucial. Aqui estão os principais cuidados:

Monitoramento Rigoroso

  • Sinais Vitais: Aferir pressão arterial, frequência cardíaca, saturação de oxigênio e temperatura regularmente.
  • Peso Diário: Aumento rápido de peso pode indicar retenção de líquidos.
  • Balanço Hídrico: Controlar a ingestão e eliminação de líquidos para evitar sobrecarga de volume.

Administração de Medicamentos

  • Diuréticos: Como furosemida, para reduzir o edema e a congestão.
  • Vasodilatadores: Como nitroglicerina, para aliviar a carga sobre o coração.
  • Inibidores da ECA ou BRA: Para melhorar a função cardíaca.
  • Betabloqueadores: Para controlar a frequência cardíaca e a pressão arterial.
  • Digoxina: Para aumentar a força de contração do coração.

Oxigenoterapia

  • Administrar oxigênio suplementar conforme prescrição, especialmente em pacientes com dispneia ou saturação baixa.

Educação do Paciente e Familiares

  • Dieta Hipossódica: Orientar sobre a redução do sal na alimentação para evitar retenção de líquidos.
  • Restrição Hídrica: Ajustar a ingestão de líquidos conforme orientação médica.
  • Reconhecimento de Sinais de Alerta: Ensinar a identificar piora dos sintomas, como falta de ar ou ganho de peso rápido.
  • Adesão ao Tratamento: Reforçar a importância de tomar os medicamentos corretamente e seguir as orientações médicas.

Prevenção de Complicações

  • Mobilização Precoce: Incentivar a movimentação para evitar trombose venosa profunda.
  • Cuidados com a Pele: Prevenir úlceras por pressão em pacientes acamados ou com edema grave.
  • Monitoramento de Eletrólitos: Diuréticos podem causar desequilíbrios como hipocalemia (baixo potássio).

Suporte Emocional

  • A ICC pode ser uma condição limitante e estressante para o paciente e sua família. Ofereça suporte emocional e encaminhe para psicologia ou grupos de apoio, se necessário.

Dicas para Estudantes de Enfermagem

  1. Aprenda a Reconhecer os Sintomas: Familiarize-se com os sinais clínicos da ICC para agir rapidamente.
  2. Pratique a Comunicação: Explique de forma clara e empática os cuidados necessários ao paciente e familiares.
  3. Mantenha-se Atualizado: A ICC é uma área em constante evolução. Participe de cursos e leia artigos científicos.

A Insuficiência Cardíaca Congestiva é uma condição complexa que exige cuidados especializados e uma abordagem holística. A equipe de enfermagem desempenha um papel fundamental no manejo desses pacientes, desde o monitoramento clínico até o suporte emocional.

Com conhecimento técnico, atenção aos detalhes e empatia, você pode fazer a diferença na vida de quem convive com essa doença.

Referências:

  1. França , R. S. de, Barros, J. C. S., Silva, A. C., Rocha, A. C., Santos, J. M. B. dos, Marques, C. H. S., Gusmão, H. S. B. L. B. de, Júnior, A. J. A. C., Laurindo, J. V., Barros, M. R. de, Neto, R. D. C. A., Gama, M. E. S., Rebêlo, M. C. de A., Oliveira, S. da S., Reis, T. de L. A., & Lima, B. T. de. (2024). INSUFICIÊNCIA CARDÍACA CONGESTIVA E SUAS REPERCUSSÕES HEMODINÂMINAS: REVISÃO INTEGRATIVA. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 6(5), 1236–1248. https://doi.org/10.36557/2674-8169.2024v6n5p1236-1248
  2. Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica e Aguda. Arq Bras Cardiol [Internet]. 2018Sep;111(3):436–539. Available from: https://doi.org/10.5935/abc.20180190

Biomarcadores Cardíacos

Você já se perguntou como os médicos conseguem diagnosticar doenças cardíacas com tanta precisão?

Uma das ferramentas mais importantes nesse processo são os biomarcadores cardíacos. Essas substâncias, liberadas na corrente sanguínea em resposta a danos ou alterações no coração, funcionam como verdadeiros detetives, revelando pistas valiosas sobre a saúde do órgão.

O que são biomarcadores cardíacos?

Biomarcadores cardíacos são moléculas ou substâncias que podem fornecer informações importantes sobre a saúde do coração. Eles são liberados na corrente sanguínea em resposta a danos ou alterações no músculo cardíaco ou vasos e podem ser medidos por meio de exames de sangue.

Por que os biomarcadores são importantes?

Diagnóstico

 Os biomarcadores ajudam a confirmar o diagnóstico de doenças cardíacas, como o infarto agudo do miocárdio (IAM), miocardites e insuficiência cardíaca.

Prognóstico

 Ao avaliar os níveis de biomarcadores, os médicos podem estimar a gravidade da doença e prever o risco de complicações futuras.

Monitoramento

Os biomarcadores permitem acompanhar a evolução da doença e a resposta ao tratamento.

Principais tipos de biomarcadores cardíacos

Troponina

Considerada o padrão-ouro para o diagnóstico de infarto agudo do miocárdio, a troponina é uma proteína específica do músculo cardíaco.

Peptídeos natriuréticos (BNP e NT-proBNP)

 Essas substâncias são liberadas em resposta ao estiramento dos ventrículos cardíacos e são utilizadas no diagnóstico e acompanhamento da insuficiência cardíaca.

Mioglobina

 Uma proteína muscular que pode ser liberada rapidamente após uma lesão cardíaca, mas não é específica do coração.

CK-MB

Uma enzima que, embora não seja específica do coração, pode ser útil no diagnóstico de infarto agudo do miocárdio quando combinada com outros marcadores.

Outros biomarcadores

 Existem outros biomarcadores em estudo, como a proteína C reativa, que podem fornecer informações adicionais sobre o risco cardiovascular.

