Classificação das Cirurgias: Porte e Risco Cardiológico

Para nós, desvendar os meandros do ambiente cirúrgico é uma jornada essencial. Compreender como as cirurgias são classificadas, tanto pela sua complexidade quanto pelo risco que representam para o coração do paciente, é um conhecimento fundamental que guiará nossos cuidados e decisões à beira do leito.

Vamos juntos explorar essa classificação, tornando esses conceitos mais claros e aplicáveis à nossa futura prática profissional.

A Complexidade em Escala: Classificação das Cirurgias Quanto ao Porte (Porte 1, 2, 3 e 4)

A classificação das cirurgias quanto ao porte busca categorizar os procedimentos cirúrgicos com base em sua complexidade, tempo de duração estimado, extensão da manipulação tecidual, potencial de sangramento e a necessidade de recursos e cuidados pós-operatórios.

Essa categorização nos ajuda a antecipar as demandas do paciente e a planejar os cuidados de enfermagem de forma mais assertiva. Uma das classificações utilizadas divide as cirurgias em Porte 1, 2, 3 e 4:

Cirurgias de Porte 1

Esses procedimentos são considerados de menor complexidade, geralmente com tempo de duração reduzido, mínima manipulação tecidual e baixo risco de sangramento significativo. O pós-operatório costuma ser tranquilo, com menor necessidade de monitorização intensiva e, frequentemente, com possibilidade de alta precoce.

Exemplos: Excisão de pequenas lesões cutâneas, biópsias simples, pequenas herniorrafias (correção de hérnias pequenas), cirurgias de catarata sem complicações, inserção de cateteres venosos periféricos de curta permanência.

Cuidados de Enfermagem: No pós-operatório imediato, o foco principal é o controle da dor leve, a observação do sítio cirúrgico quanto a sinais de sangramento ou infecção, a orientação ao paciente e seus familiares sobre os cuidados domiciliares (higiene, curativo, sinais de alerta) e a promoção da mobilização precoce.

Cirurgias de Porte 2

Esses procedimentos apresentam uma complexidade intermediária, com um tempo de duração um pouco maior, manipulação tecidual mais extensa e um risco moderado de sangramento.

O pós-operatório requer uma atenção mais direcionada, com monitorização dos sinais vitais e da função do órgão operado, além de um controle da dor mais rigoroso. O tempo de internação costuma ser mais prolongado que nas cirurgias de Porte 1.

Exemplos: Colecistectomia (retirada da vesícula biliar) laparoscópica, apendicectomia (retirada do apêndice), histerectomia (retirada do útero) por via vaginal ou abdominal em casos não oncológicos, tireoidectomia parcial, prostatectomia transuretral (raspagem da próstata).

Cuidados de Enfermagem: Além dos cuidados do Porte 1, é fundamental monitorar o balanço hídrico, prevenir náuseas e vômitos pós-operatórios, observar a eliminação urinária e intestinal, orientar sobre a progressão da dieta e incentivar a realização de exercícios respiratórios para prevenir complicações pulmonares. A avaliação da ferida operatória quanto a sinais de infecção deve ser constante.

Cirurgias de Porte 3

Esses procedimentos são considerados de maior complexidade, com tempo de duração significativo, extensa manipulação de tecidos e órgãos, e um risco considerável de sangramento e instabilidade hemodinâmica. O pós-operatório frequentemente exige internação em unidade de terapia semi-intensiva ou intensiva para monitorização contínua e suporte especializado.

Exemplos: Cirurgias cardíacas (revascularização do miocárdio sem circulação extracorpórea, implante de marca-passo), colectomia parcial (retirada de parte do intestino), nefrectomia (retirada do rim), mastectomia radical, cirurgias vasculares periféricas com necessidade de reconstrução.

Cuidados de Enfermagem: O cuidado pós-operatório demanda monitorização hemodinâmica invasiva (em alguns casos), controle rigoroso dos sinais vitais, avaliação da função dos sistemas orgânicos (cardiovascular, respiratório, renal, neurológico), controle da dor moderada a intensa, prevenção de trombose venosa profunda e embolia pulmonar, além de cuidados com drenos e ostomias, se presentes. A comunicação constante com a equipe médica é essencial para identificar e intervir precocemente em qualquer complicação.

Cirurgias de Porte 4

Esses são os procedimentos de mais alta complexidade, com tempo cirúrgico prolongado, manipulação extensa de múltiplos órgãos e sistemas, alto risco de sangramento maciço e instabilidade hemodinâmica grave. O pós-operatório invariavelmente requer internação em unidade de terapia intensiva (UTI) com suporte ventilatório, hemodinâmico e metabólico avançado. O risco de complicações graves e mortalidade é significativo.

Exemplos: Transplantes de órgãos (coração, pulmão, fígado, rim), cirurgias cardíacas com circulação extracorpórea, ressecções tumorais complexas envolvendo múltiplos órgãos, cirurgias de grande porte em pacientes críticos.

Cuidados de Enfermagem: O cuidado pós-operatório é extremamente especializado e exige monitorização contínua e intensiva de todos os sistemas orgânicos, controle hemodinâmico com drogas vasoativas, suporte ventilatório mecânico, controle da dor intensa, prevenção de infecções graves (sepse), falência de múltiplos órgãos e outras complicações letais. A atuação do enfermeiro é crucial na manutenção da estabilidade do paciente, na administração precisa de múltiplas medicações e terapias, e no suporte à família nesse momento crítico.

