Fototerapia e os cuidados de enfermagem

A fototerapia é um recurso terapêutico amplamente utilizado na área da saúde, especialmente na neonatologia e na dermatologia. Trata-se do uso controlado da luz para fins terapêuticos, capaz de promover benefícios clínicos importantes quando aplicada de forma correta e segura.

Na prática da enfermagem, a fototerapia exige conhecimento técnico, atenção contínua e cuidados específicos para evitar complicações. Compreender seus princípios, indicações e formas de aplicação é fundamental para garantir a eficácia do tratamento e a segurança do paciente.

O que é fototerapia?

A fototerapia é uma modalidade de tratamento que utiliza luz artificial com comprimento de onda específico para provocar reações químicas e biológicas no organismo. Essa luz pode ser emitida por lâmpadas fluorescentes, halógenas ou por dispositivos de LED.

O uso mais conhecido da fototerapia ocorre no tratamento da icterícia neonatal, mas também é aplicada em doenças dermatológicas, alterações metabólicas e algumas condições inflamatórias da pele.

O princípio básico da fototerapia é a capacidade da luz de modificar determinadas substâncias presentes no organismo, tornando-as mais fáceis de serem eliminadas.

A Fisiologia por Trás do Brilho Azul

Para entender a fototerapia, precisamos primeiro compreender o que ela combate. A bilirrubina é um subproduto da quebra dos glóbulos vermelhos. No recém-nascido, o fígado ainda é imaturo e muitas vezes não consegue processar essa bilirrubina (chamada de indireta ou não conjugada) de forma rápida o suficiente.

Como a bilirrubina indireta é lipossolúvel, ela tem afinidade por tecidos gordurosos e pelo sistema nervoso central, o que a torna perigosa.

O papel da luz azul, especificamente no comprimento de onda entre 425 nm e 475 nm, é realizar uma transformação química na pele do bebê. Através de processos chamados fotoisomerização e isomerização estrutural, a luz altera a estrutura molecular da bilirrubina indireta, transformando-a em lumirrubina. A grande mágica aqui é que a lumirrubina é hidrossolúvel, ou seja, ela pode ser excretada pela bile e pela urina sem precisar passar pelo processamento do fígado. É uma via alternativa de eliminação que a medicina utiliza para contornar a imaturidade hepática do neonato.

Indicações e Critérios para Início do Tratamento

Nem todo bebê com icterícia precisa de fototerapia. A decisão médica baseia-se em tabelas que cruzam o nível de bilirrubina sérica com a idade gestacional e o tempo de vida em horas. Recém-nascidos prematuros, por exemplo, têm limiares muito mais baixos para iniciar o tratamento do que bebês a termo.

A icterícia pode ser fisiológica, surgindo após as primeiras 24 a 36 horas de vida, ou patológica, que é aquela que aparece precocemente ou atinge níveis alarmantes rapidamente, muitas vezes por incompatibilidade sanguínea entre mãe e filho (como o sistema ABO ou Rh). A enfermagem desempenha um papel crucial na detecção precoce, observando a progressão cefalocaudal da icterícia através das Zonas de Kramer, onde a cor amarela começa na face e desce para o tronco e membros à medida que os níveis sanguíneos aumentam.

Outros usos da fototerapia

Além da neonatologia, a fototerapia é utilizada em diversas áreas da saúde. Na dermatologia, é indicada no tratamento de doenças como psoríase, vitiligo, dermatite atópica e algumas formas de acne.

Em pacientes adultos, também pode ser utilizada para tratamento de hiperbilirrubinemia, prurido associado a doenças hepáticas e algumas condições inflamatórias cutâneas.

Existem diferentes tipos de fototerapia, como a ultravioleta A (UVA), ultravioleta B (UVB) e luz azul, cada uma com indicação específica conforme a patologia.

Fototerapia no câncer e lesões pré-cancerosas

A fototerapia pode ser utilizada na forma de Terapia Fotodinâmica (TFD), que é diferente da fototerapia convencional da icterícia neonatal.

Na Terapia Fotodinâmica, aplica-se uma substância fotossensibilizante no paciente e, em seguida, expõe-se a área a um tipo específico de luz. Essa combinação produz radicais livres que destroem seletivamente as células doentes.

Ela é indicada principalmente para:

  • No tratamento de lesões pré-cancerosas da pele, como a queratose actínica, que pode evoluir para carcinoma espinocelular.
  • No tratamento de câncer de pele não melanoma, especialmente o carcinoma basocelular superficial.
  • Em alguns tumores superficiais, como câncer de esôfago inicial, pulmão em estágio inicial (lesões endobrônquicas), bexiga e cavidade oral.

Como tratamento paliativo, para redução de massa tumoral e alívio de sintomas como sangramentos e obstruções.

A grande vantagem é que a terapia fotodinâmica atua de forma localizada, preservando tecidos saudáveis ao redor.

Fototerapia no câncer de pele

Na dermatologia oncológica, a fototerapia é amplamente utilizada no manejo de:

  • Queratose actínica
  • Doença de Bowen (carcinoma in situ)
  • Carcinoma basocelular superficial
  • Lesões cutâneas pré-malignas

Além disso, pode ser utilizada para tratar efeitos colaterais de quimioterapia e radioterapia, como mucosite oral, utilizando laser de baixa intensidade (fotobiomodulação).

Fototerapia nos distúrbios do humor

A fototerapia também é utilizada em psiquiatria e saúde mental, principalmente no tratamento da depressão sazonal, conhecida como Transtorno Afetivo Sazonal (TAS).

Essa condição ocorre devido à menor exposição à luz solar, principalmente no inverno, alterando a produção de melatonina e serotonina.

