Caneta para aplicação de Insulinas

As canetas utilizadas para a aplicação de insulina são bem fáceis de usar, e são cada vez mais conhecidas por quem tem diabetes, pelas inúmeras vantagens que elas trazem.

Vantagens

Não exigem refrigeração, o dispositivo pode ser transportado em bolsas e malas, e até nos bolsos das camisas. Por proporcionar mais segurança para ajustar dosagens pequenas, as canetas figuram entre as principais escolhas para os pais de crianças, que precisam de aplicações regulares de insulina.

As canetas aplicadoras de insulina como foram desenvolvidas para simplificar o controle da glicose no sangue por meio da auto administração de doses de insulina em pacientes diabéticos.

Para pacientes que façam uso de mais de um tipo de insulina, é recomendável o uso de uma caneta diferente para cada tipo, evitando quaisquer problemas decorrentes do mau uso do medicamento.

Por uma questão de higiene, tanto a seringa quanto a caneta utilizam agulhas descartáveis, que devem ser trocadas após cada aplicação de insulina.

Existem basicamente dois tipos de canetas comercializadas: as permanentes, que podem ser utilizadas repetidas vezes; e as descartáveis, que são vendidas juntamente com o refil de insulina. Quando acabar o hormônio, você pode descartar a caneta também.

Caneta para insulina NPH: entenda as diferenças

Os refis de insulina, ou as canetas descartáveis, vêm carregados com 3ml de insulina, diferente dos frascos de 10ml usados nas seringas.

Os tipos de insulina também variam: a insulina regular é a insulina de rápida absorção, e é transparente; enquanto a NPH é uma insulina leitosa intermediária. Ambas podem ser aplicadas por meio das canetas.

Cuidados com o uso da Caneta

Para o paciente

Selecionando sua dose

  • Retire a tampa da caneta.
  • Gire para fora o suporte do carpule.
  • Segure o suporte preto do carpule de insulina e deslize para dentro do suporte.
  • Gire o suporte do carpule para dentro da caneta até sentir ou ouvir um clique.
  • Pegue uma nova agulha e retire o selo de proteção.
  • Empurre a agulha na direção da caneta e rosqueie até que esteja firme.
  • Retire com cuidado a tampa interna da agulha e descarte.
  • Puxe o botão seletor de dose, caso ele já não esteja para fora.
  • Certifique-se de que o contador de dose mostra “0” antes de você começar.
  • Gire o botão seletor de dose para selecionar a dose que você precisa.
  • Cheque a cor e o nome do seu carpule de insulina para ter certeza de que este contém o tipo correto de insulina.

Injetando sua dose

  • Insira a agulha sob sua pele e pressione o botão seletor de dose até que o contador de dose mostre o número 0 (zero).
  • Deixe a agulha sob sua pele até o contador de dose ter retornado ao “0” e conte lentamente até 6.
  • Remova e descarte a agulha imediatamente.
  • Recoloque a tampa da caneta após cada uso para proteger a insulina da luz.
  • Armazene sua caneta cuidadosamente.

Limpeza

  • Apenas limpe sua caneta com um tecido macio umedecido com água. Não lave, mergulhe, lubrifique ou utilize produtos alvejantes como cloro, iodo ou álcool para limpar a sua caneta. Isso pode danificá-la.
  • Se houver insulina do lado de fora da sua caneta, limpe-a antes de secar com um tecido macio umedecido com água.

Armazenamento

  • Não guarde a caneta com a agulha rosqueada.
  • Não congele, armazene na geladeira ou próximo a um compartimento de refrigeração.
  • Guarde a caneta em seu estojo, quando possível.

Descarte

  • Descarte sua caneta conforme instruído pelo seu profissional da saúde (médico, enfermeiro ou farmacêutico) ou conforme especificações de autoridades locais.
  • Considere o meio-ambiente ao descartar sua caneta, ela contém materiais recicláveis.
  • Certifique-se de ter removido o carpule e a agulha antes do descarte.

Obtenha sua Caneta Gratuita

Você sabia que tem uma caneta de insulina gratuita para seu tratamento? Conhece a caneta preenchida de insulina do SUS?

Então dê uma acessada no site: https://www.canetadasaude.com.br onde informa todos os detalhes da campanha, e como é adquirido gratuitamente em sua região.

Referência:

  1. BD

Luxação, Entorse, Estiramento, Contusão: As Diferenças

Ao praticar exercícios físicos, quando estamos no trabalho ou, mesmo, cumprindo tarefas rotineiras, estamos sujeitos a sofrer uma lesão como entorse, contusão, estiramento e luxação. Todas essas condições precisam ser diagnosticadas corretamente para receber o cuidado adequado.

No entanto, esses problemas são comumente confundidos, seja em função dos seus sintomas ou porque o conceito é aplicado de forma errada. Foi pensando nisso que preparamos este artigo para explicar quais são as diferenças entre eles.

O que é Luxação?

A luxação ocorre somente nas articulações. Essa lesão faz com que os ossos que se encontram desloquem, ficando posicionados do modo errado. É muito comum que a luxação aconteça nos tornozelos, ombros, cotovelos, joelhos, quadris, dedos e mandíbula.

A pessoa que sofre uma luxação não consegue realizar movimentos, uma vez que os ossos não estão se encontrando adequadamente na articulação. Por isso, ela precisa receber tratamento profissional, pois o cuidado inadequado pode causar danos aos nervos e tendões.

Essa lesão pode acontecer em função de um movimento malfeito, uma pancada, acidente, queda ou qualquer outra situação que venha forçar a articulação e faça com que os ossos se movimentem e se desencontrem.

Sintomas

A luxação provoca uma dor muito intensa na articulação afetada e pode irradiar pelo membro ou região do corpo, em função de dano ao nervo. Outros sintomas que se manifestam são o inchaço, hematoma, limitação ou impossibilidade de movimentos e deformidade.

O que é um Entorse?

A entorse, popularmente conhecida como torção, é um tipo de lesão que afeta os tecidos fibrosos que fazem a conexão de dois ossos na articulação. É comumente provocada por um movimento atípico, em geral, rotacional. Por isso, costumamos dizer que torcemos o tornozelo ou o pulso, por exemplo.

Quando ocorre essa movimentação inadequada, os ligamentos podem sofrer um estiramento, que ocorre quando o tecido se estica além da sua capacidade. Como consequência, pode acontecer a ruptura parcial ou total deles.

A entorse resulta de movimentos inadequados ou exagerados de uma articulação. Também pode ser o resultado da falta de aquecimento antes da prática de exercícios, ou um preparo físico deficiente para aquela atividade.

Sintomas

A pessoa que sofre uma entorse sente uma dor intensa no local lesionado, bem como pode perceber a formação de edema, inchaço e vermelhidão na pele. O local fica sensível, existe a possibilidade de inflamar e, muitas vezes, há dificuldade para realizar movimentos. Em casos mais graves também pode ser notada uma deformidade e hematoma.

O que é um Estiramento?

O estiramento muscular é a lesão que acontece quando existe ruptura das fibras musculares, sendo mais comum após um esforço físico excessivo que acabe esticando demasiado o músculo.

Assim que acontece o estiramento, a pessoa pode sentir uma dor intensa no local da lesão, além de também poder notar diminuição da força muscular e da flexibilidade.

Sintomas

Os principais sintomas de estiramento muscular são:

  • Dor intensa no local do estiramento;
  • Perda de força muscular;
  • Diminuição da amplitude do movimento;
  • Diminuição da flexibilidade.

O estiramento muscular acontece com mais frequência na musculatura da coxa e nas panturrilhas, mas também pode acontecer nas costas e nos braços.

É importante que assim que surgirem sintomas sugestivos de estiramento se consulte um ortopedista ou fisioterapeuta, para que seja avaliada a gravidade da lesão e indicado o tratamento mais adequado.

O que é uma Contusão?

A contusão é um tipo de lesão menos grave do que a entorse porque ela não provoca grandes danos, uma vez que não afeta os ossos nem os ligamentos. É um problema que acontece de forma superficial, afetando somente tecidos moles, como a pele, a camada de gordura, a musculatura e vasos sanguíneos ou linfáticos.

