Mal-Estar ao Sentar no Leito: O Que Fazer?

Mal estar ao sentar no leito

Sentar o paciente à beira do leito pode ser uma etapa importante da recuperação, mas o aparecimento de tontura, suor frio ou fraqueza exige atenção imediata. A mudança de posição pode provocar hipotensão ortostática, especialmente após repouso prolongado, desidratação ou uso de determinados medicamentos. Por isso, a mobilização deve ser acompanhada e ajustada à resposta clínica do paciente.

Reconheça os sinais e interrompa a mobilização

Se o paciente relatar que está passando mal logo após se sentar, a atividade deve ser interrompida. Ajude-o a retornar a uma posição segura, conforme sua condição clínica, evitando que tente se levantar ou caminhar. Avalie nível de consciência, pressão arterial, frequência cardíaca, frequência respiratória e saturação de oxigênio, conforme indicação e protocolo institucional.

Durante uma mobilização, por exemplo, um paciente pode ficar pálido, apresentar visão escurecida e dizer que está prestes a desmaiar. Nesse momento, ele deve ser amparado para evitar uma queda, colocado em posição segura e reavaliado. Se houver perda de consciência, dor torácica, falta de ar importante ou sinais de instabilidade, a equipe de resposta rápida ou emergência deve ser acionada imediatamente.

Nem todo mal-estar é apenas tontura postural

A relação com a mudança de posição é uma pista, mas não confirma a causa. Hipoglicemia, arritmias, sangramento, infecção e outras condições também podem provocar mal-estar. Se os sintomas persistirem mesmo após o repouso, retornarem durante novas tentativas ou vierem acompanhados de alterações importantes dos sinais vitais, a avaliação clínica deverá ser ampliada antes de retomar a mobilização.

Imagine um paciente que, depois de permanecer vários dias no leito, sente fraqueza e apresenta queda da pressão arterial ao sentar. Mesmo que melhore ao deitar, a equipe deve comunicar o episódio ao enfermeiro responsável e registrar os achados, incluindo os sinais vitais e a resposta às medidas adotadas. A melhora não deve ser usada como justificativa para repetir imediatamente a mobilização sem reavaliação.

Cuidados de enfermagem

Antes de mobilizar, verifique as condições clínicas, as restrições de movimento e o risco de queda. Durante a mudança de posição, observe sintomas e sinais vitais conforme a necessidade, mantendo apoio físico adequado. Se houver mal-estar, interrompa a atividade, solicite ajuda quando necessário e não deixe o paciente sozinho até que esteja seguro. A retomada deve ocorrer somente após reavaliação e conforme o plano assistencial.

O objetivo não é apenas colocar o paciente sentado, mas garantir que ele tolere a mudança de posição sem comprometer sua segurança.

Resumo para salvar

Mal-Estar ao Sentar no Leito

  • Interrompa a mobilização diante dos sintomas
  • Avalie sinais vitais e nível de consciência
  • Investigue sinais de instabilidade clínica
  • Retome a mobilização somente após reavaliação

Referências:

  1. KIM, Michael J.; FARRELL, Jennifer. Orthostatic hypotension: a practical approach. American Family Physician, v. 105, n. 1, p. 39-49, 2022. Disponível em: https://www.aafp.org/afp/2022/0100/p39.
  2. NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE (NICE). Falls: assessment and prevention in older people and in people 50 and over at higher risk. NICE guideline NG249. London: NICE, 2025. Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/NG249.
  3. AQUIM, Esperidião Elias et al. Diretrizes brasileiras de mobilização precoce em unidade de terapia intensiva. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, São Paulo, v. 31, n. 4, p. 434-443, 2019. DOI: https://doi.org/10.5935/0103-507X.20190084. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31967216/

Divergência na Equipe: Como Agir?

Conflito em equipe

Uma divergência no plantão pode começar com uma orientação aparentemente simples e terminar em uma falha de comunicação que compromete o cuidado. Na enfermagem, o mais importante é garantir que a discordância seja resolvida sem atrasar uma conduta necessária nem expor o paciente a riscos. A comunicação respeitosa e o trabalho em equipe são componentes essenciais da segurança assistencial, conforme as recomendações da Organização Mundial da Saúde.

