Curitiba, 2 de junho de 2025 – Uma inovação revolucionária na área da saúde, desenvolvida por uma técnica de Enfermagem paranaense, está ganhando o mundo. Renata Cândido da Silva é a mente por trás do ISHÁ, o primeiro simulador nacional de hemodiálise com circulação extracorpórea realista, projetado para transformar o treinamento de profissionais de saúde […]
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Fatores de risco para Infecção Hospitalar

Hoje o papo é sério e super importante para a nossa prática diária: os fatores de risco para a infecção hospitalar, também conhecida como Infecção Relacionada à Assistência à Saúde (IRAS).
Sei que o tema pode parecer denso, mas vamos desmistificar tudo para que a gente possa atuar de forma cada vez mais segura e eficaz na proteção dos nossos pacientes. Preparados para blindar o ambiente hospitalar contra os microrganismos indesejados?
O Que Aumenta a Chance da Infecção Acontecer? Desvendando os Fatores de Risco
A infecção hospitalar não escolhe paciente, mas existem algumas condições e situações que podem aumentar significativamente a probabilidade de ela ocorrer. Conhecer esses fatores de risco é o primeiro passo para implementarmos medidas preventivas eficazes. Podemos agrupar esses fatores em algumas categorias principais:
Fatores Relacionados ao Paciente:
- Idade: Tanto os extremos da vida (recém-nascidos e idosos) apresentam maior vulnerabilidade ao desenvolvimento de infecções devido à imaturidade ou declínio do sistema imunológico.
- Doenças de Base e Comorbidades: Pacientes com doenças crônicas como diabetes, insuficiência renal, doenças pulmonares, câncer e HIV/AIDS têm o sistema imunológico comprometido, o que dificulta a defesa do organismo contra agentes infecciosos.
- Gravidade da Doença e Tempo de Internação: Pacientes gravemente enfermos e aqueles com longos períodos de internação estão mais expostos a procedimentos invasivos e à colonização por microrganismos presentes no ambiente hospitalar.
- Estado Nutricional: A desnutrição enfraquece o sistema imunológico e prejudica a cicatrização, tornando o paciente mais suscetível a infecções.
- Queimaduras Extensas: A perda da integridade da pele, que é uma importante barreira de defesa, aumenta significativamente o risco de infecção em pacientes queimados.
- Uso de Imunossupressores e Corticosteroides: Medicamentos que suprimem o sistema imunológico, utilizados em transplantes, doenças autoimunes e outras condições, aumentam a vulnerabilidade a infecções.
- Presença de Dispositivos Invasivos: Cateteres urinários, cateteres vasculares centrais e periféricos, sondas nasoenterais, drenos e ventiladores mecânicos rompem as barreiras naturais do corpo e oferecem uma porta de entrada para microrganismos.
Fatores Relacionados aos Procedimentos e Intervenções:
- Procedimentos Invasivos: Qualquer procedimento que penetre a pele ou mucosas (cirurgias, punções, intubações) aumenta o risco de introdução de microrganismos no organismo do paciente.
- Tempo de Duração do Procedimento: Procedimentos cirúrgicos mais longos estão associados a um maior risco de infecção do sítio cirúrgico.
- Técnica Asséptica Inadequada: Falhas na adesão às técnicas de assepsia e antissepsia durante a realização de procedimentos e manipulação de dispositivos invasivos são uma das principais causas de infecção hospitalar.
- Uso Indiscriminado de Antibióticos: O uso excessivo e inadequado de antibióticos contribui para o desenvolvimento de resistência bacteriana, tornando as infecções mais difíceis de tratar.
- Transfusão de Hemocomponentes: Embora essencial em muitos casos, a transfusão pode, em raras situações, transmitir infecções.
Fatores Relacionados ao Ambiente Hospitalar e à Equipe de Saúde:
- Higiene das Mãos Insuficiente: A não adesão ou a técnica inadequada de higiene das mãos pelos profissionais de saúde é uma das principais vias de transmissão de microrganismos no ambiente hospitalar.
- Limpeza e Desinfecção Inadequadas: Falhas na limpeza e desinfecção de superfícies, equipamentos e materiais podem levar à persistência de microrganismos no ambiente.
- Superlotação: A superlotação de leitos dificulta a manutenção da higiene e aumenta o contato entre pacientes, facilitando a disseminação de infecções.
- Número Insuficiente de Profissionais: Uma equipe sobrecarregada pode ter dificuldades em seguir rigorosamente os protocolos de prevenção de infecções.
- Falta de Educação e Treinamento: Profissionais não adequadamente treinados em medidas de prevenção de infecções podem não seguir as práticas recomendadas.
- Colonização da Equipe de Saúde: Em raras situações, profissionais de saúde podem estar colonizados por microrganismos multirresistentes e transmiti-los aos pacientes.
Nosso Escudo Protetor: Os Cuidados de Enfermagem na Prevenção da IRAS
Como futuros profissionais de enfermagem, a prevenção da infecção hospitalar é uma das nossas maiores responsabilidades. Nossas ações diárias têm um impacto direto na segurança dos nossos pacientes. Alguns cuidados de enfermagem essenciais incluem:
- Adesão Rigorosa à Higiene das Mãos: Realizar a higiene das mãos com água e sabão ou álcool em gel nos cinco momentos preconizados pela OMS: antes do contato com o paciente, antes de realizar procedimento asséptico, após risco de exposição a fluidos corporais, após contato com o paciente e após contato com áreas próximas ao paciente. Utilizar a técnica correta em cada situação.
