Semiologia Dermatológica: Colorações da Pele

semiologia dermatológica é uma das etapas do exame clínico que envolve o reconhecimento das alterações e afecções que acometem a pele.

Além das doenças dermatológicas com acometimento cutâneo exclusivo, há condições dermatológicas com envolvimento sistêmico, ou de outros órgãos, e ainda, doenças metabólicas, endócrinas, hepáticas, neurológicas e neoplásicas, entre outras, com determinadas manifestações cutâneas.

Avaliação

Durante a realização do exame físico, o examinador faz uma avaliação das condições gerais do paciente, e uma análise pouco mais minuciosa de algumas características da pele.

Nesta etapa, a simples observação das modificações da superfície cutânea poderá auxiliar no raciocínio clínico do examinador e, portanto, remeter à prováveis hipóteses diagnósticas. O exame dermatológico (ou, simplesmente, da pele) deve ser realizado com uma iluminação adequada (de preferência, luz natural), e com desnudamento progressivo das partes a serem examinadas.

Os elementos a serem investigados no exame físico geral da pele ou exame dermatológico são os seguintes:

  1. Coloração (alterações de coloração da pele generalizada ou localizada: cianose, palidez, icterícia)
  2. Umidade 
  3. Textura
  4. Temperatura
  5. Turgor
  6. Integridade (ou continuidade) (erosões, úlceras, fissuras, fístulas)
  7. Sensibilidade (hipoestesia, anestesia, hiperestesia)
  8. Espessura (atrofia, infiltração)
  9. Elasticidade (elastose, esclerodermia)
  10. Mobilidade (esclerodermia)
  11. Lesões elementares

COLORAÇÃO

Adicionalmente, a cor da pele determinada pela etnia ou raça, algumas condições fisiológicas ou patológicas irão influir na coloração da pele. A coloração da pele é a primeira observação do exame físico dermatológico.

Pode ser modificada por condições fisiológicas, tal como se observa na exposição ao frio (livedo) ou ao sol (eritema solar), ou ainda por condições patológicas que resultam em palidez por colapso periférico.

Os indivíduos de cor branca e pardo-claros apresentam, em condições normais, uma coloração levemente rósea ou rosada da pele. Esta coloração dada pelo sangue que circula na rede capilar cutânea pode sofrer variações fisiológicas e/ou patológicas.

Já alguns distúrbios da coloração dos indivíduos de pele escura, em especial os negros, são observados com maior dificuldade.

Por exemplo, o escurecimento da pele pode ser observado nos indivíduos de pele branca que foram expostos ao sol (bronzeamento); ou na doença de Addison e hemocromatose, que são distúrbios endócrinos que afetam a produção melanina e o metabolismo do ferro, respectivamente.

  • Palidez: é conceituada como sendo uma atenuação ou desaparecimento da cor rósea da pele. Deve ser avaliada com a luz natural, pois, as iluminações artificiais podem influenciar na sua identificação. Por meio de semiotécnica simplificada, o examinador deve pesquisar a palidez na pele em toda a extensão da superfície cutânea, incluídas as mucosas e as regiões palmoplantares, onde é possível a identificação mais acurada da palidez em negros. A comparação entre áreas simétricas complementa a avaliação da palidez, que pode ser classificada em três formas distintas: generalizada, localizada ou segmentar.
  • Palidez generalizada: traduz uma diminuição das hemácias circulantes nas microcirculações cutânea e subcutânea. Pode ser decorrente da redução real das hemácias circulantes, como nas anemias e perdas sanguíneas, pois, a hemoglobina‚ é a responsável, em última instância, pela coloração rósea da pele. Ou por um segundo mecanismo, relacionado a uma vasoconstrição generalizada secundária aos estímulos vasoativos, neurogênicos ou hormonais (crises de feocromocitoma, emoções).
  • Palidez localizada ou segmentar é explicada, fisiologicamente, por uma isquemia no território afetado. Partindo deste princípio, uma palidez restrita ao membro inferior direito, possivelmente, se apresenta como principal causa de uma obstrução da artéria femoral. Uma manobra de avaliação clínica do fluxo sanguíneo através da pele pode auxiliar na investigação deste tipo de palidez. O examinador deve pressionar o polegar de encontro ao osso esterno durante alguns segundos, com a finalidade de expulsar o sangue que flui naquela área. Em seguida, retira-se o dedo abruptamente e observa o tempo necessário para que a pele recém-pressionada retorne à sua coloração rósea. Em condições normais, o tempo‚ é inferior a um segundo.
  • Eritema (eritrose ou vermelhidão): Como a própria nomenclatura já sugere, significa um exagero da coloração rósea da pele, indicando, na maioria das vezes, um aumento da quantidade de sangue na rede vascular cutânea, quer seja por conta de uma vasodilatação ou, aumento de sangue propriamente dito.
  • Eritema generalizado pode ser observado em pacientes febris, indivíduos demasiadamente expostos ao sol, estados policitêmicos, infecções virais (dengue, zika, chikungunya) e bacterianas (escarlatina), afecções inflamatórias (farmacodermia) e neoplásicas (linfoma cutâneo).
  • Eritema localizado pode ter um caráter fugaz (quando depende de um fenômeno vasomotor: ruborização do rosto por emoção, “fogacho” do climatério”) ou ser duradouro (eritema palmar constitucional ou por hepatopatia crônica).
  • Eritema Vs: Hiperemia: Hiperemia, basicamente, é a vasodilatação em uma região ou tecido do organismo, ocorrendo o aparecimento de vermelhidão (eritema) e calor. O eritema seria então a consequência de uma hiperemia, e pode ser causada por um processo inflamatório (levando aos sinais cardinais: rubor, calor, edema e dor), por uma exposição excessiva ao sol (levando à queimadura de primeiro grau), por alergias ou por substâncias medicamentosas incompatíveis. O eritema pode ser considerado como o congestionamento local de sangue. Ainda, o eritema pode ser diferenciado de exantema e púrpura ao pressionarmos a região: no eritema, a vermelhidão some e retorna em seguida, já no exantema ou púrpura, esse “apagamento” da vermelhidão não ocorre.
  • Fenômeno de Raynaud. É uma alteração cutânea que depende das pequenas artérias e arteríolas das extremidades e que resulta em modificações da coloração. Inicialmente, se observa a palidez, a seguir, a extremidade torna-se cianótica, e o episódio termina com uma vermelhidão da área. Trata-se de um fenômeno vasomotor que pode ser deflagrado por várias causas (Lúpus eritematoso sistêmico, Esclerodermia sistêmica, Tromboangeíte obliterante, costela cervical e compressão dos vasos subclávios).
  • Cianose: é o termo que significa uma coloração azulada da pele e, ocorre quando a hemoglobina reduzida alcança no sangue valores superiores a 5g% g% (normal em torno de 2,6 g%). A cianose não é detectável até que a saturação de oxigênio no sangue seja menor que 85%. É menos prontamente detectável se a anemia estiver presente, e mais facilmente vista na policitemia. A sua pesquisa deve ser mais minuciosa nas seguintes regiões: face, ao redor dos lábios, ponta do nariz, lóbulos das orelhas, extremidades das mãos e dos pés (leitos ungueais e polpas digitais). Pode ser classificada em generalizada e localizada e graduada em leve, moderada e intensa.
  • Icterícia: é o termo que designa uma coloração amarelada da pele, mucosas e escleróticas resultantes do acúmulo de bilirrubina no sangue. A icterícia deve ser distinguida de outras condições em que a pele, mas não as mucosas, podem tomar coloração amarelada: uso de certas drogas que impregnam a pele (quinacrina), alimentos ricos em carotenos (cenoura, mamão, tomate).