A exposição controlada à luz branca intensa ajuda a:

  • Regular o ritmo circadiano
  • Reduzir sintomas depressivos
  • Melhorar disposição e energia
  • Diminuir sonolência diurna

Também vem sendo estudada como terapia complementar em:

  • Depressão maior
  • Transtorno bipolar (com cautela)
  • Ansiedade
  • Síndrome da fadiga crônica

Fototerapia nos distúrbios do sono

A luz é um dos principais reguladores do relógio biológico (ritmo circadiano). A fototerapia é indicada em pacientes com:

  • Insônia
  • Síndrome do atraso da fase do sono
  • Trabalhadores de turno noturno
  • Jet lag
  • Distúrbios do sono em idosos
  • Distúrbios do sono em pacientes com demência

Ela atua ajustando a produção de melatonina, melhorando:

  • Qualidade do sono
  • Tempo para adormecer
  • Regularidade do ciclo vigília-sono
  • Estado de alerta durante o dia

Outras indicações clínicas da fototerapia

Além das áreas citadas, a fototerapia também é usada em:

  • Vitiligo
  • Psoríase
  • Dermatite atópica
  • Acne inflamatória
  • Prurido associado à insuficiência renal crônica
  • Icterícia do adulto
  • Mucosite oral em pacientes oncológicos
  • Feridas crônicas (laser de baixa intensidade)
  • Reabilitação muscular e dor crônica

Tipos de equipamentos utilizados

Os equipamentos de fototerapia variam conforme o tipo de luz emitida e a finalidade terapêutica. Na neonatologia, são utilizados aparelhos com lâmpadas fluorescentes ou LED que emitem luz azul-esverdeada.

Há também mantas de fibra óptica, conhecidas como biliblanket, que permitem maior mobilidade do recém-nascido e contato com a mãe durante o tratamento.

Na dermatologia, os equipamentos podem emitir radiação UV controlada, sempre sob prescrição médica e monitoramento rigoroso.

Indicações clínicas da fototerapia

A principal indicação é a icterícia neonatal com níveis de bilirrubina acima dos valores considerados seguros para a idade e peso do recém-nascido. Outras indicações incluem doenças dermatológicas inflamatórias, distúrbios pigmentares da pele e algumas condições associadas à insuficiência hepática.

A decisão de iniciar a fototerapia deve sempre ser baseada em critérios clínicos e laboratoriais, conforme protocolos estabelecidos.

Riscos e efeitos adversos

Embora seja um tratamento seguro, a fototerapia não é isenta de riscos. Os efeitos adversos mais comuns incluem desidratação, aumento da temperatura corporal, irritação cutânea, diarreia e alterações no padrão de sono.

A exposição inadequada pode causar queimaduras leves, lesões oculares e aumento do risco de instabilidade térmica no recém-nascido.

Por isso, o monitoramento constante é indispensável durante todo o período de uso da fototerapia.

Cuidados de enfermagem na fototerapia

A enfermagem possui papel central na condução segura da fototerapia. Antes de iniciar o procedimento, é essencial verificar a prescrição médica, identificar corretamente o paciente e avaliar as condições clínicas.

No recém-nascido, deve-se manter o paciente despido, exceto pela fralda, para maximizar a área de exposição da pele à luz. Os olhos devem ser protegidos com óculos apropriados para evitar lesões na retina.

A equipe deve posicionar corretamente o equipamento, respeitando a distância recomendada entre a fonte de luz e o paciente, conforme orientação do fabricante.

Durante o tratamento, é necessário monitorar sinais vitais, temperatura corporal, hidratação, aspecto da pele e comportamento do paciente. O balanço hídrico deve ser rigorosamente controlado, pois a fototerapia aumenta a perda de líquidos.

A mudança de decúbito deve ser realizada periodicamente para garantir exposição uniforme da pele à luz. A higiene da pele deve ser mantida, evitando o uso de cremes ou óleos que possam interferir na absorção da luz.

É importante observar sinais de complicações, como hipertermia, lesões cutâneas, irritabilidade excessiva ou alterações nos exames laboratoriais.

Orientações à família

A enfermagem também tem papel educativo junto aos familiares, explicando o motivo da fototerapia, sua importância e os cuidados necessários durante o tratamento.

Muitos pais demonstram ansiedade ao ver o recém-nascido sob luz artificial, com olhos protegidos. Esclarecer que o procedimento é seguro e temporário ajuda a reduzir o medo e aumenta a adesão ao tratamento.

O estímulo ao aleitamento materno deve ser mantido sempre que possível, com interrupções breves da fototerapia para alimentação e cuidados básicos.

Importância da monitorização laboratorial

Durante o uso da fototerapia, os níveis de bilirrubina devem ser monitorados periodicamente para avaliar a eficácia do tratamento. A suspensão da fototerapia ocorre quando os valores retornam a níveis seguros para a idade do paciente.

A enfermagem deve estar atenta aos horários das coletas laboratoriais e ao registro adequado das informações no prontuário.

A fototerapia é um recurso terapêutico eficaz, seguro e amplamente utilizado na prática clínica, especialmente na assistência ao recém-nascido com icterícia. Seu sucesso depende diretamente da correta indicação, do uso adequado dos equipamentos e da atuação vigilante da equipe de enfermagem.

O conhecimento técnico, aliado à observação contínua e à humanização do cuidado, garante que o tratamento seja realizado de forma segura, prevenindo complicações e promovendo a recuperação do paciente.

Para o estudante e o profissional de enfermagem, compreender os fundamentos da fototerapia é essencial para uma prática clínica responsável e baseada em evidências científicas.

 

Referências:

  1. AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS. Clinical Practice Guideline Revision: Management of Hyperbilirubinemia in the Newborn Infant 35 or More Weeks of Gestation. Pediatrics, v. 150, n. 3, 2022. Disponível em: https://publications.aap.org/pediatrics
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Atenção à Saúde do Recém-Nascido: guia para os profissionais de saúde. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/
  3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA (SBP). Icterícia no recém-nascido com idade gestacional > 35 semanas. Departamento de Neonatologia, 2021. Disponível em: https://www.sbp.com.br/
  4. TAMEZ, Eloísa A.; SILVA, Maria Jones P. Enfermagem na UTI Neonatal: Assistência ao Recém-Nascido de Alto Risco. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.
  5. BRASIL. Ministério da Saúde. Atenção à saúde do recém-nascido: guia para os profissionais de saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/atencao_saude_recem_nascido_profissionais.pdf
  6. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Segurança no uso de equipamentos médicos. Brasília: ANVISA, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/tecnovigilancia
  7. KRAMER, L. I. Advancement of dermal icterus in the jaundiced newborn. American Journal of Diseases of Children, v. 118, p. 454–458, 1969. Disponível em: https://jamanetwork.com
  8. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA (SBP). Diretrizes para o manejo da icterícia neonatal. São Paulo: SBP, 2021. Disponível em: https://www.sbp.com.br
  9. RANG, H. P. et al. Farmacologia. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.
  10. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Guidelines on neonatal jaundice and phototherapy. Geneva: WHO, 2022. Disponível em:
    https://www.who.int

Marcha atópica

A marcha atópica é um conceito que descreve a progressão natural das doenças alérgicas ao longo da vida de um indivíduo. Geralmente começando na infância, essa sequência de condições pode incluir dermatite atópica, rinite alérgica e asma.

