Antiagregantes Plaquetários: O Que São e Como Eles Defendem o Coração e o Cérebro

Os antiagregantes plaquetários fazem parte de um grupo de medicamentos utilizados para prevenir a formação de trombos (coágulos sanguíneos). Eles desempenham um papel fundamental no tratamento e prevenção de doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, como infarto agudo do miocárdio (IAM), acidente vascular cerebral (AVC) e tromboses arteriais.

Para compreender seu funcionamento, é importante reconhecer que as plaquetas são células responsáveis pela coagulação inicial após uma lesão vascular. Quando ativadas, elas se agregam e formam um tampão plaquetário. Contudo, em doenças aterotrombóticas, essa agregação pode ser excessiva e obstruir vasos, impedindo o fluxo sanguíneo. É nesse ponto que entram os antiagregantes.

Como atuam os antiagregantes plaquetários?

Esses medicamentos atuam em pontos específicos da via de ativação plaquetária, impedindo que essas células se agreguem. Cada classe interfere em uma etapa diferente, variando conforme o receptor ou substância que inibe. Em geral, eles podem:

  • Bloquear receptores específicos da plaqueta;
  • Inibir substâncias que estimulam a agregação;
  • Impedir a ligação do fibrinogênio às plaquetas;
  • Aumentar o AMP cíclico, reduzindo a ativação plaquetária.

Sem causar dissolução do coágulo já formado (diferente dos trombolíticos), eles apenas evitam que novos coágulos sejam produzidos.

O Mecanismo de Ação: Bloqueando a Agregação

As plaquetas precisam de sinais químicos para se “ativar” e se “colar” umas nas outras. Os antiagregantes atuam bloqueando essas vias de sinalização, evitando que o coágulo patológico se forme.

As Classes de Antiagregantes Plaquetários

Os medicamentos antiagregantes são divididos em classes distintas, baseadas no alvo específico que bloqueiam nas plaquetas:

Inibidores da Ciclo-Oxigenase (COX)

Esta é a classe mais antiga e conhecida, liderada pelo icônico Ácido Acetilsalicílico.

  • O Medicamento Principal: Ácido Acetilsalicílico (AAS) ou Aspirina.
  • Mecanismo: O AAS inibe irreversivelmente a enzima Ciclo-Oxigenase-1 (COX-1) nas plaquetas. Ao bloquear essa enzima, ele impede a produção de Tromboxano A2 (TXA₂), uma substância potente que causa vasoconstrição e é um poderoso ativador e agregador plaquetário.
  • Uso: É o medicamento base na prevenção primária e secundária de eventos cardiovasculares e cerebrovasculares.
  • Cuidados de Enfermagem: Monitorar sinais de sangramento gastrointestinal (melena, hematêmese) e o uso concomitante com outros AINEs, que podem reduzir o efeito do AAS.

Inibidores do Receptor P2Y12 (Tienopiridinas)

Esta classe é fundamental para a chamada Terapia Antiplaquetária Dupla (DAPT), geralmente usada após stents coronarianos.

  • O que fazem: Bloqueiam o receptor de superfície P2Y12 das plaquetas. Este receptor é ativado pelo Adenosina Difosfato (ADP) e, quando ativado, é crucial para a agregação plaquetária. Ao bloquear o P2Y12, o ADP não consegue “ligar” as plaquetas.
  • Medicamentos Comuns: Clopidogrel, Prasugrel e Ticagrelor.
  • Cuidados de Enfermagem: O Clopidogrel é um pró-fármaco que precisa ser ativado pelo fígado, sendo menos potente em alguns pacientes. O Ticagrelor não é um pró-fármaco (age mais rápido) e frequentemente causa dispneia (falta de ar) como efeito colateral, o que deve ser orientado ao paciente para evitar pânico.

Inibidores de Glicoproteína IIb/IIIa (GP IIb/IIIa)

São os mais potentes e são reservados para uso hospitalar e situações agudas (como durante um cateterismo cardíaco de emergência).

  • O que fazem: Bloqueiam o receptor final e comum a todas as plaquetas, a Glicoproteína IIb/IIIa (GP IIb/IIIa). Este receptor é o ponto onde as plaquetas se ligam ao fibrinogênio (uma proteína de coagulação), formando a “ponte” final do coágulo. Bloquear esse receptor é como cortar todas as pontes de ligação.
  • Medicamentos Comuns: Abciximabe, Eptifibatide, Tirofiban.
  • Uso: Infusão intravenosa em UTI ou sala de hemodinâmica.
  • Cuidados de Enfermagem: Exigem monitoramento de sangramento em tempo real. Pela sua potência, o risco de hemorragias graves é elevado.

