Colostro

O colostro, primeiro leite que você produz quando começa a amamentar, é o alimento ideal para o recém-nascido.

É altamente concentrado, repleto de proteínas e rico em nutrientes – por isso, mesmo uma pequena quantidade pode fazer toda a diferença no pequeno estômago do bebê.

O colostro tem baixo teor de gordura, é fácil de digerir e repleto de componentes que iniciam o desenvolvimento do bebê da melhor forma possível. E, talvez ainda mais importante, tem papel fundamental no desenvolvimento do sistema imunológico do bebê.

O colostro é mais espesso e amarelado do que o leite maduro. Sua composição também é diferente, porque é produzido conforme as necessidades específicas do recém-nascido.

O colostro combate as infecções!

Deixando a proteção do corpo da mãe, o bebê precisa estar preparado para novos desafios no mundo que o cerca. Os glóbulos brancos do colostro produzem anticorpos que neutralizam as bactérias e vírus. Esses anticorpos são especialmente eficazes contra distúrbios digestivos e diarreia, o que é importante para o recém-nascido com intestino ainda imaturo.

Informação nutricional do colostro

A tabela a seguir indica a composição nutricional do colostro e do leite de transição e leite maduro:

Colostro (g/dL) Leite de transição (g/dL) Leite maduro (g/dL)
Proteína 3,1 0,9 0,8
Gordura 2,1 3,9 4,0
Lactose 4,1 5,4 6,8
Oligossacarídeos 2,4 1,3

Durante a amamentação, se a mãe tiver rachadura nos mamilos é normal que saia colostro com sangue mas o bebê pode mamar mesmo assim porque não é prejudicial para ele.

Referências:

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  4. Mitra S, Rennie J. Neonatal jaundice: aetiology, diagnosis and treatment. Br J Hosp Med (Lond). 20172;78(12):699-704.
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Mastite e os cuidados de Enfermagem

Mastite é o nome dado a uma inflamação aguda que ocorre nas glândulas mamárias, que pode ou não evoluir para uma infecção.

Nas mulheres, essa inflamação geralmente se dá na fase do puerpério (período pós-parto), mas pode ocorrer em qualquer fase durante o período da amamentação. Essa inflamação é causada pela ação de vários microrganismos, sendo o Staphylococcus aureus o agente infeccioso em 50% dos casos.

Geralmente a mastite é acompanhada por fatores como ingurgitamento mamário (extração insuficiente de leite pelo bebê), obstrução dos ductos mamários, estresse, fadiga e fissura nos mamilos. Muitos especialistas acreditam que a forma errada com que a mãe segura o bebê no momento da amamentação seja a causa dos ferimentos nos mamilos e ingurgitamento mamário. Uma vez feridos, os mamilos se tornam uma porta de entrada para os microrganismos que podem causar a mastite.

Os sintomas da mastite são: regiões da mama endurecidas, vermelhidão, sensibilidade, dor e inchaço das mamas, seguidos por febre, calafrios, mal-estar, prostração e astenia.

Dependendo do grau da infecção, o médico especialista irá prescrever o tratamento mais adequado. Geralmente há a prescrição de massagens locais para estimular a produção de ocitocina e facilitar a fluidificação do leite. Seguida às massagens, a mãe deverá fazer a ordenha, ingerir muito líquido e manter repouso. Em alguns casos o médico pode prescrever o uso de antitérmicos, analgésicos e antibióticos compatíveis com a amamentação.

Os médicos recomendam que a mãe não pare de amamentar durante a mastite, mesmo se fizer o uso de algum medicamento prescrito. A presença de toxinas dos medicamentos no leite é mínima e não interfere na saúde do bebê. A interrupção das mamadas durante o tratamento pode levar à formação de abcessos, causando problemas psicofisiológicos para a mãe e para o bebê.

A melhor forma de evitar esse tipo de inflamação é segurar o bebê da maneira correta, para que ele consiga sugar maior quantidade de leite sem causar ferimentos nos mamilos, nem ingurgitamento mamário.

Sinais e Sintomas

  • Dor e sensação de febre no peito durante a amamentação (geralmente essa infecção só afeta um seio);
  • Desconforto ou dor na mama;
  • Inchaço do seio;
  • Sensação de febre no seio;
  • Vermelhidão na área afetada (com frequência em formado de meia-lua);
  • Sensação de cansaço ou fadiga;
  • Febre e calafrios.

Cuidados de Enfermagem

Materiais necessários:

  • Bomba para ordenha se necessário;
  • Compressas.
  1. Orientar a mãe a amamentar com maior frequência, iniciar o aleitamento pela mama afetada;
  2. Orientar a boa “pega” do bebê;
  3. Massagear o seio durante a amamentação, da área bloqueada em direção ao mamilo;
  4. Se haver alguma impossibilidade de amamentar, orientar ordenha manual ou utilizar a bomba para ordenha;
  5. Orientar nutrição e hidratação adequadas;
  6. Orientar o companheiro ou acompanhante quanto a importância de um período adequado de descanso da mãe;
  7. Oferecer suporte emocional;
  8. Aplicação de calor local, antes da amamentação, seja por banho morno ou compressas;
  9. Aplicação de compressas frias, após a amamentação ou ordenha, para aliviar a dor e o edema mamário;
  10. Antibioticoterapia e analgesia conforme prescrição médica.

