Tipos de Cateteres Venosos Centrais

A terapia intravenosa é uma das práticas mais comuns na assistência hospitalar, principalmente em pacientes críticos ou que necessitam de medicações em longo prazo. Nesse contexto, os cateteres venosos centrais (CVCs) são recursos fundamentais para garantir acesso venoso confiável, seguro e eficaz.

Existem diferentes tipos de CVCs, e cada um tem indicações específicas, vantagens e cuidados próprios. Saber diferenciá-los é essencial para qualquer profissional e estudante de enfermagem que deseja atuar com excelência na área hospitalar, especialmente em unidades de terapia intensiva, centro cirúrgico ou oncologia.

Nesta publicação, vamos falar de maneira clara e completa sobre os principais tipos de cateteres venosos centrais, divididos por grupos: curta permanência, longa permanência e PICC.

O que é um Cateter Venoso Central?

O CVC é um dispositivo introduzido em veias de grande calibre, como a subclávia, jugular interna ou femoral, com a extremidade do cateter posicionada na veia cava superior ou inferior. Isso permite a infusão segura de soluções irritantes, nutrição parenteral, quimioterápicos, além da monitorização hemodinâmica central.

Cateteres de Curta Permanência

Esses são os mais comuns em ambientes hospitalares, especialmente em pacientes críticos, cirúrgicos ou que necessitam de terapia intensiva por poucos dias.

CVC não tunelado

É um cateter de inserção direta, geralmente implantado pela veia jugular interna, subclávia ou femoral. Seu uso é indicado para terapia intensiva de curta duração (em média, até 7 a 14 dias).

Características:

  • Pode ter um, dois ou três lúmens.
  • Instalação feita por técnica asséptica, com auxílio do ultrassom em muitos serviços.
  • Mais sujeito a infecções se comparado aos de longa permanência.

Cuidados de enfermagem:

  • Trocar curativo a cada 48h (gaze) ou 7 dias (curativo transparente), ou quando estiver sujo/úmido.
  • Higienizar a conexão antes de manusear.
  • Observar sinais de infecção (eritema, dor, secreção).
  • Lavagem dos lúmens com SF 0,9% entre medicações incompatíveis ou antes de desuso.

Cateteres de Longa Permanência

Indicados para terapias prolongadas, como quimioterapia, antibioticoterapia de longa duração, nutrição parenteral crônica ou pacientes em cuidados paliativos.

Cateter Tunelado (tipo Hickman ou Broviac)

São inseridos cirurgicamente, e parte do cateter passa por um túnel subcutâneo antes de atingir a veia central. Esse túnel forma uma barreira natural contra infecções.

Indicações:

  • Terapia de meses a anos.
  • Pacientes com necessidade contínua de infusões.

Características:

  • Menor risco de infecção.
  • Possui cuff (manguito) que estimula aderência ao tecido subcutâneo.

Cuidados de enfermagem:

  • Curativo inicial reforçado e trocado semanalmente.
  • Técnica asséptica rigorosa.
  • Monitoramento frequente de sinais flogísticos e permeabilidade.

Cateter totalmente implantado (Port-a-Cath)

Conhecido como “port”, é implantado sob a pele, com um reservatório conectado a um cateter venoso central. A punção é feita com agulha específica (agulha de Huber).

Indicações:

  • Pacientes oncológicos.
  • Terapias intermitentes de longa duração.

Vantagens:

  • Fica totalmente sob a pele (menor risco de infecção).
  • Estética mais favorável.

Cuidados de enfermagem:

  • Punção com agulha Huber sob técnica estéril.
  • Troca da agulha a cada 7 dias (em uso contínuo).
  • Lavagem com heparina se ficar em desuso por longos períodos.

Cateter Central de Inserção Periférica (PICC)

O PICC é um cateter central, mas inserido por veia periférica (geralmente basílica ou cefálica), com a extremidade posicionada na veia cava superior. É uma excelente alternativa para pacientes com acesso venoso periférico difícil ou que precisarão de acesso por semanas.

Indicações:

  • Uso de 7 dias até 1 ano.
  • Antibióticos, nutrição parenteral, quimioterapia.

Características:

  • Pode ser inserido por enfermeiros treinados.
  • Mais confortável para o paciente.
  • Menor risco de complicações pulmonares ou cardíacas.