Converse com foco no problema

Quando houver discordância sobre um procedimento, uma prioridade ou uma orientação, procure esclarecer os fatos antes de atribuir culpa. Descreva objetivamente o que foi observado, explique sua preocupação e ouça o motivo da conduta proposta pelo colega. Se a discussão acontecer diante do paciente, prefira conversar em local reservado, desde que isso não atrase uma intervenção urgente.

Imagine que dois profissionais discordem sobre o horário de administrar um medicamento. Em vez de seguir a orientação de quem fala com mais firmeza, confira a prescrição vigente e esclareça a dúvida com o enfermeiro responsável ou com a equipe prescritoria, conforme o caso. A decisão deve ser baseada em informações verificáveis, não em hierarquia informal ou pressão entre colegas.

Quando não há acordo

Se a divergência persistir ou houver risco imediato, acione o enfermeiro responsável e utilize os canais institucionais de escalonamento. Em situações urgentes, a assistência necessária não deve ser adiada enquanto se tenta resolver um conflito pessoal. Por exemplo, se houver desacordo sobre a gravidade de uma alteração clínica, os sinais vitais e a condição do paciente devem ser reavaliados, com comunicação imediata à equipe responsável e registro dos achados relevantes.

Depois que a situação estiver controlada, vale revisar o que provocou o impasse: uma informação incompleta, uma passagem de plantão falha ou uma interpretação diferente do protocolo. Essa análise pode evitar que o mesmo problema se repita e deve ser conduzida com foco na melhoria do processo, não na exposição desnecessária de pessoas.

Cuidados de enfermagem

Mantenha o diálogo profissional, confira prescrições e protocolos, registre fatos relevantes de forma objetiva e procure apoio quando a segurança estiver em risco. Evite discussões diante do paciente e nunca altere uma conduta por pressão ou retaliação. Se houver risco assistencial, priorize a proteção do paciente e siga o fluxo de comunicação da instituição.

Resumo para salvar

Divergência na Equipe: Como Agir?

  • Esclarecer os fatos antes de atribuir culpa
  • Conferir prescrições e protocolos
  • Acionar a liderança diante de risco ou impasse
  • Registrar ocorrências e priorizar a segurança do paciente

Referências:

  1. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Patient safety. Geneva: WHO. Disponível em: https://www.who.int/health-topics/patient-safety.
  2. AGENCY FOR HEALTHCARE RESEARCH AND QUALITY (AHRQ). TeamSTEPPS: Strategies and Tools to Enhance Performance and Patient Safety. Rockville: AHRQ. Disponível em: https://www.ahrq.gov/teamstepps/index.html.
  3. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução Cofen nº 564/2017: Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. Brasília, DF: Cofen, 2017. Disponível em: https://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-no-5642017/. 

Como Explicar um Procedimento ao Paciente

Como Explicar um Procedimento ao Paciente

Uma explicação mal compreendida pode gerar mais medo do que o próprio procedimento. Na enfermagem, comunicar bem significa ajudar o paciente a entender o que será feito, por que é necessário e o que ele poderá sentir, respeitando seu direito de perguntar e participar das decisões sobre o próprio cuidado. Essa comunicação deve ser clara, acessível e adequada às necessidades de cada pessoa, conforme o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem, que prevê esclarecer a pessoa sobre direitos, riscos e benefícios e orientá-la sobre preparo e consequências dos procedimentos, respeitando o direito de recusa.

Explique sem complicar

Antes de iniciar, diga o nome do procedimento, sua finalidade e as etapas principais, usando palavras familiares e evitando termos técnicos sem explicação. Ao preparar uma punção venosa, por exemplo, você pode dizer: “Vou colocar um acesso na sua veia para administrar o medicamento. Você pode sentir uma picada rápida; se sentir dor forte ou perceber inchaço, me avise”. Assim, o paciente sabe o que esperar e quais sinais deve comunicar.

Também é importante observar as reações durante a conversa. Uma pessoa pode concordar com a cabeça sem ter compreendido as orientações, especialmente quando está ansiosa, com dor ou sob efeito de medicamentos. Em vez de perguntar apenas “Entendeu?”, peça que explique com suas próprias palavras o que foi combinado. Essa estratégia, conhecida como teach-back, ajuda a identificar dúvidas sem constranger o paciente e é recomendada pela Agency for Healthcare Research and Quality (AHRQ).