UMIDADE

A apreciação da umidade começa na inspeção, mas o método deve ser acrescido da palpação com as polpas digitais e com a palma da mão. Por meio da sensação tátil, pode se avaliar a umidade da pele com alguma precisão e se observar variações da umidade normal.

A pele seca revela ao tato uma sensação especial. É encontrada, com maior frequência, em pessoas idosas, em algumas dermatopatias crônicas (esclerodermia, ictiose), no mixedema, na avitaminose A, na insuficiência renal crônica, desidratação. A redução da temperatura nos pacientes febris leva à pele com umidade aumentada ou pele sudorenta.

TEXTURA

Significa trama ou disposição dos elementos que constituem um tecido e são sensíveis ao tato. A textura da pele é avaliada por meio do deslizamento das polpas digitais sobre a superfície cutânea, sendo possível constatar uma das seguintes condições:

Textura normal, aquela encontrada em condições normais, é a que desperta uma sensação própria que a prática vai firmando.

Pele lisa ou fina representa a redução dos constituintes da pele, e é frequente em condições fisiológicas nas pessoas idosas, ou patológicas, que levam à atrofia da pele, como na síndrome de Cushing.

Pele áspera é observada em indivíduos expostos às intempéries, ao sol e que trabalham em atividades rudes, tais como, lavradores e pescadores. Ainda pode ser vista em algumas afecções como mixedema e dermatopatias.

Pele enrugada ocorre em indivíduos que emagrecem rapidamente, ou ainda, quando se elimina um edema.

INTEGRIDADE

Integridade ou continuidade cutânea é o termo que refere a uma ausência de lesão de sua superfície. Portanto, qualquer alteração da pele, seja por erosões, úlceras, fissuras culmina em alterar a continuidade da pele. É um tema complexo, que será descrito adiante, no tópico “Lesões Elementares”.

ESPESSURA

É avaliada por meio do pinçamento de uma dobra cutânea com o polegar e indicador, e somente da camada mais superficial da pele. Esta manobra deve ser feita em várias e diferentes regiões, tais como, antebraço, tórax e abdome. As seguintes condições podem ser observadas:

Pele de espessura normal; Pele atrófica, que é acompanhada de textura lisa ou fina, certa translucidez que permite ver a rede venosa superficial, comum nos idosos e em algumas dermatoses; Pele hipertrófica ou espessa‚ vista em indivíduos expostos ao sol, que apresentam elastose decorrente da desorganização e aumento das fibras elásticas de sustentação.

A esclerodermia é uma doença imune-mediada do tecido conjuntivo, na qual o espessamento cutâneo é uma alteração relevante da doença.

TEMPERATURA

A temperatura da pele e a corporal nem sempre são equivalentes. Para avaliar a temperatura da pele, utiliza-se a face dorsal das mãos ou dos dedos, comparando-se com o lado homologo de cada segmento examinado.

A temperatura da pele é variável, e de acordo com a região anatômica a ser pesquisada. Um aumento da temperatura em nível articular pode indicar um processo inflamatório subjacente.

ELASTICIDADE

Elasticidade é capacidade da pele de se estender quando tracionada; e a mobilidade é a sua capacidade de se movimentar sobre planos profundos subjacentes. Por meio semiotécnico simples, se faz o pinçamento uma prega cutânea com o polegar e o indicador, e em seguida, uma certa tração.