- Técnica Asséptica Impecável: Seguir rigorosamente as técnicas de assepsia e antissepsia durante a realização de curativos, administração de medicamentos injetáveis, inserção e manipulação de dispositivos invasivos. Garantir a esterilidade dos materiais utilizados.
- Manutenção da Integridade da Pele e Mucosas: Realizar cuidados com a pele para prevenir lesões, especialmente em pacientes acamados. Promover a higiene oral adequada.
- Cuidados com Dispositivos Invasivos: Seguir os protocolos para inserção, manutenção e remoção de cateteres, sondas e drenos. Realizar a higiene do sítio de inserção conforme as diretrizes e observar sinais de infecção local ou sistêmica. Manipular os dispositivos com técnica asséptica.
- Administração Segura de Medicamentos: Preparar e administrar medicamentos de forma segura, seguindo os princípios dos nove certos da administração de medicamentos.
- Manejo Adequado de Resíduos: Descartar materiais perfurocortantes em recipientes adequados e seguir os protocolos de descarte de resíduos contaminados.
- Limpeza e Desinfecção de Equipamentos: Participar da limpeza e desinfecção de equipamentos utilizados no cuidado ao paciente, seguindo os protocolos institucionais.
- Educação do Paciente e Família: Orientar pacientes e familiares sobre a importância da higiene das mãos, dos cuidados com dispositivos invasivos e de outras medidas preventivas.
- Vigilância Epidemiológica: Estar atento à ocorrência de infecções nos pacientes sob seus cuidados e notificar a equipe de controle de infecção hospitalar conforme os protocolos institucionais.
- Atualização Constante: Buscar continuamente conhecimento sobre as melhores práticas de prevenção de infecções.
Lembrem-se, a prevenção é sempre o melhor remédio! Nossa atuação consciente e baseada em evidências é a linha de frente na proteção dos nossos pacientes contra as infecções hospitalares.
Referências:
- AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Medidas de Prevenção de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde. Brasília: ANVISA, 2017. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicos-de-saude/publicacoes/caderno-4-medidas-de-prevencao-de-infeccao-relacionada-a-assistencia-a-saude.
- WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). WHO Guidelines on Hand Hygiene in Health Care. Geneva: WHO, 2009. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789241597906.
- SMELTZER, S. C.; BARE, B. G.; HINKLE, J. L.; CHEEVER, K. H. Brunner & Suddarth’s textbook of medical-surgical nursing. 14. ed. Philadelphia: Wolters Kluwer, 2018.
A sequência de uma Anotação de Enfermagem

A anotação de enfermagem é um registro essencial no prontuário do paciente. Ela serve não apenas para documentar a assistência prestada, mas também para garantir a continuidade do cuidado e a segurança do paciente. Além disso, é um instrumento legal e ético que pode ser utilizado como prova documental das ações da equipe de enfermagem.
Para quem está começando a vida acadêmica ou profissional na enfermagem, entender como estruturar uma boa anotação pode parecer desafiador. Pensando nisso, elaboramos este guia completo com a sequência lógica de uma anotação de enfermagem, com exemplos práticos, explicações detalhadas e cuidados que não podem faltar.
Por Que Anotar Tão Detalhadamente? A Importância Além do Óbvio
Você pode se perguntar: “Preciso anotar tudo isso?”. E a resposta é um sonoro sim! A anotação de enfermagem tem múltiplas funções:
- Comunicação Efetiva: É o principal meio de comunicação entre a equipe de saúde sobre o paciente. Imagine a passagem de plantão: uma boa anotação permite que o próximo colega compreenda rapidamente o estado do paciente e as intervenções realizadas.
- Continuidade do Cuidado: Garante que o cuidado seja sequencial e lógico, sem repetições desnecessárias ou omissões importantes.
- Base para o Planejamento: Ajuda a equipe a planejar os próximos passos, adaptar o plano de cuidados e avaliar a eficácia das intervenções.
- Documento Legal: Serve como prova legal do cuidado prestado, essencial em caso de auditorias ou processos judiciais.
- Pesquisa e Ensino: Contribui para a base de dados para pesquisas e para o ensino de futuros profissionais.
Agora que entendemos a importância, vamos à sequência que pode te ajudar a organizar suas anotações de forma impecável.
Entenda a Sequência
1. Apresenta: condições de entrada, estado geral e físicas observadas
Nesta parte, o profissional descreve como o paciente se apresenta no momento do atendimento. É importante relatar sinais observáveis, como nível de consciência, coloração da pele, presença de lesões, estado nutricional, entre outros.
- Condições de entrada (se for admissão ou pós-procedimento): Como o paciente chegou ou como ele está após um evento.
- Exemplo: “Paciente admitido no leito 10, consciente e orientado, pós-operatório imediato de apendicectomia.”
- Estado geral: Uma avaliação rápida e abrangente do paciente.
- Exemplo: “Paciente em bom estado geral, lúcido e comunicativo.” ou “Paciente em estado geral regular, sonolento e com queixa de dor.”
