Pontos Dolorosos no Abdômen

Os pontos dolorosos no abdômen são regiões específicas da parede abdominal que, quando pressionadas, podem indicar a presença de alguma patologia em órgãos internos. A avaliação desses pontos é fundamental para o diagnóstico clínico, auxiliando o médico a identificar a possível causa da dor abdominal.

Importante: A identificação de um ponto doloroso não é um diagnóstico definitivo. Apenas um médico pode realizar um diagnóstico preciso após uma avaliação completa, incluindo anamnese, exame físico e, em alguns casos, exames complementares.

Região Epigástrica

  • Ponto xifoide: Localizado no processo xifoide do esterno. Dor nesse ponto pode indicar problemas no estômago, esôfago ou coração.
  • Ponto epigástrico: Centro da região epigástrica. Dor nessa região pode indicar problemas no estômago, duodeno ou pâncreas.
  • Ponto piloro-duodenal: Localizado à direita da linha média, cerca de 3 cm acima do umbigo. Dor nesse ponto pode indicar problemas no piloro ou duodeno.

Região Umbilical

  • Ponto de Morris: Localizado entre o umbigo e a espinha ilíaca anterossuperior direita. Dor nesse ponto é classicamente associada à apendicite.
  • Ponto de MacBurney: Localizado aproximadamente 2/3 do caminho entre o umbigo e a espinha ilíaca anterossuperior direita. Também é um ponto importante na avaliação da apendicite.

Flancos e Hipogástrio

  • Ponto cístico: Localizado no ângulo formado pela borda inferior do rebordo costal direito e a borda externa do músculo reto abdominal. Dor nesse ponto pode indicar colecistite (inflamação da vesícula biliar).
  • Ponto de Desjardins: Localizado na linha hemi-clavicular direita, na interseção com a 12ª costela. Dor nesse ponto pode indicar colecistite.
  • Ponto ureteral superior: Localizado na interseção da linha bi-ilíaca com a borda externa do músculo reto abdominal. Dor nesse ponto pode indicar cólica renal.
  • Ponto de Lecene: Localizado na linha hemi-clavicular esquerda, na interseção com a 12ª costela. Dor nesse ponto pode indicar pielonefrite (infecção do rim).
  • Ponto de Lanzmann: Localizado na linha bi-ilíaca, na interseção com a borda externa do músculo reto abdominal. Dor nesse ponto pode indicar apendicite retrocecal.
  • Ponto de Lyan: Localizado na linha hemi-clavicular esquerda, na interseção com a crista ilíaca. Dor nesse ponto pode indicar diverticulite do sigmoide.
  • Ponto de Lothlissen: Localizado na linha bi-ilíaca, na interseção com a linha média. Dor nesse ponto pode indicar apendicite retrocecal.
  • Ponto ureteral inferior: Localizado na borda externa do músculo reto abdominal, 5 cm acima da sínfise púbica. Dor nesse ponto pode indicar cólica renal.
  • Ponto de Jalaguier: Localizado na borda externa do músculo reto abdominal, no ponto médio da linha que une a espinha ilíaca anterossuperior à sínfise púbica. Dor nesse ponto pode indicar apendicite pélvica.
  • Ponto de Lanz: Localizado na borda externa do músculo reto abdominal, 2 cm acima da sínfise púbica. Dor nesse ponto pode indicar cistite (inflamação da bexiga).

Observação: Para uma melhor compreensão, recomendo que você consulte um atlas de anatomia humana ou um livro de semiologia médica!

Referência:

  1. Zakka, T. M., Teixeira, M. J., & Yeng, L. T.. (2013). Dor visceral abdominal: aspectos clínicos. Revista Dor, 14(4), 311–314. https://doi.org/10.1590/S1806-00132013000400015

Tesoura Spencer

A Tesoura Spencer é utilizada principalmente para a remoção de suturas. Essas tesouras têm uma pequena ponta em forma de gancho em uma lâmina que desliza sob suturas para levantá-las levemente antes de cortar para remoção.

Este gancho também segura a sutura para que não escorregue da lâmina da tesoura antes do corte.

Indicação de Uso

Para remoção de sutura, ideal para a retirada de pontos, possui uma delicada cavidade para prender e cortar o fio de sutura, de forma atraumática para o paciente.

Utilizado em cirurgias em geral.

Cuidados com a Tesoura Cirúrgica

O principal cuidado com as tesouras para cirurgia é com relação a assepsia. Em geral, as tesouras são feitas em aço inoxidável, material que torna a limpeza mais fácil, além de durar mais. Por isso, seja através da esterilização ou desinfecção, é importante realizar a limpeza corretamente.

