O Sinal de Lichtenberg: A Tatuagem do Raio

O cuidado em saúde exige não apenas conhecimento técnico, mas também a capacidade de reconhecer sinais clínicos que podem indicar condições graves. Um desses sinais, muitas vezes discutido na área da medicina legal e emergências, é o sinal de Lichtenberg. Trata-se de uma marca característica observada na pele de vítimas de acidente por descarga elétrica, especialmente em casos de fulminação por raio.

Para o estudante de enfermagem, compreender o que significa esse sinal é fundamental para a prática, tanto no contexto hospitalar quanto em situações de urgência e emergência.

O que é o sinal de Lichtenberg?

O sinal de Lichtenberg é uma lesão cutânea de aparência ramificada, semelhante ao desenho de uma árvore ou de galhos finos, que se forma na pele de indivíduos que sofreram uma descarga elétrica de alta intensidade, como a provocada por raios.

Essas figuras são chamadas de figuras arboriformes e não resultam de queimaduras comuns. São, na verdade, marcas causadas pela passagem da eletricidade através do corpo, gerando alterações nos capilares cutâneos e na microcirculação.

A Origem do Nome

 O nome do sinal é uma homenagem ao físico alemão Georg Christoph Lichtenberg, que foi o primeiro a descrever esses padrões ramificados em superfícies isolantes carregadas eletricamente.

Por que o Sinal se Forma?

A teoria mais aceita é que o sinal é causado pela ruptura dos pequenos vasos sanguíneos (capilares) sob a pele, devido à passagem da corrente elétrica. A eletricidade se espalha pela pele em um padrão ramificado, criando a marca. Outras teorias sugerem que o sinal pode ser o resultado do calor gerado pelo raio ou da ação do campo magnético na pele.

Uma Marca Temporária

O sinal de Lichtenberg não é permanente. Ele geralmente desaparece em um ou dois dias, sem deixar cicatrizes. Sua presença, no entanto, é um indicativo claro de que a pessoa foi atingida por um raio.

Características do sinal

  • Tem aparência de linhas finas, ramificadas, semelhantes a folhas ou galhos;
  • Normalmente surge no tronco, nos braços ou nas pernas, em áreas expostas;
  • Pode desaparecer em horas ou dias, sendo considerado um sinal transitório;
  • É característico de acidentes por fulminação atmosférica (raios), embora também possa ser observado em descargas artificiais de alta voltagem.

Esse sinal não é doloroso em si, mas indica que houve uma descarga elétrica significativa, capaz de causar lesões internas graves, como queimaduras profundas, arritmias cardíacas ou até mesmo parada cardiorrespiratória.

Importância do reconhecimento

O sinal de Lichtenberg é considerado patognomônico, ou seja, específico de acidente por raio. O seu reconhecimento é importante para:

  • Diferenciar queimaduras comuns de lesões por eletricidade;
  • Auxiliar na investigação clínica e legal da causa da lesão ou óbito;
  • Indicar a necessidade de monitorização rigorosa, já que, mesmo em casos em que o paciente parece estável, podem ocorrer complicações tardias, como arritmias ou insuficiência respiratória.

Os Perigos Ocultos: Mais do que uma Marca na Pele

Embora o sinal de Lichtenberg não seja uma lesão grave em si, sua presença é um alerta para lesões internas sérias. Um raio é uma descarga elétrica de altíssima energia, e a sua passagem pelo corpo pode causar danos em múltiplos sistemas.

  • Lesões Cardíacas: O coração é um órgão elétrico. A passagem de uma corrente de alta voltagem pode causar arritmias cardíacas graves, como a parada cardíaca, que é a principal causa de morte em vítimas de raio.
  • Lesões Neurológicas: O sistema nervoso central e periférico pode ser gravemente afetado, levando a convulsões, perda de consciência, paralisia temporária ou permanente e danos nos nervos.
  • Lesões Musculoesqueléticas: A força da contração muscular pode ser tão grande que causa fraturas ósseas e luxações.
  • Queimaduras: Embora o sinal de Lichtenberg não seja uma queimadura grave, a vítima pode ter queimaduras de diferentes graus, especialmente em locais de contato com a eletricidade, como os sapatos ou o cinto.

Cuidados de enfermagem diante de acidentes elétricos

O profissional de enfermagem tem papel essencial no atendimento inicial a vítimas de descargas elétricas. Entre os principais cuidados estão:

  • Garantir a segurança da cena: nunca se aproximar da vítima enquanto ainda houver risco de contato com a fonte elétrica.
  • Avaliar a responsividade e sinais vitais: iniciar reanimação cardiopulmonar (RCP) se necessário.

Avaliação Primária (A-B-C-D-E):

  • A – Vias Aéreas (Airway): Avaliar se a via aérea está pérvia e desobstruída.
  • B – Respiração (Breathing): Verificar se a vítima está respirando. Se não, iniciar a ventilação com bolsa-máscara.
  • C – Circulação (Circulation): Avaliar o pulso. Se não houver pulso, iniciar imediatamente as compressões torácicas e o suporte básico de vida (SBV).
  • D – Déficit Neurológico (Disability): Avaliar o nível de consciência do paciente.
  • E – Exposição e Exame (Exposure): Despir a vítima para expor o corpo, procurando por queimaduras e, claro, o sinal de Lichtenberg.