- Condições físicas apresentadas (ao início do plantão ou momento da anotação): Observações objetivas sobre o corpo do paciente.
- Exemplo: “Pele e mucosas coradas, hidratadas e quentes ao toque. Perfusão periférica de 3 segundos.” ou “Pele pálida e úmida, mucosas descoradas. Presença de cianose em extremidades.”
Outro exemplo prático:
“Paciente admitido a esta unidade de internação, em leito 10, lúcido, orientado, com coloração da pele pálida +/4, hidratado, afebril, acamado, com lesão por pressão estágio II em região sacral.”
Esse tipo de descrição ajuda a equipe a compreender o estado basal do paciente, o que pode orientar condutas e decisões clínicas posteriores.
2. Mantém: dispositivos e condições assistenciais em uso
Aqui são descritos todos os dispositivos que o paciente está utilizando, como cateteres, sondas, drenos, oxigenoterapia, acesso venoso, entre outros. Também é possível relatar se o paciente mantém posicionamento adequado, dieta prescrita, ou qualquer outro aspecto relevante do cuidado.
Dispositivos: Cateteres, sondas, drenos, acessos venosos, etc. Descreva o tipo, local e as condições de cada um.
- Exemplo: “Mantendo acesso venoso periférico em dorso da mão direita, sem sinais flogísticos, com SF 0,9% 500 mL correndo em gotejamento rápido.”
- Exemplo: “Mantendo sonda vesical de demora com débito urinário claro, em sistema fechado.”
- Exemplo: “Mantendo dreno de tórax em hemitórax esquerdo, com débito serossanguinolento em selo d’água sem oscilação.”
- Exemplo: “Mantendo sonda nasoenteral em narina esquerda, fixada, sem sinais de irritação.”
Outro exemplo prático:
“Mantém cateter nasal de O₂ a 2L/min, acesso venoso periférico em MSD com jelco 22G funcionante, SNE posicionada, com dieta enteral em gotejamento contínuo sem intercorrências.”
Esse registro mostra o suporte necessário para o paciente e facilita a vigilância desses dispositivos.
3. Refere: queixas e percepções relatadas pelo paciente
Nessa parte, são descritas as queixas espontâneas do paciente ou aquilo que ele verbaliza. É essencial utilizar aspas para destacar as falas do paciente, assegurando a fidelidade da informação.
Queixas, sensações, percepções: O que o paciente verbaliza.
- Exemplo: “Paciente refere dor abdominal em quadrante inferior direito, de intensidade 7/10, em facada.”
- Exemplo: “Paciente refere náuseas e tontura ao se levantar.”
- Exemplo: “Paciente refere que está com sede e com dificuldade para dormir.”
Outro exemplo prático:
“Refere dor abdominal difusa, tipo cólica, intensidade 7 em escala de 0 a 10, iniciada há cerca de 2 horas. Refere também náuseas e ausência de evacuação há 2 dias.”
Esse tipo de anotação contribui para a construção diagnóstica e o planejamento das ações terapêuticas.
4.Procedimentos realizados: todas as ações executadas
Todos os procedimentos de enfermagem realizados devem ser registrados, com clareza, horário, técnica utilizada, materiais empregados e resposta do paciente, se aplicável.
- Medicações administradas: Nome, dose, via, horário.
- Exemplo: “Administrado dipirona 500 mg EV conforme prescrição, às 14h.”
- Aferição de sinais vitais: Valores e horário.
- Exemplo: “Sinais vitais aferidos às 15h: PA 120×80 mmHg, FC 88 bpm, FR 18 ipm, Tax 37,2°C, SatO2 96% em ar ambiente.”
- Higiene e conforto: Banho, troca de roupa, mudança de decúbito.
- Exemplo: “Realizado banho no leito com auxílio, troca de roupa e mudança de decúbito para decúbito lateral esquerdo.”
- Curativos: Tipo de curativo, local, condições da ferida.
- Exemplo: “Realizado curativo em ferida operatória abdominal com SF 0,9% e gaze estéril; ferida limpa, sem sinais de infecção, com pequena quantidade de exsudato seroso.”
- Coletas de exames: Tipo de exame e horário.
- Exemplo: “Coletada amostra de sangue para hemograma e função renal às 16h, encaminhada ao laboratório.”
- Orientações fornecidas: O que você orientou o paciente ou familiar.
- Exemplo: “Orientado paciente e familiar sobre a importância da hidratação e movimentação precoce no pós-operatório.”
Outro exemplo prático:
“Realizada troca de curativo em ferida sacral conforme prescrição médica e protocolo institucional, utilizando técnica asséptica, solução fisiológica 0,9% e cobertura de hidrocolóide. Ferida apresenta bordas regulares, presença de exsudato amarelado em pequena quantidade. Paciente colaborativo durante o procedimento.”
Isso demonstra a execução da assistência e oferece rastreabilidade para auditorias e revisões clínicas.
5. Intercorrências: descrição do evento, sinais e condutas
Sempre que houver algum evento inesperado, como quedas, reações adversas, agravamento do quadro clínico, entre outros, é obrigatório fazer o registro completo com data, hora, sinais/sintomas, condutas adotadas e equipe notificada.
