Os Tipos de Cicatrizes

Como vai ser a minha cicatriz depois da cirurgia plástica?

Este é um dos grandes questionamentos que o paciente tem ao decidir realizar um procedimento. Primeiro é preciso saber que as cicatrizes são condições inerentes a qualquer ferida no corpo humano. Ela pode ser definitivamente, pouco ou não visível. Pode ser excelente, boa, aceitável, ruim, péssima ou quelóide.

É preciso saber que toda cirurgia é igual a uma cicatriz. Seu tamanho é compatível com o tamanho que se faz necessário à incisão. O aspecto da cicatriz depende de fatores intrínsecos de cada paciente, como idade, e também da técnica do profissional que executa a cirurgia. A boa notícia é que a maioria dos pacientes tem cicatriz excelente, boa ou aceitável.

Para o organismo, quanto mais robusta é a cicatriz, melhor, porque ele entende que o local não vai abrir novamente. Do ponto de vista estético, a cicatriz mais desejável é aquela tênue, com pouca força na sua reparação, sendo assim, muito pouco perceptível. Mas nem sempre a resposta do organismo do paciente proporciona este resultado.

O cirurgião e a cicatriz

O cirurgião vai gerar uma ferida no local da cirurgia, ou seja, vai incisar (cortar) a pele e todos os tecidos subjacentes. Depois ele precisa fazer a síntese, fechar da melhor maneira possível para que ela tenha o melhor resultado cicatricial, a cicatriz mais tênue, menos perceptível e esteticamente aceitável.

Para fazer isso, o fator técnico do profissional é fundamental. Procure sempre profissionais experientes e confiáveis.

O organismo do paciente

Se o cirurgião tem a melhor técnica, o melhor material, os melhores instrumentos para fazer a síntese da cirurgia, mas o organismo do paciente não responde bem para a melhor cicatrização, a cicatriz pode não ter o melhor resultado. Nesta situação, não há controle.

Os Tipos de Cicatrizes

O processo cicatricial tem fases: nasce, cresce, amadurece e estabiliza. Normalmente, espera-se que uma cicatriz comece a amadurecer entre dois e quatro meses após a cirurgia. Mas para alguns tipos de cicatriz, este processo dura até dois anos. Cada pessoa tem seu próprio processo cicatricial. As cicatrizes podem ser:

  • Atróficas: são cicatrizes nas quais a fase de proliferação está prejudicada. Nasceu e não teve um crescimento adequado. Em uma comparação com a altura humana, ela ficou anã. Como a cicatriz tem que ter a habilidade de juntar as duas bordas da ferida e dar condição, mesmo após o seu amadurecimento, a que essas bordas não se afastem, o contrário acontece neste tipo de cicatriz. Suas características mais marcantes são o afastamento das bordas da pele e depressão da sua localização.
  • Hipertróficas. Estas, ao contrário das atróficas, apresentam-se com crescimento além do normal. Como consequência, elas são altas e muitas vezes largas.
  • Retraída (Contratura): são cicatrizes normalmente hipertróficas, mas quais a sua região mais profunda produziu um crescimento que leva a se aderir a outros tecidos profundos. É uma força contrátil de baixo para cima ou longitudinal.
  • Queloidiana (quelóide): são cicatrizes com característica tumoral, não param de crescer. Em virtude de sua fase de crescimento ser muitíssimo exuberante, ela vai se apresentar sempre muito alta e além da superfície da pele. Invadindo as laterais, coloração muito avermelhada por causa da grande vascularização. Ela tem alguns sintomas como dor, prurido (coceira), ardência, pinicadas e choques. Quanto ao crescimento, ela pode ser verdadeira ou não. Por exemplo, pessoas que fazem quelóide em uma região específica do corpo, região pré external (entre as mamas) e regiões de pele muito espessa, como dorso e a parte externa e alta do braço. Quando verdadeira e na sua intensidade máxima, ela pode estar presente em qualquer micro lesão como foliculite, acne ou depois de micro lesões provocadas pelas unhas em um simples coçar. Podem acontecer até em lesões naturalmente ocorridas na digestão dentro do intestino. Nesses casos, a pessoa tem pouca sobrevida, pois estes quelóides vão obstruir o intestino, levando à morte.
  • Normotróficas: compõe a maioria dos resultados cicatriciais. São finas, semelhantes à superfície da pele, de cor mais clara do que à pele vizinha, sendo assim pouco perceptível à visão de uma certa distância. Nesta cicatriz todas as suas fases estão dentro da normalidade.

Referência:

  1. SBDRJ

Cicatrização: Entenda as suas fases

Cicatrização

A cicatrização é um processo natural de reparação de tecidos orgânicos lesados feito por meio das fibras colágenas derivadas dos miofibroblastos que migram para o local ferido. Essas fibras recobrem a área lesada com tecido conjuntivo fibroso e, assim, o tecido epitelial pré-existente fica temporária ou permanentemente substituído por ele.