As seguintes condições podem ser observadas: Elasticidade normal; Elasticidade aumentada como ocorre, por exemplo, na síndrome de Ehlers-Danlos, uma doença que afeta as fibras elásticas da pele e de outros órgãos; Elasticidade diminuída ocorre na esclerodermia.

MOBILIDADE

A sua avaliação pode ser realizada por meio da palma da mão, que deve se posicionar sobre a superfície que se quer examinar. A movimentação para todos os lados revela a capacidade da pele em deslizar sobre as estruturas profundas (ossos, articulações e músculos).

As seguintes condições podem ser observadas: Mobilidade normal; Mobilidade diminuída ou ausente ocorre na esclerodermia, elefantíase, infiltrações neoplásicas próximas a pele; Mobilidade aumentada se faz presente na síndrome de Ehlers-Danlos

TURGOR

É facilmente avaliado por meio do pinçamento com o polegar e o indicador, neste caso, a pele e o tecido subcutâneo devem ser englobados. É dito normal, quando o examinador aprecia uma sensação de pele “suculenta”, ou seja, que, ao ser solta, a prega se desfaz rapidamente.

Isto indica que o conteúdo de água está normal e, portanto, a pele está hidratada. Já a sua diminuição é traduzida por uma prega que se desfaz lentamente, podendo indicar desidratação ou desnutrição.

SENSIBILIDADE

É uma etapa comum no exame dermatológico e neurológico. As alterações representam distúrbios neurológicos observados como complicações da hanseníase e do diabetes.  É avaliada nos padrões de sensibilidade térmica, tátil e dolorosa.

  • Sensibilidade tátil pode ser investigada com um chumaço de algodão, ou mais minuciosamente com estesiometro, filamentos de nylon de diversas espessuras, em áreas suspeitas do corpo e pontos específicos das regiões palmo-plantares.
  • Sensibilidade térmica pode ser avaliada com dois tubos de ensaios, um com água quente e, outro, com água fria.
  • Sensibilidade dolorosa pode ser avaliada por meio de uma agulha estéril, em regiões do corpo que compreenda, no mínimo, áreas suspeitas e extremidades. A sua diminuição (hipoalgesia/anestesia) ou aumento (hiperalgesia) podem ocorrer em diversas condições patológicas.

Referências:

  1. SEIDEL H.M; BALL J.W; BENEDICT G.W. Mosby Guia de Exame Físico. 6. ed. Rio de Janeiro, 2007.
  2. SOUZA, B.F. Manual de Propedêutica Médica. 2. ed. Rio de Janeiro. São Paulo: Livraria Atheneu, 1985.
  3. SWARTZ M.H. Tratado de Semiologia Médica. 5. ed. Rio de janeiro. Elsevier, 2006.
  4. ARGENTE, A.H. ALVAREZ, E.M. Semiologia Médica. 3ª ed. Panamericana, 2021.
  5. LE BLOND, F.R. et al. De Gowin’s. Diagnostic Examination. 10th ed. McGraw Hill, 2015.
  6. DENNIS, M. et al. Mechanisms of Clinical Signs. Elsevier, 2012.
  7. DOUGLAS, G. NICOL and F. ROBERTSON, C. Macleod’s Clinical Examination. 12 ed. Elsevier, 2011.
  8. FORTIN, A.H et al. Patient-Centered Interviewing – An Evidence-Based Method. 3th ed. McGraw Hill, 2012.
Notícias da Enfermagem

Aula de Enfermagem usa simulação realística para detectar infecções na pele

No Laboratório de Semiologia e Semiotécnica, alunos do 5º período de Enfermagem do Campus Arapiraca participam de aula prática para detecção de hanseníase ou outras infecções da pele. A chamada simulação realística faz os alunos vivenciarem situações reais, o que facilita o aprendizado e motiva a participação de todos. A aula das professoras Andreivna Serbin […]

Dermatomiosite

Segundo a National Organization for Rare Disorders, dermatomiosite é um tipo de miopatia inflamatória caracterizada por alterações inflamatórias e degenerativas dos músculos e da pele. Os sintomas associados e os achados físicos podem variar muito de caso para caso, pois os pacientes podem apresentar-se de forma diferente.

As miopatias inflamatórias são um grupo de doenças que envolvem inflamação muscular crônica e fraqueza. Acredita-se que sejam doenças autoimunes, o que significa que as defesas naturais do corpo (anticorpos, linfócitos, etc.) contra organismos invasores de repente começam a atacar tecidos perfeitamente saudáveis por razões desconhecidas, levando a inflamação ou inchaço.

Causas

Conforme a The Muscular Dystrophy Association, a causa da dermatomiosite ainda é desconhecida. No entanto, fatores genéticos, imunológicos, infecciosos e ambientais foram considerados.

Anormalidades imunológicas são comuns em pacientes com dermatomiosite. Pacientes frequentemente têm autoanticorpos circulando. A atividade anormal de células T pode estar envolvida na origem da doença da pele e da doença muscular. Além disso, os familiares podem manifestar outras doenças associadas à autoimunidade.

