Solução Polarizante na Hipercalemia

A solução polarizante é um tratamento de emergência utilizado para reduzir rapidamente os níveis elevados de potássio no sangue (hipercalemia). Ela é composta por uma mistura de insulina regular e glicose. A insulina estimula as células a absorver o potássio presente no sangue, enquanto a glicose fornece energia para esse processo.

Como a solução polarizante funciona?

  • Ação da insulina: A insulina, ao se ligar aos receptores celulares, sinaliza para as células que há glicose disponível. Para utilizar essa glicose, as células também precisam de potássio. Assim, o potássio presente no sangue é transportado para dentro das células, diminuindo sua concentração no sangue.
  • Papel da glicose: A glicose fornece a energia necessária para que as células realizem o trabalho de transportar o potássio para o seu interior.

Indicações da solução polarizante

A solução polarizante é indicada em casos de hipercalemia grave, especialmente quando há alterações eletrocardiográficas que indicam risco de arritmias cardíacas.

Como a solução polarizante é administrada?

A solução polarizante é administrada por via intravenosa, geralmente em um bolus rápido. A dosagem e a velocidade de infusão devem ser individualizadas e acompanhadas por um profissional de saúde.

Quais os cuidados necessários ao utilizar a solução polarizante?

  • Monitoramento: É fundamental monitorar os níveis de potássio no sangue, a glicemia e o eletrocardiograma durante e após a administração da solução polarizante.
  • Hipoglicemia: A insulina pode causar hipoglicemia (níveis baixos de açúcar no sangue). Por isso, é importante monitorar a glicemia e estar preparado para corrigir a hipoglicemia, se necessário.
  • Outras medidas: A solução polarizante é apenas uma parte do tratamento da hipercalemia. Outras medidas podem ser necessárias, como a administração de diuréticos, a utilização de resinas de troca iônica e, em casos mais graves, a hemodiálise.
  • Sinais vitais: Monitoramento frequente da pressão arterial, frequência cardíaca e temperatura.
  • Níveis de potássio: Realizar dosagens seriadas de potássio para avaliar a resposta ao tratamento.

Contraindicações e precauções

A solução polarizante é contraindicada em pacientes com alergia à insulina ou à glicose. Deve ser utilizada com precaução em pacientes com insuficiência cardíaca congestiva, doença renal crônica e em pacientes que fazem uso de beta-bloqueadores.

É importante ressaltar que a solução polarizante é um medicamento e deve ser utilizado somente sob orientação médica.

Referência:

  1. Gomes, Eduardo Borges; Pereira, Hugo Cataud Pacheco. Distúrbios do Potássio. Vittalle – Revista de Ciências da Saúde, v. 33, n. 1 (2021), p. 232-250.

Indicações da Glicose

A reposição de glicose como medicamento é uma medida fundamental para tratar casos de hipoglicemia, ou seja, a baixa concentração de açúcar no sangue.

A hipoglicemia pode causar sintomas como tremores, suor frio, tontura, confusão mental e até mesmo coma.

A glicose é a principal fonte de energia para as células do corpo, especialmente as do cérebro.

Por isso, quando há uma queda brusca nos níveis de glicose, o organismo entra em estado de alerta e tenta compensar essa deficiência.

A reposição de glicose pode ser feita por via oral, se o paciente estiver consciente e capaz de engolir, ou por via intravenosa, se o paciente estiver inconsciente ou com dificuldade de deglutição.

A dose e a velocidade da administração dependem da gravidade do quadro e dos sinais vitais do paciente. O objetivo é restaurar os níveis normais de glicose no sangue e evitar danos cerebrais irreversíveis.

Indicações da Glicose

A glicose pode ser medida em diferentes concentrações, dependendo do método e do objetivo do teste.

