Endocardite vs. Pericardite: Quais as diferenças?

A endocardite e a pericardite são duas condições que afetam o coração, mas de formas distintas. Para entender melhor essas doenças, vamos comparar seus principais aspectos:

O que é cada uma?

  • Endocardite: É uma inflamação do endocárdio, a membrana que reveste o interior do coração e as válvulas cardíacas. Essa inflamação geralmente é causada por uma infecção, como a bactéria estreptococo.
  • Pericardite: É uma inflamação do pericárdio, a membrana que envolve o coração como um saco. Essa inflamação pode ter diversas causas, incluindo infecções, doenças autoimunes, tumores e até mesmo infarto do miocárdio.

Quais os principais sintomas?

Os sintomas de ambas as doenças podem ser semelhantes e variar bastante de pessoa para pessoa. No entanto, alguns sintomas são mais comuns em cada uma:

  • Endocardite: Febre, fadiga, perda de peso, dificuldade para respirar, tosse, dor nas articulações, manchas vermelhas na pele (petéquias) e sopros cardíacos.
  • Pericardite: Dor no peito que piora ao deitar ou respirar fundo, dificuldade para respirar, tosse seca, febre baixa e inchaço nas pernas.

Quais as causas?

  • Endocardite: A principal causa é a infecção bacteriana, mas também pode ser causada por fungos ou vírus.
  • Pericardite: As causas são mais variadas e podem incluir infecções, doenças autoimunes, tumores, infarto do miocárdio, radioterapia e até mesmo medicamentos.

Como são diagnosticadas?

O diagnóstico de ambas as doenças envolve:

  • Exame físico: O médico ouvirá o coração com um estetoscópio para identificar sopros cardíacos e outros ruídos.
  • Eletrocardiograma (ECG): Avalia a atividade elétrica do coração.
  • Ecocardiograma: Utiliza ondas sonoras para criar imagens do coração e identificar alterações estruturais e funcionais.
  • Exames de sangue: Avaliam a presença de marcadores inflamatórios e infecciosos.
  • Radiografia de tórax: Pode revelar alterações no tamanho do coração ou a presença de líquido ao redor do coração.

Tratamento

O tratamento depende da causa e da gravidade da doença:

  • Endocardite: Geralmente envolve o uso de antibióticos de alta potência por um longo período. Em casos mais graves, pode ser necessária cirurgia.
  • Pericardite: O tratamento pode incluir medicamentos anti-inflamatórios, analgésicos e, em alguns casos, corticosteroides. Em casos mais graves, pode ser necessário drenar o líquido acumulado ao redor do coração.

Complicações

  • Endocardite: Pode levar a insuficiência cardíaca, embolia (obstrução de um vaso sanguíneo por um coágulo), abscessos no coração e até mesmo a morte.
  • Pericardite: Pode levar ao acúmulo de líquido ao redor do coração (tamponamento cardíaco), que pode comprimir o coração e dificultar a sua função.

Referência:

  1. Montera MW, Mesquita ET, Colafranceschi AS, Oliveira Jr. AC de, Rabischoffsky A, Ianni BM, et al.. I Diretriz brasileira de miocardites e pericardites. Arq Bras Cardiol [Internet]. 2013;100(4):01–36. Available from: https://doi.org/10.5935/abc.2013S004

Importância da Higiene Oral em Âmbito Hospitalar

Higiene Oral

A Higiene Oral em âmbito hospitalar é muito mais importante do que você imagina. Pensa em um dia, daqueles corridos, que um profissional higieniza corretamente o paciente, mas esquece do mais importante: A limpeza bucal. Sim! Infelizmente ainda é um número razoável de situações que na qual vários profissionais deixam de executar este simples ato na hora de dar aquele banho ou higiene íntima no paciente.

Você sabia, que a falta de higiene oral de pacientes acamados cria um ambiente propício para a proliferação de bactérias na cavidade bucal? A placa bacteriana acaba atuando como reservatório para a colonização das bactérias respiratórias. Vejamos em casos de incidência em Unidades de Terapia Intensiva, por exemplo em uma certa Instituição, houve 33.3% de incidências por Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica (PAVM). Após a implementação de Bundle de Prevenção pela CCIH, houve uma queda brusca de infecções, para 3,5%.

Mas não é só a pneumonia que prevalece! Há várias alterações, como por exemplo: As alterações dos lábios como a Herpes Simples, dermatite de contato, queilite actínica, em casos de alterações da boca, como a leucoplaquia, líquen plano, a candidíase, a estomatite aftosa, e o sarcoma de Kaposi; e em casos de alterações das gengivas, temos a gengivite e a periodontite.

Pacientes com certos problemas cardíacos ou uma articulação artificial são considerados de alto risco para o desenvolvimento de uma infecção cardíaca chamada de endocardite infecciosa (EI), e recebem antibióticos preventivos antes de um procedimento odontológico. A má higienização bucal leva a infecções crônicas e agudas como os abscessos. O paciente fica em risco de bacteremia frequente e presumível endocardite se tiver um problema cardíaco ou outra condição que o coloca em risco.

Complicações à Falta de Higiene Oral: Métodos Alternativos

Devido a variação do nível de dependência do paciente, e aos problemas na cavidade oral, utiliza-se alguns métodos especiais para a higienização bucal pelo técnico de enfermagem. Em casos de pacientes internados em leitos de enfermarias, podem utilizar-se do creme dental e a escova, e em casos quando o paciente pode ajudar, é mais fácil de expelir o conteúdo bucal em uma cuba rim. Quando o paciente é totalmente dependente, pode-se utilizar o método de escovação com aspiração (há escovas especiais), ou o método de bonequinhas para a higiene oral, como produtos antissépticos sem álcool, e que utilizem clorexidina.