Agentes infecciosos também têm sido sugeridos como possíveis gatilhos de dermatomiosite:

  • Vírus (por exemplo: parvovírus, ecovírus, vírus linfotrópico de células T humanas tipo 1 [HTLV-1], HIV)
  • Espécies de toxoplasma
  • Espécies de Borrelia

Casos de dermatomiosite induzida por drogas já foram relatados. Os agentes que podem desencadear a doença incluem:

  • Estatinas
  • Penicilamina
  • Drogas do fator de necrose anti-tumor
  • Interferon
  • Ciclofosfamida
  • Vacina BCG
  • Quinidina

Sinais e Sintomas

O envolvimento cutâneo pode se manifestar da seguinte forma:

  • Erupção predominantemente em superfícies foto-expostas;
  • Prurido de lesões cutâneas, às vezes intensas o suficiente para perturbar o sono;
  • Eritema (rubor da pele ocasionado pela vasodilatação) no meio da face;
  • Erupção ao longo das margens das pálpebras, com ou sem edema;
  • Erupção no dorso das mãos, particularmente sobre os dedos;
  • Alterações na pele entre as unhas e dedos;
  • Erupção na parte externa das coxas superiores;
  • Couro cabeludo escamoso ou queda de cabelo.

O componente cutâneo da dermatomiosite é exacerbado pela luz solar e outras fontes de luz ultravioleta, o que também pode exacerbar o componente muscular.

A doença muscular pode ocorrer simultaneamente, pode preceder a doença da pele, ou pode seguir a doença da pele por semanas a anos. O envolvimento muscular se manifesta como o seguinte:

  • Fraqueza muscular nos músculos que se encontram mais próximo do tronco
  • Fadiga/fraqueza muscular ao subir escadas, andar, subir de uma posição sentada, pentear o cabelo ou pegar itens acima dos ombros
  • Tensão muscular: Pode ocorrer, mas não é uma característica típica de dermatomiosite.

As manifestações sistêmicas que podem ocorrer incluem as seguintes:

  • Distúrbios sistêmicos gerais (febre, dor nas articulações, mal-estar, perda de peso)
  • Disfagia devido ao envolvimento do músculo esquelético esofágico
  • Refluxo gastresofágico devido ao envolvimento muscular liso do esôfago
  • Disfonia
  • Defeitos atrioventriculares, taquiarritmias, cardiomiopatias dilatadas
  • Úlceras gastrointestinais e infecções, mais comuns em crianças
  • Envolvimento pulmonar devido à fraqueza dos músculos torácicos
  • Calcinose (deposição de sais de cálcio embaixo da pele, músculos, tendões ou tecido gorduroso)
  • As crianças na primeira infância também podem desenvolver uma marcha na ponta dos pés secundária à contratura de flexão dos tornozelos.

Como é diagosticado?

O diagnóstico para dermatomiosite pode incluir exames laboratoriais e por imagem (por exemplo, ressonância magnética, radiografia torácica, ultrassonografia, eletromiografia, tomografia computadorizada), bem como biópsia muscular e de pele e outros testes conforme apropriado.

A eletromiografia (EMG) é um meio de detectar inflamação e dano muscular, sendo útil na seleção de um local de biópsia muscular.

A tomografia do tórax, abdômen e pélvis é útil na avaliação de possíveis malignidades que podem estar associadas à dermatomiosite.

Em pacientes adultos com dermatomiosite, a avaliação da malignidade deve ser realizada após o diagnóstico inicial e repetida pelo menos anualmente por 3 anos. O risco de malignidade aumenta com a idade.

Como é tratado?

O componente muscular é tratado administrando corticosteroides, tipicamente com um agente imunossupressor. A doença da pele é tratada evitando a exposição solar usando protetores solares e roupas fotoprotetoras, bem como com corticosteroides tópicos, agentes antimaláricos e medicamentos imunomodulatórios como metotrexato.

O cuidado cirúrgico geralmente é desnecessário. Alguns pacientes podem se beneficiar da remoção cirúrgica de áreas focais de calcinose, particularmente quando doloroso. A internação é necessária para pacientes com dermatomiosite fulminante, com envolvimento muscular e/ou dos órgãos internos.

Para casos refratários, o uso de globulina imune intravenosa de alta dose mensal (IVIG) por 6 meses tem se mostrado benéfico a curto prazo.

Alguns Cuidados

O repouso na cama pode ser valioso para aqueles com inflamação grave dos músculos.

Em pacientes com fraqueza muscular, um programa de fisioterapia é útil para ajudar a prevenir as contraturas que podem complicar a doença quando os pacientes não movem totalmente suas articulações. A prática também é recomendada, a fim de manter a força muscular, mesmo durante o curso da doença muscular ativa.

Uma dieta equilibrada é importante para pessoas com dermatomiosite. Pacientes com inflamação muscular grave podem precisar de proteína extra para equilibrar sua perda.

Para pacientes com disfagia e/ou refluxo gastroesofágico, a elevação da cabeça de sua cama e evitar comer antes de dormir são úteis. Essas manobras simples podem evitar pneumonia por aspiração. Em alguns casos, a alimentação por sonda nasogástrica é necessária para aumentar o insumo calórico.

Referência:

  1. BMJ Best Pratice

Mancha Mongólica

As Manchas Mongólicas são um acúmulo irregular de melanócitos, ou seja, de células que possuem melanina, o pigmento responsável por dar a cor para a pele. Essas marcas podem ser observadas na zona lombar e nas nádegas e, por vezes, em outras áreas, incluindo a parte superior das costas, os ombros, os braços e as pernas.

Ao longo da história, alguns mitos relacionavam as manchas mongólicas à indicação de doenças. Mas, essas marcas de nascença não oferecem nenhum risco à saúde do bebê, apesar de serem semelhantes a hematomas, elas são totalmente inofensivas.

Existe tratamento para a Mancha Mongólica?

As manchas mongólicas nos bebês não necessitam de tratamento médico. Isso porque, essas manchas apresentam regressão espontânea.  Dessa forma, as manchas mongólicas costumam desaparecer por volta dos 2 ou 3 anos de idade.