Um tombo ou pancada podem desencadear uma contusão. Sendo assim, quando você bate a perna ou o braço, por exemplo, e o local fica dolorido por um tempo, você sofreu uma lesão desse tipo. Assim que os sintomas cessam, é possível retornar às atividades sem limitações.

Sintomas

É muito difícil encontrar uma pessoa que nunca tenha sofrido uma contusão, e provavelmente isso também já aconteceu com você. Ela provoca sintomas como dor, inchaço, hematoma, vermelhidão e sensação de calor na região afetada. Esses incômodos podem passar em menos ou mais tempo, dependendo da intensidade da pancada sofrida.

Cuidados após sofrer estes tipos de lesões

Se você sofrer uma lesão que apresente sintomas característicos de entorse ou luxação é muito importante manter o local imobilizado e procurar ajuda médica, pois esses dois problemas podem trazer danos mais significativos que exigem atendimento especializado.

No caso da contusão, como ela é uma lesão mais superficial, dificilmente haverá necessidade de procurar um médico. Você mesmo pode se tratar em casa aplicando uma compressa fria no local para aliviar a dor e reduzir o inchaço. De toda forma, se os sintomas persistirem, é importante procurar um especialista.

Para qualquer uma dessas lesões não é recomendado fazer a automedicação. A única medida segura é a aplicação de compressas frias ou usar uma bolsa de gelo no local até que o especialista seja consultado, se preciso.

Também evite tocar o local, massagear ou tentar por conta própria reposicionar os ossos em caso de uma luxação. Isso porque também existe a possibilidade de ter ocorrido uma fratura, condição que somente pode ser tratada por um médico.

Para não sofrer uma entorse, luxação ou contusão é muito importante aquecer corretamente antes da prática de exercícios, respeitar os limites do organismo e usar equipamentos como tornozeleiras e joelheiras. Prevenir uma lesão é fundamental para que você não comprometa nenhuma estrutura do seu corpo, tenha mais saúde e qualidade de vida.

Referências:

  1. Clínica Mayo
  2. Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia
  3. Fundação AO

Veja também:

Tipos de Fraturas Ósseas

Classificação de Fraturas Salter-Harris

Que Medicamento é Esse?: Alteplase

Alteplase é um fármaco utilizado pela medicina como trombolítico, sendo um ativador do plasminogênio tissular. É uma enzima que ajuda na dissolução de coágulos sanguíneos.

Como Funciona?

O Alteplase atua estimulando a dissolução de coágulos, restaurando o fluxo de sangue aos locais atingidos.

Os Efeitos Colaterais

  • Reações muito comuns (ocorrem em 10% dos pacientes que utilizam este medicamento): hemorragia, como hematoma. Especificamente no tratamento do acidente vascular cerebral isquêmico agudo (derrame): hemorragia intracraniana, como hemorragia cerebral e subaracnoidea (sangramentos dentro ou ao redor do cérebro), hematoma cerebral e intracraniano, acidente vascular hemorrágico (derrame com sangramento) e transformação hemorrágica de acidente vascular cerebral (sangramento em um derrame que não envolvia sangramento);
  • Reações comuns (ocorrem entre 1% e 10% dos pacientes que utilizam este medicamento): hemorragia do trato respiratório, como hemorragia faríngea (na garganta); hemorragia gastrintestinal (sangramento do aparelho digestivo), como hemorragia gástrica (no estômago), hemorragia de úlcera gástrica (úlcera do estômago), hemorragia retal (parte final do intestino), hematêmese (vômito de sangue), melena (fezes com sangue), hemorragia bucal (da boca), sangramento gengival (na gengiva), equimose  mancha roxa na pele); hemorragia urogenital, como hematúria (sangue na urina). hemorragia do trato urinário; hemorragia no local da injeção, hemorragia no local da punção, como hemorragia e hematoma no local do cateter. Especificamente no tratamento do infarto agudo do miocárdio e embolia pulmonar maciça: hemorragia intracraniana, como hemorragia cerebral e subaracnoidea, hematoma cerebral e intracraniano, acidente vascular hemorrágico, transformação hemorrágica de acidente vascular cerebral.
  • Reações incomuns (ocorre entre 0,1% e 1% dos pacientes que utilizam este medicamento): hemoptise (escarro com sangue), epistaxe (sangramento nasal), hipotensão (queda da pressão). Especificamente no tratamento do infarto agudo do miocárdio: arritmias após retorno da circulação no coração (batimentos cardíacos desordenados, como arritmias, extrassístole, fibrilação atrial, bloqueio atrioventricular de primeiro grau a total, bradicardia, taquicardia, arritmia ventricular, fibrilação ventricular, taquicardia ventricular), que ocorrem próximo ao tratamento com ACTILYSE.
  • Reações raras (ocorrem entre 0,01% e 0,1% dos pacientes que utilizam este medicamento): reações anafilactoides (alérgicas, que geralmente são leves, mas podem causar risco de vida em casos isolados), podem aparecer como rash (vermelhidão), urticaria (coceira), broncoespasmo (constrição dos brônquios), edema angioneurótico (inchaço da língua, lábios e garganta), hipotensão (queda da pressão arterial), choque (queda abrupta e acentuada da pressão arterial) ou qualquer outro sintoma associado com hipersensibilidade (alergia); hemorragia ocular, hemorragia pericárdica (sangramento ao redor do coração), n o s pulmões e retroperitoneal (na região posterior do abdome, como hematoma retroperitoneal), embolia (formação de coágulos nos vasos sanguíneos, que pode levar às correspondentes consequências nos órgãos envolvidos), náuseas.
  • Reações com frequência desconhecida: sangramento no fígado, vômitos, febre, embolia gordurosa (migração de porções de gordura dentro dos vasos sanguíneos) e transfusão.

Quando é Contraindicado?

  • pacientes com hipersensibilidade conhecida ao princípio ativo alteplase, à gentamicina (resíduo do processo de fabricação) ou a qualquer componente da fórmula;
  • casos em que houver alto risco de hemorragia, tais como:
    • distúrbio hemorrágico significativo no momento ou nos últimos 6 meses, diátese hemorrágica conhecida;
    • pacientes recebendo tratamento anticoagulante oral efetivo (por exemplo, varfarina sódica; INR > 1,3 – vide 5.
  • qualquer histórico de danos ao sistema nervoso central (por exemplo, neoplasia, aneurisma, cirurgia intracraniana ou espinhal);
  • histórico, evidência ou suspeita de hemorragia intracraniana, incluindo hemorragia subaracnoidea;
  • hipertensão arterial grave não controlada;
  • cirurgia de grande porte ou traumatismo grave nos últimos 10 dias (inclusive traumatismo associado ao infarto agudo do miocárdio), traumatismos recentes na cabeça ou crânio;
  • ressuscitação cardiopulmonar prolongada ou traumática (> 2 minutos), parto nos últimos 10 dias, punção recente de um vaso sanguíneo não compressível (por exemplo, na veia jugular ou subclávia);
  • hepatopatias graves, incluindo insuficiência hepática, cirrose, hipertensão portal (varizes esofágicas) e hepatite ativa;
  • endocardite bacteriana, pericardite;
  • pancreatite aguda;
  • doença ulcerativa gastrintestinal relatada nos últimos 3 meses;
  • aneurisma arterial, malformações arteriais/venosas;
  • neoplasia com alto risco de sangramento.
  • Nos casos de infarto agudo do miocárdio e embolia pulmonar maciça, é contraindicado também:
    • acidente vascular cerebral hemorrágico ou acidente vascular cerebral de origem desconhecida a qualquer hora;
    • acidente vascular cerebral isquêmico ou ataque isquêmico transitório (AIT) nos 6 meses anteriores, exceto acidente vascular cerebral isquêmico agudo corrente nas últimas 4,5 horas.
  • Nos casos de acidente vascular cerebral isquêmico agudo, é contraindicado também:
    • aparecimento dos sintomas da isquemia há mais de 4,5 horas antes do início da infusão ou momento do aparecimento dos sintomas desconhecido;
    • sintomas do acidente vascular cerebral isquêmico agudo que estejam melhorando rapidamente ou que sejam apenas leves, antes do início da infusão;
    • acidente vascular cerebral grave demonstrado clinicamente (p. ex. NIHSS > 25) e/ou por técnicas de imagem apropriadas;
    • crise convulsiva no início do acidente vascular cerebral;
    • histórico de acidente vascular cerebral prévio ou traumatismo craniano grave nos últimos 3 meses;
    • combinação de acidente vascular cerebral anterior e diabetes mellitus;
    • administração de heparina dentro de 48 horas antes do acidente vascular cerebral, com aumento do tempo de ativação parcial de tromboplastina (TTPa);
    • contagem de plaquetas menor que 100.000/mm3;
    • pressão sistólica > 185 mmHg, pressão diastólica > 110 mmHg ou necessidade de terapêutica agressiva (medicação intravenosa) para reduzir a pressão arterial a esses limites;
    • glicemia < 50 mg/dL ou > 400 mg/dL.

