Doença e Síndrome de Moyamoya

A Doença de Moyamoya é uma condição cerebrovascular rara e progressiva que se caracteriza pelo estreitamento das artérias carótidas internas e seus ramos.

Este estreitamento leva à formação de uma rede de vasos sanguíneos colaterais na base do cérebro, que tentam compensar a redução do fluxo sanguíneo.

A origem do nome

O nome “Moyamoya” vem do japonês e significa “nuvem de fumaça”, uma alusão à aparência nebulosa desses vasos colaterais em exames de imagem.

Causas e Fisiopatologia

Embora a etiologia exata da Doença de Moyamoya seja desconhecida, acredita-se que fatores genéticos possam desempenhar um papel importante, especialmente em indivíduos de origem japonesa.

A doença pode estar associada a outras condições, como neurofibromatose, anemia falciforme e síndrome de Down.

Na Doença de Moyamoya, ocorre um estreitamento crônico das artérias carótidas internas, levando a um suprimento sanguíneo insuficiente ao cérebro e, consequentemente, a uma carência de oxigênio.

Para compensar, o cérebro desenvolve uma rede de vasos colaterais. No entanto, esses vasos são mais frágeis e podem romper, causando hemorragias cerebrais.

Sintomas e Diagnóstico

Os sintomas da Doença de Moyamoya variam, mas frequentemente incluem ataques isquêmicos transitórios, acidentes vasculares cerebrais e, em alguns casos, hemorragias cerebrais.

Em crianças, pode ocorrer declínio intelectual, convulsões e movimentos involuntários.

O diagnóstico é feito através de exames de imagem, como angiografia por ressonância magnética (RM) ou tomografia computadorizada, que revelam o estreitamento das artérias e a presença da rede vascular anormal.

Tratamento e Prognóstico

O tratamento da Doença de Moyamoya é principalmente cirúrgico, visando restaurar o fluxo sanguíneo adequado ao cérebro.

As opções incluem procedimentos como a anastomose direta e a encefaloduroarteriossinangiose indireta.

O prognóstico da doença varia. Sem tratamento, pode levar a complicações graves e até fatais. No entanto, com intervenção cirúrgica adequada e acompanhamento médico, muitos pacientes conseguem levar uma vida relativamente normal.

Alguns Cuidados

  • Monitoramento Neurológico: Observar sinais de déficits neurológicos, como fraqueza, alterações na fala ou convulsões.
  • Prevenção de AVC: Acompanhar sinais vitais e realizar exames periódicos para detectar sinais precoces de acidente vascular cerebral.
  • Cuidados Pós-Operatórios: Após a cirurgia de revascularização, é importante monitorar sinais de infecção, garantir a administração adequada de medicamentos e avaliar a cicatrização.
  • Educação do Paciente e Família: Informar sobre a doença, o tratamento e as medidas preventivas para evitar lesões que possam levar a sangramentos.

Estes são aspectos gerais e cada paciente pode necessitar de cuidados específicos. É importante seguir as orientações da equipe médica e manter uma comunicação efetiva com todos os envolvidos no tratamento.

Referências:
  1. https://www.scielo.br/j/anp/a/73Y3WPvVXtwT77hZHgZSM4f/?format=pdf
  2. https://victorbarboza.com.br/doenca-de-moyamoya/

Endarterectomia de Carótida

A endarterectomia carotídea ou de carótida é um tratamento cirúrgico para a doença da artéria carótida.

As artérias carótidas são os vasos sanguíneos principais que transportam sangue e oxigênio para o cérebro.

Na doença aterosclerótica da artéria carótida, estas artérias tornam-se estreitadas por formação de placas de gordura e cálcio no seu interior. Isso reduz o fluxo de sangue para o cérebro e pode causar um acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI) ou um ataque isquêmico transitório(AIT).

Principais Causas

O estreitamento das artérias carótidas é mais frequentemente causado pela aterosclerose. Esta decorre de um acúmulo de placas na parte interna da artéria. As placas são compostas por diversas substâncias como: gordura, colesterol, resíduos celulares, cálcio e fibrina.