Mais cuidados:

  • Observar e registrar o sinal de Lichtenberg: descrever sua localização, tamanho e características no prontuário.
  • Monitorização cardíaca contínua: descargas elétricas podem causar arritmias mesmo horas após o evento.
  • Controle de vias aéreas e suporte respiratório: caso o paciente apresente alterações respiratórias.
  • Cuidados com queimaduras associadas: realizar curativos adequados, mantendo técnica asséptica.
  • Apoio emocional: vítimas de acidente por raio frequentemente apresentam medo e ansiedade intensa.

Referências:

  1. AMERICAN BURN ASSOCIATION. Guidelines for the Management of Electrical Injuries. Disponível em: https://www.ameriburn.org/education/guidelines/
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Manual de Atendimento a Queimados. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2012. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_atendimento_queimados.pdf
  3. BRASIL. Ministério da Saúde. Atendimento a vítimas de acidentes por raios. Brasília: MS, 2018. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2018/fevereiro/raios-saiba-como-agir-em-casos-de-acidentes
  4. COELHO, L. M.; OLIVEIRA, R. A.; SILVA, R. P. Lesões por eletricidade: aspectos clínicos e forenses. Revista Brasileira de Medicina Legal, v. 6, n. 2, p. 55-62, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.29327/medlegal.2020.62
  5. DI MAIO, V. J.; DI MAIO, D. Forensic Pathology. 2. ed. Boca Raton: CRC Press, 2001.

Controle de Hemorragia Externa

Encontrar alguém com um sangramento intenso pode ser assustador, mas manter a calma e saber como agir nos primeiros momentos é crucial.

Para nós, futuros profissionais de enfermagem, dominar as técnicas de controle de hemorragia externa a nível de primeiros socorros é uma habilidade essencial que pode fazer toda a diferença entre a vida e a morte. Vamos juntos desmistificar o tema e aprender como intervir de forma eficaz?

A Urgência da Situação: Por Que Controlar o Sangramento é Prioridade

Quando ocorre um sangramento externo significativo, o corpo perde sangue rapidamente. Essa perda pode levar a uma diminuição perigosa do volume sanguíneo, comprometendo a oxigenação dos órgãos vitais e evoluindo para um choque hipovolêmico, uma condição grave que pode ser fatal.

Por isso, o controle da hemorragia externa é uma das prioridades máximas nos primeiros socorros. Agir rápido e corretamente pode estabilizar a vítima até a chegada de ajuda médica especializada.

A Primeira Linha de Defesa: Compressão Direta – Simples, Mas Poderosa

A técnica mais básica e, na maioria das vezes, a mais eficaz para controlar uma hemorragia externa é a compressão direta sobre o ferimento. A ideia é simples: aplicar pressão diretamente no local do sangramento para tentar estancar o fluxo sanguíneo.

Como fazer:

  1. Proteja-se: Se possível, utilize luvas descartáveis para evitar o contato direto com o sangue da vítima e se proteger de possíveis contaminações. Se não houver luvas, utilize um saco plástico limpo ou peça para a própria vítima pressionar o ferimento, caso ela esteja consciente e capaz.
  2. Exponha o ferimento: Remova ou corte as roupas ao redor da área lesionada para visualizar o local exato do sangramento.
  3. Aplique pressão: Utilize um pano limpo, gaze ou até mesmo a mão (se não houver mais nada disponível) para pressionar firmemente sobre o ferimento. A pressão deve ser contínua e direta no ponto onde o sangue está saindo.
  4. Mantenha a pressão: Não alivie a pressão até que o sangramento pare ou até que a equipe de emergência chegue e assuma os cuidados. Se o pano ficar encharcado de sangue, não o remova. Coloque outro pano limpo por cima e continue pressionando.
  5. Eleve o membro: Se a lesão for em um braço ou perna, eleve o membro acima do nível do coração da vítima, enquanto mantém a compressão direta. A elevação ajuda a diminuir a pressão sanguínea na área ferida, auxiliando no controle do sangramento.

Quando a Compressão Direta Não Basta: Compressão Indireta ou Pontos de Pressão

Em alguns casos, a compressão direta pode não ser suficiente para controlar um sangramento arterial intenso, especialmente em membros. Nesses casos, podemos recorrer à compressão indireta ou à aplicação de pressão em pontos de pressão. Esses pontos são artérias principais que irrigam a área ferida e que podem ser comprimidas contra um osso, interrompendo ou diminuindo o fluxo sanguíneo para a lesão.

Pontos de pressão importantes:

  • Artéria Braquial: Localizada na parte interna do braço, entre o cotovelo e a axila. Para comprimi-la, pressione com os dedos contra o osso úmero. É utilizada para controlar sangramentos no braço e na mão.
  • Artéria Femoral: Localizada na virilha. Para comprimi-la, pressione com a base da palma da mão ou com o punho cerrado contra o osso pélvico. É utilizada para controlar sangramentos na perna e no pé.

Como fazer:

  1. Localize o ponto de pressão: Identifique a artéria correta, seguindo as referências anatômicas.
  2. Aplique pressão: Pressione firmemente a artéria contra o osso subjacente. A pressão deve ser forte o suficiente para diminuir ou interromper o pulso na artéria distal à compressão e, consequentemente, reduzir o sangramento.
  3. Mantenha a pressão: Continue pressionando o ponto de pressão enquanto mantém a compressão direta sobre o ferimento, se possível, até que o sangramento seja controlado ou a ajuda especializada chegue.

A Última Opção: Torniquete – Uso Cauteloso em Casos Extremos

O torniquete é um dispositivo que interrompe completamente o fluxo sanguíneo para um membro. Seu uso é reservado para situações de hemorragia grave e com risco imediato de morte, quando a compressão direta e a compressão indireta não foram eficazes ou não são possíveis (por exemplo, em amputações traumáticas ou sangramentos múltiplos e severos no mesmo membro).

