Emergência e Urgência Hipertensiva: Entenda as Diferenças

A hipertensão arterial, ou pressão alta, é uma condição crônica muito comum. Muitos convivem com ela de forma controlada, com medicação e hábitos saudáveis. Mas, e quando a pressão sobe de repente para níveis altíssimos?

Aí, a situação muda de figura e podemos estar diante de um quadro que exige nossa atenção imediata: as crises hipertensivas.

Dentro das crises, existem duas condições que, embora pareçam semelhantes, têm implicações muito diferentes e exigem abordagens distintas: a emergência hipertensiva e a urgência hipertensiva.

Para nós, profissionais de enfermagem e estudantes de enfermagem, compreender essas diferenças é crucial para uma avaliação rápida e uma conduta que pode salvar a vida ou prevenir danos graves a órgãos.

Vamos desvendar cada uma delas?

O que é uma Crise Hipertensiva?

Crise hipertensiva é o termo utilizado para descrever uma elevação acentuada da pressão arterial, geralmente com valores acima de 180/120 mmHg. Essa condição pode se apresentar com ou sem sinais de lesão aguda em órgãos-alvo como o coração, cérebro, rins ou vasos sanguíneos.

A crise hipertensiva se divide em dois tipos principais:

  • Urgência hipertensiva: quando há elevação da pressão arterial sem sinais de dano imediato a órgãos-alvo.
  • Emergência hipertensiva: quando a elevação pressórica vem acompanhada de comprometimento agudo e progressivo de órgãos vitais.

Emergência Hipertensiva: O Perigo Iminente (Dano em Órgão-Alvo)

Imagine a pressão subindo tanto que começa a “quebrar” ou comprometer o funcionamento de órgãos vitais. Isso é uma emergência hipertensiva. Nela, a pressão arterial elevadíssima está causando ou ameaçando causar danos agudos e progressivos a órgãos como cérebro, coração, rins ou olhos.

Características Principais:

    • Valores de PA: Geralmente PA Sistólica ge 180 mmHg e/ou PA Diastólica ge 120 mmHg.
    • Presença de Lesão em Órgão-Alvo: Este é o critério DEFINIDOR. Não é apenas a pressão alta, mas o efeito que ela está causando no corpo.
    • Sintomas Graves: Os sintomas refletem o comprometimento dos órgãos.
    • Tratamento: Redução imediata e controlada da PA (em minutos a 1 hora), geralmente com medicamentos administrados por via intravenosa (IV) em ambiente de UTI ou emergência. A queda deve ser gradual para evitar hipoperfusão (falta de sangue) em órgãos, mas rápida o suficiente para cessar o dano.

Exemplos de Lesões de Órgão-Alvo e Sintomas:

    • Cérebro:
      • Encefalopatia Hipertensiva: Dor de cabeça intensa, confusão mental, convulsões, coma.
      • AVC (Acidente Vascular Cerebral): Fraqueza ou paralisia de um lado do corpo, dificuldade para falar, desvio de rima labial, alterações visuais súbitas.
      • Hemorragia Intracerebral: Sangramento no cérebro.
    • Coração:
      • Infarto Agudo do Miocárdio (IAM): Dor no peito (angina), que pode irradiar para braço, pescoço.
      • Edema Agudo de Pulmão (EAP): Falta de ar intensa, tosse com expectoração rosada, respiração ofegante.
      • Dissecção Aguda da Aorta: Dor torácica súbita e excruciante, que pode se irradiar para as costas.
    • Rins:
      • Insuficiência Renal Aguda: Diminuição acentuada da produção de urina, inchaço.
    • Olhos:
      • Retinopatia Hipertensiva: Visão turva, perda súbita da visão.
    • Outras: Eclâmpsia (em gestantes), crise adrenérgica.

Cuidados de Enfermagem na Emergência Hipertensiva:

    • Prioridade Absoluta: O paciente com emergência hipertensiva é uma prioridade CÓDIGO VERMELHO.
    • Monitorização Contínua: Monitorar a PA de forma invasiva (cateter arterial) ou não invasiva (aferição frequente), frequência cardíaca, saturação de oxigênio e nível de consciência.
    • Acesso Venoso: Garantir pelo menos dois acessos venosos calibrosos.
    • Administração de Medicação IV: Preparar e infundir medicamentos como Nitroprussiato de Sódio, Labetalol, Nicardipino, conforme prescrição médica, monitorando a resposta do paciente. Esses medicamentos exigem diluição e bomba de infusão.
    • Avaliação Neurológica: Realizar escalas neurológicas (Glasgow, NIHSS, se aplicável) e observar alterações.
    • Sinais e Sintomas: Estar atento aos sintomas relatados pelo paciente e a qualquer mudança no seu quadro.
    • Conforto e Segurança: Manter o paciente em repouso no leito, com cabeceira elevada se houver dispneia, e oferecer suporte emocional.
    • Registro Detalhado: Documentar os horários das aferições de PA, as medicações administradas, as doses e a resposta do paciente.

Urgência Hipertensiva: O Alerta Amarelo (Sem Dano em Órgão-Alvo)

Na urgência hipertensiva, a pressão arterial também está muito alta (geralmente nos mesmos níveis ou um pouco menores que na emergência: PA Sistólica ge 180 mmHg e/ou PA Diastólica ge 120 mmHg), mas a principal diferença é que NÃO há evidência de lesão aguda ou progressiva em órgãos-alvo. Os sintomas, se presentes, são mais inespecíficos.

Características Principais:

    • Valores de PA: Geralmente PA Sistólica ge 180 mmHg e/ou PA Diastólica ge 120 mmHg.
    • Ausência de Lesão Aguda em Órgão-Alvo: Este é o critério DEFINIDOR.
    • Sintomas Inespecíficos: Dor de cabeça leve a moderada, tontura, zumbido no ouvido, sangramento nasal (epistaxe), ansiedade.
    • Tratamento: Redução gradual da PA (em horas a dias), geralmente com medicamentos por via oral (VO). O objetivo é reduzir a pressão em 24-48 horas, sem pressa, para evitar hipoperfusão.
    • Manejo: Pode ser feito em ambulatório ou pronto-socorro, sem necessidade de UTI inicialmente.

Cuidados de Enfermagem na Urgência Hipertensiva:

    • Aferição Precisa da PA: Realizar várias aferições de PA, em ambos os braços, para confirmar os valores.
    • Avaliação de Sintomas: Perguntar sobre dor de cabeça, tontura, alterações visuais, e principalmente, investigar ativamente a presença de sintomas de lesão em órgão-alvo (dispneia, dor no peito, fraqueza em membros, confusão). A ausência desses é o que diferencia da emergência.
    • Acalmar o Paciente: Muitos pacientes ficam ansiosos com a pressão alta, o que pode piorar o quadro. Um ambiente calmo e acolhedor é importante.
    • Administração de Medicação VO: Preparar e administrar medicamentos anti-hipertensivos orais (ex: Captopril, Nifedipino de liberação lenta, Clonidina) conforme prescrição médica.
    • Reavaliação Periódica: Reafirmar a PA e reavaliar os sintomas a cada 30-60 minutos após a administração do medicamento oral, até que a pressão esteja em níveis mais seguros.
    • Orientação ao Paciente: Explicar sobre a importância da adesão ao tratamento, da dieta com baixo teor de sódio, da prática de exercícios e do acompanhamento médico regular.
    • Não Usar Nifedipino Cápsula Sublingual: Essa prática não é recomendada por causar queda brusca e descontrolada da PA, com risco de AVC e IAM.

Como é feito o tratamento?

O tratamento varia de acordo com o tipo de crise hipertensiva.

Na urgência hipertensiva, são utilizados antihipertensivos orais, como captopril, clonidina ou atenolol, com monitoramento em observação por algumas horas.

Já nas emergências hipertensivas, o paciente deve receber antihipertensivos intravenosos de ação rápida, como nitroprussiato de sódio, labetalol ou nitroglicerina, com redução da pressão em ambiente controlado e monitorizado, geralmente na UTI.

O Que Nos Leva a Confundir e Como Evitar?