Inibidores de Fosfodiesterase (PD)

  • O que fazem: Aumentam os níveis de cAMP intracelular (um mensageiro que inibe a agregação) e causam vasodilatação.
  • Medicamento Comum: Cilostazol.
  • Uso: Principalmente para tratar a Claudicação Intermitente (dor nas pernas ao caminhar, causada por doença arterial periférica).

Cuidados de Enfermagem com Antiagregantes Plaquetários

O papel da enfermagem no manejo desses medicamentos é indispensável, especialmente pela vigilância de riscos hemorrágicos. Entre os cuidados essenciais:

Avaliação do risco de sangramento

É fundamental monitorar:

  • Presença de hematomas;
  • Sangramento gengival ou nasal;
  • Sangue nas fezes ou urina;
  • Vômitos com sangue ou escurecidos.

Monitoramento laboratorial

Embora os antiagregantes não alterem diretamente o tempo de coagulação como os anticoagulantes, exames podem ser solicitados para controle de trombose e reações adversas.

Atenção ao uso associado

Associá-los a anticoagulantes, AINES ou outros fármacos pode aumentar o risco de sangramento. A enfermagem deve sempre verificar prescrições e possíveis interações.

Orientação ao paciente

Pacientes precisam ser orientados a:

  • Não interromper o uso sem autorização médica;
  • Relatar sangramentos incomuns;
  • Evitar automedicação com AINES;
  • Informar o uso antes de cirurgias ou procedimentos invasivos.

Os antiagregantes plaquetários representam uma linha importante de cuidado preventivo e terapêutico para doenças trombóticas. Conhecer suas classes, mecanismos de ação e riscos permite ao profissional de enfermagem atuar de maneira segura, eficaz e colaborativa com a equipe multiprofissional. A vigilância contínua e a educação do paciente são pontos-chave para o uso adequado dessas medicações.

Referências:

  1. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA (SBC). Diretrizes Brasileiras de Antiagregantes Plaquetários e Anticoagulantes. Disponível em: https://www.portal.cardiol.br/. (Buscar as últimas diretrizes publicadas pela SBC). 
  2. RANG, H. P. et al. Farmacologia. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016. (Consultar os capítulos sobre coagulação e farmacologia cardiovascular).
  3. BRUNNER, L. S.; SUDDARTH, D. S. Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 13. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.
  4. RANG, H. P.; DALE, M. M. Farmacologia. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.
  5. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. Diretrizes sobre Antiplaquetários e Anticoagulantes. 2021. Disponível em: https://www.sboc.org.br. Acesso em: 20 nov. 2024.
  6. GOLAN, D. E. Farmacologia: Fundamentos. 6. ed. São Paulo: Artmed, 2020.

Controle de Hemorragia Externa

Encontrar alguém com um sangramento intenso pode ser assustador, mas manter a calma e saber como agir nos primeiros momentos é crucial.

Para nós, futuros profissionais de enfermagem, dominar as técnicas de controle de hemorragia externa a nível de primeiros socorros é uma habilidade essencial que pode fazer toda a diferença entre a vida e a morte. Vamos juntos desmistificar o tema e aprender como intervir de forma eficaz?

A Urgência da Situação: Por Que Controlar o Sangramento é Prioridade

Quando ocorre um sangramento externo significativo, o corpo perde sangue rapidamente. Essa perda pode levar a uma diminuição perigosa do volume sanguíneo, comprometendo a oxigenação dos órgãos vitais e evoluindo para um choque hipovolêmico, uma condição grave que pode ser fatal.

Por isso, o controle da hemorragia externa é uma das prioridades máximas nos primeiros socorros. Agir rápido e corretamente pode estabilizar a vítima até a chegada de ajuda médica especializada.

A Primeira Linha de Defesa: Compressão Direta – Simples, Mas Poderosa

A técnica mais básica e, na maioria das vezes, a mais eficaz para controlar uma hemorragia externa é a compressão direta sobre o ferimento. A ideia é simples: aplicar pressão diretamente no local do sangramento para tentar estancar o fluxo sanguíneo.

