Aplicação IM: Região Deltoide

O Deltoide é um músculo superficial, com espessura reduzida, tecido estriado e denso, fixado no terço lateral da clavícula.

Em sua parte mais profunda, atinge o terço superior do úmero e a articulação escapulo-umeral.

A vascularização ocorre pela veia/artéria axilar, circunflexa posterior e umeral.

A inervação se dá pelo plexo cervical, braquial e nervo circunflexo.

É revestido pela pele, por tecido conjuntivo subdermico e por aponeurose superficial.

Sua função é fletir, abduzir, estender e rodar medial e lateralmente o braço.

Alta Absorção

Por ser uma musculatura bem vascularizada é muito utilizada na aplicação de injeções e vacinas, pois apresenta absorção rápida da droga.

Vantagem e Desvantagens

A região do deltoide tem como vantagem a exposição mínima do corpo no momento da aplicação e facilidade de acesso.

Entretanto, as desvantagens evidenciadas em inúmeros estudos demostram que essa região é contraindicada para a maioria das drogas, uma vez que tem capacidade mínima para absorção, visto que a musculatura é superficial e pequena em comparação com as outras regiões.

Critérios de Aplicação

Cabe complementar que as injeções aplicadas no músculo deltoide não devem ultrapassar dois ml, serem leitosas, viscosas, oleosas ou irritáveis porque são pouco solúveis e podem afetar a função motora do braço, causar lesão nos nervos e artérias próximas, provocar distúrbios isquêmicos, necroses e amputação nas extremidades dos membros. Portanto devem ser utilizados como última opção!

Lembrando que, o artigo 30 do capítulo I do Código de Ética do Profissional de Enfermagem evidencia que é proibido ao profissional a administração de medicamentos sem o conhecimento do mecanismo de ação da droga e de seus possíveis riscos.

Quem pode aplicar Intramuscular dentro da Equipe de Enfermagem?

A Lei do Exercício Profissional da Enfermagem no 7498/1986 (BRASIL, 1986) descreve que a função do preparo e administração de medicamentos é dos Técnicos e Auxiliares de Enfermagem sendo a supervisão, orientação, direção e responsabilidade do Enfermeiro.

O Enfermeiro precisa ter ciência que o preparo e a administração de medicação não são apenas uma tarefa mecânica a ser executado em aquiescência com a prescrição médica e com a medicação recebida da farmácia, esse procedimento requer o julgamento do profissional, sendo imprescindível o conhecimento legal, ético, técnico e científico para garantir a segurança do paciente.

Alguns Cuidados de Enfermagem

  • Leitura da prescrição médica;
  • Identificação do produto a ser injetado (apresentação e dose);
  • Escolha do material adequado (seringas, agulhas, luvas, algodão e álcool);
  • Definição do local da injeção;
  • Habilidade técnica para realização da injeção e seguimento das normas de biossegurança, começando pela lavagem das mãos.

A escolha da Região Correta

A administração de medicamento IM de maneira segura depende da avaliação adequada da musculatura considerando a característica e irritabilidade da droga, volume compatível com o tamanho da musculatura escolhida, distância em relação a vasos e nervos importantes, espessura do tecido adiposo, sexo, idade e tamanho adequado da agulha, que deve ultrapassar o tecido adiposo e depositar o medicamento na musculatura profunda.

Referências:

  1. BRASIL. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Higienização das mãos em serviços de saúde. Brasília: ANVISA, 2007. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/hotsite/higienizacaomaos/manualintegra.pdf
  2. BRASIL. Lei no 7.498, de 25 de junho de 1986. Dispõe sobre a regulamentação do exercício da Enfermagem e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil 03/decreto/1980-1989/D94406.htm
  3. COCOMAN, A.; MURRAY, J. Intramuscular injections: a review of best practice for mental health nurses. Journal of Psychiatric and Mental Health Nursing, v. 15, p. 424-434, nov. 2008. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18454829
  4. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM – COFEN. Resolução n o 311/2007. Aprova a reformulação do Código de ética dos Profissionais de Enfermagem. Disponível em: http://www.cofen.qov.br/resoluo-cofen-3112007 4345.html
  5. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM – COFEN. Resolução n o 358/2009. Dispõe sobre a Sistematização da Assistência de Enfermagem e a implementação do Processo de Enfermagem em ambientes, públicos ou privados, em que ocorre o cuidado profissional de Enfermagem, e dá outras providências. Disponível em: http.’//www.cofen.gov.br/resoluo-cofen-3582009 4384.html
  6. CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM – COREN -BA. Parecer n. 021/2013 dispõe sobre Dosagem de Medicamentos como Responsabilidade do Enfermeiro, 2013. http://ba.corens.portalcofen.gov.br/parecer-coren-ba-0212013 8112.html
  7. CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM – COREN -SC. Parecer n. 016/2013 dispõe nove certos na administração de medicação, 2013. Disponível em: http://transparencia.corensc.gov.br/wp-content/uploads/2016/05/Resposta-medicamentos.pdf

Regiões para aplicação de Injeção Intramuscular

Via Intramuscular

A Via Intramuscular (IM) é a via de administração de medicamentos diretamente no tecido muscular, depois da via endovenosa, este meio é a de mais rápida absorção, por isso o seu largo emprego. Por esta via, pode administrar medicamentos que seriam irritantes ao trato digestivo ou ao tecido subcutâneo.

A Administração de medicamento IM pode ser bastante dolorosa ou desconfortável para os pacientes, pois o medicamento penetra profundamente nas camadas musculares, que são bastante inervadas por fibras sensitivas.