- Descrição do fato: O que aconteceu.
- Exemplo: “Às 17h, paciente apresentou episódio de vômito em jato…”
- Sinais e sintomas observados: As manifestações clínicas da intercorrência.
- Exemplo: “… com aproximadamente 200 mL de conteúdo alimentar, seguido de palidez e sudorese fria.”
- Condutas tomadas: As ações que você tomou em resposta à intercorrência.
- Exemplo: “Oferecido cuba rim, lateralizado decúbito para evitar broncoaspiração, aferido SSVV (PA 90×60 mmHg, FC 110 bpm). Comunicado médico Dr. [nome do médico], que prescreveu antiemético e reavaliação em 30 min. Administrado Ondansetrona 4 mg EV conforme prescrição, às 17h15min.”
- Avaliação da resposta: Como o paciente reagiu às suas condutas.
- Exemplo: “Paciente com melhora do quadro, sem novos episódios de vômito até o momento. Mantido em observação.”
Outro exemplo prático:
“Às 15h30, paciente apresentou queda da oximetria para 85%, taquipneia e queixa de dispneia. Realizada aspiração de secreção via cateter nasal, coletado gasometria arterial, notificado médico plantonista. Iniciado O₂ a 3L/min. Saturação aumentou para 92% após intervenção. Permanece em monitoramento.”
A anotação precisa ser objetiva, sem julgamentos ou interpretações subjetivas, focando em fatos.
Cuidados importantes ao anotar:
- Use linguagem técnica, clara e objetiva;
- Evite abreviações não padronizadas;
- Sempre identifique-se com nome completo e registro no COREN;
- Registre o horário com precisão;
- Não deixe espaços em branco;
- Nunca rasure ou utilize corretivo;
- Faça a anotação imediatamente após a ação realizada.
A Anotação Completa: Um Exemplo Integrado
Juntando tudo, uma anotação de enfermagem poderia ficar assim:
“14h00 – Paciente admitido no leito 10, consciente e orientado, pós-operatório imediato de apendicectomia. Apresenta-se em bom estado geral, lúcido e comunicativo. Pele e mucosas coradas, hidratadas e quentes ao toque. Perfusão periférica de 3 segundos. Mantém acesso venoso periférico em dorso da mão direita, sem sinais flogísticos, com SF 0,9% 500 mL correndo em gotejamento rápido. Mantém sonda vesical de demora com débito urinário claro, em sistema fechado. Paciente refere dor abdominal em quadrante inferior direito, de intensidade 7/10, em facada. Administrado dipirona 500 mg EV conforme prescrição. Sinais vitais aferidos: PA 120×80 mmHg, FC 88 bpm, FR 18 ipm, Tax 37,2°C, SatO2 96% em ar ambiente. Orientado paciente e familiar sobre a importância da hidratação e movimentação precoce no pós-operatório.
17h00 – Paciente apresentou episódio de vômito em jato, com aproximadamente 200 mL de conteúdo alimentar, seguido de palidez e sudorese fria. Oferecido cuba rim, lateralizado decúbito para evitar broncoaspiração, aferido SSVV: PA 90×60 mmHg, FC 110 bpm. Comunicado médico Dr. [nome do médico], que prescreveu antiemético e reavaliação em 30 min. Administrado Ondansetrona 4 mg EV conforme prescrição, às 17h15min. Paciente com melhora do quadro, sem novos episódios de vômito até o momento. Mantido em observação.
20h00 – Realizado banho no leito com auxílio, troca de roupa e mudança de decúbito para decúbito lateral esquerdo. Realizado curativo em ferida operatória abdominal com SF 0,9% e gaze estéril; ferida limpa, sem sinais de infecção, com pequena quantidade de exsudato seroso. Paciente aceita dieta líquida em pequena quantidade, sem queixas. Mantido confortável.”
A Ponta do Lápis que Salva Vidas: Nossos Cuidados na Anotação
Anotar é um ato de cuidado. Lembre-se sempre de:
- Ser Objetivo e Claro: Use termos técnicos, mas evite gírias. Seja direto e evite ambiguidades.
- Ser Conciso: Vá direto ao ponto, mas sem omitir informações importantes.
- Ser Cronológico: Anote os eventos na ordem em que aconteceram, com horários precisos.
- Ser Legível: Sua letra precisa ser clara (ou a digitação, se for eletrônico).
- Assinar e Carimbar: Sempre assine e carimbe suas anotações com seu nome completo, categoria profissional e número de registro no conselho.
- Nunca Rasurar: Em caso de erro, passe um traço simples sobre o que errou, escreva “erro” e anote corretamente ao lado, datando e assinando. Nunca use corretivo.
- Anotar o Que Você Viu e Fez: Baseie suas anotações em observações diretas e intervenções realizadas. Evite interpretações pessoais ou julgamentos.
Dominar a arte da anotação de enfermagem é um passo crucial para sua carreira. Ela é a prova do seu profissionalismo, o elo entre a equipe e a garantia de um cuidado de excelência para o paciente. Pratique, peça feedback e faça da anotação detalhada uma parte inseparável da sua rotina de enfermagem.
