Psoríase

A psoríase é uma doença inflamatória crônica da pele que provoca manchas vermelhas e ressecadas, podendo causar coceira, ligeira queimação ou dor.

Causa

Embora seja relativamente comum, ainda não se conhece a causa exata dessa condição. A predisposição genética é um fator importante na psoríase. Estresse, infecções, tabagismo, álcool e obesidade também podem desencadear ou agravar os sintomas.

No entanto, é comum que as manchas de psoríase apareçam durante situações que afetam diretamente a imunidade, como períodos de grande estresse ou presença de doenças autoimunes.

Tipos e Sintomas:

  • Psoríase Vulgar (ou Psoríase em Placas): É a forma mais comum da doença. Caracteriza-se pela presença de placas vermelhas com escamas brancas ou prateadas. Essas placas podem variar em tamanho, desde poucos milímetros até vários centímetros. Normalmente, surgem nos braços, pernas, couro cabeludo e região lombar. Também podem afetar as unhas.
  • Psoríase Gutata (ou Psoríase em Gotas): Mais comum em crianças, adolescentes e jovens adultos. Manifesta-se por manchas em forma de gota na pele, geralmente após uma infecção por streptococcus das vias respiratórias.
  • Psoríase Pustulosa: Caracteriza-se pelo surgimento de pequenas bolhas com pus, junto com as manchas de psoríase. Essas bolhas podem aparecer em uma região específica da pele ou se espalhar pelo corpo. Quando generalizada, pode causar febre.
  • Psoríase Invertida: Nesse tipo, as manchas surgem apenas em locais úmidos, como axilas, virilhas, região inframamária e couro cabeludo. Por estarem em áreas úmidas, essas manchas não costumam descamar.
  • Psoríase Ungueal (ou Psoríase nas Unhas): Afeta principalmente as unhas, provocando ondulações, manchas e enfraquecimento. Às vezes, a psoríase ungueal aparece antes dos sintomas na pele.

Tratamento

O tratamento visa controlar os sintomas e prevenir recorrências. Opções incluem cremes, fototerapia, medicamentos orais e, em casos graves, medicamentos injetáveis.

Cuidados de Enfermagem

Educação e Orientação:

  • Compreensão da Doença: Explique aos pacientes e seus familiares sobre a natureza crônica da psoríase, seus fatores desencadeantes e tratamentos disponíveis.
  • Envolvimento Emocional: Reconheça o impacto emocional da doença e ofereça apoio.

Cuidados com a Pele

  • Hidratação: Incentive o uso de emolientes prescritos pelo médico para evitar ressecamento e fissuras na pele.
  • Evite Traumatismos: Oriente os pacientes a não puxar as escamas da pele durante o banho, pois isso pode resultar em lesões (Fenômeno de Koebner).
  • Unhas: Instrua sobre a importância de aparar regularmente as unhas para evitar complicações nas unhas.

Banho de Sol

  • Horários Benéficos: Sugira banhos de sol entre 7h e 10h e após as 16h para promover a remissão da psoríase.

Medicamentos e Substâncias

  • Orientação: Alerta os pacientes a não usar substâncias sistêmicas ou tópicas (como ervas) sem orientação médica.
  • Evite Alguns Medicamentos: Informe sobre medicamentos que podem agravar a psoríase, como anti-inflamatórios não esteroidais, antimaláricos, beta-bloqueadores e lítio.

Relação de Confiança

  • Apoio Emocional: Como a psoríase é uma doença crônica, os pacientes enfrentam desgaste emocional. Estabeleça uma relação de confiança para lidar com esse momento.

Referências:

  1. SBD
  2.  Psoríase Brasil

Pulseiras de Risco Hospitalares

As pulseiras de risco hospitalares são identificadores coloridos utilizados para alertar a equipe de saúde sobre condições específicas de um paciente, como risco de queda, alergias, lesão por pressão e necessidade de preservação de membro.

Elas desempenham um papel fundamental na prevenção de incidentes e na garantia da segurança do paciente durante a hospitalização.

Tipos de Pulseiras e seus Significados

A padronização das cores e símbolos utilizados nas pulseiras varia de acordo com cada instituição, mas a ideia central é a mesma: comunicar de forma rápida e eficiente os riscos associados a cada paciente.