Respeito também faz parte da técnica

Imagine um paciente que começa a recuar quando a equipe se aproxima para realizar um curativo. Antes de continuar, explique o que será feito, pergunte o que está causando preocupação e dê espaço para que ele manifeste suas dúvidas. Se houver necessidade de adaptar a abordagem, isso deve ser discutido sempre que possível, respeitando a autonomia e o consentimento do paciente.

A explicação também precisa ser honesta: não prometa ausência de dor nem minimize riscos relevantes. Informe o que é esperado, quais desconfortos podem ocorrer e quando o paciente deve avisar a equipe. Para procedimentos que exigem consentimento formal, a conversa deve seguir as regras aplicáveis, sem substituir as etapas necessárias de consentimento informado.

Cuidados de enfermagem

Confirme se o paciente está em condições de receber as informações, adapte a linguagem, preserve a privacidade e ofereça oportunidade para perguntas. Utilize recursos visuais ou apoio de comunicação quando necessário e verifique a compreensão antes de começar. Registre informações relevantes conforme a rotina institucional e comunique à equipe dúvidas ou dificuldades que possam interferir na segurança do procedimento.

Resumo para salvar

Como Explicar um Procedimento ao Paciente

  • Explicar finalidade e etapas em linguagem simples
  • Informar sensações esperadas e sinais de alerta
  • Convidar o paciente a fazer perguntas
  • Confirmar a compreensão antes de iniciar

Referências:

  1. AGENCY FOR HEALTHCARE RESEARCH AND QUALITY (AHRQ). Use the Teach-Back Method: Tool 5. Rockville: AHRQ. Disponível em: https://www.ahrq.gov/health-literacy/improve/precautions/tool5.html.
  2. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Resolução Cofen nº 564/2017. Aprova o novo Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. Brasília, DF: Cofen, 2017. Disponível em: Biblioteca Virtual do Cofen. 

Material Estéril: Confira Antes de Abrir

Material Estéril: Confira!

A esterilidade de um material pode ser comprometida antes mesmo de a embalagem ser aberta. Um pequeno rasgo, uma selagem danificada ou a presença de umidade já são motivos para interromper o uso e separar o produto. Por isso, a conferência deve fazer parte da rotina de enfermagem antes de qualquer procedimento invasivo, conforme as orientações de prevenção e controle de infecções da Anvisa.

Embalagem, validade e integridade

Antes de abrir, confira a validade, a integridade da embalagem, as condições de armazenamento e a identificação do produto. Observe se há furos, rasgos, umidade, sujidade, abertura da selagem ou qualquer alteração que comprometa a barreira estéril. Quando houver indicador químico, verifique se ele apresenta o resultado esperado, lembrando que sua mudança de cor, isoladamente, não garante a esterilidade do conteúdo.

Imagine que, durante a preparação para um curativo, seja encontrado um pequeno furo na embalagem de uma pinça estéril. Mesmo que o instrumento pareça limpo e esteja dentro da validade, ele não deve ser utilizado, pois a barreira pode ter sido comprometida. O material precisa ser substituído, e a ocorrência deve ser comunicada conforme o protocolo institucional. A Anvisa orienta que os produtos para saúde sejam processados, armazenados e disponibilizados em condições que preservem sua segurança.

Atenção ao abrir o material

A abertura também exige técnica: higienize as mãos, prepare uma superfície adequada e evite tocar na parte estéril com mãos, luvas ou objetos não estéreis. Durante a abertura de um pacote, por exemplo, se a borda interna encostar no uniforme ou em uma superfície não preparada, a área potencialmente contaminada não deve ser tratada como estéril. Nessa situação, interrompa o procedimento e substitua o material ou o campo comprometido.

Cuidados de enfermagem

Não utilize materiais com embalagem danificada, úmida, vencida ou com indicadores fora do padrão esperado. Se houver dúvida sobre a integridade ou a condição de esterilização, não improvise: segregue o produto e solicite substituição. Mantenha a técnica asséptica durante toda a abertura e o procedimento, conforme o protocolo da instituição.

Resumo para salvar

Material Estéril: Confira Antes de Abrir

  • Verificar validade e integridade da embalagem
  • Observar umidade, rasgos e selagem
  • Conferir indicadores conforme as instruções do produto
  • Manter técnica asséptica e substituir materiais comprometidos

Referências:

  1. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC nº 15, de 15 de março de 2012. Dispõe sobre requisitos de boas práticas para o processamento de produtos para saúde e dá outras providências. Brasília, DF: Anvisa, 2012. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2012/rdc0015_15_03_2012.html.
  2. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Decontamination and reprocessing of medical devices for health-care facilities. Geneva: WHO, 2016. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789241549851. 