Como fazer:

  1. Proteja-se: Se possível, utilize luvas descartáveis para evitar o contato direto com o sangue da vítima e se proteger de possíveis contaminações. Se não houver luvas, utilize um saco plástico limpo ou peça para a própria vítima pressionar o ferimento, caso ela esteja consciente e capaz.
  2. Exponha o ferimento: Remova ou corte as roupas ao redor da área lesionada para visualizar o local exato do sangramento.
  3. Aplique pressão: Utilize um pano limpo, gaze ou até mesmo a mão (se não houver mais nada disponível) para pressionar firmemente sobre o ferimento. A pressão deve ser contínua e direta no ponto onde o sangue está saindo.
  4. Mantenha a pressão: Não alivie a pressão até que o sangramento pare ou até que a equipe de emergência chegue e assuma os cuidados. Se o pano ficar encharcado de sangue, não o remova. Coloque outro pano limpo por cima e continue pressionando.
  5. Eleve o membro: Se a lesão for em um braço ou perna, eleve o membro acima do nível do coração da vítima, enquanto mantém a compressão direta. A elevação ajuda a diminuir a pressão sanguínea na área ferida, auxiliando no controle do sangramento.

Quando a Compressão Direta Não Basta: Compressão Indireta ou Pontos de Pressão

Em alguns casos, a compressão direta pode não ser suficiente para controlar um sangramento arterial intenso, especialmente em membros. Nesses casos, podemos recorrer à compressão indireta ou à aplicação de pressão em pontos de pressão. Esses pontos são artérias principais que irrigam a área ferida e que podem ser comprimidas contra um osso, interrompendo ou diminuindo o fluxo sanguíneo para a lesão.

Pontos de pressão importantes:

  • Artéria Braquial: Localizada na parte interna do braço, entre o cotovelo e a axila. Para comprimi-la, pressione com os dedos contra o osso úmero. É utilizada para controlar sangramentos no braço e na mão.
  • Artéria Femoral: Localizada na virilha. Para comprimi-la, pressione com a base da palma da mão ou com o punho cerrado contra o osso pélvico. É utilizada para controlar sangramentos na perna e no pé.

Como fazer:

  1. Localize o ponto de pressão: Identifique a artéria correta, seguindo as referências anatômicas.
  2. Aplique pressão: Pressione firmemente a artéria contra o osso subjacente. A pressão deve ser forte o suficiente para diminuir ou interromper o pulso na artéria distal à compressão e, consequentemente, reduzir o sangramento.
  3. Mantenha a pressão: Continue pressionando o ponto de pressão enquanto mantém a compressão direta sobre o ferimento, se possível, até que o sangramento seja controlado ou a ajuda especializada chegue.

A Última Opção: Torniquete – Uso Cauteloso em Casos Extremos

O torniquete é um dispositivo que interrompe completamente o fluxo sanguíneo para um membro. Seu uso é reservado para situações de hemorragia grave e com risco imediato de morte, quando a compressão direta e a compressão indireta não foram eficazes ou não são possíveis (por exemplo, em amputações traumáticas ou sangramentos múltiplos e severos no mesmo membro).

Importante: O torniquete é uma medida extrema e pode causar danos graves ao membro se aplicado por tempo prolongado. Seu uso deve ser considerado como último recurso e apenas quando a vida da vítima está em risco iminente devido à perda de sangue.

Como improvisar um torniquete (se um torniquete comercial não estiver disponível):

  1. Utilize um pano resistente: Escolha um tecido forte e largo (pelo menos 5 cm de largura), como uma tira de roupa, um cinto ou um pedaço de lençol. Evite materiais finos que possam cortar a pele.
  2. Posicione acima do ferimento: Coloque o pano cerca de 5 a 7,5 cm (dois a três dedos) acima do local do sangramento, entre o ferimento e o tronco (ou a articulação mais próxima, se o ferimento estiver próximo a ela).
  3. Amarre firmemente: Dê duas voltas apertadas com o pano ao redor do membro e faça um nó simples.
  4. Utilize um bastão para torcer: Coloque um bastão resistente (um galho, uma caneta grossa, uma chave de fenda) sobre o nó e amarre-o com as pontas do pano.
  5. Torça até estancar o sangramento: Gire o bastão até que o sangramento pare completamente.
  6. Fixe o bastão: Prenda o bastão no lugar para que não se desenrole.
  7. Marque o horário: É crucial anotar o horário exato em que o torniquete foi aplicado e informar essa informação à equipe de emergência.