Risco de Queda

    • Cor: Geralmente amarela ou laranja.
    • Símbolo: Um ícone representando uma pessoa caindo ou um símbolo de equilíbrio.
    • Indica: Pacientes com maior probabilidade de cair, como idosos, pessoas com mobilidade reduzida ou que utilizam medicamentos que podem causar tontura.

Alergia

    • Cor: Vermelha ou rosa.
    • Símbolo: Um ícone de exclamação dentro de um triângulo ou um símbolo de alergia.
    • Indica: Pacientes com alergia a medicamentos, alimentos, látex ou outras substâncias. A pulseira pode especificar a substância causadora da alergia.

Lesão por Pressão

    • Cor: Roxa ou lilás.
    • Símbolo: Um ícone representando uma ferida ou uma área sob pressão.
    • Indica: Pacientes com risco aumentado de desenvolver úlceras por pressão, como aqueles que permanecem acamados por longos períodos ou com problemas de circulação.

Preservação de Membro

    • Cor: Azul ou verde.
    • Símbolo: Um ícone representando um membro (braço ou perna) ou uma faixa em torno de um membro.
    • Indica: Pacientes com risco de perda de um membro, como aqueles com problemas circulatórios graves ou que necessitam de enxertos, pacientes mastectomizadas que precisam preservar o lado do membro, não puncionar membro em que irá realizar exame de cateterismo.

Outras informações que podem constar na pulseira

  • Nome do paciente: Essencial para a identificação correta.
  • Data de nascimento: Ajuda a evitar erros de identificação, especialmente em pacientes com nomes comuns.
  • Alergias específicas: Lista detalhada das substâncias às quais o paciente é alérgico.
  • Restrições dietéticas: Indicações sobre a dieta especial do paciente.
  • Nome do médico: Facilita a comunicação entre a equipe de enfermagem e o médico responsável.

Importância das pulseiras de risco

  • Melhora na comunicação: As pulseiras garantem que todas as informações relevantes sobre o paciente sejam facilmente acessíveis a todos os profissionais de saúde envolvidos.
  • Prevenção de erros: Reduz o risco de administrar medicamentos errados, realizar procedimentos inadequados ou causar lesões ao paciente.
  • Melhora na qualidade do cuidado: Permite que a equipe de saúde forneça um cuidado mais individualizado e seguro, adaptando as intervenções às necessidades específicas de cada paciente.
  • Empoderamento do paciente: Ao usar a pulseira, o paciente se sente mais seguro e confiante na equipe de saúde.

As pulseiras de risco hospitalares são ferramentas simples, mas eficazes, que contribuem significativamente para a segurança do paciente. Ao utilizar essas pulseiras de forma correta e consistente, as instituições de saúde podem reduzir o número de eventos adversos e garantir que todos os pacientes recebam o cuidado de alta qualidade que merecem.

Referências:

  1. HOFFMEISTER, Louíse Viecili; MOURA, Gisela Maria Schebella Souto de. Uso de pulseiras de identificação em pacientes internados em um hospital universitário. Rev. Latino-Am. Enfermagem, jan.-fev. 2015, v. 23, n. 1, p. 36-43. DOI: 10.1590/0104-1169.0144.2522.
  2. COREN-SP. Orientação Fundamentada nº 073. 2018. Disponível em: https://portal.coren-sp.gov.br/wp-content/uploads/2018/04/Orienta%C3%A7%C3%A3o-Fundamentada-073-.pdf

Termos Técnicos: Lesões Hemorrágicas da Pele

As lesões hemorrágicas da pele são caracterizadas pelo extravasamento de sangue para os tecidos cutâneos, resultando em manchas de diferentes tamanhos e cores. A compreensão desses termos é fundamental para a avaliação clínica e o diagnóstico de diversas condições médicas.

Entenda os Tipos

Equimose

  • Definição: Mancha arroxeada na pele, causada pelo extravasamento de sangue para os tecidos mais profundos.
  • Características: A cor da equimose pode variar ao longo do tempo, passando por tons de roxo, verde e amarelo, à medida que o sangue é reabsorvido.
  • Causas: Trauma, uso de anticoagulantes, distúrbios hemorrágicos.