Porém, há casos em que elas persistem até a vida adulta e por isso são chamadas de manchas mongólicas persistentes. Mas esse fato não as torna marcas relacionadas a doenças específicas.

Além disso, vale lembrar que as manchas podem ter tamanhos distintos, em média entre de 2 a 10 centímetros de largura. Somado a isso, as manchas mongólicas não possuem nenhum tipo de textura diferente da pele, não coçam ou causam dor.

Quais os cuidados necessários no local da Mancha Mongólica?

A pele dos bebês que possuem manchas mongólicas não precisa de cuidados especiais. Porém, na primeira infância a pele da criança é sensível e imatura, ou seja, irrita-se facilmente. Por isso, é necessário maior cuidado e atenção contra agentes agressores, como: calor, frio, insetos e até produtos de higiene.

  • Dicas de cuidados com a pele do bebê:

  1. Escolha sabonetes e produtos para o banho formulados especificamente para a pele do bebê: hipoalergênicos, neutros e testados dermatologicamente;
  2. Hidrate o corpo e o rosto do bebê com creme ou loção hidratante sem perfume ou adição de substâncias irritantes. Mas, para isso, é indicado consultar o pediatra ou dermatologista
  3. Os óleos de massagem também devem ser específicos para bebês.
  4. Troque as fraldas do bebê regularmente, isso evita bastante o aparecimento de assaduras;
  5. Escolha produtos sem álcool e perfume para serem utilizados nas trocas de fraldas;
  6. Se utilizar pomadas para prevenção de assaduras, prefira as livres de Petrolato;
  7. A proteção solar deve ser feita através de da limitação de exposição ao sol para crianças menores de 6 meses. Já para bebês maiores de 6 meses, é indicado o uso de protetor solar adequado para a idade;
  8. Assim como o uso de protetor solar, os repelentes são indicados para crianças maiores de 6 meses desde que indicado para o público infantil.

Por fim, é sempre importante que a criança seja acompanhada por um médico pediatra. No caso das Manchas Mongólicas, a avaliação adequada pode atestar a normalidade da marca, mas também pode apontar para outras causas relacionadas a doenças na pele do bebê.

Referência:

  1. Almeida, José Roberto Paes de, Alchorne, Mauricio Mota de Avelar e Rozman, Mauro AbrahãoIncidence of skin conditions in neonates born at a public hospital associated with some variables in pregnant women at risk. Einstein (São Paulo) [online]. 2010, v. 8, n. 2 [Acessado 19 Maio 2022] , pp. 143-148. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S1679-45082010AO1504&gt;. ISSN 2317-6385. https://doi.org/10.1590/S1679-45082010AO1504.
Notícias da Enfermagem

FCecon realiza curso de prevenção e tratamento de lesões de pele

A equipe de Enfermagem da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), unidade vinculada à Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), recebeu um curso de prevenção e tratamento de lesões de pele, nesta sexta-feira (24/06), com o intuito de aumentar a qualidade dos atendimentos. O curso foi promovido pela Comissão de […]

Enxerto de Pele

O enxerto cutâneo ou de pele é um procedimento cirúrgico realizado em situações onde ocorre a perda da pele, seja em sua camada superficial (epiderme) ou intermediária (derme).

Esse processo é caracterizado pela remoção de uma porção de tecido de uma área saudável do corpo, realocando-a sobre a parte lesionada. Indicada para casos em que o ferimento não tem perspectiva de melhora apenas com curativos, essa medida reduz a área exposta, diminui a probabilidade de contaminação e desidratação da área afetada e acelera o processo de cicatrização.

Os motivos mais comuns que levam o paciente a necessitar desse procedimento são acidentes, feridas cirúrgicas, ulcerações vasculares, retirada de tumores de pele e queimaduras profundas.

Tipos de Enxerto

  • Enxerto de pele total: caracteriza-se pela presença da epiderme e a total espessura da derme.
  • Enxerto de pele parcial: caracteriza-se pela preservação da derme na área doadora, possibilitando assim a reepitelização da mesma, por meio das células epiteliais procedentes dos sistemas pilossebáceos e das glândulas sudoríparas remanescente na área doadora.
  • Enxertos compostos: consistem em uma porção intacta contendo toda epiderme e a derme, com um componente adicional de gordura ou cartilagem. Ex: enxerto condrocutâneo (pele conectada a uma das faces da cartilagem), enxerto condrobicutâneo (pele conectada a ambas a face da cartilagem), enxerto dermogorduroso (derme com tecido gorduroso).
  • Autoenxerto: quando o doador e o receptor são o mesmo indivíduo.
  • Homoenxerto ou aloenxerto: quando o doador e o receptor são indivíduos diferentes, porém da mesma espécie. Ex: curativo biológico (utilizado de forma temporária).
  • Isoenxerto: quando o doador e o receptor são indivíduos diferentes, porém, geneticamente idênticos. Ex: gêmeos univitelinos.
  • Xenoenxerto: quando o doador e o receptor são indivíduos de espécies diferentes. Ex: curativo biológico (pele de porco utilizada em seres humanos).

Para cuidados de Enfermagem relacionado a pós procedimento de enxertia, clique neste link para acessar o POP HU.USFC

Referências:

  1. CARVALHO, Ana Filipa Represas. ENXERTOS CUTÂNEOS – APLICAÇÕES EM CIRURGIA DERMATOLÓGICA . Trabalho final do 6ºano médico com vista à atribuição do grau de mestre, 2015. Faculdade de Medicina, Universidade de Coimbra.
  2. LOFÊGO JA et. al.. Enxertia de pele em oncologia cutânea. An Bras Dermatol. . Vol.5. 465-472, 2006
  3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CIRURGIA DERMATOLÓGICA. Enxertos e retalhos. Disponível em: https://www.sbcd.org.br/procedimentos/cirurgicos/enxertos-e-retalhos/. Acesso em 30 Abr 2021

Esponja Para Banho no Leito

O Mercado Hospitalar sempre inova com tecnologias que facilitam o cuidado ao paciente, acamado em âmbito hospitalar e domiciliar.