A aterosclerose, ou “endurecimento das artérias” com formação de placas, pode afetar as artérias em vários locais do corpo, como as carótidas as artérias coronárias do coração e etc. A doença da artéria carótida tem como sua principal consequência os acidentes vasculares cerebrais (derrame).

O cérebro precisa de um suprimento constante de oxigênio e nutrientes para funcionar. Mesmo uma pequena interrupção transitória no fornecimento de sangue pode causar problemas graves.

As células do cérebro começam a morrer após apenas alguns minutos sem sangue ou oxigênio.

Se o estreitamento das artérias carótidas se tornar suficientemente grave para bloquear o fluxo sanguíneo, ou caso um pedaço dessa placa se quebre e migre para um ramo arterial distal e bloqueie o fluxo sanguíneo, pode ocorrer um acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI) ou um ataque isquêmico transitório (AIT).

Realização do procedimento

Durante uma endarterectomia de carótida, o médico irá remover cirurgicamente a placa que obstrui a passagem do sangue na artéria carótida. O cirurgião fará uma incisão no lado do pescoço sobre a artéria carótida afetada. A artéria é aberta e a placa é removida. Após retirada da placa a artéria é fechada restaurando o fluxo de sangue normal para o cérebro.

Este procedimento pode ser feito com o paciente acordado, sob anestesia local, ou dormindo, sob anestesia geral.

Indicações para o procedimento

A indicação da endarterectomia tem o objetivo de prevenir a ocorrência ou a recorrência de um acidente vascular cerebral ou um ataque isquêmico transitório, nos pacientes com alto risco de AVC apesar do tratamento clínico otimizado que inclui: medicações para o colesterol, medicações que afinam o sangue conhecidas como antiagregante plaquetários, medicações para controlar a pressão arterial, cessação de tabagismo, prática de exercício físico.

Não cabe citar todas as indicações de endarterectomia, mas podemos citar aquilo que é menos controverso na literatura médica.

1- Os pacientes com placas com grau de obstrução inferior a 50%, não devem ser tratados por procedimentos nem cirúrgico nem por cateter (angioplastia com stent). Devem permanecer no tratamento clínico otimizado e serem acompanhados clinicamente.

2- Os pacientes sintomáticos, que apresentaram  AVC ou AIT nos últimos 6 meses, com grau de obstrução maior que 70 % da luz da artéria, possuem um risco maior de recorrência de AVC e AIT.

3- O grau de estenose deve ser preferencialmente confirmado por pelo menos dois métodos diagnósticos não invasivos (Ultrasom doppler, angio tomografia, angio ressonância magnética). Uma vez confirmado o grau de obstrução esses pacientes se beneficiam da redução de risco da realização da endarterectomia com pouca controvérsia na literatura médica sobre esse grupo de pacientes.

A definição de quem são os pacientes de alto risco para AVC, nos pacientes assintomáticos, e que se beneficiariam da endarterectomia, deve ser individualizada e considerar várias variáveis incluindo: o grau de obstrução causado pela placa, que deve ser preferencialmente maior que 70%, características da placa que aumentam o risco de AVC (como úlceras, hemorragia, composição da placa), presença ou não de lesões assintomáticas no cérebro do mesmo lado da doença carotídea, uso adequado e regular do tratamento clínico, preferencia do paciente após os devidos esclarecimentos, idade, gênero, expectativa de vida, estado neurológico antes do procedimento.

A indicação de uma endarterectomia de carótida tem o objetivo de diminuir significativamente a chance de ocorrência ou recorrência de um AVCI (derrame) no futuro, quando comparado a manutenção do tratamento clínico. O procedimento só deve ser realizada com baixas taxas de complicações no perioperatório.

