Glicemia Capilar e Valores de Referência

A glicemia capilar é um exame que mede a quantidade de glicose (açúcar) presente no sangue obtido por uma picada no dedo. É um dos principais métodos utilizados para monitorar os níveis de açúcar no sangue em pessoas com diabetes, permitindo um ajuste mais preciso do tratamento e prevenindo complicações.

Por que a Glicemia Capilar é Importante?

  • Monitoramento constante: Permite acompanhar as variações da glicemia ao longo do dia, após as refeições e antes de dormir.
  • Ajuste do tratamento: Ajuda a ajustar a dose de insulina, a dieta e a prática de atividade física, garantindo um controle eficaz do diabetes.
  • Prevenção de complicações: A manutenção dos níveis de glicemia dentro da faixa ideal reduz o risco de complicações como problemas nos olhos, rins, nervos e coração.

Valores de Referência da Glicemia Capilar segundo a SBD

A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) estabelece os seguintes valores de referência para a glicemia capilar:

  • Glicemia de jejum: Entre 70 e 99 mg/dL.
  • Glicemia 2 horas após o início das refeições: Abaixo de 180 mg/dL.

Observação: Esses valores podem variar ligeiramente de acordo com o indivíduo e com as metas estabelecidas pelo médico.

Fatores que Influenciam a Glicemia Capilar

Diversos fatores podem influenciar os níveis de glicose no sangue, como:

  • Alimentação: O consumo de carboidratos, especialmente açúcares simples, eleva rapidamente a glicemia.
  • Atividade física: A prática regular de exercícios físicos ajuda a controlar a glicemia.
  • Medicação: Os medicamentos para diabetes, como a insulina, influenciam diretamente os níveis de glicose.
  • Estresse: Situações de estresse podem aumentar a glicemia.
  • Hormônios: Hormônios como o cortisol e o glucagon podem elevar a glicemia.

Importância do Automonitoramento da Glicemia

O automonitoramento da glicemia capilar é fundamental para o controle do diabetes. Ele permite que a pessoa com diabetes:

  • Identificar padrões: Observar como diferentes alimentos, atividades físicas e medicamentos influenciam a glicemia.
  • Tomar decisões: Ajustar o tratamento de forma rápida e eficaz.
  • Aumentar a autonomia: Ter mais controle sobre a própria saúde.

Quando Consultar um Médico?

É importante consultar um médico endocrinologista para:

  • Orientação sobre o automonitoramento: Aprender a utilizar o glicosímetro corretamente e interpretar os resultados.
  • Estabelecimento de metas: Definir os valores ideais de glicemia para cada indivíduo.
  • Ajuste do tratamento: Realizar ajustes na medicação, dieta e atividade física, conforme necessário.

Cuidados de Enfermagem com a Glicemia Capilar

Os cuidados de enfermagem com a glicemia capilar são essenciais para garantir a precisão dos resultados e a segurança do paciente. É fundamental que o profissional de saúde siga os protocolos estabelecidos e ofereça orientações claras ao paciente.

Preparo do Paciente e do Material:

  • Higienização: Lavar as mãos e o local da punção com água e sabão, secando bem.
  • Escolha do local: Preferir as laterais dos dedos, evitando o dedo polegar e o dedo médio.
  • Aquecimento: Se necessário, aquecer o local da punção para aumentar o fluxo sanguíneo.
  • Material: Ter à mão o glicosímetro, as fitas reagentes, o lancetador, algodão com álcool, gaze e o formulário para registro dos resultados.

Técnica da Punção Capilar:

  1. Selecionar a profundidade da lanceta: Ajustar a profundidade de acordo com as características da pele do paciente.
  2. Realizar a punção: Firmar o dedo do paciente e realizar a punção rápida e perpendicularmente à pele.
  3. Coleta da amostra: Limpar a primeira gota de sangue e coletar a próxima, aplicando-a na fita reagente.
  4. Inserção da fita no glicosímetro: Seguir as instruções do fabricante.
  5. Aguardar o resultado: Aguardar o tempo indicado pelo aparelho para obter o resultado.