Nesta publicação, vamos explorar o que é a marcha atópica, suas fases, fatores de risco e estratégias para prevenir ou controlar essas condições.

O Que é a Marcha Atópica?

A marcha atópica refere-se à tendência de doenças alérgicas se desenvolverem em uma sequência previsível, começando na infância e podendo persistir até a idade adulta. Essa progressão é caracterizada por uma resposta imunológica hiperativa a alérgenos comuns, como pólen, ácaros e alimentos.

Fases da Marcha Atópica

Dermatite Atópica (Eczema)

  • Idade de Início: Geralmente nos primeiros meses de vida.
  • Sintomas: Pele seca, coceira intensa e erupções cutâneas.
  • Importância: A dermatite atópica é frequentemente o primeiro sinal da marcha atópica e pode aumentar o risco de desenvolver outras condições alérgicas.

Alergias Alimentares

  • Idade de Início: Nos primeiros anos de vida.
  • Sintomas: Reações alérgicas a alimentos como leite, ovos, amendoim e frutos do mar.
  • Importância: As alergias alimentares podem ser um precursor para o desenvolvimento de asma e rinite alérgica.

Asma

  • Idade de Início: Geralmente entre 3 e 5 anos.
  • Sintomas: Dificuldade para respirar, chiado no peito e tosse.
  • Importância: A asma é uma condição crônica que pode persistir na idade adulta.

Rinite Alérgica

  • Idade de Início: Pode começar na infância ou adolescência.
  • Sintomas: Espirros, coriza, coceira no nariz e olhos lacrimejantes.
  • Importância: A rinite alérgica é comum em indivíduos com histórico de outras condições atópicas.

Fatores de Risco para a Marcha Atópica

Vários fatores podem contribuir para o desenvolvimento da marcha atópica, incluindo:

Genética

Histórico familiar de doenças alérgicas.

Exposição a Alérgenos

Contato precoce com ácaros, pólen ou alimentos alergênicos.

Poluição e Tabagismo

Ambientes poluídos e exposição ao fumo podem agravar as condições alérgicas.

Alterações na Microbiota Intestinal

Desequilíbrios na flora intestinal podem influenciar o sistema imunológico.

Prevenção e Controle da Marcha Atópica

Embora a marcha atópica tenha um componente genético, algumas estratégias podem ajudar a prevenir ou controlar suas manifestações:

Amamentação

A amamentação exclusiva nos primeiros seis meses de vida pode reduzir o risco de dermatite atópica e alergias alimentares.

Introdução de Alimentos Sólidos

A introdução de alimentos potencialmente alergênicos, como amendoim e ovos, deve ser feita de forma gradual e sob orientação médica.

Controle Ambiental

Reduzir a exposição a alérgenos comuns, como ácaros e pólen, pode ajudar a prevenir crises alérgicas.

Tratamento Precoce

O manejo adequado da dermatite atópica e das alergias alimentares pode reduzir o risco de progressão para asma e rinite alérgica.

Imunoterapia

Em alguns casos, a imunoterapia com alérgenos pode ser usada para dessensibilizar o sistema imunológico.

Cuidados de Enfermagem no Manejo da Marcha Atópica

A equipe de enfermagem desempenha um papel crucial no suporte a pacientes com marcha atópica. Aqui estão os principais cuidados:

Educação do Paciente e Familiares

Explique sobre a marcha atópica e a importância do controle ambiental e do tratamento precoce.

Acompanhamento Nutricional

Oriente sobre a introdução de alimentos e o manejo de alergias alimentares.

Monitoramento de Sintomas

Observe e registre os sintomas do paciente para ajustar o tratamento conforme necessário.

Apoio Emocional

Ofereça suporte emocional, especialmente para crianças e famílias que lidam com múltiplas condições alérgicas.

A marcha atópica é uma sequência de condições alérgicas que pode impactar significativamente a qualidade de vida. Compreender suas fases e fatores de risco é essencial para prevenir e controlar essas doenças.

Para a equipe de enfermagem, a educação e o suporte ao paciente são fundamentais para garantir um manejo eficaz.

Referência:

  1. Hill DA, Spergel JM. The atopic march: Critical evidence and clinical relevance. Ann Allergy Asthma Immunol. 2018 Feb;120(2):131-137. doi: 10.1016/j.anai.2017.10.037. Erratum in: Ann Allergy Asthma Immunol. 2018 Apr;120(4):451. doi: 10.1016/j.anai.2018.02.033. PMID: 29413336; PMCID: PMC5806141.

O Sinal de Lichtenberg: A Tatuagem do Raio

O cuidado em saúde exige não apenas conhecimento técnico, mas também a capacidade de reconhecer sinais clínicos que podem indicar condições graves. Um desses sinais, muitas vezes discutido na área da medicina legal e emergências, é o sinal de Lichtenberg. Trata-se de uma marca característica observada na pele de vítimas de acidente por descarga elétrica, especialmente em casos de fulminação por raio.

Para o estudante de enfermagem, compreender o que significa esse sinal é fundamental para a prática, tanto no contexto hospitalar quanto em situações de urgência e emergência.

O que é o sinal de Lichtenberg?

O sinal de Lichtenberg é uma lesão cutânea de aparência ramificada, semelhante ao desenho de uma árvore ou de galhos finos, que se forma na pele de indivíduos que sofreram uma descarga elétrica de alta intensidade, como a provocada por raios.

Essas figuras são chamadas de figuras arboriformes e não resultam de queimaduras comuns. São, na verdade, marcas causadas pela passagem da eletricidade através do corpo, gerando alterações nos capilares cutâneos e na microcirculação.

A Origem do Nome

 O nome do sinal é uma homenagem ao físico alemão Georg Christoph Lichtenberg, que foi o primeiro a descrever esses padrões ramificados em superfícies isolantes carregadas eletricamente.

Por que o Sinal se Forma?