Avaliando a Vulnerabilidade Cardíaca: Classificação do Risco Cardiológico (Pequeno, Médio e Grande Porte)

Paralelamente à classificação do porte cirúrgico, a avaliação do risco cardiológico pré-operatório é um pilar fundamental para identificar pacientes com maior probabilidade de desenvolverem complicações cardíacas durante ou após a cirurgia.

Essa estratificação auxilia a equipe multidisciplinar na tomada de decisões, na otimização da condição clínica do paciente antes do procedimento e no planejamento dos cuidados perioperatórios. Uma forma simplificada de classificar o risco cardiológico é em pequeno, médio e grande porte:

Risco Cardiológico de Pequeno Porte

Pacientes classificados com risco cardiológico de pequeno porte geralmente não apresentam fatores de risco cardiovascular significativos ou possuem fatores de risco bem controlados e sem evidências de doença cardíaca clinicamente relevante. O risco de eventos cardíacos adversos maiores (MACE) é considerado baixo.

Exemplos: Pacientes jovens e saudáveis submetidos a cirurgias de Porte 1.

Cuidados de Enfermagem: A monitorização de rotina dos sinais vitais no período perioperatório é, em geral, suficiente. A atenção deve estar voltada para a identificação de sinais precoces de qualquer complicação, incluindo as não cardíacas.

Risco Cardiológico de Médio Porte

Pacientes com risco cardiológico médio apresentam um ou mais fatores de risco cardiovascular (como hipertensão arterial sistêmica não controlada, diabetes mellitus, doença arterial coronariana estável, insuficiência renal crônica leve a moderada) ou serão submetidos a cirurgias de Porte 2 ou 3 com risco inerente moderado. O risco de MACE é considerado intermediário.

Exemplos: Pacientes idosos com hipertensão controlada submetidos a colecistectomia laparoscópica (Porte 2).

Cuidados de Enfermagem: Nesses casos, é crucial uma monitorização mais atenta dos sinais vitais, incluindo a avaliação de sinais sugestivos de isquemia miocárdica (dor torácica, alterações no eletrocardiograma), arritmias e sinais de insuficiência cardíaca. A adesão à terapia medicamentosa pré-existente e o seguimento das recomendações médicas para controle dos fatores de risco são importantes.

Risco Cardiológico de Grande Porte

Pacientes com risco cardiológico grande apresentam condições cardíacas instáveis ou graves (como angina instável, infarto agudo do miocárdio recente, insuficiência cardíaca descompensada, arritmias ventriculares complexas, estenose aórtica grave sintomática) ou serão submetidos a cirurgias de Porte 3 ou 4 com alto risco inerente. O risco de MACE é significativamente elevado.

Exemplos: Pacientes com angina instável submetidos a cirurgia de revascularização do miocárdio (Porte 4).

Cuidados de Enfermagem: Esses pacientes requerem monitorização hemodinâmica invasiva em muitos casos, controle rigoroso dos sinais vitais, identificação e tratamento imediato de qualquer evento cardíaco adverso. A internação em UTI no período pós-operatório é quase sempre necessária. A comunicação constante com a equipe médica e a implementação de medidas de suporte avançado são cruciais.

A Dança Complexa dos Cuidados: Integrando Porte e Risco Cardiológico

É essencial compreender que o porte da cirurgia e o risco cardiológico do paciente interagem de forma complexa e sinérgica. Um paciente com alto risco cardiológico submetido a uma cirurgia de grande porte demandará uma atenção e cuidados muito mais intensivos e especializados do que um paciente com baixo risco cardiológico submetido a um procedimento de pequeno porte.

Nosso papel como profissionais de enfermagem transcende a simples execução de tarefas. Envolve a capacidade de integrar essas classificações, antecipar as necessidades do paciente, prevenir complicações, promover o conforto e garantir uma recuperação segura e eficaz.

A observação atenta, a comunicação clara e precisa com a equipe multidisciplinar e o conhecimento aprofundado sobre as possíveis intercorrências em cada cenário cirúrgico são pilares da nossa atuação.

Referências:

  1. American College of Cardiology/American Heart Association Task Force on Practice Guidelines. (2014). ACC/AHA guideline on perioperative cardiovascular evaluation and management of patients undergoing noncardiac surgery: executive 1 summary: a report of the American College of Cardiology/American Heart Association Task Force on Practice Guidelines. Circulation, 130(24), 2 2219-2264. https://www.ahajournals.org/doi/full/10.1161/CIR.0000000000000105  
  2. Kozeluh, M., & Fialová, D. (2020). Preoperative risk assessment in non-cardiac surgery: current recommendations and future perspectives. Kardiochirurgia i Torakochirurgia Polska, 17(1), 1-7. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7141828/
  3. Sociedade Brasileira de Cardiologia. (2017). Diretriz de Avaliação Cardiovascular Pré-Operatória. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 109(3 Supl. 1), 1-104. https://doi.org/10.5935/abc.20170107

Feridas na Pele: Entendendo as Causas

Feridas abertas, cortes, escoriações… Quem nunca teve uma? As feridas na pele são uma parte natural da vida, mas cada uma delas tem suas particularidades, especialmente quando falamos sobre as causas.

Nesta publicação, vamos explorar os principais tipos de feridas, classificando-as de acordo com a causa: cirúrgicas, traumáticas, ulcerativas e por queimaduras.

Feridas Cirúrgicas

Resultantes de procedimentos cirúrgicos, são incisões feitas por um profissional de saúde com o objetivo de realizar uma cirurgia.

Por que acontecem?

 São planejadas e realizadas em ambiente controlado, com o objetivo de tratar alguma condição médica ou realizar uma cirurgia eletiva.