Algumas indicações da glicose quanto a 5%, 10%, 25% e 50% são:

  • 5%: Essa é a concentração de glicose usada na solução salina glicosada, que é administrada por via intravenosa em casos de desidratação, hipoglicemia ou choque. A solução contém 5 gramas de glicose por 100 mililitros de água, o que corresponde a uma osmolaridade de 278 mOsm/L.
  • 10%: Essa é a concentração de glicose usada na solução glicosada hipertônica, que é administrada por via intravenosa em casos de hiponatremia, edema cerebral ou coma hiperosmolar. A solução contém 10 gramas de glicose por 100 mililitros de água, o que corresponde a uma osmolaridade de 505 mOsm/L.
  • 25%: Essa é a concentração de glicose usada na solução glicosada hipertônica concentrada, que é administrada por via intravenosa em casos de hipoglicemia grave ou choque refratário. A solução contém 25 gramas de glicose por 100 mililitros de água, o que corresponde a uma osmolaridade de 1378 mOsm/L.
  • 50%: Essa é a concentração de glicose usada na solução glicosada hipertônica superconcentrada, que é administrada por via intravenosa em casos de parada cardiorrespiratória, convulsões ou coma hipoglicêmico. A solução contém 50 gramas de glicose por 100 mililitros de água, o que corresponde a uma osmolaridade de 2523 mOsm/L.

Referências:

  1. Gov.br
  2. Dr. Consulta
  3. Consultaremedicos

Fenômeno do Alvorecer

Todas as manhãs, o nosso corpo libera hormônios que fazem com que a gente acorde e manda uma mensagem para o nosso fígado, para que ele libere a glicose estocada para nos dar energia para iniciar o dia. Mas estes hormônios impedem que o corpo fiquem sensível à ação da insulina, fazendo com que a glicemia aumente entre as 05h00 e as 08h00, e esse processo é conhecido como FENÔMENO DO AMANHECER ou ALVORECER.

Que hormônios são esses ? São os hormônios contra-reguladores – os mesmo que atuam em situações de stress agudo ou então após as crises de hipoglicemia – e se dividem em quatro tipos:

  • Adrenalina
  • Glucagon
  • Cortisol
  • GH ( hormônio do crescimento)

O fenômeno do amanhecer acontece em todas as pessoas, mas nos diabéticos pode ocasionar o aumento da glicemia e, claro, necessita de ajustes nas doses até chegar nos valores ideal.

Em pessoas que não tem diabetes, o processo é naturalmente equilibrado. Já nos diabéticos, por não produzirem a insulina ( no caso do diabetes tipo 1) ou que não produzem insulina devidamente ( diabetes tipo 2) não há insulina para “baixar” essa elevação nos níveis de glicemia, fazendo com que a hiperglicemia apareça.

 

Insulina e Glucagon: Como eles funcionam no controle da glicemia?

A insulina e o glucagon são dois hormônios produzidos pelo pâncreas, que são fundamentais para a vida e têm função inversa entre si.

Dependendo da necessidade do organismo, o pâncreas secreta ora insulina ora glucagon e assim controla de modo natural a glicemia no sangue.

Qual o Papel da Insulina e do Glucagon?

No Caso da Insulina

Quando comemos, os alimentos são transformados em açúcar (glicose). Essa glicose é o principal combustível do corpo e, justamente por isso, precisa ser armazenada para momentos de jejum ou falta de comida.

Após as refeições, o sangue irá apresentar picos glicêmicos e, a partir daí, o pâncreas entra em ação.

O pâncreas irá produzir insulina, que é o hormônio responsável por transportar a glicose do sangue para dentro das células. A insulina faz isso com as células do tecido muscular esquelético, adiposo e hepático.

Enquanto todo o corpo consome glicose para manter-se vivo, o fígado armazena aproximadamente 1% desse açúcar dentro de suas células em forma de glicogênio.

Desse modo, a insulina retira o açúcar da circulação sanguínea e o carrega para dentro das células do corpo e fígado.

Quando o pâncreas não funciona ou funciona de maneira deficiente, ocorre a falta ou a baixa produção de insulina, provocando Diabetes Tipo 1, Diabetes Tipo 2 ou Diabetes Gestacional, doenças caracterizadas pelo excesso de glicose no sangue (hiperglicemia).

E o Glucagon? Qual é o seu papel?

O glucagon faz o papel inverso da insulina. E juntos, insulina e glucagon equilibram e controlam o teor de açúcar no organismo.

O glucagon é produzido pelo pâncreas para os momentos de hipoglicemia, ou seja, quando a glicose presente nas células começa a cair para níveis em que falta combustível ao corpo.