Assumiu o Leito? Confira Estes Pontos

Conferir leito antes de assumir

Assumir um leito sem conferir o que ficou pendente no turno anterior pode fazer uma alteração importante passar despercebida. Uma medicação atrasada, um acesso com sinais de infiltração ou um exame ainda não realizado precisam ser identificados antes que a rotina do plantão avance. A passagem de turno deve garantir continuidade do cuidado e comunicação clara entre os profissionais, conforme as recomendações de segurança do paciente da Anvisa.

Comece pelo paciente, não pelo papel

Confira a identificação com pelo menos dois identificadores, avalie o nível de consciência, a respiração, a dor e os sinais vitais conforme a condição clínica. Observe também a pele, a mobilidade, os acessos venosos, as sondas, os drenos e outros dispositivos. Em pacientes instáveis, a avaliação clínica imediata tem prioridade sobre tarefas administrativas.

Ao assumir um paciente monitorizado na UTI, por exemplo, você percebe que a saturação está abaixo do valor registrado na passagem de plantão. Antes de considerar a informação anterior como atual, confira o paciente, o sensor, a qualidade do sinal e os parâmetros respiratórios, comunicando alterações relevantes à equipe. A situação reforça a importância de validar as informações recebidas à beira-leito, e não apenas repeti-las.

Prescrições e pendências do turno

Verifique as prescrições vigentes, os horários dos medicamentos, as alergias registradas, os cuidados programados e os exames ou procedimentos pendentes. Confirme se infusões contínuas estão com a solução, a velocidade e a programação corretas, respeitando a prescrição e os protocolos institucionais.

Imagine que, durante a conferência, seja identificado um antibiótico previsto para determinado horário, mas sem registro de administração. A conduta segura é verificar o ocorrido com a equipe responsável e consultar a prescrição, sem presumir que a dose foi administrada nem repeti-la automaticamente. Pendências precisam ser esclarecidas para evitar omissões ou duplicidade de doses, conforme os princípios de segurança na administração de medicamentos.

Cuidados de enfermagem

Antes de iniciar as atividades, confirme a identificação do paciente, avalie sua condição clínica, confira dispositivos e infusões e esclareça as pendências prioritárias. Registre as alterações encontradas e comunique imediatamente sinais de deterioração. Se houver vários pacientes sob seus cuidados, organize as primeiras ações conforme o risco clínico, e não apenas pela ordem em que as solicitações chegaram.

Resumo para salvar

Assumiu o Leito? Confira Estes Pontos

  • Avaliar o paciente e confirmar sua identificação
  • Conferir acessos, sondas, drenos e infusões
  • Verificar prescrições, medicamentos e pendências
  • Priorizar alterações clínicas e comunicar riscos

Pocket Enfermagem Ilustrada

 

Referências:

  1. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Protocolo de identificação do paciente. Brasília, DF: Anvisa. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/servicosdesaude/seguranca-do-paciente.
  2. AGENCY FOR HEALTHCARE RESEARCH AND QUALITY (AHRQ). TeamSTEPPS: Strategies and Tools to Enhance Performance and Patient Safety. Rockville: AHRQ. Disponível em: https://www.ahrq.gov/teamstepps/index.html.
  3. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Medication Without Harm. Geneva: WHO. Disponível em: https://www.who.int/initiatives/medication-without-harm. 

Mudança de Decúbito: O Que Observar?

Mudança de decúbito

Durante a mudança de decúbito, a pele não é a única coisa que merece atenção. A tolerância do paciente ao movimento, a estabilidade clínica e a posição de sondas, cateteres e drenos também precisam ser avaliadas, porque uma mobilização mal conduzida pode provocar desconforto, deslocamento de dispositivos ou piora clínica. As recomendações de prevenção de lesões por pressão reforçam a necessidade de combinar reposicionamento, avaliação da pele e análise individual do risco.

Avalie antes e depois do movimento

Antes de iniciar, observe o nível de consciência, a dor, a respiração, a pressão arterial e a presença de limitações de mobilidade. Durante a manobra, verifique se há esforço respiratório, palidez, tontura, expressão de dor ou alteração dos sinais vitais. A pele também deve ser inspecionada, principalmente em sacro, calcanhares, quadris, cotovelos e outras áreas submetidas à pressão, procurando vermelhidão persistente, bolhas, feridas ou mudanças de temperatura e consistência.