Atualmente, há produtos com tecnologias inovadoras ao banho do paciente, que permitem a facilidade e a não utilização de produtos pessoais convencionais, oferecendo suporte com produtos próprios e com Ph correto para a pele do paciente.

E a Esponja para Banho no leito é uma dessas inovações.

Ela é impregnada com gel dermatológico pH 5.5, que ao entrar em contato com água, o mesmo se desprende formando espuma.

Indicação de Uso

Indicada para higienização pessoal em várias condições, a esponja de banho possui ênfase em pacientes acamados ou com restrição de mobilidade. Esta característica permite ao profissional de saúde oferecer o banho no leito com maior praticidade e agilidade, reduzindo o tempo gasto para o banho.

esponja de banho para acamados limpa, hidrata, suaviza e ativa a circulação, eliminam células mortas, evita contágio por bactérias e fungos, evita a desidratação da pele, sendo indicado para qualquer tipo de pele.

Outras Indicações:

  • Para higiene pessoal, facilita o banho de pessoas acamadas ou com restrição de mobilidade;
  • Duas esponjas são suficientes para o banho: uma para a região genitoanal e outra para o restante do corpo.

Do que é confeccionada?

  • Confeccionada em poliéster, macia, altamente absorvente e isenta de impurezas;
  • Cada unidade mede aproximadamente 18cm x 12cm e 0,5cm de espessura;
  • pH: 5.5

Como utilizar estas esponjas?

Deve umedecer parcialmente a esponja com água morna, retirar o excesso de água, ensaboar a pele do paciente suavemente, enxaguar ou retirar o excesso de espuma com uma toalha, conforme necessidade, secar.

Alguns cuidados:

  • Verifique a integridade da embalagem antes de usar. Não utilizar se a embalagem estiver violada, danificada ou molhada;
  • Inspecione a esponja antes do uso. Se apresentar algum tipo de dano, rasgo, sujidade não utilizar;
  • Produto de uso único, descartar após o uso. O descarte deve seguir as normas de biossegurança para lixo hospitalar;
  • Este produto se destina à higiene corporal. Indicada para todos os tipos de pele;
  • Em caso de irritação da pele, suspender o uso;
  • Não utilizar em feridas com tecido vitalizado. Não utilizar em mucosa;
  • A esponja reage com a água liberando o sabonete formando espuma;
  • Use quantidades reduzidas de água para não liberar todo o sabonete de uma só vez;
  • Avalie atentamente a região a ser higienizada para decidir pelo enxague ou não;
  • O enxague é se necessário. Podendo ser removido o excesso de espuma com uma toalha úmida e posterior secagem com uma toalha seca;
  • Fazer a higienização da pele com delicadeza e suavidade, não é necessário aplicar força ou pressão para remover qualquer sujidade;
  • A esponja deve ser trocada entre a lavagem da cabeça, dos membros, tronco e genitais;
  • Considerar o uso de EPI adequado para o procedimento de higienização corporal;
  • Não há contraindicações conhecidas.

Veja também:

Os Tipos de Banho em Pacientes Hospitalares

Referência:

  1. Kolplast

Conheça os Tipos de Lesões de Pele (Cutâneas)!

As Lesões de pele ou Lesões Cutâneas são interrupções da integridade cutâneo-mucosa que resultam no desequilíbrio da saúde, muitas vezes impedindo ou dificultando atividades básicas do dia a dia, como locomoção e convivência. As lesões de pele são organizadas em diversas classificações e, por isso, exigem tratamentos diferenciados.

As Lesões Primárias

As Lesões primárias são as características físicas de uma doença cutânea que surgem logo no início e são mais úteis para determinar o diagnóstico diferencial. As características típicas das lesões primárias incluem a verificação de elas serem planas ou erguidas, sólidas ou cheias de líquido, de cor escura ou clara, grandes ou pequenas, lisas ou grosseiras.

Máculas

Máculas são lesões planas e não palpáveis, em geral com diâmetro < 10 mm. As máculas representam alteração da cor, não são elevadas ou deprimidas, se comparadas com a superfície da pele.

Placa é uma grande mácula. Os exemplos incluem efélides, nevos planos, tatuagens, manchas em vinho do porto e exantemas devido à infecção por riquétsias, rubéola, sarampo (pode ter pápulas e placas) e algumas erupções alérgicas por fármacos.

Pápulas

Pápulas são lesões elevadas, em geral com diâmetro < 10 mm e que podem ser sentidas ao tato ou à palpação. Os exemplos abrangem nevos, verrugas, líquen plano, picadas de inseto, queratoses seborreicas e actínicas, algumas lesões de acne e câncer de pele.

O termo “maculopapular” é frequentemente impreciso e usado de maneira imprópria para descrever diversos exantemas eritematosos da pele; por ser inespecífico e facilmente mal empregado, esse termo deve ser evitado.

Bolhas

São lesões com diâmetro > 10 mm, contendo líquido claro. Podem ser causadas por queimaduras, picadas, dermatite de contato irritativa ou alérgica e reações a fármacos.

As doenças bolhosas autoimune clássicas compreendem o pênfigo vulgar e o penfigoide bolhoso. As bolhas também podem surgir em doenças hereditárias que apresentam fragilidade cutânea.