Importante: O torniquete é uma medida extrema e pode causar danos graves ao membro se aplicado por tempo prolongado. Seu uso deve ser considerado como último recurso e apenas quando a vida da vítima está em risco iminente devido à perda de sangue.

Como improvisar um torniquete (se um torniquete comercial não estiver disponível):

  1. Utilize um pano resistente: Escolha um tecido forte e largo (pelo menos 5 cm de largura), como uma tira de roupa, um cinto ou um pedaço de lençol. Evite materiais finos que possam cortar a pele.
  2. Posicione acima do ferimento: Coloque o pano cerca de 5 a 7,5 cm (dois a três dedos) acima do local do sangramento, entre o ferimento e o tronco (ou a articulação mais próxima, se o ferimento estiver próximo a ela).
  3. Amarre firmemente: Dê duas voltas apertadas com o pano ao redor do membro e faça um nó simples.
  4. Utilize um bastão para torcer: Coloque um bastão resistente (um galho, uma caneta grossa, uma chave de fenda) sobre o nó e amarre-o com as pontas do pano.
  5. Torça até estancar o sangramento: Gire o bastão até que o sangramento pare completamente.
  6. Fixe o bastão: Prenda o bastão no lugar para que não se desenrole.
  7. Marque o horário: É crucial anotar o horário exato em que o torniquete foi aplicado e informar essa informação à equipe de emergência.

Cuidados importantes com o torniquete:

  • Não afrouxe o torniquete: Uma vez aplicado, o torniquete só deve ser removido por profissionais de saúde qualificados. Afrouxá-lo pode liberar toxinas e agravar o choque.
  • Mantenha o torniquete visível: Não cubra o torniquete com roupas ou curativos.
  • Informe a equipe de emergência: Comunique imediatamente a aplicação do torniquete e o horário em que foi realizado.

O Papel Crucial da Enfermagem nos Primeiros Socorros

Embora estejamos focando nas técnicas de primeiros socorros, é importante lembrar que, como futuros profissionais de enfermagem, nosso conhecimento e habilidades vão muito além da intervenção inicial. Nosso papel inclui:

  • Educação da comunidade: Ensinar a população sobre as medidas básicas de controle de hemorragia.
  • Avaliação e tratamento avançado: Ao chegarmos ao local ou recebermos a vítima, realizaremos uma avaliação completa, identificando a causa e a gravidade da hemorragia, e implementaremos medidas mais avançadas para estabilização e tratamento.
  • Cuidados pós-hemorragia: Monitorar sinais de choque, avaliar a perfusão tecidual, administrar fluidos e hemoderivados conforme a prescrição médica, e cuidar das feridas para prevenir infecções.
  • Suporte emocional: Oferecer apoio emocional à vítima e seus familiares durante e após o evento traumático.

Dominar as técnicas de controle de hemorragia externa nos primeiros socorros é um passo fundamental em nossa jornada como profissionais de saúde. Estar preparados para agir em situações de emergência pode salvar vidas e minimizar sequelas.

Lembre-se: a calma, a rapidez e a aplicação correta das técnicas são seus maiores aliados.

Referências:

  1. AMERICAN COLLEGE OF SURGEONS. ATLS: Advanced Trauma Life Support Student Manual. 10th ed. Chicago: American College of Surgeons, 2018. 
  2. NATIONAL ASSOCIATION OF EMERGENCY MEDICAL TECHNICIANS (NAEMT). PHTLS: Prehospital Trauma Life Support. 9th ed. Burlington, MA: Jones & Bartlett Learning, 2018.
  3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR (SOBRAP). Diretrizes Nacionais de Atendimento Pré-Hospitalar. [S. l.]: SOBRAP, 2016. (Consultar seção sobre hemorragias). Disponível em: https://sobraponline.com.br/diretrizes/

O que faz um Enfermeiro de Pronto Socorro?

O enfermeiro de pronto socorro desempenha um papel crucial na assistência imediata e eficaz a pacientes que buscam atendimento por diversas condições de saúde, desde as mais simples até as mais complexas. Suas atribuições são vastas e exigem conhecimento técnico, habilidades de comunicação e grande capacidade de tomada de decisão sob pressão.

Principais atribuições

  • Acolhimento e classificação de risco: É o primeiro contato com o paciente. Nessa etapa, o enfermeiro avalia a gravidade do quadro clínico e define a prioridade do atendimento, garantindo que os casos mais urgentes sejam atendidos rapidamente.
  • Coleta de dados e histórico de saúde: Realiza uma entrevista detalhada com o paciente para obter informações sobre os sintomas, histórico médico, alergias e medicamentos em uso.
  • Exame físico: Avalia os sinais vitais (pressão arterial, frequência cardíaca, temperatura, frequência respiratória), ausculta o coração e pulmões, inspeciona a pele e realiza outros procedimentos de acordo com a necessidade do paciente.
  • Assistência de enfermagem: Realiza procedimentos como curativos, administração de medicamentos, coleta de exames, monitoramento de sinais vitais, entre outros.
  • Estabilização de pacientes críticos: Em casos de emergência, o enfermeiro atua na estabilização do paciente, realizando manobras de ressuscitação cardiopulmonar (RCP), intubação orotraqueal e outros procedimentos de suporte avançado de vida.
  • Orientação e educação: Oferece orientações aos pacientes sobre os cuidados a serem tomados após a alta, medicamentos, retorno para consultas e promoção da saúde.
  • Gestão da equipe: Coordenada a equipe de enfermagem, distribuindo tarefas e supervisionando o trabalho dos técnicos de enfermagem e auxiliares de enfermagem.
  • Participação em protocolos e procedimentos: Cumpre os protocolos e procedimentos estabelecidos pela instituição, garantindo a qualidade e a segurança do atendimento.