Cuidados importantes com o torniquete:

  • Não afrouxe o torniquete: Uma vez aplicado, o torniquete só deve ser removido por profissionais de saúde qualificados. Afrouxá-lo pode liberar toxinas e agravar o choque.
  • Mantenha o torniquete visível: Não cubra o torniquete com roupas ou curativos.
  • Informe a equipe de emergência: Comunique imediatamente a aplicação do torniquete e o horário em que foi realizado.

O Papel Crucial da Enfermagem nos Primeiros Socorros

Embora estejamos focando nas técnicas de primeiros socorros, é importante lembrar que, como futuros profissionais de enfermagem, nosso conhecimento e habilidades vão muito além da intervenção inicial. Nosso papel inclui:

  • Educação da comunidade: Ensinar a população sobre as medidas básicas de controle de hemorragia.
  • Avaliação e tratamento avançado: Ao chegarmos ao local ou recebermos a vítima, realizaremos uma avaliação completa, identificando a causa e a gravidade da hemorragia, e implementaremos medidas mais avançadas para estabilização e tratamento.
  • Cuidados pós-hemorragia: Monitorar sinais de choque, avaliar a perfusão tecidual, administrar fluidos e hemoderivados conforme a prescrição médica, e cuidar das feridas para prevenir infecções.
  • Suporte emocional: Oferecer apoio emocional à vítima e seus familiares durante e após o evento traumático.

Dominar as técnicas de controle de hemorragia externa nos primeiros socorros é um passo fundamental em nossa jornada como profissionais de saúde. Estar preparados para agir em situações de emergência pode salvar vidas e minimizar sequelas.

Lembre-se: a calma, a rapidez e a aplicação correta das técnicas são seus maiores aliados.

Referências:

  1. AMERICAN COLLEGE OF SURGEONS. ATLS: Advanced Trauma Life Support Student Manual. 10th ed. Chicago: American College of Surgeons, 2018. 
  2. NATIONAL ASSOCIATION OF EMERGENCY MEDICAL TECHNICIANS (NAEMT). PHTLS: Prehospital Trauma Life Support. 9th ed. Burlington, MA: Jones & Bartlett Learning, 2018.
  3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR (SOBRAP). Diretrizes Nacionais de Atendimento Pré-Hospitalar. [S. l.]: SOBRAP, 2016. (Consultar seção sobre hemorragias). Disponível em: https://sobraponline.com.br/diretrizes/

Hematoma Subdural Vs Epidural

Uma das diferenças entre hematoma subdural e epidural é a localização do sangramento.

Entenda as diferenças

O hematoma subdural ocorre quando há acúmulo de sangue entre a dura-máter e as membranas aracnoides, que são camadas que revestem o cérebro.

O hematoma epidural ocorre quando há acúmulo de sangue entre a dura-máter e o crânio.

Essa diferença se deve ao tipo de vaso sanguíneo que se rompe em cada caso.

No hematoma subdural, geralmente são veias de baixa pressão que se rompem, enquanto no hematoma epidural, geralmente são artérias de alta pressão que se rompem .

Outra diferença é a velocidade de formação e evolução dos hematomas. O hematoma epidural se forma rapidamente, pois o sangue arterial flui com mais força e comprime o cérebro.

O hematoma subdural se forma mais lentamente, pois o sangue venoso flui com menos força e demora mais para causar sintomas . Por isso, o hematoma epidural costuma causar um quadro clínico mais grave e urgente do que o hematoma subdural.

Além disso, os hematomas subdurais e epidurais têm formas diferentes na tomografia computadorizada (TC) de crânio, que é o exame usado para diagnosticá-los.

O hematoma epidural tem uma forma de lente biconvexa, limitada pelas suturas do crânio. O hematoma subdural tem uma forma de meia-lua, que pode se expandir por todo o espaço subdural .

O tratamento dos hematomas subdurais e epidurais depende da gravidade dos sintomas, do tamanho e da localização dos hematomas. Em alguns casos, pode ser necessário realizar uma cirurgia para drenar o sangue e aliviar a pressão no cérebro .

Referência:

  1. Lacerda, F. H., Rahhal, H., Soares, L. J., Ureña, F. del R. M., & Park, M.. (2017). Seguimento de hematoma epidural intracraniano com ultrassonografia bidimensional. Revista Brasileira De Terapia Intensiva, 29(2), 259–260. https://doi.org/10.5935/0103-507X.20170036

Lóquios Pós-Parto

Os lóquios são perdas, inicialmente de sangue e, numa segunda fase, de outros tecidos também, o que faz com que mudem a sua aparência. Os lóquios começam imediatamente depois do parto e podem prolongar-se até ao final do puerpério, os clássicos 40 dias depois do nascimento.