Em casos de pacientes críticos em leitos de UTI (maioria são intubados e inconscientes), é muito utilizado o método de escovação com a aspiração, e utilizando-se o antisséptico bucal com clorexidina. Por estarem em situações, onde a intubação dificulta a deglutição, a saliva fica acumulada na cavidade oral, assim aumentando as chances de adquirir uma infecção por trato respiratório.

A saliva contém certas enzimas, como a lactoferrina, lisozima e o sistema de peroxidase, que reforçam o sistema imunológico da boca. Micro-organismos presentes na placa bacteriana podem ser liberados para as secreções salivares e, então, serem aspiradas se alojando no trato respiratório inferior (pulmão). Portanto, o uso de enxaguatórios bucais com estas enzimas reforçará a higiene oral de pacientes acamados, e realizando a aspiração sempre que necessário.

CÁRIES

A primeira coisa que vem à mente quando pensamos em doenças causadas por falta de higiene são as cáries. Elas surgem a partir dos resíduos de alimentos que permanecem em contato com os dentes, atraindo bactérias e causando produção de ácidos que podem destruir as estruturas dos dentes.

Se não for tratada rapidamente, a cárie pode evoluir e causar a morte da polpa do dente, formação de abcessos ou até mesmo infecção. Vale lembrar que a má alimentação (alta ingestão de açúcar) e alguns medicamentos utilizados como antibióticos podem tornar os dentes mais vulneráveis à ação das cáries.

A HALITOSE

O mau hálito está relacionado à má higiene bucal, à boca seca e à ingestão de determinados alimentos. Geralmente esse problema se agrava no período da manhã, por conta da menor produção de saliva durante o período do sono.

AFTAS

Apesar de não existir uma causa específica para o aparecimento de aftas, é sabido que a má higiene bucal pode contribuir para seu surgimento e dificultar a cura. Os ferimentos na mucosa da boca têm coloração branca e avermelhadas ao redor e costumam causar dor e desconforto, especialmente na hora da alimentação.

GENGIVITE

Um problema bucal também muito comum na população brasileira, que pode evoluir para periodontite se não for tratada corretamente. A gengivite surge quando existe acúmulo de placa bacteriana, causando inflamação da gengiva, que pode resultar em vermelhidão, inchaço e sangramentos. Se a placa bacteriana não for removida, ela começa um processo de endurecimento, formando o tártaro, que se adere ao dente e pode destruir progressivamente as estruturas que sustentam os dentes.

PERIODONTITE

A inflamação causada pela evolução da gengivite não tratada é chamada de periodontite, e tem como sintomas sangramento, sensibilidade, mau hálito, retração da gengiva e pode resultar em perda do dente.

ENDOCARDITE BACTERIANA

Um dos problemas mais sérios originados da falta de higiene bucal, a endocardite bacteriana é uma infecção que afeta diretamente o coração, e pode levar à morte. Um simples sangramento na boca pode permitir que bactérias bucais entrem no sistema sanguíneo e atinjam válvulas ou tecidos, causando danos ao revestimento interno do coração.

Os Cuidados de Enfermagem com a Higienização Oral

Materiais a serem utilizados:

-Escova de dente;
– Dentifrício;
– Copo descartável com água;
– Toalha de rosto;
– Cuba-rim;
– Espátula;
– Canudo s/n;
– Lubrificante labial (vaselina);
– Antisséptico oral;
– Luva de procedimento;
– Gaze.

Procedimento em paciente com pouca limitação:

– Em posição de Fowler e com a cabeça lateralizada;
– Proteger o tórax com a toalha de rosto;
– Colocar a cuba-rim sob a bochecha;
– Solicitar para que abra a boca ou abri-la com auxílio da espátula;
– Utilizar a escova com movimentos da raiz em direção à extremidade dos dentes. Fazer cerca de 6 a 10 movimentos em cada superfície dental, com pressão constante da escova;
– Repetir esse movimento na superfície vestibular e lingual, tracionando a língua com espátula protegida com gaze, s/n;
– Oferecer copo com água para enxaguar a boca;
– Utilizar canudo s/n.


Procedimento em paciente com prótese:

– Solicitar que retire a prótese ou fazer por ele, utilizando a gaze;
– Colocá-la na bacia rim;
– Escovar a gengiva, palato e língua, se o paciente não puder fazê-lo;
– Oferecê-la para que o paciente coloque ainda molhada.

Procedimento em paciente intubado ou inconsciente:

– Para um paciente inconsciente, a melhor posição é a lateralizada com a cabeça do paciente virada para o lado onde você está, em semi Fowler ou com a cabeceira do leito em nível normal. Colocar o paciente em uma destas posições permite que fluidos ou quaisquer secreções orais se acumulem no lado dependente da boca e escorram para fora;
– Use uma escova com cerdas macias e solução antisséptica para escovar os dentes do seu paciente e remover qualquer acúmulo de sujidade e placa;
– Uma bonequinha feita com gaze ou uma gaze embebida em antisséptico podem ser usados para limpar também a língua e as gengivas do paciente. Retire possíveis crostas e sujidades;
– Realizar a aspiração do conteúdo da cavidade oral com uma sonda de aspiração de calibre menor, para evitar que lesione a mucosa oral;
– Como o paciente inconsciente não consegue relatar dor ou desconforto, realize uma avaliação completa da cavidade oral  cada vez que realizar a higiene oral;
– Aproveite o cuidado oral para observar a presença de inflamações, infecções, ulcerações ou sangramentos. Comunique ao enfermeiro responsável e ao médico para início imediato de tratamento, tendo em vista que problemas na saúde oral podem afetar o estado geral de saúde do paciente.

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