A teoria mais aceita é que o sinal é causado pela ruptura dos pequenos vasos sanguíneos (capilares) sob a pele, devido à passagem da corrente elétrica. A eletricidade se espalha pela pele em um padrão ramificado, criando a marca. Outras teorias sugerem que o sinal pode ser o resultado do calor gerado pelo raio ou da ação do campo magnético na pele.

Uma Marca Temporária

O sinal de Lichtenberg não é permanente. Ele geralmente desaparece em um ou dois dias, sem deixar cicatrizes. Sua presença, no entanto, é um indicativo claro de que a pessoa foi atingida por um raio.

Características do sinal

  • Tem aparência de linhas finas, ramificadas, semelhantes a folhas ou galhos;
  • Normalmente surge no tronco, nos braços ou nas pernas, em áreas expostas;
  • Pode desaparecer em horas ou dias, sendo considerado um sinal transitório;
  • É característico de acidentes por fulminação atmosférica (raios), embora também possa ser observado em descargas artificiais de alta voltagem.

Esse sinal não é doloroso em si, mas indica que houve uma descarga elétrica significativa, capaz de causar lesões internas graves, como queimaduras profundas, arritmias cardíacas ou até mesmo parada cardiorrespiratória.

Importância do reconhecimento

O sinal de Lichtenberg é considerado patognomônico, ou seja, específico de acidente por raio. O seu reconhecimento é importante para:

  • Diferenciar queimaduras comuns de lesões por eletricidade;
  • Auxiliar na investigação clínica e legal da causa da lesão ou óbito;
  • Indicar a necessidade de monitorização rigorosa, já que, mesmo em casos em que o paciente parece estável, podem ocorrer complicações tardias, como arritmias ou insuficiência respiratória.

Os Perigos Ocultos: Mais do que uma Marca na Pele

Embora o sinal de Lichtenberg não seja uma lesão grave em si, sua presença é um alerta para lesões internas sérias. Um raio é uma descarga elétrica de altíssima energia, e a sua passagem pelo corpo pode causar danos em múltiplos sistemas.

  • Lesões Cardíacas: O coração é um órgão elétrico. A passagem de uma corrente de alta voltagem pode causar arritmias cardíacas graves, como a parada cardíaca, que é a principal causa de morte em vítimas de raio.
  • Lesões Neurológicas: O sistema nervoso central e periférico pode ser gravemente afetado, levando a convulsões, perda de consciência, paralisia temporária ou permanente e danos nos nervos.
  • Lesões Musculoesqueléticas: A força da contração muscular pode ser tão grande que causa fraturas ósseas e luxações.
  • Queimaduras: Embora o sinal de Lichtenberg não seja uma queimadura grave, a vítima pode ter queimaduras de diferentes graus, especialmente em locais de contato com a eletricidade, como os sapatos ou o cinto.

Cuidados de enfermagem diante de acidentes elétricos

O profissional de enfermagem tem papel essencial no atendimento inicial a vítimas de descargas elétricas. Entre os principais cuidados estão:

  • Garantir a segurança da cena: nunca se aproximar da vítima enquanto ainda houver risco de contato com a fonte elétrica.
  • Avaliar a responsividade e sinais vitais: iniciar reanimação cardiopulmonar (RCP) se necessário.

Avaliação Primária (A-B-C-D-E):

  • A – Vias Aéreas (Airway): Avaliar se a via aérea está pérvia e desobstruída.
  • B – Respiração (Breathing): Verificar se a vítima está respirando. Se não, iniciar a ventilação com bolsa-máscara.
  • C – Circulação (Circulation): Avaliar o pulso. Se não houver pulso, iniciar imediatamente as compressões torácicas e o suporte básico de vida (SBV).
  • D – Déficit Neurológico (Disability): Avaliar o nível de consciência do paciente.
  • E – Exposição e Exame (Exposure): Despir a vítima para expor o corpo, procurando por queimaduras e, claro, o sinal de Lichtenberg.

Mais cuidados:

  • Observar e registrar o sinal de Lichtenberg: descrever sua localização, tamanho e características no prontuário.
  • Monitorização cardíaca contínua: descargas elétricas podem causar arritmias mesmo horas após o evento.
  • Controle de vias aéreas e suporte respiratório: caso o paciente apresente alterações respiratórias.
  • Cuidados com queimaduras associadas: realizar curativos adequados, mantendo técnica asséptica.
  • Apoio emocional: vítimas de acidente por raio frequentemente apresentam medo e ansiedade intensa.

Referências:

  1. AMERICAN BURN ASSOCIATION. Guidelines for the Management of Electrical Injuries. Disponível em: https://www.ameriburn.org/education/guidelines/
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Manual de Atendimento a Queimados. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2012. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_atendimento_queimados.pdf
  3. BRASIL. Ministério da Saúde. Atendimento a vítimas de acidentes por raios. Brasília: MS, 2018. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2018/fevereiro/raios-saiba-como-agir-em-casos-de-acidentes
  4. COELHO, L. M.; OLIVEIRA, R. A.; SILVA, R. P. Lesões por eletricidade: aspectos clínicos e forenses. Revista Brasileira de Medicina Legal, v. 6, n. 2, p. 55-62, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.29327/medlegal.2020.62
  5. DI MAIO, V. J.; DI MAIO, D. Forensic Pathology. 2. ed. Boca Raton: CRC Press, 2001.

Síndrome da Unha Esverdeada

A síndrome da unha esverdeada é uma infecção paroniquial bacteriana que pode se desenvolver em indivíduos cujas mãos estão frequentemente submersas em água. Também pode ocorrer como listras verdes transversais que são atribuídas a episódios intermitentes de infecção.

É mais comumente causada pela bactéria Pseudomonas aeruginosa,que se desenvolve em condições úmidas. A síndrome das unhas verdes está ligada à submersão regular das mãos em água, detergentes e sujeira. Existem várias atividades e lesões que estão ligadas à predisposição para contrair a doença.

Sintomas

O sintoma mais comum da síndrome da unha esverdeada é a descoloração da unha infectada, pois ela adquire uma coloração verde-escura, devido à secreção dos pigmentos verdes pioverdina e piocianina.

O paciente também pode sofrer de sensibilidade ao redor da unha infectada, juntamente com vermelhidão e inchaço.