Hematoma

  • Definição: Acúmulo de sangue coagulado em um tecido, formando uma massa palpável.
  • Características: Pode variar em tamanho e consistência, dependendo da quantidade de sangue extravasado.
  • Causas: Trauma, procedimentos cirúrgicos, ruptura de vasos sanguíneos.

Petéquias

  • Definição: Pequenas manchas vermelhas ou roxas, puntiformes, que não desaparecem com a pressão.
  • Características: Geralmente menores que 2 mm de diâmetro.
  • Causas: Trauma leve, infecções, distúrbios hemorrágicos, deficiência de vitamina C.

Púrpura

  • Definição: Manchas roxas maiores que as petéquias, que não desaparecem com a pressão.
  • Características: Podem variar em tamanho e forma.
  • Causas: Trauma, infecções, distúrbios hemorrágicos, vasculites.

Outros termos relevantes:

  • Víbice: Mancha linear roxa, maior que as petéquias.
  • Hemorragia subcutânea: Sangramento abaixo da pele.
  • Equimose em faixa: Equimose que acompanha o trajeto de um vaso sanguíneo.

Causas comuns de lesões hemorrágicas:

  • Trauma: Quedas, batidas, cirurgias.
  • Distúrbios hemorrágicos: Hemofilia, trombocitopenia, doença de von Willebrand.
  • Infecções: Meningococcemia, dengue.
  • Deficiências nutricionais: Escorbuto (deficiência de vitamina C).
  • Uso de medicamentos: Anticoagulantes, anti-inflamatórios não esteroides.
  • Vasculites: Inflamação dos vasos sanguíneos.

Importância da avaliação

A avaliação das lesões hemorrágicas é fundamental para o diagnóstico de diversas condições médicas. A localização, tamanho, forma e evolução das lesões, juntamente com outros sinais e sintomas, ajudam o médico a identificar a causa e a instituir o tratamento adequado.

Quando procurar um médico

Se você apresentar lesões hemorrágicas inexplicáveis, acompanhadas de outros sintomas como febre, dor, inchaço ou dificuldade para respirar, é importante procurar um médico para avaliação.

Referências:

  1. Med.club

Escala de Elpo

A Escala ELPO (Escala de Avaliação de Risco para o Desenvolvimento de Lesões Decorrentes do Posicionamento Cirúrgico) é uma ferramenta essencial utilizada por profissionais de saúde para identificar o risco de um paciente desenvolver lesões causadas pelo posicionamento durante uma cirurgia.

Essa escala considera diversos fatores que podem influenciar a susceptibilidade do paciente a essas lesões.

Como funciona a escala ELPO?

A ELPO avalia sete itens principais, cada um com cinco subitens que representam diferentes níveis de risco. A pontuação total varia de 7 a 35 pontos, sendo que quanto maior o escore, maior o risco de o paciente desenvolver complicações.

Item Subitens (1 a 5 pontos)
Tipo de Posição Posições neutra, semi-sentada, Trendelenburg, Fowler, prona, litotomia, outras
Tempo de Cirurgia Menor que 60 minutos, 60-120 minutos, 120-180 minutos, 180-240 minutos, maior que 240 minutos
Tipo de Anestesia Local, regional, geral
Superfície de Suporte Colchonete de espuma, colchonete de gel, mesa de operação, coxim especial, outros
Posição dos Membros Membros superiores e inferiores em posição neutra, membros superiores abduzidos, membros inferiores elevados, membros cruzados, outras
Comorbidades Ausência, leves, moderadas, graves
Idade do Paciente Menor que 60 anos, 60-70 anos, 70-80 anos, 80-90 anos, maior que 90 anos

Interpretação dos Resultados

  • Escore baixo: Indica menor risco de lesões.
  • Escore alto: Sinaliza maior risco de complicações relacionadas ao posicionamento cirúrgico.

Importância da Escala ELPO

  • Prevenção de lesões: Ao identificar os pacientes com maior risco, a equipe médica pode tomar medidas preventivas para minimizar as chances de lesões.
  • Melhora da qualidade do cuidado: A utilização da ELPO contribui para um cuidado mais seguro e eficaz.
  • Auxílio na tomada de decisão: A escala auxilia os profissionais de saúde na escolha das melhores práticas para cada paciente.