Considera-se na literatura médica, baixa taxa de complicações do procedimento, taxas inferiores a 6% nos pacientes sintomáticos, e inferior a 3% nos pacientes assintomáticos. As complicações avaliadas na literatura são complicações graves como: AVC, morte ou infarto do miocárdio. Os procedimentos de endarterectomia só são considerados efetivos em pacientes com alto risco de AVC, procedimentos feitos em hospitais e por médicos com baixas taxas de complicações.

O sucesso do procedimento depende, da experiência do médico, da seleção adequada de pacientes para o procedimento, da adesão dos hospitais a procedimentos de segurança realizados no pré e no pós operatório.

A endarterectomia não tem o objetivo de recuperar déficits neurológicos causados por um AVC ocorrido antes do procedimento.

É muito importante que o médico explique os prós e os contras de outras possibilidades de tratamento da obstrução carotídea como: as angioplastias com stent ou a manutenção do tratamento clínico. Você deve receber informações para poder refletir e decidir junto ao seu médico as diferentes opções de tratamento.

Sintomas

Quando assintomática, a doença geralmente é descoberta por exames de imagem solicitados como “check up”. Nos pacientes assintomáticos o acúmulo de placas  não bloqueia o fluxo sanguíneo o suficiente para causar um acidente vascular cerebral ou um ataque isquêmico transitório, que são as principais manifestações da doença carotídea aterosclerótica.

Riscos

  • Risco de morte;
  • Acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI) ou ataque isquêmico transitório (AIT)( conhecido popularmente como derrame). Essas complicações podem causar incapacidades temporárias ou permanentes como: alterações da consciência, estado de coma ou de consciência mínima, paralisias de um ou ambos os lados do corpo, alterações da sensibilidade de um ou ambos os lados do corpo, dificuldade ou incapacidade para falar, alterações visuais de um ou ambos os olhos;
  • Acidente vascular cerebral hemorrágico (AVCH)( também conhecido popularmente como derrame). Essas complicações podem causar incapacidades temporárias ou permanentes como: coma, alterações da consciência, paralisias de um ou ambos os lados do corpo, alterações da sensibilidade de um ou ambos os lados do corpo, dificuldade ou incapacidade para falar, alterações visuais de um ou ambos os olhos;
  • Convulsões e dor de cabeça podem ocorrer em casos de síndrome da hiperperfusão que ocorre com o restabelecimento do fluxo de sangue para o cérebro e o cérebro não tolera o fluxo intenso no pós operatório levando a essa complicação;
  • Lesões de nervos cranianos que passam pelo local da incisão cirúrgica. Esses nervos controlam várias funções como: a movimentação da face, movimentação da língua, a capacidade de engolir, a sensibilidade da face, a movimentação das cordas vocais. Essas lesões podendo levar a disfunções transitórias ou permanentes como: paralisia da língua evoluindo com desvio da língua para um dos lados, dificuldade para engolir com engasgos as vezes necessitando de sonda para se alimentar, boca torta, rouquidão, dormência no pescoço e na face do lado da incisão cirúrgica. Haverá dormência no pescoço na região da cicatriz. Isso pode ser permanente. Essas complicações são frequentes na literatura mundial, mas geralmente são transitórias não deixando sequelas de longo prazo;
  • Ataque cardíaco (infarto agudo do miocárdio). Um ataque cardíaco pode ocorrer devido à sobrecarga no procedimento sobre o coração. Os exames pré-operatórios e a avaliação cardiológica no pré operatório devem ser realizados com objetivo de diminuir a chance deste tipo de evento acontecer;
  • Arritmias cardíacas. Os exames pré-operatórios e a avaliação cardiológica no pré operatório devem ser realizados com objetivo de diminuir a chance deste tipo de evento acontecer;
  • Hematomas no pescoço, causados por sangramento no local da incisão cirúrgica, causando inchaço, podendo levar a situações extremas como: bloqueio agudo das vias aéreas com necessidade de intubação de urgência ou procedimentos cirúrgicos para garantir a passagem de ar nas vias aéreas(cricotireoidostomia ou traqueostomia) e em alguns casos é necessário a reoperação de urgência. Pode ser necessário a transfusão de sangue;
  • A cicatrização da ferida operatória pode ocorrer de forma anormal gerando uma cicatriz espessa e vermelha (quelóide), além disso a cicatriz pode ser dolorosa por períodos prolongados;
  • Infecções de ferida operatória podendo requerer o uso de antibióticos e tratamentos adicionais;
  • Infecções do remendo operatório, as vezes utilizado para fechar o corte feito na artéria carótida, podendo requerer o uso de antibióticos e tratamentos adicionais;
  • Infecções pulmonares após intubação, as vezes agravada pela presença de doença pulmonar antes do procedimento, como: enfisema, bronquite, etc, além de ficar acamado no pós operatório. Isso pode requerer o uso de antibióticos e tratamentos adicionais;
  • Infecções urinárias devido a sonda vesical utilizada na cirurgia, podendo requerer o uso de antibióticos e tratamentos adicionais;
  • Pode ocorrer a formação de coágulos de sangue nas veias das pernas, denominado de trombose venosa profunda (TVP) levando a dor e inchaço na perna. Em alguns casos de TVP, parte dos coágulos podem se soltar e migrar para os pulmões conhecido como tromboembolismo pulmonar (TEP). Essa complicação muitas vezes pode ser grave com risco de morte;
  • Pode ocorrer alterações na função do rim conhecida como insuficiência renal aguda que geralmente são leves e transitórias, podendo ser grave em alguns casos necessitando de hemodiálise;
  • Alergias (se você é alérgico ou sensível a medicamentos, contraste iodado ou látex, informe ao seu médico);
  • Pode haver outros riscos com base na sua condição clínica;
  • Você pode e deve discutir com o seu médico quaisquer preocupações que lhe aflijam antes do procedimento.