Em um paciente acamado que demonstra desconforto ao ser virado para o lado, por exemplo, a equipe precisa observar se a dor está relacionada ao movimento, à posição de um dispositivo ou a uma condição clínica que exige avaliação. A mudança não deve ser concluída mecanicamente sem considerar a resposta apresentada pelo paciente. As diretrizes do NICE recomendam que o reposicionamento seja individualizado conforme o risco e a condição clínica.

Atenção aos dispositivos e ao alinhamento

Antes de movimentar um paciente com oxigenoterapia, acesso venoso, sonda vesical ou dreno, confira a fixação e a folga dos tubos, evitando tração, dobras e desconexões. Após o reposicionamento, confirme se os dispositivos continuam funcionais e se o corpo está bem alinhado, com alívio da pressão nas proeminências ósseas. Na UTI, quando um paciente está em ventilação mecânica, é especialmente importante acompanhar a saturação, a adaptação ao ventilador e a segurança do tubo durante toda a manobra.

Também pode acontecer de, após a mudança, uma área avermelhada ficar visível no sacro ou no calcanhar. Nesse caso, a região deve ser reavaliada e registrada conforme o protocolo institucional, sem massagear a pele avermelhada, pois isso pode agravar a lesão. A prevenção exige inspeção sistemática, alívio de pressão e comunicação das alterações identificadas.

Cuidados de enfermagem

Realize a mudança com técnica segura e número adequado de profissionais, utilizando recursos de mobilização quando indicados. Respeite a tolerância clínica, mantenha o alinhamento corporal, proteja os dispositivos e registre a posição adotada, a condição da pele e eventuais intercorrências. A frequência do reposicionamento deve ser definida de acordo com o risco, a condição do paciente e o protocolo assistencial, e não aplicada de forma rígida para todos.

Resumo para salvar

Mudança de Decúbito: O Que Observar?

  • Avaliar estabilidade clínica e dor antes da manobra
  • Inspecionar pele e proeminências ósseas
  • Proteger sondas, cateteres e drenos durante o movimento
  • Registrar a tolerância e as alterações observadas

 

Pocket Enfermagem Ilustrada

 

Referências:

  1. NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE (NICE). Pressure ulcers: prevention and management. London: NICE, 2014. Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/cg179.
  2. NATIONAL PRESSURE INJURY ADVISORY PANEL; EUROPEAN PRESSURE ULCER ADVISORY PANEL; PAN PACIFIC PRESSURE INJURY ALLIANCE. Repositioning and Mobilization. In: HAESLER, Emily (ed.). Prevention and Treatment of Pressure Ulcers/Injuries: Clinical Practice Guideline. The International Guideline: Fourth Edition. 2026. Disponível em: International Guideline: Repositioning and Mobilization. 

Auditoria de Prontuários: O Que a Enfermagem Deve Conferir?

Auditoria de Prontuários

Uma anotação incompleta pode comprometer a continuidade do cuidado, dificultar a investigação de um evento adverso e deixar dúvidas sobre uma assistência que foi realizada. Por isso, a auditoria de prontuários não deve ser vista apenas como uma conferência burocrática: ela ajuda a identificar falhas de registro e oportunidades para melhorar a segurança do paciente.

A conferência dos próprios registros e a identificação de inconsistências fazem parte da rotina assistencial de toda a equipe de enfermagem. Já a auditoria profissional de enfermagem é uma atividade privativa do enfermeiro, conforme a Resolução Cofen nº 720/2023 e suas alterações.

O que precisa ser conferido?

Na enfermagem, devem ser avaliados os registros de sinais vitais, administração de medicamentos, procedimentos, cuidados prestados, intercorrências e respostas do paciente. Também é necessário verificar se as informações estão datadas, identificadas e assinadas conforme as normas institucionais e profissionais, além de observar rasuras, campos em branco e divergências entre anotações.

Imagine que um antibiótico esteja prescrito para determinado horário, mas não haja registro de administração nem justificativa para a omissão. Na auditoria, essa ausência precisa ser investigada: não se deve presumir que o medicamento foi administrado nem completar o registro retroativamente como se o cuidado tivesse sido documentado no momento correto. A situação deve ser esclarecida pelos fluxos institucionais, preservando a rastreabilidade do prontuário. O Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem exige registros claros, objetivos, completos e fidedignos.