A confusão entre emergência e urgência é comum porque ambos os quadros apresentam PA muito alta. O segredo para diferenciar é sempre procurar por SINAIS E SINTOMAS DE LESÃO EM ÓRGÃO-ALVO. Se a pressão está alta, mas o paciente está assintomático ou com sintomas leves e inespecíficos, é urgência. Se a pressão está alta e o paciente está com dor no peito, falta de ar, alteração neurológica, é emergência.

Nossa avaliação precisa e a comunicação clara com o médico são a chave para o sucesso no manejo dessas situações. Um erro de classificação pode levar a um tratamento inadequado, com consequências graves para o paciente.

Cuidados de Enfermagem

A enfermagem desempenha um papel essencial no reconhecimento, intervenção e monitoramento de pacientes em crise hipertensiva. Entre os principais cuidados, destacam-se:

Avaliação inicial

  • Verificar os sinais vitais com frequência, especialmente a pressão arterial em intervalos curtos.
  • Avaliar a presença de sintomas neurológicos, dor torácica, dispneia ou alterações na consciência.
  • Observar sinais de edema periférico, palidez, sudorese ou alterações visuais.

Administração medicamentosa

  • Administrar os medicamentos conforme prescrição médica, respeitando a via (oral ou intravenosa) e o tempo correto de infusão.
  • Monitorar os efeitos adversos dos anti-hipertensivos, como hipotensão súbita ou bradicardia.

Apoio emocional

  • Oferecer acolhimento ao paciente, explicando de forma simples o que está acontecendo.
  • Controlar o ambiente para reduzir estímulos estressores, como barulho ou agitação.

Registro e comunicação

  • Registrar todas as alterações no prontuário.
  • Comunicar imediatamente à equipe médica qualquer mudança no estado clínico do paciente.

Entender a diferença entre urgência e emergência hipertensiva é fundamental para que a equipe de enfermagem possa agir com rapidez e precisão. Em ambos os casos, o papel do enfermeiro e do técnico de enfermagem é decisivo na estabilização do paciente e na prevenção de complicações graves.

O conhecimento teórico aliado à prática clínica permite oferecer um cuidado mais seguro, humanizado e eficiente, contribuindo diretamente para a redução da mortalidade por causas cardiovasculares.

Referências:

  1. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA (SBC). 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, Rio de Janeiro, v. 116, n. 3, p. 516-658, mar. 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abc/a/S9Xg4JjV9Qz2Z5T8D9kC7qH/?lang=pt
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Cadernos de Atenção Básica: Hipertensão Arterial Sistêmica. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2013. 
  3. SMELTZER, S. C.; BARE, B. G.; HINKLE, J. L.; CHEEVER, K. H. Brunner & Suddarth: Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018.
  4. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo de Atendimento das Emergências Hipertensivas. 2022.
  5. SILVA, M. T. et al. Avaliação das Emergências Hipertensivas em Serviços de Urgência. Revista Brasileira de Clínica Médica, São Paulo, v. 19, n. 1, p. 56-63, 2021. Disponível em: https://www.rbcm.org.br
  6. PEARCE, C. J. et al. Crises Hipertensivas: Diagnóstico e Manejo. The New England Journal of Medicine. 2019. Disponível em: https://www.nejm.org

Os tipos de Pulso Arterial

A avaliação do pulso arterial é uma das práticas clínicas mais antigas e fundamentais na enfermagem. Ela fornece dados essenciais sobre o sistema cardiovascular, como frequência cardíaca, ritmo, amplitude e regularidade. Observar o pulso é muito mais do que apenas “contar batimentos”: é entender o que está por trás de cada pulsação.

Nesta publicação, vamos explorar os diferentes tipos de pulso arterial, seus significados clínicos e a importância do olhar atento da enfermagem durante o exame físico.

O Que É o Pulso Arterial?

Pense no coração como uma bomba potente. A cada contração (sístole), ele ejeta sangue para a aorta e, em seguida, para as grandes artérias. Essa ejeção de sangue gera uma onda de pressão que se propaga rapidamente pelas paredes elásticas das artérias. É essa onda que nós percebemos como o pulso.

Ao avaliar o pulso, não estamos apenas contando as batidas. Estamos avaliando diversas características:

  • Frequência: Quantas batidas por minuto.
  • Ritmo: Se as batidas são regulares ou irregulares.
  • Amplitude/Força: A intensidade da onda de pulso (forte, fraco).
  • Tensão/Elasticidade: A rigidez da parede arterial.
  • Simetria: Se o pulso é igual nos dois lados do corpo (ex: pulsos radiais).

Agora, vamos aos tipos de pulso que nos dão pistas diagnósticas valiosas:

Pulso Normal (Normosfígmico): O Equilíbrio Saudável

Este é o pulso que esperamos encontrar em uma pessoa saudável.

  • Características:
    • Frequência: Entre 60 e 100 batimentos por minuto (bpm) em repouso.
    • Ritmo: Regular, com intervalos iguais entre as batidas.
    • Amplitude: Moderada, fácil de palpar, nem muito forte nem muito fraca.
    • Tensão: Moderada, a artéria é elástica e não oferece resistência excessiva.
    • Simetria: Presente e igual em ambos os lados.
  • Significado: Indica um bom funcionamento cardiovascular, com débito cardíaco adequado e artérias elásticas.

Bradicardia e Taquicardia: As Variações de Frequência

Estas não são exatamente “tipos” de pulso em termos de qualidade da onda, mas sim variações na sua frequência que são cruciais para a avaliação.

  • Bradicardia:
    • Características: Frequência de pulso inferior a 60 bpm.
    • Significado: Pode ser normal em atletas bem condicionados ou durante o sono profundo. Pode ser causada por medicamentos (betabloqueadores), hipotireoidismo, doenças cardíacas (bloqueios atrioventriculares) ou outras condições.
  • Taquicardia:
    • Características: Frequência de pulso superior a 100 bpm.
    • Significado: Pode ser uma resposta fisiológica ao exercício, estresse, ansiedade, febre, dor, desidratação. Pode ser patológica em arritmias, choque, anemia, hipertireoidismo.

Pulso Filiforme (ou Fino/Débil): O Quase Ausente

Este pulso é um sinal de alerta e exige atenção imediata.

  • Características: Muito difícil de palpar, fraco, mal perceptível, como um “fio”. Geralmente é rápido (taquicárdico).
  • Significado: Indica um débito cardíaco muito baixo, ou seja, o coração não está bombeando sangue suficiente para os tecidos. É um sinal clássico de choque (hipovolêmico, cardiogênico, séptico), desidratação grave, hemorragia intensa ou insuficiência cardíaca grave.

Pulso Forte ou Cheio (Magnus): O Batimento Robusto

É o oposto do pulso filiforme.

  • Características: Amplitude aumentada, muito fácil de palpar e sentir, como uma onda “cheia”.
  • Significado: Pode ser encontrado em situações de aumento do débito cardíaco (exercício, ansiedade, febre) ou em condições como hipertireoidismo, insuficiência aórtica (onde há regurgitação de sangue para o ventrículo, aumentando o volume de ejeção) ou hipertensão arterial sistêmica (especialmente com alta pressão de pulso).

Pulso Arrítmico: A Dança Desordenada

Aqui, a questão é o ritmo.

  • Características: Os intervalos entre as batidas não são regulares. Podem ser irregularmente irregulares (sem padrão) ou regularmente irregulares (com um padrão repetitivo de irregularidade).
  • Significado: Indica a presença de arritmias cardíacas, como fibrilação atrial (irregularmente irregular, muito comum), extrassístoles (batidas extras isoladas) ou bloqueios cardíacos. Cada tipo de arritmia tem um significado clínico diferente, e a identificação do pulso arrítmico é o primeiro passo para a investigação.

Pulso Alternante (Pulso de Broadbent): O Forte e Fraco

É um pulso com variações na sua amplitude, intercalando batimentos fortes com batimentos fracos, em um ritmo regular.

  • Características: Batidas regulares, mas uma é forte e a próxima é fraca, e assim por diante.
  • Significado: É um sinal de disfunção ventricular esquerda grave, ou seja, o lado esquerdo do coração está com dificuldade para bombear o sangue de forma consistente. Geralmente indica insuficiência cardíaca avançada.

Pulso Dicrótico: A Dupla Ondulação

Este pulso é caracterizado por duas ondas distintas em cada batimento cardíaco, sendo a segunda onda (dicrótica) mais fraca.

