Cloreto de Potássio Endovenoso: indicações, riscos e cuidados de enfermagem

O cloreto de potássio endovenoso é um dos medicamentos mais utilizados no ambiente hospitalar, mas também está entre os mais perigosos quando administrados de forma inadequada. Por isso, ele exige atenção redobrada da equipe de enfermagem, conhecimento técnico sólido e rigor no cumprimento dos protocolos institucionais.

Para você que está começando agora na enfermagem, é provável que já tenha notado as ampolas de Kcl separadas em caixas específicas, muitas vezes com etiquetas vermelhas berrantes ou guardadas em armários de acesso restrito. Não é para menos: o potássio é um eletrólito vital, mas, se administrado de forma incorreta, torna-se uma arma letal.

Embora o potássio seja um eletrólito essencial para o funcionamento do organismo, pequenas variações em seus níveis séricos podem causar alterações graves, principalmente no coração. Entender quando, por que e como administrar o cloreto de potássio endovenoso é fundamental para uma assistência segura.

O que é o cloreto de potássio

O cloreto de potássio (KCl) é um sal mineral utilizado principalmente para corrigir ou prevenir a hipocalemia, que é a diminuição dos níveis de potássio no sangue. O potássio desempenha papel crucial na condução elétrica cardíaca, na contração muscular, no equilíbrio ácido-base e na função neuromuscular.

Quando a reposição oral não é possível, não é suficiente ou não é segura, a via endovenosa passa a ser indicada, sempre com extremo cuidado.

Por que o Potássio é Tão Crítico?

Para entender o perigo, precisamos lembrar um pouco da fisiologia. O potássio K+ é o principal cátion do fluido intracelular. Ele é o grande responsável por manter o potencial de repouso das membranas celulares, o que é fundamental para a condução nervosa e, mais importante ainda, para a contração muscular, incluindo a do músculo cardíaco.

O intervalo normal de potássio no sangue é muito estreito, geralmente entre 3,5 e 5 mEq/L. Quando esses níveis caem (hipocalemia), o paciente pode apresentar fraqueza, arritmias e até paralisia.

No entanto, quando os níveis sobem rapidamente (hipercalemia), o coração pode simplesmente parar em diástole. É por isso que o KCl concentrado é uma das drogas utilizadas em protocolos de execução e eutanásia animal; uma dose alta e direta causa parada cardíaca imediata. Na enfermagem, chamamos isso de Medicamento de Alta Vigilância.

Indicações do cloreto de potássio endovenoso

A principal indicação do cloreto de potássio por via endovenosa é a hipocalemia moderada a grave, especialmente quando associada a sintomas ou risco cardiovascular. Situações comuns na prática clínica incluem pacientes em uso de diuréticos, pacientes com vômitos ou diarreias persistentes, grandes queimados, pós-operatórios extensos e pacientes críticos em UTI.

Também pode ser indicado em pacientes com distúrbios metabólicos, alcalose metabólica e em algumas situações específicas de reposição eletrolítica controlada.

É importante destacar que a administração endovenosa nunca deve ser a primeira escolha quando a via oral é viável, justamente pelos riscos envolvidos.

Também vemos o uso de potássio em pacientes com cetoacidose diabética, já que a administração de insulina faz com que o potássio saia do sangue e entre nas células, podendo causar uma queda súbita nos níveis séricos. Em todos esses casos, o objetivo é restabelecer o equilíbrio eletrolítico sem ultrapassar os limites de segurança.

Por que o cloreto de potássio é considerado um medicamento de alto risco

O cloreto de potássio está classificado como medicamento potencialmente perigoso porque erros na sua administração podem levar a consequências fatais. A infusão rápida ou em concentrações inadequadas pode causar arritmias graves, bloqueios cardíacos e parada cardiorrespiratória.

Diferente de outros eletrólitos, o potássio tem uma margem de segurança muito estreita. Pequenos erros de dose, diluição ou velocidade podem resultar em hipercalemia aguda, uma condição extremamente perigosa.

Por esse motivo, muitas instituições adotam protocolos rígidos, exigem dupla checagem e restringem o acesso ao medicamento.