Outras atividades importantes

  • Registro dos cuidados: Documenta todas as ações realizadas no prontuário do paciente, garantindo a continuidade do cuidado e a comunicação entre os profissionais de saúde.
  • Manutenção de equipamentos: Verifica o funcionamento dos equipamentos utilizados na assistência ao paciente, garantindo a segurança e a eficácia dos procedimentos.
  • Participação em programas de educação continuada: Busca constantemente aprimorar seus conhecimentos e habilidades, participando de cursos e treinamentos.

Referências:

  1. Hospital Federal de Bonsucesso: http://www.hgb.rj.saude.gov.br/artigos/atividades.asp
  2.  Faculdade ITH: https://faculdadeith.com.br/2022/05/19/enfermeiro-emergencista-conheca-as-atribuicoes-que-o-profissional-e-respaldado-a-realizar/

Carrinho de Emergência Pediátrico

Um carrinho de emergência pediátrico é especialmente equipado para atender às necessidades únicas de crianças e adolescentes em situações de emergência. Ele contém uma variedade de materiais e medicamentos que permitem ao profissional de saúde estabilizar o paciente e iniciar o tratamento de forma rápida e eficiente.

O que deve conter?

A composição exata de um carrinho de emergência pediátrico pode variar entre instituições, mas geralmente inclui os seguintes itens:

Medicamentos e diluentes   Quantidade 
Adenosina 6mg/2ml 03 ampolas
Água destilada 10ml 10 ampolas
Amiodarona, cloridrato 150mg/3mL 02 ampolas
Atropina, sulfato 0,25mg/1mL 05 ampolas
Bicabornato de Sódio 8,4% 250mL 04 frascos
Dexametasona, fosfato 4mg/ml 02 ampolas
Diazepan 10mg/2mL 04 ampolas
Dobutamina, cloridrato 250mg/20mL 02 ampolas
Dopamina, cloridrato 50mg/10mL 02 ampolas
Epinefrina 1mg/mL (Adrenalina) 10 ampolas
Fenitoína sódica 5% 250mg/5mL 02 ampolas
Fenobarbital sódico 200mg/2ml 02 ampolas
Fentanila, citrato 0,05mg/mL 20mL 04 frascos
Furosemida 20mg/2ml 03 ampolas
Flumazenil 0,5mg/5mL 02 ampolas
Glicose Hipertônica 25% 10mL 05 ampolas
Glicose Hipertônica 50% 10mL 05 ampolas
Gluconato de Cálcio 10% 0,5mEq/mL 10mL 02 ampolas
Hidrocortisona, succinato 100mg 02 frascos
Hidrocortisona, succinato 500mg 02 frascos
Lidocaína, cloridrato 2% sem vaso 20mg/mL 20mL 01 frasco
Lidocaína, cloridrato 2% sem vaso 20mg/mL 5mL 02 ampolas
Metilpredinisolona, succinato Sódico 125mg 02 frascos
Metilpredinisolona, succinato Sódico 500mg 01 frasco
Midazolan, cloridrato 15mg/3mL 03 ampolas
Naloxona, cloridrato 0,4mg/mL 02 ampolas
Nitroprusseto de sódio 25mg/2mL 01 ampola
Norepinefrina, hemitartarato 8mg/4mL (Noradrenalina) 02 ampolas
Prometazina, cloridrato 50mg/2mL 02 ampolas
Soro Fisiológico 0,9% 10 ml 10 frascos
Succinilcolina, cloridrato 500mg 01 frasco
Tiopental sódico 1000mg 01 frasco
          
Circulação Quantidade 
Cateter intravenoso periférico flexível (abocath®) n° 24 / 22 04 unidades cada
Cateter intravenoso periférico flexível (abocath®) n° 20 /18 / 16 / 14 02 unidades cada
Cateter intravenoso periférico rígido (Scalp) n° 19 / 21 / 25 / 27 02 unidades cada
Agulha hipodérmica descartável 13X4,5 02 unidades
Agulha hipodérmica descartável 25×7 03 unidades
Agulha hipodérmica descartável 25×8 03 unidades
Agulha hipodérmica descartável 40×12 ou 30×10 03 unidades
Equipo Macrogotas 02 unidades
Equipo Parenteral 02 unidades
Equipo Fotossensível 02 unidades
Multivias ou Torneira de 3 vias (three ways) 03 unidades
Seringa 3 mL / 5 mL / 10 mL / 20 mL / 60 mL 02 unidades cada
Eletrodo descartável infantil 01 pacote
Gel condutor 01 unidade
Vias Aéreas Quantidade
Luva estéril 6,0/ 6,5 / 7,0 / 7,5 / 8,0 / 8,5 01 par cada
Cânula Endotraqueal nº 4,0 / 4,5 sem cuff 03 unidades cada
Cânula Endotraqueal nº 5,0 / 5,5 / 6,0 / 6,5 / 7,0 com cuff 03 unidades cada
Cateter de aspiração nº 8 / 10 / 12 01 unidade cada
Guia pequeno para cânula traqueal 01 unidades
Guia grande para cânula traqueal 01 unidades
Cânula orofaríngea (Guedel)  nº 1 / 2 / 3 / 4 01 unidade cada
Máscara de reanimação nº 01 / 02 / 03 01 unidade cada
Reanimador manual (AMBU) 500 mL e 1000 mL 01 unidade cada
Cateter Oxigênio Tipo Óculos 01 unidade
Umidificador 01 unidade
Máscara de nebulização contínua 01 unidade
Materiais Complementares Quantidade 
Cateter uretral Levine  nº 8 / 10 / 12 / 14 01 unidade cada
Cateter vesical de demora nº/ 8 / 10 / 12 / 14 01 unidade cada
Coletor de urina sistema fechado 02 unidades
Coletor de urina sistema aberto 02 unidades
Cateter gástrico nº 8 / 10 / 12 / 14 / 16 01 unidade cada
Borracha de silicone 03 unidades
Soluções Quantidade 
Soro fisiológico 0,9% 250 mL 01 frasco
Soro fisiológico 0,9% 500 mL 01 frasco
Soro glicosado 10% 500 mL 01 frasco
Soro glicosado 5% 250 mL 01 frasco
Água destilada 500 mL 01 frasco
Bicarbonato de sódio 250 mL 01 frasco
Solução Ringer Lactato 500 mL 01 frasco