Referências:
- CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução COFEN nº 358/2009. Dispõe sobre a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) e a implementação do Processo de Enfermagem em ambientes públicos ou privados, em que ocorre o cuidado profissional de Enfermagem. Brasília, DF: COFEN, 2009. Disponível em: https://www.cofen.gov.br/resoluo-cofen-3582009_4384.html.
- HERMIDA, V. R. et al. Anotações de enfermagem: importância para a qualidade da assistência e segurança do paciente. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 65, n. 4, p. 627-632, jul./ago. 2012. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/36t9V4Y5L9c8B5c9Y6G6p8w/?lang=pt.
- POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. (Consultar capítulo sobre documentação em enfermagem).
Inscrições Abertas para o 27º CBCENF: O Maior Congresso de Enfermagem do Brasil
Salvador, Bahia, 21 de maio de 2025 – O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) abriu oficialmente as inscrições para o 27º Congresso Brasileiro dos Conselhos Regionais de Enfermagem (CBCENF), o maior evento da área no país. O congresso acontecerá no Centro de Convenções de Salvador, na Bahia, entre os dias 8 e 11 de setembro […]
5 Regras Básicas no Uso de Drogas Vasoativas

No dia a dia da enfermagem, especialmente em ambientes de alta complexidade como as UTIs e pronto-socorros, lidar com pacientes graves é uma constante. E em muitos desses casos, as Drogas Vasoativas (DVAs) se tornam aliadas poderosas, capazes de mudar o curso de uma situação crítica.
Mas, como o próprio nome diz, são drogas que agem nos vasos, alterando a pressão arterial e o fluxo sanguíneo, e seu uso exige um conhecimento e uma atenção impecáveis.
Para nós, profissionais de enfermagem, dominar o uso seguro e eficaz das DVAs é uma questão de vida ou morte. Por isso, separamos as 5 regras de ouro que todo estudante e profissional de enfermagem precisa ter na ponta da língua. Vamos lá!
1.Uso exclusivo de bomba de infusão
As drogas vasoativas devem sempre ser administradas por meio de bomba de infusão. Esse equipamento permite um controle rigoroso e preciso do volume infundido por minuto, o que é essencial, considerando a potência dessas medicações.
Administrações manuais ou com equipo de gotejamento simples são contraindicadas, pois a mínima alteração na velocidade pode causar flutuações abruptas na pressão arterial ou frequência cardíaca do paciente.
Cuidados de enfermagem:
- Verificar a calibração da bomba antes do uso.
- Monitorar frequentemente o equipo e a conexão para evitar interrupções na infusão.
- Documentar e checar a velocidade da bomba conforme a prescrição médica.
2.Preferência por acesso venoso central (CVC)
Drogas vasoativas possuem alto potencial irritativo. Quando administradas em acesso venoso periférico, há risco elevado de extravasamento, que pode levar à necrose tecidual e até amputações, dependendo do tempo de exposição.
Sempre que possível, essas drogas devem ser administradas por um acesso venoso central (CVC). Em situações emergenciais, pode-se iniciar a infusão em veia periférica, mas esse acesso deve ser trocado por um CVC o mais breve possível.
Cuidados de enfermagem:
- Observar sinais de infiltração ou extravasamento no local da punção.
- Avaliar o fluxo do cateter e manter o curativo limpo e seco.
- Notificar imediatamente a equipe médica diante de sinais de irritação local.
3.Monitorização contínua dos sinais vitais
O paciente que recebe droga vasoativa precisa de monitoramento contínuo. A equipe de enfermagem deve acompanhar sinais vitais como pressão arterial, frequência cardíaca, débito urinário e nível de consciência, preferencialmente com monitor multiparamétrico.
As alterações nesses parâmetros guiam o ajuste da dose da droga, que muitas vezes é feita em tempo real conforme a resposta do paciente.
Cuidados de enfermagem:
- Verificar sinais vitais de 5 em 5 minutos no início da infusão ou após ajustes de dose.
- Avaliar a perfusão periférica (enchimento capilar, coloração da pele, temperatura das extremidades).
- Monitorar a diurese horária para avaliar perfusão renal.
4.Não administrar em bolus (sem prescrição específica)
É absolutamente contraindicado administrar drogas vasoativas em bolus (injeção rápida) sem prescrição médica expressa. A infusão abrupta pode causar hipertensão súbita, arritmias, colapso cardiovascular e até morte.
Essas drogas devem ser sempre infundidas de forma contínua e controlada. Em casos raros e sob prescrição, podem ser feitas em bólus, mas isso requer monitoramento intensivo imediato.
Cuidados de enfermagem:
- Confirmar a via e o modo de administração na prescrição.
- Em caso de dúvida, nunca administrar sem esclarecimento com o médico responsável.
- Reforçar com a equipe a importância da padronização de protocolos.
5.Conhecer a farmacologia da droga administrada
É essencial que o profissional de enfermagem conheça a farmacodinâmica e a indicação específica da droga vasoativa em uso. Noradrenalina, dopamina, dobutamina, adrenalina e vasopressina possuem efeitos diferentes, e entender essas ações auxilia na interpretação clínica das reações do paciente.
Além disso, a compreensão dos mecanismos ajuda a tomar decisões mais seguras em situações de urgência, reduzindo o risco de eventos adversos.