A Regra de Ouro: O Perigo do Bôlus

Se você esquecer tudo o que leu hoje, guarde apenas esta frase: Nunca, sob nenhuma circunstância, administre cloreto de potássio concentrado em bôlus intravenoso!

Administrar KCl direto na veia, sem diluição, causa morte por parada cardíaca. Por isso, ele deve ser sempre diluído em grandes volumes de solução (como Soro Fisiológico 0,9% ou Soro Glicosado 5%) e infundido lentamente. A velocidade e a concentração são os dois pilares que o enfermeiro deve vigiar constantemente.

Utilização na Prática Clínica: Diluição e Vias

Na prática, você encontrará ampolas de KCl a 10 % ou 19,1%. A forma como vamos administrar depende da gravidade da perda e do tipo de acesso venoso que o paciente possui.

Para acessos venosos periféricos, a concentração da solução não deve ultrapassar 40–60 mEq/L. Isso acontece porque o potássio é extremamente irritante para as veias (esclerosante). Se a solução estiver muito concentrada, o paciente sentirá muita dor no local e o risco de flebite química é altíssimo. A velocidade de infusão periférica também deve ser lenta, geralmente não ultrapassando 10  mEq/h.

Já em acessos venosos centrais, podemos usar concentrações maiores e velocidades ligeiramente superiores, mas isso exige monitorização cardíaca contínua. A recomendação padrão é que a velocidade máxima de infusão não exceda 20 mEq/h na maioria dos protocolos hospitalares, para evitar picos de hipercalemia.

Riscos associados ao cloreto de potássio endovenoso

Os riscos do cloreto de potássio não se limitam apenas ao sistema cardiovascular. A administração inadequada pode causar irritação venosa intensa, flebite química, extravasamento e necrose tecidual.

No âmbito sistêmico, os principais riscos incluem hipercalemia, arritmias cardíacas, fraqueza muscular, parestesias e, em casos extremos, parada cardíaca. Esses riscos reforçam a necessidade de vigilância constante da enfermagem durante todo o processo de infusão.

Cuidados de Enfermagem

Antes de administrar

Antes de iniciar a infusão de cloreto de potássio, a enfermagem deve confirmar a prescrição médica, atentando-se à dose, diluição, velocidade e via de administração. A conferência do potássio sérico recente é essencial para avaliar a real necessidade da reposição.

Também é fundamental avaliar o acesso venoso, garantindo que esteja pérvio e adequado para a concentração prescrita. A utilização de bomba de infusão não é opcional, mas obrigatória, para garantir controle preciso da velocidade.

A dupla checagem com outro profissional de enfermagem é uma medida de segurança amplamente recomendada.

Durante a infusão

Durante a infusão do cloreto de potássio, a enfermagem deve monitorar continuamente o paciente, observando sinais de desconforto no local da infusão, dor, ardor ou endurecimento da veia.

A monitorização cardíaca é indicada sempre que possível, principalmente em pacientes críticos. Alterações no ritmo cardíaco, queixas de palpitação, fraqueza ou formigamento devem ser valorizadas e comunicadas imediatamente à equipe médica.

O controle rigoroso da velocidade de infusão é um dos pontos mais críticos do cuidado de enfermagem nesse contexto.

Depois de administrar

Após o término da infusão, é importante reavaliar o acesso venoso, registrar corretamente a administração e acompanhar a evolução clínica do paciente. Novas dosagens de potássio sérico costumam ser solicitadas para avaliar a resposta ao tratamento.

A enfermagem também deve orientar o paciente, quando consciente, sobre possíveis sintomas que devem ser comunicados, reforçando a importância da segurança no tratamento.

Por fim, monitore o débito urinário. O potássio é excretado principalmente pelos rins. Se o paciente parar de urinar (oligúria ou anúria), o potássio administrado começará a se acumular rapidamente no sangue, levando à intoxicação. Sempre cheque os exames laboratoriais recentes antes de iniciar uma nova dose de reposição.

Responsabilidade e Conhecimento

O cloreto de potássio endovenoso é um medicamento essencial, mas que exige respeito, conhecimento e atenção absoluta por parte da equipe de enfermagem. Sua administração segura depende da correta indicação, diluição adequada, infusão controlada e monitorização contínua do paciente.

