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Conteúdo Atualizado!
Revisado e atualizado em 06/09/2026.
Na enfermagem, uma perna com edema, varizes ou alteração de pele pode dizer muito mais do que parece à primeira avaliação. A classificação CEAP organiza esses achados em uma linguagem padronizada e permite entender onde a doença venosa está, qual sua causa e qual mecanismo está envolvido.
O que é a classificação CEAP?
CEAP significa Clinical, Etiology, Anatomy and Pathophysiology, ou seja, Clínica, Etiologia, Anatomia e Fisiopatologia. É uma classificação internacional utilizada para descrever a doença venosa crônica e foi atualizada em 2020, mantendo a estrutura clínica C0 a C6, mas acrescentando algumas subdivisões importantes.
O C descreve as manifestações clínicas; o E, a etiologia; o A, os segmentos anatômicos envolvidos; e o P, a fisiopatologia, como refluxo ou obstrução. Por isso, CEAP não é apenas uma escala de “gravidade”: trata-se principalmente de um sistema descritivo que padroniza a comunicação clínica e científica. A escolha do tratamento depende da avaliação individual do paciente e de outros achados.
Classificação clínica: C0 a C6
A parte mais conhecida da CEAP é a classificação clínica. Ela vai de C0 a C6, e alguns estágios possuem subdivisões na versão atualizada.
| Classe |
O que significa |
| C0 |
Sem sinais visíveis ou palpáveis de doença venosa |
| C1 |
Telangiectasias ou veias reticulares |
| C2 |
Varizes |
| C2r |
Varizes recorrentes |
| C3 |
Edema |
| C4a |
Pigmentação ou eczema |
| C4b |
Lipodermatoesclerose ou atrophie blanche |
| C4c |
Corona phlebectatica |
| C5 |
Úlcera venosa cicatrizada |
| C6 |
Úlcera venosa ativa |
| C6r |
Úlcera venosa ativa recorrente |
Essa atualização é importante porque muitos materiais ainda apresentam somente C0–C6 e deixam de fora C4c, C2r e C6r.
C0 — Sem sinais clínicos
Não há sinais visíveis ou palpáveis de doença venosa. Isso não significa necessariamente que a pessoa não apresente sintomas; a avaliação clínica deve considerar o conjunto do quadro.
C1 — Telangiectasias e veias reticulares
São pequenos vasos dilatados visíveis na pele ou veias reticulares, geralmente azuladas e de pequeno calibre.
C2 — Varizes
Representa a presença de veias varicosas, geralmente dilatadas e tortuosas.
Quando essas varizes são recorrentes, utiliza-se C2r. O “r” foi incorporado à atualização de 2020 para indicar recorrência.
C3 — Edema
Aqui aparece o edema relacionado à doença venosa. É um dos pontos mais cobrados quando a classificação CEAP é apresentada em provas.
Em uma avaliação de membro inferior durante a assistência, é fácil perceber como a observação precisa ir além de “a perna está inchada”. Comparar os dois membros, observar a pele, registrar a presença de varizes e verificar se existem lesões ou alterações de coloração transforma uma observação rápida em uma avaliação de enfermagem muito mais útil.
C4 — Alterações de pele e tecido subcutâneo
Na CEAP atual, C4 é dividido em três categorias:
C4a: pigmentação ou eczema.
C4b: lipodermatoesclerose ou atrophie blanche.
C4c: corona phlebectatica, caracterizada por alterações venosas visíveis na região do tornozelo.
A inclusão do C4c foi uma das principais mudanças da revisão de 2020.
C5 — Úlcera venosa cicatrizada
Indica que o paciente apresenta história de úlcera venosa, mas a lesão está atualmente cicatrizada.
C6 — Úlcera venosa ativa
Representa a presença de úlcera venosa ativa. Quando a úlcera ativa é recorrente, utiliza-se C6r.
Uma situação bastante marcante na assistência é perceber como uma lesão aparentemente “fechada” muda completamente de classificação quando se conhece a história do membro. Uma úlcera que cicatrizou não deve ser confundida com uma úlcera ativa: na CEAP, essa diferença é justamente o que separa C5 de C6.
O que mudou na CEAP 2020?
A revisão de 2020 manteve as sete classes clínicas C0–C6, mas acrescentou detalhes importantes. O C4 passou a ser subdividido em C4a, C4b e C4c; o modificador r passou a identificar recorrência em C2 e C6; e a descrição anatômica passou a utilizar abreviações dos segmentos venosos, substituindo a antiga numeração.
Também houve maior detalhamento da etiologia secundária, diferenciando causas intravenosas (Esi) de causas extravenosas (Ese).
Os quatro componentes da CEAP
E — Etiologia
O componente etiológico descreve a origem da doença venosa:
| Código |
Significado |
| Ec |
Congênita |
| Ep |
Primária |
| Es |
Secundária |
| Esi |
Secundária intravenosa |
| Ese |
Secundária extravenosa |
| En |
Nenhuma causa venosa identificada |
Portanto, o E não significa simplesmente “hereditário ou não”. A classificação atual permite especificar melhor a origem da doença, especialmente nos casos secundários.