Outro ponto importante é a coerência entre a evolução e os demais registros. Se um paciente apresentou queda de pressão, por exemplo, devem ser verificadas as anotações sobre avaliação clínica, comunicação à equipe, condutas adotadas e reavaliação. Quando essas informações estão dispersas ou incompletas, a continuidade assistencial pode ser prejudicada e a análise do caso fica mais difícil.

Cuidados de enfermagem durante a auditoria

Confira a identificação do paciente, a cronologia das anotações, a correspondência entre prescrição e execução, os registros de intercorrências e a identificação do profissional responsável. Ao encontrar inconsistências, siga o fluxo institucional para esclarecimento e correção permitida, sem apagar, adulterar ou inserir informações sem respaldo. A auditoria deve contribuir para a melhoria dos processos, com tratamento adequado das informações e respeito à confidencialidade do paciente.

Resumo para salvar

Auditoria de Prontuários: O Que Conferir?

  • Conferir registros completos, datados e identificados
  • Verificar medicamentos, procedimentos e intercorrências
  • Comparar evolução clínica e condutas documentadas
  • Investigar inconsistências sem adulterar o prontuário

Referências:

  1. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução Cofen nº 720, de 15 de maio de 2023. Normatiza a atuação do enfermeiro em auditoria. Brasília, DF: Cofen, 2023. Disponível em: https://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-no-720-2023/.
  2. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução Cofen nº 733, de 12 de dezembro de 2023. Altera o anexo da Resolução Cofen nº 720, de 15 de maio de 2023, a qual normatiza a atuação do enfermeiro em auditoria. Brasília, DF: Cofen, 2023. Disponível em: https://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-no-733-de-12-de-dezembro-de-2023/.
  3. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução Cofen nº 514, de 5 de maio de 2016. Aprova o Guia de Recomendações para os registros de enfermagem no prontuário do paciente e em outros documentos de enfermagem. Brasília, DF: Cofen, 2016. Disponível em: https://www.cofen.gov.br/wp-content/uploads/2016/06/RESOLU%C3%87%C3%83O-COFEN-N%C2%BA-0514-2016-GUIA-DE-RECOMENDA%C3%87%C3%95ES-vers%C3%A3o-web.pdf.
  4. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução Cofen nº 564, de 6 de novembro de 2017. Aprova o novo Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. Brasília, DF: Cofen, 2017. Disponível em: https://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-no-5642017/.
  5. BRASIL. Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). Brasília, DF: Presidência da República, 2018. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/l13709.htm. 

Dor Abdominal: O Que a Enfermagem Deve Observar

Dor Abdominal

A intensidade da dor abdominal nem sempre revela a gravidade do quadro. Um paciente pode relatar desconforto moderado enquanto apresenta sinais iniciais de uma condição que exige avaliação urgente; por isso, a enfermagem deve observar a evolução da dor, o estado geral e os sinais associados, em vez de se orientar apenas pela nota atribuída pelo paciente. Dor súbita, piora progressiva ou sinais de instabilidade exigem avaliação imediata.

Localização e evolução da dor

Na avaliação inicial, investigue onde a dor começou, onde está localizada, quando apareceu, quanto tempo dura e se piora com movimentos ou alimentação. Pergunte sobre intensidade, caráter — cólica, queimação ou pontada — e sintomas associados, como náuseas, vômitos, febre, distensão, diarreia ou ausência de evacuação e eliminação de gases. A história clínica ajuda a direcionar a investigação, mas não substitui o exame físico.

Imagine um paciente que chega relatando dor ao redor do umbigo, mas, durante a observação, passa a apontar a região inferior direita do abdome. Essa mudança deve ser registrada e comunicada, pois a migração da dor pode ser clinicamente relevante, inclusive em casos de apendicite. A evolução dos sintomas precisa ser acompanhada, sem que um diagnóstico seja presumido apenas pela localização.

Sinais de alerta que não podem esperar

Observe pressão arterial, frequência cardíaca, frequência respiratória, temperatura, perfusão e nível de consciência. Abdome rígido, dor intensa ao movimento, distensão importante, vômitos persistentes, sangue nas fezes, desmaio ou sinais de choque exigem avaliação urgente. A dor súbita e intensa também deve ser valorizada, especialmente quando acompanhada de palidez, sudorese ou deterioração do estado geral.