Os Cuidados de Enfermagem

  • Alteplase não deve ser administrado concomitantemente com outras drogas, através do mesmo frasco de infusão, ou através do mesmo acesso venoso (nem mesmo com a heparina);
  • Evitar o uso de cateteres rígidos;
  • Não se devem administrar doses superiores a 100 mg de Alteplase;
  • Evitar injeções intramusculares durante o tratamento com Alteplase;
  • Evitar manipulações desnecessárias do paciente.

Anemia Perniciosa

A anemia perniciosa é um tipo de anemia megaloblástica causada pela falta da vitamina B12 (ou cobalamina) no organismo.

A anemia perniciosa faz parte do grande grupo de anemias megaloblásticas que são causadas pela deficiência da vitamina B12 no organismo. No entanto, só recebe este nome quando ocorre má absorção desta vitamina no intestino.

A vitamina B12 faz parte do processo de produção dos glóbulos vermelhos e, na sua deficiência, há menor quantidade de hemácias sendo produzidas.

Causas

A anemia perniciosa é causada pela ausência do fator intrínseco,  proteína especial, onde a vitamina B12 se liga para ser absorvida pelo trato gastrointestinal.

A falta do fator intrínseco pode ser causado por gastrite atópica, fatores hereditários, doença celíaca, acidúria metilmalônica (doença hereditária que afeta o metabolismo), cirurgia bariátrica, tratamento da tuberculose com base no ácido para-aminosalicílico e má nutrição na infância.

Existe também a possibilidade de que a ausência do fator intrínseco possa estar relacionada a uma doença autoimune, na qual os anticorpos que deveriam proteger o organismo de agentes invasores acabam por destruir células e tecidos saudáveis do corpo por engano.

Sintomas

As pessoas com anemia perniciosa muitas vezes não apresentam sintomas e algumas vezes os sintomas podem nem ser notados. No entanto, a ausência da vitamina B12 no corpo pode causar diarreia, constipação, fadiga, palidez, déficit de atenção, perda de apetite, inchaço na língua, sangramento da gengiva e dificuldade de respiração.

Além disso, se o paciente permanecer muito tempo com a anemia perniciosa não tratada, outros sintomas e sinais podem aparecer, como confusão mental, depressão, perda de equilíbrio, dormência e formigamento nas mãos e nos pés.

Tratamento

A anemia perniciosa tem cura e o tratamento é focado em aumentar os níveis de vitamina B12 no organismo. O tratamento é feito através da injeção mensal da B12 no organismo. Se o nível de vitamina do paciente for muito baixo, o médico pode recomendar injeções mais de uma vez por mês.

No entanto, algumas pessoas não respondem bem às injeções, desta maneira,  o paciente deve tomar suplementos de vitamina B12 via oral. Além disso, pode ser recomendado o uso de ácido fólico para prevenir consequências neuronais.

É importante também que o paciente consulte um nutricionista para ter uma orientação melhor sobre quais alimentos ingerir. Temos alguns exemplos, são eles: carne vermelha, marisco, ovos e queijo são alimentos ricos em vitamina B12.

Referência:

  1. USP

Técnica Intramuscular em “Z” (Z-track)

A técnica intramuscular em Z ou método em Z (Z-track) cria um ziguezague através dos tecidos, o que veda o trajeto da agulha, para evitar o retorno da medicação. A característica mais importante desse tipo de procedimento é a indicação para medicamentos com ação sistêmica que possuem rápida absorção e doses relativamente grandes podendo chegar até 5 mL nos locais adequados.

O tecido muscular é pouco vascularizado e possui poucos nervos sensitivos, o que possibilita uma ação assistencial que gera menos dor, principalmente para medicamentos que causam reação.

A técnica foi descrita e demonstrada em 1939 por Shaffer e indicada para injeções profundas de medicamentos ou drogas irritantes, como o ferro. Dessa forma a técnica possibilita o não extravasamento de medicamento da localidade, gerando menor desconforto para o paciente, diminuindo lesões na região do local de aplicação.

Indicações e contraindicações

As indicações para a via de administração intramuscular é em relação a medicamentos que são irritantes e são mais viscosas que não sejam absorvidas em outros locais como o sistema digestivo, tecido subcutâneo, intradermico ou inalatório.

As clássicas contraindicações são alguns medicamentos que não reagem bem a administrados nessa via, se a pessoa possuir lesões na pele, doenças crônicas específicas e outras indicações médicas.

Nunca administre medicações por via intramuscular em locais que possuam inflamação ou esteja edemaciados ou apresentado irritação da pele. Locais que contenham lesões ou verrugas também não devem ser utilizados. São descartados os locais que tiverem sinais ou qualquer tipo de injúria tecidual. A avaliação do enfermeiro é fundamental para tal processo.

Cuidados de Enfermagem

Materiais a serem utilizados

  • Cadeira ou leito.
  • Caneta.
  • Gaze e chumaço de algodão com álcool.
  • Frasco ou ampola de medicação.
  • Luvas de procedimento.
  • Seringas de 3 e 5 ml.
  • Agulhas 25×7, 25×8, 30×7 ou 30×8.

Procedimento

  • Verificar com exatidão a prescrição médica.
  • Checar o nome do paciente, medicamento, dose, horário e via de administração.
  • Avaliar possíveis alergias ao medicamento a ser administrado.
  • Verificar a data de validade do medicamento.
  • Realizar higienização das mãos
  • Calçar luvas de procedimento.
  • Preparar de maneira asséptica e correta a dose da medicação a partir da ampola ou frasco;
  • Selecionar a região apropriada para injeção, verificando a existência de equimose, inflamação ou edema.
  • Posicionar a seringa e agulha em ângulo de 90°.
  • Auxiliar o paciente para que se posicione adequadamente.
  • Localizar novamente a região usando pontos anatômicos.
  • Passar o chumaço de algodão do centro para as bordas, aproximadamente 5 cm.
  • Segurar a bola de algodão ou gaze entre o terceiro e quarto dedo da mão não dominante.
  • Remover a capa ou bainha da agulha, puxando-a em linha reta para trás.
  • Posicione a mão não dominante abaixo do local que será administrado o medicamento;
  • Puxe a pele para baixo ou para cima ou de forma lateral com o lado ulnar da mão, mantendo-o dessa forma até o que a agulha seja totalmente introduzida.
  • Introduza a agulha no ângulo de 90º com a mão dominante.
  • Puxar o êmbolo de volta para identificar possível erro de aplicação com o retorno de sangue.
  • Injetar o medicamento de maneira lenta.
  • A agulha deve permanecer por 10 segundos para permitir que o medicamento seja disperso de maneira correta.
  • Retire a agulha e solte a pele, o quê criará um caminho em ziguezague promovendo um tampão que ocluirá o local e não irá permitir que reflua a substância, o que poderia provocar irritação.
  • Aplicar pressão gentilmente.
  • Não massagear a região.
  • Descartar a agulha sem capa ou a agulha envolta em bainha de segurança presa à seringa dentro do recipiente para materiais cortantes e perfurantes.
  • Retirar as luvas.
  • Realizar higienização das mãos.
  • Registrar o procedimento em prontuário.