Diagnóstico

O diagnóstico geralmente pode ser feito a partir de um exame físico da unha. Se necessário, uma coloração de Gram ou cultura bacteriológica de raspagem de unha pode ser realizada para identificar a presença de bactérias.

No entanto, existem deficiências na realização de uma cultura porque a infecção pode estar presente a uma distância do local da unha e, como resultado, retornar um resultado falso negativo. Uma amostra de unha infectada pode ser submersa em água destilada para realizar um teste de solubilidade do pigmento, dentro de 24 horas o líquido ficará com uma cor azul esverdeada indicando a presença de Pseudomonas aeruginosa.

O Diagnóstico errôneo

A síndrome das unhas esverdeadas pode ser diagnosticada erroneamente como infecções por Aspergillus, melanoma maligno, hematomas subungueais. O uso de corante verde, tinta ou lacas químicas também pode causar confusão.

Referências:

  1.  «Síndrome da unha esverdeada – Distúrbios da pele». Manual MSD Versão Saúde para a Família
  2. «Pseudomonas aeruginosa Infections: Clinical Presentation». eMedicine
  3. James, William; Berger, Timothy; Elston, Dirk (2005). Andrews’ Diseases of the Skin: Clinical Dermatology. (10th ed.). Saunders. ISBN 0-7216-2921-0.
  4. American Osteopathic College of Dermatology (2019). Green Nail Syndrome.
  5. «Green Nail Syndrome (GNS, Pseudomonas nail infection, chloronychia, green striped nails, chromonychia)». Dermatology Advisor (em inglês). 13 de março de 2019
  6. Clark, K., & Davison, L. (2006). Green Nail Syndrome. NJ, USA: MJH Healthcare holdings LLC.
  7. Matsuura, H.; Senoo, A.; Saito, M.; Hamanaka, Y. (1 de setembro de 2017). «Green nail syndrome». QJM: An International Journal of Medicine (em inglês). 110: 609–609. ISSN 1460-2725doi:10.1093/qjmed/hcx114
  8. Chiriac, Anca; Brzezinski, Piotr; Foia, Liliana; Marincu, Iosif (14 de janeiro de 2015). «Chloronychia: green nail syndrome caused by Pseudomonas aeruginosa in elderly persons». Clinical Interventions in Aging (em English).

Psoríase

A psoríase é uma doença inflamatória crônica da pele que provoca manchas vermelhas e ressecadas, podendo causar coceira, ligeira queimação ou dor.

Causa

Embora seja relativamente comum, ainda não se conhece a causa exata dessa condição. A predisposição genética é um fator importante na psoríase. Estresse, infecções, tabagismo, álcool e obesidade também podem desencadear ou agravar os sintomas.

No entanto, é comum que as manchas de psoríase apareçam durante situações que afetam diretamente a imunidade, como períodos de grande estresse ou presença de doenças autoimunes.

Tipos e Sintomas:

  • Psoríase Vulgar (ou Psoríase em Placas): É a forma mais comum da doença. Caracteriza-se pela presença de placas vermelhas com escamas brancas ou prateadas. Essas placas podem variar em tamanho, desde poucos milímetros até vários centímetros. Normalmente, surgem nos braços, pernas, couro cabeludo e região lombar. Também podem afetar as unhas.
  • Psoríase Gutata (ou Psoríase em Gotas): Mais comum em crianças, adolescentes e jovens adultos. Manifesta-se por manchas em forma de gota na pele, geralmente após uma infecção por streptococcus das vias respiratórias.
  • Psoríase Pustulosa: Caracteriza-se pelo surgimento de pequenas bolhas com pus, junto com as manchas de psoríase. Essas bolhas podem aparecer em uma região específica da pele ou se espalhar pelo corpo. Quando generalizada, pode causar febre.
  • Psoríase Invertida: Nesse tipo, as manchas surgem apenas em locais úmidos, como axilas, virilhas, região inframamária e couro cabeludo. Por estarem em áreas úmidas, essas manchas não costumam descamar.
  • Psoríase Ungueal (ou Psoríase nas Unhas): Afeta principalmente as unhas, provocando ondulações, manchas e enfraquecimento. Às vezes, a psoríase ungueal aparece antes dos sintomas na pele.

Tratamento

O tratamento visa controlar os sintomas e prevenir recorrências. Opções incluem cremes, fototerapia, medicamentos orais e, em casos graves, medicamentos injetáveis.

Cuidados de Enfermagem

Educação e Orientação:

  • Compreensão da Doença: Explique aos pacientes e seus familiares sobre a natureza crônica da psoríase, seus fatores desencadeantes e tratamentos disponíveis.
  • Envolvimento Emocional: Reconheça o impacto emocional da doença e ofereça apoio.

Cuidados com a Pele

  • Hidratação: Incentive o uso de emolientes prescritos pelo médico para evitar ressecamento e fissuras na pele.
  • Evite Traumatismos: Oriente os pacientes a não puxar as escamas da pele durante o banho, pois isso pode resultar em lesões (Fenômeno de Koebner).
  • Unhas: Instrua sobre a importância de aparar regularmente as unhas para evitar complicações nas unhas.

Banho de Sol

  • Horários Benéficos: Sugira banhos de sol entre 7h e 10h e após as 16h para promover a remissão da psoríase.

Medicamentos e Substâncias

  • Orientação: Alerta os pacientes a não usar substâncias sistêmicas ou tópicas (como ervas) sem orientação médica.
  • Evite Alguns Medicamentos: Informe sobre medicamentos que podem agravar a psoríase, como anti-inflamatórios não esteroidais, antimaláricos, beta-bloqueadores e lítio.

Relação de Confiança

  • Apoio Emocional: Como a psoríase é uma doença crônica, os pacientes enfrentam desgaste emocional. Estabeleça uma relação de confiança para lidar com esse momento.

Referências:

  1. SBD
  2.  Psoríase Brasil

Tipos de Reações de Hipersensibilidade

As reações de hipersensibilidade são respostas imunológicas exageradas a antígenos geralmente inofensivos. Classificadas em quatro tipos principais pelo sistema de Gell e Coombs, essas reações variam desde manifestações alérgicas imediatas até doenças autoimunes.