Em outra situação clínica, um paciente com dor abdominal começa a apresentar palidez, sudorese fria e queda da pressão arterial. Nesse momento, a prioridade passa a ser reconhecer a possível instabilidade, acionar a equipe responsável e iniciar as medidas de suporte previstas no protocolo, sem atrasar o atendimento para completar uma avaliação rotineira.

Cuidados de enfermagem

Reavalie a dor e os sinais vitais, registre os achados e comunique prontamente qualquer piora. Mantenha o paciente em segurança, prepare-o para exames conforme orientação e protocolo e não ofereça alimentos, bebidas ou medicamentos por iniciativa própria quando houver suspeita de abdome agudo. A analgesia prescrita não deve ser atrasada indevidamente; a resposta ao tratamento também precisa ser monitorada.

A avaliação de enfermagem não termina quando a dor é registrada. A mudança do quadro clínico pode ser o sinal mais importante.

Resumo para salvar

Dor Abdominal: O Que Observar

  • Investigue localização e evolução da dor
  • Avalie sinais vitais e sintomas associados
  • Reconheça rigidez abdominal e sinais de instabilidade
  • Registre, reavalie e comunique a piora clínica

Referências:

  1. MERCK MANUAL PROFESSIONAL EDITION. Acute abdominal pain. Disponível em: https://www.merckmanuals.com/professional/gastrointestinal-disorders/acute-abdomen-and-surgical-gastroenterology/acute-abdominal-pain.
  2. NATIONAL HEALTH SERVICE (NHS). Appendicitis. Disponível em: https://www.nhs.uk/conditions/appendicitis/.
  3. ANSARI, Parswa. Acute abdominal pain. In: MERCK MANUAL PROFESSIONAL EDITION. (S. l.): Merck & Co., jul. 2024. Disponível em: https://www.merckmanuals.com/professional/gastrointestinal-disorders/acute-abdomen-and-surgical-gastroenterology/acute-abdominal-pain.
  4. BALA, Miklosh et al. Acute mesenteric ischemia: updated guidelines of the World Society of Emergency Surgery. World Journal of Emergency Surgery, v. 17, art. 54, 2022. DOI: https://doi.org/10.1186/s13017-022-00443-x. 

Como Avaliar o Paciente Antes do Banho?

avaliação antes do banho

O banho no leito pode se tornar um momento de instabilidade clínica quando a condição do paciente não é avaliada antes do início. A mobilização, a mudança de posição e a exposição ao ambiente podem aumentar o desconforto e exigir esforço respiratório ou cardiovascular. Por isso, antes de separar os materiais, verifique se o paciente tem condições de tolerar o banho naquele momento. A avaliação deve considerar o estado clínico atual, não apenas a rotina prevista.

O que precisa ser verificado?

Antes do banho no leito, devem ser avaliados o nível de consciência, a capacidade de colaborar, a dor, a mobilidade e a condição da pele. Também devem ser observados os sinais vitais e, nos pacientes críticos, a saturação, o ritmo cardíaco, o suporte ventilatório e os dispositivos em uso. Quando houver instabilidade clínica, o banho deve ser reavaliado e, se necessário, adiado até que seja seguro realizá-lo.

Em um paciente internado na UTI, por exemplo, uma queda recente da pressão arterial ou o aumento da necessidade de oxigênio deve ser considerado antes de iniciar a mobilização. Mesmo que o banho esteja previsto para aquele horário, a equipe precisa avaliar se o procedimento poderá ser realizado sem agravar o quadro. Durante o cuidado, os parâmetros clínicos devem continuar sendo monitorados.

Segundo uma revisão sistemática, houve estudos em que a saturação venosa mista de oxigênio declinou consideravelmente durante o banho, restabelecendo-se cerca de 30 minutos depois, o que reforça a importância de monitorar o paciente antes, durante e após o procedimento.

A pele também precisa ser examinada

A avaliação deve incluir vermelhidão persistente, lesões, hematomas, edema, umidade excessiva e áreas dolorosas, especialmente nas regiões de pressão, como sacro, calcanhares e quadris. Se forem identificadas alterações, elas devem ser registradas e os cuidados preventivos ajustados. A mobilidade reduzida e a incapacidade de mudar de posição aumentam o risco de lesão por pressão.