Observações

Na técnica em z, é importante avaliar o medicamento a ser administrado, o posicionamento do paciente pode gerar a diminuição da dor. Observe sempre a pessoa que a droga será administrada, bem como o tamanho da musculatura e suas peculiaridades.

Avalie o local da aplicação observando dor e endurecimento local. Se a medicação for administrada com frequência, faça rodízio das áreas possíveis.

A administração de medicamentos de forma intramuscular (IM) possui diversas variáveis, por isso a execução deve ser feita pela equipe de enfermagem. Muitas lesões podem ocorrer como a necrose tecidual, contratura muscular e até perda de movimentos que fizeram o procedimento de forma errada.

O deltoide, vasto lateral e glúteo máximo são os que mais sofrem injúrias, já os glúteos mínimos, médio e a musculatura ventroglutea são as melhores e que possuem menor risco de acidentes.

Referências:

  1. Figueiredo, Ana Elizabeth P. L. O papel da enfermagem na administração do ferro por via parenteral The role of nurses in parenteral iron administration. Rev. Bras. Hematol. Hemoter. 2010;32(Supl. 2):129-1;
  2. Potter, Patricia. PERRY, Anne. Fundamentos de enfermagem.7.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2009;
  3. Curado, Ana Carolina de Castro. Fundamentos semiológicos de enfermagem. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2017. 176 p.

Esterilização e seus Tipos

A esterilização é um processo que visa destruir todas as formas de vida microbianas que possam contaminar produtos, materiais e objetos voltados para a saúde. Portanto, são eliminados durante a esterilização organismos como vírus, bactérias fungos.

Dizemos que o processo de esterilização foi eficaz quando a probabilidade de sobrevivência dos microrganismos for menor do que 1:1.000.000.

A esterilização garante:

  • Segurança para pacientes e profissionais
  • Obediência às normas legais estabelecidas pela Anvisa
  • Maior vida útil aos materiais médicos
  • Economia e otimização de recursos

O Processo: Tipos de Esterilização

Existem várias formas de realizar a esterilização. No entanto, a decisão de qual processo utilizar deve ser baseada no tipo de material e no risco de contaminação.

Os métodos de esterilização podem ser divididos em químicos (compostos fenólicos, clorexidina, halogênios, álcoois, peróxidos, óxido de etileno, formaldeído, glutaraldeído e ácido peracético) e físicos (calor, filtração e radiação). Para a escolha do melhor método, deve-se levar em consideração, além da compatibilidade do material, a efetividade, toxicidade, facilidade de uso, custos, entre outros.

Métodos químicos de esterilização

É indicada para artigos críticos e termossensíveis, ou seja, aqueles que não resistem às altas temperaturas dos processos físicos.

Dentre os métodos químicos, alguns deles podem ser utilizados tanto para desinfectar como para esterilizar, depende apenas do tempo de exposição e concentração do agente. Os mais utilizados para produtos laboratoriais e hospitalares são:

  • Óxido de Etileno (ETO): é um gás vastamente utilizado na esterilização de materiais laboratoriais e hospitalares de uso único por causa do seu bom custo/benefício. Sua ação se dá pela reação com uma proteína no núcleo da célula, impedindo a reprodução. Todos os produtos devem ser colocados em embalagens permeáveis a gases para permitir que o ETO penetre. Seu uso não danifica os materiais e pode ser utilizado em vários tipos de materiais, inclusive os termossensíveis. Contudo, ele é altamente tóxico e agressivo ao ambiente externo.
  • Ácido Peracético: tem ação rápida, baixa toxicidade e é biodegradável. Porém, danifica metais. Uma grande vantagem é ser efetivo mesmo na presença de matéria orgânica (ou seja, os materiais não precisam ser previamente limpos). Em compensação, os materiais devem ser utilizados imediatamente após a esterilização por esse método, por isso não é muito utilizado.
  • Peróxido de hidrogênio (água oxigenada): em concentração de 3% e 6% tem ação rápida, é biodegradável e atóxico, mas tem alta ação corrosiva. Sua ação é mais eficaz em capilares hemodializadores e lentes de contato, mas esse processo não é muito utilizado.
  • Formaldeído: pode ser utilizado na forma gasosa e líquida e, para ter ação esporicida, necessita de um longo tempo de exposição. É indicado para cateteres, drenos e tubos, laparoscópios, artroscópios e ventriloscópios, enxertos de acrílico. Por ser carcinogênico e irritante das mucosas, seu uso está mais restrito.
  • Glutaraldeído: líquido com potente ação biocida e pode ser utilizado em materiais termossensíveis, mas necessita de um longo tempo de exposição para ser esporicida. É muito utilizado por ter baixo custo e baixo poder corrosivo, porém é irritante das vias aéreas; pode causar queimaduras na pele, membrana e mucosas; e materiais porosos podem reter o produto. Enxertos de acrílico, cateteres, drenos e tubos de poliestireno são os materiais rotineiramente esterilizados por esse processo.

Métodos físicos de esterilização

A esterilização por processos físicos pode ser através de calor úmido, calor seco ou radiação. A esterilização por radiação tem sido utilizada em nível industrial, para artigos médicos-hospitalares. Ela permite uma esterilização a baixa temperatura, mas é um método de alto custo. Para materiais que resistam a altas temperaturas a esterilização por calor é o método de escolha, pois não forma produtos tóxicos, é seguro e de baixo custo.

  • Radiação ionizante: destrói o DNA formando radicais super-reativos (superóxidos), matando ou inativando os micro-organismos (quando são incapazes de se reproduzir). Muitos materiais são compatíveis com esse tipo de esterilização, pois não há aumento da temperatura nesse processo. Caso dos materiais termossensíveis e tecidos biológicos para transplantes. Apesar de parecer, a radiação não é transmitida para os produtos processados. É um processo livre de resíduos e ecológico, pois não gera emissões tóxicas ou resíduos, além de não causar impactos na qualidade do ar ou da água. Destacaremos dois tipos delas:
    • Radiação Gama: a energia é gerada por fontes de Cobalto 60. Esse processo tem alto poder de penetração, permitindo que os produtos sejam esterilizados já na embalagem final, sem necessidade de manipulação.
    • E-beam (feixe de elétrons): utilizado preferencialmente para o processamento de produtos de alto volume/baixa densidade, como seringas médicas, ou produtos de baixo volume/alto valor, como dispositivos cardiotorácicos. Além disso, pode ser utilizado para produtos biológicos e tecidos. Podem ser esterilizados na embalagem final, pois a radiação E-beam também possui alto poder de penetração. A grande vantagem desse tipo de radioesterilização é que necessita menor tempo de exposição, evitando rompimentos e efeitos de envelhecimento a longo prazo que podem acontecer com polipropileno quando submetido à radiação prolongada
  • Calor úmido (ex.: autoclavagem, fervura e pasteurização): provoca a desnaturação e coagulação das proteínas e fluidificação dos lipídeos. Não pode ser utilizado em materiais termossensíveis, nem para materiais que oxidam com água. A autoclavagem é muito utilizada nos vários setores de serviços da saúde por ser de custo acessível e de fácil utilização. Além disso, consegue esterilizar uma infinidade de materiais, inclusive tecidos e soluções.
  • Calor seco (ex.: estufa, flambagem e incineração): provoca a oxidação dos constituintes celulares orgânicos. Penetra nas substâncias de uma forma mais lenta que o calor úmido e por isso exige temperaturas mais elevadas e tempos mais longos. Não pode ser utilizado para materiais termossensíveis.
  • Filtração: utilizada para soluções e gases termolábeis, quando atravessam superfícies filtrantes com poros bem pequenos, como velas porosas, discos de amianto, filtros de vidro poroso, de celulose, e filtros “millipore” (membranas de acetato de celulose ou de policarbonato).
  • Radiação não-ionizante (ex.: luz UV): altera a replicação do DNA no momento da reprodução. Muito utilizado em lâmpadas germicidas encontradas em centros cirúrgicos, enfermarias, berçários, capelas de fluxo laminar. Tem como desvantagens: baixo poder de penetração e efeitos deletérios sobre a pele e olhos, causando queimaduras graves.