O profissional de enfermagem deve ter um conhecimento técnico e também compreender as ações da medicação para administrá-la de forma correta e evitar ou minimizar seus efeitos colaterais.

A Escolha da Região Adequada

Na escolha do local para aplicação, é muito importante levar em consideração: 

  • Idade do paciente;
  • Irritabilidade da droga;
  • Distância em relação a vasos e nervos importantes;
  • Espessura do tecido adiposo;
  • Musculatura suficientemente grande para absorver o medicamento;
  • Atividade do cliente;

– A Região ventro-glútea: indicada em qualquer idade;

– A Região da face ântero-lateral da coxa: indicada especialmente para lactentes e crianças até 10 anos.

– A Região dorso-glútea: contra-indicada para menores de 2 anos, maiores de 60 anos e pessoas excessivamente magras.

– A Região deltoidiana: contra-indicada para menores de 10 anos e adultos com pequeno desenvolvimento muscular.

Na seleção do tamanho da agulha é preciso levar em consideração:

  • A Idade do cliente;
  • A Espessura do tecido subcutâneo;
  • A Solubilidade da droga a ser injetada.

OBSERVAÇÕES

  • Caso venha sangue na seringa, retirar imediatamente e aplicar em outro local.
  • Injeções de mais de 3 ml não devem ser aplicadas no deltóide.
  • O volume máximo para injeção IM é de 5 ml. Volume acima de 5 ml, fracionar e aplicar em locais diferentes.
  • Estabelecer rodízio nos locais de aplicação de injeções.
  • O uso do músculo deltóide é contra-indicado em pacientes com complicações vasculares dos membros superiores, pacientes com parestesia ou paralisia dos braços, e aquelas que sofreram mastectomia.
  • A agulha deve ser sempre introduzida em posição perpendicular à pele, ou seja, em um ângulo de 90°.
  • BISEL da agulha deve ser posicionado de forma LATERAL, minimizando as agressões as fibras musculares minimizando a dor durante o procedimento e as complicações.
  • Podem ser aplicadas soluções aquosas, oleosas e suspensões.

MATERIAL NECESSÁRIO

Bandeja, rótulo de identificação, luvas de procedimento, seringa, agulha 40×12, agulha 25×7 ou 30×8, medicamento prescrito, gaze estéril, algodão, clorexidina alcoólica e álcool a 70%.

CUIDADOS RELACIONADOS

  • Checar o medicamento após a sua administração e se não foi administrado circular o horário e anotar o motivo;
  • Se o medicamento for dado fora do horário prescrito, checar o novo horário de administração e anotar o motivo;
  • Registrar qualquer tipo de reação que o paciente possa ter após receber a medicação e comunicar ao enfermeiro responsável e/ou o médico;
  • Realizar rodízio nos locais de aplicação;
  • Não reencapar a agulha;

MÚSCULOS INDICADOS PARA ADMINISTRAÇÃO E VOLUME PERMITIDO EM ADULTO 

– Regiao anterolateral da coxa (vasto-lateral): até 4ml
– Região Dorso-glútea (quadrante superior externo): até 5ml.
– Região Ventro-glútea (Hochstter): até 4ml.
– Regiao Deltoidea (4 cm abaixo do acrômio): até 2ml.

DESCRIÇÃO DO PROCEDIMENTO

  1. Realizar a higienização das mãos;
  2. Separar o material necessário;
  3. Fazer o rótulo de identificação do medicamento, seguindo os 5 certos: paciente certo, horário certo, dosagem certa, via certa e medicamento certo;
  4. Realizar a desinfecção da bandeja com álcool a 70%;
  5. Aspirar o medicamento;
  6. Trocar a agulha (para 25×7 ou 30×8);
  7. Retirar o ar da seringa;
  8. Colocar o rótulo de identificação do medicamento na seringa;
  9. Reunir o material a ser utilizado na bandeja;
  10. Levar a bandeja até a unidade do paciente e colocá-la na mesa de cabeceira;
  11. Orientar e explicar o procedimento ao paciente;
  12. Conferir o rótulo com os dados do paciente;
  13. Posicionar o paciente de forma adequada ao procedimento;
  14. Calçar as luvas de procedimento;
  15. Expor a área de aplicação e definir o local da administração;
  16. Palpar o músculo (medição do local);
  17. Fazer a antissepsia do local com álcool a 70%;
  18. Pinçar com os dedos a pele ao redor do local da administração;
  19. Introduzir a agulha com bisel lateralizado em ângulo de 90º em relação ao músculo;
  20. Aspirar lentamente o êmbolo da seringa e certificar-se de que não atingiu nenhum vaso sanguíneo;
  21. Injetar o medicamento em velocidade constante;
  22. Retirar a agulha e a seringa em um movimento rápido;
  23. Aplicar leve compressão ao local com gaze;
  24. Deixar o paciente confortável:
  25. Recolher o material utilizado, deixando a unidade do paciente em ordem;
  26. Desprezar os resíduos;
  27. Descartar o material perfuro cortante no Descarpac® (sem desconectar a agulha da seringa e sem re encapá-la);
  28. Retirar a luva de procedimento;
  29. Lavar a bandeja com água e sabão, secar com papel toalha e realizar a desinfecção com álcool a 70%.
  30. Realizar a higienização das mãos;
  31. Checar o horário da administração do medicamento na prescrição médica;
  32. Fazer anotação de enfermagem se houver intercorrências.

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