Cuidados de enfermagem:

  • Curativo com filme transparente trocado semanalmente.
  • Fixação com dispositivo próprio (não usar esparadrapo comum).
  • Lavagem com SF 0,9% e, em alguns protocolos, heparina.
  • Observar sinais de trombose (edema no braço, dor, dificuldade de infusão).

Comparativo Geral dos Tipos de CVC

Tipo de CVC Duração esperada Via de inserção Risco de infecção Manutenção
Não Tunelado Curta (até 14 dias) Jugular, subclávia Moderado Alta
Tunelado (Hickman) Longa (meses-anos) Cirúrgica subcutânea Baixo Moderada
Port-a-Cath Longa (anos) Cirúrgica subcutânea Muito baixo Baixa
PICC Intermediária Periférica (braço) Baixo Moderada

Prevenção de complicações

Independente do tipo de CVC, a atuação da enfermagem é fundamental na prevenção das complicações, principalmente a Infecção da Corrente Sanguínea Relacionada a Cateter (IPCS). Cada CVC inserido representa um risco, e é nosso dever minimizá-lo com:

  • Higiene das Mãos Rigorosa: Sempre, sempre, sempre!
  • Técnica Asséptica: Para inserção e manutenção do curativo, flushing e administração de medicações.
  • Avaliação Contínua: Observar diariamente o sítio de inserção e os sinais vitais do paciente.
  • Flushing Adequado: Manter a permeabilidade é manter a segurança.
  • Remoção Precoce: Se o CVC não for mais necessário, ele deve ser retirado para diminuir o risco.

Entender os diferentes tipos de cateteres venosos centrais é um conhecimento essencial para a prática segura da enfermagem. Cada tipo tem indicações específicas, características únicas e exige cuidados distintos. A atuação da enfermagem é crucial tanto na prevenção de complicações quanto na manutenção da funcionalidade desses dispositivos.

Saber reconhecer sinais de infecção, garantir curativos bem feitos, aplicar técnicas assépticas rigorosas e orientar o paciente são responsabilidades que impactam diretamente na segurança e recuperação da pessoa assistida.

Referências:

  1. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Medidas de Prevenção de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde. Brasília: ANVISA, 2017.
    Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/servicosdesaude/publicacoes/documentos-de-orientacao/medidas-de-prevencao-de-infeccao-relacionada-a-assistencia-a-saude
  2. PERRY, A. G.; POTTER, P. A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018.
  3. SILVA, R. A. et al. Cuidados de Enfermagem com Cateter Venoso Central. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 72, supl. 1, p. 234–240, 2019.Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/JQwQnvPRvcq6s4gVpPbsT6F/
  4. GARCEZ, A. P. N.; MACHADO, R. C. M.; AZEVEDO, L. M. M. Cateter Venoso Central: revisão sobre indicação, inserção, manutenção e complicações. Revista Médica de Minas Gerais, Belo Horizonte, v. 23, n. 4, p. 556-560, out./dez. 2013. Disponível em: https://rmmg.org/artigo/544/cateter-venoso-central-revisao-sobre-indicacao–insercao–manutencao-e-complicacoes. Acesso em: 18 jun. 2025.
  5. SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENFERMEIROS DE INFECTOLOGIA (SOBEI). Recomendações para a Prevenção de Infecções Relacionadas a Cateteres Vasculares. São Paulo: SOBEI, 2017. (Buscar em publicações da SOBEI ou outras sociedades de controle de infecção).

Cateteres Periféricos Flexíveis

Cateteres venosos flexíveis, também conhecidos como Jelcos ou Abocaths, são dispositivos médicos usados para acessar as veias do paciente.

Tamanhos dos Jelcos

    • Jelco 14G: É o maior tamanho e é usado para pacientes adultos com veias grandes, em casos de trauma, infusão de grandes volumes e cirurgias extensas.
    • Jelco 16G: Tamanho intermediário, adequado para adultos, utilizado em casos de traumas, cirurgias de grande porte, infusão de grandes volumes.
    • Jelco 18G: Usado em adultos, para infusão de grandes volumes e transfusão sanguínea.
    • Jelco 20G: Tamanho intermediário, adequado para adultos com infusão de fluídos e medicamentos intravenosos.
    • Jelco 22G: Tamanho pequeno, usado principalmente em adultos, crianças e pacientes com veias muito pequenas para infusão de líquidos intravenosos.
    • Jelco 24G: O menor tamanho, utilizado em pacientes neonatais e pediátricos, e pacientes com veias frágeis.
    • Jelco 26G: Tamanho ainda menor, indicado para pacientes com veias extremamente delicadas e pacientes neonatais.