Cuidados de enfermagem:
- Estudar os principais efeitos colaterais e sinais de toxicidade.
- Manter material de apoio acessível (protocolos da UTI, manuais de enfermagem).
- Participar de treinamentos e atualizações sobre drogas vasoativas.
O uso de drogas vasoativas envolve riscos importantes, mas quando administradas com responsabilidade e conhecimento, tornam-se aliadas no suporte à vida. A enfermagem tem papel central na segurança do paciente, atuando desde a instalação até o monitoramento da infusão contínua.
Lembre-se: conhecimento salva vidas. E na terapia intensiva, cada detalhe importa.
Referências:
- BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo de uso seguro de medicamentos vasoativos. Brasília: MS, 2019. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br
- GOMES, Rodrigo Vieira; PINHEIRO, Renata T. Assistência de enfermagem ao paciente em uso de drogas vasoativas. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, v. 32, n. 3, p. 370-378, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbti
- NUNES, Camila L.; SOUZA, Patrícia F. Farmacologia aplicada à enfermagem. São Paulo: Manole, 2021.
- PEREIRA, Juliana S. et al. Segurança na administração de medicamentos vasoativos: uma revisão integrativa. Revista Enfermagem Atual, v. 92, 2021. Disponível em: https://revistaenfermagematual.com.br
Justiça Federal Reafirma Obrigatoriedade de Enfermeiro Supervisor em Clínicas de Radiologia e Imagem
Brasília, 20 de maio de 2025 – Uma importante vitória para a Enfermagem brasileira foi conquistada na 12ª Vara da Justiça Federal, que reafirmou a obrigatoriedade da supervisão de enfermeiro em estabelecimentos de saúde, incluindo clínicas de radiologia e diagnóstico por imagem. A decisão é resultado de uma ação movida pelo Conselho Federal de Enfermagem […]
Coren-SP: Cuidado de Enfermagem Focado na Pessoa, Não em Bonecas Reborn
São Paulo, 20 de maio de 2025 – O Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP) divulgou nesta terça-feira (20) a Nota Técnica nº 001/2025, que estabelece diretrizes claras sobre o uso de bonecas reborn no cuidado a pacientes. O documento enfatiza que o cuidado de enfermagem deve estar centrado na pessoa e em […]
Prescrição Médica: Como interpretar?

Se você está começando a sua jornada na enfermagem, uma das responsabilidades mais cruciais que você irá adquirir é a administração de medicamentos.
Essa tarefa, aparentemente simples, envolve uma série de conhecimentos e cuidados para garantir a segurança e a eficácia do tratamento prescrito. Afinal, um medicamento administrado de forma incorreta pode ter consequências sérias para a saúde do paciente.
Vamos juntos desmistificar esse processo e entender os passos essenciais para uma administração segura e responsável.
A Prescrição Médica: O Ponto de Partida
Tudo começa com a prescrição médica, um documento legal que detalha qual medicamento deve ser administrado, a dose, a via de administração, o horário e a frequência. É fundamental entender que nunca devemos administrar um medicamento sem uma prescrição válida e completa.
Essa prescrição é a garantia de que o tratamento foi avaliado e indicado por um profissional de saúde qualificado.
O que observar em uma prescrição:
- Nome completo do paciente: Certifique-se de que o nome do paciente na prescrição corresponde ao nome do paciente para quem o medicamento será administrado. Parece óbvio, mas a dupla checagem é essencial para evitar erros.
- Nome do medicamento (genérico e/ou comercial): Verifique o nome do medicamento com atenção. Em caso de dúvidas sobre abreviações ou caligrafia ilegível, não hesite em perguntar ao médico prescritor ou ao farmacêutico.
- Dose: A dose prescrita deve ser clara e inequívoca (por exemplo, 500mg, 10mL). Preste atenção à unidade de medida (miligramas, gramas, mililitros, unidades internacionais).
- Via de administração: A via pela qual o medicamento deve ser administrado (oral, intravenosa, intramuscular, subcutânea, etc.) influencia diretamente a velocidade e a forma como o medicamento será absorvido pelo organismo.
- Frequência e horário: A prescrição indicará com que frequência o medicamento deve ser administrado (por exemplo, a cada 8 horas, uma vez ao dia) e, muitas vezes, o horário específico. Respeitar esses intervalos é crucial para manter a concentração terapêutica do medicamento no organismo.
- Duração do tratamento: Algumas prescrições indicam por quanto tempo o medicamento deve ser administrado.
- Assinatura e carimbo do médico: A prescrição deve conter a assinatura e o carimbo do médico prescritor, atestando sua validade.
- Checar (fazer um medicamento): É o processo de verificar a prescrição, selecionar o medicamento correto, calcular a dose (se necessário), preparar a medicação para a administração e realizar a dupla checagem dos “nove certos” antes de administrar ao paciente. Em resumo, todas as etapas necessárias para garantir que o medicamento correto seja administrado da forma correta.
-
Bolar (não fazer um medicamento): Significa não administrar um medicamento. Todo medicamento bolado deve ser justificado no relatório de enfermagem. E isso pode ocorrer por diversos motivos, como:
- Ausência de prescrição: Não há uma ordem médica válida para aquele medicamento.
- Prescrição incompleta ou ilegível: Falta alguma informação essencial na prescrição.