Como os biomarcadores são utilizados na prática clínica?

A dosagem dos biomarcadores cardíacos é realizada através de um simples exame de sangue. Os resultados são interpretados pelo médico em conjunto com outras informações clínicas, como o histórico médico do paciente, os sintomas e os resultados de outros exames.

Cuidados de Enfermagem

A coleta de biomarcadores cardíacos é um procedimento fundamental para o diagnóstico e acompanhamento de diversas doenças cardiovasculares. O enfermeiro desempenha um papel crucial nessa etapa, garantindo a qualidade da amostra e o conforto do paciente.

Preparo do Paciente

  • Jejum: Orientar o paciente sobre o período de jejum necessário antes da coleta, geralmente de 8 a 12 horas.
  • Hidratação: Incentivar a ingestão de água nas horas que antecedem a coleta, a menos que haja restrição médica.
  • Medicamentos: Verificar se o paciente está fazendo uso de algum medicamento que possa interferir nos resultados do exame, como anticoagulantes.
  • Explicar o procedimento: Informar o paciente sobre o objetivo do exame, a forma como será realizado e a importância de seguir as orientações.

Coleta da Amostra

  • Identificação: Confirmar a identidade do paciente por meio de duas vias de identificação (pulseira de identificação e verbalmente).
  • Escolha do local da punção: Preferir veias de fácil acesso, como a fossa cubital.
  • Assepsia: Realizar a assepsia do local da punção com antisséptico adequado.
  • Punção venosa: Utilizar agulha e seringa apropriadas para a coleta, realizando a punção de forma rápida e segura.
  • Ordem de coleta: Seguir a ordem de coleta dos tubos, conforme as orientações do laboratório.
  • Volume adequado: Coletar o volume de sangue necessário para cada tubo, evitando hemólise.
  • Enxágue do tubo: Enxaguar o tubo com o anticoagulante, invertendo-o suavemente.
  • Remoção da agulha: Retirar a agulha e aplicar pressão no local da punção com gaze.
  • Etiquetagem: Identificar os tubos com os dados do paciente, data e hora da coleta.

Cuidados após a Coleta

  • Monitorização: Observar o local da punção, verificando a presença de hematomas ou sangramentos.
  • Compressão: Manter compressão no local da punção por alguns minutos.
  • Disposição do material: Descartar o material utilizado de acordo com as normas de biossegurança.

Transporte e Armazenamento

  • Transporte: Transportar os tubos com a amostra em recipiente adequado, protegido da luz e em temperatura ambiente.
  • Armazenamento: Armazenar a amostra no laboratório conforme as recomendações do fabricante do kit.

Prevenção de Erros

  • Verificar a solicitação médica: Confirmar a solicitação médica antes de realizar a coleta.
  • Identificação correta do paciente: Evitar erros na identificação do paciente.
  • Ordem de coleta: Respeitar a ordem de coleta dos tubos.
  • Volume adequado: Coletar o volume correto de sangue para cada tubo.
  • Hemólise: Evitar a hemólise da amostra, manipulando o material com cuidado.

Considerações Adicionais

  • Biosegurança: Utilizar equipamentos de proteção individual (EPIs) durante todo o procedimento.
  • Conforto do paciente: Oferecer suporte emocional ao paciente durante a coleta.
  • Registro: Registrar o procedimento no prontuário do paciente.

Referências:

  1. Martinez, P. F., Oliveira-Junior, S. A., Polegato, B. F., Okoshi, K., & Okoshi, M. P.. (2019). Biomarkers in Acute Myocardial Infarction Diagnosis and Prognosis. Arquivos Brasileiros De Cardiologia, 113(1), 40–41. https://doi.org/10.5935/abc.20190131
  2. Spineti, P. P. de M.. (2019). Biomarkers in Heart Failure. Arquivos Brasileiros De Cardiologia, 113(2), 205–206. https://doi.org/10.5935/abc.20190167
  3. PARECER TÉCNICO COREN/PR Nº 12/2023
  4. MENDES, Gustavo Silva. O papel do enfermeiro no cuidado do paciente com infarto agudo do miocárdio. 2013. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Enfermagem) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2013. Disponível em: <https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/BUBD-9JMN3K/1/o_papel_do_enfermeiro_no_cuidado_do_paciente_com_infarto_agudo_do__mioc_rdio.pdf&gt;

Insuficiência Cardíaca Descompensada e a Classificação de Stevenson

insuficiência cardíaca descompensada (ICD)

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 18/10/2026.

Na insuficiência cardíaca descompensada, a pressão arterial isolada não revela toda a gravidade do quadro. Um paciente pode manter a pressão aparentemente adequada e, ainda assim, apresentar congestão importante ou sinais de perfusão inadequada. A classificação de Stevenson ajuda a organizar essa avaliação à beira do leito, combinando dois aspectos: presença de congestão e qualidade da perfusão periférica.

Os quatro perfis hemodinâmicos

A classificação combina os termos “quente” e “frio”, relacionados à perfusão, com “seco” e “úmido”, que indicam ausência ou presença de congestão clínica.

  • Perfil A — quente e seco: há perfusão preservada e ausência de sinais relevantes de congestão. É o perfil mais compensado entre os quatro, embora os sintomas e a causa da descompensação ainda precisem ser investigados.
  • Perfil B — quente e úmido: o paciente mantém perfusão periférica adequada, mas apresenta congestão, que pode se manifestar por dispneia, ortopneia, estertores, edema ou turgência jugular. É um perfil frequente na insuficiência cardíaca aguda.
  • Perfil L — frio e seco: existem sinais de hipoperfusão sem congestão evidente. Extremidades frias, redução da diurese, alteração do estado mental e pressão de pulso estreita podem levantar suspeita, mas devem ser interpretados em conjunto com os demais achados.
  • Perfil C — frio e úmido: coexistem congestão e hipoperfusão. É um perfil de maior preocupação clínica, que exige avaliação rápida, monitorização estreita e investigação de possível choque cardiogênico. A classificação orienta a avaliação, mas não substitui o diagnóstico nem define, sozinha, a conduta terapêutica.