A — Anatomia
O componente anatômico identifica o território venoso comprometido:
As: veias superficiais.
Ap: veias perfurantes.
Ad: veias profundas.
An: nenhuma localização anatômica venosa identificada.
A revisão de 2020 passou a utilizar abreviações dos segmentos anatômicos, tornando a descrição mais prática e compatível com a nomenclatura utilizada atualmente.
P — Fisiopatologia
O componente fisiopatológico informa o mecanismo envolvido:
Pr: refluxo.
Po: obstrução.
Pr,o: refluxo e obstrução.
Pn: nenhuma fisiopatologia venosa identificada.
Assim, a classificação consegue registrar não apenas o que aparece clinicamente, mas também o mecanismo relacionado à doença venosa.
CEAP e VCSS não são a mesma coisa
Um ponto importante para estudantes é não confundir os dois sistemas. A CEAP descreve a doença venosa, enquanto o Venous Clinical Severity Score (VCSS) é utilizado para avaliar sua gravidade clínica e acompanhar a evolução do paciente.
Por isso, as duas ferramentas podem ser utilizadas em conjunto. A Diretriz Brasileira de Doença Venosa Crônica recomenda o uso da CEAP e do VCSS na avaliação da insuficiência venosa crônica.
Cuidados de enfermagem
Na assistência, a enfermagem pode contribuir para uma avaliação sistematizada dos membros inferiores, observando e registrando edema, presença de varizes, alterações de coloração e integridade da pele, características das lesões, presença de exsudato e evolução da cicatrização, de acordo com as atribuições profissionais e os protocolos institucionais.
Também é importante comparar os membros, registrar alterações relevantes e comunicar à equipe responsável sinais de piora, surgimento de lesões, alterações importantes da pele ou outras mudanças no quadro clínico. A classificação CEAP ajuda a compreender a linguagem utilizada na avaliação, mas não substitui a avaliação clínica individual.
CEAP para memorizar antes da prova
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Atenção na Prova
A sequência mais importante é:
C0: sem sinais visíveis ou palpáveis.
C1: telangiectasias ou veias reticulares.
C2: varizes.
C3: edema.
C4: alterações de pele e tecido subcutâneo.
C5: úlcera venosa cicatrizada.
C6: úlcera venosa ativa.
Uma forma simples de guardar os dois últimos é: C5 = cicatrizou; C6 = está ativa. E lembre-se das atualizações: C4c = corona phlebectatica; C2r = varizes recorrentes; C6r = úlcera venosa ativa recorrente.
Perguntas frequentes sobre a classificação CEAP
O que significa CEAP?
CEAP significa Clínica, Etiologia, Anatomia e Fisiopatologia.
O que significa CEAP C2?
C2 corresponde à presença de varizes.
O que significa CEAP C3?
C3 corresponde à presença de edema relacionado à doença venosa.
O que significa CEAP C4?
C4 corresponde às alterações cutâneas e do tecido subcutâneo, sendo dividido em C4a, C4b e C4c.
O que significa CEAP C5?
C5 indica úlcera venosa cicatrizada.
O que significa CEAP C6?
C6 indica úlcera venosa ativa.
O que significa C4c?
C4c corresponde à corona phlebectatica.
O que significa C2r e C6r?
O modificador r indica recorrência: C2r corresponde a varizes recorrentes e C6r a úlcera venosa ativa recorrente.
- Sistema de classificação baseado em critérios clínico, etiológico, anatômico e fisiopatológico para avaliar a gravidade da doença venosa
- Significado dos componentes da sigla: C (clínica), E (etiologia), A (anatomia) e P (fisiopatologia)
- Divisão da categoria clínica (C) em sete classes, variando do C0 (sem sinais visíveis) até o C6 (úlcera aberta e ativa)
- Complementaridade com o Escore de Gravidade Clínica Venosa para avaliar o impacto real da condição nas atividades diárias do paciente
Referências:
- LURIE, F. et al. The 2020 update of the CEAP classification system and reporting standards. Journal of Vascular Surgery: Venous and Lymphatic Disorders, v. 8, n. 3, p. 342-352, 2020. DOI: 10.1016/j.jvsv.2019.12.075. PubMed — The 2020 update of the CEAP classification system
- LURIE, F.; DE MAESENEER, M. G. R. The 2020 Update of the CEAP Classification: What is New? European Journal of Vascular and Endovascular Surgery, v. 59, n. 6, p. 859-860, 2020. DOI: 10.1016/j.ejvs.2020.04.020. PubMed — The 2020 Update of the CEAP Classification
- KIKUCHI, R. et al. Diretriz brasileira de doença venosa crônica da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular. Jornal Vascular Brasileiro, v. 22, e20230064, 2023. DOI: 10.1590/1677-5449.202300641. SciELO — Diretriz brasileira de doença venosa crônica
- SEIDEL, A. C. et al. Associação entre sintomas, veias varicosas e refluxo na veia safena magna ao eco-Doppler. Jornal Vascular Brasileiro, v. 16, n. 1, p. 4-10, 2017. DOI: 10.1590/1677-5449.005216.
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