Eritrócitos

Os eritrócitos, também conhecidos como glóbulos vermelhos ou hemácias, são as células mais abundantes do nosso sangue e desempenham um papel crucial para a nossa sobrevivência.

Para nós, estudantes de enfermagem, compreender a estrutura, a função e as alterações dessas minúsculas células é fundamental para entender uma vasta gama de condições clínicas e para prestar cuidados eficazes aos nossos pacientes. Vamos mergulhar no fascinante mundo dos nossos pequenos heróis vermelhos?

A Missão Primordial: O Transporte de Oxigênio e Dióxido de Carbono

A principal função dos eritrócitos é o transporte de oxigênio dos pulmões para todos os tecidos do corpo e o transporte de dióxido de carbono (um produto residual do metabolismo celular) dos tecidos de volta aos pulmões para ser eliminado. Essa troca gasosa é essencial para a manutenção da vida e para o funcionamento adequado de todos os órgãos e sistemas do nosso organismo.

Essa tarefa vital é realizada graças a uma proteína especializada presente no interior dos eritrócitos: a hemoglobina. Cada molécula de hemoglobina contém quatro átomos de ferro, e é a esses átomos que as moléculas de oxigênio se ligam de forma reversível nos pulmões.

Nos tecidos com baixa concentração de oxigênio, a hemoglobina libera o oxigênio, permitindo que as células o utilizem para produzir energia. Da mesma forma, a hemoglobina também se liga ao dióxido de carbono, facilitando seu transporte de volta aos pulmões para ser expirado.

Uma Forma Perfeita para a Função: A Anatomia Singular dos Eritrócitos

Os eritrócitos possuem uma forma única: um disco bicôncavo, achatado no centro e mais espesso nas bordas. Essa forma peculiar confere diversas vantagens importantes:

  • Aumento da Área de Superfície: A forma bicôncava aumenta a área de superfície da célula em relação ao seu volume, facilitando a difusão rápida e eficiente do oxigênio e do dióxido de carbono através da membrana celular.
  • Flexibilidade e Deformabilidade: Os eritrócitos precisam passar por capilares sanguíneos muito estreitos, por vezes com um diâmetro menor que o seu próprio. Sua forma e a presença de proteínas específicas no citoesqueleto da membrana celular conferem grande flexibilidade e deformabilidade, permitindo que eles se espremam através desses vasos minúsculos sem se romper.
  • Ausência de Núcleo e Organelas: Os eritrócitos maduros não possuem núcleo nem organelas como mitocôndrias e retículo endoplasmático. Essa característica maximiza o espaço disponível dentro da célula para a hemoglobina, otimizando a capacidade de transporte de gases. A ausência de mitocôndrias significa que os eritrócitos não consomem o oxigênio que transportam.

Uma Vida Efêmera, uma Produção Constante: O Ciclo de Vida dos Eritrócitos

Os eritrócitos têm uma vida útil relativamente curta, em torno de 120 dias. Após esse período, tornam-se menos flexíveis e mais propensos a serem removidos da circulação pelo baço, fígado e medula óssea, onde seus componentes são reciclados.

A produção de novos eritrócitos, um processo chamado eritropoiese, ocorre principalmente na medula óssea vermelha. Esse processo é finamente regulado por um hormônio chamado eritropoetina (EPO), produzido principalmente pelos rins em resposta à diminuição da concentração de oxigênio no sangue (hipóxia). Quando os níveis de oxigênio estão baixos, os rins liberam mais EPO, estimulando a medula óssea a produzir mais eritrócitos.

Para a eritropoiese ocorrer de forma adequada, são necessários diversos nutrientes, incluindo ferro (essencial para a síntese da hemoglobina), vitamina B12 e ácido fólico (importantes para a divisão celular e a maturação dos eritrócitos). A deficiência desses nutrientes pode levar a diferentes tipos de anemia, caracterizadas por uma diminuição no número ou na função dos eritrócitos.