Como reconhecer a deterioração

Imagine um paciente internado por insuficiência cardíaca que começa a apresentar piora da falta de ar, edema crescente e extremidades frias. Mesmo que a pressão arterial ainda não esteja muito baixa, a combinação desses sinais deve chamar a atenção para possível congestão associada à hipoperfusão. Nessa situação, a equipe precisa comunicar a mudança clínica e ampliar a avaliação sem esperar que a hipotensão se instale.

Tratamento: o perfil orienta, mas não prescreve

O tratamento depende do perfil hemodinâmico, da pressão arterial, da função renal, da causa da descompensação e da resposta clínica. Diuréticos intravenosos são frequentemente utilizados quando existe congestão; vasodilatadores podem ser considerados em pacientes selecionados, conforme a pressão arterial e o quadro clínico. Já a hipoperfusão exige investigação cuidadosa: administrar fluidos ou iniciar inotrópicos sem avaliar a situação pode agravar o quadro. Betabloqueadores e os demais medicamentos de manutenção também precisam ser revistos individualmente, conforme a estabilidade e as indicações clínicas.

Cuidados de enfermagem

A enfermagem deve acompanhar pressão arterial, frequência cardíaca e respiratória, saturação, nível de consciência, perfusão periférica, diurese e balanço hídrico. Também é importante observar a evolução da dispneia, a tolerância ao decúbito, os edemas e a resposta às intervenções prescritas, registrando tendências e comunicando alterações prontamente.

Em um cenário de UTI, por exemplo, a queda progressiva da diurese acompanhada de extremidades frias e sonolência merece atenção mesmo quando a saturação parece satisfatória. A avaliação conjunta dos sinais pode revelar deterioração circulatória que não seria identificada olhando apenas um parâmetro. Em caso de piora respiratória, alteração de consciência ou sinais de choque, deve ser acionada imediatamente a resposta clínica prevista no protocolo institucional.

Resumo para salvar

Stevenson: Identifique o Perfil Antes de Agir

  • A classificação combina congestão e perfusão
  • O perfil quente e úmido indica congestão com perfusão preservada
  • O perfil frio e úmido exige atenção imediata
  • A classificação orienta a avaliação, mas não substitui o julgamento clínico

Referências:

  1. HEIDENREICH, Paul A. et al. 2022 AHA/ACC/HFSA guideline for the management of heart failure. Journal of the American College of Cardiology, v. 79, n. 17, p. e263-e421, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.jacc.2021.12.012.
  2. MANGINI, Sandrigo et al. Insuficiência cardíaca descompensada. Einstein (São Paulo), v. 11, n. 3, p. 383-391, 2013. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1679-45082013000300022. 
  3. MCDONAGH, Theresa A. et al. 2021 ESC Guidelines for the diagnosis and treatment of acute and chronic heart failure. European Heart Journal, v. 42, n. 36, p. 3599-3726, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1093/eurheartj/ehab368. 

Os tipos de Embolia

A embolia é um evento no qual um corpo estranho presente na corrente sanguínea viaja pelo organismo e acaba ficando impactado em uma artéria, geralmente de pequeno calibre, provocando obstrução da passagem de sangue e consequente isquemia dos tecidos nutridos pelo vaso obstruído.

Os Tipos de Embolia (Êmbolo)

O corpo estranho que provoca a embolia é chamado de êmbolo. Existem vários tipos de embolia, cada um com suas características específicas:

Embolia por Colesterol

    • Ocorre quando pequenos fragmentos de placas de colesterol se desprendem das paredes das artérias e viajam pela corrente sanguínea.
    • Esses fragmentos podem obstruir vasos sanguíneos, causando isquemia nos tecidos afetados.
    • Geralmente associada a doenças ateroscleróticas.

Embolia por Gordura

    • Resulta da liberação de pequenas gotículas de gordura na circulação sanguínea.
    • Pode ocorrer após fraturas ósseas, especialmente fraturas longas como as do fêmur.
    • Os êmbolos de gordura podem obstruir vasos sanguíneos nos pulmões, cérebro e outros órgãos.

Embolia por Gás

    • Ocorre quando bolhas de gás entram na corrente sanguínea.
    • Pode ser causada por trauma, procedimentos médicos ou mergulho profundo.
    • A embolia gasosa pode afetar o cérebro, coração e outros órgãos.

Embolia por Líquido Amniótico:

    • Rara, mas grave.
    • O líquido amniótico, que envolve o feto durante a gravidez, entra na corrente sanguínea da mãe.
    • Pode causar insuficiência cardíaca, dificuldade respiratória e até morte.

Embolia Tumoral

    • Ocorre quando células cancerígenas ou fragmentos de tumores se desprendem e viajam pelo sangue.
    • Esses êmbolos podem se alojar em outros órgãos, causando complicações graves.

Embolia por Corpo Estranho

    • Resulta da entrada acidental de objetos estranhos na corrente sanguínea.
    • Exemplos incluem fragmentos de cateteres, agulhas ou próteses.
    • Pode levar à obstrução vascular e danos aos tecidos.

Embolia Parasitária

    • Causada por parasitas que entram na circulação sanguínea.
    • Exemplos incluem a embolia por Schistosoma (causador da esquistossomose) e a embolia por filárias.