  • Características: Ao palpar, parece que há duas “pancadas” para cada batida do coração.
  • Significado: Geralmente indica condições com baixo débito cardíaco e alta resistência periférica, como febre tifoide grave ou choque cardiogênico ou hipovolêmico (embora seja menos comum de ser identificado clinicamente e mais por exames).

Pulso em Martelo d’Água (ou Pulso de Corrigan): O Impulso Súbito

Também conhecido como pulso colapsante.

  • Características: Uma onda de pulso muito forte e rápida que sobe e desce abruptamente, como um jato d’água que atinge a mão e recua rapidamente. É mais fácil de sentir na artéria radial com o braço elevado.
  • Significado: É um achado clássico de insuficiência aórtica grave, onde a válvula aórtica não fecha completamente, permitindo que o sangue volte para o coração após cada sístole. Também pode ser visto em hipertiroidismo, anemia grave, ou ducto arterioso patente.

Pulso Paradoxal: O Que Engana na Inspiração

Este é um tipo de pulso em que a amplitude diminui significativamente durante a inspiração profunda e aumenta na expiração. Paradoxal porque, fisiologicamente, a inspiração aumenta o retorno venoso e deveria manter ou aumentar a amplitude do pulso.

  • Características: A diferença na pressão sistólica entre a expiração e a inspiração é superior a 10 mmHg. Isso pode ser difícil de sentir apenas palpando, mas pode ser detectado ao aferir a pressão arterial e observar a diminuição dos sons de Korotkoff durante a inspiração.
  • Significado: É um sinal de condições que limitam a expansão do coração durante a inspiração. As causas mais comuns são: tamponamento cardíaco (acúmulo de líquido ao redor do coração que o comprime), pericardite constritiva e asma/DPOC grave (devido às grandes variações de pressão intratorácica).

Cuidados de Enfermagem

A avaliação do pulso não é um ato mecânico; é uma arte que exige prática e sensibilidade. Nossos cuidados envolvem:

  1. Técnica Adequada: Usar a polpa dos dedos (indicador, médio e anelar), não o polegar. Aplicar pressão suficiente para sentir o pulso, mas não ocluir a artéria.
  2. Locais de Palpação: Conhecer os diferentes locais (radial, carotídeo, femoral, pedioso, poplíteo, braquial) e saber qual é o mais adequado para cada situação. O pulso carotídeo é o mais indicado em situações de emergência, como na parada cardiorrespiratória.
  3. Avaliação Completa: Não apenas contar a frequência, mas avaliar o ritmo, a amplitude e a tensão. Sempre comparar os pulsos periféricos dos dois lados do corpo (simetria).
  4. Integração com Outros Dados: Correlacionar as características do pulso com outros sinais vitais (pressão arterial, frequência respiratória, saturação de oxigênio) e com o quadro clínico geral do paciente.
  5. Comunicação Efetiva: Registrar os achados de forma clara e comunicar imediatamente qualquer alteração significativa ao médico.
  6. Intervenção Rápida: Um pulso filiforme, por exemplo, exige intervenção imediata para investigar e tratar a causa do choque.

Dominar a avaliação do pulso arterial é uma das competências mais valiosas para profissional de enfermagem. É uma forma simples, não invasiva e rápida de obter informações cruciais sobre o estado cardiovascular do paciente, permitindo-nos agir com precisão e, muitas vezes, fazer a diferença entre a vida e a morte.

Referências:

  1. JARVIS, C. Bates Propedêutica de Enfermagem. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2020. (Consultar capítulo sobre Exame Físico do Sistema Cardiovascular).
  2. PORTO, C. C. Semiologia Médica. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019. (Consultar capítulo sobre Exame do Sistema Cardiovascular).
  3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA (SBC). Diretrizes Brasileiras de Cardiologia. (Disponível em publicações da SBC ou em seus periódicos, como os Arquivos Brasileiros de Cardiologia, para aprofundar em arritmias e insuficiência cardíaca). Disponível em: https://www.portal.cardiol.br/.
  4. BARROS, A. L. B. L. Exame físico: avaliação diagnóstica de enfermagem no adulto. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2016.
  5. BRUNNER, L. S.; SUDDARTH, D. S. Tratado de enfermagem médico-cirúrgica. 13. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015.
  6. MANUAL MERCK. Pulso arterial: avaliação clínica. Disponível em: https://www.msdmanuals.com
  7. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br

Semicírculo de Skoda

O sinal de semicírculo de Skoda, também conhecido como timpanismo periumbilical móvel, é uma variação do sinal de Skoda usado para detectar a presença de ascite, que é o acúmulo anormal de líquido na cavidade peritoneal, o espaço que envolve os órgãos abdominais.

Como funciona o sinal de semicírculo de Skoda

Consiste em deixar o paciente em decúbito dorsal, em que ao percutir a região central do abdome obtém-se som timpânico, enquanto na periferia há som maciço pela presença do líquido ascítico.

Interpretação do sinal de semicírculo de Skoda

  • Presença de timpanismo em todo o semicírculo: Indica um abdome normal, sem ascite.
  • Mudança de timpanismo para maciço em parte do semicírculo: Sugere a presença de ascite, especialmente quando acompanhado de outros sinais e sintomas, como aumento do abdome, inchaço e peso abdominal.

Sinal de Macicez Móvel

Ocorre em casos de ascite de médio volume. Quando o paciente está em decúbito dorsal o líquido acumula-se na região lateral do abdome, revelando timpanismo na região anterior.

Como funciona o sinal de macicez móvel

  1. Posicionamento do paciente: O paciente deita-se de costas (decúbito dorsal).
  2. Palpação profunda: O médico palpa o abdome do paciente com as mãos, pressionando profundamente na região periumbilical (ao redor do umbigo).
  3. Percepção de maciez: Na presença de ascite, o líquido ascítico se acumula nos flancos (laterais do abdome) e desloca o intestino para o centro. Ao pressionar profundamente na região periumbilical, o médico sente uma sensação de maciez, como se estivesse tocando um saco de água.
  4. Mobilidade da maciez: Ao mudar a posição do paciente, seja para o lado esquerdo ou direito, a sensação de maciez também se desloca para o lado correspondente. Isso ocorre porque o líquido ascítico é móvel e se acomoda na parte inferior do abdome, dependendo da posição do paciente.

Interpretação do sinal de macicez móvel

  • Presença de maciez móvel na região periumbilical: Sugere a presença de ascite, especialmente quando acompanhado de outros sinais e sintomas, como aumento do abdome, inchaço e peso abdominal.

Observações

  • A sensibilidade e especificidade do sinal de semicírculo de Skoda para o diagnóstico de ascite são variáveis ​​e podem ser influenciadas por fatores como a quantidade de líquido ascítico presente e a técnica utilizada pelo examinador.
  • O sinal de semicírculo de Skoda deve ser utilizado em conjunto com outros sinais, sintomas e exames físicos para um diagnóstico preciso da ascite.
  • O sinal de macicez móvel é um sinal menos sensível para o diagnóstico de ascite em comparação com outros sinais, como o sinal de Skoda ou o semicírculo de Skoda.
  • A presença do sinal de macicez móvel pode estar associada a outras condições, como tumores abdominais ou grandes cistos ovarianos.
  • O diagnóstico preciso da ascite requer avaliação médica completa, incluindo exame físico, histórico do paciente e exames complementares, como ultrassom abdominal ou paracentese (punção no abdome para remover o líquido ascítico para análise).

Referência:

  1. Manual teório de semiotécnica médica

Febre em Crianças: O Que Muda Com a Nova Diretriz da SBP?

Recentemente, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) atualizou suas diretrizes para a abordagem da febre em crianças, trazendo clarezas importantes que impactam diretamente a prática clínica, o manejo de sintomas e a segurança na assistência em enfermagem.

Neste artigo, vamos explorar o que mudou, como interpretar os novos parâmetros e quais condutas de enfermagem são indicadas com base nas recomendações oficiais publicadas em maio de 2025.

Por que essa atualização foi necessária?

A febre é o sintoma que mais frequentemente motiva as famílias a procurarem atendimento pediátrico – estima-se que apareça em 20% a 30% das consultas.