Imediatamente após a fase de expulsão do bebê, o útero contrai-se e coloca-se na zona situada em cima do umbigo. Entre 10 a 15 dias depois do parto, o útero já fica ao nível da púbis e, no final do puerpério, já recuperou as suas dimensões normais. O peso do útero também muda: se, quando o bebê nasce, pesa cerca de um quilo, depois de 40 dias volta aos 60-90 gramas de sempre.

Mas a que se deve esta mudança? As responsáveis são as células musculares do útero que reduzem o seu volume, diminuem de número e alisam-se produzindo as perdas que recebem o nome de lóquios.

Quais são as causas dos lóquios?

Os lóquios ou perdas de sangue são provocados por três fenômenos:

  • A expulsão da placenta, o órgão que forneceu oxigênio e nutrientes ao feto durante a gravidez. No ponto do útero onde estava presa a placenta forma-se uma ferida que começa a sangrar. Por isso, vão para esta zona uma grande quantidade de glóbulos brancos de modo a formarem uma barreira de defesa face aos possíveis germes que poderiam provocar uma infeção na ferida. À medida que se forma este escudo protetor, as perdas de sangue produzidas pela ferida vão-se reduzindo. Este processo costuma terminar em cerca de quatro semanas após o parto. Não obstante, não se trata de um processo normal de cicatrização mas sim de uma reconstrução dos tecidos. Se sobre o ponto em que estava presa a placenta se formasse uma cicatriz, no futuro não seria possível a implantação de um novo óvulo fecundado.
  • A eliminação da capa que reveste o útero durante a gravidez constitui o segundo elemento responsável pela existência de lóquios. Esta capa é composta por um tecido abundante que, com a sua presença, torna o útero um lugar acolhedor para o feto e que é expulso na maior parte no momento do parto. A capa mais profunda deste tecido elimina-se lentamente produzindo os lóquios.
  • A destruição por lise de parte das fibras do útero, quando termina a gestação, dá lugar a parte dessa secreção chamada lóquios.

Os tipos de Lóquios

A cor desses lóquios se modificam durante puerpério. Conforme a segunda imagem observamos:

  • Até o 3 ° dia uma cor rubra (vermelho), quantidade semelhante ao fluxo menstrual;
  • Após o 3º ou 4º dia até o 10° dia, a cor é FUSCA (acastanhado);
  • Até o 21º dia, observa-se a cor Flava (amarelado) e a partir de 21°dia alba (branca).

Os lóquios possuem odor característicos semelhantes ao sangue menstrual, qualquer modificação desse odor para – odor fétido – pode indicar uma infecção puerperal sendo necessário buscar orientação de um especialista.

Cuidados de Enfermagem

  • Verificar os sinais vitais (pulso, respiração, temperatura e pressão arterial), de 6/6 horas.
  • Observar o estado das mucosas e hidratação. Estimular ingestão hídrica nas primeiras 48 horas.
  • Encorajar a deambulação precoce (6 horas para parto vaginal e 12 horas para cesariana).
  • Verificar altura do fundo uterino, observando sua consistência e localização, bem como as características da incisão operatória quando o parto for cesáreo.
  • Inspecionar diariamente o períneo e o estado dos genitais externos: condições de higiene, cicatrização da episiotomia/laceração, presença de edema, hematoma e sinais de inflamação.
  • Observar continuamente e registrar lóquios: cor, odor, quantidade e aspecto.
  • Fazer ou orientar para higiene vulvar e perineal com água corrente após as micções e evacuações.
  • Avaliar continuamente o estado das mamas e mamilos: consistência, temperatura, sinais de apojadura, ingurgitamento, trauma mamilar, bloqueio de ductos, produção láctea, entre outros.
  • Controlar micção, características da urina, volume, frequência e distúrbios urinários, especialmente nas primeiras 24 a 72 horas. Em caso de sonda vesical, observar cuidados com a mesma.
  • Controlar e registrar diariamente a função intestinal: presença de peristaltismo, frequência e distúrbios no padrão de eliminação. Na ocorrência de hemorroida, observar tamanho, desconforto e sensibilidade.
  • Observar continuamente membros inferiores, atentando para os sinais precoces de tromboses e flebites.
  • Discutir com a puérpera os conceitos relacionados à alimentação e à higiene corporal;
  • Avaliar o estado emocional da puérpera e sua aceitação da maternidade, procurando identificar o grau de interação com o recém-nascido e de integração familiar.
  • Dar suporte emocional e ajuda prática.
  • Identificar o grau de conhecimento da puérpera em relação aos cuidados com o recém-nascido: curativo do coto umbilical, banho, vestuário, alimentação e imunização.
  • Respeitar a autonomia da mulher e sua liberdade de escolha.
  • Ministrar medicamentos prescritos, observando efeitos colaterais e adversos. Em caso de fluidoterapia, realizar controle e cuidados para esta.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de atenção a saúde. Pré-Natal e puerpério: atenção qualificada e humanizada:manual Técnico. Brasília: Ministério da Saúde, versão revisada, 2006. Disponível AQUI.