Hipersensibilidade Tipo I (Imediata)

Características:

  • Mecanismo: Mediado por IgE
  • Tempo de resposta: Minutos a horas
  • Exemplos clínicos:
    • Anafilaxia (alimentos, venenos, medicamentos)
    • Rinite alérgica
    • Asma alérgica
    • Urticária

Cuidados de Enfermagem:

  • Monitorar sinais vitais e sintomas respiratórios
  • Manter epinefrina (adrenalina) acessível para emergências
  • Orientar sobre evitamento de alérgenos conhecidos
  • Ensinar técnica de autoaplicação de epinefrina
  • Registrar detalhes da reação no prontuário

Hipersensibilidade Tipo II (Citotóxica)

Características:

  • Mecanismo: IgG/IgM contra antígenos de superfície celular
  • Tempo de resposta: Horas a dias
  • Exemplos clínicos:
    • Anemia hemolítica autoimune
    • Pênfigo vulgar
    • Doença hemolítica do recém-nascido
    • Reação transfusional ABO

Cuidados de Enfermagem:

  • Monitorar hemoglobina e bilirrubina em reações hemolíticas
  • Observar sinais de anemia (palidez, taquicardia)
  • Coletar amostras para testes de Coombs quando indicado
  • Registrar histórico detalhado de transfusões

Hipersensibilidade Tipo III (Complexos Imunes)

Características:

  • Mecanismo: Deposição de complexos antígeno-anticorpo
  • Tempo de resposta: 1-3 semanas
  • Exemplos clínicos:
    • Lúpus eritematoso sistêmico
    • Artrite reumatoide
    • Glomerulonefrite pós-estreptocócica
    • Doença do soro

Cuidados de Enfermagem:

  • Avaliar função renal (proteinúria, creatinina)
  • Monitorar articulações quanto a edema e dor
  • Observar lesões cutâneas características
  • Orientar sobre proteção solar no lúpus

Hipersensibilidade Tipo IV (Tardia)

Características:

  • Mecanismo: Mediado por células T
  • Tempo de resposta: 48-72 horas
  • Exemplos clínicos:
    • Dermatite de contato (níquel, látex)
    • Teste tuberculínico (PPD)
    • Rejeição de enxerto
    • Doença celíaca

Cuidados de Enfermagem:

  • Identificar e eliminar agentes causadores
  • Aplicar compressas frias em dermatites
  • Educar sobre evitamento de alérgenos de contato
  • Monitorar área de teste cutâneo (PPD)

O reconhecimento precoce do tipo de hipersensibilidade é crucial para o manejo adequado. A enfermagem desempenha papel fundamental na identificação de sintomas, implementação de medidas terapêuticas e educação do paciente para prevenção de novas reações.

Referências:

  1. ABBAS, A. K. et al. Imunologia Celular e Molecular. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2019. Disponível em: https://www.elsevier.com.
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo de Manejo de Anafilaxia. Brasília, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude.
  3. JANEWAY, C. A. et al. Immunobiology: The Immune System in Health and Disease. 9. ed. New York: Garland Science, 2016. Disponível em: https://www.garlandscience.com.
  4. SOCIEDADE BRASILEIRA DE ALERGIA E IMUNOLOGIA. Diretrizes Brasileiras de Anafilaxia. 2021. Disponível em: https://www.sbai.org.br.

Termos Técnicos: Lesões Hemorrágicas da Pele

As lesões hemorrágicas da pele são caracterizadas pelo extravasamento de sangue para os tecidos cutâneos, resultando em manchas de diferentes tamanhos e cores. A compreensão desses termos é fundamental para a avaliação clínica e o diagnóstico de diversas condições médicas.

Entenda os Tipos

Equimose

  • Definição: Mancha arroxeada na pele, causada pelo extravasamento de sangue para os tecidos mais profundos.
  • Características: A cor da equimose pode variar ao longo do tempo, passando por tons de roxo, verde e amarelo, à medida que o sangue é reabsorvido.
  • Causas: Trauma, uso de anticoagulantes, distúrbios hemorrágicos.

Hematoma

  • Definição: Acúmulo de sangue coagulado em um tecido, formando uma massa palpável.
  • Características: Pode variar em tamanho e consistência, dependendo da quantidade de sangue extravasado.
  • Causas: Trauma, procedimentos cirúrgicos, ruptura de vasos sanguíneos.

Petéquias

  • Definição: Pequenas manchas vermelhas ou roxas, puntiformes, que não desaparecem com a pressão.
  • Características: Geralmente menores que 2 mm de diâmetro.
  • Causas: Trauma leve, infecções, distúrbios hemorrágicos, deficiência de vitamina C.

Púrpura

  • Definição: Manchas roxas maiores que as petéquias, que não desaparecem com a pressão.
  • Características: Podem variar em tamanho e forma.
  • Causas: Trauma, infecções, distúrbios hemorrágicos, vasculites.

Outros termos relevantes:

  • Víbice: Mancha linear roxa, maior que as petéquias.
  • Hemorragia subcutânea: Sangramento abaixo da pele.
  • Equimose em faixa: Equimose que acompanha o trajeto de um vaso sanguíneo.

Causas comuns de lesões hemorrágicas:

  • Trauma: Quedas, batidas, cirurgias.
  • Distúrbios hemorrágicos: Hemofilia, trombocitopenia, doença de von Willebrand.
  • Infecções: Meningococcemia, dengue.
  • Deficiências nutricionais: Escorbuto (deficiência de vitamina C).
  • Uso de medicamentos: Anticoagulantes, anti-inflamatórios não esteroides.
  • Vasculites: Inflamação dos vasos sanguíneos.

Importância da avaliação

A avaliação das lesões hemorrágicas é fundamental para o diagnóstico de diversas condições médicas. A localização, tamanho, forma e evolução das lesões, juntamente com outros sinais e sintomas, ajudam o médico a identificar a causa e a instituir o tratamento adequado.

Quando procurar um médico

Se você apresentar lesões hemorrágicas inexplicáveis, acompanhadas de outros sintomas como febre, dor, inchaço ou dificuldade para respirar, é importante procurar um médico para avaliação.

Referências:

  1. Med.club

Urticária Aquagênica

Urticária aquagênica é uma condição rara que afeta principalmente mulheres na adolescência e pós-puberdade.

É caracterizada pelo surgimento de manchas vermelhas, coceira e sensação de queimação na pele após o contato com a água, seja do mar, da piscina, da chuva ou do banho.