Cuidados após a Punção:

  • Pressão: Aplicar leve pressão no local da punção com gaze até parar o sangramento.
  • Higienização: Descartar o material utilizado em recipiente apropriado.
  • Registro: Anotar o resultado da glicemia no formulário do paciente.
  • Orientações: Oferecer orientações ao paciente sobre a importância do automonitoramento da glicemia e sobre como interpretar os resultados.

Cuidados Especiais:

  • Pacientes com pele frágil: Utilizar lanceta com menor profundidade e realizar a punção em locais com menor espessura de pele.
  • Pacientes com alterações de coagulação: Avaliar a necessidade de outros métodos para coleta de sangue e comunicar o médico.
  • Uso de anticoagulantes: Aumentar a pressão no local da punção para obter a gota de sangue.
  • Armazenamento do material: As fitas reagentes devem ser armazenadas em local seco e à temperatura ambiente, conforme as instruções do fabricante.

Possíveis Erros e Interferências:

  • Contaminação da amostra: A presença de álcool ou outros produtos pode alterar o resultado.
  • Excesso ou falta de sangue na fita: A quantidade de sangue deve ser suficiente para cobrir toda a área reagente da fita.
  • Falha no equipamento: Verificar se o glicosímetro está calibrado e se as pilhas estão funcionando corretamente.

Importância do Treinamento:

É fundamental que os profissionais de saúde sejam treinados adequadamente para realizar a coleta da glicemia capilar, garantindo a qualidade e a segurança do procedimento.

Orientações ao Paciente:

  • Higiene das mãos: Lavar as mãos antes e após a realização do exame.
  • Armazenamento do glicosímetro: Guardar o glicosímetro em local seguro, longe do alcance de crianças.
  • Calibração do aparelho: Realizar a calibração do glicosímetro conforme as instruções do fabricante.
  • Registro dos resultados: Anotar os resultados da glicemia em um diário ou aplicativo.

Referências:

  1. https://diretriz.diabetes.org.br/metas-no-tratamento-do-diabetes/
  2. HUUFSC
  3. PEBMED

Hipoglicemia Neonatal

Hipoglicemia neonatal é uma condição em que os níveis de glicose no sangue de um recém-nascido estão abaixo do normal. Essa condição pode ocorrer por diversos motivos e, se não tratada adequadamente, pode levar a complicações sérias, incluindo danos neurológicos.

Valores de Glicose nas Primeiras 24 Horas

É importante ressaltar que os valores considerados normais para a glicose em recém-nascidos podem variar ligeiramente entre diferentes instituições e protocolos. No entanto, de forma geral, os valores de glicose nas primeiras 24 horas de vida devem ser mantidos acima de 45 mg/dL.

Por que os valores são mais baixos nas primeiras horas?

  • Adaptação à vida extrauterina: O bebê precisa se adaptar rapidamente à nova forma de obter energia.
  • Estoques de glicogênio: Os estoques de glicogênio, a principal fonte de energia do bebê nas primeiras horas de vida, podem ser limitados em alguns casos (pré-maturos, pequenos para a idade gestacional).
Idade do Recém-Nascido Valores de Glicose (mg/dL) Considerado Hipoglicemia
Primeiras 24 horas > 45 mg/dL < 45 mg/dL
Após 24 horas > 50 mg/dL < 50 mg/dL

Causas da Hipoglicemia Neonatal

As causas da hipoglicemia neonatal são diversas e podem incluir:

  • Fatores maternos: diabetes gestacional, pré-eclâmpsia, uso de medicamentos.
  • Fatores fetais: asfixia perinatal, macrosomia, infecções congênitas.
  • Fatores neonatais: prematuridade, baixo peso ao nascer, distúrbios hormonais.

Sintomas da Hipoglicemia Neonatal

Os sintomas da hipoglicemia neonatal podem ser inespecíficos e variar de um bebê para outro. Alguns dos sinais mais comuns incluem:

  • Tremores
  • Irritabilidade
  • Letargia
  • Dificuldade para mamar
  • Choro fraco
  • Cianose
  • Hipotermia
  • Convulsões (em casos mais graves)

Diagnóstico

O diagnóstico da hipoglicemia neonatal é feito através da medida da glicose no sangue. É importante que o diagnóstico seja realizado o mais rápido possível, para que o tratamento seja iniciado imediatamente.