Indicações de Uso

    • Administração de Medicamentos: Os Jelcos permitem a infusão de medicamentos diretamente na corrente sanguínea.
    • Hidratação e Nutrição: São usados para administrar soluções intravenosas para hidratar o paciente ou repor nutrientes.
    • Coleta de Amostras de Sangue: Os Jelcos também são usados para coletar amostras de sangue para exames de laboratório.

Cores dos Jelcos

    • Os Jelcos são coloridos para facilitar a identificação do tamanho e da função do dispositivo:
      • Jelco 14G: Vermelho
      • Jelco 16G: Cinza
      • Jelco 18G: Verde
      • Jelco 20G: Rosa
      • Jelco 22G: Azul
      • Jelco 24G: Amarelo
      • Jelco 26G: Roxo

Referências:

  1. ICU Medical

Cateter Peridural

Um cateter peridural é um tubo fino e flexível que é inserido no espaço epidural, uma área entre a coluna vertebral e a membrana que envolve a medula espinhal.

O cateter peridural permite a administração de medicamentos analgésicos, como opioides e anestésicos locais, para aliviar a dor em diferentes partes do corpo.

Indicação de uso

O cateter peridural é uma ferramenta eficaz para o controle e alívio da dor pós-operatória. Ele é utilizado para administrar medicamentos diretamente no espaço epidural, proporcionando analgesia localizada.

Cuidados de Enfermagem

  • Higienização das conexões: Antes de manipular o dispositivo, é essencial limpar as conexões com álcool a 70%. No entanto, não se deve utilizar soluções alcoólicas para limpar a inserção do cateter, pois isso pode causar lesão nervosa se entrar em contato com o espaço epidural.
  • Verificação da posição do cateter: É importante medir o comprimento externo do cateter para verificar sua posição correta. Isso ajuda a garantir que os medicamentos sejam administrados no local adequado.
  • Administração de medicamentos: As medicações devem ser administradas logo após a preparação ou refrigeradas conforme recomendação do fabricante. Priorize sistemas fechados de infusão para evitar contaminação e mantenha o mecanismo de infusão sempre fechado.
  • Atenção aos efeitos adversos: Fique atento a possíveis complicações, como turvação, cortes, perfurações, vedação inadequada, perda de vácuo e prazo de validade expirado.
  • Verificar a posição e a fixação do cateter.
  • Observar sinais de infecção ou sangramento no local de inserção.
  • Monitorar os sinais vitais e o nível de dor do paciente.
  • Avaliar possíveis efeitos colaterais dos medicamentos, como depressão respiratória, náuseas, coceira, retenção urinária e diminuição da motilidade intestinal, e realizar curativos conforme a padronização da instituição.

Acessos Vasculares: Enxerto VS Fístula Arteriovenosa

Os pacientes renais dialíticos podem obter acessos vasculares, para a realização de hemodiálise em seu tratamento a longo prazo. E neste caso pode ser realizado um enxerto arteriovenoso ou uma fístula arteriovenosa.

A Fístula Arteriovenosa com ENXERTO

Um enxerto arteriovenoso é ligação de uma veia a uma artéria, utilizando um tubo de plástico macio. Após o enxerto ter cicatrizado, a hemodiálise pode ser realizada. O enxerto permite o aumento do fluxo sanguíneo, permitindo melhor filtração do sangue.

Enxertos tendem a necessitar de cuidados e manutenção. Cuidar bem  do acesso pode diminuir os riscos de complicações como infecção e tromboses.

A Fístula Arteriovenosa DIREITA

A fístula arteriovenosa para hemodiálise é uma conexão direta de uma artéria a uma veia. Este é o tipo preferido de acesso, porque uma vez que a fístula amadurece e se torna maior e mais forte, pode durar muitos anos. Depois da fístula ser criada, cirurgicamente, devemos esperar a sua cicatrização a amadurecimento para a sua utilização. Esse período dura em média 30 dias.