No entanto, muitas vezes a febre é entendida de maneira equivocada, gerando ansiedade desnecessária. A SBP percebeu esse cenário e repensou as orientações, valorizando o conforto da criança em vez de um valor numérico, apontando que:

  • Febre não é doença, e sim um sinal de que há algo acontecendo.
  • Não há número de termômetro que defina quando medicar — o critério principal é o desconforto da criança .

Qual o novo valor para temperatura em crianças?

As faixas de referência para definição de febre foram mantidas como:

  • Axilar: > 37,5 °C
  • Auricular: acima de 37,8 °C a 38 °C
  • Oral: acima de 37,5 °C a 37,8 °C
  • Retal: acima de 38 °C a 38,3 °C

A grande mudança, porém, está na orientação de quando usar antitérmicos. A SBP reforça que:

  • Os antitérmicos (paracetamol, ibuprofeno e dipirona) devem ser usados quando a febre vier acompanhada de desconforto significativo — como irritabilidade intensa, recusa alimentar, sono prejudicado, fraqueza ou alteração no comportamento/nível de atividade.
  • Não se deve administrar baseado apenas em um número (por exemplo, 38 °C ou 39 °C), mas sim observando o quadro clínico global .

Como a enfermagem deve agir?

Avaliação do conforto da criança

O enfermeiro deve avaliar se a criança está com sinais de desconforto ou mudança de comportamento — choro persistente, inapetência, indisposição, sono excessivo ou agitação. Esses sinais valem mais do que a febre isolada.

Medição adequada da temperatura

A SBP recomenda:

  • Termômetro digital axilar em todas as idades;
  • Termômetro auricular (infravermelho) para crianças acima de 1 mês.

Evitar o uso de termômetros de mercúrio por risco de contaminação.

Critérios para administração de antitérmicos

O enfermeiro segue a prescrição considerando:

  • Se a criança demonstra mal-estar significativo
  • Optar por aplicar apenas um antitérmico, não alternar entre eles, evitando riscos de dosagem incorreta.

Suporte geral

  • Manter boa hidratação, oferecer líquidos com frequência
  • Aliviar o desconforto sem necessariamente medicar (retirar agasalhos, favorecer ventilação ambiente)
  • Acompanhar sinais vitais: frequência cardíaca, respiratória, enchimento capilar, estado de hidratação e saturação de oxigênio.

Orientação e registro

  • Explicar à família que febre é um sinal de alerta, não o diagnóstico
  • Orientar sobre sinais de alarme (irritabilidade intensa, apatia, vômitos persistentes, dificuldade respiratória)
  • Registrar detalhadamente: valores, sintomas associados e condutas

Casos de alerta

A SBP destaca que, além da febre, a atenção deve recair para:

  • Crianças menores de 3 meses com febre ≥ 38 °C ou temperatura ≤ 35,5 °C
  • Qualquer idade com distúrbio grave no estado geral, sinais neurológicos, dificuldade respiratória, vômitos persistentes ou sinais de desidratação.

Nesses casos, a internação e investigação rápida são indicadas.

A atualização da SBP representa um avanço importante: tirar o foco do termômetro e colocar no bem-estar da criança. Isso ajuda a reduzir a “febrefobia”, diminui o uso desnecessário de medicamentos e reforça o papel essencial da enfermagem na avaliação completa do paciente pediátrico.

Para estudantes e profissionais de enfermagem, esse novo entendimento é um convite para atuar com mais sensibilidade, técnica e segurança — adotando um cuidado verdadeiramente centrado na criança.

Referências:

  1. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Infectologia. Abordagem da Febre Aguda em Pediatria e Reflexões sobre a febre nas arboviroses. Rio de Janeiro: SBP, 16 maio 2025. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2025/maio/16/24896f-DC_-Abordag_Febre_Aguda_em_Pediatria_e_Reflexoes_VIRTUAL.pdf
  2. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Manejo da febre aguda. Rio de Janeiro: SBP, 2021. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/23229c-DC_Manejo_da_febre_aguda.pdf
  3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. “Febre: cuidado com a febrefobia”. Rio de Janeiro: SBP, 2025. Disponível em: https://www.sbp.com.br/pediatria-para-familias/cuidados-com-a-saude/febre-cuidado-com-a-febrefobia/

Emergências Cardiológicas

As emergências cardiológicas são situações clínicas que envolvem risco imediato à vida devido a alterações no funcionamento do coração e do sistema circulatório. Para o profissional de enfermagem, é essencial reconhecer precocemente os sinais e sintomas dessas condições, a fim de atuar com rapidez e segurança.

As Principais Patologias que Constituem uma Emergência Cardiológica

Vamos conhecer as condições que frequentemente nos deparamos em um cenário de emergência cardíaca:

Infarto Agudo do Miocárdio (IAM)

O IAM, popularmente conhecido como ataque cardíaco, ocorre quando o fluxo sanguíneo para uma parte do músculo cardíaco é interrompido, geralmente por um trombo em uma artéria coronária. Isso leva à morte das células musculares cardíacas por falta de oxigênio.

Sinais e sintomas:
Dor intensa e prolongada no peito (geralmente em aperto), que pode irradiar para o braço esquerdo, mandíbula, pescoço ou costas. Também podem ocorrer suor frio, náuseas, vômitos, palidez e sensação de morte iminente.

Cuidados de enfermagem:

  • Monitorização dos sinais vitais e eletrocardiograma contínuo.
  • Administração de oxigênio, se saturação estiver < 94%.
  • Preparar e administrar medicamentos como ácido acetilsalicílico, nitratos e opioides, conforme prescrição.
  • Manter o paciente em repouso e em posição confortável.
  • Estar preparado para possíveis paradas cardiorrespiratórias.

Angina Instável

A angina instável é um quadro de dor torácica resultante da isquemia transitória do miocárdio. Diferentemente da angina estável, a instável ocorre em repouso, é mais intensa, prolongada e não responde bem à medicação.

Sinais e sintomas:
Dor no peito semelhante à do infarto, mas geralmente sem elevação de enzimas cardíacas. Pode ocorrer em repouso ou com esforço mínimo.

Cuidados de enfermagem:

  • Avaliar a dor: início, localização, intensidade e fatores de alívio ou piora.
  • Administrar nitratos sublinguais conforme prescrição.
  • Monitorar ECG e sinais vitais.
  • Preparar o paciente para exames como troponina e ecocardiograma.

Arritmias Cardíacas Graves

As arritmias são alterações no ritmo dos batimentos cardíacos. Elas podem ser rápidas (taquiarritmias), lentas (bradiarritmias) ou irregulares. Algumas arritmias, como fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso, são emergências que levam à parada cardíaca.

Sinais e sintomas:
Palpitações, tontura, síncope, dor no peito, falta de ar e, em casos graves, perda de consciência.

Cuidados de enfermagem:

  • Monitorização cardíaca contínua.
  • Reconhecer rapidamente sinais de instabilidade hemodinâmica.
  • Auxiliar em procedimentos como cardioversão elétrica ou uso de marcapasso, se necessário.
  • Manter materiais de reanimação prontos.

Insuficiência Cardíaca Aguda

Na insuficiência cardíaca aguda, o coração não consegue bombear sangue de forma eficaz, causando acúmulo de líquido nos pulmões e em outros tecidos. Pode ser descompensada por infarto, arritmias, hipertensão, infecções ou má adesão ao tratamento.

Sinais e sintomas:
Dispneia súbita, ortopneia, tosse com expectoração espumosa, taquicardia, crepitações pulmonares, confusão mental e sinais de hipoperfusão.

Cuidados de enfermagem:

  • Posicionar o paciente com o dorso elevado (Fowler).
  • Administrar oxigênio e monitorar a saturação.
  • Realizar controle rigoroso de balanço hídrico.
  • Verificar sinais de congestão pulmonar e periférica.
  • Auxiliar na administração de diuréticos e vasodilatadores.

Dissecção Aguda da Aorta

Essa é uma condição rara e extremamente grave, caracterizada pela ruptura na camada interna da aorta, criando um falso trajeto para o sangue. Pode ocorrer em pacientes com hipertensão mal controlada ou doenças do tecido conjuntivo.

Sinais e sintomas:
Dor torácica súbita e intensa, descrita como “em facada” ou “rasgando”, podendo irradiar para as costas, abdome ou membros. Pode haver diferença de pulsos entre os braços e sinais de choque.