O Olhar da Enfermagem: Implicações Clínicas e Cuidados Essenciais

Entender os eritrócitos e suas funções tem implicações diretas em nossa prática de enfermagem:

  • Avaliação da Oxigenação: A avaliação da coloração da pele e mucosas (palidez, cianose), da frequência respiratória, da frequência cardíaca e da saturação de oxigênio (SpO2) nos fornece informações indiretas sobre a capacidade dos eritrócitos de transportar oxigênio de forma eficaz.
  • Interpretação de Exames Laboratoriais: Exames como o hemograma completo fornecem informações detalhadas sobre o número de eritrócitos (contagem de glóbulos vermelhos), a concentração de hemoglobina e o hematócrito (a porcentagem do volume sanguíneo ocupada pelos eritrócitos). Alterações nesses parâmetros podem indicar anemias, policitemia (aumento anormal do número de eritrócitos) ou outras condições.
  • Identificação de Sinais de Anemia: Estar atento aos sinais e sintomas de anemia, como fadiga, palidez, falta de ar, tontura, cefaleia e taquicardia, é crucial para a identificação precoce e o manejo adequado.
  • Administração de Hemotransfusão: Em situações de anemia grave ou perda sanguínea aguda, a administração de concentrado de eritrócitos (hemotransfusão) pode ser necessária para restaurar a capacidade de transporte de oxigênio. A enfermagem desempenha um papel fundamental na verificação da compatibilidade sanguínea, na monitorização do paciente durante e após a transfusão e na identificação de possíveis reações transfusionais.
  • Cuidados em Pacientes com Policitemia: Em pacientes com policitemia, que apresentam um risco aumentado de trombose devido ao sangue mais viscoso, os cuidados de enfermagem podem incluir a orientação sobre a importância da hidratação adequada e a monitorização de sinais de eventos tromboembólicos.
  • Orientação Nutricional: Fornecer orientações sobre a importância de uma dieta rica em ferro, vitamina B12 e ácido fólico para a produção saudável de eritrócitos, especialmente em grupos de risco como gestantes, crianças e idosos.
  • Monitorização de Pacientes com Insuficiência Renal Crônica: Pacientes com doença renal crônica frequentemente apresentam anemia devido à produção reduzida de eritropoetina pelos rins. A enfermagem monitora os níveis de hemoglobina e administra eritropoetina sintética conforme a prescrição médica.

Compreender a fisiologia dos eritrócitos é essencial para fornecer um cuidado holístico e informado aos nossos pacientes, permitindo-nos reconhecer as manifestações clínicas de alterações na sua função e participar ativamente do plano de tratamento.

Referências:

  1. GUYTON, A. C.; HALL, J. E. Tratado de Fisiologia Médica. 13. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017.
  2. ABBAS, A. K.; LICHTMAN, A. H.; PILLAI, S. Imunologia Celular e Molecular. 9. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019.
  3. HOFFBRAND, A. V.; MOSS, P. A. H.; PETTIT, J. E. Hematologia Essencial. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013. 

Tempo de Infusão dos Hemocomponentes

A transfusão de sangue é um procedimento médico fundamental que salva vidas, sendo utilizada para tratar diversas condições médicas, como anemia grave, hemorragias e distúrbios da coagulação.

No entanto, para garantir a segurança e a eficácia desse procedimento, é essencial que todos os profissionais envolvidos compreendam os aspectos técnicos da transfusão, incluindo o tempo de infusão dos hemocomponentes.

O que são Hemocomponentes?

Hemocomponentes são componentes sanguíneos obtidos a partir do sangue doado. Eles podem ser concentrados de hemácias, plaquetas, plasma fresco congelado, entre outros. Cada um desses componentes possui funções específicas no organismo e requer cuidados específicos durante a transfusão.