Observações

  • A ELPO é uma ferramenta valiosa, mas não substitui a avaliação clínica individualizada do paciente.
  • A interpretação dos resultados da escala deve ser realizada em conjunto com outros fatores clínicos.
  • A ELPO pode ser adaptada para diferentes contextos e necessidades.

A escala ELPO é um instrumento simples e eficaz para avaliar o risco de lesões causadas pelo posicionamento cirúrgico. Ao utilizar essa ferramenta, os profissionais de saúde podem contribuir para a segurança e o bem-estar dos pacientes durante o procedimento cirúrgico.

Referências:

  1. COFEN
  2. Lopes, C. M. de M., Haas, V. J., Dantas, R. A. S., Oliveira, C. G. de ., & Galvão, C. M.. (2016). Assessment scale of risk for surgical positioning injuries. Revista Latino-americana De Enfermagem, 24, e2704. https://doi.org/10.1590/1518-8345.0644.2704

Radiodermite

A radiodermite é uma reação da pele ao tratamento com radiação, como a radioterapia utilizada no tratamento do câncer. Essa reação ocorre devido à sensibilidade das células da pele à radiação, que pode causar danos e inflamação.

Sintomas

Os sintomas da radiodermite podem variar de pessoa para pessoa e dependem da dose de radiação, da área tratada e da sensibilidade individual. Os sintomas mais comuns incluem:

  • Vermelhidão: A pele na área tratada fica avermelhada, semelhante a uma queimadura solar.
  • Coceira: A pele pode coçar intensamente, causando desconforto.
  • Descamação: A pele pode descamar, tanto de forma seca quanto úmida, formando feridas.
  • Inchaço: A área tratada pode ficar inchada.
  • Dor: Em casos mais graves, pode haver dor intensa.
  • Perda de pelos: Os pelos na área tratada podem cair.

Graus da radiodermite

A radiodermite é classificada em graus, que indicam a gravidade da reação:

  • Grau I: Vermelhidão leve ou descamação seca da pele, que podem ser associados a prurido e quedas de pelos ou cabelos.
  • Grau II: Vermelhidão moderada e edema intenso, que pode ocasionar uma descamação úmida limitada às dobras da pele.
  • Grau III: Descamação úmida extensas em outras localizações e inchaço no local.
  • Grau IV: Ulceração, hemorragia e necrose.

Fatores de risco

Alguns fatores podem aumentar o risco de desenvolver radiodermite, como:

  • Dose de radiação: Quanto maior a dose, maior o risco.
  • Área tratada: Áreas com pele mais fina, como o rosto, são mais suscetíveis.
  • Sensibilidade individual: Algumas pessoas são mais sensíveis à radiação do que outras.
  • Uso de outros medicamentos: Alguns medicamentos podem aumentar a sensibilidade da pele à radiação.

Tratamento

O tratamento da radiodermite varia de acordo com a gravidade dos sintomas e pode incluir:

  • Hidratantes: Para aliviar a pele seca e coceira.
  • Corticosteroides tópicos: Para reduzir a inflamação.
  • Curativos: Para proteger a pele e promover a cicatrização.
  • Antibióticos: Para prevenir infecções.
  • Analgésicos: Para aliviar a dor.

Prevenção

Embora não seja possível evitar completamente a radiodermite, algumas medidas podem ajudar a minimizar o risco, como:

  • Hidratação da pele: Manter a pele bem hidratada antes, durante e após o tratamento.
  • Proteção da pele: Evitar exposição ao sol e a produtos irritantes.
  • Comunicar os sintomas: Informar o médico sobre qualquer sintoma da radiodermite para que o tratamento seja iniciado o mais rápido possível.

Cuidados de Enfermagem

Avaliação e Monitorização:

  • Histórico: Investigar a história da exposição à radiação, incluindo tipo, dose, data e duração da exposição.
  • Exame físico: Avaliar a pele quanto a vermelhidão, descamação, inchaço, ulcerações, pigmentação anormal, telangiectasias (vasos sanguíneos dilatados) e crescimento de cabelos anormais.
  • Sintomas: Monitorizar a dor, prurido, sensibilidade e outros sintomas.