Tratamento

O tratamento da hipoglicemia neonatal consiste em elevar os níveis de glicose no sangue. As opções de tratamento podem incluir:

  • Alimentação: O leite materno ou fórmula é a principal fonte de energia para o recém-nascido.
  • Solução de glicose: Em casos mais graves, pode ser necessária a administração de uma solução de glicose por via intravenosa.
  • Tratamento da causa subjacente: É fundamental identificar e tratar a causa da hipoglicemia.

Prevenção

A prevenção da hipoglicemia neonatal envolve a identificação dos bebês de risco e o monitoramento cuidadoso dos níveis de glicose.

Bebês de risco:

  • Pré-maturos
  • Pequenos para a idade gestacional
  • Mães com diabetes gestacional
  • Bebês com asfixia perinatal

Consequências da Hipoglicemia Não Tratada

A hipoglicemia não tratada pode levar a complicações sérias, como:

  • Danos neurológicos: A falta de glicose pode causar danos irreversíveis ao cérebro.
  • Convulsões
  • Coma
  • Morte

Cuidados de Enfermagem

Monitoramento:

  • Glicemia capilar: Realizar a monitorização da glicemia capilar com frequência, de acordo com a prescrição médica e o estado clínico do recém-nascido.
  • Sinais vitais: Monitorar a frequência cardíaca, respiratória, temperatura e pressão arterial (quando indicada).
  • Sinais clínicos: Observar atentamente a presença de sinais e sintomas de hipoglicemia, como tremores, irritabilidade, letargia, dificuldade para mamar, cianose e convulsões.

Alimentação:

  • Aleitamento materno: Estimular o aleitamento materno exclusivo e precoce, orientando a mãe quanto à frequência e duração das mamadas.
  • Leite de fórmula: Oferecer leite de fórmula, caso o aleitamento materno não seja possível, seguindo as orientações médicas.
  • Complementação: Em casos de necessidade, oferecer complementação com glicose, conforme prescrição médica.

Prevenção:

  • Identificar os fatores de risco: Reconhecer os recém-nascidos com maior risco de hipoglicemia (pré-maturos, pequenos para a idade gestacional, mães com diabetes, etc.).
  • Manter a temperatura corporal: Evitar a hipotermia, pois ela pode agravar a hipoglicemia.
  • Evitar o estresse: Minimizar o estresse do recém-nascido, proporcionando um ambiente calmo e seguro.

Tratamento:

  • Administrar glicose: Preparar e administrar soluções de glicose, conforme prescrição médica, utilizando técnica asséptica.
  • Monitorar a resposta ao tratamento: Acompanhar a evolução da glicemia após a administração de glicose e comunicar qualquer alteração ao médico.

Outras medidas:

  • Documentar: Registrar todos os procedimentos realizados, incluindo os valores de glicemia, sinais vitais e a resposta do recém-nascido ao tratamento.
  • Educar a família: Orientar os pais sobre a importância do aleitamento materno, os sinais de hipoglicemia e a necessidade de acompanhamento médico regular.
  • Trabalhar em equipe: Colaborar com a equipe médica para garantir a melhor assistência ao recém-nascido com hipoglicemia.

Prevenção de complicações:

  • Identificação precoce: Identificar a hipoglicemia o mais precocemente possível para iniciar o tratamento adequado.
  • Tratamento oportuno: Administrar a glicose de forma rápida e eficaz.
  • Monitoramento contínuo: Acompanhar o estado clínico do recém-nascido de forma constante.

Referências:

  1. Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Diretrizes SBP – Hipoglicemia no período neonatal. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/2015/02/diretrizesssbp-hipoglicemia2014.pdf.
  2. Freitas, P. de ., Matos, C. V. de ., & Kimura, A. F.. (2010). Perfil das mães de neonatos com controle glicêmico nas primeiras horas de vida. Revista Da Escola De Enfermagem Da USP, 44(3), 636–641. https://doi.org/10.1590/S0080-62342010000300012
  3. MARINHO, P. C.; SÁ, A. B. de; GOUVEIA, B. M.; SERPA, J. B.; MORAES, J. R. S.; SODRÉ, R. S.; QUARESMA, R. S. A.; SOARES, S. P.; SOUZA, A. C. C. B. de. Hipoglicemia neonatal: revisão de literatura/Neonatal hypoglychemia: literature review. Brazilian Journal of Health Review, [S. l.], v. 3, n. 6, p. 16462–16474, 2020. DOI: 10.34119/bjhrv3n6-068. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/20050.