O preparo

A equipe médica é quem deve explicar o procedimento para você e você pode e deve fazer perguntas que lhe pareçam pertinentes.

O seu médico irá rever o seu histórico de saúde e fazer um exame clínico para se certificar que você está em bom estado clínico para realizar o procedimento. Você pode necessitar de exames de sangue ou outros testes diagnósticos.

1- Informe o seu médico se você é sensível ou é alérgico a quaisquer medicamentos, látex, contraste, anestesia etc.Informe ao seu médico todos os medicamentos, suplementos e fitoterápicos que você está tomando.

2- Informe ao seu médico se você tiver distúrbios que causem hemorragias ou se estiver tomando quaisquer medicamentos anticoagulantes ou que afinem o sangue.

Pode ser necessário parar alguns desses medicamentos 5 a 7 dias antes do procedimento.

3- Se você está grávida ou acha que pode estar grávida, informe ao seu médico.

4- Você deverá estar em jejum de 6 a 8 horas para o procedimento, conforme orientação da equipe médica.

5- Seu médico poderá solicitar um exame de sangue antes do procedimento para avaliar a sua capacidade de coagulação.

6- Informe ao seu médico se você tem marcapasso.

7- Se você fumar pare o mais rápido possível antes do procedimento. Isso pode melhorar sua recuperação e seu estado geral de saúde. O tabagismo aumenta a formação de coágulos no sangue.

Com base na sua condição, o seu médico pode pedir outra preparação.

Outros cuidados

1. Você será solicitado a remover jóias ou outros objetos que possam interferir no momento do procedimento.

2. Você removerá sua roupa e colocará uma roupa de centro cirúrgico.

3. Você será solicitado a esvaziar sua bexiga antes do procedimento.

4. Um acesso venoso será puncionado em seu braço ou mão. Outro cateter será colocado em seu pulso para monitorar sua pressão arterial e para tirar amostras de sangue. Um ou mais cateteres adicionais podem ser colocados em seu pescoço, oposto ao local da cirurgia, para monitorar seu coração. Outros locais para o cateter incluem a área da clavícula e a virilha.