- Dúvidas sobre a prescrição: Há alguma incerteza quanto ao medicamento, dose, via ou horário.
- Contraindicação ou alergia: O paciente possui alguma condição ou histórico que impede o uso daquele medicamento.
- Paciente recusa o medicamento: O paciente tem o direito de recusar o tratamento, após ser devidamente orientado.
- Medicamento indisponível: O medicamento prescrito não está disponível no momento.
- Erro na prescrição identificado: Durante a checagem, identifica-se um possível erro na prescrição que precisa ser esclarecido com o médico.
Os Nove Certos da Administração de Medicamentos
Para garantir a segurança na administração de medicamentos, existe um conjunto de nove “certos” que devem ser verificados a cada administração. Essa prática ajuda a minimizar erros e proteger o paciente.
- Paciente certo: Confirme a identidade do paciente antes de administrar o medicamento. Utilize pelo menos dois identificadores (nome completo e data de nascimento, por exemplo) e compare com a pulseira de identificação e a prescrição.
- Medicamento certo: Compare o nome do medicamento na embalagem com o nome na prescrição, verificando se são o mesmo.
- Dose certa: Calcule e confira a dose a ser administrada com a dose prescrita. Em caso de dúvidas no cálculo, peça ajuda a outro profissional.
- Via certa: Certifique-se de que a via de administração do medicamento corresponde à via prescrita.
- Horário certo: Administre o medicamento no horário prescrito. Respeitar os intervalos garante a eficácia do tratamento.
- Orientação certa: Informe o paciente sobre o medicamento que está sendo administrado, seu propósito e possíveis efeitos colaterais. Incentive o paciente a fazer perguntas.
- Forma certa: Verifique se a forma farmacêutica do medicamento (comprimido, solução, injetável) corresponde à prescrição.
- Resposta certa: Monitore a resposta do paciente ao medicamento administrado, observando sinais de eficácia e possíveis reações adversas. Documente suas observações.
- Documentação certa: Registre imediatamente após a administração no prontuário do paciente o nome do medicamento, a dose, a via, o horário, a data, seu nome completo e assinatura/carimbo. Registre também quaisquer intercorrências ou observações relevantes.
Cuidados de Enfermagem Essenciais
Além dos nove certos, alguns cuidados de enfermagem são fundamentais durante o processo de administração de medicamentos:
- Higiene das mãos: Lave as mãos cuidadosamente antes e após a preparação e administração de qualquer medicamento para prevenir infecções.
- Preparo do medicamento: Prepare o medicamento em um local limpo e bem iluminado, seguindo as técnicas adequadas para cada via de administração.
- Observação de alergias: Verifique sempre se o paciente possui alguma alergia conhecida antes de administrar qualquer medicamento. Consulte o prontuário e pergunte ao paciente.
- Interações medicamentosas: Esteja atento a possíveis interações entre os medicamentos que o paciente está utilizando. Em caso de dúvidas, consulte o farmacêutico.
- Educação do paciente e família: Explique ao paciente e seus familiares sobre o medicamento, a importância de seguir a prescrição e os possíveis efeitos colaterais.
- Registro preciso: A documentação completa e precisa é essencial para a continuidade do cuidado e para a segurança do paciente.
- Comunicação: Comunique qualquer dúvida, erro ou reação adversa à equipe de enfermagem e ao médico responsável.
Administrar medicamentos é uma arte e uma ciência que exige atenção, conhecimento e responsabilidade. Ao seguir os princípios dos nove certos e os cuidados de enfermagem essenciais, você estará contribuindo para um tratamento seguro e eficaz para seus pacientes.
Lembre-se sempre: em caso de dúvidas, pergunte! A segurança do paciente é sempre a prioridade máxima.
Referências:
- ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENFERMAGEM. Resolução COFEN nº 568/2017: Aprova o Regulamento da Sistematização da Assistência de Enfermagem – SAE nos ambientes públicos e privados em que ocorre o cuidado profissional de enfermagem. Brasília, DF, 2017.
- POTTER, Patricia A.; PERRY, Anne Griffin; STOCKERT, Patricia. Enfermagem básica. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018.
- Telemedicina Morsch
- Anvisa
Medicamentos LASA: “Look Alike, Sound Alike”

Nomes de medicamentos com grafia ou som semelhantes podem gerar confusões e são causas comuns de erros nas diversas etapas do processo de utilização de medicamentos. Problemas podem surgir no armazenamento, na prescrição, na dispensação, na administração ou em outras etapas da cadeia de consumo.
Vários fatores aumentam esse risco de confusão e troca entre os nomes de medicamentos, destacando-se a semelhança na aparência da embalagem ou do rótulo, a baixa legibilidade de prescrições, a coincidência de formas farmacêuticas, doses e intervalos de administração e o desconhecimento de nomes de novos medicamentos lançados no mercado.
Uma medida simples, sem custos adicionais, poderia evitar a troca de mais da metade dos medicamentos cujos nomes são semelhantes, é aplicado o termo “look-alike-sound-alike, conhecidos pela abreviação LASA”.
A estratégia não é nenhuma novidade na verdade, é uma recomendação de entidades como a Organização Mundial da Saúde (OMS), e a FDA, a agência do governo americano que regula medicamentos e alimentos. Mas é pouco colocada em prática.