Cuidados de Enfermagem

  1. Monitoramento Contínuo:
    • Avalie constantemente os sinais vitais do paciente, incluindo frequência cardíaca, pressão arterial, frequência respiratória e saturação de oxigênio.
    • Observe qualquer alteração súbita nos sinais vitais, que pode indicar uma complicação relacionada à embolia.
  2. Prevenção de Novas Embolias:
    • Identifique e trate fatores de risco subjacentes, como doenças cardíacas, trombose venosa profunda (TVP) ou aterosclerose.
    • Incentive a mobilização precoce para prevenir a estase sanguínea e a formação de coágulos.
  3. Monitoramento Respiratório:
    • Pacientes com embolia pulmonar devem ser monitorados quanto à dispneia, dor torácica, tosse e sibilos.
    • Administre oxigênio conforme necessário e observe a saturação de oxigênio.
  4. Anticoagulação:
    • Se o paciente estiver em tratamento anticoagulante (como heparina ou varfarina), monitore os níveis de coagulação e ajuste a dose conforme necessário.
    • Eduque o paciente sobre a importância da adesão ao tratamento anticoagulante e os sinais de sangramento excessivo.
  5. Posicionamento Adequado:
    • Elevação das pernas pode ajudar a melhorar o retorno venoso e reduzir o risco de formação de coágulos.
    • Evite posições que possam comprimir vasos sanguíneos.
  6. Avaliação Neurológica:
    • Pacientes com embolia cerebral devem ser avaliados quanto a alterações neurológicas, como fraqueza, dormência, dificuldade na fala ou confusão.
    • Observe sinais de acidente vascular cerebral (AVC) ou isquemia cerebral.
  7. Suporte Psicológico:
    • A embolia pode ser uma experiência assustadora para o paciente. Ofereça apoio emocional e eduque-o sobre sua condição.

Lembre-se de que essas são diretrizes gerais e que o plano de cuidados específico deve ser adaptado às necessidades individuais de cada paciente.

Referências:

  1. MD Saúde
  2. Educar Saúde

Endocardite vs. Pericardite: Quais as diferenças?

A endocardite e a pericardite são duas condições que afetam o coração, mas de formas distintas. Para entender melhor essas doenças, vamos comparar seus principais aspectos:

O que é cada uma?

  • Endocardite: É uma inflamação do endocárdio, a membrana que reveste o interior do coração e as válvulas cardíacas. Essa inflamação geralmente é causada por uma infecção, como a bactéria estreptococo.
  • Pericardite: É uma inflamação do pericárdio, a membrana que envolve o coração como um saco. Essa inflamação pode ter diversas causas, incluindo infecções, doenças autoimunes, tumores e até mesmo infarto do miocárdio.

Quais os principais sintomas?

Os sintomas de ambas as doenças podem ser semelhantes e variar bastante de pessoa para pessoa. No entanto, alguns sintomas são mais comuns em cada uma:

  • Endocardite: Febre, fadiga, perda de peso, dificuldade para respirar, tosse, dor nas articulações, manchas vermelhas na pele (petéquias) e sopros cardíacos.
  • Pericardite: Dor no peito que piora ao deitar ou respirar fundo, dificuldade para respirar, tosse seca, febre baixa e inchaço nas pernas.

Quais as causas?

  • Endocardite: A principal causa é a infecção bacteriana, mas também pode ser causada por fungos ou vírus.
  • Pericardite: As causas são mais variadas e podem incluir infecções, doenças autoimunes, tumores, infarto do miocárdio, radioterapia e até mesmo medicamentos.

Como são diagnosticadas?

O diagnóstico de ambas as doenças envolve:

  • Exame físico: O médico ouvirá o coração com um estetoscópio para identificar sopros cardíacos e outros ruídos.
  • Eletrocardiograma (ECG): Avalia a atividade elétrica do coração.
  • Ecocardiograma: Utiliza ondas sonoras para criar imagens do coração e identificar alterações estruturais e funcionais.
  • Exames de sangue: Avaliam a presença de marcadores inflamatórios e infecciosos.
  • Radiografia de tórax: Pode revelar alterações no tamanho do coração ou a presença de líquido ao redor do coração.

Tratamento

O tratamento depende da causa e da gravidade da doença:

  • Endocardite: Geralmente envolve o uso de antibióticos de alta potência por um longo período. Em casos mais graves, pode ser necessária cirurgia.
  • Pericardite: O tratamento pode incluir medicamentos anti-inflamatórios, analgésicos e, em alguns casos, corticosteroides. Em casos mais graves, pode ser necessário drenar o líquido acumulado ao redor do coração.

Complicações

  • Endocardite: Pode levar a insuficiência cardíaca, embolia (obstrução de um vaso sanguíneo por um coágulo), abscessos no coração e até mesmo a morte.
  • Pericardite: Pode levar ao acúmulo de líquido ao redor do coração (tamponamento cardíaco), que pode comprimir o coração e dificultar a sua função.

Referência:

  1. Montera MW, Mesquita ET, Colafranceschi AS, Oliveira Jr. AC de, Rabischoffsky A, Ianni BM, et al.. I Diretriz brasileira de miocardites e pericardites. Arq Bras Cardiol [Internet]. 2013;100(4):01–36. Available from: https://doi.org/10.5935/abc.2013S004

Focos de Ausculta Cardíaca

Os focos de ausculta cardíaca são pontos específicos da parede torácica anterior onde se ouvem com maior intensidade os sons produzidos pelas valvas cardíacas ao se abrirem e fecharem durante o ciclo cardíaco. Ao auscultar nesses pontos, o médico pode identificar alterações nos sons cardíacos, que podem ser um sinal de diversas doenças cardíacas.

Quais são os principais focos de ausculta?