 

É importante ressaltar que o conteúdo do carrinho de emergência pediátrico deve ser verificado regularmente para garantir que todos os materiais estejam disponíveis, em condições adequadas de uso e com validade dentro do prazo.

Referências:

  1. EBSERH
  2. Cmos DRAKE

Urgências e Emergências Ginecológicas

As urgências e emergências ginecológicas são condições que requerem atenção médica imediata devido ao risco potencial de complicações sérias para a saúde da mulher. As causas podem variar desde infecções e sangramentos até problemas com a gravidez e doenças ginecológicas.

Situações que devem ser considerados

Sintomas comuns que indicam uma Urgência Ginecológica

  • Dor pélvica intensa: Pode ser um sinal de infecção, apendicite, cisto ovárico torcido, gravidez ectópica ou outros problemas.
  • Sangramento vaginal anormal: Fluxo intenso, fora do período menstrual, após a menopausa ou acompanhado de outros sintomas, como dor ou febre.
  • Febre alta e calafrios: Podem indicar uma infecção pélvica, doença inflamatória pélvica ou outras condições graves.
  • Náuseas e vômitos intensos: Podem ser sintomas de gravidez ectópica, torção ovárica ou outras condições.
  • Dor ao urinar ou ao defecar: Podem indicar infecção urinária, infecção pélvica ou outros problemas.
  • Inchaço abdominal: Pode ser causado por um cisto ovárico, gravidez ectópica ou outros problemas.
  • Dor durante o sexo: Pode ser um sinal de infecção, endometriose ou outros problemas.

Alguns exemplos específicos de Emergências Ginecológicas

  • Gravidez ectópica: A gravidez se instala fora do útero, geralmente na tuba uterina, e pode ser fatal se não tratada.
  • Torção ovárica: O ovário gira em torno de seu próprio eixo, interrompendo o suprimento sanguíneo.
  • Doença inflamatória pélvica (DIP): Infecção dos órgãos reprodutivos femininos que pode causar danos irreversíveis se não tratada.
  • Sangramento uterino anormal: Pode ser causado por fibromas, pólipos, câncer ou outros problemas.
  • Aborto espontâneo: Perda da gravidez antes da 20ª semana de gestação.
  • Trabalho de parto prematuro: Início do trabalho de parto antes das 37 semanas de gestação.
  • Rotura de membrana: Ruptura da bolsa amniótica antes do início do trabalho de parto.
  • Eclâmpsia/Pré eclâmpsia: A pré-eclâmpsia é um novo diagnóstico de hipertensão arterial ou da piora de hipertensão arterial preexistente, que é acompanhada de um excesso de proteína na urina e que surge após a 20ª semana de gravidez. Eclâmpsia são convulsões que ocorrem em mulheres com pré-eclâmpsia e que não apresentam outra causa.
  • Placenta Prévia: é uma condição durante a gravidez onde a placenta se implanta na parte inferior do útero, perto ou cobrindo o colo do útero.

O que fazer em caso de urgência ou emergência ginecológica

  • Procure atendimento médico imediatamente. Não hesite em ir ao hospital ou entrar em contato com um médico por telefone.
  • Descreva os seus sintomas com detalhes. Inclua a data de início, a intensidade e outros sintomas que você está sentindo.
  • Responda honestamente às perguntas do médico. Fornecer informações precisas é crucial para um diagnóstico correto.
  • Siga as instruções do médico. Tome os medicamentos prescritos e faça os exames necessários.
  • Contate o médico caso os seus sintomas não melhorem.

Referência:

  1. Ministério da Saúde

Conferência de carrinho de emergência: De quem é a responsabilidade?

A conferência de carrinho de emergência é um procedimento crucial para garantir a segurança e a prontidão em situações de emergência. A responsabilidade pela conferência deve ser claramente definida e atribuída a um indivíduo ou equipe.

Lembrando que juntamente com os profissionais farmacêuticos, é realizado uma conferência e vistoria ampla, mas aqui discutiremos a responsabilidade DENTRO DA EQUIPE DE ENFERMAGEM.

De quem é a reponsabilidade?

De acordo com a Câmara Técnica e PARECER COREN-SP Nº 010/2022, a responsabilidade pela montagem, conferência e reposição de materiais do carro de emergência, no âmbito da equipe de enfermagem, é do enfermeiro.