Para o estudante e para o profissional de enfermagem, dominar esse tema é fundamental para garantir uma assistência segura, baseada em evidências e alinhada às boas práticas de segurança do paciente.

Referências:

  1. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Boletim ISMP Brasil: Uso Seguro de Soluções Eletrolíticas Concentradas. Belo Horizonte: ISMP, 2013. Disponível em: https://www.ismp-brasil.org
  2. CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DE SÃO PAULO (COREN-SP). Uso Seguro de Medicamentos: Guia para Profissionais de Enfermagem. São Paulo: COREN-SP, 2020. Disponível em: https://portal.coren-sp.gov.br
  3. POTTER, Patricia A.; PERRY, Anne Griffin. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017.

    SMELTZER, Suzanne C.; BARE, Brenda G. Brunner & Suddarth: Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2020. Disponível em: https://www.grupogen.com.br/

  4. INSTITUTE FOR SAFE MEDICATION PRACTICES. High-alert medications in acute care settings. 2023. Disponível em: https://www.ismp.org
  5. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. Distúrbios hidroeletrolíticos e ácido-base. São Paulo, 2022. Disponível em: https://www.cardiol.br

Os Eletrólitos e sua importância

Os Eletrólitos são todas as substâncias que dissociadas ou ionizadas originam fons positivos (cátions) e ions negativos (anions) pela adição de um solvente ou aquecimento. Desta forma torna-se um condutor de eletricidade.

Eletrólito é um termo “médico/cientifico” para os sais, especificamente os íons. O termo eletrólito significa que este íon é carregado eletricamente.

  • Os íons cátions são carregados positivamente – ex: íon de sódio (Na+)
  • Os íons ânions são carregados negativamente – ex: íon de cloreto (Cl-)

No organismo animal, os principais eletrólitos são:

  • Sódio (Na+)
  • Potássio (K+)
  • Cloreto (Cl-)
  • Cálcio (Ca2+)
  • Magnésio (Mg2+)
  • Bicarbonato (HCO3-)
  • Fosfato (PO42-)
  • Sulfato (SO42-)

A concentração dos eletrólitos em uma solução de sais dissolvidos pode ser mensurada e, geralmente, é expressa como a quantidade em miliequivalentes (mEq) por unidade de volume da solução (normalmente em litros).

Os eletrólitos encontram-se dissolvidos nos três principais compartimentos de agua corpórea: o liquido no interior das células (intracelular), o liquido no espaço que circunda as células (extracelular) e o sangue (na realidade, os eletrólitos solubilizam-se no soro – parte liquida do sangue).

As concentrações normais dos eletrólitos nesses líquidos variam (alguns eletrólitos são encontrados em concentrações variáveis intra e extracelular).

Para funcionar adequadamente, o organismo precisa manter a concentração dos eletrólitos em cada um dos compartimentos dentro de limites muito estreitos. Ele o faz deslocando os eletrólitos para dentro ou para fora das células. Os rins filtram os eletrólitos presentes no sangue e excretam uma quantidade suficiente dos mesmos na urina para manter um equilíbrio entre a ingestão e a eliminação diárias. As concentrações de eletrólitos podem ser mensuradas em uma amostra de sangue ou de urina em laboratório.

As concentrações dos eletrólitos no sangue são mensuradas para determinar possíveis anormalidades e, caso ela exista, os resultados são utilizados para acompanhar a resposta ao tratamento.

O sódio, o potássio, o cálcio, o fosfato e o magnésio são os eletrólitos envolvidos nos distúrbios do equilíbrio do sal. Além disso, a concentração do cloreto e do bicarbonato é comumente mensurada. No entanto, a concentração de cloreto de sódio é geralmente proporcional à concentração de sódio no sangue e, o bicarbonato pode estar envolvido em distúrbios do equilíbrio ácido-bási co.

Uma hidratação inadequada está associada a uma diminuição do desempenho e também a um aumento no risco de distúrbios fisiológicos. A sudorese excessiva e a ingestão insuficiente de água proporcionam uma perda muito expressiva de sódio e os indivíduos ficam suscetíveis a câimbras musculares e outras reações indesejadas.

Entretanto, quando ocorre essa diminuição no teor de sódio, assim que o indivíduo tem a oportunidade de se reidratar e repor os eletrólitos, com o uso de soluções isotônicas, a concentração de sódio volta rapidamente à normalidade e posteriormente o potássio também é regulado.