Existem cinco focos de ausculta cardíacos principais:

  1. Foco mitral: Localizado no 5º espaço intercostal esquerdo na linha hemiclavicular, corresponde ao ictus cordis. É o local onde melhor se ouvem os sons da valva mitral.
  2. Foco tricúspide: Situado na base do apêndice xifóide ligeiramente para a esquerda. É o local ideal para auscultar os sons da valva tricúspide.
  3. Foco aórtico: Localizado no 2º espaço intercostal direito, junto ao esterno. É o ponto onde se ouvem os sons da valva aórtica.
  4. Foco pulmonar: Situado no 2º espaço intercostal esquerdo, junto ao esterno. É o local onde se ouvem os sons da valva pulmonar.
  5. Foco aórtico acessório (ponto de Erb): Localizado no 3º espaço intercostal esquerdo, próximo à borda esternal. É um ponto adicional onde se podem ouvir melhor as alterações da valva aórtica.

Por que é importante auscultar os focos cardíacos?

A ausculta cardíaca é um exame fundamental para a avaliação do sistema cardiovascular. Através dela, o médico pode:

  • Identificar as bulhas cardíacas: As bulhas cardíacas são sons produzidos pelo fechamento das valvas cardíacas. Alterações nas bulhas podem indicar problemas nas valvas ou no músculo cardíaco.
  • Detectar sopros cardíacos: Sopros são ruídos anormais causados pelo turbilhonamento do sangue dentro do coração. Eles podem indicar a presença de valvulopatias, defeitos congênitos do coração ou outras doenças cardíacas.
  • Acompanhar a evolução de doenças cardíacas: A ausculta cardíaca permite acompanhar a evolução de doenças cardíacas e avaliar a eficácia do tratamento.

O que pode alterar os sons cardíacos?

Diversos fatores podem alterar os sons cardíacos, como:

  • Doenças cardíacas: Valvulopatias, cardiomiopatias, defeitos congênitos do coração.
  • Alterações na frequência cardíaca: Taquicardia, bradicardia.
  • Alterações na pressão arterial: Hipertensão, hipotensão.
  • Posição do paciente: A posição do paciente pode influenciar a intensidade dos sons cardíacos.
  • Presença de líquidos no pericárdio: Pericardite.

Referências:

  1. Macedo, J. L. S. de ., Santos Neto, L., & Macedo, V.. (1994). A IMPORTÂNCIA CLÍNICA DOS ACHADOS DO EXAME FÍSICO DO APARELHO CARDIOVASCULAR. Revista Brasileira De Educação Médica, 18(2), 55–60. https://doi.org/10.1590/1981-5271v18.2-002

Os 4 Pilares do Tratamento para Insuficiência Cardíaca

A insuficiência cardíaca aguda é uma condição clínica grave que requer abordagem imediata e específica.

São os quatro pilares essenciais do tratamento farmacológico para a insuficiência cardíaca aguda:

Beta-bloqueadores

    • Os beta-bloqueadores são medicamentos que atuam bloqueando os efeitos da adrenalina (epinefrina) no coração.
    • Eles reduzem a frequência cardíaca, diminuindo a demanda de oxigênio pelo coração.
    • São essenciais para melhorar a função cardíaca e reduzir a mortalidade em pacientes com insuficiência cardíaca aguda.

Inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou inibidores do receptor de angiotensina (ARNI)

    • Esses medicamentos ajudam a relaxar os vasos sanguíneos e reduzir a pressão arterial.
    • Também melhoram a função cardíaca e reduzem a sobrecarga no coração.

Antagonistas dos receptores mineralocorticoides (MRA)

    • Os MRA, como a espironolactona e a eplerenona, são importantes para pacientes com insuficiência cardíaca.
    • Eles ajudam a reduzir a retenção de sal e água, melhorando os sintomas e a sobrevida.

Inibidores do co-transportador de sódio-glicose 2 (SGLT2)

    • Esses medicamentos, originalmente desenvolvidos para tratar diabetes tipo 2, também mostraram benefícios significativos em pacientes com insuficiência cardíaca.
    • Eles reduzem a reabsorção de glicose nos rins, promovendo a diurese e melhorando a função cardíaca.

 

  1. https://portugues.medscape.com/resumindo/6510023
  2. https://www.ahajournals.org/doi/10.1161/CIR.0000000000001063
  3. https://www.heartfailurematters.org/what-your-doctor-can-do/angiotensin-receptor-neprilysin-inhibitor-arni-sacubitril-valsartan/
  4. Brito D, Bettencourt P, Carvalho D, Ferreira J, Fontes-Carvalho R, Franco F, Moura B, Silva-Cardoso JC, de Melo RT, Fonseca C. Sodium-Glucose Co-transporter 2 Inhibitors in the Failing Heart: a Growing Potential. Cardiovasc Drugs Ther. 2020 Jun;34(3):419-436. doi: 10.1007/s10557-020-06973-3. PMID: 32350793; PMCID: PMC7242490.

Endarterectomia de Carótida

A endarterectomia carotídea ou de carótida é um tratamento cirúrgico para a doença da artéria carótida.

As artérias carótidas são os vasos sanguíneos principais que transportam sangue e oxigênio para o cérebro.

Na doença aterosclerótica da artéria carótida, estas artérias tornam-se estreitadas por formação de placas de gordura e cálcio no seu interior. Isso reduz o fluxo de sangue para o cérebro e pode causar um acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI) ou um ataque isquêmico transitório(AIT).

Principais Causas

O estreitamento das artérias carótidas é mais frequentemente causado pela aterosclerose. Esta decorre de um acúmulo de placas na parte interna da artéria. As placas são compostas por diversas substâncias como: gordura, colesterol, resíduos celulares, cálcio e fibrina.

A aterosclerose, ou “endurecimento das artérias” com formação de placas, pode afetar as artérias em vários locais do corpo, como as carótidas as artérias coronárias do coração e etc. A doença da artéria carótida tem como sua principal consequência os acidentes vasculares cerebrais (derrame).