As Vantagens

  • Menor risco de infecção do que os enxertos ou cateteres;
  • Menor tendência a coagular do que o enxerto ou cateteres;
  • Permite uma maior circulação de sangue, aumentando a eficácia da hemodiálise;
  • Reduz o tempo de tratamento;
  • Alta durabilidade;
  • Menor custo.

Cuidados

Limpeza: A limpeza é a principal forma de manter seu acesso longe da infecção.

Mantenha-se atento aos sinais como dor, sensibilidade, inchaço ou vermelhidão ao redor da área da fístula. Se você tiver febre, consulte o seu médico. O uso de antibióticos para uma infecção, quando precoce, pode tratar e manter seu acesso duradouro.

O Fluxo Sanguíneo Irrestrito

Qualquer restrição do fluxo sanguíneo pode causar coagulação.

Aqui estão algumas dicas para ajudar a manter o sangue fluindo sem restrições:

  • Evite roupas apertadas ou joias que possam colocar pressão sobre sua área de acesso;
  • Não transportar malas, bolsas ou qualquer tipo de item pesado sobre sua área de acesso;
  • Não deixe ninguém colocar um manguito de pressão sanguínea em seu braço de acesso – tem a sua pressão arterial medida do seu braço não acesso;
  • Não colher exames de sangue do membro onde está o seu acesso;
  • Não durma com o seu braço de acesso sob sua cabeça ou travesseiro;
  • Verifique o pulso em seu acesso diariamente.

O Frêmito

A vibração do sangue passando por seu braço é chamado de “frêmito”. Você deve verificá-lo várias vezes ao dia. Se o “frêmito” muda ou para, pode ser indicativo de obstrução do seu acesso.

Procurar imediatamente seu médico para avaliar sua fístula, pois o tratamento precoce pode salvar o seu acesso.

Referência:

  1. Toregeani JF, Kimura CJ, Rocha AST, Volpiani GG, Bortoncello Â, Shirasu K, et al.. Avaliação da maturação das fístulas arteriovenosas para hemodiálise pelo eco-Doppler colorido. J vasc bras [Internet]. 2008Sep;7(3):203–13. Available from: https://doi.org/10.1590/S1677-54492008000300005

Sonda Retal

A sonda retal é indicada para aliviar a tensão provocada por gases e líquidos no intestino grosso. Utilizável também para retirada de conteúdo fecal através do reto.

Indicação de Uso

  • Constipação intestinal;
  • Preparo e realização de procedimento diagnóstico, ou terapêutico, como exames contrastados retossigmoidoscopia, colonoscopia e enema medicamentoso;
  • Drenagem de fezes.

Numerações (fr)

  • Uso infantil: 04, 06, 08;
  • Uso adulto: 10, 12, 14, 16, 18, 20, 22, 24, 26, 28, 30 e 32.

Cuidados de Enfermagem

Materiais a serem utilizados:

  • Bandeja;
  • Cuba rim;
  • Medicação prescrita (clister glicerinado, soro fisiológico);
  • Sonda retal de numeração adequada ao paciente;
  • Vaselina gel ou xilocaína gel;
  • Gaze 7,5 x 7,5;
  • Papel higiênico;
  • Comadre ou fralda descartável;
  • Luva de procedimento;
  • Biombo.

Procedimento:

  1. Ler a prescrição: data, nome do paciente, medicação, dose via de administração;
  2. Higienizar as mãos;
  3. Separar a medicação na quantidade (volume) prescrito;
  4. Levar o material na bandeja até o leito do paciente;
  5. Informar ao paciente o procedimento que será realizado, assim como sua função;
  6. Promover a privacidade do paciente utilizado biombos se necessário;
  7. Calçar luvas de procedimentos;
  8. Proteger o colchão com lençol impermeável e lençol móvel;
  9. Acomodar a comadre próximo ao paciente;
  10. Lubrificar a ponta da sonda retal com vaselina gel ou xilocaína gel;
  11. Colocar o paciente em decúbito lateral esquerdo com a perna esquerda estendida e direita fletida (posição dês SIMS);
  12. Entre abrir as nádegas com papel higiênico;
  13. Introduzir a sonda retal no ânus, aproximadamente 5 a10 cm utilizando gaze 7,5×7,5;
  14. Firmar a sonda com uma mão e com a outra adaptar o frasco da solução indicada na extremidade da sonda retal;
  15. Introduzir toda solução lentamente;
  16. Retirar a sonda suavemente;
  17. Orientar o paciente para reter a solução o quanto puder;
  18. Proporcionar seu fechamento mecânico apertando suavemente as duas partes das nádegas de forma que a solução não retorne de imediato;
  19. Posicionar a comadre sob o paciente, ou fralda descartável, o tempo necessário para esvaziamento intestinal;
  20. Observar o resultado do clister;
  21. Desprezar o conteúdo da comadre no vaso sanitário;
  22. Retirar luvas de procedimento;
  23. Colocar novas luvas de procedimento;
  24. Fazer higiene externa do paciente;
  25. Auxiliar o paciente a recolocar suas roupas;
  26. Posicionar o paciente confortavelmente;
  27. Retirar luvas de procedimento;
  28. Lavar as mãos;
  29. Checar medicação prescrita;
  30. Registrar o procedimento, bem como seu resultado.

Algumas Observações

  • A solução deve estar com a temperatura em torno de 30ºC a 35ºC, pois o calor estimula os reflexos nervosos da mucosa intestinal;
  • Não deverá ser forçada a introdução da sonda retal, nos casos em que for evidenciada a resistência a sua progressão;
  • Se a resistência for de material fecal, aguardar para que seja amolecido para se continuar com a progressão da sonda, se a resistência se mantiver, pode ser que haja presença de um fecaloma ou tumor. Nesses casos o procedimento deverá ser interrompido e feito o registro necessário;
  • Em adultos introduzir a sonda retal 7,5 a 10,0cm e, em crianças introduzir a sonda retal 4 a 7cm.

Referências:

  1. ARCHER, E. Procedimentos e protocolos. Vol.2. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006

Cateter de Tenckhoff

O Cateter de Tenckhoff é um material apropriado e flexível que é colocado no abdome do paciente para realização da diálise peritoneal. Por este cateter, o líquido de diálise peritoneal será infundido e drenado.

A colocação do cateter é feita por meio de um pequeno procedimento cirúrgico, por cirurgião geral e com anestesia local.

A Diálise Peritoneal

Diálise Peritoneal (DP)

A diálise peritoneal é uma técnica de substituição da função renal alternativa à hemodiálise. Geralmente, é utilizada no quinto estágio da insuficiência renal crônica, isto é na fase mais avançada dessa insuficiência.

Nas situações de insuficiência renal aguda grave é muito rara a sua utilização, encontrando-se bem definido o papel da hemodiálise e de técnicas dialíticas contínuas como a hemofiltração venovenosa nessas situações agudas.

Uma das grandes vantagens da diálise peritoneal prende-se com o fato de se tratar de uma técnica ambulatória, geralmente domiciliária.

Se o doente se encontrar dependente de uma terceira pessoa, a técnica pode ser executada por um cuidador (Diálise Peritoneal Assistida) no próprio domicílio ou em Lares ou Unidades de Cuidados Continuados.

diálise peritoneal contínua ambulatória (DPCA) é a variante mais utilizada dessa técnica. O paciente executa 3 a 4 trocas (passagens) manuais durante o dia. A diálise peritoneal automática é efetuada com recurso a uma cicladora. O doente é conectado a essa máquina durante a noite.

Referências:

  1. Pró Rim

Cateter HeRO® Graft

O Cateter HeRO (Hemodialisis Reliable Outflow) Graft é um enxerto de acesso para hemodiálise subcutâneo em pacientes que apresentam fístulas ou enxertos falhos ou que são dependentes de cateter devido ao bloqueio das veias que levam ao coração, podendo permanecer por longo prazo (o cateter deve ser trocado caso haja uma infecção ou ocorra um entupimento dele).

Indicação de Uso

Ele é indicado para pacientes com dificuldade na confecção de fístulas (comunicação de uma veia com uma artéria) no braço e até mesmo para aqueles que já perderam vias de acesso para diálise. Além de outras indicações como:

  • Salvamento uma fístula em falha devido a estenose venosa central;
  • Salvamento um enxerto AV com falha devido a estenose venosa central;
  • Conversão de um paciente dependente de cateter;
  • Pacientes incapazes de atingir as taxas de fluxo sanguíneo prescritas por seu médico.