A Importância do Tempo de Infusão

O tempo de infusão de um hemocomponente é o período durante o qual ele é administrado ao paciente. Esse fator é crucial por diversos motivos:

  • Eficácia da transfusão: Cada hemocomponente possui um tempo ideal de infusão para garantir a máxima eficácia da transfusão. Infusões muito rápidas ou muito lentas podem comprometer os resultados esperados.
  • Reações adversas: A velocidade de infusão pode influenciar a ocorrência de reações adversas à transfusão, como febre, calafrios e reações alérgicas.
  • Sobrecarga circulatória: A infusão rápida de grandes volumes de sangue pode sobrecarregar o sistema cardiovascular, especialmente em pacientes com condições cardíacas preexistentes.
  • Risco de coagulação: A formação de coágulos dentro da bolsa de sangue ou no cateter pode ocorrer se a infusão for muito lenta, comprometendo a qualidade do produto.

O Guia para Uso de Hemocomponentes do Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde, em seu guia para uso de hemocomponentes, estabelece diretrizes claras sobre o tempo de infusão de cada tipo de hemocomponente. Essas diretrizes são fundamentadas em evidências científicas e visam garantir a segurança e a qualidade da transfusão sanguínea no Brasil.

Tempo de Infusão dos Principais Hemocomponentes

  • Concentrado de Hemácias: O tempo de infusão geralmente varia entre 1 hora e 30 minutos e 4 horas. No entanto, em situações específicas, como em pacientes com sobrecarga volêmica ou doença cardíaca grave, o tempo de infusão pode ser mais prolongado, sempre respeitando o limite máximo de 4 horas.
  • Concentrado de Plaquetas: O tempo de infusão costuma ser mais curto, variando entre 5 e 30 minutos.
  • Plasma Fresco Congelado: O tempo de infusão é de aproximadamente 30 minutos em adultos e crianças, não excedendo a velocidade de infusão de 20-30mL/kg/hora.

É importante ressaltar que esses são valores médios e que o tempo de infusão ideal para cada paciente pode variar de acordo com diversos fatores, como idade, peso, condição clínica e tipo de hemocomponente.

O conhecimento do tempo de infusão dos hemocomponentes é fundamental para garantir a segurança e a eficácia da transfusão sanguínea. O guia para uso de hemocomponentes do Ministério da Saúde oferece orientações valiosas para os profissionais de saúde, mas é essencial que cada caso seja avaliado individualmente.

Ao seguir as recomendações do guia e realizar um acompanhamento rigoroso do paciente durante a transfusão, é possível minimizar os riscos e otimizar os resultados do tratamento.

Referência:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Guia para o uso de hemocomponentes. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2015. 64 p. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_uso_hemocomponentes_2ed.pdf

O que pode ser feito com seu sangue, após doado!

Os hemocentros são abastecidos apenas com doações, e quando elas não chegam a situação fica dramática, pois vidas podem ser perdidas pela falta de sangue.

Quem pode fazer uma doação de sangue?

Para fazer uma doação, é necessário estar em boas condições de saúde, ter entre 16 e 69 anos, pesar no mínimo 50 kg, estar descansado (ter dormido pelo menos 6 horas nas últimas 24 horas), estar alimentado (evitar alimentos gordurosos nas 4 horas que antecedem a doação).

Antes de acontecer a doação de sangue é realizada uma entrevista e triagem para verificar se o doador está apto.

O que é feito com o seu sangue doado?

Na doação é coletado no máximo 450 ml de sangue. Com o que foi coletado em tubos são realizados testes para classificar o seu tipo sanguíneo (Sistemas ABO e Rh) e testes sorológicos para identificar doenças infecciosas que são transmitidas pela transfusão de sangue como Sífilis, Doença de Chagas, Hepatite B, Hepatite C, Infecção pelo vírus HIV e HTLV.