O cérebro precisa de um suprimento constante de oxigênio e nutrientes para funcionar. Mesmo uma pequena interrupção transitória no fornecimento de sangue pode causar problemas graves.

As células do cérebro começam a morrer após apenas alguns minutos sem sangue ou oxigênio.

Se o estreitamento das artérias carótidas se tornar suficientemente grave para bloquear o fluxo sanguíneo, ou caso um pedaço dessa placa se quebre e migre para um ramo arterial distal e bloqueie o fluxo sanguíneo, pode ocorrer um acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI) ou um ataque isquêmico transitório (AIT).

Realização do procedimento

Durante uma endarterectomia de carótida, o médico irá remover cirurgicamente a placa que obstrui a passagem do sangue na artéria carótida. O cirurgião fará uma incisão no lado do pescoço sobre a artéria carótida afetada. A artéria é aberta e a placa é removida. Após retirada da placa a artéria é fechada restaurando o fluxo de sangue normal para o cérebro.

Este procedimento pode ser feito com o paciente acordado, sob anestesia local, ou dormindo, sob anestesia geral.

Indicações para o procedimento

A indicação da endarterectomia tem o objetivo de prevenir a ocorrência ou a recorrência de um acidente vascular cerebral ou um ataque isquêmico transitório, nos pacientes com alto risco de AVC apesar do tratamento clínico otimizado que inclui: medicações para o colesterol, medicações que afinam o sangue conhecidas como antiagregante plaquetários, medicações para controlar a pressão arterial, cessação de tabagismo, prática de exercício físico.

Não cabe citar todas as indicações de endarterectomia, mas podemos citar aquilo que é menos controverso na literatura médica.

1- Os pacientes com placas com grau de obstrução inferior a 50%, não devem ser tratados por procedimentos nem cirúrgico nem por cateter (angioplastia com stent). Devem permanecer no tratamento clínico otimizado e serem acompanhados clinicamente.

2- Os pacientes sintomáticos, que apresentaram  AVC ou AIT nos últimos 6 meses, com grau de obstrução maior que 70 % da luz da artéria, possuem um risco maior de recorrência de AVC e AIT.

3- O grau de estenose deve ser preferencialmente confirmado por pelo menos dois métodos diagnósticos não invasivos (Ultrasom doppler, angio tomografia, angio ressonância magnética). Uma vez confirmado o grau de obstrução esses pacientes se beneficiam da redução de risco da realização da endarterectomia com pouca controvérsia na literatura médica sobre esse grupo de pacientes.

A definição de quem são os pacientes de alto risco para AVC, nos pacientes assintomáticos, e que se beneficiariam da endarterectomia, deve ser individualizada e considerar várias variáveis incluindo: o grau de obstrução causado pela placa, que deve ser preferencialmente maior que 70%, características da placa que aumentam o risco de AVC (como úlceras, hemorragia, composição da placa), presença ou não de lesões assintomáticas no cérebro do mesmo lado da doença carotídea, uso adequado e regular do tratamento clínico, preferencia do paciente após os devidos esclarecimentos, idade, gênero, expectativa de vida, estado neurológico antes do procedimento.

A indicação de uma endarterectomia de carótida tem o objetivo de diminuir significativamente a chance de ocorrência ou recorrência de um AVCI (derrame) no futuro, quando comparado a manutenção do tratamento clínico. O procedimento só deve ser realizada com baixas taxas de complicações no perioperatório.

Considera-se na literatura médica, baixa taxa de complicações do procedimento, taxas inferiores a 6% nos pacientes sintomáticos, e inferior a 3% nos pacientes assintomáticos. As complicações avaliadas na literatura são complicações graves como: AVC, morte ou infarto do miocárdio. Os procedimentos de endarterectomia só são considerados efetivos em pacientes com alto risco de AVC, procedimentos feitos em hospitais e por médicos com baixas taxas de complicações.

O sucesso do procedimento depende, da experiência do médico, da seleção adequada de pacientes para o procedimento, da adesão dos hospitais a procedimentos de segurança realizados no pré e no pós operatório.

A endarterectomia não tem o objetivo de recuperar déficits neurológicos causados por um AVC ocorrido antes do procedimento.

É muito importante que o médico explique os prós e os contras de outras possibilidades de tratamento da obstrução carotídea como: as angioplastias com stent ou a manutenção do tratamento clínico. Você deve receber informações para poder refletir e decidir junto ao seu médico as diferentes opções de tratamento.

Sintomas

Quando assintomática, a doença geralmente é descoberta por exames de imagem solicitados como “check up”. Nos pacientes assintomáticos o acúmulo de placas  não bloqueia o fluxo sanguíneo o suficiente para causar um acidente vascular cerebral ou um ataque isquêmico transitório, que são as principais manifestações da doença carotídea aterosclerótica.