Características: Geralmente possuem bordas bem definidas e são mais previsíveis em termos de cicatrização.

Cuidados de Enfermagem:

  • Avaliação: Observar sinais de infecção (vermelhidão, calor, dor, edema, secreção purulenta), deiscência (abertura da ferida) e evisceração (protrusão de órgãos internos).
  • Limpeza: Realizar limpeza com solução salina 0,9% e técnica asséptica.
  • Curativos: Utilizar curativos adequados para cada fase da cicatrização, promovendo um ambiente úmido e protegendo a ferida.
  • Controle da dor: Administrar analgésicos conforme prescrição médica.
  • Promoção da mobilização: Incentivar o paciente a realizar movimentos leves para prevenir complicações como trombose venosa profunda.

Feridas Traumáticas

Causadas por acidentes, quedas, impactos ou objetos cortantes.

Por que acontecem?

 São imprevisíveis e podem ocorrer em qualquer lugar e a qualquer momento.

Características: Podem variar muito em tamanho, profundidade e localização, dependendo do tipo de trauma.

Cuidados de Enfermagem:

  • Controle da hemorragia: Aplicar pressão direta sobre a ferida e elevar o membro afetado.
  • Limpeza e debridamento: Remover corpos estranhos e tecido necrosado, utilizando técnicas adequadas.
  • Curativos: Utilizar curativos oclusivos para proteger a ferida e promover a cicatrização.
  • Profilaxia contra o tétano: Administrar imunoglobulina e vacina antitetânica, se necessário.

Feridas Ulcerativas

Lesões abertas e crônicas que não cicatrizam espontaneamente.

Por que acontecem?

Geralmente são causadas por problemas de circulação, pressão, infecções ou doenças como diabetes.

Características: São mais profundas e podem apresentar tecido necrosado (morto).

Cuidados de Enfermagem:

  • Avaliação: Identificar a causa da úlcera e avaliar fatores de risco.
  • Desbridamento: Remover tecido necrosado para promover a cicatrização.
  • Limpeza: Realizar limpeza com solução salina 0,9% e técnica asséptica.
  • Curativos: Utilizar curativos adequados para o tipo de úlcera, promovendo um ambiente úmido e protegendo a ferida.
  • Controle da dor: Administrar analgésicos conforme prescrição médica.

Feridas por Queimaduras

Lesões causadas por exposição a altas temperaturas, produtos químicos, radiação ou eletricidade.

Por que acontecem?

Acidentes domésticos, industriais ou exposição ao sol são as principais causas.

Características: A profundidade da queimadura determina a gravidade e a dificuldade de cicatrização.

Cuidados de Enfermagem:

  • Resfriamento: Resfriar a área queimada com água corrente.
  • Limpeza: Remover roupas e joias da área queimada.
  • Curativos: Aplicar curativos úmidos para aliviar a dor e prevenir a infecção.
  • Controle da dor: Administrar analgésicos e sedativos conforme prescrição médica.
  • Repor líquidos e eletrólitos: Monitorar o balanço hídrico e administrar soluções intravenosas.

Qual a importância de saber a causa da ferida?

Conhecer a causa da ferida é fundamental para:

  • Diagnóstico: Permite ao médico identificar a melhor forma de tratar a lesão.
  • Tratamento: Cada tipo de ferida requer um tratamento específico para promover a cicatrização e evitar complicações.
  • Prevenção: Ao identificar a causa, é possível tomar medidas para prevenir o surgimento de novas feridas.

As feridas na pele podem ter diversas causas, e cada uma delas possui características e necessidades de tratamento específicas. Se você tiver alguma ferida que não cicatriza ou que causa preocupação, procure um médico para avaliação.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Protocolo de tratamento de feridas. Brasília, 2010.
  2. EBSERH

Equipe Cirúrgica: A composição

Uma cirurgia bem-sucedida depende não apenas da habilidade do cirurgião, mas da atuação sincronizada de toda a equipe cirúrgica.

Cada profissional desempenha um papel fundamental, garantindo a segurança do paciente e o sucesso do procedimento.

Neste artigo, vamos explorar as funções de cada membro dessa equipe multidisciplinar.

A Equipe Cirúrgica: Quem são e quais suas funções?

Cirurgião

É o profissional responsável por planejar e executar o procedimento cirúrgico. Ele realiza as incisões, isola os tecidos, remove tumores, repara lesões e fecha a ferida.

Além de realizar a cirurgia, o cirurgião é responsável por comunicar ao paciente e à família os riscos e benefícios do procedimento, obter o consentimento informado e coordenar a equipe cirúrgica.

Anestesista

Responsável pela indução, manutenção e recuperação da anestesia. Avalia as condições clínicas do paciente, escolhe o tipo de anestesia mais adequado e monitora os sinais vitais durante todo o procedimento.

O anestesista garante que o paciente esteja confortável e seguro durante a cirurgia, controlando a dor, a ansiedade e os reflexos. Ele também monitora os sinais vitais e ajusta a anestesia conforme necessário.

Cirurgião Auxiliar ou Assistente

 Auxilia o cirurgião principal durante a cirurgia, realizando tarefas como hemostasia, passagem de instrumentos e sutura.

Realiza tarefas como hemostasia, passagem de instrumentos e sutura. Ele também pode realizar procedimentos menores, como a retirada de tecidos para biópsia.

Instrumentador Cirúrgico

 É o profissional responsável pela organização da mesa cirúrgica, pela escolha e passagem dos instrumentos cirúrgicos, além de manter a contagem dos instrumentos e materiais utilizados durante a cirurgia.