Validação dos processos de esterilização

Indicadores químicos e biológicos servem para verificar se o processo de esterilização está validado. Os indicadores químicos incluem o teste de Bowie e Dick, que testa a eficácia do vácuo na autoclave. Existem os indicadores colocados dentro do pacote, que avalia a penetração do agente esterilizante; e as fitas termocrômicas, que são colocados na parte externa dos pacotes e ficam listradas após a esterilização por calor.

O uso da fita é recomendado em todos os pacotes ou caixas, uma vez que indicam pelo menos se o material passou pelo processo.

Entretanto, os indicadores biológicos são os mais seguros com relação à qualidade da esterilização. Podem ser tiras impregnadas com esporos ou suspensões-padrão de esporos bacterianos, que são submetidos à esterilização juntamente com os materiais a serem processados em autoclaves, estufas e câmaras de irradiação. Terminado o ciclo de esterilização, os indicadores são colocados em meios de cultura adequados para verificação do desenvolvimento destes esporos. Se não houver crescimento, significa que o processo de esterilização está validado.

Atualmente, existem também as tiras de esporos com meio de cultura e ampolas contendo bacilos e meio de cultura líquido (autocontido), que também devem ser processados juntos com o material a ser analisado, para posterior análise após finalizado o ciclo.

Referências:

  1. Orientações gerais para central de esterilização – Ministério da saúde
  2. Irradiação por feixe de elétrons – Sterigenics
  3. Quais as diretrizes básicas de esterilização e desinfecção de artigos clínicos e médico-hospitalares? – Biblioteca virtual em saúde
  4. Monitoramento dos Métodos de Esterilização
  5. Radioesterilização – Instituto de pesquisas energéticas e nucleares
  6. Irradiação por raios gama é alternativa eficiente para esterilização
  7. 9 Tipos de Esterilização de materiais: qual é o mais seguro?
  8. Manual de Biossegurança para serviços de saúde – FIOCRUZ

Teste de Perfusão Capilar ou Tempo de Enchimento Capilar (TEC)

O teste de perfusão capilar ou tempo de enchimento capilar (TEC), é definido como o tempo necessário para que um leito capilar distal recupere sua cor após uma pressão ter sido aplicada para causar seu branqueamento.

Foi introduzido pela primeira vez em 1947 por Beecher et al., usando as categorias normal, definitivamente desacelerado e muito lento, correlacionados com a presença e gravidade do choque.

Em 1980, Champion incluiu a medição do TEC em sua pontuação de trauma e posteriormente foi endossado pelo Colégio Americano de Cirurgia.

O TEC tornou-se amplamente usado em adultos e crianças e foi incorporado às diretrizes de suporte avançado de vida (ACLS) como parte da avaliação cardiopulmonar rápida e estruturada de pacientes críticos.

Em resumo, TEC é uma técnica de exame físico que fornece de uma maneira simples, confiável e rápida, informações sobre adequação da perfusão periférica em adultos e crianças.

Parâmetros

Inicialmente, o limite superior da normalidade para TEC foi definido como 2 segundos, com base nas observações de um membro do corpo clínico que trabalhava com o Dr. Champion . Hoje se considera como normal um valor ≤ 3 segundos. A monitorização deveria ser feita a cada 30 minutos.

Entretanto, nos últimos 30 anos, essa definição, os fatores que afetam o TEC e a validade das medidas têm sido debatidos na literatura.

A medição do TEC envolve a inspeção visual do sangue que retorna aos capilares distais após terem sido esvaziados pela aplicação de pressão. Os princípios fisiológicos da perfusão periférica são complexos.

O quão bem um leito capilar distal é perfundido depende de vários fatores.

Os principais determinantes são o fluxo sanguíneo capilar (um produto da pressão motriz, tônus ​​arteriolar e hemorreologia) e a permeabilidade capilar (refletida pela densidade capilar funcional, o número de capilares em uma determinada área que são preenchidos com glóbulos vermelhos fluindo).

O tônus ​​arteriolar depende de um equilíbrio preciso entre os vasoconstritores (norepinefrina, angiotensina II, vasopressina, endotelina I e tromboxano A 2) e vasodilatadoras (prostaciclina, óxido nítrico e produtos do metabolismo local, como a adenosina), que juntas regulam a perfusão capilar dependendo das necessidades metabólicas das células do tecido.

Fatores que podem influenciar

Vários fatores podem influenciar na acurácia da medida devendo ser considerados pelos profissionais de saúde.

IDADE

Estudos em adultos encontraram uma variação ampla do TEC, com aumento médio de 3,3% para cada 10 anos de idade. Um estudo encontrou um TEC médio para a população pediátrica (até 12 anos) de 0,8 segundos; para homens adultos, 1,0 segundo; mulheres adultas, 1,2 segundos; e naqueles com mais de 62 anos, 1,5 segundos.

Este estudo concluiu que, se 95% de todos os pacientes normais estiverem dentro da faixa normal, o limite superior do normal para mulheres adultas deve ser aumentado para 2,9 segundos e para idosos para 4,5 segundos.

TEMPERATURA

A temperatura do meio ambiente, da pele e central afetam a medição do TEC. Em adultos, o TEC diminuiu 1,2% por aumento de grau celsius na temperatura ambiente. Em adultos, a imersão da mão em água fria a 14 °C prolongou o TEC.

A temperatura da pele na ponta do dedo variou com a temperatura ambiente e cada redução de 1°C na temperatura da pele foi acompanhada por um aumento de 0,21 segundos do TEC.

Além disso, uma relação estatisticamente significativa foi encontrada entre o TEC e a temperatura central. O TEC foi em média 5% menor para cada aumento de 1°C na temperatura timpânica.

CARATERISTICAS DA PELE

Pigmentação da pele, presença de esmalte ou unhas artificias podem interferir com a avaliação.

LUZ DO AMBIENTE

As más condições de luz tornam difícil avaliar o TEC. Em condições de luz do dia (dia parcialmente nublado, aproximadamente 4000 lux), TEC foi relatado como normal em 94,2% dos participantes saudáveis ​​em comparação com apenas 31,7% dos mesmos participantes em condições de escuridão (luz da lua ou lâmpada de rua, aproximadamente 3 lux).

APLICAÇÃO DA PRESSÃO

Ainda hoje se discute a duração ideal e quantidade de pressão local usado ao avaliar o TEC.

Diferentemente do estudo original que preconiza 10 segundos, outros estudos têm sugerido aplicar pressão “moderada” por 3 segundos, 5 segundos, ou até que o leito capilar embranquecesse.

A pressão aplicada por < 3 segundos dá um TEC mais curto; nenhuma diferença foi encontrada com a pressão aplicada por 3 a 7 segundos. A aplicação de pressão “leve” (a pressão mínima para causar o branqueamento) resultou em um TEC mais curto do que a pressão “moderada” e com menos variabilidade.

A medição do TEC em diferentes locais do corpo produzirá resultados diferentes. A Organização Mundial de Saúde preconiza o uso da unha do polegar ou dedão do pé; outros estudos sugerem a região de parte mole à altura da rótula ou do antebraço.

Uma pesquisa com profissionais de saúde pediátricos descobriu que aproximadamente dois terços realizam o TEC no tórax, com apenas um terço usando a polpa da falange distal do dedo[30]. Esse achado está em desacordo com estudos que utilizam principalmente a falange distal.

CONFIABILIDADE INTRA E INTEROBSERVADOR

A baixa confiabilidade interobservador é uma das principais limitações ao uso do teste.

A confiabilidade interobservador da medição do TEC (usando um método padronizado, sem um cronômetro que possua resolução de meio segundo) em pacientes adultos clinicamente estáveis ​​no departamento de emergência mostrou uma diferença média nas medições do TEC entre os médicos de 0 segundos; no entanto, os limites de concordância de 95% foram -1,7 a +1,9 segundos.

Mais importante ainda, em apenas 70% dos indivíduos estudados houve concordância quanto ao fato do TEC ser normal ou anormal (usando um limite superior de 2 segundos do normal)[35]. Em outro estudo, 5 médicos experientes mediram o TEC em cada um dos halux de 5 pacientes.