Bandeja para Teste de Glicemia Capilar

Para que serve?

A glicemia capilar é um exame sanguíneo que oferece resultado imediato acerca da concentração de glicose nos vasos capilares da polpa digital, através do aparelho glicosímetro.

Executor:

Equipe de Enfermagem (Enfermeiro, Técnico de Enfermagem e Auxiliar de enfermagem)

Materiais Necessários

  • Luvas de procedimento;
  • Algodão;
  • Solução de Álcool 70%;
  • Glicosímetro;
  • Fitas reagentes para glicose, específica ao aparelho utilizado no momento;
  • Lancetas estéreis;
  • Caneta e papel para anotação do resultado encontrado.
  • Caixa para descarte de material contaminado;
  • Prontuário do paciente

Etapas do Procedimento

  1. Higienizar as mãos de acordo com o Protocolo de Higienização das Mãos;
  2. Identificar o paciente perguntando o nome completo e conferir pela pulseira de identificação. Caso o paciente em questão esteja sem condições de responder, conferir os dados com o acompanhante;
  3. Explicar o procedimento ao cliente e/ou acompanhante;
  4. Reunir o material dentro da bandeja;
  5. Verificar se o aparelho de leitura está calibrado e pronto para o procedimento;
  6. Colocar luvas de procedimento;
  7. Limpar a polpa digital de eleição do paciente com algodão embebido no álcool a 70% e aguardar secar;
  8. Verificar a validade da tira teste e após introduzir no aparelho, evitando tocar na parte reagente;
  9. Lancetar a polpa digital e coletar material na fita reagente, para a leitura glicêmica;
  10. Aguardar o tempo necessário para que o aparelho realize a leitura;
  11. Pressionar o local da punção o suficiente para suspender o sangramento;
  12. Realizar a leitura do índice glicêmico e limpar o dedo do paciente com algodão embebido em álcool a 70% e depois o seco;
  13. Certificar-se de que não há prolongamento do período de sangramento;
  14. Desprezar o material utilizado na caixa para perfurocortante;
  15. Retirar luva de procedimentos e desprezá-la no lixo;
  16. Higienizar as mãos;
  17. Registrar a taxa de glicemia capilar do paciente, no impresso apropriado e informar o valor ao paciente;
  18. Adotar medidas terapêuticas mediante índice apresentado pelo paciente, conforme prescrição médica.

 

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Referências:

  1. MILECH, A. et al. Diabetes Mellitus: clínica diagnóstica, tratamento multidisciplinar. São Paulo: Editora Atheneu, 2004.
  2. SILVA LD, PEREIA SRM, MESQUITA AMF. Procedimentos de enfermagem: Semiotécnica para o cuidado. Rio de Janeiro: Medsi; 2005.
  3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Tratamento e acompanhamento do Diabetes Mellitus. Rio de Janeiro: Editora Diagraphic, 2011.
  4. INTS – Instituto Nacional de Tecnologia e Saúde

Tira Teste para Glicemia

As tiras ou fitas teste reagentes pra medir glicose são produtos de cuidados com a saúde para diabéticos, onde detecta níveis de açúcar no sangue, disponibilizando o resultado no aparelho glicosímetro.

Existem atualmente no mercado diversas marcas de aparelhos glicosímetros e suas respectivas tiras, portanto, deve conhecer o seu aparelho e a indicação da tira teste específica desta, para que não ocasione erro ou mal funcionamento.

As tiras testes podem ser encontradas com embalagens de 10, 20, 50, 100 ou mais tiras para serem adquiridas conforme a necessidade do paciente.

Como é feito a coleta de amostra para a tira teste?