Cuidados de enfermagem:

  • Reconhecer imediatamente os sinais e acionar a equipe médica.
  • Monitorar pressão arterial e manter controle rigoroso da dor.
  • Preparar para exames como tomografia e possível cirurgia emergencial.
  • Manter via venosa calibrosa e acesso a medicações intravenosas.

Crise Hipertensiva

A crise hipertensiva é uma elevação súbita e grave da pressão arterial, que pode ser uma urgência ou uma emergência.

  • Urgência Hipertensiva: Pressão arterial muito alta, mas sem lesão aguda de órgão-alvo (cérebro, coração, rins). O objetivo é reduzir a pressão em algumas horas, geralmente com medicação oral.
  • Emergência Hipertensiva: Pressão arterial muito alta, com lesão aguda e progressiva de órgão-alvo. Exige redução imediata da pressão arterial, geralmente com medicação intravenosa, para evitar danos irreversíveis.
    • Sintomas Comuns: Cefaleia intensa, dor no peito, falta de ar, alterações visuais, confusão mental, náuseas, vômitos. Os sintomas dependem do órgão que está sendo mais afetado.
  • Cuidados de Enfermagem:
    • Monitorização: Aferição frequente da pressão arterial (a cada 5-15 minutos em emergências), monitorização cardíaca.
    • Administração de Medicações: Administrar anti-hipertensivos IV de ação rápida (como Nitroprusseto de Sódio, Labetalol, Hidralazina) conforme prescrição, titulando a dose para atingir o alvo de pressão.
    • Acesso Venoso: Garantir acesso venoso calibroso.
    • Controle de Sintomas: Aliviar a dor e o desconforto.
    • Educação: Orientar o paciente e a família sobre a importância da adesão ao tratamento e do controle da pressão arterial.

Tromboembolismo Pulmonar (TEP) Maciço

O TEP ocorre quando um coágulo sanguíneo (geralmente formado nas pernas, em uma trombose venosa profunda – TVP) se desprende e viaja até os pulmões, bloqueando as artérias pulmonares. Um TEP “maciço” é uma emergência pois causa um impacto significativo no coração e na oxigenação.

Sintomas Comuns:

Dispneia súbita e intensa (geralmente sem causa aparente), dor torácica aguda (que piora ao respirar fundo), tosse (às vezes com sangue), taquicardia, tontura e ansiedade. Em casos graves, pode levar a choque e parada cardíaca.

  • Cuidados de Enfermagem:
    • Oxigenoterapia: Administração de oxigênio suplementar.
    • Monitorização: Sinais vitais, SatO2, monitorização cardíaca.
    • Acesso Venoso: Acesso para medicação e exames.
    • Preparo para Anticoagulação/Trombolíticos: Administrar anticoagulantes (heparina) ou, em casos graves, trombolíticos (medicamentos que dissolvem o coágulo) conforme prescrição.
    • Posicionamento: Confortar o paciente em posição que facilite a respiração.

O Enfermeiro no Epicentro da Emergência Cardiológica: Agilidade e Conhecimento

Em qualquer uma dessas emergências, o enfermeiro é a primeira linha de defesa. Nossa capacidade de realizar uma avaliação rápida e precisa, iniciar as intervenções de enfermagem protocolares, administrar medicações com segurança, monitorar o paciente de perto e comunicar-se efetivamente com a equipe médica pode ser a diferença entre a vida e a morte.

O conhecimento dessas patologias e a prática constante dos protocolos de emergência são essenciais para um atendimento de excelência.

Referências:

  1. AMERICAN HEART ASSOCIATION (AHA). ACLS: Suporte Avançado de Vida em Cardiologia: Manual do Participante. Dallas, TX: AHA, 2020. (Consultar capítulos sobre síndromes coronarianas agudas, insuficiência cardíaca, arritmias e emergências hipertensivas).
  2. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA (SBC). Diretriz de Emergências Cardiovasculares – 2020. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, São Paulo, v. 116, n. 4, p. 869-913, abr. 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abc/a/S8fW4zY9wJ5c7bT3tV2xG7/?lang=pt
  3. BRUNNER, Lillian S. Tratado de enfermagem médico-cirúrgica. 14. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018. Disponível em: https://www.elsevier.com/pt-br/books/tratado-de-enfermagem-medico-cirurgica/brunner/9788535284957
  4. SMELTZER, Suzanne C.; BARE, Brenda G. Enfermagem médico-cirúrgica. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016. Disponível em: https://www.livrariakoogan.com.br/enfermagem-medico-cirurgica-2v-9788527732653
  5. SILVA, Cláudia Maria S. da et al. Enfermagem em emergência e terapia intensiva. São Paulo: Yendis, 2020. Disponível em: https://www.editorayendis.com.br/enfermagem-em-emergencia-e-terapia-intensiva

Descolamento Prematuro da Placenta (DPP) vs. Placenta Prévia

Duas das complicações mais graves na gravidez são o descolamento prematuro da placenta (DPP) e a placenta prévia. Ambas colocam em risco a vida da mãe e do bebê, mas têm causas, sintomas e abordagens diferentes.

Entenda as diferenças e os cuidados essenciais de enfermagem neste guia completo!

O Que é Descolamento Prematuro da Placenta (DPP)?

DPP ocorre quando a placenta se separa parcial ou totalmente da parede uterina antes do parto, comprometendo a oxigenação fetal.

Principais Características:

✔ Causas: Hipertensão, trauma abdominal, tabagismo, gravidez múltipla

Sintomas:

  • Sangramento vaginal (pode ser oculto)
  • Dor abdominal intensa e contínua
  • Útero rígido e doloroso
  • Sinais de sofrimento fetal

✔ Riscos:

  • Hemorragia materna
  • Parto prematuro
  • Óbito fetal

O Que é Placenta Prévia?

placenta prévia acontece quando a placenta se implanta parcial ou totalmente sobre o colo do útero, obstruindo o canal de parto.

Principais Características:

✔ Causas: Cesáreas anteriores, curetagens, idade materna avançada

Sintomas:

  • Sangramento vaginal indolor (geralmente no 3º trimestre)
  • Sangramento pode ser intenso e recorrente

✔ Riscos:

  • Hemorragia grave
  • Parto prematuro
  • Necessidade de cesárea

Diferenças Entre DPP e Placenta Prévia

Característica Descolamento de Placenta (DPP) Placenta Prévia
Localização Placenta se solta do útero Placenta cobre o colo do útero
Sangramento Pode ser oculto ou externo Sangramento vermelho vivo, indolor
Dor Intensa e contínua Geralmente ausente
Fatores de Risco Hipertensão, trauma Cesáreas anteriores, idade materna avançada

Cuidados de Enfermagem

Para Descolamento de Placenta (DPP)

✅ Monitorização contínua:

  • Sinais vitais maternos (PA, FC, saturação)
  • Avaliação fetal (CTG – cardiotocografia)

✅ Preparo para emergências:

  • Acesso venoso calibroso
  • Hemograma e coagulação (risco de coagulopatia)

✅ Suporte emocional:

  • A mãe pode estar ansiosa ou em pânico

Para Placenta Prévia

✅ Repouso absoluto:

  • Evitar esforços e relações sexuais

✅ Controle de sangramento:

  • Observar quantidade e características do sangue

✅ Preparo para cesárea:

  • A maioria dos casos exige parto cirúrgico

Quando Procurar Ajuda?

⚠ Sinais de alerta:

  • Sangramento vaginal intenso
  • Dor abdominal forte
  • Diminuição dos movimentos fetais

Se algum desses sintomas aparecer, procure um hospital imediatamente!

Tanto o descolamento de placenta quanto a placenta prévia são emergências obstétricas que exigem atenção médica imediata. O papel da enfermagem é crucial no monitoramento, suporte e preparo para intervenções rápidas, garantindo a segurança da mãe e do bebê.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Gestação de Alto Risco. Brasília, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br
  2. CUNNINGHAM, F. G. et al. Williams Obstetrics. 25. ed. McGraw-Hill, 2018. Disponível em: https://accessmedicine.mhmedical.com/
  3. ROJO, A. P. et al. Placenta previa and placental abruption: contemporary management strategies. Journal of Perinatal Medicine, v. 50, n. 3, p. 321-330, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1515/jpm-2021-0500

Classificação de Fios de Sutura

Os fios de sutura são materiais essenciais em procedimentos cirúrgicos, utilizados para aproximar tecidos e promover a cicatrização.

