Dietas Hospitalares: Entendendo Cada Tipo e Seu Papel na Recuperação do Paciente

A alimentação é uma parte fundamental do tratamento de qualquer paciente. No ambiente hospitalar, a dieta não é apenas uma forma de nutrição, mas uma ferramenta terapêutica poderosa, que pode auxiliar na recuperação, no controle de doenças e na preparação para procedimentos.

Para nós, estudantes e profissionais de enfermagem, entender os diferentes tipos de dietas é crucial. É na nossa rotina que checamos a bandeja, servimos as refeições e orientamos o paciente sobre a importância de se alimentar corretamente.

As dietas hospitalares são classificadas para atender às necessidades específicas de cada paciente, considerando seu estado de saúde e suas restrições.

Vamos desvendar os principais tipos e entender o papel de cada um no processo de cura?

O Básico das Dietas Hospitalares

Antes de aprofundarmos nos tipos, é importante saber que a classificação das dietas hospitalares é uma padronização para facilitar a comunicação entre a equipe de saúde. Elas levam em conta a consistência dos alimentos, a quantidade de fibras, gorduras e outros nutrientes, e são prescritas pelo médico e elaboradas pelo nutricionista.

Dieta Hídrica: A Primeira Etapa da Alimentação

A dieta hídrica é a mais restrita de todas. Ela é composta apenas por líquidos transparentes, sem resíduos.

  • O que inclui: Água, água de coco, chás claros (sem leite), gelatina sem corante, sucos de frutas coados e caldos coados.
  • Para que serve: É usada para manter a hidratação e fornecer eletrólitos, mas com o mínimo de esforço digestivo.
  • Indicações Comuns:
    • Período de curto prazo após grandes cirurgias (especialmente no trato gastrointestinal).
    • Preparação para exames de imagem (como colonoscopia).
    • Em pacientes com quadros de diarreia ou vômitos agudos.
  • Cuidados de Enfermagem: Monitorar a tolerância do paciente, a quantidade de líquidos ingeridos, os sinais de desidratação e o balanço hídrico.

Dieta Líquida: Um Passo Adiante

A dieta líquida é uma evolução da dieta hídrica, permitindo uma gama maior de líquidos, mas ainda com pouca fibra e resíduos.

  • O que inclui: Tudo da dieta hídrica, mais sucos de frutas integrais (não coados), vitaminas de frutas (sem leite), sopas cremosas (passadas no liquidificador), caldos de carne e vegetais, sorvetes e pudins.
  • Para que serve: Aumentar a ingestão calórica e proteica em comparação com a dieta hídrica, enquanto mantém a digestão facilitada.
  • Indicações Comuns:
    • Pós-operatório de cirurgias mais simples.
    • Pacientes com dificuldade de mastigação ou deglutição.
    • Transição entre a dieta hídrica e a pastosa.
  • Cuidados de Enfermagem: Avaliar a deglutição, a aceitação da dieta e a presença de náuseas ou vômitos após as refeições.

Dieta Pastosa: A Consistência que Ajuda

A dieta pastosa já inclui alimentos sólidos, mas com uma consistência modificada para facilitar a mastigação e a deglutição.

  • O que inclui: Sopas cremosas com pedaços macios, purês (de batata, abóbora), papas de legumes, frutas amassadas, carnes moídas ou desfiadas, ovos mexidos.
  • Para que serve: Fornecer uma nutrição mais completa para pacientes com dificuldades orais, gástricas ou esofágicas.
  • Indicações Comuns:
    • Pacientes com problemas neurológicos que afetam a deglutição (disfagia).
    • Pós-operatório de cirurgias na boca, esôfago ou estômago.
    • Idosos com dificuldades de mastigação.
  • Cuidados de Enfermagem: Certificar-se de que a consistência está correta, observar sinais de engasgo, estimular o paciente a comer devagar e com tranquilidade.

Dieta Branda: A Transição para a Normalidade

A dieta branda é um intermediário entre a pastosa e a dieta livre. Os alimentos são sólidos, mas preparados de forma a serem de fácil digestão.

  • O que inclui: Carnes cozidas e macias, arroz, macarrão, legumes cozidos (sem casca), pães, biscoitos simples. Evita-se frituras, condimentos fortes, alimentos ricos em gordura e fibras duras.
  • Para que serve: Oferecer uma dieta completa e equilibrada para pacientes em recuperação, sem sobrecarregar o sistema digestivo.
  • Indicações Comuns:
    • Pós-operatório de cirurgias abdominais mais complexas.
    • Pacientes com úlceras gástricas, gastrites ou outras inflamações do trato gastrointestinal.
  • Cuidados de Enfermagem: Avaliar a tolerância do paciente a novos alimentos e a presença de desconforto abdominal. Orientar sobre a importância de mastigar bem os alimentos.

Dieta Leve: Pouca Gordura e Fibra

A dieta leve é muito similar à dieta branda, mas com um foco maior na redução de gorduras e no controle das fibras, buscando uma digestão ainda mais fácil.