  • Lave as mãos com água e sabão;
  • Deixe o braço estendido ao longo do corpo na posição vertical por aproximadamente 1 minuto;
  • Com a ajuda do dedão, massageie o dedo da base até a ponta;
  • Pique o dedo;
  • Aplique a gota da amostra de sangue no tira teste;
  • Após a picada, com um algodão pressione o local do furo até parar o sangramento.

Cuidados com o Armazenamento das Tiras Teste

  • Deixe sempre guardado na embalagem original, pois é feito pra proteger de contaminação e da umidade;
  • Mantenha o frasco num lugar frio e seco, longe do sol;
  • Se o calor, água ou mofo ficam em contato com o produto reagente, as tiras perdem o efeito;
  • Também cheque a validade na embalagem das tiras. Quando encontra-se vencido, o reagente não funciona como deve e o resultado pode sair errado. Se isso acontecer, jogue fora e use tiras novas;
  • As tiras testes são descartáveis e só absorvem o sangue uma vez. Então, nunca tente usar de novo pra não estragar o aparelho medidor e nem compartilhe elas com mais ninguém;
  • Depois de terminar cada mensuração, guarde as tiras, lancetas, agulhas e seringas pra insulina usadas dentro de uma garrafa pet ou pote fechado (em domicílio) ou em lixo infectante ou perfurocortante (em hospital);
  • Se já trocou suas tiras por novas e mesmo assim o resultado está dando incorreto, o problema às vezes pode estar no glicosímetro.

Referência:

  1. Accu-Chek Brasil

Hiperglicemia VS Hipoglicemia: As diferenças e os Cuidados de Enfermagem

A Hipoglicemia e a Hiperglicemia são duas condições opostas, mas que trazem grande desconforto para quem tem diabetes.

O que é a Glicemia?

Glicemia é a quantidade de glicose que circula em seu sangue em determinada hora do dia. Quando ela está alta, ou seja, quando temos mais açúcar no sangue do que o esperado para aquele momento, é chamada de hiperglicemia. Quando está abaixo do normal, estamos diante de uma hipoglicemia.

As Diferenças

A hiperglicemia ocorre em qualquer pessoa com diabetes, em maior ou menor intensidade, e pode estar ligada à efetividade do tratamento recebido.

Os sintomas variam em função do grau de hiperglicemia. Confira os principais: sede e apetite acima do normal, desejo frequente de urinar, cansaço, perda de peso, alterações na visão, entre outros.

Já a hipoglicemia se manifesta sempre que cai o nível de açúcar e a disponibilidade de glicose para as células. Principais sintomas: fome, cansaço, mal-estar, suor frio, confusão, tremores, dificuldade para enxergar, taquicardia até a perda de consciência.

Entre os principais fatores que levam a hipoglicemia estão: uso inadequado dos medicamentos, excesso de exercícios físicos, dieta pobre em carboidratos e consumo de bebidas alcoólicas.

Você sabia?

Quem tem diabetes deve respeitar sempre os horários das refeições, definir os exercícios físicos mais adequados com seu médico e tomar corretamente seus medicamentos.

E atenção, pois a hipoglicemia pode ocorrer durante a noite, sem que se perceba, por isso faça um lanche leve antes de dormir e evite praticar exercícios à noite. mas tome cuidado para não usar hidratante entre os dedos dos pés.

Cuidados de Enfermagem

Quanto ao paciente diabético:

  • Orientar o paciente portador do diabetes a mudar ou manter os hábitos de vida saudáveis a fim de diminuir a ocorrência de complicações vindas de um tratamento diabético ineficaz;
  • Orientar o paciente diabético tipo 2 quanto à realização de vacinação contra a influenza, uma vez que o índice de mortalidade cresce com a presença desse vírus nos portadores de diabetes;
  • Monitorar o paciente e educar quanto ao tratamento farmacológico prescrito pelo médico;
  • Educar e monitorar o paciente em uso de insulinoterapia, demonstrar a aplicação da insulina, fornecer esquema de rodízio ao paciente, instruir sobre como é realizada a aspiração das unidades de insulina e mesmo as complicações que podem ocorrer nos locais onde se aplica insulina, assim como o armazenamento, conservação e transporte. Fornecer informações sobre o uso dos instrumentos existentes para uso da insulina;
  • Orientar o paciente a realizar a automonitorização e ensiná-lo a manusear o material e equipamento utilizado para tal. Nos casos em que o paciente não tem condições de realizar o procedimento em sua residência, o mesmo deve ser orientado a comparecer ao posto de saúde;
  • Monitorar a participação dos pacientes nas consultas médicas conforme a preconização do médico de retorno ao consultório, realização de exames e participação nos grupos de diabéticos;
  • Participar de campanhas de rastreamento de casos de pacientes diabéticos e realizar os encaminhamentos necessários;
  • Prestar cuidados de enfermagem ao paciente diabético hospitalizado, como monitorar frequentemente a glicemia capilar, coletar dados do paciente sobre o esquema terapêutico que utiliza em domicílio e sempre registrar informações no prontuário. Assistir o paciente e monitorizar níveis de hipoglicemia nos pacientes hospitalizados e administrar medicações conforme a prescrição médica. Seguir ações de enfermagem específicas em cada complicação conforme citado no módulo;
  • Interagir com a família do diabético para que a mesma compreenda certas manifestações do paciente e a correlação com a enfermidade;
  • Questionar sempre ao paciente sobre questões que podem envolver sinais de complicações da doença;
  • Promover ao máximo o autocuidado eficiente;
  • Incentivar o paciente a manter uma boa higiene bucal e relatar quaisquer casos de hemorragias, edemas ou dores na gengiva;
  • Manter uma boa higiene e cuidados com a pele, orientar o paciente para que realize em casa, e nos casos de pacientes hospitalizados realizar os cuidados;
  • Auxiliar o paciente a manter níveis adequados de glicemia como forma de proporcionar uma melhor qualidade de vida;
  • Participar da prestação do cuidado aos pacientes que tiveram complicações e interagir em sua reabilitação familiar e social.

Quanto ao paciente hipoglicêmico:

  • Educar o paciente sobre como balancear dieta, exercício e agente hipoglicemiante oral ou insulina(Grau I e II);
  • Evitar consumo de álcool em doses maiores do que o permitido na dieta (> 2 doses de álcool/dia);
  • Pacientes que não enxergam bem devem receber orientação especial para evitar erros de dose de insulina;
  • Pacientes suscetíveis devem ter suas metas de controle revisadas (os que não reconhecem sintomatologia precoce, não atendem aos princípios básicos do tratamento ou têm padrões de vida incompatíveis com as normas preventivas);
  • Muitas vezes, mesmo quando em busca de controle estrito, pode ser necessário revisar as metas de controle para a glicemia de jejum e para a glicemia ao deitar, tolerando níveis de até 140 a 150 mg/dL.
  • Outro aspecto importante na prevenção da hipoglicemia noturna é prescrever um lanche antes de dormir que contenha carboidratos, proteínas e gorduras, por exemplo, um copo de leite (300 mL). (Grau II).
  • Detecção Precoce – o objetivo é sustar o desenvolvimento da hipoglicemia leve para evitar seu agravamento, sendo necessário:
  • Identificar os sinais precoces como sudorese, cefaleia, palpitação, tremores ou uma sensação desagradável de apreensão.
  • Quando isso não ocorre, a cooperação da família, amigos, colegas e professores é fundamental; eles podem alertar para um sinal de hipoglicemia quando esta ainda não foi conscientizada pelo paciente (agir estranhamente, sudorese).
  • O tratamento deve ser imediato, mas com pequena dose (10 a 20g) de carboidrato simples, repetindo-a em 15 minutos, se necessário. Em geral, 10 g de carboidrato simples estão presentes em: 2 colheres de chá de açúcar, 100 ml de refrigerante ou suco de fruta, 2 balas.
  • Dois erros comuns são retardar o tratamento para poder terminar uma determinada tarefa em andamento – o que pode levar a uma hipoglicemia grave ou exagerar na dose inicial de açúcar – o que pode ser sucedido por uma descompensação hiperglicêmica.
  • Evitar aplicar insulina em local que será muito exercitado (p.ex., quando faz trabalho de fortalecimento de quadríceps, caminhada e corrida evitar aplicação na perna, fazendo-a no abdômen), pois pode afetar sua velocidade de absorção;
  • Se possível, realizar controle metabólico (glicemia capilar) antes da atividade;
  • Postergar o início do exercício com glicemia > 250 mg/dL no tipo 1;
  • Ingerir um alimento contendo carboidrato se a glicemia for inferior a 100 mg/dL;
  • Ingerir carboidratos de fácil digestão antes, durante e depois de exercício prolongado;
  • Diminuir a dose de insulina ou aumentar a ingesta de carboidrato (para cada 30 minutos de exercício, 10 a 15g) quando for praticar exercício;
  • Evitar exercitar-se no pico de ação da insulina;
  • Evitar exercícios de intensidade elevada e de longa duração (mais que 60 minutos);
  • Carregar consigo um alimento contendo carboidrato para ser usado em eventual hipoglicemia;
  • Estar alerta para sintomas de hipoglicemia durante e após o exercício.