Epistaxe: O que é?

Epistaxe

O termo Epistaxe é o nome dado a qualquer tipo de perda de sangue pelo nariz, frequentemente pelas narinas, ou através do nariz pela boca.

Existem dois tipos de epistaxe:

  1. Anterior (90% casos aproximadamente), ou seja, mais próxima da parte externa do nariz.
  2. Posterior (10% casos aproximadamente), ou seja, mais no interior: menos comum, mas com efeitos mais graves.

Como acontece o sangramento?

A epistaxe ocorre quando pequenos vasos (veias ou artérias), que passam pela mucosa do nariz se rompem.

Por que estes pequenos vasos rompem?

De uma forma geral, os vasos se tornam frágeis e mais susceptíveis à ruptura por fatores locais, que podem ser identificados ao exame otorrinolaringológico, ou por fatores sistêmicos como listado abaixo.

Fatores locais:

  • Deformidades anatômicas Inalação de produtos químicos Inflamação (secundária a infecções agudas do trato respiratório como sinusite crônica, rinite alérgica e irritantes ambientais)
  • Corpos estranhos
  • Tumores intranasais
  • Utilização de medicamentos nasais
  • Cirurgias prévias
  • Trauma

Fatores sistêmicos:

  • Uso de alguns medicamentos (ex: aspirina, varfarina, clopidogrel, desmopressina)
  • Intoxicação alcoólica
  • Alergias
  • Alterações da coagulação do sangue
  • Problemas cardíacos
  • Tumores do sangue (leucemia)
  • Hipertensão arterial
  • Doenças infecciosas
  • Má-nutrição (especialmente anemia)
  • Uso de narcóticos
  • Doenças vasculares

O que fazer quando apresentar Epistaxe?

Se você apresenta episódios frequentes de epistaxe, vale a pena procurar o otorrinolaringologista antes mesmo de novo evento para descobrir a causa, esclarecer todas as dúvidas e iniciar o tratamento.

Se estiver apresentando um sangramento neste momento, inicialmente mantenha a calma, a maioria das epistaxes melhoram espontaneamente em alguns minutos e não necessitam de atendimento médico de urgência.

Comprima a parte lateral do nariz contra o septo do lado afetado por alguns minutos, sente-se de forma ereta, não levante e nem abaixe a cabeça. Pode-se colocar um algodão embebido em solução vasoconstrictora (Afrin, Sorine…) dentro da narina e depois continuar a compressão por pelo menos 5 a 10 minutos. Após cessar o sangramento, não force parra assoar o nariz pois poderá provocar novo sangramento. Não introduza nada nas narinas. Não tente limpá-las com cotonete, dedo, pinças, lenços, papel higiênico. Use umidificadores ou toalhas molhadas para umidificar o ambiente.

Como é feito o tratamento?

O otorrinolaringologista pode realizar a cauterização (química ou térmica) dos vasos sanguíneos afetados e controlar sua cicatrização. Algumas vezes é necessário realizar um tamponamento nasal nas mais variadas formas (algodão, gaze, esponjas ou materiais expansíveis) por um período de 24 a 48 horas. Quando retirados, geralmente as feridas já estão em fase de cicatrização. Pacientes com doenças da coagulação sanguínea ou uso crônico de medicamentos que afetem a coagulação (aspirina, anticoagulantes orais ou injetáveis) devem ter sua dosagem adequada ou suspensos momentaneamente.

Pacientes em quimioterapia, com leucemia, ou pós-radioterapia sofrem freqüentemente com epistaxes e devem procurar o especialista. Sangramentos de maiores proporções, mais prolongados ou com manutenção do sangramento mesmo com tampão, podem ser tratados com cirurgia para ligadura ou eletro cauterização destas artérias sob anestesia geral.