No entanto, todos os membros da equipe de enfermagem podem realizar a conferência, reposição e limpeza do equipamento, desde que sob supervisão do Enfermeiro, conforme estabelecido na Lei do Exercício Profissional, n. 7.498/86.

Já o controle de inventário e de estoque é realizado pelo farmacêutico.

Referências:

  1. Camara-Tecnica-Perguntas-e-Respostas-2020.pdf (corenmg.gov.br)
  2. Parecer_010_2022-Carro-de-emergencia.pdf (coren-sp.gov.br)

Porque os carrinhos de emergência ficam lacrados?

Os carrinhos de emergência são lacrados para garantir a integridade e a prontidão dos equipamentos e medicamentos que contêm.

O lacre assegura que o conteúdo do carrinho esteja completo, organizado e não tenha sido utilizado ou comprometido desde a última verificação.

Motivos para ter um lacre em seu carrinho de emergência

  1. Segurança dos Medicamentos: Os carrinhos de emergência contêm medicamentos controlados e outros suprimentos médicos essenciais que precisam ser mantidos seguros e protegidos. O lacre evita o acesso não autorizado e o roubo.
  2. Controle de Inventário: O lacre ajuda a manter o controle do inventário dos suprimentos médicos. Ele garante que todos os suprimentos estejam presentes e contabilizados, e que nenhum item seja removido sem autorização.
  3. Prevenção de Contaminação: Os carrinhos de emergência precisam ser mantidos livres de contaminantes para garantir a segurança do paciente. O lacre impede a entrada de poeira, sujeira e outros contaminantes no carrinho.
  4. Prontidão para Emergências: Os carrinhos de emergência são projetados para serem usados em situações de emergência. O lacre garante que o carrinho esteja pronto para uso imediato, sem atrasos devido à verificação de inventário ou à procura de itens ausentes.
  5. Responsabilidade Legal: Em alguns casos, os hospitais são legalmente responsáveis ​​por manter o acesso seguro aos medicamentos controlados. O lacre ajuda a atender a esses requisitos legais.

O lacre é rompido apenas quando o carrinho é necessário para uma emergência, após o qual ele deve ser reabastecido e relacrado para garantir que esteja sempre pronto para o próximo uso. É uma prática padrão em hospitais e clínicas para manter a qualidade e a eficiência do atendimento de emergência.

Em resumo, os carrinhos de emergência são lacrados para garantir a segurança dos medicamentos, manter o controle do inventário, prevenir a contaminação, agilizar a prontidão para emergências e cumprir as responsabilidades legais.

Referência:

  1. https://uece.br/eventos/enfermaio/anais/trabalhos_completos/472-44406-12042019-202721.pdf

Classificação das Cirurgias

O Centro Cirúrgico é um lugar especial dentro do hospital, convenientemente preparado segundo um conjunto de requisitos que o tornam apto à prática da cirurgia.

Todas elas possuem características que definem o estilo de cirurgia e até mesmo o nível de complexidade.

Classificação quanto à urgência

  • CIRURGIA ELETIVA: tratamento cirúrgico proposto, mas a realização pode aguardar ocasião propícia, ou seja, pode ser programado. Por ex.: mamoplastia, gastrectomia.
  • CIRURGIA DE URGÊNCIA: tratamento cirúrgico que requer pronta atenção e deve ser realizado dentro de 24 a 48 horas. Por ex.: apendicectomia, brida intestinal.
  • CIRURGIA DE EMERGÊNCIA: tratamento cirúrgico que requer atenção imediata por se tratar de uma situação crítica. Por ex.: ferimento por arma de fogo em região precordial, hematoma subdural.

Classificação quanto à finalidade do tratamento cirúrgico

  • CIRURGIA CURATIVA: objetivo é extirpar ou corrigir a causa da doença, devolvendo a saúde ao paciente. Para essa finalidade, às vezes é necessário a retirada parcial ou total de um órgão. Ex.: apendicectomia.
  • CIRURGIA PALIATIVA: tem a finalidade de atenuar ou buscar uma alternativa para aliviar o mal, mas não cura a doença. Ex.: gastrostomia.
  • CIRURGIA DIAGNÓSTICA: realizada com o objetivo de ajudar no esclarecimento da doença. Ex.: laparotomia exploradora.
  • CIRURGIA REPARADORA: reconstitui artificialmente uma parte do corpo lesada por enfermidade ou traumatismo. Ex.: enxerto de pele em queimados.
  • CIRURGIA RECONSTRUTORA / COSMÉTICA / PLÁSTICA: realizada com objetivos estéticos ou reparadores, para fins de embelezamento. Ex.: rinoplastia, mamoplastia etc.

Classificação quanto ao porte cirúrgico (tempo de duração)

  • PORTE I: com tempo de duração de até 2 horas. Por ex.: rinoplastia.
  • PORTE II: cirurgias que duram de 2 a 4 horas. Por ex.: colecistectomia,gastrectomia.
  • PORTE III: de 4 a 6 horas de duração. Por ex.: craniotomia.
  • PORTE IV: com tempo de duração acima de 6 horas. Por ex.: transplante de fígado. 