Referências:

  1. Duncan BB, Schmidt MI, Giugliani ERJ. Medicina ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em evidências. 3a ed. Porto Alegre: Artmed; 2004.
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Plano de reorganização da atenção à hipertensão arterial e ao diabetes mellitus. Brasília: Ministério da Saúde; 2001. Disponível em:http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/miolo2002.pdf
  3. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Diabetes mellitus. Brasília: Ministério da Saúde; 2006. (Cadernos de Atenção Básica, n. 16 ; Série A. Normas e Manuais Técnicos). Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diabetes_mellitus.PDF

Fenômeno do Alvorecer

Todas as manhãs, o nosso corpo libera hormônios que fazem com que a gente acorde e manda uma mensagem para o nosso fígado, para que ele libere a glicose estocada para nos dar energia para iniciar o dia. Mas estes hormônios impedem que o corpo fiquem sensível à ação da insulina, fazendo com que a glicemia aumente entre as 05h00 e as 08h00, e esse processo é conhecido como FENÔMENO DO AMANHECER ou ALVORECER.

Que hormônios são esses ? São os hormônios contra-reguladores – os mesmo que atuam em situações de stress agudo ou então após as crises de hipoglicemia – e se dividem em quatro tipos:

  • Adrenalina
  • Glucagon
  • Cortisol
  • GH ( hormônio do crescimento)

O fenômeno do amanhecer acontece em todas as pessoas, mas nos diabéticos pode ocasionar o aumento da glicemia e, claro, necessita de ajustes nas doses até chegar nos valores ideal.

Em pessoas que não tem diabetes, o processo é naturalmente equilibrado. Já nos diabéticos, por não produzirem a insulina ( no caso do diabetes tipo 1) ou que não produzem insulina devidamente ( diabetes tipo 2) não há insulina para “baixar” essa elevação nos níveis de glicemia, fazendo com que a hiperglicemia apareça.

 

Glicemia Pós-Prandial: Aquele sono após uma refeição!

Glicemia

Quem nunca sentiu aquele sono tão gostoso após ter feito uma grande refeição, principalmente após o almoço?

Isso tem nome! E é conhecido como Glicemia Pós-Prandial ou popularmente “Sono Pós Prandial”.

Como acontece?

Primeiro, devemos entender que o sangue conduz o oxigênio para o organismo e que o cérebro precisa de muito oxigênio para funcionar. Contudo, após comermos, o sangue aumenta a quantidade do nutriente enviada ao aparelho digestivo e, por consequência, diminui a oferta para o cérebro, o que força a diminuição da sua atividade.

Em palavras mais técnicas, quando começa a digestão, o estômago captura água e gás carbônico no organismo para formar o ácido carbônico.

Esse ácido reage com outro, o ácido clorídrico, e forma o suco gástrico, que digere os alimentos. Da reação entre os ácidos, sobra uma substância chamada bicarbonato, que é absorvida pelo sangue e o torna menos ácido.

Quando o sangue alcalinizado irriga o sistema nervoso central, provoca a diminuição da atividade das regiões responsáveis pela vigília e pela contração muscular, causando aquele sono descontrolável após uma refeição bem feita.