Esse processo é fundamental para proteger a vida dos pacientes. A esterilização é um processo feito para acabar com a vida microbiana presente no instrumento. Fazer esse procedimento de maneira incorreta pode fazer com que o equipamento seja usado contaminado e gerar danos fatais.

Referência:

  1. https://www.lojaprolab.com.br/tesoura-spencer-79679#:~:text=A%20Tesoura%20Spencer%20%C3%A9%20utilizada,da%20tesoura%20antes%20do%20corte.

Os Tipos de Pontos Cirúrgicos (Suturas)

Sutura, mais conhecida como pontos cirúrgicos, são ligações utilizadas por médicos, dentistas e médicos veterinários em pele, mucosas, músculos, vasos sanguíneos e órgãos com a finalidade de mantê-los unidos ou fechados, dependendo do local suturado, depois de serem seccionados cirurgicamente ou por um ferimento.

É de grande importância ressaltar que os fios de sutura, no geral, são reconhecidos pelo organismo como corpos estranhos, desencadeando algum tipo de reação local. Todavia, cada tipo de fio exibe uma particularidade, variando de intensidade de reação.

Sobre os Tipos

Os fios de sutura podem ser classificados como:

  • Absorvíveis: estes, por meio de determinados processos do organismo, serão absorvidos e, deste modo, desaparecerão do local onde foram suturados. Este processo varia em tempo e modo de absorção, de acordo com o fio utilizado.
  • Não-absorvíveis ou inabsorvíveis: o tipo de material utilizado nesse tipo de fio não pode ser absorvido pelo organismo, permanecendo no local onde foi colocado por tempo indefinido ou até sua remoção mecânica.

Com relação aos tipos de suturas, estas podem ser de dois tipos:

  • Interrompidas: neste tipo os nós são atados e os fios cortados depois de uma ou duas passagens nos tecidos.
  • Contínuas: neste tipo de sutura, é feito um nó no início, o fio não é cortado, estendendo o ponto de origem por diversas passadas pelos tecidos, sendo que o fio só é cortado em seguida ao nó final.

Já com relação à aparência das bordas, são classificas do seguinte modo:

  • Aposição: neste caso, as bordas se encostam, no mesmo plano.
  • Eversão: há um maior contato entre as bordas, que se viram, originado uma crista invertida.
  • Inversão: neste tipo de sutura, a borda da ferida volta-se para dentro, originando uma invaginação.
  • Sobreposição: neste caso, uma borda se sobrepõe a outra.

No caso das suturas interrompidas, os nós são entidades independentes, sendo que o rompimento de um nó (ponto) não compromete a integridade dos outros, mas quando ocorre, causa alterações em toda a linha de sutura.

As suturas contínuas utilizam menos material, quando comparada com as suturas interrompidas, o que resulta em uma menor quantidade de material de sutura nos nós e reduz o tempo de cirurgia, além de promoverem um melhor fechamento ao ar e água. Contudo, este tipo de sutura também apresenta algumas desvantagens, como:

  • Maior tempo para atar os nós;
  • Maior quantidade de material depositado nas feridas cirúrgicas;
  • Menor controle da tensão e a possibilidade de rompimento;
  • Não é ideal para algumas partes do organismo devido a habilidade de inverter ou everter as bordas.

Dentre ambos os tipos de suturas já citadas, existem variações. No caso das suturas interrompidas, encontram-se:

  • Sutura interrompida simples;
  • Sutura horizontal em “U” (Wolff);
  • Sutura vertical em “U” (Donatti);
  • Sutura em “X” ou cruzado;
  • Tensão moderada e aposição;
  • Jaquetão;
  • Sutura em oito.

Já no caso das suturas contínuas, temos:

  • Sutura contínua simples ou sutura de Kurschner;
  • Sutura contínua de Lembert;
  • Sutura festonada;
  • Sutura de colchoeiro ou “U” contínua;
  • Sutura intradérmica ou subcutânea;
  • Suturas de tensão;
  • Sutura de Gambee;
  • Sutura de Schimieden;
  • Sutura de Cushing não contaminante;
  • Sutura de Parker-Kerr;
  • Sutura de Bünner.

Veja Também:

Lâminas de Bisturis: Tipos e Indicações

Fios de Suturas: Tipos e Indicações

Entenda um pouco sobre os Tempos Cirúrgicos

Referências:

  1. Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Deiscência Vs Evisceração

Deiscência Evisceração

Chamamos de DEISCÊNCIA a abertura espontânea de suturas cirúrgicas. É uma separação das bordas dos tecidos que foram unidos por pontos, que ocorre durante o período pós-operatório.