O sangue coletado em bolsa é separado em até quatro componentes diferentes que são:

Concentrado de Hemácias

O objetivo da transfusão de concentrado de hemácias é melhorar a liberação de oxigênio, sendo útil principalmente nos casos de anemia aguda, crônica e em pacientes submetidos a radioterapia e/ou quimioterapia, perda aguda sanguínea, choque séptico, entre outros.

Concentrado de Plaquetas

É recomendado fazer uma transfusão de plaquetas em pacientes com disfunção plaquetária congênita ou adquirida, por meio de sangramento.

São pacientes com leucemias agudas ou que receberam transplante com células de sangue periférico, pacientes com hemorragia, febre alta e queda rápida na contagem de plaquetas, ou com tumores sólidos.

Plasma

É administrado para corrigir sangramentos, seja por anormalidade ou deficiência de um ou mais fatores de coagulação.

O plasma é utilizado para prevenção de hemorragias em doentes crônicos do fígado, para corrigir hemorragia causada pela deficiência de vitamina k, trombose por déficit de Antitrombina III, entre outros.

Crioprecipitado

Esta concentração sanguínea precipitada à frio contém fibrinogênio, que é um fator de coagulação (fator I), uma proteína necessária para a formação do coágulo, produzido no fígado e liberado junto a outros fatores.

É útil em casos de pacientes com hemorragias e déficits de fibrinogênio, sangramento pós terapêutica com drogas antifibrinolíticas. O crioprecipitado também compõe a cola de fibrina autóloga para uso tópico.

Estes “hemocomponentes” são armazenados e utilizados para transfusão somente após o resultado negativo dos testes sorológicos.

Todo cuidado é pouco com a compatibilidade

No momento da transfusão ainda há riscos de incompatibilidade, uma delas é na utilização do plasma, onde o paciente pode ter uma lesão pulmonar aguda associada à transfusão (TRALI). Isso ocorre quando acontece o encontro dos antígenos correspondentes (anti-HNA e anti-HLA) e há uma ruptura dos capilares pulmonares, iniciando um edema pulmonar.

No geral, a TRALI ocorre entre uma e duas horas após o recebimento do sangue. Porém, há casos em que os pacientes demoram até seis horas para apresentar os sintomas. Clinicamente, a pessoa acometida pela doença costuma ter um quadro agudo de falta de ar, queda de pressão e febre. No entanto, nem todas as pessoas desenvolvem a Lesão Pulmonar Aguda Relacionada à Transfusão. A incidência é maior em pacientes com algum tipo de infecção, que passaram por cirurgia cardíaca, de tórax, ou com câncer.

Existem exames que detectam estes anticorpos, como o LABScreen® Multi, que podem ser feitos antes da transfusão para evitar a TRALI.

Doador de sangue tem direito à folga no trabalho?

Sim, o doador tem direito a um dia de folga no trabalho em cada 12 meses trabalhados, desde que a doação esteja devidamente comprovada, de acordo com os termos previstos no Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943 (Consolidação das Leis do Trabalho). Esse direito também se estende ao funcionário público civil de autarquia ou militar.

Vale ressaltar que a doação de sangue é um gesto voluntário e altruísta e, portanto, não deve ser encarada como um benefício próprio.

Referências:

  1. https://epocanegocios.globo.com/Vida/noticia/2017/06/doar-sangue-da-direito-um-dia-de-folga-no-trabalho.htmlhttps://super.abril.com.br/blog/oraculo/qual-o-volume-maximo-de-sangue-que-alguem-pode-perder-e-ainda-sobreviver
  2. http://www.prosangue.sp.gov.br/duvidas/default.htmlhttp://www.saude.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=2985
  3. https://www.hospitalsiriolibanes.org.br/hospital/Documents/guia-conduta.pdf
  4. http://rmmg.org/artigo/detalhes/1684

Hemólise: O que é?

Hemólise é o processo no qual ocorre o rompimento da membrana das hemácias e o consequente lançamento no meio de hemoglobina e outras substâncias.