A Deficiência

A deficiência de outros íons, como cálcio, magnésio e potássio contribuem para a instalação de problemas neuromotores (como câimbra), bem como uma falta de condicionamento físico mínimo e a fadiga decorrente a prática desportiva. Administração de água e eletrólitos por via oral constitui-se na melhor forma de hidratação e reposição de eletrólitos, decorrentes de desgaste por esforço físico intenso.

A determinação da quantidade de água e eletrólitos é definida com base no peso corporal para pessoas com estado nutricional aceitável; para pessoas com peso corporal acima (obesos) ou abaixo (subnutridos) da faixa de normalidade de peso, recomenda-se utilizar o peso ideal.

As alterações da distribuição da água e dos eletrólitos são bastante comuns e podem levar a complicações de extrema gravidade, ou mesmo determinar a morte do indivíduo.

Os Minerais

Cálcio

Mineral essencial na dieta da maioria dos seres e necessário para o desenvolvimento ósseo normal. Este mineral proporciona rigidez aos ossos e dentes, auxilia na coagulação sanguínea e controla a permeabilidade e passagem de nutrientes de forma ativa, participa da excitabilidade e constituição de estruturas nervosas.

O transporte ativo transcelular do cálcio ocorre no duodeno e jejuno, requer oxigênio e transporta cálcio contra o gradiente químico. A função do cálcio intracelular é estreitamente regulado pela presença de proteínas ligantes e sistemas de transporte bidirecionais, mantendo o cálcio intracelular compartimentalizado na mitocôndria e retículo endoplasmático.

Mensageiros externos ligam-se aos receptores de membrana, levando a produção de mensageiros internos que, por sua vez, levam a liberação de cálcio no citoplasma, desencadeando respostas específicas: iniciação de contração muscular, mobilidade celular, adesão de membrana, transmissão de sinapse nervosa, liberação de hormônios, atua ainda como cofator de inúmeras enzimas, entre elas o sistema de coagulação sanguínea e proteína-quinases.

Magnésio

Importante no trabalho muscular e nervoso, atua na excitabilidade neuro-muscular juntamente com os íons K, Na e Ca (Os íons K e Na se comportam como excitantes enquanto os íons Ca e Mg são depressores).

Desta forma o Magnésio participa ativamente na prevenção de câimbras e tetania de esforço em trabalhos extenuantes a que são submetidos, exercendo ação moderadora sobre a irritabilidade.

O magnésio tem participação na síntese de proteínas, na utilização da glicose, bem como na transferência de grupos metil e fosforilação oxidativa estando ligado a transferência de fosfato do ATP para um receptor de fósforo. Estas ações são básicas no trabalho muscular.

Potássio

Macromineral vital, uma vez que 98% do potássio presente em nosso corpo é encontrado no interior das células. Juntamente com o sódio, regula a quantidade de água no organismo e transporta os nutrientes da corrente sanguínea para dentro das células. Também participa no envio de mensagens pelo sistema nervoso. O coração e músculos dependem dele para um funcionamento saudável e eficiente.

Cloro

Importante na regulação da passagem de líquidos através das membranas celulares, regulando o processo osmótico. Faz a regulação da bomba sódio-potássio. É essencial à formação do HCI gástrico e portanto de forma indireta participa dos processos digestivos no estômago.

Sódio

Possibilita que nervos e músculos funcionem eficientemente. Participa da bomba sódio-potássio e cálcio-magnésio. Sua função mais importante é a de regulador da pressão osmótica sendo extracelular. Juntamente com o potássio faz o transporte de nutrientes para dentro e fora das células e das membranas celulares.

Glicose

É a menor unidade de CHO (carboidratos, hidratos de carbono ou glicídios) prontamente utilizável pelo organismo animal, sendo uma das mais abundantes formas de energia celular.

A glicose pode ser estocada no organismo na forma de glicogênio (hepático reserva geral, muscular – reserva local), constituindo-se em importante reserva de energia das células para o processo de glicólise. A glicose age em todos os tecidos na regeneração de ATP, doando energia para a regeneração do ADR.