Classificação quanto a potencial contaminação

  • CIRURGIA LIMPA: eletiva, primariamente fechada, sem a presença de dreno, não traumática. Realizadas em tecidos estéreis ou passíveis de descontaminação, na ausência de processo infeccioso e inflamatório local. Cirurgias em que não ocorreram penetrações nos tratos digestivo, respiratório ou urinário. Por ex.: mamoplastia.
  • CIRURGIA POTENCIALMENTE CONTAMINADA: realizada em tecidos colonizados por microbiota pouco numerosa ou em tecido de difícil descontaminação, na ausência de processo infeccioso e inflamatório, e com falhas técnicas discretas no transoperatório. Cirurgias com drenagem aberta enquadram-se nessa categoria. Ocorre penetração nos tratos digestivo, respiratório ou urinário sem contaminação significativa. Por ex.: colecistectomia com colangiografia.
  • CIRURGIA CONTAMINADA: cirurgia realizada em tecidos abertos e recentemente traumatizados, colonizados por microbiota bacteriana abundante, de descontaminação difícil ou impossível, presença de inflamação aguda na incisão e cicatrização de segunda intenção ou grande contaminação a partir do tubo digestivo. Obstrução biliar ou urinária também se inclui nesta categoria. Por ex.: colectomia.

Cirurgias de acordo com a Associação Médica Brasileira (AMB)

Tem-se ainda a classificação de cirurgias conforma a tabela utilizada pelo sistema de cobrança dos hospitais segundo a Associação Médica Brasileira (AMB) que caracteriza de acordo com o procedimento anestésico. Varia do porte 0 a 8, sendo o porte zero, um procedimento com anestesia local e por ordem crescente, cresce a complexidade anestésica e consequentemente a cirúrgica.

As cirurgias também podem ser classificadas de acordo com a Associação Médica Brasileira (AMB), que diz:

Para a AMB as cirurgias são classificadas de porte 0 a 8, sendo o porte zero um procedimento com anestesia local e à medida que se utiliza a classificação em ordem crescente, existe também crescimento da complexidade cirúrgica. Portanto, trata-se de uma classificação com finalidade de cobrança do convênio e Serviço Único de Saúde (SUS), principalmente dos honorários médicos (anestesista e cirurgião), da instrumentação cirúrgica e da sala de operação.

Referências:

  1. MAGALHÃES, H. P. Técnica cirúrgica e cirurgia experimental. 1.ed. São Paulo: Sarvier, 1993.
  2. CIRINO, L. M. I. Manual de técnica cirúrgica para graduação. 1.ed. São Paulo: Sarvier, 2003.
  3. FULLER, J. R. Tecnologia cirúrgica: princípios e prática. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.
  4. Conselho Federal de Medicina

A Anestesia Geral e suas fases

A anestesia geral é uma técnica anestésica que promove eliminação da dor, daí o nome anestesia, paralisia muscular, abolição dos reflexos, amnésia e, principalmente, inconsciência. A anestesia geral faz com que o paciente torne-se incapaz de sentir e/ou reagir a qualquer estímulo do ambiente, sendo a técnica mais indicada de anestesia nas cirurgias complexas e de grande porte.

Fases: Como é feito?

A anestesia geral possui cinco fases: pré-medicação, indução, manutenção e recuperação e emergência.

A fase de pré-medicação é feita para que o paciente chegue ao ato cirúrgico calmo e relaxado. Normalmente é administrado um ansiolítico (calmante) de curta duração, como o midazolam, deixando o paciente já com um grau leve de sedação. Deste modo, ele entra na sala de operação sob menos estresse.

A fase de indução é normalmente feita com drogas por via intravenosa, sendo o Propofol a mais usada atualmente. Após a indução, o paciente rapidamente entra em sedação mais profunda, ou seja, perde a consciência, ficando em um estado popularmente chamado de coma induzido.

O paciente apesar de estar inconsciente, ainda pode sentir dor, sendo necessário aprofundar ainda mais a anestesia para a cirurgia poder ser realizada. Para tal, o anestesista também costuma administrar um analgésico opioide (da família da morfina) como o Fentanil.

Neste momento o paciente já apresenta um grau importante de sedação, não sendo mais capaz de proteger suas vias aéreas das secreções da cavidade oral, como a saliva. Além disso, na maioria das cirurgias com anestesia geral é importante haver relaxamento dos músculos, fazendo com que a musculatura respiratória fique inibida.

O paciente, então, precisa ser intubado e acoplado a ventilação mecânica para poder receber uma oxigenação adequada e não aspirar suas secreções.

Em algumas cirurgias mais rápidas, ou que não abordem o tórax ou o abdômen, pode não ser necessária intubação, ficando o paciente apenas com uma máscara de oxigênio.

No início da fase de manutenção as drogas usadas na indução, que têm curta duração, começam a perder efeito, fazendo com que o paciente precise de mais anestésicos para continuar o procedimento. Nesta fase, a anestesia pode ser feita com anestésicos por via inalatória ou por via intravenosa. Na maioria dos casos a via inalatória é preferida.

Os anestésicos são administrados através do tubo orotraqueal na forma de gás junto com o oxigênio, sendo absorvidos pelos alvéolos do pulmão, passando rapidamente para a corrente sanguínea. Alguns exemplos de anestésicos inalatórios são o óxido nitroso e os anestésico halogenados como o halotano, sevoflurano e desflurano, drogas administradas continuamente durante todo o procedimento cirúrgico.

A profundidade da anestesia depende do procedimento cirúrgico a ser realizado. O nível de anestesia para se cortar a pele é diferente do nível para se abordar os intestinos, por exemplo. Conforme o procedimento cirúrgico avança, o anestesista procura deixar o paciente sempre com o mínimo possível de anestésicos.

Uma anestesia muito profunda pode provocar hipotensões e desaceleração dos batimentos cardíacos, podendo diminuir demasiadamente a perfusão de sangue para os tecidos corporais.