5. Se houver muitos pelos no local da cirurgia, pode ser necessária a remoção dos pelos do local.

6. Você será posicionado na mesa de operação, deitado de costas, com a cabeça levemente levantada e afastada do lado a ser operado.

7. Se necessário, poderá ser colocado uma sonda na sua bexiga para drenar a urina.

8. O anestesista verificará continuamente sua frequência cardíaca, pressão arterial, respiração e nível de oxigênio no sangue durante a cirurgia.

9. A endarterectomia pode ser feita sob anestesia local. Você terá sono, mas não sentirá dor na área operada. Você receberá um sedativo venoso antes do procedimento para ajudá-lo a relaxar. A cirurgia com anestesia local permite o controle do estado neurológico durante o procedimento permitindo que o exame clínico seja feito.

10. Se a endarterectomia for feita sob anestesia local, o anestesista irá fornecer suporte constante e mantê-lo confortável durante o procedimento. Você receberá medicamentos para dor de acordo com a necessidade.

11. Sob anestesia local, você receberá oxigênio através de um cateter que se encaixa no nariz.

12. As endarterectomias também podem ser feitas sob anestesia geral. Isso significa que você estará dormindo. Uma vez que você está sedado, um tubo de respiração será inserido em sua garganta para fornecer fluxo de ar para seus pulmões. Você estará conectado a um ventilador, que irá respirar por você durante o procedimento. Não há diferença significativa de complicações quando comparamos anestesia local com anestesia geral. A preferência do seu cirurgião é o que conta nessa decisão.

13. Você receberá uma dose de antibiótico profilático através do acesso venoso para ajudar a prevenir infecções.

14. A pele sobre o local cirúrgico será limpa com uma solução anti-séptica.

15. O cirurgião fará uma incisão na pele do pescoço no local próximo da artéria doente. Uma vez exposta a artéria será feito uma incisão na artéria para abri-la.

16. Será retirada a placa aterosclerótica que obstrui o fluxo do sangue e posteriormente a artéria será fechada, podendo ou não usar um remendo para auxiliar o fechamento da parede da artéria. O uso ou não de remendo depende da técnica cirúrgica utilizada e da preferência do cirurgião.

17. Um dreno deve ser colocado no seu pescoço antes de fechar a pele. O dreno é um pequeno tubo que é colocado no pescoço, na área operada, para drenar eventuais sangramentos que possam ocorrer no pós operatório. Geralmente, é removido em 24 a 48h após o procedimento.

18. Nas primeiras 24h após o procedimento a pressão arterial pode variar muito e você pode necessitar de medicações venosas para controle da pressão arterial dentro da meta estabelecida pelas diretrizes de segurança.

19. Se você realizou anestesia geral, o anestesista poderá acordá-lo no centro cirúrgico para avaliar o estado neurológico antes de transferí-lo para a UTI.

20. Será realizado um curativo estéril na incisão cirúrgica.

Cuidados Pós Cirúrgico

No hospital:

Uma vez que a pressão arterial, o pulso e a respiração estiverem estáveis e você estiver alerta, sem alterações neurológicas você será  encaminhado para a unidade de terapia intensiva (UTI).

As primeiras 24 h horas, são aonde ocorrem alterações mais frequentes da pressão arterial, nesse período você deve permanecer na UTI para controle da pressão arterial dentro da meta de segurança e para vigilância do estado neurológico.

Assim que o quadro estiver mais estável você deve ser transferido para uma unidade de menor complexidade, semi intensiva ou quarto de enfermaria, aonde começará a sair da cama e caminhar com auxílio dos fisioterapeutas.

O dreno colocado na incisão durante o procedimento, para drenagem de possíveis hematomas locais, deve ser retirado em 24 a 48h, caso não haja sangramento significativo.

Você receberá a dieta conforme orientação do seu médico e conforme a sua capacidade de engolir.