Riscos

  • Risco de morte;
  • Acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI) ou ataque isquêmico transitório (AIT)( conhecido popularmente como derrame). Essas complicações podem causar incapacidades temporárias ou permanentes como: alterações da consciência, estado de coma ou de consciência mínima, paralisias de um ou ambos os lados do corpo, alterações da sensibilidade de um ou ambos os lados do corpo, dificuldade ou incapacidade para falar, alterações visuais de um ou ambos os olhos;
  • Acidente vascular cerebral hemorrágico (AVCH)( também conhecido popularmente como derrame). Essas complicações podem causar incapacidades temporárias ou permanentes como: coma, alterações da consciência, paralisias de um ou ambos os lados do corpo, alterações da sensibilidade de um ou ambos os lados do corpo, dificuldade ou incapacidade para falar, alterações visuais de um ou ambos os olhos;
  • Convulsões e dor de cabeça podem ocorrer em casos de síndrome da hiperperfusão que ocorre com o restabelecimento do fluxo de sangue para o cérebro e o cérebro não tolera o fluxo intenso no pós operatório levando a essa complicação;
  • Lesões de nervos cranianos que passam pelo local da incisão cirúrgica. Esses nervos controlam várias funções como: a movimentação da face, movimentação da língua, a capacidade de engolir, a sensibilidade da face, a movimentação das cordas vocais. Essas lesões podendo levar a disfunções transitórias ou permanentes como: paralisia da língua evoluindo com desvio da língua para um dos lados, dificuldade para engolir com engasgos as vezes necessitando de sonda para se alimentar, boca torta, rouquidão, dormência no pescoço e na face do lado da incisão cirúrgica. Haverá dormência no pescoço na região da cicatriz. Isso pode ser permanente. Essas complicações são frequentes na literatura mundial, mas geralmente são transitórias não deixando sequelas de longo prazo;
  • Ataque cardíaco (infarto agudo do miocárdio). Um ataque cardíaco pode ocorrer devido à sobrecarga no procedimento sobre o coração. Os exames pré-operatórios e a avaliação cardiológica no pré operatório devem ser realizados com objetivo de diminuir a chance deste tipo de evento acontecer;
  • Arritmias cardíacas. Os exames pré-operatórios e a avaliação cardiológica no pré operatório devem ser realizados com objetivo de diminuir a chance deste tipo de evento acontecer;
  • Hematomas no pescoço, causados por sangramento no local da incisão cirúrgica, causando inchaço, podendo levar a situações extremas como: bloqueio agudo das vias aéreas com necessidade de intubação de urgência ou procedimentos cirúrgicos para garantir a passagem de ar nas vias aéreas(cricotireoidostomia ou traqueostomia) e em alguns casos é necessário a reoperação de urgência. Pode ser necessário a transfusão de sangue;
  • A cicatrização da ferida operatória pode ocorrer de forma anormal gerando uma cicatriz espessa e vermelha (quelóide), além disso a cicatriz pode ser dolorosa por períodos prolongados;
  • Infecções de ferida operatória podendo requerer o uso de antibióticos e tratamentos adicionais;
  • Infecções do remendo operatório, as vezes utilizado para fechar o corte feito na artéria carótida, podendo requerer o uso de antibióticos e tratamentos adicionais;
  • Infecções pulmonares após intubação, as vezes agravada pela presença de doença pulmonar antes do procedimento, como: enfisema, bronquite, etc, além de ficar acamado no pós operatório. Isso pode requerer o uso de antibióticos e tratamentos adicionais;
  • Infecções urinárias devido a sonda vesical utilizada na cirurgia, podendo requerer o uso de antibióticos e tratamentos adicionais;
  • Pode ocorrer a formação de coágulos de sangue nas veias das pernas, denominado de trombose venosa profunda (TVP) levando a dor e inchaço na perna. Em alguns casos de TVP, parte dos coágulos podem se soltar e migrar para os pulmões conhecido como tromboembolismo pulmonar (TEP). Essa complicação muitas vezes pode ser grave com risco de morte;
  • Pode ocorrer alterações na função do rim conhecida como insuficiência renal aguda que geralmente são leves e transitórias, podendo ser grave em alguns casos necessitando de hemodiálise;
  • Alergias (se você é alérgico ou sensível a medicamentos, contraste iodado ou látex, informe ao seu médico);
  • Pode haver outros riscos com base na sua condição clínica;
  • Você pode e deve discutir com o seu médico quaisquer preocupações que lhe aflijam antes do procedimento.

O preparo

A equipe médica é quem deve explicar o procedimento para você e você pode e deve fazer perguntas que lhe pareçam pertinentes.

O seu médico irá rever o seu histórico de saúde e fazer um exame clínico para se certificar que você está em bom estado clínico para realizar o procedimento. Você pode necessitar de exames de sangue ou outros testes diagnósticos.

1- Informe o seu médico se você é sensível ou é alérgico a quaisquer medicamentos, látex, contraste, anestesia etc.Informe ao seu médico todos os medicamentos, suplementos e fitoterápicos que você está tomando.

2- Informe ao seu médico se você tiver distúrbios que causem hemorragias ou se estiver tomando quaisquer medicamentos anticoagulantes ou que afinem o sangue.

Pode ser necessário parar alguns desses medicamentos 5 a 7 dias antes do procedimento.

3- Se você está grávida ou acha que pode estar grávida, informe ao seu médico.

4- Você deverá estar em jejum de 6 a 8 horas para o procedimento, conforme orientação da equipe médica.

5- Seu médico poderá solicitar um exame de sangue antes do procedimento para avaliar a sua capacidade de coagulação.

6- Informe ao seu médico se você tem marcapasso.

7- Se você fumar pare o mais rápido possível antes do procedimento. Isso pode melhorar sua recuperação e seu estado geral de saúde. O tabagismo aumenta a formação de coágulos no sangue.

Com base na sua condição, o seu médico pode pedir outra preparação.

Outros cuidados

1. Você será solicitado a remover jóias ou outros objetos que possam interferir no momento do procedimento.

2. Você removerá sua roupa e colocará uma roupa de centro cirúrgico.

3. Você será solicitado a esvaziar sua bexiga antes do procedimento.

4. Um acesso venoso será puncionado em seu braço ou mão. Outro cateter será colocado em seu pulso para monitorar sua pressão arterial e para tirar amostras de sangue. Um ou mais cateteres adicionais podem ser colocados em seu pescoço, oposto ao local da cirurgia, para monitorar seu coração. Outros locais para o cateter incluem a área da clavícula e a virilha.

5. Se houver muitos pelos no local da cirurgia, pode ser necessária a remoção dos pelos do local.

6. Você será posicionado na mesa de operação, deitado de costas, com a cabeça levemente levantada e afastada do lado a ser operado.