Algumas observações:

  • A produção de leite pode estar afetada na mama comprometida, com diminuição do volume secretado durante vários dias;
  • O sabor do leite materno costuma alterar-se, tornando-se mais salgado, o que pode ocasionar rejeição do leite pela criança. Orienta-se a manutenção da amamentação, já que o esvaziamento adequado da mama, preferencialmente por intermédio de sucção pelo bebê, é o componente mais importante do tratamento;
  • Medidas de prevenção da mastite são as mesmas do ingurgitamento mamário, do bloqueio de ductos lactíferos e das fissuras, bem como seu manejo precoce antes de complicações mais graves.

Referências:

  1. ACADEMY OS BREASTFEEDING PROTOCOL COMITTEE (ABM). Clinical protocol: Mastitis. Breastfeeding Medicine, USA, v.3, n.3, p.177-180, 2014. In: VIDUEDO, A.F.S. Mastite lactacional: registro em evidências. Ribeirão Preto, 2014, p. 29.
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria sw Atebção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas. Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas. Atenção à saúde do recém-nascido: guia para os profissionais de saúde / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas. – Brasília: Ministério da Saúde, 2011. v.4.: il. – ( Série A. Normas e Manuais Técnicas).
  3. __________. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde da criança : aleitamento materno e alimentação complementar / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – 2. ed. – Brasília : Ministério da Saúde, 2015. 184 p. : il. – (Cadernos de Atenção Básica ; n. 23. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_aleitamento_materno_cab23.pdf.

O Aleitamento Materno e seus tipos

Aleitamento Materno

O leite materno é importante para o crescimento e desenvolvimento da criança, trazendo benefícios para a vida toda.

O aleitamento materno possibilita a formação de uma ligação afetiva entre mãe-filho, através do contato físico, o que facilita a união entre eles. A criança pode começar a mamar logo após o nascimento ainda na sala de parto, só trazendo vantagens para a mãe e recém-nascido.

 

O leite materno é livre de impurezas, fresco, disponível na temperatura ideal e facilmente digerido pela criança.Nas primeiras 72 horas após o parto as mamas produzem um leite que é chamado de colostro, é amarelado e grosso, sai em pequenas quantidades. É o que a criança necessita nos primeiros dias de vida, pois contém nutrientes necessários para ela nesta fase.

O colostro também é considerado a primeira vacina do bebê, pois contém anticorpos maternos que vão ajudá-lo a não contrair infecções como sarampo, entre outras, que nesta fase seriam fatais para ele. Também é rico em substâncias que favorecem o crescimento, estimulam o desenvolvimento do intestino do bebê, preparando-o para digerir e absorver o leite maduro, e impedem a absorção de proteínas não digeridas. O colostro é laxativo e auxilia a eliminação do mecônio (primeiras fezes do recém-nascido).

Em uma ou duas semanas, o leite aumenta em quantidade e muda sua aparência e composição. Este é o leite maduro que contém todos os nutrientes necessários para a criança crescer. Ele parece mais ralo que o leite de vaca, o que pode levar a pensar que o leite é fraco. Mas esta aparência aguada é normal, por que ele fornece água suficiente para a criança.

A composição do leite maduro muda durante a mamada. No começo, parece acizentado e aguado, sendo rico em proteína, vitaminas, minerais e água. No fim, parece mais branco do que no começo e contém mais gordura, que vai fornecer energia. A criança necessita tanto do leite do começo quanto do final para poder crescer e desenvolver-se bem. É importante deixar que o bebê pare de mamar espontaneamente, pois se interrompermos a amamentação, podemos fazer com que a criança não receba quantidade suficiente do leite energético.

O aleitamento materno deve ser exclusivo, em livre demanda, até os seis meses de vida, pois o leite fornece tudo que a criança precisa neste período.

Os Tipos de Aleitamento Materno

Aleitamento materno exclusivo – somente LM, direto da mama ou ordenhado, ou leite humano de outra fonte, sem outros líquidos ou sólidos (gotas ou xaropes – vitaminas, sais de reidratação oral, suplementos minerais ou medicamentos);
Aleitamento materno predominante – além do LM, água ou bebidas à base de água (água adocicada, chás, infusões) e sucos de frutas;
Aleitamento materno complementado – além do LM, qualquer alimento sólido ou semi-sólido com a finalidade de complementá-lo, e não de substituí-lo. Nessa categoria a criança pode receber, além do leite materno, outro tipo de leite, mas este não é considerado alimento complementar;
Aleitamento materno misto ou parcial – quando a criança recebe leite materno e outros tipos de leite.
(WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2007a)

 

Algumas Recomendações da Amamentação pelo Ministério da Saúde

A Amamentação deve ser exclusiva nos 6 primeiros meses, sendo continuada até os 2 anos de idade ou mais.