O instrumentador é um profissional altamente especializado, responsável por conhecer todos os instrumentos cirúrgicos e suas funções. Ele trabalha em estreita colaboração com o cirurgião, antecipando suas necessidades e garantindo que os instrumentos estejam prontamente disponíveis.

Circulante de Sala

É o enfermeiro responsável pela assistência ao paciente e à equipe cirúrgica durante o procedimento. Ele verifica a identificação do paciente, prepara o campo cirúrgico, auxilia na passagem de instrumentos e monitora os sinais vitais do paciente.

O circulante de sala é o elo entre a equipe cirúrgica e a equipe de enfermagem. Ele é responsável por garantir a segurança do paciente, monitorar os sinais vitais, administrar medicamentos e comunicar qualquer anormalidade à equipe.

A Importância do Trabalho em Equipe

A cirurgia é um procedimento complexo que exige a colaboração de todos os membros da equipe cirúrgica. A comunicação clara e eficiente entre os profissionais é fundamental para garantir a segurança do paciente e o sucesso do procedimento.

Cada membro da equipe tem um papel crucial a desempenhar, e a falta de um deles pode comprometer todo o processo.

A equipe cirúrgica é composta por diversos profissionais, cada um com suas funções específicas. A atuação conjunta e coordenada desses profissionais é fundamental para garantir a segurança e o sucesso do procedimento cirúrgico.

Referências:

  1. PROCESSO-CONSULTA CREMESE N.º 01/2013 – PARECER CREMESE N.º15/2018 
  2. Amato

Degermação Cirúrgica

A degermação cirúrgica é um procedimento que visa reduzir o risco de infecções nos sítios cirúrgicos, removendo a flora bacteriana e outros resíduos da pele.

Para isso, utiliza-se uma solução antisséptica degermante, como a clorexidina a 2%, e uma escovação mecânica das mãos e dos antebraços.

A degermação cirúrgica é uma medida importante de prevenção e controle de infecções hospitalares.

Executor

A atividade pode ser realizada pelo enfermeiro, técnico de enfermagem, auxiliar de enfermagem, médicos, residentes, todos aqueles que forem participar do procedimento.

Materiais Necessários

  • Água corrente;
  • Clorexidina degermante a 2%;
  • Escova descartável (esponja) ou a escova descartável já impregnada com a clorexidina degermante a 2%;
  • Compressas cirúrgicas.

Passo a Passo

  • Retirar os adornos (anéis, pulseiras, relógios, etc.);
  • Abrir a torneira e molhar as mãos, antebraços e cotovelos;
  • Molhar as mãos e antebraços até os cotovelos, manter as mãos em altura superior aos cotovelos, a água deve fluir da área menos contaminada para a mais contaminada;
  • Friccionar a esponja da escova, contendo solução degermante antisséptica para uso individual por 5 (cinco) minutos para a primeira cirurgia do dia e por 3 (três) minutos para as cirurgias subsequentes, se realizadas dentro de 1 (uma) hora após a primeira escovação;
  • Escovar as mãos e antebraços, iniciando pela ponta dos dedos (cerda), seguindo com a esponja para os espaços interdigitais, face palmar, face dorsal das mãos, face anterior e posterior do antebraço e cotovelo, mantendo as mãos sempre em nível acima dos cotovelos;
  • Enxaguar as mãos e antebraços em água corrente, no sentindo das mãos para os cotovelos, retirando todo o resíduo do produto;
  • Fechar a torneira com o cotovelo;
  • Secar as mãos com compressas estéreis, realizando movimentos compressivos, iniciando pelas mãos e seguindo pelos antebraços e cotovelos, atentando para utilizar as diferentes dobras de compressas para regiões distintas;

Recomendações

  • Realizar a degermação no pré-operatório antes de qualquer procedimento cirúrgico;
  • Realizar a degermação antes da realização de procedimentos invasivos (inserção de cateter venoso central, punções, drenagens de cavidades, pequenas suturas, instalação de diálise, entre outros);
  • Manter as unhas naturais, limpas e curtas;
  • As cerdas da escova são utilizadas somente para limpeza das unhas. A parte macia da esponja é utilizada para todo restante do procedimento;
  • A escoriação das mãos por escovas de cerdas duras ou por reação alérgica a antissépticos pode facilitar o crescimento de bactérias gram negativas.

Ações em caso de não conformidade

  • Refazer o procedimento se contaminar as mãos.

Referências:

  1. ANVISA. AGENCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Segurança do Paciente em Serviços de Saúde: Higienização das Mãos. 2009.
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Resolução da Diretoria Colegiada – RDC nº 42 de 26 de outubro de 2010. Dispõe sobre a obrigatoriedade de disponibilização de preparação alcoólica para fricção antisséptica das mãos, pelos serviços de saúde do País, e dá outras providências. Disponível em: http://www20.anvisa.gov.br/segurancadopaciente/index.php/legislacao/item/rdc42-de-25-de-outubro-de-2010. 
  3. RITZMAN, L; KRAJEWSKI, L. J.. Administração da produção e operações. São Paulo: Prentice Hall, 2004. 

Compressa Cirúrgica Vs Gaze: As diferenças

Gaze e compressa estéril são dois tipos de materiais usados para cobrir feridas e evitar infecções.

As diferenças

A principal diferença entre eles é o modo de fabricação e a forma de apresentação:

A gaze é um tecido fino e poroso, que pode ser cortado em pedaços de acordo com a necessidade.

A compressa cirúrgica é um produto pronto, que já vem embalado individualmente e tem uma camada absorvente no centro.