Quando a cirurgia entra na sua fase final, o anestesista começa a reduzir a administração das drogas, já planejando o final da anestesia junto com o término do procedimento cirúrgico, ou seja, entra na fase de emergência. Se há relaxamento muscular excessivo, drogas que funcionam como antídotos são administradas.

Nesta fase de recuperação, novamente analgésicos opióides são administrados para que o paciente não acorde da anestesia com dores no local onde foi abordado.

Conforme os anestésicos inalatórios vão sendo eliminados da circulação sanguínea, o paciente começa a recuperar a consciência, passando a ser capaz de voltar a respirar por conta própria. Quando o paciente já se encontra com total controle dos reflexos das vias respiratórias, o tubo orotraqueal pode ser retirado.

Neste momento, apesar do paciente já ter um razoável grau de consciência, ele dificilmente se recordará do que aconteceu nesta fase de recuperação devido aos efeitos amnésicos das drogas.

Riscos

Existe um mito de que a anestesia geral é um procedimento perigoso. Complicações exclusivas da anestesia geral são raras, principalmente em pacientes saudáveis. Na maioria dos casos, as complicações são derivadas de doenças graves que o paciente já possuía, como doenças cardíacas, renais, hepáticas ou pulmonares em estágio avançado, ou ainda, por complicações da própria cirurgia, como hemorragias ou lesões ou falência de órgãos vitais.

Só como exemplo, um trabalho canadense de 1997, apenas com cirurgias odontológicas com anestesia geral, ou seja, cirurgias de baixo risco realizadas em pacientes saudáveis, detectou uma taxa de mortalidade de apenas 1,4 a cada 1 milhão de procedimentos. Isto prova que a anestesia em si é muito segura.

Também há de se destacar que a anestesia geral é um procedimento complexo, devendo ser feita somente por profissionais qualificados e em ambientes com ampla estrutura para tal, no caso, um centro cirúrgico hospitalar.

Recomendações

Quem irá se submeter à anestesia geral deve realizar os exames pré-operatórios exigidos pelo cirurgião, além de passar por avaliação com um médico anestesiologista para checar se possui alergia aos fármacos utilizados. No dia da cirurgia, o jejum de 8 horas é solicitado para evitar que resíduos de alimentos entrem nas vias respiratórias (broncoaspiração).

Fatores que aumentam o risco da anestesia geral

Antes de qualquer cirurgia, um anestesista irá consultá-lo para avaliar o seu risco cirúrgico. Além do reconhecimento prévio de doenças graves que podem complicar o ato cirúrgico, é importante para o anestesista saber algumas informações pessoais do paciente que possam aumentar o risco da anestesia, tais como:

  • História prévia de reação anafilática;
  • Alergias alimentares ou a drogas;
  • Uso frequente de bebidas alcoólicas;
  • Uso de drogas, principalmente cocaína
  • Uso de medicamentos controlados ou não;
  • História de tabagismo;
  • Apneia do sono;
  • Obesidade.

Veja também:

Glossário de Terminologias e Termos Técnicos na Enfermagem

Referências:

  1. Conselho Federal de Medicina (CFM);
  2. Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA);
  3. Clínica Médica Integrada de Anestesiologistas (CMIA).

Patologias de Urgência e Emergência

Mesmo com todos os cuidados e precauções, é possível que ocorra algum episódio clínico com você ou com alguém da sua família que necessite de cuidados de urgência e emergência. E diante de situações como essa, é importante que você saiba como agir corretamente.

Diferenças entre Urgência e Emergência

Urgência e Emergência: Conceitos Básicos

Patologias ou Situações de Urgência e Emergência

Situações de Emergência

Quando a pessoa necessita de assistência médica imediata, pois há risco potencial de morte, ela deve ser encaminhada ao plantão hospitalar:

  • Corte profundo;
  • Acidente de origem elétrica;
  • Picada ou mordida de animais peçonhentos;
  • Queimaduras;
  • Afogamentos;
  • Hemorragia;
  • Infarto do miocárdio;
  • Dificuldade respiratória;
  • Derrames (AVE/AVE), perda de função e/ou dormência nos braços e pernas;
  • Inconsciência/desmaio;
  • Intoxicação por alimento ou medicamento;
  • Hematêmese, hematúria ou enterorragia/melena;
  • Grave reação alérgica;
  • Febre alta permanente;
  • Convulsões, dores intensas no peito, abdômen, cabeça e outros;
  • Agressões físicas;
  • Acidentes de carro, moto, atropelamento e quedas.

Situações de Urgência

Pode ser entendida como uma situação clínica ou cirúrgica, sem risco de morte iminente, mas que, se não for tratada, pode evoluir para complicações mais graves, sendo necessário, assim como a emergência, o encaminhamento para o plantão hospitalar:

  • Fraturas;
  • Luxações;
  • Torções;
  • Asma brônquica em crise;
  • Feridas lácero-contusas (causadas pela compressão ou tração dos tecidos) sem grandes hemorragias;
  • Transtornos psiquiátricos;
  • Dor abdominal de moderada intensidade;
  • Retenção urinária em pacientes idosos;
  • Febre maior que 38 graus há pelo menos 48h que melhora com antitérmicos mas retorna antes de completarem-se 4h da tomada do antitérmico;
  • Mais de um episódio de vômito em até 12h.

Referência:

  1. ABCMED, 2020. Urgências e emergências médicas mais comuns. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1382073/urgencias-e-emergencias-medicas-mais-comuns.htm&gt;. Acesso em: 4 out. 2021.