Glicina

É importante por favorecer o aproveitamento da glicose. Participa de 1/3 da estrutura primária do colágeno. Estimula a liberação do hormônio glucagon. A glicina é um neurotransmissor inibitório no sistema nervoso central, especialmente na medula espinhal, tronco cerebral e retina.

Referências:

  1. GIBSON, G.R.; ROBERFROID, M.B. Dietary modulation of the human colonic microbiota: introducing the concept of probiotics. J. Nutr„ Philadelphia, n. 125, p. 1401-141 2, 1 995.
  2. https://www.msdmanuals.com/pt-br/casa/dist%C3%BArbios-hormonais-e-metab%C3%B3licos/equil%C3%ADbrio-eletrol%C3%ADtico/considera%C3%A7%C3%B5es-gerais-sobre-eletr%C3%B3litos

Os Distúrbios Eletrolíticos e a Reposição Eletrolítica

Os Distúrbios Eletrolíticos possuem grande importância para avaliação clínica do paciente que está em uma UTI, pois os pacientes ali internados encontram-se normalmente descompensados por distúrbios respiratórios ou renais.

O sódio, o potássio, cálcio e o cloro são eletrólitos típicos encontrados no organismo. Esses são componentes essenciais de fluidos corporais, como sangue e urina e, ajudam a regular a distribuição de água ao longo do organismo além de desempenhar um papel importante no equilíbrio ácido básico.

O rim é o órgão mais importante na regulação do volume e da composição dos fluidos corporais, mesmo que outros órgãos como o coração, o fígado, os pulmões e a glândula pituitária ajudem a manter o equilíbrio eletrolítico.

Com a falta e o excesso destes, temos os principais distúrbios, que são a:

Hiponatremia (onde a concentração de sódio menor que os valores normais padrões);

Hipernatremia (onde a concentração de sódio é maior que os valores considerados normais);

Hipopotassemia ou hipocalemia (onde a concentração de potássio é menor que os valores normais padrões);

Hiperpotassemia ou hipercalemia (onde a concentração de potássio é maior que os valores considerados normais);

Hipocalcemia (onde a concentração de cálcio é menor que os valores normais padrões);

Hipercalcemia (onde a concentração de cálcio é maior que os valores considerados normais);

Hipomagnesemia (onde a concentração de magnésio é menor que os valores normais padrões);

Hipermagnesemia (onde a concentração de magnésio é maior que os valores considerados normais);

Hipofosfatemia (onde a concentração de fósforo é menor que os valores normais padrões);

Hiperfosfatemia (onde a concentração de fósforo é maior que os valores considerados normais);

Como são avaliados os níveis de eletrólitos no paciente?

O médico geralmente solicita uma bateria de exames de sangue em rotina diária, sendo esses para a verificação destes eletrólitos no organismo. Caso há alguma alteração destes, o médico solicita por via de prescrição médica, o que chamamos de “reposição”, que nada mais é um soro composto por estas substâncias que irão repor o eletrólito necessário ao paciente.

Geralmente o médico faz cálculos específicos em cima do peso do paciente, com a quantidade necessária para a reposição daquele eletrólito em questão.

A importância do Cloreto de Potássio (KCL)

cloreto de potássio é o sal de escolha para repor estoques de potássio eliminados por diuréticos tiazídicos ou de alça, por diarreia intensa e pelo uso de corticosteroides em consequência de doenças das supra-renais ou nas doenças tubulares renais.

A importância do Sulfato de Magnésio (MGSO4)

Sulfato de Magnésio é indicado para reposição dos níveis de magnésio, no tratamento de hipomagnesemia, edema cerebral, eclâmpsia, controle de convulsão em uremia aguda, tetania uterina, controle das arritmias cardíacas e intoxicação e envenenamento por bário, em adultos e crianças.

A importância do Gluconato de Cálcio

O Gluconato de Cálcio é o eletrólito de escolha quando existem alterações eletrocardiográficas ou na parada cardíaca por hiperpotassemia. Atua também como Antiarrítmico, em Arritmia ventricular por IAM, e em taquicardia ventricular.

Muito utilizado em casos de neutralizar overdoses de sulfato de magnésio, pois atua com um antídoto, que é frequentemente administrado a grávidas, ao invés de se prevenir as convulsões profilaticamente (como em pacientes com pré-eclampsia).