Características

Esse tipo de cateter é composto por um stent siliconado e uma prótese de tripla camada que permite o desvio do sangue de uma artéria do braço para uma veia próxima ao coração, sendo o dispositivo implantado totalmente abaixo da pele.

O HeRO Graft é classificado pelo FDA (Food and Drug Administration) dos Estados Unidos como um enxerto, mas difere de um enxerto vascular convencional, pois não possui anastomose venosa.

Referências:

  1. Initial Experience and Outcome of a New Hemodialysis Access Device for Catheter-Dependent Patients.Howard E. Katzman, Robert B. McLafferty, John R. Ross, Marc H. Glickman, Eric K. Peden and Jeffrey H. Lawson. JVS, Journal of Vascular Surgery, September 2009 Volume 50, Issue 3, Pages 600-607.e1
  2. MeritMedical

Cateter Arterial

O Cateter Arterial é importante durante o tratamento intensivo de pacientes críticos, pois atua como acesso vascular arterial para o monitoramento preciso da pressão sanguínea em anestesia ou medicina interna, através das artérias radial, braquial e femoral, controlando, assim, as funções cardíacas, circulatórias e pulmonares.

Com este Cateter, também é possível colher sangue arterial para gasometria e outros exames laboratoriais que exigem o mesmo.

Algumas Observações:

  • Manter o curativo do orifício de saída sempre seco;
  • O cateter deve permanecer imóvel;
  • Jamais force a infusão em um cateter obstruído. A obstrução pode ser resultante de coágulo ou precipitação de substâncias. Para evitar a obstrução, mantenha o cateter heparinizado ou irrigado e confira as substâncias antes de infundi-las;
  • Técnicas rigorosamente assépticas devem ser usadas durante o procedimento de implantação e manutenção do cateter;
  • A utilização do cateter é de curto prazo, até 29 dias.

Punção Intraóssea

A punção intraóssea (IO) é um procedimento emergencial que permite a administração da maioria dos medicamentos utilizados em emergências quando não se consegue um acesso venoso periférico, principalmente em casos de hemorragia e em situações de trauma.

A via intraóssea pode ser usada com segurança em diferentes locais de punção, em pacientes adultos e crianças, com um risco muito baixo de complicações, sendo a mais comum o derramamento de fluidos.

Essa via de administração pode ser usada para lactentes, crianças ou adultos, quando não for possível estabelecer um acesso venoso de emergência nos primeiros dois minutos após o atendimento inicial no caso de parada cardiorrespiratória.

Locais para Punção

Crianças
  • Superfície antero-medial da tíbia proximal, 2,5 cm abaixo da tuberosidade tibial;
  • Tíbia e fêmur distais. A tíbia distal é preferível por ter uma cobertura fina de córtex ósseo e por possibilitar acesso mais difícil, porque o osso está bem protegido por músculo e gordura;
  • A inserção no esterno não é recomendável para crianças, devido ao risco de perfuração;
  • Nunca introduzir uma agulha intraóssea nas placas epifisárias de uma criança.
Adultos
  • Crista ilíaca ou esterno (com exceção do segmento anteroposterior, no qual a agulha poderia penetrar por completo);
  • Extremidade distal do rádio, a metáfise proximal do úmero e uma região situada 3 a 4 cm antes da extremidade distal do maléolo lateral ou medial;
  • A agulha também pode ser introduzida no processo estiloide da ulna, na epífise distal do segundo metacarpo, na epífise distal do primeiro metatarso, na tíbia ou no fêmur distal.

Enfermeiro pode ser habilitado para realizar punção intraóssea!

O COFEN aprovou a  Resolução 648/2020, que dispõe sobre a normatização, capacitação e atuação do enfermeiro na realização da punção intraóssea em situações de urgência e emergência pré e intra-hospitalares.

A normativa, proposta pela Comissão Nacional de Urgência e Emergência, busca trazer mais segurança no procedimento, crucial para salvar a vida de pacientes graves.

Observação

  • Recomenda-se a antissepsia do local com gluconato de clorexidina a 0,5%, iodopovidona a 10% ou álcool a 70%;
  • Utilizar cobertura estéril de fixação e não ultrapassar impreterivelmente, o período máximo de 24h com uso da via intraóssea, buscando um novo acesso após estabilização do paciente.