Intervenções:

  • Proteção da pele:
    • Evitar exposição ao sol: Usar protetor solar com FPS alto, roupas de proteção e permanecer em ambientes com sombra.
    • Hidratação da pele: Usar hidratantes sem perfume e hipoalergênicos para manter a pele hidratada e evitar rachaduras.
    • Limpeza da pele: Limpar a pele com água morna e sabonete suave. Evitar produtos abrasivos ou irritantes.
    • Evitar calor e frio extremos: Banhos muito quentes ou frios podem agravar a radiodermite.
    • Evitar roupas apertadas: Roupas apertadas podem aumentar a irritação e a dor.
  • Alívio dos sintomas:
    • Controle da dor: Usar analgésicos orais ou tópicos para controlar a dor.
    • Controle do prurido: Usar anti-histamínicos ou cremes antipruriginosos.
    • Gerenciamento de infecções: Monitorizar a pele quanto a sinais de infecção, como vermelhidão, inchaço, dor e pus.
    • Prevenção de úlceras: Cuidados com a pele para prevenir o desenvolvimento de úlceras, incluindo proteção contra pressão, controle do atrito e manutenção da pele limpa e hidratada.
    • Promoção da cicatrização: Utilizar curativos apropriados, como compressas úmidas ou curativos hidrocoloides, para promover a cicatrização das úlceras.
  • Educação do paciente:
    • Instruções sobre cuidados com a pele: Explicar os cuidados necessários para proteger a pele e aliviar os sintomas.
    • Orientação sobre os riscos de exposição à radiação: Informar o paciente sobre os riscos de exposição à radiação e a importância de evitar a exposição adicional.
    • Identificação de recursos: Fornecer informações sobre recursos de suporte, como grupos de apoio e serviços de aconselhamento.

Referências:

  1. Maria Teresa Silva Souza, MTSS; Glenda Agra, GA. Universidade Federal de Campina Grande-Cuité/CES. CUIDADOS DE ENFERMAGEM À PESSOA COM RADIODERMITES: UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 69, n. 1, p. 105-111, jan./fev. 2016.
  2. Cardozo, A. dos S., Simões, F. V., Santos, V. O., Portela, L. F., & Silva, R. C. da .. (2020). SEVERE RADIODERMATITIS AND RISK FACTORS ASSOCIATED IN HEAD AND NECK CANCER PATIENTS. Texto & Contexto – Enfermagem, 29, e20180343. https://doi.org/10.1590/1980-265X-TCE-2018-0343

Escala ASIA

A escala da ASIA surgiu em 1984 incorporando a escala Frankel, classificando a lesão entre A e E, definindo 10 (dez) pares de músculos principais a serem avaliados, e criando um índice motor (motor score), mas ainda sem incorporar o índice sensitivo.

Ela recebe esse nome pelo fato de ter sido desenvolvida pela Associação Norte Americana de Lesão Medular (American Spinal Injury Association – ASIA).

A escala sofreu revisões subsequentes (1992 e 2002). Em 1992, a escala incorporou o índice sensitivo ao índice motor, produzindo as escalas motora e sensitiva.

A Escala

As classificações são:

A = Lesão completa. Não existe função motora e sensitiva nos segmentos medulares abaixo da lesão, incluindo os segmentos sacrais;

B = Lesão Incompleta. Sensibilidade (total ou parcialmente) preservada com extensão através dos segmentos sacrais S4-S5, sem função motora abaixo do nível neurológico;

C = Lesão Incompleta. Função motora preservada abaixo do nível da lesão com a maior parte dos músculos-chave abaixo do nível neurológico apresentando um grau de força muscular menor que 3;

D = Lesão Incompleta. Função motora preservada abaixo do nível da lesão com a maior parte dos músculos-chave abaixo do nível neurológico apresentando um grau de força muscular maior ou igual a 3;

E = Função Normal. Função motora e sensitiva normais.

Tal escala permite aos profissionais da área de Saúde classificar a lesão medular dentro de uma extensa variedade de tipos, auxiliando-os a determinar o prognóstico e o estado atual dos pacientes.