Veja os números de referência para controle glicêmico:

  • Nível normal de glicose no sangue: de 70 mg/ dL a 100 mg/ dL;
  • Hiperglicemia: acima de 120 mg/ dL => atuação da insulina;
  • Hipoglicemia: abaixo de 60 mg/ dL => atuação do glucagon;
  • Diabetes: acima de 126 mg/ dL em jejum

Como falamos, após as refeições é normal haver picos glicêmicos, mas se a pessoa for saudável logo a insulina irá trabalhar para metabolizar a glicose e reequilibrar a glicemia no sangue.

A situação oposta é justamente a hipoglicemia, que pode ocorrer em jejuns ou longos intervalos entre as refeições. Tonturas, fraqueza, dores de cabeça e até desmaios são um sinal de que falta glicose para o cérebro.

Os sintomas de hipoglicemia funcionam como um sinal de alerta para a pessoa se alimentar rapidamente. No entanto, o corpo não pode ficar parado esperando por comida.

Ao menor sinal de hipoglicemia, imediatamente o pâncreas irá produzir o hormônio glucagon, que por sua vez estimula o fígado a transformar o glicogênio armazenado em moléculas de glicose.

Após fazer isso, o glucagon carrega a glicose do fígado para a corrente sanguínea e o teor de açúcar no sangue é novamente normalizado.

Note que nesse processo, a insulina e o glucagon também ajudam a regular a fome.

Glicemia Pós-Prandial: Aquele sono após uma refeição!

Glicemia

Quem nunca sentiu aquele sono tão gostoso após ter feito uma grande refeição, principalmente após o almoço?

Isso tem nome! E é conhecido como Glicemia Pós-Prandial ou popularmente “Sono Pós Prandial”.

Como acontece?

Primeiro, devemos entender que o sangue conduz o oxigênio para o organismo e que o cérebro precisa de muito oxigênio para funcionar. Contudo, após comermos, o sangue aumenta a quantidade do nutriente enviada ao aparelho digestivo e, por consequência, diminui a oferta para o cérebro, o que força a diminuição da sua atividade.

Em palavras mais técnicas, quando começa a digestão, o estômago captura água e gás carbônico no organismo para formar o ácido carbônico.

Esse ácido reage com outro, o ácido clorídrico, e forma o suco gástrico, que digere os alimentos. Da reação entre os ácidos, sobra uma substância chamada bicarbonato, que é absorvida pelo sangue e o torna menos ácido.

Quando o sangue alcalinizado irriga o sistema nervoso central, provoca a diminuição da atividade das regiões responsáveis pela vigília e pela contração muscular, causando aquele sono descontrolável após uma refeição bem feita.

Além disso, durante a digestão uma quantidade maior de sangue se dirige para o estômago e os intestinos para ajudar no processo. O sistema nervoso central passa, então, a ser menos irrigado e, portanto, diminui sua atividade porque dispõe de menos oxigênio.

A própria produção do suco gástrico que faz parte do processo de digestão dos alimentos acaba gerando uma grande quantidade de bicarbonato de sódio, substância que causa no sangue o que se chama de alcalose metabólica, conhecida como maré alcalina pós-prandial (pós-refeições).

Esse processo também faz com que o cérebro diminua a atividade de alerta. Outro fator é que durante as refeições, principalmente as ricas em açúcares de fácil absorção (como os doces e as farinhas), a concentração de glicose sobe no sangue, o que leva a diminuir ainda mais o estado de alerta do cérebro.

Isso é normal?

A maioria dos animais sente sono após as refeições, principalmente aquelas mais pesadas, ou seja, essa reação é normal do organismo. Ele afirma ainda que um cochilo após as refeições é sempre bem vindo, pois 15 ou 20 minutos de sono podem ajudar a pessoa a recuperar as energias.

Contudo, que há um certo minuto de que o cochilo depois do almoço ajuda a memória. A memória é fixada nas fazes profundas do sono que só ocorrem após pelo menos uma hora dormindo. Na verdade, isso pode não ocorrer mesmo em um sono de longa duração.

Os Níveis Normais Vs. Níveis Pós Prandial

As concentrações de glicemia em jejum (8 a 10h) variam geralmente entre 70 e 110 mg/dl (5 a 6mmol/L). Após um refeição rica em carboidratos (ex.: pão, arroz, batata, milho, mandioca…) a glicemia sobe até chegar a um máximo, em uma pessoa saudável, de 140mg/dl. Depois segue diminuindo por 2 a 3h até voltar aos valores de prévios. A absorção de carboidratos continua por mais de 5 a 6h.