Com uma variedade de tipos disponíveis, a escolha do fio de sutura adequado depende das características do tecido, do tipo de cirurgia e do tempo necessário para a cicatrização.

Nesta publicação, vamos explorar a classificação dos fios de sutura, citando exemplos de acordo com sua origem (sintéticos e naturais), estrutura (monofilamentares e multifilamentares) e capacidade de absorção (absorvíveis e não absorvíveis).

Classificação dos Fios de Sutura

Fios Sintéticos vs. Fios Naturais

Os fios de sutura podem ser classificados de acordo com sua origem em sintéticos ou naturais.

Fios Sintéticos

  • Exemplos: Poliglactina (Vicryl), Polidioxanona (PDS), Polipropileno (Prolene), Nylon.
  • Características: Produzidos a partir de materiais artificiais, são menos propensos a causar reações alérgicas e têm maior consistência em termos de força e durabilidade.
  • Aplicações: Amplamente utilizados em cirurgias gerais, plásticas e ortopédicas.

Fios Naturais

  • Exemplos: Seda, Catgut (feito a partir de submucosa intestinal de animais).
  • Características: São biodegradáveis e têm boa manipulação, mas podem causar reações inflamatórias em alguns pacientes.
  • Aplicações: Usados em cirurgias onde a reabsorção natural é desejada, como em tecidos subcutâneos.

Fios Monofilamentares vs. Fios Multifilamentares

A estrutura do fio de sutura também é um critério importante para sua classificação.

Fios Monofilamentares

  • Exemplos: Polipropileno (Prolene), Polidioxanona (PDS), Nylon.
  • Características: Compostos por um único filamento, são lisos e menos propensos a abrigar microrganismos.
  • Aplicações: Ideais para suturas em tecidos sensíveis, como vasos sanguíneos e pele.

Fios Multifilamentares

  • Exemplos: Poliglactina (Vicryl), Seda.
  • Características: Compostos por múltiplos filamentos trançados, oferecem maior força tênsil e facilidade de manipulação.
  • Aplicações: Usados em tecidos que exigem maior sustentação, como músculos e fáscia.

Fios Absorvíveis vs. Fios Não Absorvíveis

A capacidade de absorção do fio de sutura é outro fator crucial na escolha do material.

Fios Absorvíveis

  • Exemplos: Poliglactina (Vicryl), Polidioxanona (PDS), Catgut.
  • Características: São degradados pelo organismo ao longo do tempo, eliminando a necessidade de remoção.
  • Aplicações: Usados em tecidos internos, como músculos, submucosa e órgãos, onde a remoção do fio seria difícil ou desnecessária.

Fios Não Absorvíveis

  • Exemplos: Polipropileno (Prolene), Nylon, Seda.
  • Características: Não são degradados pelo organismo e precisam ser removidos após a cicatrização.
  • Aplicações: Utilizados em suturas cutâneas, onde a remoção é fácil, ou em tecidos que exigem suporte prolongado, como tendões.

Escolha do Fio de Sutura Adequado

A seleção do fio de sutura depende de vários fatores, incluindo:

  • Tipo de Tecido: Tecidos delicados, como pele e vasos, exigem fios monofilamentares, enquanto tecidos mais resistentes, como músculos, podem ser suturados com fios multifilamentares.
  • Tempo de Cicatrização: Fios absorvíveis são ideais para tecidos que cicatrizam rapidamente, enquanto fios não absorvíveis são usados quando o suporte prolongado é necessário.
  • Risco de Infecção: Fios sintéticos e monofilamentares são preferíveis em áreas com maior risco de infecção.

Cuidados de Enfermagem no Manejo de Suturas

A equipe de enfermagem desempenha um papel fundamental no cuidado pós-operatório de pacientes com suturas. Aqui estão algumas orientações:

  1. Monitoramento da Ferida: Observe sinais de infecção, como vermelhidão, inchaço ou secreção.
  2. Troca de Curativos: Realize a troca de curativos conforme orientação médica, mantendo a ferida limpa e seca.
  3. Remoção de Suturas: Em caso de fios não absorvíveis, siga o cronograma de remoção indicado pelo médico.
  4. Educação do Paciente: Oriente sobre os cuidados com a ferida e sinais de alerta que exigem retorno ao médico.

A classificação dos fios de sutura é essencial para garantir o sucesso de procedimentos cirúrgicos e a recuperação adequada dos pacientes. Compreender as características de cada tipo de fio permite aos profissionais de saúde escolher o material mais adequado para cada situação.

Referência:

  1. UNIFASE. “Suturas: tipos, definições, técnicas e mais um resumo de tudo que um estudante de medicina precisa saber.” Disponível em: https://www.unifase-rj.edu.br/suturas-tipos-definicoes-tecnicas-e-mais-um-resumo-de-tudo-que-um-estudante-de-medicina-precisa-saber.

O que faz um Enfermeiro Nefrologista?

Se você se encanta pela complexidade do corpo humano e se sente motivado a cuidar de pacientes com necessidades específicas, a nefrologia pode ser uma especialidade da enfermagem que te atraia.

Lidar com a doença renal crônica e suas diversas modalidades de tratamento exige um conhecimento aprofundado e uma visão holística do paciente. E no centro desse cuidado, encontramos o enfermeiro nefrologista, um verdadeiro maestro que coordena a assistência e promove a qualidade de vida daqueles que enfrentam desafios renais.

Quer saber o que esse profissional faz no dia a dia? Então, embarque com a gente nessa jornada pelo universo da enfermagem nefrológica!

Navegando pelo Mundo da Nefrologia: Uma Visão Abrangente

A nefrologia é um campo vasto que abrange desde a prevenção e o diagnóstico precoce das doenças renais até o acompanhamento de pacientes em tratamento conservador, diálise (hemodiálise e diálise peritoneal) e pós-transplante renal. O enfermeiro nefrologista atua em todas essas etapas, sendo um ponto de referência para o paciente, sua família e a equipe multidisciplinar.

Sua expertise vai além da técnica, envolvendo educação, suporte emocional e a coordenação de um plano de cuidados individualizado.

O Enfermeiro Nefrologista em Ação: Um Leque de Responsabilidades

O dia a dia de um enfermeiro em nefrologia é dinâmico e multifacetado, com responsabilidades que abrangem diversas áreas:

  • Avaliação Integral do Paciente: O enfermeiro realiza uma avaliação completa do paciente renal, considerando não apenas os aspectos clínicos da doença, mas também seu histórico de saúde, estilo de vida, necessidades psicossociais, nível de conhecimento sobre a condição e adesão ao tratamento. Essa avaliação é a base para o planejamento do cuidado.
  • Elaboração e Implementação do Plano de Cuidados: Com base na avaliação, o enfermeiro desenvolve um plano de cuidados individualizado, estabelecendo metas, definindo intervenções de enfermagem e monitorando a resposta do paciente ao tratamento. Esse plano abrange desde os cuidados diretos até a educação para o autocuidado.
  • Gerenciamento do Acesso Vascular: Para pacientes em hemodiálise, o acesso vascular (fístula arteriovenosa, cateter) é a “linha de vida”. O enfermeiro é responsável por avaliar a funcionalidade desse acesso, realizar curativos complexos, orientar a equipe técnica e o paciente sobre os cuidados específicos e identificar precocemente sinais de complicações como infecção ou trombose.
  • Coordenação da Sessão de Hemodiálise: O enfermeiro supervisiona todo o processo da hemodiálise, desde a preparação do material e do equipamento até o acompanhamento do paciente durante a sessão e os cuidados pós-diálise. Ele monitora os sinais vitais, identifica e intervém em possíveis intercorrências (hipotensão, hipertensão, cãibras, etc.) e garante a segurança do paciente durante o procedimento.
  • Manejo da Diálise Peritoneal: Para pacientes que realizam diálise peritoneal, o enfermeiro é responsável por educar o paciente e a família sobre a técnica, auxiliar nos primeiros procedimentos, monitorar a ocorrência de complicações (peritonite, vazamentos), ajustar o plano de tratamento em conjunto com o médico e oferecer suporte contínuo.
  • Administração de Medicamentos: O enfermeiro administra medicamentos por diversas vias, incluindo a via intravenosa durante a hemodiálise, e precisa ter um conhecimento aprofundado sobre as medicações utilizadas em nefrologia, suas doses, efeitos colaterais e interações.
  • Educação para o Autocuidado: Um dos pilares do cuidado em nefrologia é capacitar o paciente a gerenciar sua condição de forma autônoma. O enfermeiro desenvolve programas de educação individual e em grupo, abordando temas como dieta renal, controle de líquidos, uso correto de medicamentos, cuidados com o acesso vascular ou cateter peritoneal, reconhecimento de sinais de alerta e importância da adesão ao tratamento.
  • Suporte Emocional e Psicológico: Lidar com a doença renal crônica e a dependência de tratamentos como a diálise pode gerar ansiedade, medo e depressão. O enfermeiro oferece suporte emocional ao paciente e sua família, utilizando habilidades de comunicação terapêutica, promovendo a resiliência e, quando necessário, encaminhando para outros profissionais da saúde mental.
  • Atuação na Equipe Multidisciplinar: O enfermeiro integra a equipe multidisciplinar, que inclui médicos nefrologistas, técnicos de enfermagem, nutricionistas, assistentes sociais, psicólogos e outros profissionais. Ele participa de discussões de caso, colabora na definição do plano de tratamento e atua como um elo entre os diferentes membros da equipe.
  • Gestão e Liderança: Em algumas instituições, o enfermeiro nefrologista também pode exercer funções de gestão, coordenando equipes, elaborando protocolos, participando de programas de qualidade e desenvolvendo pesquisas na área.