Avaliando a confiabilidade intraobservador, eles encontraram um coeficiente intraclasse (CIC) geral (ICC) de 0,72; no entanto, o erro padrão geral da medição foi de ± 1,94 segundos. O CIC para confiabilidade interobservador foi pior.

Além das variações que podem ocorrer devido às diferenças na quantidade e duração da pressão aplicada ao dedo, o médico também deve decidir sobre o momento final do reenchimento capilar. O enchimento parcial rápido inicial dos capilares pode ser seguido por um enchimento completo mais lento.

Definir o ponto final é subjetivo e introduz mais erros na avaliação do TEC.

Teste aplicado pelos profissionais de Enfermagem

Conforme orientação fundamentada nº058/2016, é ressaltado que:

“Diante do exposto, o teste de enchimento capilar pode ser realizado por todos os Profissionais de Enfermagem desde que capacitados, orientados e supervisionados pelo Enfermeiro, entretanto, a interpretação do teste deve ser feita pelo Enfermeiro”.

Referências:

  1. Orientação COREN 058/2016
  2. Beecher HK, Simeone FA, Burnett CH, Shapiro SL, Sullivan ER, Mallory TB. The internal state of the severely wounded man on entry to the most forward hospital. Surgery 1947;22:672–711
  3. Champion HR, Sacco WJ, Carnazzo AJ, Copes W, Fouty WJ. Trauma score. Crit Care Med 1981;9:672–6
  4. Hazinski MF, Zaritsky AL, Nadkarni VM eds. PALS Provider Manual. Dallas: American Heart Association, 2002
  5. Beecher HK, Simeone FA, Burnett CH, Shapiro SL, Sullivan ER, Mallory TB. The internal state of the severely wounded man on entry to the most forward hospital. Surgery 1947;22:672–711
  6. King D, Morton R, Bevan C. How to use capillary refill time. Arch Dis Child Educ Pract Ed. 2014 Jun;99(3):111-6.
  7. Fleming S, Gill P, Jones C, Taylor JA, Van den Bruel A, Heneghan C, Roberts N, Thompson M. The Diagnostic Value of Capillary Refill Time for Detecting Serious Illness in Children: A Systematic Review and Meta-Analysis. PLoS One. 2015;10(9):e0138155.
  8. Lara B, Enberg L, Ortega M, Leon P, Kripper C, Aguilera P, Kattan E, Castro R, Bakker J, Hernandez G. Capillary refill time during fluid resuscitation in patients with sepsis-related hyperlactatemia at the emergency department is related to mortality. PLoS One. 2017;12(11):e0188548.
  9. Champion HR, Sacco WJ, Carnazzo AJ, Copes W, Fouty WJ. Trauma score. Crit Care Med 1981;9:672–6
  10. Harrison TR ed. Harrison’s Principles of Internal Medicine. 14th ed. New York: McGraw-Hill, 1998

Que Medicamento é Esse?: Furosemida

A furosemida é um diurético, indicada nos casos de hipertensão arterial leve a moderada, inchaço devido a distúrbios cardíacos, hepáticos e renais e edema devido a queimaduras.

Como Funciona?

A furosemida apresenta efeito diurético e anti-hipertensivo, e o início da ação ocorre cerca de 60 minutos após a administração do produto.

Os Efeitos Colaterais

Distúrbios metabólico e nutricional

  • Excreção aumentada de sódio e cloreto e consequentemente de água.
  • Excreção aumentada de outros eletrólitos, em particular potássio, cálcio e magnésio.

Distúrbios eletrolíticos sintomáticos e alcalose metabólica.

  • Desidratação e hipovolemia, especialmente em pacientes idosos.
  • Aumento transitório dos níveis de creatinina e de uréia sanguíneas.
  • Aumento nos níveis séricos de colesterol e triglicérides.
  • Aumentos no nível sérico de ácido úrico e ataques de gota.
  • Diminuição da tolerância à glicose; diabetes mellitus latente pode se manifestar.

Distúrbios Vasculares

  • Hipotensão incluindo hipotensão ortostática.
  • Tendência à trombose.
  • Vasculite.

Distúrbios renal e urinário

  • Retenção aguda da urina em pacientes com obstrução parcial do fluxo urinário.
  • Nefrite intersticial.
  • Nefrocalcinose/nefrolitíase em crianças prematuras.

Distúrbios Gastrintestinais

  • Náuseas, vômitos, diarreia.
  • Pancreatite aguda.

Distúrbios hepato-biliares

  • Náuseas, vômitos, diarreia.
  • Pancreatite aguda.

Distúrbios auditivos e labirinto

  • Alterações na audição e tinido, embora geralmente de caráter transitório, particularmente em pacientes com insuficiência renal, hipoproteinemia (por exemplo: síndrome nefrótica) e/ou quando furosemida intravenosa for administrada rapidamente.

Distúrbios no tecido subcutâneo e pele

  • Coceira, urticária, outras reações como rash ou erupções bolhosas, eritema multiforme,penfigóide bolhoso, dermatite esfoliativa, púrpura, fotossensibilidade.​

Distúrbios do sistema imune

  • Reações anafilácticas ou anafilactóides graves (por exemplo, com choque).​
  • Distúrbios do sistema nervoso.
  • Parestesia.
  • Encefalopatia hepática em pacientes com insuficiência hepatocelular.​

Distúrbios do sistema linfático e sanguíneo

  • Trombocitopenia. leucopenia, agranulocitose, anemia aplástica, anemia hemolítica.
  • Eosinofilia.
  • Hemoconcentração.

Distúrbios congênito e genético/familiar

  • Risco aumentado de persistência do ducto arterioso patente quando furosemida for administrada a crianças prematuras durante as primeiras semanas de vida.​

Distúrbios gerais e condições no local da administração

  • Febre.

Quando é Contraindicado?

A furosemida não deve ser usada em pacientes com:

  • insuficiência dos rins com anúria (parada total da eliminação de urina);
  • pré-coma e coma hepático associado com encefalopatia do fígado;
  • hipopotassemia severa (diminuição importante do nível de potássio no sangue);
  • hiponatremia grave (diminuição importante do nível de sódio no sangue);
  • desidratação ou hipovolemia, com ou sem queda da pressão sanguínea;
  • alergia à furosemida, às sulfonamidas e aos componentes da fórmula.

A furosemida não deve ser utilizada por mulheres amamentando.

A furosemida não deve ser utilizada por lactantes.

Os Cuidados de Enfermagem

  • Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de administração prescritas pelo médico.
  • Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.
  • Realizar balanço hídrico e peso diariamente em pacientes internados.
  • Avaliar no exame físico: hidratação da pele, sinais de astenia e cãibras musculares (hipocalemia).
  • Se o paciente apresentar sintomas de hipopotassemia orientar que faça a ingestão de alimentos ricos em potássio como a banana.
  • Monitorar cuidadosamente pacientes que apresente obstruções no trato urinário ou problemas no esvaziamento da bexiga.
  • Verificar a pressão arterial do paciente durante o tratamento com furosemida pois a mesma pode causar hipotensão.
  • Grávidas não devem tomar essa medicação.
  • Pacientes idosos e crianças devem ser monitorados cuidadosamente.
  • Informar ao paciente que esse medicamento pode influenciar na capacidade de dirigir e operar máquinas pois pode ocorrer queda da pressão sanguínea.

Angina: ESTÁVEL e INSTÁVEL

Angina é um sintoma, geralmente associado a um desconforto precordial (dor torácica), provocado por isquemia miocárdica. Ela decorre de um desequilíbrio entre a oferta e a demanda de oxigênio do miocárdio.

De longe, a causa mais comum dela é uma placa aterosclerótica obstruindo o fluxo sanguíneo de uma artéria coronária que irriga o miocárdio. A falta de oxigênio no músculo cardíaco causada pela angina é temporária, não resultando em danos permanentes no coração.

Entretanto, pelo fato dela estreitar as artérias que levam sangue ao músculo, pode aumentar o risco de um infarto.

As diferenças entre Angina Estável e Instável

A principal diferença entre angina estável e instável é que a angina estável geralmente ocorre em situações de esforço e a dor desaparece com o repouso. Já a angina instável surge de repente e não cessa com o repouso, podendo ser um sinal de ataque cardíaco (infarto do miocárdio).