Além disso, durante a digestão uma quantidade maior de sangue se dirige para o estômago e os intestinos para ajudar no processo. O sistema nervoso central passa, então, a ser menos irrigado e, portanto, diminui sua atividade porque dispõe de menos oxigênio.

A própria produção do suco gástrico que faz parte do processo de digestão dos alimentos acaba gerando uma grande quantidade de bicarbonato de sódio, substância que causa no sangue o que se chama de alcalose metabólica, conhecida como maré alcalina pós-prandial (pós-refeições).

Esse processo também faz com que o cérebro diminua a atividade de alerta. Outro fator é que durante as refeições, principalmente as ricas em açúcares de fácil absorção (como os doces e as farinhas), a concentração de glicose sobe no sangue, o que leva a diminuir ainda mais o estado de alerta do cérebro.

Isso é normal?

A maioria dos animais sente sono após as refeições, principalmente aquelas mais pesadas, ou seja, essa reação é normal do organismo. Ele afirma ainda que um cochilo após as refeições é sempre bem vindo, pois 15 ou 20 minutos de sono podem ajudar a pessoa a recuperar as energias.

Contudo, que há um certo minuto de que o cochilo depois do almoço ajuda a memória. A memória é fixada nas fazes profundas do sono que só ocorrem após pelo menos uma hora dormindo. Na verdade, isso pode não ocorrer mesmo em um sono de longa duração.

Os Níveis Normais Vs. Níveis Pós Prandial

As concentrações de glicemia em jejum (8 a 10h) variam geralmente entre 70 e 110 mg/dl (5 a 6mmol/L). Após um refeição rica em carboidratos (ex.: pão, arroz, batata, milho, mandioca…) a glicemia sobe até chegar a um máximo, em uma pessoa saudável, de 140mg/dl. Depois segue diminuindo por 2 a 3h até voltar aos valores de prévios. A absorção de carboidratos continua por mais de 5 a 6h.

“Hi” e “Lo” na Glicemia Capilar: O que é?

O objetivo do tratamento do diabetes é manter a glicemia (açúcar no sangue) o mais próximo do normal quanto possível.

Há diversos monitores, dispositivos, aparelhos, de diversas marcas, que contém seus padrões de controle de glicemia, para casos extremos de hiper e hipoglicemia.

O que são os termos “Hi” e “Lo” nestes monitores?

O termo “Hi” vem do inglês, que significa “alto”, ou seja, para aquele aparelho utilizado, o padrão glicêmico atingiu os níveis acima pré estabelecidos.

Já o termo “Lo” vem do inglês, que significa “baixo”, ou seja,  para aquele aparelho utilizado, o padrão glicêmico atingiu os níveis abaixo pré estabelecidos.

É importante sempre consultar o manual destes monitores, que variam muito os valores de referência:

Para os Monitores da Accu-Check:

É medido a glicemia num intervalo definido de 10 – 600 mg/dL ou 0,6 – 33,3 mmol/L .

Os valores que estiverem fora deste intervalo são indicados como “LO” – significa que o resultado é inferior a 10 mg/dL (0,6 mmol/L); ou “HI” – que significa que o resultado é superior a 600 mg/dL (33,3 mmol/L).

Para os Monitores da Optium Xceed:

O monitor determina que o resultado do teste de glicose é inferior a 20 mg/dL (1,1 mmol/L) para “LO”.

 Já para o caso de situações onde o monitor determina que o resultado do teste de glicose no sangue é superior a 500 mg/dL (27,8 mmol/L), é caracterizado como “HI”.

Estes dois são exemplos para os mais utilizados em âmbito hospitalar. Vale sempre consultar os manuais de outros aparelhos, todos provém destas informações!

Lembre-se!

Nem sempre estes valores podem ser reais, sempre verifique houve algum problema com a tira-teste, ou se não utilizou estas fitas de maneira correta, como por exemplo, tocar diretamente no sensor da fita com as mãos sujas, úmidas, molhadas.

Sempre verifique novamente a glicemia do paciente para confirmar o resultado.

Mas se realmente os valores permanecem os mesmos e o resultado ainda confirma “HI” ou “LO”, notifique imediatamente o médico plantonista e o enfermeiro responsável pelo setor!