  • O que inclui: Alimentos cozidos, grelhados ou assados. Carnes magras, legumes sem casca e sementes. Evita-se alimentos crus, frituras e temperos fortes.
  • Para que serve: Manter a nutrição completa, evitando sintomas gastrointestinais como gases, inchaço e desconforto.
  • Indicações Comuns:
    • Pacientes em fase final de recuperação de cirurgias ou doenças gastrointestinais.
    • Condições como a síndrome do intestino irritável.
  • Cuidados de Enfermagem: Acompanhar a aceitação do paciente e sua evolução. Incentivar o paciente a relatar qualquer desconforto.

Dieta Livre (ou Normal): De Volta ao Cotidiano

A dieta livre é, como o nome sugere, a dieta normal do paciente. Ela não possui restrições de consistência, preparo ou tipo de alimento, a menos que haja alguma necessidade terapêutica específica.

  • Para que serve: Nutrir o paciente de forma completa e satisfatória, preparando-o para o retorno à vida normal.
  • Indicações Comuns: Pacientes que não possuem restrições nutricionais e estão em condições estáveis de saúde.
  • Cuidados de Enfermagem: Continuar a monitorar a aceitação da dieta, mas o foco passa a ser a educação nutricional para a alta hospitalar.

Outros Tipos de Dietas Comuns

Além das dietas de consistência, existem outras classificações importantes:

  • Dieta Hipossódica: Restrita em sal e sódio, indicada para pacientes com hipertensão arterial, doenças renais ou retenção de líquidos.
  • Dieta para Diabetes (Controle de Carboidratos): Controla a quantidade e o tipo de carboidratos, essencial para pacientes com diabetes mellitus.
  • Dieta Hiperproteica/Hipercalórica: Indicada para pacientes com desnutrição, queimaduras, ou em recuperação de grandes cirurgias, para promover a cicatrização e o ganho de massa muscular.
  • Dieta Parenteral: A nutrição é administrada diretamente na veia, sem passar pelo trato gastrointestinal. Usada em pacientes que não conseguem se alimentar por via oral ou enteral.
  • Dieta Enteral: Nutrição administrada por meio de sondas (nasogástrica, nasoenteral, gastrostomia), quando o paciente não consegue se alimentar pela boca, mas seu intestino funciona.

Cuidados de Enfermagem

Nosso papel na enfermagem vai muito além de apenas “entregar a bandeja”. Somos a ponte entre a dieta prescrita e a necessidade do paciente:

  1. Verificação da Prescrição: Conferir se a dieta entregue corresponde à prescrição médica.
  2. Preparação do Paciente e do Ambiente: Posicionar o paciente de forma confortável, lavar suas mãos, e garantir que o ambiente seja tranquilo para a refeição.
  3. Avaliação da Aceitação: Observar se o paciente está conseguindo se alimentar, se ele tolera a dieta, e se há recusa alimentar.
  4. Apoio e Estímulo: Incentivar o paciente a comer, oferecer ajuda, se necessário, e orientar sobre a importância da alimentação no tratamento.
  5. Monitoramento: Registrar o volume e o tipo de alimentos ingeridos, o balanço hídrico, a ocorrência de náuseas, vômitos ou distensão abdominal.
  6. Comunicação: Relatar qualquer intercorrência à equipe médica e ao nutricionista para que a dieta possa ser ajustada.

Com nosso conhecimento e atenção, a dieta hospitalar se torna um elemento de cuidado completo, garantindo que o paciente receba o suporte nutricional necessário para sua plena recuperação.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Especializada e Temática. Manual de Terapia Nutricional. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2015. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_terapia_nutricional.pdf.
  2. SOCIEDADE BRASILEIRA DE NUTRIÇÃO PARENTERAL E ENTERAL (BRASPEN). Diretrizes Braspen de Terapia Nutricional. Disponível em: http://braspen.com.br/diretrizes/.
  3. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. (Consultar capítulos sobre nutrição e cuidados de enfermagem).
  4. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de dietas hospitalares. Brasília: Ministério da Saúde, 2012. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_dietas_hospitalares.pdf.
  5. PHILIPPI, S. T. Nutrição e técnica dietética. 4. ed. Barueri: Manole, 2019. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520458726
  6. CUPPARI, L. Nutrição clínica no adulto. 3. ed. Barueri: Manole, 2019. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520458634

O que é um Abreviador de Jejum?

Abreviadores de jejum são suplementos nutricionais especialmente formulados para serem consumidos durante o período de jejum pré-operatório. Eles visam minimizar os efeitos adversos do jejum prolongado, como a sensação de fome e sede, e auxiliar na recuperação pós-operatória.

Como funcionam?

A maioria dos abreviadores de jejum é composta por líquidos claros contendo carboidratos, que são rapidamente absorvidos pelo organismo, fornecendo energia e evitando a perda de massa muscular. Essa suplementação nutricional ajuda a manter os níveis de glicose no sangue estáveis, reduzindo o estresse metabólico do paciente.