Certifique-se de tomar apenas os medicamentos recomendados pelo seu médico. A incisão cirúrgica pode ser um pouco dolorida o seu médico deixará medicações analgésicas que podem ser solicitadas a enfermagem.

O seu médico pode ou não realizar exames de controle no pós operatório essas condutas são individualizadas por médico.
Geralmente a alta ocorre  após 3 dias da cirurgia de endarterectomia de carótida.

Ao chegar em casa:

Em casa, é importante manter a área da incisão limpa e seca. O seu médico lhe dará instruções específicas para tomar banho.

Se forem usados pontos, eles serão removidos durante visita no consultório do seu médico. Questione o seu médico quando deverá retirar os pontos.

Você pode retornar à sua dieta normal, a menos que seu médico lhe oriente outra conduta.

Mantenha todas as medicações orientadas na alta e não introduza nem suspenda nenhum remédio sem conhecimento do seu médico.

Em geral, é aconselhável seguir uma dieta com baixo teor de gorduras. Você deve comer legumes, frutas, produtos lácteos com baixo teor de gordura, carnes magras. Evite alimentos processados ou embutidos.

Se você fumava antes do procedimento, solicite ajuda para cessação de tabagismo. O tabagismo contribui para o estreitamento e endurecimento de suas artérias.

Entre em contato com o seu médico imediatamente na presença de um ou mais dos seguintes sintomas:

  • Febre ou calafrios.
  • Inchaço, secreção ou sangramento no local da incisão cirúrgica
  • Aumento da dor ao redor do local da incisão cirúrgica

Acione imediatamente o serviço de ambulância ou vá imediatamente para o Pronto socorro do hospital na presença dos seguintes sintomas de acidente vascular cerebral:

  • Fraqueza;
  • Formigamento ou perda de sensibilidade de um lado do seu rosto ou corpo;
  • Visão dupla repentina ou dificuldade para enxergar em um ou ambos os olhos;
  • Problemas repentinos da fala com dificuldade para compreender ou se expressar;
  • Dores de cabeça intensa e de início súbito;
  • Convulsões.

Referência:

  1. Hosp. Albert Einstein

A Aorta e seus ramos

aorta

A aorta é a principal artéria do corpo humano. Ela sai do ventrículo esquerdo do coração e segue em direção a raiz do pulmão esquerdo. Depois ela passa através do diafragma até chegar ao abdômen e se divide, no nível da quarta vértebra lombar, nas artérias ilíacas direita e esquerda. Delas se nutrem as vísceras pélvicas e os membros inferiores.

Logo após sair do coração, a aorta dá lugar as artérias coronárias, que fornecem sangue para o músculo cardíaco. A partir do arco surgem as artérias subclávias e carótidas, que fornecem sustentação a cabeça e aos braços. No tórax, a parte descendente da aorta dá lugar as artérias intercostais, que se ramificam na parede do corpo.

Na região do abdômen, tem origem a artéria celíaca que se divide em gástrica, hepática e esplênica; as artérias mesentéricas que se vão para os intestinos, as artérias renais que nutrem de sangue os rins, e pequenas ramificações que se dirigem à parede do corpo e aos órgãos de reprodução.

A Pulsação Arterial

Pulsação arterial

A Pulsação arterial é o ciclo de expansão e relaxamento das artérias do corpo. Pode ser percebido facilmente em regiões específicas do corpo, sendo útil na abordagem de emergência. A pulsação corresponde às variações de pressão sanguínea na artéria durante os batimentos cardíacos. As pressões arteriais diastólica e sistólica podem ser detectadas nas artérias do braço e medidas com um aparelho chamado esfigmomanômetro.

Algumas veias também podem ter a pulsação percebida, porém são mais raras.

A palpação do pulso é um dos procedimentos clínicos mais antigos da prática médica, e representa também um gesto simbólico, pois é um dos primeiros contatos físico entre o profissional de saúde e o paciente.