Chama-se cicatriz à alteração tecidual que resulta deste processo de cicatrização. Em virtude da maior vitalidade dos tecidos, a cicatrização se faz de forma mais rápida nas pessoas mais jovens que nas mais idosas, embora quanto mais jovem for a pessoa, pior será o aspecto da cicatriz e quanto mais idosa, melhor. Além disso, a aparência da cicatriz depende também da localização, da natureza do trauma e da profundidade da lesão. Ao seu final, o processo de cicatrização pode deixar na pele uma cicatriz e uma alteração da sensibilidade local duradoura ou permanente.

Quais são os tipos de cicatrizes?

Algumas cicatrizes formadas pelo processo de cicatrização não deixam vestígios ou eles são quase inaparentes e vão esmaecendo lentamente com o passar do tempo. No entanto, outras cicatrizes são mais exuberantes, salientes e de coloração avermelhada, chamadas de hipertróficas. Um modelo ainda mais extravagante é constituído pelos queloides.

Ambas se devem ao excesso de produção de colágeno pelos fibroblastos, mas sempre existiu a dificuldade de se distinguir histologicamente as duas. Na verdade, o queloide parece ser uma cicatriz hipertrófica que não respondeu bem ao tratamento. Não é só o tipo de pele que interfere na maneira como se dá a cicatrização e na forma que a cicatriz assume; também influem a idade, o tipo de trauma que o tecido recebeu e a fase hormonal em que a pessoa se encontra. As cicatrizes na puberdade ou na gravidez, por exemplo, são piores que em outros momentos da vida. Há casos específicos, como o das cicatrizes provocadas por queimaduras que, às vezes, são muito extensas e causam problemas sérios para a vida.

Quais são as fases da cicatrização e como é a formação das cicatrizes?

O processo de cicatrização compreende quatro fases:

  • Limpeza: imediatamente após feridos, os tecidos libertam mediadores uímicos (exsudatos fibrinosos) na superfície, os quais em contato com o ar ressecam e formam uma crosta que, por um lado ajuda a conter a hemorragia e, por outro, protege o ferimento de contaminações externas.
  • Retração: a ação dos miofibroblastos reduz o tamanho do ferimento, contraindo-o e causando coceira. Nas cicatrizes muito extensas, como as das queimaduras, por exemplo, podem surgir contraturas musculares.
  • Granulação: é representada pelo novo tecido em crescimento para preencher o defeito. Juntamente com ele há um processo de angiogênese, o qual forma os vasos que vão irrigar essa nova estrutura.
  • Re-epitelização: as células epiteliais começam a se introduzir por debaixo da crosta, a partir das bordas, e dão fim ao processo de reparo. As células epiteliais crescem e restabelecem a continuidade do revestimento.

Como é tratado a cicatrização e as cicatrizes?

Atualmente, tanto existem recursos clínicos quanto cirúrgicos que permitem bons resultados na prevenção e tratamento das anomalias cicatriciais. Quanto mais precocemente iniciar-se o tratamento, melhores serão os resultados. Como existe uma característica individual dos processos de cicatrização, é de todo relevante colher-se uma história de como se dá esse processo no indivíduo e em sua família. Se for detectada a tendência para formar más cicatrizes (queloides, por exemplo) é fundamental o início precoce do tratamento.

As cicatrizes que se referem a ferimentos pequenos e superficiais em geral desaparecem por si mesmas, em maior ou menor tempo. Algumas cicatrizes são permanentes, porém seus maus efeitos estéticos ou funcionais podem ser amenizados com cremes, laser ou até mesmo enxertos. O tratamento deve visar a prevenção e a remoção das cicatrizes hipertróficas e queloidais. Nas queimaduras, as áreas queimadas não se regeneram todas por igual nem ao mesmo tempo e o tratamento deve começar pelas partes já cicatrizadas. Dependendo do tamanho e natureza da cicatriz esses tratamentos podem usar medicações tópicas, malhas compressivas, massagens, gel de silicone e, mesmo, cirurgia. Mais recentemente os raios laser têm sido tentados com sucesso no objetivo de remover ou minimizar a má aparência de algumas cicatrizes.

Quais são os cuidados que se deve ter com a cicatrização e com as cicatrizes?

  • É preciso hidratar a pele com cremes hidratantes. Isso diminui o prurido provocado pela cicatrização dos tecidos.
  • Se a coceira for muito intensa, pode-se pedir para prescrever um anti-histamínicos ou mesmo um corticoide de baixa potência.
  • A superfície recém cicatrizada não tolera arranhaduras, que podem inclusive romper os pontos da sutura.
  • Em regra, as bolhas que precedem as cicatrizações das queimaduras, pequenas ou grandes, não devem ser rompidas. EVITE fazer isso em ambiente doméstico e hospitalar; quando muito necessário, fazê-lo num ambiente cirúrgico estéril.
  • É importante que a pessoa não coce e não arranhe as cicatrizes. Afinal, passar a mão sobre a área cicatrizada aumenta a sensação de coceira. De qualquer maneira, pessoas com a pele em processo de cicatrização devem manter suas unhas sempre limpas e muito bem cortadas.
  • O paciente não deve expor-se ao sol enquanto a cor da cicatriz não tiver adquirido uma tonalidade próxima à da pele normal e deve usar filtro solar para proteger a cicatriz, assim como deve fazer com qualquer outra parte da pele.