Benefícios da abreviação do jejum:

  • Menor desconforto: Reduz a sensação de fome e sede, proporcionando maior conforto ao paciente.
  • Melhor recuperação: Auxilia na recuperação pós-operatória, diminuindo o tempo de internação e as complicações.
  • Menor risco de desnutrição: Evita a perda de massa muscular e preserva o estado nutricional do paciente.
  • Menor estresse metabólico: Mantém os níveis de glicose sanguínea estáveis, reduzindo o estresse do organismo.

Quando é indicado?

A abreviação do jejum é indicada para pacientes adultos que serão submetidos a procedimentos cirúrgicos, exames de imagem com acompanhamento de anestesista e exames de endoscopia e colonoscopia.

Quais os tipos de abreviadores de jejum?

Existem diversos tipos de abreviadores de jejum disponíveis no mercado, com diferentes formulações e sabores. A escolha do produto ideal deve ser feita em conjunto com um profissional de saúde.

Quais as precauções?

  • Orientação médica: É fundamental consultar um médico ou nutricionista antes de iniciar qualquer tipo de suplementação.
  • Respeitar as indicações: Seguir rigorosamente as orientações do profissional de saúde quanto à quantidade e frequência de uso do produto.
  • Verificar a composição: Ler atentamente a composição do produto e verificar se há alguma substância à qual o paciente seja alérgico.

A abreviação do jejum é uma prática cada vez mais comum nos centros cirúrgicos, pois proporciona diversos benefícios para os pacientes. Ao reduzir o desconforto e melhorar a recuperação, essa prática contribui para uma experiência mais positiva e segura para o paciente.

Referências:

  1. AcCamargo
  2. Fresenius-Kabi

Consistência de líquidos para pacientes Disfágicos

A consistência dos líquidos é um aspecto crucial no manejo de pacientes com disfagia, uma condição que dificulta a deglutição. Essa condição pode afetar a segurança alimentar e nutricional dos pacientes, tornando essencial compreender as diferentes consistências e suas implicações.

Os Tipos de Consistência para Pacientes Disfágicos

Néctar:

    • Descrição: A consistência de néctar é utilizada principalmente para disfagias leves.
    • Características: Os líquidos espessados na consistência de néctar são mais fluidos do que o mel ou o pudim.
    • Indicação: Recomendado para pacientes com dificuldades leves de deglutição.

Mel:

    • Descrição: A consistência de mel é mais espessa do que a de néctar.
    • Características: Os líquidos espessados na consistência de mel têm uma viscosidade intermediária.
    • Indicação: Indicado para pacientes com disfagia moderada.

Pudim:

    • Descrição: A consistência de pudim é a mais espessa entre as três.
    • Características: Os líquidos espessados nessa consistência são densos e lentos para fluir.
    • Indicação: Recomendado para pacientes com disfagia grave.

A Importância da Padronização das Consistências

  • Segurança do Paciente: Fornecer a consistência correta é fundamental para evitar riscos de engasgos ou aspiração.
  • Confusão Terminológica: Múltiplos rótulos e definições podem causar confusão entre profissionais de saúde e cuidadores.
  • Desfechos de Tratamento: Uma terminologia clara permite melhores condições de tratamento e resultados positivos.

Em resumo, a padronização das consistências dos líquidos é essencial para garantir a segurança e o bem-estar dos pacientes com disfagia. É importante que os profissionais de saúde e cuidadores estejam cientes dessas diferenças e sigam as orientações adequadas para cada paciente.

Referências:

  1. Disfagia.org
  2. Nutriçãoclínica
  3. Enutri

Sifonagem VS Gavagem: As diferenças

Gavagem e sifonagem são duas técnicas utilizadas na enfermagem para administrar alimentos ou medicamentos por meio de sonda enteral, ou para drenar líquidos e substâncias, por meio de uma sonda nasogástrica.

Entenda as diferenças

A gavagem é um método de alimentação forçada, em que o sistema é fechado e a dieta é realizada por ação da gravidade lentamente.

A sifonagem é um método de drenagem, em que o sistema é aberto e o líquido é aspirado com uma seringa ou um frasco de vácuo.

Indicações

A gavagem é indicada para pacientes inconscientes ou impossibilitados de deglutir, que necessitam de suporte nutricional adequado.

A sifonagem é indicada para pacientes com distensão abdominal, vômitos, hemorragia digestiva ou obstrução intestinal, que necessitam de alívio dos sintomas e prevenção de complicações.

Cuidados

Para realizar a gavagem ou a sifonagem, é necessário verificar se a sonda está no local correto, medindo o comprimento da parte externa, injetando ar na sonda e auscultando com estetoscópio, verificando o fluxo de suco gástrico ou por meio de avaliação e liberação por exame de Raio X.

Referências:

  1. https://www.vivendobauru.com.br/qual-a-diferenca-de-gavagem-e-sifonagem/
  2. https://www.youtube.com/watch?v=svyRDCJ7Czo

Dieta Enteral: Sistema Aberto e Fechado

A dieta enteral é uma forma de nutrição que utiliza uma sonda para fornecer os nutrientes necessários ao organismo.