Durante a avaliação de um paciente dependente para higiene, uma área avermelhada no sacro pode ser percebida antes mesmo de o banho começar. Esse achado deve ser comunicado e acompanhado, evitando fricção intensa e adotando medidas de alívio da pressão conforme o plano de cuidados.

Cuidados de enfermagem

Explique o procedimento e preserve a privacidade do paciente. Antes de mobilizá-lo, confirme se há dor, restrições de movimento, cateteres, drenos ou outros dispositivos que precisem ser protegidos. Organize os materiais, solicite ajuda quando necessária e interrompa o banho se houver piora clínica, desconforto importante ou alteração dos parâmetros monitorados.

O banho deve ser planejado conforme as condições do paciente naquele momento, e não apenas pela rotina do setor.

Resumo para salvar

Como Avaliar o Paciente Antes do Banho

  • Avalie estabilidade clínica e sinais vitais
  • Verifique consciência, dor e mobilidade
  • Observe a pele e as áreas de pressão
  • Proteja dispositivos e interrompa se houver piora clínica

Referências:

  1. NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE (NICE). Pressure ulcers: prevention and management. London: NICE, 2014. Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/cg179/chapter/Recommendations.
  2. LIMA, D. V. M.; LACERDA, R. A. Repercussões oxi-hemodinâmicas do banho no paciente em estado crítico adulto hospitalizado: revisão sistemática. Acta Paulista de Enfermagem, v. 23, n. 2, p. 278-285, 2010. Disponível em: SciELO.

Várias Demandas no Plantão: Por Onde Começar?

Várias demandas do plantão

Diante de várias solicitações, faça uma varredura rápida dos pacientes e procure sinais de alerta: dificuldade respiratória, alteração súbita da consciência, dor torácica, sangramento importante ou instabilidade dos sinais vitais. Se houver suspeita de deterioração clínica, a avaliação e o acionamento da equipe de resposta rápida devem ser priorizados, conforme o protocolo institucional.

Primeiro, identifique quem corre mais risco

Imagine um plantão em que um paciente solicita ajuda para ir ao banheiro, outro relata dor intensa e um terceiro apresenta queda da saturação. A sequência não deve ser definida pela ordem dos chamados: o paciente com dessaturação precisa ser avaliado imediatamente, enquanto as outras demandas devem ser comunicadas e reorganizadas de acordo com a segurança clínica.

Reorganize as tarefas sem perder o controle

Depois de identificar as urgências, agrupe as atividades por prioridade e horário, considerando medicamentos com horários críticos, procedimentos programados e cuidados que podem ser delegados a profissionais habilitados. Se uma nova intercorrência surgir, a programação deve ser revista. A comunicação objetiva com a equipe evita que uma tarefa importante fique sem responsável.

Em outra situação comum, durante o preparo de medicamentos, um colega solicita ajuda para reposicionar um paciente e o telefone toca com uma nova demanda. Antes de abandonar uma medicação já preparada ou interromper uma etapa que exija atenção, é necessário garantir que o processo esteja seguro, comunicar a necessidade de apoio e definir quem assumirá cada atividade. Interrupções devem ser administradas para reduzir o risco de erros.

Cuidados de enfermagem

Reavalie os pacientes conforme a gravidade, comunique alterações sem demora e registre as intervenções realizadas. Ao delegar tarefas, confirme se o profissional tem competência para executá-las e se compreendeu o que precisa ser feito. Se a carga de trabalho comprometer a segurança, solicite apoio à liderança.

Priorizar não significa fazer tudo ao mesmo tempo. Significa reconhecer o que não pode esperar, agir com segurança e reavaliar as prioridades continuamente.

Resumo para salvar

Várias Demandas no Plantão: Por Onde Começar?

  • Avalie primeiro quem apresenta maior risco clínico
  • Reconheça sinais de deterioração e acione ajuda
  • Reorganize tarefas e delegue com segurança
  • Reavalie prioridades e registre as intervenções

Referências:

  1. AGENCY FOR HEALTHCARE RESEARCH AND QUALITY (AHRQ). TeamSTEPPS: Team Strategies and Tools to Enhance Performance and Patient Safety. Rockville, MD: AHRQ. Disponível em: https://www.ahrq.gov/teamstepps/index.html.
  2. RESUSCITATION COUNCIL UK. The ABCDE Approach. London: Resuscitation Council UK. Disponível em: https://www.resus.org.uk/library/2021-resuscitation-guidelines/acute-care.