Ambos devem ser trocados com frequência e descartados após o uso, podem possuir fio radiopaco para detecção da compressa imersa em sangue durante o raio-x.

Escolha

A escolha entre gaze e compressa estéril depende do tipo e da localização da ferida, do grau de exsudação (secreção de líquido) e da preferência do profissional de saúde.

Em geral, a compressa estéril é mais indicada para feridas com maior exsudação, pois tem maior capacidade de absorção e evita o contato direto da gaze com o tecido lesionado.

A gaze, por sua vez, é mais adequada para feridas com menor exsudação ou para fixar outros curativos, como pomadas ou cremes.

Referência:

  1. https://cremer.net.br/produto/compressa-de-campo-operatorio-esteril/

Tesouras Cirúrgicas: Conheça os Tipos

As tesouras cirúrgicas estão entre os principais instrumentais utilizados para realizar uma cirurgia. Elas são conhecidas como instrumentos de diérese, ou seja, feitas para serem usadas em procedimentos cirúrgicos que necessitam fazer uma divisão dos tecidos.

As tesouras possuem duas lâminas opostas que se opõem uma à outra para que haja o corte. Ela é utilizada não só para cortar tecidos do paciente, como também para cortar materiais e fios de sutura.

Existem muitos tipos de tesouras cirúrgicas, mas hoje nós vamos falar dos três modelos que são mais utilizados: a tesoura de Mayo, Metzembaum e Iris.

Tipos de Pontas

As tesouras cirúrgicas podem ser encontradas com as duas pontas rombas (arredondadas), duas pontas finas e ainda com uma ponta fina e outra ponta romba. Elas podem ser retas ou curvas e ter as lâminas serrilhadas ou simples.

Apesar de todas as tesouras poderem ser usadas de acordo com a necessidade do médico, cada uma têm uma função específica de acordo com suas características.

  • Rombas: as tesouras de duas pontas arredondadas são indicadas para fazer a dissecção romba — que é a separação das camadas dos tecidos do corpo. A tesoura é inserida fechada e suavemente é aberta e puxada, ato conhecido como divulsionar tecidos.
  • Finas: as tesouras de duas pontas finas são mais usadas para cortar fios de sutura. Quando muito finas, não são indicadas para divulsionar tecidos, pois ela pode romper alguma estrutura ou perfurar algum vaso, por mais cauteloso que o médico seja.
  • Romba/fina: mais utilizada para cortar tecidos e bandagens (não indicada para corte de fios de aço, pois isso danifica a lâmina).
  • Retas: as tesouras retas são mais usadas para cortar algum outro tipo de material que possa vir a ser usado ou fios de sutura.
  • Curvas: as tesouras curvas são mais utilizadas para cortar os tecidos dos pacientes. Isso porque esse tipo de tesoura facilita o corte pela questão anatômica.
  • Serrilhada: as tesouras com lâmina serrilhada servem para segurar o tecido durante o corte.
  • Simples: as lâminas simples são as lâminas comuns.

Variações de tamanhos

Algumas tesouras podem ser encontradas em diferentes tamanhos, como a tesoura de Mayo e de Metzembaum. Isso acontece para facilitar o trabalho do cirurgião. As tesouras longas, médias e curtas facilitam o manuseio em diferentes tipos de pacientes.

Geralmente, as tesouras de tamanho médio são as mais utilizadas. Mas, por exemplo, se o paciente tem um abdômen grande, é melhor utilizar uma tesoura longa. Em outros casos, se a cirurgia é em uma criança, a tesoura curta vai ajudar a fazer um trabalho mais preciso.

Tesoura de Mayo

A tesoura de Mayo é uma tesoura pesada e robusta, sendo mais utilizada em tecidos e musculaturas mais fortes. Ela pode ter as pontas rombas, finas ou romba/fina e na forma reta ou curva.

Esse tipo de tesoura pode ser encontrado em vários tamanhos. A característica que a diferencia dos outros modelos é que a área de corte é do mesmo tamanho da haste.

Tesoura de Metzembaum

Por ser um pouco mais delicada, a tesoura de Metzembaum é muito mais utilizada pelos cirurgiões do que a tesoura de Mayo. Ela também pode ser encontrada com pontas curvas e retas e de vários tamanhos.

Tesoura de Iris

A tesoura de Iris é uma tesoura delicada e de ponta fina que também se apresenta nas formas curvas e retas. Ela é mais utilizada em cirurgias delicadas (como as pediátricas e as de mão) e em tecidos leves.

A característica que a diferencia é seu tamanho. Ela é bem pequena e costuma ter por volta de 12 centímetros.

Tesoura Spencer

Esse modelo de tesoura cirúrgica tem como função a retirada de pontos.

Tesoura Lister

Esse tipo de instrumental cirúrgico é muito usado em procedimentos ortopédicos para cortar bandagens.

Tesoura Littauer

Outro tipo de tesoura cirúrgica muito utilizada pelos cirurgiões é a tesoura Littauer.

Esse equipamento foi especificamente projetado para auxiliar em cortes de pontos e suturas.

Suas lâminas são moldadas em formato de gancho, permitindo que a tesoura cirúrgica deslize pelas suturas de forma mais leve e fácil. Essa característica evita que a sutura ou o ponto escorregue para longe da lâmina quando o profissional for realizar o corte.

Tesoura Stevens

Com um design altamente especializado, a tesoura cirúrgica Stevens é muito utilizada para a realização de cirurgias mais complexas e delicadas. Considerada pequena em comparação com as outras tesouras cirúrgicas, esse equipamento possui lâminas estreitas e deve ser manuseado com muita atenção e cuidado.