7. Se necessário, poderá ser colocado uma sonda na sua bexiga para drenar a urina.

8. O anestesista verificará continuamente sua frequência cardíaca, pressão arterial, respiração e nível de oxigênio no sangue durante a cirurgia.

9. A endarterectomia pode ser feita sob anestesia local. Você terá sono, mas não sentirá dor na área operada. Você receberá um sedativo venoso antes do procedimento para ajudá-lo a relaxar. A cirurgia com anestesia local permite o controle do estado neurológico durante o procedimento permitindo que o exame clínico seja feito.

10. Se a endarterectomia for feita sob anestesia local, o anestesista irá fornecer suporte constante e mantê-lo confortável durante o procedimento. Você receberá medicamentos para dor de acordo com a necessidade.

11. Sob anestesia local, você receberá oxigênio através de um cateter que se encaixa no nariz.

12. As endarterectomias também podem ser feitas sob anestesia geral. Isso significa que você estará dormindo. Uma vez que você está sedado, um tubo de respiração será inserido em sua garganta para fornecer fluxo de ar para seus pulmões. Você estará conectado a um ventilador, que irá respirar por você durante o procedimento. Não há diferença significativa de complicações quando comparamos anestesia local com anestesia geral. A preferência do seu cirurgião é o que conta nessa decisão.

13. Você receberá uma dose de antibiótico profilático através do acesso venoso para ajudar a prevenir infecções.

14. A pele sobre o local cirúrgico será limpa com uma solução anti-séptica.

15. O cirurgião fará uma incisão na pele do pescoço no local próximo da artéria doente. Uma vez exposta a artéria será feito uma incisão na artéria para abri-la.

16. Será retirada a placa aterosclerótica que obstrui o fluxo do sangue e posteriormente a artéria será fechada, podendo ou não usar um remendo para auxiliar o fechamento da parede da artéria. O uso ou não de remendo depende da técnica cirúrgica utilizada e da preferência do cirurgião.

17. Um dreno deve ser colocado no seu pescoço antes de fechar a pele. O dreno é um pequeno tubo que é colocado no pescoço, na área operada, para drenar eventuais sangramentos que possam ocorrer no pós operatório. Geralmente, é removido em 24 a 48h após o procedimento.

18. Nas primeiras 24h após o procedimento a pressão arterial pode variar muito e você pode necessitar de medicações venosas para controle da pressão arterial dentro da meta estabelecida pelas diretrizes de segurança.

19. Se você realizou anestesia geral, o anestesista poderá acordá-lo no centro cirúrgico para avaliar o estado neurológico antes de transferí-lo para a UTI.

20. Será realizado um curativo estéril na incisão cirúrgica.

Cuidados Pós Cirúrgico

No hospital:

Uma vez que a pressão arterial, o pulso e a respiração estiverem estáveis e você estiver alerta, sem alterações neurológicas você será  encaminhado para a unidade de terapia intensiva (UTI).

As primeiras 24 h horas, são aonde ocorrem alterações mais frequentes da pressão arterial, nesse período você deve permanecer na UTI para controle da pressão arterial dentro da meta de segurança e para vigilância do estado neurológico.

Assim que o quadro estiver mais estável você deve ser transferido para uma unidade de menor complexidade, semi intensiva ou quarto de enfermaria, aonde começará a sair da cama e caminhar com auxílio dos fisioterapeutas.

O dreno colocado na incisão durante o procedimento, para drenagem de possíveis hematomas locais, deve ser retirado em 24 a 48h, caso não haja sangramento significativo.

Você receberá a dieta conforme orientação do seu médico e conforme a sua capacidade de engolir.

Certifique-se de tomar apenas os medicamentos recomendados pelo seu médico. A incisão cirúrgica pode ser um pouco dolorida o seu médico deixará medicações analgésicas que podem ser solicitadas a enfermagem.

O seu médico pode ou não realizar exames de controle no pós operatório essas condutas são individualizadas por médico.
Geralmente a alta ocorre  após 3 dias da cirurgia de endarterectomia de carótida.

Ao chegar em casa:

Em casa, é importante manter a área da incisão limpa e seca. O seu médico lhe dará instruções específicas para tomar banho.

Se forem usados pontos, eles serão removidos durante visita no consultório do seu médico. Questione o seu médico quando deverá retirar os pontos.

Você pode retornar à sua dieta normal, a menos que seu médico lhe oriente outra conduta.

Mantenha todas as medicações orientadas na alta e não introduza nem suspenda nenhum remédio sem conhecimento do seu médico.

Em geral, é aconselhável seguir uma dieta com baixo teor de gorduras. Você deve comer legumes, frutas, produtos lácteos com baixo teor de gordura, carnes magras. Evite alimentos processados ou embutidos.

Se você fumava antes do procedimento, solicite ajuda para cessação de tabagismo. O tabagismo contribui para o estreitamento e endurecimento de suas artérias.

Entre em contato com o seu médico imediatamente na presença de um ou mais dos seguintes sintomas:

  • Febre ou calafrios.
  • Inchaço, secreção ou sangramento no local da incisão cirúrgica
  • Aumento da dor ao redor do local da incisão cirúrgica

Acione imediatamente o serviço de ambulância ou vá imediatamente para o Pronto socorro do hospital na presença dos seguintes sintomas de acidente vascular cerebral:

  • Fraqueza;
  • Formigamento ou perda de sensibilidade de um lado do seu rosto ou corpo;
  • Visão dupla repentina ou dificuldade para enxergar em um ou ambos os olhos;
  • Problemas repentinos da fala com dificuldade para compreender ou se expressar;
  • Dores de cabeça intensa e de início súbito;
  • Convulsões.

Referência:

  1. Hosp. Albert Einstein