
A técnica asséptica é um conjunto de medidas que visa prevenir a contaminação de materiais e superfícies por microrganismos patogênicos. Uma das medidas mais importantes é a abertura correta de pacotes estéreis, que contêm instrumentos como gaze, algodão, luvas e outros itens necessários para procedimentos médicos ou cirúrgicos.
Alguns pontos importantes
A abertura de pacotes estéreis deve seguir alguns princípios básicos, como:
- Verificar a data de validade e a integridade do pacote antes de abrir;
- Escolher uma superfície limpa e seca para colocar o pacote;
- Abrir o pacote com cuidado, sem tocar na parte interna ou nos itens estéreis;
- Manter o pacote aberto o mínimo possível, evitando exposição ao ar ou a fontes de contaminação;
- Usar pinças ou luvas estéreis para manipular os itens, sem ultrapassar a borda do pacote;
- Descartar o pacote vazio em um recipiente adequado.
A abertura de pacotes estéreis é essencial para garantir a segurança dos pacientes e dos profissionais de saúde, evitando infecções e complicações. Por isso, é importante seguir as normas e os protocolos estabelecidos pelas instituições de saúde e pelos órgãos reguladores.
Como abrir um pacote de gaze estéril?
Para abrir um pacote de gaze estéril na técnica asséptica, é preciso seguir alguns passos:
- Lavar as mãos com água e sabão, secando-as bem com uma toalha limpa ou papel toalha.
- Colocar o pacote de gaze sobre uma superfície limpa e seca, sem tocar na parte interna do envelope.
- Abrir o envelope com cuidado, puxando as abas (pétala) externas para os lados, sem rasgar ou contaminar a parte interna.
- Retirar a gaze estéril com uma pinça estéril ou com as mãos enluvadas, segurando-a pelas pontas, sem tocar na parte central.
- Colocar a gaze sobre o local desejado, cobrindo a ferida ou o curativo, sem friccionar ou arrastar a gaze sobre a pele.
- Descartar o envelope vazio em um recipiente adequado para lixo hospitalar ou infectante.
Referência:
- Royal Tech Hospitalar

O procedimento de calçar um par de luvas estéril requer técnica correta, para evitar a contaminação da luva, fato este que pode ocorrer com facilidade, por isso requer muita atenção.
Existem vários procedimentos que exigem a utilização de luvas estéreis, entre eles os procedimentos cirúrgicos, aspiração endotraqueal, curativos extensos, que se tornam difíceis realizar somente com o material de curativo. Portanto, as luvas estéreis devem ser utilizadas sempre que ocorrer a necessidade de manipulação de áreas estéreis.
As luvas estéreis podem ser encontradas nos tamanhos P, M ou G, ou até mesmo em tamanhos numerados como 6.0, 6.5, 7.0 até 9.0. E pode variar de acordo com o fabricante.
Como colocar as luvas estéreis?
- O primeiro passo para realizar o procedimento de calçar a luvas, inicia-se com a lavagem correta das mãos! Isso mesmo, antes de calçar luvas é imprescindível lavar as mãos.
- Abra o pacote de luvas sobre uma superfície limpa, à altura confortável para sua manipulação.
- Observe que existem abas nas dobras internas da embalagem das luvas. Elas existem para facilitar a abertura do papel, sem que ocorra o risco de tocar nas luvas e contaminá-las. Então, segure nas abas abra os dois lados que revestem as luvas.
- As luvas devem estar dispostas corretamente a sua frente, onde: a luva da mão direita está a sua direita, e a luva da mão esquerda, está a sua esquerda. Isso na maioria dos fabricantes. A maioria das luvas não tem lado anatômico, mas ficam dispostas nesse sentido, devido a dobra existente do polegar.
- Neste momento, prepare-se para calçar a luva na mão dominante. Com sua mão não dominante, segure a luva pela face interna da luva (que vem dobrada propositalmente). Importante: enquanto você estiver sem luvas, segure apenas pela face onde a luva irá entrar em contato com sua pele, ou seja, face interna.
- Em seguida, introduza os dedos da mão dominante, calmamente, procurando ajustar os dedos internamente. Realize esta etapa da melhor maneira possível, mas não se preocupe se os dedos ficarem mal posicionados dentro da luva. Continue o procedimento mesmo com os dedos posicionados de forma errada (é muito arriscado tentar arrumar a posição dos dedos, você pode contaminá-la).
- Após esta etapa, introduza até que sua mão entre completamente na luva, sempre a segurando pela face interna.
- Agora que você colocou a primeira luva estéril (na mão dominante), vamos colocar a luva na mão não dominante. Lembre-se, que agora estamos com uma luva estéril na mão dominante, não podemos tocar em lugares que não sejam estéreis, sejam eles a nossa pele, superfícies ou objetos ao nosso redor.
- Com a mão dominante (enluvada), segure a outra luva pela face externa (ou seja, por dentro da dobra existente). Esta dobra existente no punho da luva servirá de apoio para segurar a luva, sem que ocorra o risco de contaminar a luva, mesmo que imperceptivelmente.
- Sempre segurando pela dobra do punho da luva, introduza calmamente sua mão não-dominante na luva, semelhante ao realizado na primeira, mas agora, com a cautela de não tocar com a luva na pele da mão ou em locais não-estéreis.
- Siga esta etapa, até introduzir toda a mão esquerda na luva.
- Para finalizar, havendo a necessidade de posicionar os dedos corretamente, ou até mesmo melhorar o calçamento da luva, faça com ambas as luvas, porém evite manipular a luva na região dos punhos, caso esta não possua mais as dobras de segurança.
Como Remover as Luvas Estéreis?