Referências:

  1. NEVES, Marco Antonio Orsini et al. Escalas clínicas e funcionais no gerenciamento de indivíduos com Lesões Traumáticas da Medula Espinhal. Revista neurociências, v. 15, n. 3, p. 234–239-234–239, 2007.
  2. https://www.scielo.br/j/tce/a/BBQdWD5VzJqbmZ4vPGP6dbQ/?format=pdf&lang=pt

Dispositivos de Reposicionamento: Não recomendados pela NPUAP

A National Pressure Ulcer Advisory Panel (NPUAP) é uma organização norte-americana dedicada à prevenção e tratamento de lesões por pressão.

Suas diretrizes são amplamente reconhecidas internacionalmente. No entanto, existem dispositivos de reposicionamento que a NPUAP não recomenda para prevenir essas lesões.

Dispositivos de Reposicionamento que não são recomendados

  • Almofadas de Pele de Carneiro Sintético: Evite o uso dessas almofadas. Elas podem criar áreas de elevada pressão, prejudicando os tecidos da pele.
  • Luvas Cheias de Água: O uso de luvas cheias de água também não é recomendado. Esses dispositivos podem exercer pressão excessiva em áreas específicas, aumentando o risco de lesões por pressão.
  • Bolsas de Fluido Intravenoso: Evite o uso dessas bolsas para reposicionamento. Elas não proporcionam uma distribuição uniforme da pressão e podem causar danos à pele.
  • Dispositivos de Argola ou “Donut”: Anéis ou dispositivos em forma de donut não são recomendados. As bordas desses dispositivos criam áreas de elevada pressão, que podem danificar os tecidos da pele.

Além disso, é importante lembrar que pacientes internados em UTIs, especialmente aqueles com dificuldade de reposicionamento, estão em risco aumentado de desenvolver lesões por pressão. O papel dos profissionais de enfermagem é crucial na prevenção e no tratamento dessas lesões, considerando as condições específicas de cada paciente.

A disseminação dessas informações é fundamental para garantir práticas seguras e eficazes na assistência aos pacientes. Mantenha-se atualizado e siga as orientações das diretrizes para promover a saúde da pele e prevenir lesões por pressão.

Sistema de Classificação Skin Tear Audit Research (STAR) – Lesão por Fricção

A lesão por fricção (LF) é uma ferida rasa, limitada à derme e que tem como característica principal a presença de um retalho de pele em algum momento de sua evolução.

O retalho pode ser denominado retalho epidérmico, quando o traumatismo separa a epiderme da derme (ferida de espessura parcial) e retalho dermoepidérmico, que ocorre quando epiderme e derme permanecem unidas e o traumatismo as separa das estruturas subjacentes (ferida de espessura total).

Recentemente foi descrito que as lesões por fricção podem resultar numa separação parcial ou total das camadas externas da pele. Tais lesões podem ocorrer devido à força de cisalhamento, atrito ou a um trauma sem corte, fazendo com que a epiderme se separe a partir da derme (ferida de espessura parcial) ou tanto a epiderme e a derme se separem das estruturas subjacentes (ferida de espessura total) .

Classificação STAR

O Sistema de Classificação Skin Tear Audit Research (STAR) – Lesão por Fricção, classifica essas feridas em cinco categorias que examina a presença/ausência do retalho da pele e sua viabilidade, apresenta um glossário de termos inerentes à LF seguido de orientações.

Equivalente ao Sistema STAR foi desenvolvida uma classificação denominado pelo International Skin Tear Advisory Panel (ISTAP) de Skin Tear Classification que avalia a presença/ausência do retalho cutâneo. Essas lesões podem ser categorizadas em: (Tipo 1) sem perda da pele, (Tipo 2) com perda parcial do retalho, e (Tipo 3) com perda total do retalho.