O Cuidado de Enfermagem na Essência da Nefrologia

O cuidado de enfermagem em nefrologia é pautado em princípios como a individualidade do paciente, a promoção da autonomia, o respeito à dignidade e a busca pela melhor qualidade de vida possível. Algumas áreas de cuidado se destacam:

  • Manejo do Volume Hídrico: O enfermeiro monitora rigorosamente o balanço hídrico, o peso do paciente, a pressão arterial e os sinais de sobrecarga ou depleção de volume, ajustando as intervenções conforme necessário (restrição hídrica, administração de diuréticos, ajuste do ultrafiltração na diálise).
  • Controle dos Eletrólitos: Alterações nos níveis de eletrólitos como potássio, fósforo e cálcio são comuns em pacientes renais e podem ter consequências graves. O enfermeiro monitora os resultados dos exames laboratoriais, administra medicações para corrigir essas alterações e orienta o paciente sobre a dieta.
  • Prevenção e Manejo da Anemia: A anemia é uma complicação frequente da doença renal crônica. O enfermeiro monitora os níveis de hemoglobina, administra eritropoetina conforme prescrição e orienta o paciente sobre a importância da adesão ao tratamento.
  • Prevenção e Cuidado da Doença Ósseo-Mineral: As alterações no metabolismo do cálcio e do fósforo podem levar a problemas ósseos. O enfermeiro administra medicações específicas, monitora os exames e orienta o paciente sobre a dieta e a importância da atividade física.
  • Prevenção de Infecções: Pacientes renais, especialmente aqueles em diálise, têm maior risco de infecções. O enfermeiro implementa medidas rigorosas de controle de infecção, principalmente no manejo do acesso vascular e do cateter peritoneal, e educa o paciente sobre sinais de alerta.
  • Promoção do Bem-Estar e da Qualidade de Vida: O enfermeiro busca estratégias para minimizar o impacto da doença renal na vida do paciente, incentivando a participação em atividades sociais, o apoio familiar e a busca por recursos que melhorem seu bem-estar físico e emocional.

Uma Carreira Dedicada ao Cuidado Renal

A enfermagem em nefrologia é uma área desafiadora, mas extremamente gratificante. O enfermeiro tem a oportunidade de construir um relacionamento de longo prazo com seus pacientes, acompanhando sua jornada e fazendo uma diferença real em suas vidas.

Se você busca uma especialidade que combine conhecimento técnico, habilidades de comunicação, empatia e a capacidade de coordenar um cuidado complexo, a nefrologia pode ser o seu caminho na enfermagem.

Referências:

  1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENFERMAGEM EM NEFROLOGIA (SOBEN). Diretrizes para a Prática Clínica em Enfermagem em Nefrologia. [S. l.]: SOBEN, [ano da publicação mais recente]. (Consultar capítulos sobre as atividades do enfermeiro). Disponível em: https://www.soben.org.br/
  2. SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEFROLOGIA (SBN). Diretrizes Clínicas. [S. l.]: SBN,  Disponível em: https://sbn.org.br/
  3. NANDA INTERNATIONAL. Diagnósticos de Enfermagem da NANDA-I: Definições e Classificação 2021-2023. 12. ed. Porto Alegre: Artmed, 2021.

Controle de Hemorragia Externa

Encontrar alguém com um sangramento intenso pode ser assustador, mas manter a calma e saber como agir nos primeiros momentos é crucial.

Para nós, futuros profissionais de enfermagem, dominar as técnicas de controle de hemorragia externa a nível de primeiros socorros é uma habilidade essencial que pode fazer toda a diferença entre a vida e a morte. Vamos juntos desmistificar o tema e aprender como intervir de forma eficaz?

A Urgência da Situação: Por Que Controlar o Sangramento é Prioridade

Quando ocorre um sangramento externo significativo, o corpo perde sangue rapidamente. Essa perda pode levar a uma diminuição perigosa do volume sanguíneo, comprometendo a oxigenação dos órgãos vitais e evoluindo para um choque hipovolêmico, uma condição grave que pode ser fatal.

Por isso, o controle da hemorragia externa é uma das prioridades máximas nos primeiros socorros. Agir rápido e corretamente pode estabilizar a vítima até a chegada de ajuda médica especializada.

A Primeira Linha de Defesa: Compressão Direta – Simples, Mas Poderosa

A técnica mais básica e, na maioria das vezes, a mais eficaz para controlar uma hemorragia externa é a compressão direta sobre o ferimento. A ideia é simples: aplicar pressão diretamente no local do sangramento para tentar estancar o fluxo sanguíneo.

Como fazer:

  1. Proteja-se: Se possível, utilize luvas descartáveis para evitar o contato direto com o sangue da vítima e se proteger de possíveis contaminações. Se não houver luvas, utilize um saco plástico limpo ou peça para a própria vítima pressionar o ferimento, caso ela esteja consciente e capaz.
  2. Exponha o ferimento: Remova ou corte as roupas ao redor da área lesionada para visualizar o local exato do sangramento.
  3. Aplique pressão: Utilize um pano limpo, gaze ou até mesmo a mão (se não houver mais nada disponível) para pressionar firmemente sobre o ferimento. A pressão deve ser contínua e direta no ponto onde o sangue está saindo.
  4. Mantenha a pressão: Não alivie a pressão até que o sangramento pare ou até que a equipe de emergência chegue e assuma os cuidados. Se o pano ficar encharcado de sangue, não o remova. Coloque outro pano limpo por cima e continue pressionando.
  5. Eleve o membro: Se a lesão for em um braço ou perna, eleve o membro acima do nível do coração da vítima, enquanto mantém a compressão direta. A elevação ajuda a diminuir a pressão sanguínea na área ferida, auxiliando no controle do sangramento.

Quando a Compressão Direta Não Basta: Compressão Indireta ou Pontos de Pressão

Em alguns casos, a compressão direta pode não ser suficiente para controlar um sangramento arterial intenso, especialmente em membros. Nesses casos, podemos recorrer à compressão indireta ou à aplicação de pressão em pontos de pressão. Esses pontos são artérias principais que irrigam a área ferida e que podem ser comprimidas contra um osso, interrompendo ou diminuindo o fluxo sanguíneo para a lesão.

Pontos de pressão importantes:

  • Artéria Braquial: Localizada na parte interna do braço, entre o cotovelo e a axila. Para comprimi-la, pressione com os dedos contra o osso úmero. É utilizada para controlar sangramentos no braço e na mão.
  • Artéria Femoral: Localizada na virilha. Para comprimi-la, pressione com a base da palma da mão ou com o punho cerrado contra o osso pélvico. É utilizada para controlar sangramentos na perna e no pé.