Existem dois tipos de sistemas para a administração da dieta enteral: o sistema aberto e o sistema fechado.

As diferenças

O sistema aberto requer uma manipulação prévia da dieta, que pode ser em pó ou líquida, e é acondicionada em frascos que devem ser trocados a cada 24 horas.

O sistema fechado utiliza dietas líquidas, estéreis e industrializadas, que são armazenadas em bolsas ou recipientes herméticos que se conectam diretamente ao equipo de infusão.

O sistema fechado tem menor risco de contaminação, mas requer o uso de uma bomba de infusão para controlar a vazão da dieta.

Ambos os sistemas têm vantagens e desvantagens, e devem ser escolhidos de acordo com as necessidades e condições do paciente.

Referência:

  1. Silva, S. M. R., Assis, M. C. S. de ., Silveira, C. R. de M., Beghetto, M. G., & Mello, E. D. de .. (2012). Sistema aberto ou fechado de nutrição enteral para adultos críticos: há diferença?. Revista Da Associação Médica Brasileira, 58(2), 229–233. https://doi.org/10.1590/S0104-42302012000200020

Desidratação Infantil

A chegada das altas temperaturas e do período de férias escolares são um prato cheio para as intoxicações alimentares. Diferente do que se imagina, esse é um dos principais causadores da desidratação infantil nesta época e não as infecções por rotavírus, que costumam ter maior incidência no inverno.

A desidratação nas crianças normalmente acontece devido a episódios de diarreia, vômitos ou por excesso de calor e febre, além de também poder estar relacionada com infecções virais ou bacterianas.

Os bebês e as crianças podem ficar desidratados muito mais facilmente que os adolescentes e adultos, já que perdem mais rapidamente os fluidos corporais.

Por isso, em caso de sinais e sintomas indicativos de desidratação, é recomendado que a criança seja levada para o pediatra ou clínico geral para que seja feito o diagnóstico e iniciado o tratamento mais adequado.

Principais sintomas

Os principais sintomas de desidratação nas crianças, são:

  1. Afundamento da moleira do bebê;
  2. Olhos fundos;
  3. Diminuição da frequência urinária;
  4. Pele, boca ou língua seca;
  5. Lábios rachados;
  6. Choro sem lágrimas;
  7. Fraldas secas há mais de 6 horas ou com urina amarela e com cheiro forte;
  8. Criança com muita sede;
  9. Comportamento fora do habitual, irritabilidade ou apatia;
  10. Sonolência, cansaço excessivo ou alteração dos níveis de consciência.

Caso alguns destes sinais de desidratação no bebê ou na criança estejam presentes, o pediatra pode solicitar a realização de exames de sangue e da urina para confirmar a desidratação.

Tratamento

A desidratação é tratada com a administração de líquidos contendo eletrólitos, como sódio e cloretos. Caso a desidratação seja leve, os líquidos costumam ser administrados por via oral. Soluções especiais para reidratação oral estão disponíveis, mas nem sempre são necessárias para crianças que tiveram apenas diarreia ou vômitos leves.

O tratamento da desidratação em crianças de qualquer idade que estão vomitando é mais eficaz se a criança receber primeiro pequenas quantidades frequentes de líquidos a cada dez minutos.

A quantidade de líquido pode ser lentamente aumentada e dada a intervalos menos frequentes caso a criança consiga reter os líquidos sem vomitar. Caso a diarreia seja o único sintoma, quantidades maiores de líquidos podem ser dadas com menor frequência.

Se as crianças têm ambos os vômitos e diarreia, elas recebem pequenas, quantidades frequentes de líquidos contendo eletrólitos. Se esse tratamento aumenta a diarreia, as crianças podem precisar ser hospitalizadas para líquidos administrados pela veia (por via intravenosa).

Bebês e crianças que não conseguem tomar nenhum líquido ou que apresentem apatia e outros sinais sérios de desidratação podem precisar receber tratamento mais intensivo com líquidos e eletrólitos administrados por via intravenosa ou soluções de eletrólitos administradas através de um tubo de plástico fino (tubo nasogástrico) que é inserido através do nariz, passando pela garganta até o estômago ou intestino delgado.

Bebês

 

A desidratação em bebês é tratada ao incentivar o bebê a consumir líquidos que contenham eletrólitos.

O leite materno contém todos os líquidos e eletrólitos de que um bebê precisa e é o melhor tratamento quando possível. Caso um bebê não esteja sendo amamentado, soluções de reidratação orais (SRO) devem ser administradas. A SRO contém quantidade especificas de açúcares e eletrólitos.

As SRO podem ser compradas em pó que é misturado com água ou em forma líquida pré-preparada em farmácias ou supermercados sem receita médica.

A quantidade de SRO que deve ser administrada à criança em um período de 24 horas depende do peso da criança, mas deve ser, em geral, aproximadamente 100 a 165 mililitros de SRO para cada quilo de peso corporal.