Placas

São lesões palpáveis, em geral com diâmetro > 10 mm, que podem ser elevadas ou deprimidas, se comparadas à superfície cutânea. Podem ser arredondadas e com superfície plana. As lesões de psoríase e granuloma anular geralmente formam placas.

Pústulas

São vesículas que contêm pus. São comuns em infecções bacterianas e foliculites, podendo ser encontradas em algumas doenças inflamatórias, como na psoríase pustulosa.

Vesículas

São bolhas pequenas contendo líquido claro, com diâmetro < 10 mm. São características de infecções herpéticas, dermatite de contato alérgica aguda e algumas doenças bolhosas autoimunes (p. ex., dermatite herpetiforme).

Nódulos

São pápulas firmes ou lesões que se estendem na derme ou no tecido subcutâneo. São exemplos os cistos, lipomas e fibromas.

Urticárias (urticas ou vergões)

É caracterizada por lesões elevadas causadas por edema localizado. Pápulas são pruriginosas e vermelhas. Urticas são manifestações frequentes de hipersensibilidade a fármacos, picadas ou espinhos, autoimunidade e, menos comumente, por estímulos físicos, como temperatura, pressão e luz solar.

Em geral, as doenças bolhosas típicas duram < 24 h.

Escamas

São acúmulos sobrepostos do epitélio córneo, observados em doenças como psoríase, dermatite seborreica e infecções fúngicas. A pitiríase rósea e as dermatites crônicas de qualquer tipo podem ser descamativas.

Crostas

São formadas por soro, sangue ou pus dessecados. Podem ocorrer em doenças cutâneas inflamatórias ou infecciosas (p. ex., impetigo).

Erosões

São áreas abertas da pele, consequentes à perda de parte ou de toda a epiderme. Erosões podem ser por traumas ou ocorrer em várias doenças cutâneas inflamatórias ou infecciosas. Escoriação é uma erosão linear causada por coçadura, atrito ou escoriação.

Úlceras

São causadas pela perda da epiderme e às vezes parte da derme. As causas observadas incluem dermatite por estase venosa, trauma físico com ou sem comprometimento vascular (p. ex., causado por úlcera de decúbito ou doença arterial periférica), infecções e vasculites.

Petéquias

São pontos focais não branqueados da hemorragia. As causas incluem anormalidades plaquetárias (trombocitopenia, disfunção plaquetária), vasculites e infecções (p. ex., meningococcemia, febre maculosa das Montanhas Rochosas e outras riquetsioses).

Púrpura

É uma área maior de hemorragia que pode ser palpável. A púrpura palpável é considerada como um sinal da vasculite leucocitoclástica. Pode ser indício de uma coagulopatia. Equimoses ou contusão representam extensas áreas de púrpura.

Atrofia

É o adelgaçamento da pele cujo aspecto pode ser xerótico e enrugado, lembrando papel de cigarro. A atrofia pode ser causada por exposição crônica ao sol, envelhecimento e algumas doenças cutâneas inflamatórias e/ou neoplásicas, incluindo linfoma de linfócitos T e lúpus eritematoso. Muitas vezes decorre também do uso prolongado de corticoides tópicos potentes.

Cicatrizes

São áreas de fibrose que substituem a pele normal após um ferimento. Algumas cicatrizes tornam-se hipertróficas ou espessadas e elevadas. Queloides são cicatrizes hipertróficas que se estendem além da margem original do ferimento.

Telangiectasias

São pequenos vasos sanguíneos permanentemente dilatados que podem ocorrer em áreas de dano solar, rosácea, doenças sistêmicas (especialmente esclerodermia), doenças hereditárias (p. ex., ataxia-telangiectasia, telangiectasia hemorrágica hereditária) ou após tratamento a longo prazo com corticoides fluorados tópicos.

Verrugas

Um pequeno caroço carnudo na pele ou na membrana mucosa causado pelo papilomavírus humano.

Eczemas

O eczema é uma inflamação aguda ou crônica na pele que gera sintomas como coceira, inchaço e vermelhidão, podendo ser causado por uma alergia. Esta doença de pele não tem cura mas pode ser controlada com o tratamento indicado pelo dermatologista.

Escoriações

Escoriação significa uma falta substancial da pele, que atinge a derme. É uma lesão discreta, resultante de um trauma por abrasão linear ou com pequenas manchas, pontos ou depressões.

Referências:

  1. MSD Manuals

Hiperemia: O que é?

hiperemia é um aumento da quantidade de sangue circulante num determinado local, ocasionado pela dilatação arterial, pelo número de vasos sanguíneos funcionais, ou por congestão.

Hiperemia Ativa

Aumento da vermelhidão (eritema) na área afetada. A dilatação arteriolar e arterial dá-se por mecanismos neurogênicos simpáticos e liberação de substâncias vasoativas.

É provocada por contração arteriolar com aumento do fluxo sanguíneo local. A vasodilatação é de origem simpática ou humoral e leva à abertura de capilares “inativos”, o que resulta na coloração rósea intensa ou vermelha do local atingido e no aumento da temperatura. Ao microscópio, os capilares encontram-se repletos de hemácias.

A hiperemia ativa pode ser:

  • Fisiológica: Quando há necessidade de maior irrigação, como ocorre nos músculos esqueléticos durante o exercício, na mucosa gastrointestinal durante a digestão, na pele em ambiente quentes;
  • Patológico: Quando acompanha inúmeros processos patológicos, principalmente as inflamações crônicas, agressões térmicas e traumatismo.