- Inicie a retirada da luva por qualquer uma das duas mãos. Puxar a luva mantendo o contato apenas de luva com luva, sem encostá-la na sua pele.
- Puxe a luva enrolando-a de modo que permaneça na palma de sua mão.
- Com a mão que está sem a luva, inicie a retirada da outra luva, puxando-a pela sua parte interna. A mão sem luva deverá manter contato com a luva.
- Continue puxando a luva de modo que ela envolva a que está na palma de sua mão formando uma “bolinha”.
- Despreze a luva em local adequado
- Higienize suas mãos.
Referências:
- ANVISA. Nota Técnica GVIMS/GGTES/ANVISA nº 04/2020 – Orientações para serviços de saúde: medidas de prevenção e controle que devem ser adotadas durante a assistência aos casos suspeitos ou confirmados de infecção pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) (Atualizada 08 de maio de 2020). Brasília: 2020. Disponível em: < http://portal.anvisa.gov.br/documents/33852/271858/Nota+T%C3%A9cnica+n+04-2020+GVIMS-GGTES-ANVISA/ab598660-3de4-4f14-8e6f-b9341c196b28>.
- BRASIL. Ministério do Trabalho. Norma Regulamentadora 32 – Segurança e saúde no trabalho em serviços de saúde. Brasília, 2005. Disponível em: http://www.trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR32.pdf .

O isolamento é um conjunto de medidas técnicas para formar uma barreira asséptica, com o intuito de impedir a disseminação de agentes infecciosos de um paciente para o outro, aos funcionários, visitantes, ao meio ambiente.
TENDO COMO OBJETIVOS:
- Reduzir a contaminação por meio da desinfecção concorrente e limpeza terminal;
- Proteger a equipe de saúde da unidade de tratamento, através de medidas assépticas;
- Impedir a disseminação de agente infeccioso de um paciente para outro, aos funcionários, aos visitantes e ao meio ambiente.
OS TIPOS DE ISOLAMENTO SÃO:
-
Isolamento reverso ou protetor: destina-se a paciente cuja resistência à infecção esteja seriamente comprometida. É necessário:
-
Quarto privativo necessário.
-
Manter a porta sempre fechada.
-
Capa: deve ser usada por todas as pessoas que entrarem no quarto.
-
Máscara deve ser utilizada pelo paciente.
-
Lavagem das mãos, na entrada e saída do quarto do paciente.
-
Luvas: devem ser usadas por todas as pessoas que têm contato direto com o paciente.
-
Visitas devem ser limitadas e instruídas quanto aos cuidados a serem tomados dentro do quarto.
-
Transporte de pacientes: deve ser evitada a exposição do paciente a qualquer fonte de infecção; utilizar técnica empregada em isolamento total para transporte de paciente.
Ex: Agranulocitose (até a remissão), doenças imunodepressivas de uma maneira geral, certos pacientes recebendo terapia imunossupressiva (até o término da terapia), certos pacientes com linfoma e leucemia (especialmente estágios finais da moléstia de Hodgkin e leucemia aguda), queimaduras e dermatites eczematosas, bolhosas ou vesiculares não-infectadas, extensas e graves (até a cura evidente da superfície da pele), recém-nascidos prematuros.
-
Isolamento Entérico: destina-se a prevenir a transmissão de doenças por contato direto ou indireto com fezes infectadas e objetos ou artigos contaminados. É necessário:
- Quarto privativo necessário.
- Capa: deve ser usada por todas as pessoas que entrarem no quarto.
- Luvas: devem ser usadas por todas as pessoas que têm contato direto com o paciente.
Ex: leptospirose, febre tifoide.
- Isolamento Total ou Rigoroso (IT): Para casos de doenças altamente contagiosas e que requerem cuidados completos. É necessário:
-
Quarto privativo necessário o qual a porta deve ser mantida fechada e com uma placa avisando Isolamento.
-
Capas, luvas e máscaras devem ser usados por todas as pessoas que entram no quarto.
-
Lavagem de mãos, na entrada e saída do quarto, deve ser obrigatória.
-
Material utilizado no paciente deve ser adequadamente embalados com duplo empacotamento ou devidamente identificados, antes de serem enviados ao CME.
Ex: Candidíase (em berçário e para imunodeprimidos), Diferia, Eczema vaccinatum, Enterecolite estafilocócica, Pneumonia estreptocócica, queimaduras e feridas extensas infectadas por Staphlococus aureus e Streptococcus do grupo A, Raiva, Rubéola (Síndrome congênita), Varíola, Varicela-zoster e outras.