 

Crianças mais velhas

 

A criança com mais de um ano de idade pode tentar tomar pequenos goles de sopas ralas, refrigerantes transparentes, gelatina ou sucos diluídos com água em metade da concentração normal, ou picolés.

Água pura, suco sem diluir ou bebidas esportivas não são a melhor opção para tratar a desidratação em nenhuma idade porque o teor de sal da água é muito baixo e porque sucos têm elevado teor de açúcar e ingredientes que casam irritação no trato digestivo.

A SRO representa uma alternativa, sobretudo se a desidratação for moderada. Se a criança conseguir tolerar o consumo de líquidos por 12 a 24 horas, ela pode voltar à dieta normal.

Principais sintomas

Os principais sintomas de desidratação nas crianças, são:

  1. Afundamento da moleira do bebê;
  2. Olhos fundos;
  3. Diminuição da frequência urinária;
  4. Pele, boca ou língua seca;
  5. Lábios rachados;
  6. Choro sem lágrimas;
  7. Fraldas secas há mais de 6 horas ou com urina amarela e com cheiro forte;
  8. Criança com muita sede;
  9. Comportamento fora do habitual, irritabilidade ou apatia;
  10. Sonolência, cansaço excessivo ou alteração dos níveis de consciência.

Caso alguns destes sinais de desidratação no bebê ou na criança estejam presentes, o pediatra pode solicitar a realização de exames de sangue e da urina para confirmar a desidratação.

Como é feito o tratamento

O tratamento da desidratação em crianças pode ser feito em casa, sendo recomendado que a hidratação tenha início com leite materno, água, água de coco, sopa, alimentos ricos em água ou sucos para evitar que a situação se agrave. Além disso, podem ser utilizados Sais para Reidratação Oral (SRO), que podem ser encontrados em farmácias, por exemplo, e que deve ser tomado pelo bebê ao longo do dia.

Caso a desidratação seja causada por vômitos ou diarreia, o médico também pode indicar a ingestão de algum medicamento antiemético, antidiarreicos e probióticos, caso haja necessidade. Em casos mais graves, o pediatra pode solicitar o internamento da criança para que seja administrado soro diretamente na veia.

Quantidade de Sais de Reidratação Oral necessários

A quantidade de Sais de Reidratação Oral necessários para a criança varia de acordo com a gravidade da desidratação, sendo indicado:

  • Desidratação leve: 40-50 mL/kg de sais;
  • Desidratação moderada: 60-90 mL/kg a cada 4 horas;
  • Desidratação grave: 100-110 mL/kg diretamente na veia.

Independente da gravidade da desidratação é recomendada que a alimentação seja iniciada o mais breve possível.

O que fazer para reidratar a criança

Para aliviar os sintomas de desidratação no bebê e na criança e, assim, promover a sensação de bem-estar, é recomendado seguir as dicas a seguir:

  • Quando há diarreia, é recomendado dar o Soro de Reidratação Oral de acordo com a recomendação do médico. Caso a criança tenha diarreia mas não encontre-se desidratada, para evitar que isso ocorra é recomendado que seja oferecido às crianças com menos de 2 anos 1/4 a 1/2 xícara de soro, enquanto que para crianças com mais de 2 anos é indicada 1 xícara de soro por cada evacuação.
  • Quando houver vômitos, a reidratação deve ser iniciada com 1 colher de chá (5 mL) de soro a cada 10 minutos, em caso de bebês, e nas crianças maiores, 5 a 10 mL a cada 2 a 5 minutos. A cada 15 minutos deve-se aumentar um pouco a quantidade de soro oferecida para que a criança consiga ficar hidratada.
  • É recomendado oferecer ao bebê e à criança água, água de coco, leite materno ou fórmula infantil para satisfazer a sede.

A alimentação deve iniciar 4 horas depois da reidratação oral, sendo recomendados alimentos de fácil digestão com o objetivo melhorar o trânsito intestinal.

No caso dos bebês que consomem fórmulas infantis, é recomendado que seja dado meia diluição durante as duas primeiras doses e, de preferência, em conjunto com o soro de reidratação oral.

Quando levar a criança ao pediatra

A criança deve ser levada ao pediatra ou ao pronto-socorro na presença dos seguintes sinais e sintomas:

  • Cansaço excessivo, com dificuldade para acordar;
  • Dor abdominal intensa;
  • Vômito por mais de 24 horas;
  • Fata de urina por mais de 6 horas;
  • Fezes com sangue;
  • Febre alta.

Esses sintomas podem ser indicativos de desidratação grave, podendo ser indicado pelo médico que a criança permaneça no hospital para que seja feita a administração de soro diretamente na veia, além de medicamentosa antiemeticos e antidiarreicos, caso seja necessário.

Referências:

  1. ÁLVAREZ María Luisa et al. Nutrición en pediatría . 2ª. Caracas, Venezuela: Cania, 2009. 677-735.
  2. MAHAN, L. Kathleen et al. Krause: Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. 13.ed. São Paulo: Elsevier Editora, 2013. 613-617.