Classificação

Sua classificação é baseada no tempo de sintomas, sendo considerada crônica quando ocorre por mais de seis semanas consecutivas. As urticárias crônicas podem ser subdivididas em urticária crônica espontânea (UCE) ou urticária crônica induzida (UCInd).

As UCInd são aquelas nas quais as urticas e/ou angioedema surgem após um estímulo específico, que pode ser físico (dermografismo sintomático, urticária de pressão tardia, urticária ao calor ou ao frio, urticária vibratória e urticária solar) ou não físico (urticária aquagênica, urticária de contato e colinérgica).

Sintomas

Os sintomas costumam durar de 30 a 60 minutos após o contato com a água, aparecendo a vermelhidão principalmente no tronco, braços, pernas e pescoço, e desaparecem sozinhos. Em casos mais graves, a ingestão de água pode causar erupções na boca, dificuldade em engolir e até choque anafilático.

Causa

A causa da urticária aquagênica não é bem conhecida, mas não se trata de uma reação alérgica com liberação de histamina, como outras formas de urticária.

Pode haver uma hipersensibilidade a íons presentes na água não-destilada ou uma interação da água com as glândulas sebáceas da pele.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito pelo dermatologista com base no histórico clínico e nos sintomas. Não há um tratamento específico para a cura da urticária aquagênica, mas algumas medidas podem aliviar o desconforto, como a exposição aos raios UV ou o uso de anti-histamínicos.

Referência:

  1. Gehlen B, Guimarães IFAO, Pedreira GC, Kalil J, Motta AA, Agondi RC. Urticária aquagênica: relato de caso e revisão de literatura. Arq Asma Alerg Imunol. 2022;6(1):122-126

Alopécia Androgênica

Também conhecida como calvície padrão, a alopecia androgenética é a queda de cabelos progressiva, padronizada e determinada geneticamente que ocorre no couro cabeludo de homens e mulheres. Os androgênios e a genética participam da patogênese.

O termo alopecia androgenética é mais apropriado para se referir à queda de cabelos com padrão masculino, já que a maioria das mulheres dificilmente compartilha a via androgenética.

Um termo mais adequado para as mulheres seria a queda de cabelos de padrão feminino. O termo queda de cabelo padronizada será usado para se referir à queda de cabelo de ambos os sexos.

Os homens apresentam-se com afinamento do cabelo nas áreas temporais que avança para a área da coroa (vértice) conforme a alopécia evolui. As mulheres geralmente têm um afinamento mais difuso na área da coroa e um padrão diferente do tipo masculino.

O diagnóstico é clínico e baseia-se em reconhecer o padrão da queda de cabelo.

Os possíveis tratamentos são a finasterida oral e/ou solução ou espuma tópica de minoxidil para os homens e solução ou espuma tópica de minoxidil para mulheres.

Para as mulheres com alopecia de padrão feminino e hiperandrogenismo concomitante (<40% dos casos), devem-se considerar outras terapias de supressão de androgênios.

Fatores de Diagnóstico

  • história familiar de alopécia;
  • regressão gradual da linha capilar frontal, central e da coroa (vértice);
  • afinamento difuso da parte central do couro cabeludo com preservação da linha capilar frontotemporal;
  • etnia branca;
  • idade avançada;
  • síndrome do ovário policístico nas mulheres;
  • distúrbios de resistência insulínica;
  • câncer de próstata.

Sinais do início de calvície

Mudança perceptível na linha do cabelo

O sinal mais óbvio do início de calvície é a rarefação dos fios, ou seja, a pele do couro cabeludo começa a ficar visível.

À medida que a perda de cabelo vai se acentuando, além de finos, os fios se tornam menos numerosos e as entradas podem aumentar.

Se você está preocupado com a perda de cabelo, uma boa forma de verificar é comparar seu cabelo atual ao de fotos de alguns anos atrás, para verificar se os fios estão ficando ralos e a pele do couro cabeludo, mais aparente.

Afinamento do cabelo

Nem todo mundo vai perceber o início da calvície pala recuo da linha do cabelo. Algumas pessoas experimentam o chamado afinamento difuso. O afinamento difuso é um tipo de queda de cabelo progressiva, mais evidente no topo da cabeça.

Homens e mulheres costumam apresentar padrões diferentes para essa queda. Nos homens, é comum iniciar na chamada região do vertex (topo da cabeça) e ir avançando até a parte frontal. Já nas mulheres, essa perda atinge principalmente a chamada “região da coroa da cabeça” ou a parte central da cabeça, não costumando chegar até a frente.

Também neste caso, uma boa maneira de avaliar se esse processo está começando ou evoluindo é fazer registros fotográficos e ir comparando ao longo do tempo.

Alguns Cuidados

Mude seus hábitos

Embora a alopecia androgenética seja causada principalmente por características herdadas geneticamente, outros fatores também podem acelerar a queda do cabelo. Isso inclui tabagismo, estresse, deficiência de nutrientes, inflamações, alguns medicamentos, entre outros fatores.

Então, se você identificou os sinais do início da calvície, fique atento a esses possíveis hábitos ou condições de saúde. Às vezes, pequenas mudanças de comportamento ou o tratamento de fatores secundários pode desacelerar a queda de cabelo e contribuir para com o tratamento.

Conheça algumas ações importantes:

  • Evitar produtos agressivos que possam quebrar ou danificar seu cabelo, como alisadores, tinturas de cabelo e secadores com alta temperatura;
  • Evitar o uso de chapéus e toucas muito justas;
  • Escovar e pentear os cabelos de forma delicada;
  • Manter uma dieta saudável, com alimentos ricos em fibras, ferro, vitaminas do complexo B e gorduras saudáveis;
  • Não dormir com os cabelos molhados.

