
Vá direto ao ponto!
Um número no prontuário não transforma automaticamente uma informação em dado objetivo. A origem da informação é o que importa. Se o paciente diz “minha dor está em 8”, o profissional pode registrar o valor da escala, mas aquele dado continua sendo subjetivo porque representa a experiência relatada pelo próprio paciente.
Dado subjetivo vem do relato
Dados subjetivos são informações obtidas principalmente por meio da entrevista, incluindo aquilo que a pessoa sente, percebe, relata ou identifica sobre sua própria condição. Dor, náusea, tontura, falta de ar percebida, ansiedade e dificuldade para dormir são exemplos.
Também podem existir informações relatadas por familiares ou acompanhantes, especialmente quando o paciente não consegue se comunicar adequadamente. Nesses casos, a fonte deve ficar clara no registro.
A Resolução Cofen 736/2024 define a Avaliação de Enfermagem como a coleta de dados subjetivos e objetivos, realizada inicialmente e de forma contínua, utilizando entrevista, exame físico, exames laboratoriais e de imagem, testes clínicos, escalas validadas e outros recursos pertinentes.
Dado objetivo é observado ou mensurado
Dados objetivos são aqueles obtidos pelo exame, observação ou mensuração, utilizando os sentidos, instrumentos e dispositivos. Temperatura de 38,4 °C, pressão arterial de 90/60 mmHg, frequência respiratória de 28 irpm, saturação de 89%, edema observado ou uma lesão mensurada em centímetros são exemplos.
A diferença fica mais clara quando as duas informações aparecem juntas. O paciente pode dizer “estou com muita falta de ar” — dado subjetivo. Na avaliação, apresenta FR 30 irpm e SpO₂ de 88% — dados objetivos.
No plantão, essa combinação faz diferença. Um paciente pode afirmar que está “bem”, enquanto a avaliação mostra taquicardia, alteração da frequência respiratória e queda da saturação. Registrar somente a fala perderia parte importante da avaliação; registrar somente os números também deixaria de documentar a percepção do paciente.
A escala não muda a natureza da informação
Esse é um dos erros mais comuns entre estudantes. Quando o paciente informa dor 8/10, o 8 é mensurável, mas continua representando um dado subjetivo, porque depende da experiência comunicada pelo paciente. A escala melhora a padronização e permite acompanhar a evolução, mas não transforma a dor em um sinal objetivo.
O mesmo raciocínio vale para perguntas como “quanto você está sentindo de falta de ar?” ou “qual a intensidade da náusea?”. A resposta pode ser graduada, mas continua sendo uma informação autorreferida.
Em uma situação de pós-operatório, por exemplo, o paciente pode relatar dor 7/10 na incisão ao movimentar-se. Na avaliação, a equipe pode observar a expressão facial, verificar sinais vitais e examinar o curativo. São informações diferentes, que se complementam e devem ser registradas de maneira coerente com o que foi realmente avaliado.
Como usar os dois dados na prática
Uma avaliação de qualidade não escolhe entre subjetivo ou objetivo. Ela cruza as informações.
Se o paciente relata tontura, registre a queixa e procure dados que possam complementá-la, como pressão arterial, frequência cardíaca, glicemia quando indicada, equilíbrio e nível de consciência. Se relata dor abdominal, descreva a característica referida e associe os achados do exame físico e demais avaliações realizadas.
Outro cenário frequente acontece na UTI: o paciente relata “falta de ar piorando”, enquanto o monitor mostra queda progressiva da saturação. A combinação entre o que ele sente e o que está sendo mensurado ajuda a construir uma avaliação mais completa e permite reconhecer mudanças clínicas com maior precisão.
A Avaliação de Enfermagem é contínua, portanto esses dados não são coletados apenas na admissão. Eles podem mudar durante a assistência e devem ser reavaliados conforme a condição clínica e a necessidade do cuidado.
Cuidados de enfermagem
Ao registrar, identifique claramente quem informou o dado, diferencie relato de achado observado e prefira medidas concretas a expressões vagas como “está bem”, “está ruim”, “muita dor” ou “pouco sangramento”.
Quando utilizar uma escala, registre o resultado e, quando relevante, a escala empregada. Na descrição objetiva, priorize valores, características e medidas que possam ser acompanhadas posteriormente.
O registro deve representar aquilo que foi efetivamente obtido durante a assistência. A documentação do Processo de Enfermagem ocorre no prontuário físico ou eletrônico, e a Resolução Cofen 736/2024 estabelece as responsabilidades dos diferentes membros da equipe nesse processo.
Dados Subjetivos e Objetivos: Saiba Diferenciar
- Dados subjetivos vêm principalmente do relato da pessoa
- Dados objetivos são observados ou mensurados
- Escala de dor não transforma o relato em dado objetivo
- Avaliação de Enfermagem combina diferentes fontes de informação
Referências:
- CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução Cofen nº 736, de 17 de janeiro de 2024. Dispõe sobre a implementação do Processo de Enfermagem em todo contexto socioambiental onde ocorre o cuidado de enfermagem. Brasília, DF: Cofen, 2024. Acessar a Resolução Cofen nº 736/2024
- CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Recomendações para registros de enfermagem no exercício da profissão. Brasília, DF: Cofen. Acessar orientações do Cofen sobre registros de enfermagem
- CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução Cofen nº 564, de 6 de novembro de 2017. Aprova o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. Brasília, DF: Cofen, 2017. Acessar o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem
Cansaço aos Mínimos Esforços: o que pode causar esse sintoma e quando ele merece atenção?
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Conta pra gente qual assunto você quer ver esmiuçado e transformado em ilustração no próximo post!
Christiane Ribeiro
Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva, contribuindo também para a produção de conteúdos educativos voltados à enfermagem.
É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.


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