Calorias Cheias x Calorias Vazias: As diferenças

O termo “caloria” refere-se a uma medida de energia produzida a partir de determinados nutrientes.

Ou seja, quando os alimentos são digeridos e seus nutrientes são absorvidos, eles alcançam as células. Só então a energia presente nos alimentos é utilizada pelo corpo, permitindo a realização de todas as nossas funções vitais como respiração, batimentos cardíacos, movimentos, funcionamento do cérebro e demais atividades.

Principais Nutrientes

Os principais nutrientes que fornecem essas calorias são: carboidratos, proteínas e gorduras.

Os carboidratos e as proteínas, após passarem por todas as etapas de digestão e absorção, fornecem quatro calorias (ou kcal, como se vê nas embalagens dos alimentos) por grama, enquanto as gorduras nove calorias.

Outros nutrientes, apesar de não forneceram energia, como as fibras, vitaminas e minerais, apresentam diversas funções e são fundamentais para o bom funcionamento do organismo e manutenção da saúde.

A Classificação

A partir dos tipos de nutrientes e da quantidade de calorias que um alimento é capaz de fornecer, é possível classificá-lo quanto a sua densidade nutricional.

Alimentos com alta densidade nutricional, possuem as chamadas “calorias cheias”, já que são aqueles que fornecem nutrientes essenciais como vitaminas, minerais, fibras, gorduras “boas” e proteínas, por exemplo.

Isto faz com que seu valor energético não venha sozinho, mas acompanhado de uma série de substâncias benéficas.

Por outro lado, alimentos com baixa densidade nutricional, aqueles que apresentam as chamadas “calorias vazias”, são os que não possuem uma boa quantidade e/ou variedade de outros nutrientes e compostos benéficos, fornecendo, por exemplo, apenas gorduras e açúcares, os quais são importantes fontes de energia, mas que muitas vezes podem estar em excesso.

É como se esses alimentos nos oferecessem apenas calorias, e muito poucos, ou até mesmo nenhum, nutrientes essenciais associados. É justamente daí que vem o termo “caloria vazia”.

Exemplos

Alguns exemplos de alimentos com calorias “cheias” são as frutas, verduras e legumes, sementes, grãos e castanhas, pães e cereais integrais, leguminosas (feijão, lentilha, grão de bico, soja), lácteos com baixo teor de gordura, dentre outros.

Estes devem ser consumidos em maior quantidade dentro de um padrão alimentar adequado e saudável, já que podem ser considerados um “pacote” completo de energia, nutrientes e compostos essenciais ao organismo.

Por outro lado, alguns exemplos de alimentos com calorias “vazias” são as bebidas açucaradas, doces (balas, chicletes, pirulitos, etc.) e bebidas alcoólicas. Estes alimentos devem ser ingeridos com moderação, uma vez que estudos mostram que seu consumo excessivo pode favorecer o desenvolvimento de algumas doenças crônicas como obesidade, diabetes, câncer e pressão alta.

Referências:

  1. Mota JFM, Rinaldi AFM, Pereira AF et al. Adaptation of the healthy eating index to the food guide of the Brazilian population. Rev. Nutr. vol.21 no.5 Campinas Sept./Oct. 2008.
  2. Franz, MJ; Bantle, JP; Beebe, CA; et al. Evidence-based nutrition principles and recommendations for the treatment and prevention of diabetes and related complications. Diabetes Care, 2003; 26 (Suppl1).
  3. 2015/2016 – Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes
  4. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução n.18, de 30 de abril de 1999. Diretrizes básicas para análise e comprovação de propriedades funcionais e ou de saúde alegadas em rotulagem de alimentos. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/documents/33916/388845/RESOLUCAO_18_1999.pdf/d2c5f6d0-f87f–4bb6-a65f-8e63d3dedc61. 
  5. Ana Cristina Braccini de Aguiar,Helena Simões Dutra de Oliveir,a Siciane Mello Grassiolli. Manual de contagem de carboidratos ICD. 2011
  6. Rodrigo Nunes Lamounier, Débora Bohnen Guimarães. Manual de contagem de carboidratos CDBH . 2014
  7. American Diabetes Association Standards of Medical Care in Diabetes – 2016 – Diabetes Care Volume 39, Supplement 1, January 2016
  8. Manual de Contagem de Carboidratos – Sociedade Brasilieira de Diabetes – 2016.

Nil Per Os (NPO)

Nil per osNihil per os (NPO), é uma instrução médica para não alimentar o paciente com comidas nem bebidas. Pode ser traduzido como “Nada (nil/nihil) pela via oral (per os)”.

Indicações da NPO

  • Prevenção de aspiração de partículas e líquidos para dentro do pulmão em pacientes que serão submetidos a uma anestesia geral;
  • Em pacientes com musculatura de deglutição enfraquecida;
  • Sangramento gastrointestinal;
  • Bloqueio gastrointestinal;
  • Provável refluxo gastroesofágico.