Com a contração do ventrículo esquerdo há uma ejeção de um volume de sangue na aorta, e dali, para a árvore arterial, sendo que uma onda de pressão se desloca rapidamente pelo sistema arterial, onde pode ser percebida como pulso arterial. Portanto o pulso é a contração e expansão alternada de uma artéria.

As artérias em que com frequência são verificados os pulsos: artéria radial, carótidas, facial, braquial, femorais, pediosas, temporal, poplítea e tibial posterior. Nessas artérias pode ser avaliado: o estado da parede arterial, a frequência, o ritmo, a amplitude, a tensão e a comparação com a artéria contralateral.

Realizando o procedimento

  • Lavar as mãos;
  • Orientar o paciente quanto ao procedimento, e colocar o paciente em posição confortável, sentado ou deitado, porém sempre com o braço apoiado;
  • Realizar o procedimento de acordo com a técnica descrita abaixo:

– Apalpar o local onde se encontra a artéria e contar quanta pulsação há durante 1 minuto inteiro;

  • Lavar as mãos;
  • Anotar no prontuário a frequência cardíaca.

Técnica para locais de verificação

No Pulso radial, a artéria radial encontra-se entre a apófise estiloide do rádio e o tendão dos flexores, sendo que para palpá-los emprega-se os dedos indicador e médio, com o polegar fixado no dorso do punho do paciente, sendo que o examinador usa a mão direita para examinar o pulso esquerdo e vice-versa.

No Pulso carotídeo as pulsações da carótida são visíveis e palpáveis medialmente aos músculos esternocleidomastoideos. Para sua palpação, devemos colocar o polegar esquerdo (ou o indicador e dedo médio) sobre a carótida direita e vice-versa, no terço inferior do pescoço, adjacente à margem medial do músculo esternocleidomastoideo bem relaxado, aproximadamente ao nível da cartilagem cricoide.

No Pulso braquial, coloque a mão oposta por debaixo do cotovelo do paciente e utilizar o polegar para palpar a artéria braquial imediatamente medial ao tendão do músculo bíceps, sendo que o braço do paciente deve repousar com o cotovelo esticado e as palmas da mão para cima.

Você sabia?

Na Parede Arterial, a parede do vaso não deve apresentar tortuosidades, sendo facilmente depressível; na aterosclerose, ocorre deposição de sais de cálcio na parede dos vasos, sendo que à palpação notamos o mesmo endurecido, irregular, tortuoso, recebendo o nome de traqueia de passarinho.

A Frequência Cardíaca

A contagem deve ser sempre feita por um período de 1 minuto, sendo que a frequência varia com a idade e diversas condições físicas. Na primeira infância varia de 120 a 130 bat./min.; na segunda infância de 80 a 100 e no adulto é considerada normal de 60 a 100 batimentos por minuto, sendo que acima do valor normal, temos a taquisfigmia e abaixo bradisfigmia.

Na prática diária, erroneamente usamos os termos respectivamente de taquicardia e bradicardia, pois nem sempre o número de pulsações periféricas corresponde aos batimentos cardíacos. Está aumentada em situações fisiológicas como exercício, emoção, gravidez, ou em situações patológicas como estados febris, hipertireoidismo, hipovolemia entre muitos outros. A bradisfigmia pode ser normal em atletas.

O Ritmo

É dado pela sequência das pulsações, sendo que quando ocorrem a intervalos iguais, chamamos de ritmo regular, sendo que se os intervalos são ora mais longos ora mais curtos, o ritmo é irregular. A arritmia traduz alteração do ritmo cardíaco.

A Amplitude e a Magnitude

É avaliada pela sensação captada em cada pulsação e está diretamente relacionada com o grau de enchimento da artéria na sístole e esvaziamento na diástole.

A Tensão e a Dureza

É avaliada pela compressão progressiva da artéria, sendo que se for pequena a pressão necessária para interromper as pulsações, caracteriza-se um pulso mole. No pulso duro a pressão exercida para desaparecimento do pulso é grande e pode indicar hipertensão arterial.

pulso