Características da angina estável:

  • É a forma mais comum de angina;
  • Normalmente ocorre em situações de esforço físico, como subir escadas ou durante exercícios;
  • Desaparece com o repouso;
  • Também pode ser desencadeada por perturbações emocionais, exposição a baixas temperaturas, refeições pesadas, tabagismo.

Características da angina instável:

  • O desconforto ou a dor no peito não cessam com o repouso;
  • Surge de forma súbita, mesmo quando a pessoa está em repouso;
  • Trata-se de uma condição perigosa, pois geralmente antecede um infarto;

Quais os fatores de risco para angina estável e instável?

  • Tabagismo;
  • Diabetes;
  • Hipertensão arterial (pressão alta) não controlada;
  • Níveis elevados de colesterol e triglicérides;
  • Falta de atividade física;
  • Obesidade;
  • Estresse;
  • Idade superior a 45 anos;
  • Herança genética.

Como prevenir a angina estável e instável?

  • Pratique exercícios físicos regularmente;
  • Tenha uma alimentação equilibrada, com pouca gordura e açúcar;
  • Não fume;
  • Mantenha o diabetes, a pressão arterial e as taxas de colesterol e triglicérides sob controle;
  • Diminua os níveis de estresse.

Qual o tratamento para angina estável e instável?

O tratamento da angina é feito com mudanças no estilo de vida, uso de medicamentos e exercícios de reabilitação cardíaca, sob orientação e supervisão de um médico cardiologista.

Cuidados de Enfermagem

  • avaliar as características da dor no peito e sintomas associados.
  • avaliar a respiração, a pressão sanguínea e frequência cardíaca em cada episódio de dor torácica.
  • fazer um ECG, cada vez que a dor torácica surgir, para evidenciar infarto posterior.
  • monitorizar a resposta ao tratamento medicamentoso.
  • avisar o médico se a dor não diminuir.
  • identificar junto ao cliente as atividades que provoquem dor.
  • oferecer assistência de maneira calma e eficiente de modo a reconfortar o cliente até que o desconforto desapareça.
  • prover um ambiente confortável e silencioso para o cliente/família.
  • ajudar o paciente a identificar seus próprios fatores de risco.
  • ajudar o paciente a estabelecer um plano para modificações dos fatores de risco.
  • providenciar orientação nutricional ao cliente/família.
  • esclarecer o cliente/família acerca dos medicamentos que deverão ser tomados após a alta hospitalar.
  • esclarecer o cliente acerca do plano terapêutico.
  • explicar a relação entre a dieta, atividades físicas e a doença.

Cuidados de enfermagem na administração do nitrato

  • a nitroglicerina pode causar uma sensação de queimadura sob a língua quando dor forte;
  • orientar o paciente a não deglutir a saliva até que o comprimido esteja totalmente diluído;
  • para ação mais rápida, orientar o paciente a triturar o comprimido entre os dentes (conforme prescrição médica);
  • orientar repouso até o desaparecimento dos sintomas;
  • comunicar qualquer alteração ao médico.

Referências:

  1. Oliveira CM, Santoro DC. Conduta da equipe de enfermagem diante das alterações clínicas do cliente com síndrome isquêmica coronariana. Esc. Anna Nery. 2004;8(2):267-274
  2. Nascimento, J. S. do, Nunes, A. J., Novais, G. B., Carvalho, F. M. de A. de, & Lopes, L. E. S. (2017). Intervenção da Enfermagem no Diagnóstico de Angina Instável. Congresso Internacional De Enfermagem, 1(1). Recuperado de https://eventos.set.edu.br/cie/article/view/6165

Gastroenterite

A gastroenterite ou GECA é uma inflamação do revestimento gástrico e dos intestinos grosso e delgado. É normalmente causada pela infecção por um micro-organismo, mas também pode ser causada pela ingestão de toxinas químicas ou medicamentos.

A gastroenterite geralmente é causada por uma infecção, mas também pode ser causada pela ingestão de toxinas ou medicamentos. Normalmente, as pessoas apresentam diarreia, náusea, vômito e dor abdominal.

A gastroenterite normalmente consiste em diarreia leve a grave, que pode ser acompanhada de perda de apetite, náusea, vômito, cólicas e desconforto abdominal.

Apesar de a gastroenterite normalmente não ser grave em adultos saudáveis e causar apenas desconforto e incômodo, ela pode causar desidratação com risco à vida e desequilíbrio eletrolítico em pessoas muito doentes ou enfraquecidas, crianças muito pequenas e idosos.

Causas

As causas mais comuns de gastroenterite são:

  • Vírus (mais comum)
  • Bactérias
  • Parasitas

Outras causas são:

  • Toxinas químicas
  • Medicamentos

As infecções que causam gastroenterite podem ser transmitidas de pessoa para pessoa, especialmente se as pessoas com diarreia não lavarem bem as mãos depois de evacuarem.

A infecção também pode ocorrer se as pessoas tocarem a boca após tocarem em um objeto (como fralda ou brinquedo) contaminado por fezes infectadas. Todas as formas de transmissão envolvendo fezes infectadas são denominadas transmissão fecal-oral.

Uma pessoa ou, em algumas ocasiões, muitas pessoas (caso em que o surto da doença é denominado epidemia) podem também ser infectadas ao ingerirem alimentos ou beberem água contaminada por fezes infectadas.

A maioria dos alimentos podem ser contaminados com bactérias e causar gastroenterite se não cozidos completamente ou pasteurizados. Às vezes, água contaminada é ingerida de forma inesperada, como ao nadar em lago contaminado por fezes de animais ou em uma piscina contaminada por fezes humanas.

Em alguns casos, a gastroenterite é adquirida pelo contato direto com animais portadores do micro-organismo infeccioso.

Tipos de Gastroenterite

Vírus

Certos vírus infectam as células do revestimento do intestino delgado, onde se multiplicam, causando diarreia líquida, vômito e febre. Quatro categorias de vírus são as principais causadoras de gastroenterite: norovírus, rotavírus e, com menos frequência, astrovírus e adenovírus entérico (intestinal).

Pessoas de todas as idades podem ser infectadas por norovírus. A maioria das pessoas são infectadas após a ingestão de alimentos ou água contaminados.

Como o norovírus é altamente contagioso, a infecção pode facilmente ser transmitida por contato direto. O vírus causa a maioria dos casos de epidemia de gastroenterite em cruzeiros e casas de repouso.

Orotavírus é a causa mais comum de diarreia grave com desidratação em crianças pequenas em todo o mundo.

Ele geralmente afeta bebês entre três e quinze meses. O rotavírus é altamente contagioso. A maioria das infecções ocorre por transmissão fecal-oral. Adultos podem ser infectados após contato próximo com um bebê infectado, mas a doença geralmente é leve.

Em regiões de clima temperado, a maioria das infecções ocorre no inverno.

O astrovírus pode infectar pessoas de todas as idades, mas geralmente afeta bebês e crianças pequenas. A infecção é mais comum no inverno e é disseminada por transmissão fecal-oral.

O adenovírus afeta mais comumente crianças com menos de dois anos de idade. As infecções ocorrem o ano todo e aumentam levemente no verão. A infecção ocorre por transmissão fecal-oral.

Outros vírus (como, por exemplo, citomegalovírus e enterovírus ) podem causar gastroenterite em pessoas com sistema imunológico comprometido.

Bactérias

A gastroenterite bacteriana é menos comum do que a gastroenterite viral. As bactérias causam gastroenterite de várias maneiras. Algumas espécies como, por exemplo, a Vibrio cholerae e cepas enterotoxigênicas de Escherichia coli (E. coli) se aderem ao revestimento intestinal sem invadi-lo e produzem enterotoxinas.

Essas toxinas fazem com que o intestino secrete água e eletrólitos, resultando em diarreia líquida.

Algumas bactérias (como, por exemplo, determinadas cepas de E. coli , Campylobacter , Shigella e Salmonella e Clostridium difficile ) invadem o revestimento do intestino delgado ou do cólon.