Cirúrgica ou de Uso Geral

Indicada para corte de fios ou outros materiais inanimados.

Cuidados com a Tesoura Cirúrgica

O principal cuidado com as tesouras para cirurgia é com relação a assepsia. Em geral, as tesouras são feitas em aço inoxidável, material que torna a limpeza mais fácil, além de durar mais. Por isso, seja através da esterilização ou desinfecção, é importante realizar a limpeza corretamente.

Esse processo é fundamental para proteger a vida dos pacientes. A esterilização é um processo feito para acabar com a vida microbiana presente no instrumento. Fazer esse procedimento de maneira incorreta pode fazer com que o equipamento seja usado contaminado e gerar danos fatais.

Miomectomia

miomectomia é o procedimento cirúrgico de remoção de miomas uterinos (ou leiomiomas), tumores benignos que podem se formar em diferentes locais do útero e provocar sintomas na mulher, embora a doença seja, na grande maioria dos casos, assintomática.

Classificação

  • Submucosos – aqueles que se desenvolvem dentro da cavidade uterina;
  • Intramurais – acometem o miométrio, a parede do útero;
  • Subserosos – formam-se na região mais externa do útero.

Indicação

Esse procedimento cirúrgico é indicado para o tratamento conservador dos miomas uterinos, mantendo-se o útero, preservando o órgão reprodutivo feminino. Sua indicação depende do tipo de mioma, da quantidade e das dimensões dos nódulos, assim como dos sintomas descritos pela paciente.

Dentro da cirurgia minimamente invasiva, a miomectomia por laparoscopia é, de modo geral, indicada para miomas intramurais e subserosos, enquanto a miomectomia histeroscópica é indicada para os miomas submucosos.

miomectomia abdominal por laparotomia é indicada em casos muito específicos, mas atualmente é pouco utilizada, uma vez que a laparoscopia e a histeroscopia cirúrgica permitem a operação de praticamente todos os tipos de miomas.

A cirurgia robótica pode ser uma alternativa à miomectomia laparoscópica, entretanto sem benefícios adicionais para a paciente quando comparada às laparoscopias realizadas por cirurgiões capacitados.

Técnicas cirúrgicas para remoção dos miomas

Existem três técnicas cirúrgicas que possibilitam a retirada dos miomas:

  • Miomectomia por laparoscopia;
  • Miomectomia abdominal;
  • Miomectomia histeroscópica.

Miomectomia por laparoscopia

A laparoscopia é uma cirurgia endoscópica minimamente invasiva indicada para o tratamento de diversas condições e doenças, como determinados tipos de miomas.

Na laparoscopia, fazemos algumas pequenas incisões, geralmente com tamanho máximo de 1 cm no abdômen para introduzir uma microcâmera (laparoscópio) e outros instrumentos para a retirada dos miomas.

A laparoscopia é uma técnica cirúrgica avançada realizada sob anestesia geral que permite diversos tipos de intervenções sem grandes agressões ao corpo, com menores incisões, menor tempo de internação hospitalar e retomada mais rápida das atividades habituais.

Miomectomia abdominal

miomectomia abdominal é realizada por laparotomia. Diferentemente da laparoscopia, na laparotomia é realizada uma incisão no abdômen da mulher e o cirurgião faz a intervenção direta nos miomas, sem o auxílio do sistema ótico utilizado na laparoscopia.

miomectomia por laparotomia também é feita sob anestesia geral.

Miomectomia histeroscópica

miomectomia histeroscópica também é uma cirurgia minimamente invasiva, na qual a câmera e o instrumento de trabalho são introduzidos no útero pela vagina após a dilatação do colo uterino.

Feita sob sedação, em ambiente hospitalar, distende-se a cavidade endometrial com soro fisiológico, o que permite o acesso e a visualização da cavidade uterina.

Prescinde de cicatrizes, permitindo uma recuperação rápida das pacientes, exigindo uma internação rápida.

Está indicada para o tratamento dos miomas submucosos.

Cuidados no Pós-operatório

A laparoscopia e a histeroscopia são procedimentos menos invasivos. Assim sendo, a mulher recebe alta precoce, geralmente no mesmo dia ou no dia seguinte ao procedimento, e necessitando manter repouso menor quando comparado com a laparotomia, geralmente retornando às suas atividades profissionais em 10 dias e às atividades físicas após 30 dias.

Referência:

  1. Womens.es

 

Mesa de Mayo: Para que serve?


A Mesa de Mayo às vezes chamada de mesa cirúrgica, é uma mesa auxiliar localizada dentro da sala de cirurgia, e em setores de assistência na qual estão dispostos todos os instrumentos cirúrgicos necessários à um procedimento.

Geralmente, o material com o qual a mesa Mayo é construída é aço inoxidável e tem uma superfície plana e uma perna com rodas para que possa ser facilmente movida conforme necessário.

Por que esse nome, Mayo?

A mesa cirúrgica foi inventada pelos irmãos William Mayo e Charles Mayo, filhos do médico William Worrall Mayo, fundador da prestigiosa Mayo Clinic em Minnesota, Estados Unidos.

Os dois irmãos, ambos cirurgiões, substituíram a Clínica Mayo do pai e introduziram várias inovações no campo da cirurgia, sendo a mesa de mayo cirúrgica uma delas.

A Real Finalidade da Mesa de Mayo

É utilizada para colocar todos os instrumentos cirúrgicos de que o cirurgião precisará imediatamente para realizar uma procedimento. Tendo como objetivo ter todo o material cirúrgico em mãos para dar continuidade aos horários específicos da intervenção de acordo com as manobras do cirurgião. Dessa forma, o instrumentador não perde tempo procurando o material que o cirurgião solicita durante a cirurgia.