A deiscência total de uma ferida abdominal, por exemplo, pode levar à evisceração com saída de estruturas (órgãos como o intestino ou às extrusões de próteses). Nas deiscências parciais onde a pele permanecer íntegra, este evento poderá levar ao desenvolvimento de hérnias incisionais tardias. Quando não devidamente diagnosticadas ou não corrigidas levam à formação de hérnias posteriores.

As cirurgias contaminadas e infectadas são propensas às infecções e consequentemente à deiscência; incisões longitudinais são também mais susceptíveis de ruptura que as transversas. Está também associada à deficiência de vitaminas, entre elas a vitamina C [ácido ascórbico] e tratamento com algumas drogas. Estudos revelam que pacientes que fazem uso crônico de corticoides, quando submetidos a procedimento cirúrgico, apresentam pele com comportamento distinto dos demais doentes e respondem ao processo regenerativo de forma diferente. A deiscência geralmente ocorre nos primeiros dias de pós-operatório.

Na maior parte das vezes a complicação só se torna clinicamente óbvia entre o 5º, e o 10º dia, quando, após a retirada dos pontos, a pele se abre espontaneamente como um “zíper”. A evisceração é precedida pela eliminação de secreção sero sanguinolenta. É comum observa-se ausência de processo inflamatório típico nas bordas da incisão nas cicatrizações normais.

IMPORTANTÍSSIMO: a Deiscência de sutura é uma complicação particularmente grave, não acontece só em cirurgias que envolvem a pele, mas podem acontecer em suturas de anastomoses intestinais, articulações, etc. Ela pode ser parcial em toda a sua extensão de ou total.

EM TERMOS LEIGOS, VAMOS EXPLICAR!

Quando o cirurgião geral faz uma cirurgia no abdome, por exemplo, o médico terá que abrir várias camadas de tecido até chegar à cavidade abdominal, onde se encontram os órgãos.

A ordem de abertura será a seguinte:

  1. Pele;
  2. Subcutâneo;
  3. Músculo;
  4. Aponeurose;
  5. Peritônio.

Dependendo do local do corte, pode ter mais ou menos camadas; este exemplo é de uma laparotomia convencional, que é o ato de abrir a barriga com um corte no meio, verticalmente, usado em cirurgias de emergência. Após trabalhar na cavidade, o médico precisa “fechar a barriga”. Ele o fará reconstituindo todas as camadas antes abertas com pontos, começando pela mais interna e terminando com a pele (que são os “pontos” que a gente vê externamente).

Os fios cirúrgicos são de diferentes materiais; a escolha irá depender do tipo de tecido que o fio vai estar em contato (se é músculo ou aponeurose ou subcutâneo ou pele ou outros) e da força necessária para manter os tecidos unidos, até que o organismo “cicatrize”. Ocorre “deiscência” se em alguma dessas camadas o fio romper ou “afrouxar”.

Isso pode acontecer por várias razões, entre as quais:

  1. Infecção;
  2. Condições que possam aumentar a pressão interna na barriga, fazendo com que fique “forçando os pontos” (por exemplo, ascite (água dentro do peritônio), tosse excessiva, falta de ar…);
  3. Má técnica ou fios inadequados. A depender da camada em que ocorreu a deiscência, ela pode ser mais superficial (se for à pele) ou interna (se for às camadas mais profundas), podendo levar à formação de hérnias, que são complicações clássicas das deiscências.

DEU PARA ENTENDER?

CAUSAS PROVAVÉIS DA FALHA DE CICATRIZAÇÃO E ABERTURA DE SUTURAS

  • Infecção;
  • Desnutrição: hipoproteinemia (regimes com dietas mal orientadas);
  • Idade avançada;
  • Uremia;
  • Diabetes;
  • Uso de corticoides;
  • Hipóxia;
  • Má técnica cirúrgica de sutura (fechamento da ferida operatória), suturas muito apertadas, poucos pontos de suturas, suturas muito frouxas;
  • Tabagismo;
  • Tosse e vômitos incoercíveis;
  • Esforço físico precoce;
  • Outros.

TRATAMENTO

  • Diagnóstico precoce e controle médico responsável, informando ao paciente e familiares das condutas que o caso requer;
  • Reconduzir imediatamente o paciente para sala operatória, a fim de proceder a ressutura e as medidas de maiores interesses;
  • Manter o paciente clinicamente estável e iniciar todas as medidas preventivas contra infecção, controle da glicose etc., oxigenioterapia;
  • Ativar protocolo de condutas de rotina específica para o caso;
  • Proceder cirurgicamente de acordo com as técnicas adequadas para esta eventualidade.