Nessa região, as bactérias danificam as células do revestimento e provocam feridas pequenas (ulcerações) que sangram e permitem considerável exsudação de líquidos que contêm proteínas, eletrólitos e água. A diarreia contém glóbulos brancos e vermelhos e, ocasionalmente, sangue visível.

Salmonella e Campylobacter são ambas as infecções são mais frequentemente adquiridas pelo consumo de aves mal cozidas. Leite não pasteurizado também é uma possível fonte. Campylobacter ocasionalmente é transmitida por cães ou gatos com diarreia.

Salmonella pode ser transmitida pelo consumo de ovos mal cozidos e pelo contato com répteis (como tartarugas ou lagartos), pássaros ou anfíbios (como sapos e salamandras).

As bactérias do gênero Shigella também são transmitidas por contato direto (especialmente em creches), embora epidemias transmitidas por alimentos também possam ocorrer.

É provável que, atualmente, a Clostridium difficile seja a causa mais comum de diarreia que ocorre após tratamento com antibióticos ( Gastroenterite como efeito colateral de medicamentos ). No entanto, às vezes, ocorre em pessoas que não foram tratadas com antibióticos.

Os antibióticos destroem as bactérias saudáveis que normalmente residem no intestino, o que possibilita que as bactérias Clostridium difficile cresçam em seu lugar. A bactéria Clostridium difficile produz uma toxina que causa diarreia líquida grave (consulte também Diarreia causada por Clostridium difficile ).

Parasitas

Alguns parasitas intestinais, particularmente a Giardia intestinalis, aderem ou invadem o revestimento intestinal, causando náusea, vômito, diarreia e uma sensação geral de mal-estar.

Se a doença se tornar persistente (crônica), ela pode bloquear a absorção de nutrientes pelo organismo, gerando um quadro clínico denominado síndrome da má absorção .

A infecção normalmente se dissemina por meio da ingestão de água contaminada (às vezes, de poços ou fontes não convencionais de água encontradas em caminhadas ou acampamentos) ou, menos comumente, por meio de contato pessoal (como em creches).

Outro parasita intestinal, chamado Cryptosporidium parvum, provoca diarreia líquida, ocasionalmente acompanhada por cólica abdominal, náusea e vômito.

A infecção resultante, denominada criptosporidíase , geralmente é leve em pessoas saudáveis de modo geral, mas pode ser grave e mesmo fatal em pessoas com enfraquecimento do sistema imunológico, ela geralmente é adquirida pela ingestão de água contaminada.

Outros parasitas que podem causar sintomas semelhantes aos da criptosporidíase incluem Cyclospora cayetanensis e, em pessoas com sistema imunológico comprometido, Cystoisospora belli e um conjunto de organismos denominados microsporídeos.

A Entamoeba histolytica causa amebíase , uma infecção que atinge o intestino grosso e, ocasionalmente, o fígado e outros órgãos.

Gastroenterite química

A gastroenterite pode ser causada pela ingestão de toxinas químicas ( Considerações gerais sobre a intoxicação alimentar ). Essas toxinas geralmente são produzidas por fungos, como cogumelos tóxicos, ou por alguns tipos de frutos do mar exóticos e, por isso, não se tratam do produto de uma infecção.

A gastroenterite decorrente de toxicidade química também pode ocorrer após a ingestão de água ou alimentos contaminados por substâncias químicas como, por exemplo, arsênio, chumbo , mercúrio ou cádmio.

A intoxicação por metais pesados frequentemente causa náusea, vômito, dor abdominal e diarreia. A ingestão constante de alimentos ácidos, como frutas cítricas e tomate, provoca gastroenterite em algumas pessoas.

Os Sintomas

O tipo e a gravidade dos sintomas dependem do tipo e da quantidade de toxina ou micro-organismo ingerida. Os sintomas também variam conforme a resistência da pessoa.

Os sintomas geralmente começam repentinamente – às vezes, de forma dramática – com perda de apetite, náusea ou vômito.

Podem surgir ruídos intestinais audíveis e cólica abdominal. A diarreia é o sintoma mais frequente e pode ser acompanhada de sangue e muco visíveis.

As alças intestinais podem ficar inchadas (distendidas) com gás e tornar-se doloridas. A pessoa pode apresentar febre, mal-estar geral, dores musculares e sensação de cansaço extremo.

Gastroenterite causada por vírus

  • Os vírus causam diarreia líquida. As fezes raramente contêm muco ou sangue.
  • O rotavírus pode durar cinco a sete dias em bebês e crianças pequenas. A maioria das crianças tem vômitos e algumas têm febre.
  • A infecção por norovírus causa mais vômitos que diarreia, e dura apenas um a dois dias.
  • O adenovírus causa vômitos leves por um a dois dias após o início da diarreia. A diarreia pode durar uma a duas semanas.
  • Os sintomas do astrovírus são parecidos com os de uma infecção por rotavírus leve.

Gastroenterite causada por bactérias

A presença de bactérias provavelmente causará febre e pode causar diarreia sanguinolenta ou líquida. Algumas bactérias também causam vômito.

Gastroenterite causada por parasitas

Os parasitas normalmente causam diarreia que pode durar bastante tempo ou pode causar diarreia que aparece e desaparece. Em geral, a diarreia não é sanguinolenta. A pessoa pode se sentir muito cansada e perder peso caso ela tenha diarreia de longa duração causada por uma infecção parasítica.

Complicações

Vômito e diarreia graves podem causar desidratação grave. Os sintomas de desidratação incluem fraqueza, diminuição da frequência urinária, boca seca e, em bebês, ausência de lágrimas quando choram.

Vômito ou diarreia em excesso pode dar origem a problemas de eletrólitos como, por exemplo, baixa concentração de potássio no sangue (hipocalemia) e desidratação , que pode causar pressão arterial baixa e frequência cardíaca acelerada.

Também é possível o desenvolvimento de níveis baixos de sódio no sangue (hiponatremia), sobretudo se a pessoa repuser os líquidos perdidos através da ingestão de bebidas com pouca ou nenhuma quantidade de sódio como, por exemplo, água e chás.

Desequilíbrios eletrolíticos são potencialmente graves, particularmente em jovens, idosos e pessoas com doenças crônicas. Choque e insuficiência renal podem ocorrer em casos graves.

Prevenção

A melhor forma de evitar a gastroenterite é através do cumprimento de medidas de higiene. É essencial lavar sempre as mãos depois de ir à casa de banho, antes de manusear alimentos e depois de se tratar do jardim ou de lidar com animais de estimação.

Não se devem partilhar toalhas de uma pessoa que tenha gastroenterite e as casas de banho que essa pessoa utilizar devem ser lavadas regularmente. Os doentes com gastroenterite não devem ir à escola ou ao trabalho até pelo menos 48 horas depois da última diarreia ou vômito, para evitar infectar outras pessoas.

Referências:

  1. Greenwood-Van Meerveld B, Johnson AC, Grundy D. Gastrointestinal Physiology and Function. Handb Exp Pharmacol. 2017;239:1-16.
  2. Sattar SBA, Singh S. Bacterial Gastroenteritis. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2019 Jan. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK513295/
  3. Stuempfig ND, Seroy J. Viral Gastroenteritis. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2019 Jan. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK518995/
  4. Wilhelmi I, Roman E, Sánchez-Fauquier A. Viruses causing gastroenteritis. Clin Microbiol Infect. 2003 Apr;9(4):247-62.
  5. Baldacci ER, Candeias JAN, Breviglieri JC, Grisi SJE. Etiologia viral e bacteriana de casos de gastroenterite infantil: uma caracterização clínica. Rev Saúde Pública. 1979;13:47-53.
  6. Elliott EJ. Acute gastroenteritis in children. BMJ. 2007;334(7583):35-40.
  7. Perrier ET, Johnson EC, McKenzie AL, Ellis LA, Armstrong LE. Urine colour change as an indicator of change in daily water intake: a quantitative analysis. Eur J Nutr. 2016;55(5):1943-9.
  8. Varavallo MA, Thomé JN, Teshima E. Aplicação de bactérias probióticas para profilaxia e tratamento de doenças gastrointestinais. Semina: Ciênc Biol Saúde. 2008;29(1):83-104.