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Revisado e atualizado em 04/09/2026.
Na sala de parto, alguns segundos fazem diferença. Por isso, existe uma confusão que precisa ser eliminada: o Apgar é uma avaliação padronizada da condição do recém-nascido, não um “teste que decide” sozinho se haverá reanimação. As medidas necessárias para estabilizar o bebê devem ser iniciadas conforme a avaliação clínica imediata, sem esperar a pontuação de 1 minuto.
O que significa Apgar?
Criado por Virginia Apgar, o escore avalia cinco aspectos do recém-nascido: Aparência (Appearance), Pulso, Grimace (resposta reflexa), Atividade (tônus muscular) e Respiração. Cada componente recebe 0, 1 ou 2 pontos, totalizando de 0 a 10.
A avaliação é realizada rotineiramente no 1º e no 5º minuto de vida. Se a pontuação permanecer abaixo de 7 aos 5 minutos, a avaliação deve continuar em intervalos de 5 minutos, geralmente até 20 minutos, conforme a situação clínica.
Como calcular a pontuação
| Parâmetro |
0 pontos |
1 ponto |
2 pontos |
| Aparência |
Azul/pálido |
Corpo rosado, extremidades azuladas |
Rosado |
| Pulso |
Ausente |
< 100 bpm |
≥ 100 bpm |
| Resposta reflexa |
Ausente |
Careta |
Tosse, espirro ou resposta vigorosa |
| Atividade |
Flácido |
Alguma flexão |
Movimentos ativos |
| Respiração |
Ausente |
Lenta ou irregular |
Boa respiração/choro |
A interpretação tradicional considera 7–10 pontos como tranquilizadora, 4–6 como moderadamente anormal e 0–3 como baixa aos 5 minutos. Esses números precisam ser interpretados junto com o contexto clínico, idade gestacional, medicamentos maternos e eventuais intervenções realizadas.
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Pegadinha de Prova
O erro que mais cai em prova
Apgar baixo não é sinônimo de asfixia. O escore descreve a condição fisiológica do recém-nascido naquele momento e pode ser influenciado por prematuridade, anestesia ou sedação materna, malformações, trauma e outros fatores.
Da mesma forma, o Apgar não deve ser utilizado isoladamente para prever mortalidade individual ou desfecho neurológico futuro. Um recém-nascido que recebeu ventilação, por exemplo, terá alguns componentes do escore modificados pela própria intervenção; por isso, a documentação deve registrar também as medidas de reanimação realizadas.
Apgar e reanimação não são a mesma coisa
Imagine um recém-nascido que nasce hipotônico, sem respiração adequada e com frequência cardíaca baixa. A equipe não deve esperar completar um minuto para então calcular o Apgar e decidir o que fazer. A avaliação inicial e as intervenções de reanimação acontecem imediatamente; o Apgar é registrado como uma medida padronizada da condição e da resposta ao atendimento.
Outro detalhe importante é a coloração. A descrição clássica do Apgar utiliza a cor da pele, mas a avaliação visual da cianose pode apresentar limitações em diferentes tons de pele. Observar coloração de lábios, mucosas e língua pode ajudar na avaliação de cianose central.
Duas situações que exigem atenção na prática
Situação 1: um recém-nascido apresenta Apgar 5 no primeiro minuto e 8 no quinto. Isso mostra melhora da adaptação ao ambiente extrauterino, mas não significa que a primeira nota tenha sido um diagnóstico de asfixia. O registro deve considerar também o que aconteceu durante esses cinco minutos e quais intervenções foram necessárias.
Situação 2: um bebê recebe ventilação com pressão positiva logo após o nascimento e apresenta melhora progressiva da frequência cardíaca e da respiração. Ao registrar o Apgar, é importante deixar claro que a avaliação ocorreu durante ou após intervenções de reanimação. A nota não deve ser interpretada da mesma maneira que a de um recém-nascido que apresentou respiração espontânea desde o nascimento.
Cuidados de enfermagem
Na assistência ao nascimento, a enfermagem deve participar da avaliação rápida do recém-nascido, manter termorregulação, observar respiração, frequência cardíaca, tônus e resposta aos estímulos, preparar materiais para reanimação quando houver indicação e registrar corretamente horários, escore e intervenções realizadas.
Um cuidado simples evita muitos erros de registro: não anote apenas “Apgar 8/9”. Sempre que possível, documente Apgar no 1º e 5º minuto, condições clínicas observadas e intervenções realizadas, seguindo o protocolo institucional. As diretrizes atuais reforçam a importância de registrar as intervenções associadas à pontuação quando ocorre reanimação.
- O Apgar avalia aparência, pulso, resposta reflexa, atividade e respiração
- Cada componente recebe de 0 a 2 pontos, totalizando até 10
- A avaliação é feita no 1º e 5º minuto e pode ser repetida se permanecer abaixo de 7
- Apgar baixo não diagnostica asfixia e não deve atrasar a reanimação neonatal
Referências:
- APGAR, Virginia. A proposal for a new method of evaluation of the newborn infant. Current Researches in Anesthesia and Analgesia, v. 32, n. 4, p. 260–267, 1953. Disponível em: PubMed – artigo original de Virginia Apgar.
- AMERICAN COLLEGE OF OBSTETRICIANS AND GYNECOLOGISTS; AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS. The Apgar Score. Obstetrics & Gynecology, v. 126, n. 4, p. e52–e55, 2015. Reaffirmed 2025. Disponível em: ACOG – The Apgar Score.
- AMERICAN HEART ASSOCIATION; AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS. Part 5: Neonatal Resuscitation: 2025 American Heart Association and American Academy of Pediatrics Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Pediatrics, 2025. Disponível em: Diretriz AHA/AAP 2025 de reanimação neonatal.
- WEINER, Gary M.; LEE, Henry C. (eds.). Textbook of Neonatal Resuscitation. 9. ed. Itasca: American Academy of Pediatrics, 2025. Disponível em: AAP – Textbook of Neonatal Resuscitation, 9ª edição.
- MERCK MANUAL PROFESSIONAL EDITION. Neonatal Resuscitation. 2025. Disponível em: Merck Manual – Neonatal Resuscitation.
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