  • Categoria 1a: Lesão por fricção, cujo retalho cutâneo pode ser realinhado à posição anatômica normal (sem tensão excessiva); coloração da pele ou do retalho não se apresenta pálida opaca ou escurecida;
  • Categoria 1b: Lesão por fricção, cujo retalho cutâneo pode ser realinhado à posição anatômica normal (sem tensão excessiva); coloração da pele ou do retalho apresenta-se pálida opaca ou escurecida;
  • Categoria 2a: Lesão por fricção, cujo retalho cutâneo não pode ser realinhado à posição anatômica normal (sem tensão excessiva); coloração da pele ou do retalho não se apresenta pálida, opaca ou escurecida;
  • Categoria 2b: Lesão por fricção, cujo retalho cutâneo não pode ser realinhado à posição anatômica normal (sem tensão excessiva); coloração da pele ou do retalho apresenta-se pálida, opaca ou escurecida;
  • Categoria 3: Lesão por fricção, cujo retalho cutâneo está completamente ausente.

As LFs são lesões pouco estudadas e, consequentemente, subnotificadas, sendo frequentemente confundidas com lesões por pressão. O Brasil é um dos poucos países latinoamericanos com estudos publicados a respeito das LFs e, ainda assim, essas lesões são pouco conhecidas na prática clínica.

Referência:

  1. Adaptação cultural, validade de conteúdo e confiabilidade interobservadores do “STAR Skin Tear Classification System” https://doi.org/10.1590/0104-1169.3523.2537

A Classificação KDIGO da Lesão Renal

A Lesão renal aguda (LRA) é uma situação frequente em hospitais e unidades de terapia intensiva (UTI), em geral definida como uma redução abrupta da filtração glomerular que leva a aumento de escórias nitrogenadas (ureia e creatinina), distúrbios do equilíbrio acidobásico e alterações hidroeletrolíticas.

Trata-se de uma síndrome clínica ampla que apresenta diversas etiologias, incluindo doenças renais específicas (nefrite intersticial aguda, glomerulopatias e vasculites), condições não específicas (lesões isquêmicas ou tóxicas) e doenças extrarrenais.

Frequentemente, mais de uma dessas condições pode coexistir no mesmo paciente. Desse modo, nos últimos anos, o conceito de LRA vem se aprimorando, bem como as estimativas a respeito de sua incidência, prevalência e mortalidade.

Antes de tudo, é importante você saber:

  • Uma pessoa pode chegar em estágios avançados da disfunção renal sem apresentar sintomas;
  • Exames simples de sangue e urina são capazes de detectar a doença renal;
  • DRC pode ser tratada e, quanto mais cedo for o diagnóstico, maiores serão as chances de controlar a sua evolução;

Provável Causa

sepse é o principal fator etiológico seguida de nefrotoxicidade medicamentosa / contraste iodado e pós-operatório.

Como a função renal é mensurada?

Taxa de Filtração Glomerular (TFG) mede a capacidade dos rins de filtrarem o sangue e possibilita que o nefrologista identifique se há algum comprometimento renal.

A TFG pode ser facilmente estimada por meio do nível de creatinina no sangue, tal indicador é avaliado junto a elementos como idadeetnia e sexo, assim o especialista pode chegar às conclusões clínicas. Também é possível medir a taxa de filtração através da dosagem creatinina urinária em urina de 24h e sérica.

A Classificação

A LRA já foi classificada por diversos protocolos, dentre os quais os famosos RIFLE – risk (R: risco), injury (I: injúria), failure (F: falência), loss (L: perda mantida da função) e end-stage kidney disease (E: insuficiência renal terminal) – do grupo ADQI (2004), AKIN – Acute Kidney Injury Network  (2007) e, atualmente, utiliza-se o KDIGO – Kidney Disease Improving Global Outcomes  (2012) que incorporou as duas definições prévias.

Estágio

 

TFG

 

Descrição

 

Quadro clínico

 

Estágio 1

 

90 ou mais

 

Danos renais com TFG normal

 

Filtração ainda normal, usualmente, sem sintomas. Mas, já existe risco de evolução da doença se os fatores de progressão não forem tratados.

 

Estágio 2

 

60 a 89

 

Danos renais e diminuição leve na TFG

 

Comprometimento leve da função renal. Pode acontecer devido ao próprio envelhecimento. Geralmente, ainda sem sintomas.

 

Estágio 3

 

30 a 59

 

Diminuição pouco severa TFG

 

Começam os primeiros sintomas como anemia e doença óssea leve. O paciente deve iniciar o tratamento conservador e controlar fatores de risco para evitar a perda da função renal.