A hemólise pode ocorrer no corpo humano ou durante o processamento do sangue. Diz-se que a hemólise é in vivo ou in vitro quando ocorre no corpo ou fora do corpo, respectivamente.

A Hemólise In Vivo

A hemólise in vivo pode causar sérios problemas de saúde, como a anemia hemolítica, uma doença caracterizada pela destruição precoce de hemácias. Icterícia e esplenomegalia são sinais dessa patologia, que pode ser hereditária ou adquirida. Em casos de hemólise grave, podem ser necessárias transfusões de sangue.

A hemólise pode provocar um aumento da produção de eritropoetina, que age na medula e estimula a maturação dos eritroblastos. Isso faz com que reticulócitos (hemácias imaturas) sejam lançados no sangue e é por esse motivo que as anemias hemolíticas são também chamadas de hiperproliferativas.

A hemólise também ocasiona um aumento da bilirrubina, o que pode provocar a formação de cálculos biliares.

Além das anemias hemolíticas, outra doença relacionada com a hemólise é a eritroblastose fetal. Ela ocorre quando uma mãe Rh negativo tem um bebê Rh positivo.

Durante a gestação ou durante o parto, a mãe pode ter contato com o sangue da criança e ficar sensibilizada, ocasionando problemas caso ela tenha outra gestação de um bebê Rh positivo. A mãe começa a produzir anticorpos, que poderão chegar até a circulação do feto durante a nova gestação e ocasionar aglutinação e hemólise.

Quando a hemólise ocorre in vitro, é decorrente de procedimentos incorretos de coleta, processamento do material, transporte ou então armazenamento inadequado da amostra de sangue. Quando esses erros ocorrem, torna-se necessária uma nova coleta.

A aplicação prolongada de torniquete e a transferência de sangue da seringa para o tubo sem retirar a agulha, por exemplo, pode ocasionar a hemólise.

A hemólise in vitro pode influenciar no resultado de alguns exames. Pesquisas comprovam que pequenas taxas de hemólise podem reduzir os valores de exames de glicemia de jejum e alterar a atividade sérica de LDH.

Sendo assim, é essencial que as coletas sejam feitas de maneira adequada para que a qualidade dos exames seja satisfatória.

Referências:

  1. SANTOS, Vanessa Sardinha dos. “O que é hemólise?”; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/biologia/o-que-e-hemolise.htm. Acesso em 26 de janeiro de 2022.

Os Componentes do Sangue

O sangue possui elementos celulares (hemácias, plaquetas e leucócitos) que têm função na coagulação sanguínea (plaquetas), no mecanismo de defesa contra infecções (leucócitos) e no transporte de O2 e CO2 (hemácias).

O sangue também é constituído pelo plasma (parte líquida) onde existem proteínas  que ajudam na coagulação do sangue (fatores da coagulação).

Para se obter estes componentes sanguíneos específicos de uma bolsa de sangue total coletada do doador são utilizados processos de centrifugação, dando origem a concentrado de hemácias, plaquetas, plasma fresco congelado e crioprecipitado.

Os leucócitos provenientes de uma bolsa de sangue total  são considerados contaminantes estando presentes em pequenas quantidades no concentrado de hemácias e plaquetas mas são capazes de provocar alguns tipos de reações transfusionais.

Existe uma forma de se coletar leucócitos com finalidade transfusional, através de um método especial de doação (aférese) que consiste em se coletar apenas parte dos leucócitos do doador através de um equipamento com esta finalidade (máquina de aférese). Neste caso, o restante dos componentes do sangue são devolvidos ao doador.