Como fazer:

  1. Localize o ponto de pressão: Identifique a artéria correta, seguindo as referências anatômicas.
  2. Aplique pressão: Pressione firmemente a artéria contra o osso subjacente. A pressão deve ser forte o suficiente para diminuir ou interromper o pulso na artéria distal à compressão e, consequentemente, reduzir o sangramento.
  3. Mantenha a pressão: Continue pressionando o ponto de pressão enquanto mantém a compressão direta sobre o ferimento, se possível, até que o sangramento seja controlado ou a ajuda especializada chegue.

A Última Opção: Torniquete – Uso Cauteloso em Casos Extremos

O torniquete é um dispositivo que interrompe completamente o fluxo sanguíneo para um membro. Seu uso é reservado para situações de hemorragia grave e com risco imediato de morte, quando a compressão direta e a compressão indireta não foram eficazes ou não são possíveis (por exemplo, em amputações traumáticas ou sangramentos múltiplos e severos no mesmo membro).

Importante: O torniquete é uma medida extrema e pode causar danos graves ao membro se aplicado por tempo prolongado. Seu uso deve ser considerado como último recurso e apenas quando a vida da vítima está em risco iminente devido à perda de sangue.

Como improvisar um torniquete (se um torniquete comercial não estiver disponível):

  1. Utilize um pano resistente: Escolha um tecido forte e largo (pelo menos 5 cm de largura), como uma tira de roupa, um cinto ou um pedaço de lençol. Evite materiais finos que possam cortar a pele.
  2. Posicione acima do ferimento: Coloque o pano cerca de 5 a 7,5 cm (dois a três dedos) acima do local do sangramento, entre o ferimento e o tronco (ou a articulação mais próxima, se o ferimento estiver próximo a ela).
  3. Amarre firmemente: Dê duas voltas apertadas com o pano ao redor do membro e faça um nó simples.
  4. Utilize um bastão para torcer: Coloque um bastão resistente (um galho, uma caneta grossa, uma chave de fenda) sobre o nó e amarre-o com as pontas do pano.
  5. Torça até estancar o sangramento: Gire o bastão até que o sangramento pare completamente.
  6. Fixe o bastão: Prenda o bastão no lugar para que não se desenrole.
  7. Marque o horário: É crucial anotar o horário exato em que o torniquete foi aplicado e informar essa informação à equipe de emergência.

Cuidados importantes com o torniquete:

  • Não afrouxe o torniquete: Uma vez aplicado, o torniquete só deve ser removido por profissionais de saúde qualificados. Afrouxá-lo pode liberar toxinas e agravar o choque.
  • Mantenha o torniquete visível: Não cubra o torniquete com roupas ou curativos.
  • Informe a equipe de emergência: Comunique imediatamente a aplicação do torniquete e o horário em que foi realizado.

O Papel Crucial da Enfermagem nos Primeiros Socorros

Embora estejamos focando nas técnicas de primeiros socorros, é importante lembrar que, como futuros profissionais de enfermagem, nosso conhecimento e habilidades vão muito além da intervenção inicial. Nosso papel inclui:

  • Educação da comunidade: Ensinar a população sobre as medidas básicas de controle de hemorragia.
  • Avaliação e tratamento avançado: Ao chegarmos ao local ou recebermos a vítima, realizaremos uma avaliação completa, identificando a causa e a gravidade da hemorragia, e implementaremos medidas mais avançadas para estabilização e tratamento.
  • Cuidados pós-hemorragia: Monitorar sinais de choque, avaliar a perfusão tecidual, administrar fluidos e hemoderivados conforme a prescrição médica, e cuidar das feridas para prevenir infecções.
  • Suporte emocional: Oferecer apoio emocional à vítima e seus familiares durante e após o evento traumático.

Dominar as técnicas de controle de hemorragia externa nos primeiros socorros é um passo fundamental em nossa jornada como profissionais de saúde. Estar preparados para agir em situações de emergência pode salvar vidas e minimizar sequelas.

Lembre-se: a calma, a rapidez e a aplicação correta das técnicas são seus maiores aliados.

Referências:

  1. AMERICAN COLLEGE OF SURGEONS. ATLS: Advanced Trauma Life Support Student Manual. 10th ed. Chicago: American College of Surgeons, 2018. 
  2. NATIONAL ASSOCIATION OF EMERGENCY MEDICAL TECHNICIANS (NAEMT). PHTLS: Prehospital Trauma Life Support. 9th ed. Burlington, MA: Jones & Bartlett Learning, 2018.
  3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR (SOBRAP). Diretrizes Nacionais de Atendimento Pré-Hospitalar. [S. l.]: SOBRAP, 2016. (Consultar seção sobre hemorragias). Disponível em: https://sobraponline.com.br/diretrizes/

Programa Nacional de Imunizações (PNI)

Você já parou para pensar em como a vida seria sem as vacinas? Graças ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), muitas doenças que antes causavam epidemias e até mesmo a morte, hoje são controladas ou erradicadas no Brasil.

O que é o PNI?

O PNI é um programa do governo brasileiro que garante o acesso gratuito a todas as vacinas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para a população. Ele foi criado em 1973 com o objetivo de coordenar as ações de imunização em todo o país, garantindo assim a saúde da população.

Por que o PNI é tão importante?

Proteção individual e coletiva

 As vacinas protegem não só quem as recebe, mas também pessoas mais vulneráveis, como crianças pequenas, idosos e imunocomprometidos. Ao vacinarmos um grande número de pessoas, criamos uma barreira de proteção contra a disseminação de doenças.

Erradicação de doenças

 Graças ao PNI, doenças como a varíola foram completamente erradicadas no Brasil. Outras, como a poliomielite, estão muito próximas da erradicação.

Redução de custos

 A prevenção de doenças através da vacinação é muito mais barata do que o tratamento de doenças graves.

Melhora da qualidade de vida

 A prevenção de doenças permite que as pessoas tenham uma vida mais saudável e produtiva.

Como funciona o PNI?

O PNI trabalha em diversas frentes para garantir a imunização da população:

  • Calendário vacinal: Um guia completo com todas as vacinas que cada pessoa deve tomar em cada fase da vida.
  • Campanhas de vacinação: Ações intensificadas em determinados períodos para garantir a cobertura vacinal contra doenças sazonais, como a gripe.
  • Vigilância epidemiológica: Monitoramento constante da situação vacinal da população e da ocorrência de doenças.
  • Educação em saúde: Divulgação de informações sobre a importância da vacinação e esclarecimento de dúvidas.

Quais são os desafios do PNI?

Apesar de todos os seus sucessos, o PNI ainda enfrenta alguns desafios, como:

Hesitação vacinal

 Um crescente número de pessoas tem se mostrado relutante em vacinar seus filhos ou a si mesmos, devido a informações falsas ou incompletas sobre as vacinas.

Desigualdades regionais

 A cobertura vacinal ainda é desigual em diferentes regiões do país, principalmente em áreas mais remotas.

Novas doenças

O surgimento de novas doenças e a constante evolução dos vírus exigem a atualização constante do calendário vacinal.

O que você pode fazer?

  • Vacine-se: A melhor forma de se proteger e proteger as pessoas ao seu redor é mantendo o seu calendário vacinal em dia.
  • Informe-se: Busque informações sobre as vacinas em fontes confiáveis, como o site do Ministério da Saúde.
  • Compartilhe informações corretas: Ajude a combater a desinformação sobre as vacinas, compartilhando informações precisas com seus amigos e familiares.
  • Incentive a vacinação: Converse com as pessoas ao seu redor sobre a importância da vacinação e incentive-as a levarem seus filhos para se vacinar.

O PNI é um programa fundamental para a saúde pública brasileira. Ao se vacinar, você está contribuindo para um futuro mais saudável para você e para todos nós.

Referências:

  1. Ministério da Saúde
  2. Domingues, C. M. A. S., Maranhão, A. G. K., Teixeira, A. M., Fantinato, F. F. S., & Domingues, R. A. S.. (2020). 46 anos do Programa Nacional de Imunizações: uma história repleta de conquistas e desafios a serem superados. Cadernos De Saúde Pública, 36, e00222919. https://doi.org/10.1590/0102-311X00222919