 

Estágio 4

 

15 a 29

 

Redução severa na TFG

 

Já conhecido como estágio pré-dialítico. O paciente deve manter tratamento conservador e iniciar preparo para substituição renal.

 

Estágio 5

 

15 ou menos

 

Insuficiência renal estabelecida

 

A maioria dos pacientes apresenta sintomas como náuseas, vômitos e perda de peso. Já a anemia, o acúmulo de líquido e a doença óssea ficam mais intensos. Esse é o momento de iniciar substituição renal.

 

 

A detecção da LRA é baseada em uma alteração precoce dos marcadores (creatinina e DU) e precisa ser feita em tempo real.

Os diferentes estágios da LRA servem para determinar o máximo de gravidade, indicado, por exemplo, pelo valor máximo de creatinina.

O estadiamento da LRA é recomendado pelo KDIGO, em virtude de o conjunto de evidências atuais associar o estágio da LRA à necessidade de terapia renal substitutiva (TRS), com risco, a longo prazo, de desenvolvimento de doença cardiovascular, evolução para DRC e mortalidades intra e extra-hospitalares, mesmo após a aparente resolução da LRA.

Referências:

  1. Kidney Disease: Improving Global Outcomes (KDIGO) Acute Kidney Injury Work Group. KDIGO clinical practice guideline for acute kidney injury. Kidney Int Suppl. 2012;2:1-138.
  2. Hoste EA, Clermont G, Kersten A, Venkataraman R, Angus DC, De Bacquer D et al. RIFLE criteria for acute kidney injury are associated with hospital mortality in critically ill patients: a cohort analysis. Crit Care. 2006;10(3):R73.
  3. Bellomo C, Ronco C, Kellum JA, Mehta RL, Palevsky P; Acute Dialysis Quality Initiative Workgroup. Acute renal failure definition, outcome measures, animal models, fluid therapy and information technology needs: the Second International Consensus Conference of the Acute Dialysis Quality Initiative (ADQI) Group. Crit Care. 2004;8(4):R204-12.
  4. Chertow GM, Burdick E, Honour M et al. Acute kidney injury, mortality, length of stay, and costs in hospitalized patients. J Am Soc Nephrol. 2005;16:3365-70.
  5. Mehta RL, Kellum JA, Shah SV, Molitoris BA, Ronco C, Warnock DG et al. Acute Kidney Injury Network: report of an initiative to improve outcomes in acute kidney injury. Crit Care. 2007;11(2):R31.
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Fricção e Cisalhamento: O que são?

O Cisalhamento é causado pela combinação da gravidade e fricção.

Exerce uma força paralela à pele e resulta da gravidade que empurra o corpo para baixo e da fricção ou resistência entre o paciente e a superfície de suporte.

Quando a cabeceira é elevada, a pele adere-se ao leito da cama, embora o esqueleto empurre o corpo para baixo. Os vasos sanguíneos são esticados ou acotovelados dificultando ou interrompendo o fluxo sanguíneo e causando danos por isquemia. O cisalhamento causa a maior parte do dano observado nas lesões por pressão.

Já a Fricção, se a ação da fricção for isolada, a possibilidade de danos estará restrita à epiderme e derme e ao estrato córneo. Resulta em uma lesão semelhante a uma queimadura leve e ocorre com maior frequência em pacientes agitados. A forma mais grave de dano por fricção ocorre associada ao cisalhamento.

O cisalhamento causa a maior parte do dano observado nas lesões de pressão.

Fatores para causa de LPP

A umidade cutânea (mais comumente oriunda de incontinência urinária ou fecal) pode gerar maceração da pele, expondo ao risco de desenvolvimento de lesão.

Outros fatores relacionados ao desenvolvimento de lesões por pressão incluem desnutrição, idade avançada, condições de saúde que ocasionam baixa perfusão tecidual (hipotensão, tabagismo, hipertermia, anemia) e estados psicossociais, em particular a secreção de cortisol induzida por estresse.

Veja também:

Classificação da Lesão por Pressão conforme NPUAP

Qual é o benefício do uso do Colchão “Caixa de Ovo”?

Coxim ou Coxins: Prevenção de Lesão por Pressão

Escala de Braden

Referências:

  1. EBSERH