Referências:

  1. LANE, John Cook and GUIMARAES, Hélio Penna. Acesso venoso pela via intraóssea em urgências médicas. Rev. bras. ter. intensiva [online]. 2008, vol.20, n.1, pp. 63-67.
  2. Ricardo Américo Ribeiro de; MELO, Clayton Lima; DANTAS, Raquel Batista  and  DELFIM, Luciana Valverde Vieira. Acesso vascular por via intraóssea em emergências pediátricas. Rev. bras. ter. intensiva [online]. 2012, vol.24, n.4, pp. 407-414.
  3. EUA. Suporte Avançado de Vida Cardiovascular. American Heart Association. Manual do Profissional, 2011.

Cateteres Venosos Periféricos: As diferenças entre SCALP e ABBOCATH

Scalp e cateter jelco são dois dos materiais mais utilizados em hospitais nos procedimentos de acesso venoso periférico. A técnica consiste na introdução de um dispositivo em uma veia periférica com o objetivo de tirar uma amostra de sangue, administrar drogas via endovenosa ou realizar reposição volêmica e de hemoderivados.

O Cateter Venoso Periférico Agulhado “Scalp”

Popularmente conhecido como Butterfly, o scalp agulhado borboleta é um dispositivo de infusão intravenoso que deve ficar menos tempo no acesso venoso do paciente do que os cateteres venosos. Esse scalp é composto de agulhas nos calibres 19G, 21G, 23G, 25G e 27G, que ficam acopladas a uma mangueira extensora conectada a uma seringa. A desvantagem dos Scalps é que não permitem que o paciente dobre o braço para evitar que o equipamento saia do lugar.

Para saber mais sobre o Cateter Scalp:

Os Cateteres Agulhados: “Scalp” ou “Butterfly”

O Cateter Venoso Periférico Flexível “Abbocath”

Popularmente conhecido como “Abbocath”, os cateteres venosos periféricos flexíveis proporcionam maior conforto e segurança aos pacientes e aos profissionais. Eles são recomendados na utilização por períodos prolongados ou que exijam a administração de medicamentos com maior risco de causar inflamações nas veias ou lesões na pele do paciente. E também no caso de extravasamento, quando podem causar contaminação do profissional, como no caso das medicações quimioterápicas.

A agulha é confeccionada em aço inoxidável com bisel trifacetado com a finalidade de perfurar a pele até chegar ao acesso venoso, preservando a integridade do cilindro, evitando que ele se dobre ou se quebre até chegar ao vaso. Ele é confeccionado de polímero policloreto de vinila (FEP (Teflon®) ou Vialon), ou polímero poliuretano (PU), ambos flexíveis, de calibres 14G, 16G, 20G,22G,24G e 26G.

Em uma das extremidades possui um conector 6% luer onde se observa o retorno sanguíneo e promove a conexão com a seringa, equipo, multivias, etc. para que se inicie a infusão. Há também opção com dispositivo de segurança, um mecanismo que recobre a ponta da agulha após a utilização, evitando acidente ocupacional.

Para saber mais sobre o Cateter Abbocath:

Cateteres Flexíveis

Agora, qual é a diferença na aplicação destes cateteres na prática?

Os cateteres venosos periféricos flexíveis “abbocath” são utilizados nos procedimentos intermitentes de fluidos, quando há a necessidade de se manter o acesso no paciente por um tempo prolongado (de 48 a 72 horas).

É ideal para administrar medicamentos com maior risco de causar danos aos vasos e à pele do paciente ou inflamações, e também em casos em que possa ocorrer a contaminação do profissional de saúde, como sessões de quimioterapia.

Os cateteres venosos periféricos agulhados “scalp” devem ser utilizados para infusão de curta duração (em torno de 24 horas), de baixo volume, quando não há necessidade de manter o acesso no paciente.

Pode ser usado para administração de medicamentos “in bolus” ou “flush”, e para pacientes com veias muito finas e comprometidas, como terapia de dose única, administração de medicamento IV em bolus ou para coleta de sangue.

Referência:

  1. PHILLIPS, D.L. Manual de Terapia Intravenosa. 2ºed.Porto Alegre: Artmed,2001.