Em setores assistenciais (enfermarias, UTIs, ambulatórios), a Mesa de Mayo serve para auxiliar procedimentos corriqueiros de enfermagem, como sondagens, cateterismos, até procedimentos julgados pequenos, como traqueostomia, drenagem torácica.

Existem Mesas de Mayos que podem ser utilizados para as refeições, já que se encaixam no leito hospitalar, proporcionando conforto ao paciente.

Onde as Mesas de Mayo são colocadas, durante um procedimento cirúrgico?

Durante a cirurgia, são utilizadas mais duas mesas além da mesa de Mayo: a mesa de rins(mesa de riñón ou mesa circular) e a mesa de instrumentos cirúrgicos.

A localização da mesa do instrumental cirúrgico é de extrema importância para o correto desenvolvimento da cirurgia. Deve ser colocado em um local que permita ao instrumentador visualizar os movimentos e indicações do cirurgião a todo momento.

O instrumentador deve acompanhar o desenvolvimento da cirurgia em todos os momentos e se antecipar às necessidades do cirurgião e de sua equipe, que geralmente se posicionam do lado direito para realizar as intervenções.

A mesa de Mayo, por conter os instrumentos de que o cirurgião vai precisar imediatamente, é colocada sobre o paciente sem entrar em contato com ele, graças ao seu único pé que fica de um lado da mesa.

Como é montado a Mesa de Mayo?

Existem duas técnicas para montar a mesa instrumental de Mayo . Antes de prosseguir, o instrumentador deve usar uma capote e luvas estéreis. Em uma delas, ele usa uma longo campo duplo de tecido, semelhante às usadas em travesseiros, e sobre ela é colocada uma bandeja esterilizada.

A outra opção é colocar uma bandeja que já está dentro da tampa. Para isso, retrai-se da tampa, que vem com uma grande dobra por onde são inseridas as mãos que devem segurar a bandeja, e desliza-a junto à tampa até cobrir a mesa.

Como os instrumentos cirúrgicos são preparados na mesa?

O instrumentador é responsável pela disposição dos instrumentos na mesa auxiliar cirúrgica, devendo fazê-lo levando em consideração a ordem em que serão necessários e os tempos de operação. Para fazer isso, execute uma divisão da tabela de mayo.

  • Metade posterior: nesta parte da mesa, coloque os instrumentos necessários para corte, hemostasia, tração e sutura.
  • Metade anterior: nesta parte, coloque os instrumentos necessários para dissecção e separação.

Os Tipos de Luvas Hospitalares

Atuando no controle da disseminação de microrganismos em ambientes hospitalares, na proteção da equipe de saúde e de pacientes, as luvas hospitalares o são itens extremamente importantes para a proteção em diversos setores.

E para cada uso, existe um tipo de luva de procedimento que se encaixa perfeitamente.

Diante desse processo simples e primordial, no entanto, o fato de usar luvas não significa ausência de risco de transmissão de micro-organismos; por este motivo, a mesma deve conter indicação de uso e estar íntegra para não falhar no momento assistencial.

Os Tipos de Luvas Hospitalares

  1. Luva Cirúrgica (luva estéril): produto feito de borracha natural, de borracha sintética, de misturas de borracha natural e sintética. É o equipamento de proteção individual de uso único, de formato anatômico, contendo punhos capazes de assegurar ajuste ao braço do usuário, para utilização em cirurgias.
  2. Luva para Procedimentos Não Cirúrgicos(luva não estéril ou luvas de procedimento): produto feito de borracha natural, de borracha sintética, de misturas de borracha natural e sintética, e de policloreto de vinila, de uso único, para utilização em procedimentos não cirúrgicos para assistência à saúde. As luvas de látex de borracha natural oferecem alto nível de proteção contra sangue e fluidos corporais potencialmente contaminados; têm grande força, elasticidade, flexibilidade e conforto. Devido a isso, o látex de borracha natural é o material de escolha para luvas quando houver contato com sangue e fluidos corporais.
  3. Luvas para Procedimentos Não Cirúrgicos Antialérgicas ao Látex: são fabricadas a partir de um derivado do petróleo e de borracha nitrílica. Pode ser utilizada como uma alternativa ao látex. No entanto, as propriedades de barreira devem ser definidas pelo fabricante. As luvas de borracha nitrílica geralmente contêm aditivos químicos semelhantes ao látex, que podem atuar como alérgicos de contato. São adequadas no uso com agentes químicos e pessoas que têm alergia ao látex.
  4. Luvas de Vinil (PVC): tem custo baixo e, infelizmente, muitas instituições aderem à compra desse material para assistência ao paciente. Essas luvas são fabricadas a partir de cloreto de polivinila (PVC), um material sintético que é menos flexível, elástico, durável e possui menos conformidade com a mão do que o látex.

A luva de PVC e sua Integridade

Durante o uso, a luva de PVC pode ocorrer a quebra da integridade de barreira. Quanto mais abrasiva ou estressante a atividade ou quanto maior o tempo de utilização, maior a taxa de falha.

Por isso, esse tipo de luva não deve ser utilizado para uso clínico e assistencial. Os profissionais que utilizam luvas de vinil em ambiente hospitalar, se expõe diariamente ao risco de contaminação direta por materiais biológicos.

Após o uso, as luvas devem ser descartadas de acordo com as políticas locais de gestão de resíduos vigentes.

Devo usar qualquer luva desde que seja para me proteger?