Referências:

  1. Starace M, Orlando G, Alessandrini A, et al. Female androgenetic alopecia: an update on diagnosis and management. Am J Clin Dermatol. 2020 Feb;21(1):69-84.
  2. Kanti V, Messenger A, Dobos G, et al. Evidence-based (S3) guideline for the treatment of androgenetic alopecia in women and in men – short version. J Eur Acad Dermatol Venereol. 2018 Jan;32(1):11-22.
  3. Olsen EA, Messenger AG, Shapiro J, et al. Evaluation and treatment of male and female pattern hair loss. J Am Acad Dermatol. 2005 Feb;52(2):301-11.
  4. Olsen EA, Whiting D, Bergfeld W, et al. A multicenter, randomized, placebo-controlled, double-blind clinical trial of a novel formulation of 5% minoxidil topical foam versus placebo in the treatment of androgenetic alopecia in men. J Am Acad Dermatol. 2007 Nov;57(5):767-74.
  5. Kaufman KD, Olsen EA, Whiting D, et al. Finasteride in the treatment of men with androgenetic alopecia. Finasteride Male Pattern Hair Loss Study Group. J Am Acad Dermatol. 1998 Oct;39(4 Pt 1):578-89.
  6. Lucky AW, Piacquadio DJ, Ditre CM, et al. A randomized, placebo-controlled trial of 5% and 2% topical minoxidil solutions in the treatment of female pattern hair loss. J Am Acad Dermatol. 2004 Apr;50(4):541-53.

Penfigoide Bolhoso (PB)

O penfigoide bolhoso é uma doença bolhosa autoimune crônica e adquirida, caracterizada por autoanticorpos contra antígenos hemidesmossomais, resultando na formação de uma vesícula subepidérmica.

Geralmente, o penfigoide bolhoso ocorre em idosos e tem uma aparência clínica distinta. Existem diversas variações clínicas, sendo que uma delas ocorre na infância.

Na fase prodrômica e não bolhosa, um prurido de intensidade variável pode ser acompanhado por lesões eczematosas ou urticariformes durante semanas ou meses.

Na etapa bolhosa, vesículas ou bolhas características e tensas se desenvolvem na pele aparentemente normal ou eritematosa da erupção eczematosa ou urticariforme preexistente. Se as vesículas estourarem, as áreas com erosão e crostas cicatrizam lentamente, deixando uma hiperpigmentação pós-inflamatória.

As lesões geralmente são simétricas e favorecem os aspectos flexurais dos membros, a parte inferior do tronco e o abdome.

Fatores de Risco

  • idade entre 60 e 90 anos
  • alelo de classe II do complexo principal de histocompatibilidade (CPH)
  • sexo masculino

Principais sintomas

O principal sintoma indicativo de penfigoide bolhoso é o aparecimento de bolhas vermelhas na pele que podem surgir no corpo todo, sendo mais frequentes de surgirem nas dobras, como virilha, cotovelos e joelhos, e podem conter líquido ou sangue em seu interior. No entanto, há também casos relatados de penfigoide bolhoso que acometeu a região abdominal, os pés e as regiões oral e genital, porém essas situações são mais raras.

Além disso, essas bolhas podem surgir e desaparecer sem motivo aparente, serem acompanhadas de coceira e quando romperem podem ser bastante dolorosas, no entanto não deixam cicatrizes.

É importante que o dermatologista ou clínico geral seja consultado assim que surgirem as primeiras bolhas, pois assim é possível que seja feita uma avaliação e seja indicada a realização de alguns exames que permitam concluir o diagnóstico. Normalmente o médico solicita a realização da retirada de um pedaço da bolha para que possa ser feita observação em microscópio e exames laboratoriais como imunofluorescência direta e biopsia da pele, por exemplo.

Causas de penfigoide bolhoso

O penfigoide bolhoso é uma doença autoimune, ou seja, o próprio organismo produz anticorpos que atuam contra a própria pele, resultando no aparecimento das bolhas, no entanto ainda não é muito bem esclarecido o mecanismo pelo qual há a formação das bolhas.

Alguns estudos sugerem que pode ser desencadeada pela exposição à radiação ultravioleta, radioterapia ou após o uso de determinados remédios, como furosemida, espironolactona e metformina, por exemplo. No entanto são ainda necessários mais estudos que confirmem essa relação.

Além disso, o penfigoide bolhoso foi também associado com doenças neurológicas, como demência, doença de Parkinson, esclerose múltipla e epilepsia.

Como é feito o tratamento

O tratamento para penfigoide bolhoso deve ser feito de acordo com a orientação do dermatologista ou clínico geral e tem como objetivo aliviar os sintomas, evitar a evolução da doença e promover a qualidade de vida. Assim, na maioria dos casos é indicado o uso de medicamentos anti-inflamatórios como corticoides e imunossupressores.

O tempo de duração da doença depende do estado do paciente, podendo levar semanas, meses ou anos. Apesar de não ser uma doença de fácil resolução, o penfigoide bolhoso tem cura, podendo ser alcançada com a os remédios indicados pelo médico dermatologista.

Cuidados de Enfermagem

Indivíduos com pênfigo, independente de sua classificação, tendem a precisar de cuidados mais complexos, não só em ordem física, mas também emocionais e sociais. É de competência do enfermeiro proporcionar conforto e prevenção de agravos através dos conhecimentos adquiridos a partir das necessidades do seu cliente.

Os cuidados de enfermagem devem ser realizados correta e criteriosamente para que o período de remissão da doença seja o menor possível.

De acordo com Brandão et al. (2013), há indicação do uso de lençóis de plástico estéreis para evitar aderências e assim facilitar a movimentação do cliente no leito, além da recomendação do uso de curativos oclusivos que devem ser hidratados para prevenir perda de eletrólitos e formação de crostas e evitar infecções e úlceras por pressão.

O banho deve ser em água morna e, conforme a tolerância do paciente. Recomenda-se o uso de óleo como outra estratégia para evitar aderência a roupas ou lençóis. Em relação ao ambiente, este deve sempre estar limpo e, dependendo da gravidade da patologia o paciente deverá permanecer em isolamento.

A verificação dos sinais vitais e o acompanhamento da evolução das lesões e sinais flogísticos são importantes, assim como, as informações sobre possíveis efeitos colaterais das medicações prescritas devem ser repassadas aos pacientes.

Dessa maneira, o cuidado deve ser holístico e sempre incentivar o paciente ao autocuidado.

Referências:

  1. Zanella, Roberta Richter et al. Penfigoide bolhoso no adulto mais jovem: relato de três casos. Anais Brasileiros de Dermatologia [online]. 2011, v. 86, n. 2 [Acessado 9 Junho 2022] , pp. 355-358. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0365-05962011000200023&gt;. Epub 16 Maio 2011. ISSN 1806-4841. https://doi.org/10.1590/S0365-05962011000200023.