No Brasil, para dificultar trocas e confusões, o Protocolo de Segurança na Prescrição, Uso e Administração de Medicamentos sugere o emprego de letra maiúscula e negrito para destacar partes diferentes de nomes semelhantes.
Esta é uma técnica avaliada em vários contextos, de fácil adoção e baixo custo. Seu uso, entretanto, deve ser restrito a um número limitado de nomes de medicamentos a fim de garantir a sua efetividade.
Exemplo de aplicação do método
| Nomes semelhantes | clonidina X clozapina |
| Etapa 1 | cloNIDINA X cloZAPINA |
| Etapa 2 | cloNIDina X cloZAPina |
Para a elaboração de uma lista de nomes de medicamentos com grafia ou som semelhantes, o ISMP Brasil consolidou listas institucionais utilizadas por hospitais brasileiros e as recomendações
publicadas pelo ISMP EUA, em parceria com a FDA e ISMP Espanha.
Você pode acessar a lista completa acessando este link.
As Metas Internacionais da Segurança do Paciente

A segurança do paciente envolve todos os estudos, práticas e ações promovidos pelas instituições de saúde para diminuir ou eliminar os riscos de danos desnecessários relacionados ao cuidado em saúde.
O Ministério da Saúde desenvolve ações com vistas a promoção da segurança do paciente, por meio de medidas de educação e divulgação das boas práticas para profissionais de saúde, pacientes e acompanhantes e com ações preventivas como a implementação das seis metas da OMS, preconizadas pela Joint Commisssion International (JCI).
Portanto, quais são as metas e a sua importância?
1. Meta 1 – Identificar corretamente o paciente
A identificação falha de pacientes pode levar à administração de medicamentos errados e até realização de cirurgias em paciente diferente. Utilizar estratégias para a identificação correta evita esse tipo de equívoco, como:
- todo paciente deve utilizar pulseira com dois identificadores (nome, prontuário, data de nascimento, nome da mãe);
- a pulseira deve ser checada antes de qualquer procedimento (medicamentos, hemotransfusão, coleta de exame);
- o paciente deve fazer uma confirmação verbal do seu nome, se possível.
2. Meta 2 – Melhorar a Comunicação entre os profissionais de saúde
A comunicação entre os profissionais de saúde envolvidos no cuidado deve ser clara e efetiva, para que não comprometa nenhuma etapa da assistência. Falhas na comunicação podem causar sérios danos ao paciente.
Ao fazer um relato verbal, escrito ou por telefone, o profissional precisa se certificar de que o outro o compreendeu e registrou a informação da forma certa. Os registros e a passagem de plantão devem ser de fácil leitura e compreensíveis.
3. Meta 3 – Melhorar a segurança do uso de medicações
As medicações de alta vigilância são aquelas relacionadas a um alto percentual de erros e com risco elevado de resultados adversos. Cada instituição define a sua lista de medicações de alta vigilância, que costumam incluir eletrólitos concentrados, insulina, heparina e drogas vasoativas (epinefrina).
Algumas formas de aumentar sua segurança são:
- enviar medicação individualmente para o paciente com identificação de alta vigilância (etiqueta vermelha);
- não deixar essas medicações com fácil acesso;
- separar essas medicações daquelas comuns.
4. Meta 4 – As Cirurgias Seguras
A quarta meta de segurança visa garantir que as cirurgias sejam feitas no local correto, com o procedimento correto e no paciente correto. Comunicação ruim entre a equipe e imprecisões nos processos podem levar a enganos durante a realização da cirurgia.
Os passos para a cirurgia segura incluem:
- educar os pacientes sobre a cirurgia que será feita e em qual local;
- utilizar listas de verificações antes da indução anestésica, da incisão cirúrgica e do paciente deixar o centro cirúrgico.
5. Meta 5 – A Higienização das Mãos
Essa meta visa promover a prevenção e o controle de infecções no hospital, por meio, principalmente, da correta higienização das mãos, que é a medida primária essencial de prevenção.
O ensino e incentivo aos profissionais pode ser feito por cursos, cartazes e lembretes espalhados pelos setores do hospital. Outras formas de reduzir o risco de infecção são:
- monitorar o uso de antibióticos;
- implementar medidas para prevenção de infecção de corrente sanguínea pelo correto manuseio de cateteres venosos;
- utilizar corretamente os isolamentos.
6. Meta 6 – Reduzir o risco de lesões e quedas
As quedas no ambiente hospitalar são responsáveis por diversos danos e lesões aos pacientes. Todos os pacientes devem ser avaliados quanto ao seu risco de queda e identificados de acordo, para que as medidas apropriadas possam ser tomadas para a prevenção.
No caso de maior risco de queda, é preciso garantir:
- eliminação de obstáculos e objetos no chão;
- presença constante de acompanhante;
- ajuste de medicamentos que causam tontura ou fraqueza.
As metas internacionais de segurança do paciente devem ser adotadas por todos os estabelecimentos de saúde, para garantir uma assistência segura para pacientes e seus acompanhantes.
Fonte: Ministério da Saúde
Veja também:
https://enfermagemilustrada.com/a-administracao-segura-de-medicamentos/
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