Os Componentes

  • Plaquetas : As plaquetas são células que participam do processo de coagulação. Elas têm vida curta e circulam na proporção de 150 a 400 mil por milímetro cúbico de sangue. Sua função mais importante é a de auxiliar na interrupção dos sangramentos.
  • Leucócitos: Os leucócitos são glóbulos brancos. Seu número varia de 5 a 10 mil por milímetro cúbico de sangue e sua vida é curta. Possuem formas e funções diversas, sempre ligadas à defesa do organismo contra a presença de elementos estranhos a ele, como por exemplo, as bactérias.
  • Hemácias: As hemácias são glóbulos vermelhos do sangue. Cada hemácia tem vida média de 120 dias no organismo, onde existem em torno de 4.500.000 delas por milímetro cúbico de sangue. A sua função é transportar o oxigênio dos pulmões para as células de todo o organismo e eliminar o gás carbônico das células, transportando-o para os pulmões.
  • Plasma: O plasma é um líquido amarelo claro que representa 55% do volume total de sangue. Ele é constituído por 90% de água, onde se encontram dissolvidos proteínas, açúcares, gorduras e sais minerais. Através do plasma circulam, por exemplo, elementos nutritivos necessários à vida das células.

Os Tipos Sanguíneos

Grupos sanguíneos (ou tipos sanguíneos) são determinados por  certas características imunológicas do sistema eritrocitário com presença específica de antígenos na superfície eritrocitária e também de anticorpos naturais (e às vezes adquiridos) contra grupos sanguíneos diferentes.

Hoje são conhecidos mais de 30 grupos sanguíneos de importância transfusional.

Grupos sanguíneos de grande importância transfusional são os do sistema ABO (A,B,O,AB) e os do sistema Rh(D).

Além dos grupos sanguíneos ABO e Rh temos outros que também têm importância transfusional, como Kidd, Duffy, MNSs, Lewis, dentre outros, que podem ser responsáveis por reações transfusionais e também causar a doença hemolítica do Rh.

Sistema ABO e fator RH

Os grupos sanguíneos do sistema ABO são os mais importantes do ponto de vista transfusional. A expressão de seus antígenos na membrana eritrocitária é controlada pelo lócus ABO do cromossoma 9 onde existem 3 genes alelos (A,B,O), que expressam os antígenos correspondentes (exceto o O que não expressa antígenos específicos).

Outra característica do grupo ABO é a presença de anticorpos naturais (anti-A ou anti-B) que são produzidos regularmente a partir dos 6 meses de vida. O indivíduo do grupo A produz anticorpos anti-B ; os do grupo B produzem anticorpos anti-A; os do grupo O produzem anti-A e B e os do grupo AB não produzem anticorpos contra o sistema ABO, pois possuem a expressão dos 2 antígenos (A e B) na superfície eritrocitária.

O sistema Rh (ou fator Rh) é composto por antígenos denominados D,d,C,c,E,e presentes na superfície eritrocitária. O mais imunogênico é o antígeno D.

Os indivíduos que expressam o antígeno D são chamados de Rh positivo e os que não expressam (são do tipo d) são chamados de Rh negativos. Aproximadamente 15% da população não apresenta o antígeno D.

Neste sistema não há a presença de anticorpo natural e ele só é produzido quando uma pessoa, que não apresenta um desses antígenos na superfície eritrocitária, entra em contato com sangue de pessoas que possuem esse antígeno, através de transfusões ou gestações (contato do sangue da mãe com o feto). Neste caso chamamos este tipo de anticorpo de irregular. A incompatibilidade neste sistema é um dos principais responsáveis pela doença hemolítica do RN.

A Compatibilidade

A seleção do hemocomponente deve ser ABO compatível. Nos pacientes Rh(D) negativos também deve haver a compatibilização do sistema Rh. O teste de compatibilidade transfusional visa a identificação da compatibilidade/ incompatibilidade entre antígenos das hemácias do doador com os anticorpos presentes no soro/ plasma do receptor.

Referência:

1. Hemoterapia – Condutas para a prática clínica – Fundação Hemominas 2010.

A Importância dos Hemocomponentes

Doar sangue

 

Osmose nas Hemácias

Hemácias