Cristalóides: O Ringer Lactato

Ringer Lactato

O Ringer-lactato (ou mais precisamente, o soluto de Ringer) é uma solução cristalóide com soluções isotônicas ao plasma sanguíneo,  e líquida de eletrólitos em água.

Os Eletrólitos como o sódio estão naturalmente presentes em fluidos corporais e ajudam na função dos músculos e nervos, bem como na manutenção do pH e no equilíbrio dos fluidos.

A perda de eletrólitos através do suor e da urina é normal, e eles são repostos pelo consumo habitual de líquidos. Se muitos forem perdidos devido a sangramento, vômito ou outra doença, eles devem ser imediatamente repostos.

Mas o que são cristalóides?

Soluções cristaloides, popularmente conhecidos como soros, são as soluções que contêm água, eletrólitos (Sódio, potássio, cálcio, cloro…etc) e/ou açúcares em várias proporções e podem ser hipotônicas, isotônicas ou hipertônicas comparadas ao plasma sanguíneo. Se administram por via intravenosa para repor líquidos e re-estabelecer o Equilíbrio hidrostático e eletrolítico do corpo.

Para qual principal uso o Ringer Lactato é utilizado?

O soluto de Ringer é administrado por via intravenosa a pacientes para reposição de fluidos e eletrólitos perdidos por doença ou lesão. A concentração de eletrólitos e água é desenvolvida para imitar a composição do plasma sanguíneo. Essa solução pode ser prescrita junto com uma solução de açúcar (geralmente a dextrose) para fornecer uma fonte de calorias. O soluto de Ringer pode também ser usado em associação com uma variedade de medicamentos intravenosos, para dilui-los.

Qual é a composição do Ringer Lactato?

A proporção de eletrólitos e água no soluto de Ringer é cuidadosamente balanceada para que ele possa ser usado eficazmente pelo corpo. Em cada 100 ml de soluto de Ringer, há 600 mg de cloreto de sódio, 20 mg de cloreto de cálcio, 30 mg de cloreto de potássio e 310 mg de lactato de sódio. O pH do soluto de Ringer é ajustado para ser 6.6, e um litro dessa solução possui nove calorias.

Ringer Simples e Lactato: Quais sãos as diferenças?

Ambos possuem características semelhantes quanto à composição, diferenciando apenas pelo Lactato,  que é utilizada para reposição, e contém mais cloreto e mais cálcio que outras soluções, tornando-a levemente acidificantes.

O Ringer Lactato é mais indicado para que tipos de situações?

A sua indicação principal é diluir o sangue, em casos onde há perda deste, de modo a evitar o choque hipovolêmico. É muito utilizado em casos de reidratação e restabelecimento do equilíbrio hidro eletrolítico, quando há perda de líquidos e dos íons cloreto, sódio, potássio e cálcio, e para prevenção e tratamento da acidose metabólica.

Quais são os efeitos colaterais ?

Como o soluto de Ringer é administrado via intravenosa, um efeito colateral comum é irritação no local da injeção. Ainda que incomuns, reações alérgicas, como inchaço e dificuldade para respirar, podem acontecer. Outros efeitos colaterais potenciais são: hematoma ou infecção no local da injeção, febre, infecção da veia ou aumento anormal do volume de sangue. Edema pulmonar (fluido nos pulmões) e hiper-hidratação também são complicações potenciais que podem ocorrer pelo uso do soluto de Ringer.

Cuidados de Enfermagem ao Ringer Lactato

– Não devem ser administrada simultaneamente no mesmo local da infusão sanguínea devido ao risco de coagulação.

– A administração intravenosa pode causar sobrecarga de fluidos e/ou solutos, resultando na hiper-hidratação, estados congestivos ou edema pulmonar.

Curiosidades

O soluto de Ringer é produzido por uma série de fabricantes diferentes e pode ter pequenas variações na fórmula. Em geral, porém, essas soluções são consideradas isotônicas em relação ao sangue. Isso significa que sua concentração é mais ou menos igual à do sangue saudável. Essa solução pode também ser chamada de Ringer ou Ringer-lactato. O soluto de Ringer foi inventado no final do século XIX pelo fisiologista britânico Sydney Ringer.