Quando os pacientes são colocados sob ordem de NPO antes de uma cirurgia por anestesia geral, os médicos geralmente adicionam a exceção de que os pacientes são permitidos a tomar uma quantidade pequena de água junto com sua medicação usual.

Essa é a única exceção para um estado NPO pré-cirúrgico de um paciente. Desta maneira, se um paciente ingerir acidentalmente comida ou líquidos, a cirurgia geralmente é cancelada ou atrasada em por algumas horas.

Tempo de jejum

O número de horas de jejum é proporcional ao tempo de digestão do último alimento consumido:

  • Líquidos sem parte sólida (chá, sucos, água…): 2 horas
  • Lanche leve (pão, frutas, leite): 6 horas
  • Refeição típica de hospital (grãos, verduras e legumes…): 8 horas

Porém, a digestão depende da quantidade de fibras, da idade do paciente e de sua produção de enzimas, então certas carnes consumidas sem fibras podem durar dias para serem digeridas e causarem problemas em pacientes com patologias digestivas.

Referências:

  1. http://www.proz.com/kudoz/spanish_to_english/medical_general/2257865-dieta_absoluta.html
  2. http://medical-dictionary.thefreedictionary.com/NPO
  3. http://www.meac.ufc.br/arquivos/biblioteca_cientifica/File/PROTOCOLOS%20OBSTETRICIA/protocolojejum.pdf

Terapia Nutricional

A terapia nutricional é a reunião de métodos terapêuticos utilizados para manter ou recuperar o estado nutricional do paciente. Ela tem capacidade de agir em pessoas com trauma, infecções, doenças em geral ou que acabaram de passar por um procedimento cirúrgico.

Seu principal objetivo é melhorar a situação nutricional do indivíduo, cuidando e evitando sua nutrição precária. Ela mantém os níveis de proteína no plasma sanguíneo e alimenta o tecido corporal, de modo a impedir a deficiência dos macro e micronutrientes.

A nutrição pode ser aplicada tanto por via oral, por meio de suplementos nutricionais, ou por um tubo alimentar, método denominado como Nutrição Enteral ou, quando o paciente não consegue ingerir pelo trato digestivo, o suporte alimentar pode ser introduzido por meio de um cateter intravenoso, colocado diretamente nas veias, forma essa chamada de Nutrição Parenteral.

A seleção do tipo de terapia nutricional ideal para o paciente dependerá muito do seu estado de saúde e necessidades. Por exemplo, uma pessoa que está sofrendo quimioterapia ou hemodiálise tem necessidades diferentes daquela que acabara de passar por um procedimento cirúrgico.

A princípio, o profissional responsável pela prescrição da terapia nutricional deverá seguir criteriosamente alguns passos para, então, definir corretamente a melhor opção para o paciente. São eles:

  • triagem nutricional;
  • análise nutricional do indivíduo desnutrido ou em risco nutricional;
  • determinação da necessidade nutricional;
  • indicação da Terapia Nutricional a ser introduzida;
  • monitoramento e acompanhamento;
  • avaliação da eficácia do procedimento por meio de indicadores de qualidade da Terapia Nutricional.

Benefícios

Garantir a qualidade da Terapia Nutricional é muito importante para assegurar a eficácia do procedimento que está sendo aplicado e, assim, garantir a recuperação dos pacientes.

Ao estabelecer a Terapia Nutricional adequada, é possível conferir melhoras na pessoa que está recebendo o procedimento. Conheça alguns dos seus principais resultados.

  • melhora na taxa de glicemia;
  • aumento nas taxas de proteínas séricas;
  • impedimento da formação de edemas;
  • manutenção do equilíbrio hidroeletrolítico do paciente, o que impede a sua desidratação;
  • recuperação das células sanguíneas;
  • aumento da imunidade;
  • facilitação do ganho de peso e massa muscular etc.

Todos esses benefícios são significativos para manter a saúde do paciente. A terapia nutricional é indicada principalmente para os casos de:

  • obesidade,
  • idoso frágil com disfagia,
  • pacientes com câncer;
  • pré e pós-operatório;
  • indivíduos com insuficiência renal;
  • pancreatite;
  • síndrome do intestino curto, entre outros.

Como visto, a terapia nutricional é indicada para pessoas que sofrem por diversas enfermidades. Com ela, o sucesso da recuperação desses pacientes é muito mais rápido. A sua aplicação deve ser contínua e ascendente. Dessa forma, a qualidade da terapia é garantida.

Equipe multiprofissional de Terapia Nutricional (EMTN)

A equipe multiprofissional de Terapia Nutricional (EMTN) é composta por médico coordenador, nutricionistas, enfermeira, fonoaudiólogas, farmacêutico e estagiária de enfermagem. O grupo trabalha para assegurar condições adequadas aos procedimentos de terapia nutricional, visando à manutenção ou recuperação do estado nutricional do paciente.

O propósito da atuação da EMTN é auxiliar os profissionais responsáveis pela assistência aos pacientes internados, na avaliação e administração de terapia enteral e parenteral, bem com na reabilitação e nas orientações ao paciente com disfagia orofaríngea.