A junção de custo e benefício no âmbito hospitalar, laboratorial e em clínicas, disponibiliza qualquer luva para os profissionais usarem, o que, infelizmente, não é o adequado.

A compra e o uso da luva devem estar alinhando conhecimento, tipo de técnica e avaliação de um profissional, além de cuidado para a prevenção de acidentes, pois caso o profissional tenha contato com material biológico sem a proteção adequada, não servirá de nada usar luvas e muito possivelmente irá se prejudicar ao invés de ajudar.

Referências:

  1. Organização Mundial da Saúde – Guia Lavagem das Mãos;
  2. Vigilância Epidemiológica – 2016;
  3. Recomendações sobre o uso de Luvas em Serviços de saúde – Secretaria do Estado de São Paulo / Divisão Epidemiologia Hospitalar

Máscaras Faciais de Proteção Hospitalar: Principais Dúvidas!

Você sabe diferenciar uma Máscara Cirúrgica de um Respirador (PFF1,PFF2, N95?)

A máscara cirúrgica é uma barreira de uso individual que cobre nariz e boca. É indicada para proteger o Trabalhador da Saúde de infecções por inalação de gotículas transmitidas a curta distância e pela projeção de sangue ou outros fluidos corpóreos que possam atingir suas vias respiratórias. Serve também para minimizar a contaminação do ambiente com secreções respiratórias geradas pelo próprio Trabalhador da Saúde ou pelo paciente em condição de transporte.

É importante destacar que a máscara cirúrgica:

– Não protege adequadamente o usuário em relação a patologias transmitidas por aerossóis, pois, independentemente da sua capacidade de filtração, a vedação no rosto é precária neste tipo de máscara;

– Não é considerada um Equipamento de Proteção Respiratória ou Equipamento de Proteção Individual e, portanto, não está sujeita ao Certificado de Aprovação (CA) do Ministério do Trabalho (NR-6).

O respirador é um Equipamento de Proteção Individual que cobre boca e nariz. Proporciona uma vedação adequada sobre a face do usuário e possui filtro eficiente para retenção dos contaminantes presentes no ambiente de trabalho na forma de aerossóis. O respirador, além de ter capacidade de reter gotículas, apresenta proteção contra aerossóis contendo agentes biológicos, como vírus, bactérias e fungos. Em ambiente hospitalar, para proteção contra aerossóis contendo agentes biológicos, o respirador deve ter um filtro com aprovação mínima PFF2/P2.

Respiradores são purificadores do ar, e seu uso deve seguir as recomendações do programa de proteção respiratória; atendem às normas ABNT e recebem um certificado de aprovação do MTE.

Quais são os principais respiradores PFF encontrados no mercado? E as suas diferenças?

Primeiramente é necessário entender o significado de PFF: Peça Facial Filtrante, ou seja, o corpo do produto é também o meio filtrante responsável por não deixar os contaminantes do ambiente entrarem em contato com o sistema respiratório do usuário.

As máscaras denominadas PFF normalmente são descartáveis, não possuindo nenhum tipo de manutenção. Sendo assim, após a utilização ou quando indicado pelo responsável em SST, o produto deve ser descartado. Estes respiradores são classificados da seguinte maneira:

Eficiência

  • PFF1 – Possuem eficiência mínima de 80% (Penetração máxima de 20%)
  • PFF2 – Possuem eficiência mínima de 94% (Penetração máxima de 6%)
  • PFF3 – Possuem eficiência mínima de 99% (Penetração máxima de 1%)

Resistência ao tipo de aerossol

Os respiradores descartáveis são classificados em 2 tipos de resistência ao aerossol:

Resistentes a aerossóis à base de água. Capazes de reterem partículas sólidas e líquidas à base de água;

Resistentes a aerossóis base de água e oleosos. Capazes de reterem partículas sólidas e líquidas à base de água e oleosas.

Marcações

Sendo assim, os respiradores terão em suas embalagens e produto as seguintes marcações:

PFF1 (S), PFF1 (SL), PFF2 (S), PFF2 (SL), PFF3 (S) ou PFF3 (SL), conforme sua eficiência e resistência ao tipo de aerossol determinado.

Qual a diferença entre o respirador PFF2 e um com certificação N95?

Respiradores com classificação PFF2 seguem a norma brasileira (ABNT/NBR 13698:1996) e a europeia e apresentam eficiência mínima de filtração de 94%, enquanto os respiradores com a classificação N95 seguem a norma americana e apresentam eficiência mínima de filtração de 95%. Portanto, respiradores PFF2 e N95 apresentam níveis de proteção equivalente.

Qual o tempo de vida útil dos respiradores utilizados em ambiente hospitalar?

A vida útil do respirador é variável. Deve ser descartado quando se encontrar danificado, perfurado, com elásticos soltos ou rompidos, quando a respiração do usuário tornar-se difícil, se for contaminado por sangue ou outros fluidos corpóreos, ou se houver deformações na estrutura física que possa prejudicar a vedação facial.

Caso contrário, pode ser guardado e reutilizado de acordo com as normas de controle de infecções hospitalares da instituição (alguns determinam em até 7 dias de uso). Quando utilizado no controle da exposição ocupacional a patógenos transmitidos também por contato, recomenda-se o descarte do produto imediatamente após cada uso. Não deve ser feito nenhum tipo de reparo ou manutenção no produto.

Qual o tempo de vida útil máscaras cirúrgicas utilizadas em ambiente hospitalar?

Conforme alguns fabricantes distinguem, a vida útil é de até 2 horas contínua, sendo necessário realizar uma nova troca de máscara.

Referência: 3M