Hiperemia Passiva

Hiperemia passiva ou congestão possui uma coloração azul-avermelhada intensificada nas áreas afetadas, de acordo com o acúmulo de sangue venoso. Esta coloração aumenta quando há um aumento da concentração de hemoglobina não-oxigenada no sangue.

Decorre da redução da drenagem venosa, que provoca distensão das veias distais, vênulas e capilares; por isso mesmo, a região comprometida adquire coloração vermelho-escura devido à alta concentração de hemoglobina desoxigenada. Pode ser localizada (obstrução de uma veia) ou sistêmica (insuficiência cardíaca).

Congestão pode ser causada por obstrução extrínseca ou intrínseca de uma veia (compressão do vaso, trombose, torsão de pedículo vascular etc.) ou por redução do retorno venoso, como acontece na insuficiência cardíaca.

Na insuficiência cardíaca esquerda ou casos de estenose ou insuficiência mitral, surge congestão pulmonar; na insuficiência cardíaca direita, há congestão sistêmica.

Na congestão aguda, os vasos estão distendidos e o órgão é mais pesado; na crônica, o órgão pode sofrer hipotrofia e apresentar micro-hemorragias antigas. As hiperemias passivas mais importantes são as dos pulmões, do fígado e do baço.

Quais são as diferenças entre um ERITEMA e uma HIPEREMIA?

Eritema tem a ver com uma lesão fundamental que se caracteriza como uma bolha ou vesícula se for de conteúdo líquido e por uma pápula ou nódulo se for conteúdo indeterminado consistente, apresenta bordas avermelhadas por isso eri= vermelho.

Hiperemia é uma resposta fisiológica do organismo a um agente irritante, e consiste no aumento da permeabilidade vascular e aumento do número de vasos funcionais no local irritado causando uma micro hemorragia local no intuito de liberar mediadores químicos para desativar o agente irritante. Hiper=muito, hemia=sangue.

Sem querer confundir: pode-se dizer que, nas bordas do eritema existe uma hiperemia.

Vitiligo: A Importância da Enfermagem no apoio psicossocial ao paciente

Vitiligo

Vitiligo é uma doença não-contagiosa em que ocorre a perda da pigmentação natural da pele. Sua etiologia ainda não é bem compreendida, embora o fator autoimune pareça ser importante. Contudo, estresse físico, emocional, e ansiedade são fatores comuns no desencadeamento ou agravamento da doença. Patologicamente, o vitiligo caracteriza-se pela redução no número ou função dos melanócitos, células localizadas na epiderme responsáveis pela produção do pigmento cutâneo — a melanina. A doença pode surgir em qualquer idade, sendo mais comum em duas faixas etárias: 10 a 15 anos e 20 a 40 anos.

Essa despigmentação ocorre geralmente em forma de manchas brancas (hipocromia) de diversos tamanhos e com destruição focal ou difusa. Pode ocorrer em qualquer segmento da pele, inclusive na retina (olhos). Os locais mais comuns são a face, mãos e genitais. Os pelos localizados nas manchas de vitiligo se tornam esbranquiçados. O local atingido fica bastante sensível ao sol, podendo ocorrer sérias queimaduras caso exposto ao sol sem protetor, conferindo um risco para o desenvolvimento de câncer de pele.

Há 3 teorias principais para porque ocorre o vitiligo:

  • As células pigmentares são lesadas por células nervosas;
  • Reação imunológica autoimune contra as células pigmentares (o corpo destruiria o seu próprio tecido, que é percebido como estranho);
  • Teoria autotóxica – as células pigmentares são autodestrutivas;

Outras hipóteses sugerem que o vitiligo possa ser devido:

  1. À deficiência de um fator de crescimento melanócito não identificado;
  2. Um defeito intrínseco da estrutura e função do retículo endoplasmático rugoso em melanócitos de vitiligo;
  3. Anormalidades em um suposto receptor de melatonina ou melanócitos;
  4. Uma quebra da defesa contra radicais livres na epiderme;
  5. Um déficit na produção de biopterina que possa levar à biossíntese desregulada de catecolaminas;
  6. Uma perda de melanócitos devida a melanocitorragia;
  7. Uma desregulação do apoptose melanocítica;
  8. Uma infecção viral (Citomegalovírus – CMV).

O Apoio Psicossocial e os Tratamentos

As pessoas acometidas pelo vitiligo em geral, sofrem impactos psicossociais que desequilibram o organismo, trazendo alterações físicas, emocionais e sociais. É notório a importância da equipe de enfermagem na assistência psicoterapêutica e equilíbrio emocional.

O tratamento do vitiligo pode ser realizado com esteroides utilizados com o objetivo de remover as manchas brancas, porém não são muito eficientes. Outra forma de tratamento, essa mais agressiva, é o tratamento químico usado para remover todo o pigmento da pessoa, deixando assim a pele uniforme.

Podem ser utilizados ainda a foto quimioterapia com componentes psoralênicos e subsequente exposição à radiação UVA (PUVA), a terapia oral com metoxipsoralen na dose de 0,4mg/kg de peso, a terapia tópica com metoxipsoralen na concentração de 0,1%, a terapia combinada, com a retirada da epiderme associada à indução de bolhas para introdução do enxerto associada à Puva terapia, assim como os corticoides tópicos usados como terapia adjuvante à Puva.

Podemos ainda destacar a terapia cirúrgica, a micropigmentação, pseudocatalase, helioterapia, radiação ultravioleta B, extrato de placenta humana, Kellin (Kuva), fenilalanina tópica e sistêmica, antioxidantes, imunomoduladores e a despigmentação.