Veja Também:

Os tipos de Dieta Enteral

Nutrição Enteral (NE)

Dietas Hospitalares

Nutrição Parenteral: As diferenças entre NPP e NPT

Nutrição Enteral: Sistemas Aberto e Fechado

A Nutrição Parenteral (NP)

Dietoterapia: Enteral e Parenteral

Cuidados Essenciais com a Nutrição Enteral

As nutrições enterais são dietas especificamente elaboradas para pacientes que durante o curso ou recuperação de uma doença, estão impossibilitados de receber alimentação via oral e portanto recebem via sonda.

A terapia nutricional enteral é um método simples e seguro que ajudará você a manter seu estado nutricional adequado.

A dieta enteral pode ser recomendada para pessoas em muitas condições e circunstâncias diferentes. Ela pode ajudar indivíduos com:

  • Problemas no aparelho digestivo (boca, esôfago ou estômago);
  • Problemas de deglutição, que os coloca em risco de asfixia, ou de aspiração de alimentos ou líquidos para os pulmões;
  • Desnutrição, ou alimentação insuficiente.

Formas de administração a dieta enteral 

A dieta enteral pode ser administrada de forma intermitente ou contínua, se valendo de três métodos:

  • Por gravidade;
  • Por seringa;
  • Por bomba de infusão.

A escolha do método dependerá da necessidade e condições clínicas de cada paciente, cabendo ao médico a definição do diagnóstico e o melhor método para o caso do paciente.

Administração da dieta enteral intermitente por gravidade

A administração da dieta enteral por gravidade é a mais utilizada para os mais diversos casos.

Nela é utilizado um frasco descartável e é realizada em intervalos, como se fossem refeições em cada período do dia.

Aqui, é importante que o paciente fique sentado ou com as costas elevadas no momento do procedimento, evitando engasgos.

Com a refeição preparada, verifique se a pinça do equipo está fechada e coloque o frasco em suporte seguro elevado.

É importante que a refeição fique suspensa a no mínimo 60cm acima da cabeça do paciente.

Feito isso, sem conectar o equipo a sonda, abra a pinça, deixe o liquido preencher toda extensão da tubulação e feche-a em seguida.

Retire a tampa de proteção, faça o encaixe na sonda e abra a pinça novamente regulando a velocidade conforme orientação médica.

Após o término do conteúdo do frasco, feche a pinça e desconecte o equipo da sonda, que DEVE ser higienizada.

Para isso, utilize uma seringa para aspirar de 10 a 20ml de água limpa e filtrada e injete na sonda.

Feito isso, basta fechar a sonda com a tampa de segurança até o momento da próxima refeição.

Fique atento também a alguns cuidados importantes:

  • O paciente deve permanecer na posição sentada ou elevada de 20 a 30 minutos após as refeições;
  • O mesmo frasco não deve ficar conectado ao mesmo bico e à sonda por mais de 6h sobre o risco de contaminação;
  • O equipo e o frasco devem ser trocados, no máximo, a cada 24 horas.

Administração contínua por bomba de infusão

Caso o paciente esteja com uma sonda posicionada no duodeno ou jejuno, é possível realizar a administração contínua da dieta enteral, realizada por gotejamento, com o auxílio de uma bomba de infusão e que ocorre em um período de até 24 horas.

Para os cuidadores esse método é menos trabalhoso, uma vez que o processo é contínuo e o tempo controlado pela própria bomba.

A cada troca de frasco, porém, é necessário realizar a higiene da sonda, com o auxílio da seringa, e a troca do equipo.

É importante também manter a posição elevada.

Administração intermitente por seringa

Em casos de gastrostomia, a dieta enteral pode ser administrada através de seringas.

Para isso é necessário separar a quantidade de dieta prescrita em um vasilhame limpo, aspirando o conteúdo com uma seringa.

Retire a tampa de segurança da sonda, posicione a seringa e faça a administração cuidadosamente.

Esse processo deve demorar de 20 a 30 minutos ao todo.

É muito importante não apertar a seringa de forma a despejar o conteúdo todo de uma vez.

Validade

Os materiais utilizados para a administração da dieta ENTERAL devem ser utilizados por um período de 24 horas, ou de acordo com a orientação do médico(a)/nutricionista, isso também inclui a nutrição PARENTERAL.

– Frascos de Sistema aberto ou fechado;
– Equipos gravitacionais ou para bomba de infusão;
– Seringa própria para nutrição enteral

Devem ser todos DESCARTADOS após o período de 24 horas, realizando higienização da sonda enteral a cada troca!

Durante a infusão da dieta, a cada administração de medicamentos, a sonda deve ser lavada com mínimo de 20 ml e máximo de 40 ml (antes e depois de administrar). Por que?

Porque devido as sondas serem finas, pode entupir-se facilmente, impossibilitando a administração da dieta ou medicamento.

Referência:

  1. Ministério da Saúde