Síndrome de Aspiração de Mecônio (SAM)

A síndrome de aspiração de mecônio (SAM) é caracterizada por vários graus de insuficiência respiratória. A quantidade e a consistência do mecônio absorvido é que irão afetar em maior ou menor medida o bebê.

Etiologia

O estresse fisiológico no momento do trabalho de parto e do parto (p. ex., por hipóxia e/ou acidose causada por compressão do cordão umbilical ou insuficiência placentária ou por infecção) pode levar o feto a eliminar mecônio dentro do líquido amniótico antes do parto.

A eliminacão de mecônio também pode ser normal antes do nascimento, particularmente em lactentes a termo ou pós-termo; observa-se a eliminacão de mecônio em 10 a 15% dos nascimentos. Entretanto, nunca é normal observar a eliminacão de mecônio no parto de um lactente pretermo.

É provável que, durante o trabalho de parto, cerca de 5% dos recém-nascidos tenham aspirado mecônio, desencadeando lesões pulmonares e disfunção respiratória, na denominada síndrome da aspiração de mecônio.

Embora a pneumonite causada pelo mecônio contribua para o comprometimento respiratório nesses recém-nascidos, a hipertensão pulmonar persistente (HPP) causada pela acidose e/ou hipóxia pré-natal e pós-natal é igualmente, ou até mais, comprometedora.

Fisiopatologia

Os mecanismos pelos quais a aspiração induz à síndrome provavelmente incluem:

  • Liberação de citocinas não específicas;
  • Obstrução das vias respiratórias;
  • Diminuição da produção de surfactantes e inativação do surfactante;
  • Pneumonite química.

As condições fisiológicas basais também podem contribuir para o processo. A atelectasia pode surgir se ocorrer obstrução total do brônquio; o bloqueio parcial impede a expiração do ar, resultando em hiperexpansão dos pulmões e possível extravasamento de ar pulmonar com pneumomediastino ou pneumotórax.

O risco de extravasamento de ar é ainda maior por causa da diminuição da complacência pulmonar causada pela diminuição da produção de surfactantes e inativação dos surfactantes. Hipertensão pulmonar persistente do recém-nascido pode estar associada à aspiração de mecônio como uma comorbidade ou decorrente de hipóxia persistente.

Recém-nascidos também podem aspirar, durante o parto, vérnix caseoso, líquido amniótico ou sangue de origem materna ou fetal, os quais podem provocar disfunção respiratória e sinais de pneumonia por aspiração na radiografia de tórax.

Sinais e Sintomas

Os sinais da síndrome de aspiração de mecônio são taquipneia, batimento de asa de nariz, retrações, cianose ou dessaturação, estertores, roncos e coloração amarelo-esverdeada do cordão umbilical, leito ungueal ou pele. Manchas de mecônio podem ser vistas na orofaringe e (na entubação) na laringe e na traqueia.

Os recém-nascidos com retenção de ar podem apresentar tórax em barril e também sinais e sintomas de pneumotórax, enfisema intersticial pulmonar e pneumomediastino.

Diagnóstico

  • Eliminação de mecônio;
  • Desconforto respiratório;
  • Radiografia com achados característicos;

Suspeita-se do diagnóstico da síndrome da aspiração de mecônio quando um recém-nascido mostra desconforto respiratório no contexto do líquido amniótico contendo mecônio.

O diagnóstico é confirmado pela radiografia de tórax, que demonstra hiperinflação com várias áreas de atelectasia e achatamento do diafragma.

Os achados radiológicos iniciais podem ser confundidos com os achados da taquipneia transitória do recém-nascido (TTR); entretanto, o que muitas vezes separa lactentes com a síndrome de aspiração de mecônio daqueles com TTR é a hipoxemia significativa presente com a HPP concomitante.

O líquido pode ser visto nas fissuras pulmonares ou nos espaços pleurais; o ar, nos tecidos moles ou no mediastino.

Como o mecônio pode propiciar o crescimento de bactérias e como é difícil diferenciar o diagnóstico de síndrome da aspiração meconial de pneumonia bacteriana, deve-se coletar amostras para hemocultura.

Prognóstico

O prognóstico é geralmente bom, embora varie com a fisiopatologia de base; a mortalidade geral é maior. Recém-nascidos portadores da síndrome da aspiração de mecônio estão sob o risco de apresentarem doença asmática futuramente.

Tratamento

  • Entubação endotraqueal e ventilação mecânica conforme necessário;
  • Suplementação de oxigênio conforme necessário para manter a PaO2 alta e relaxar a vasculatura pulmonar nos casos de HPP;
  • Surfactante;
  • Antibióticos IV;
  • Óxido nítrico inalável nos casos graves de HPP;
  • Oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO) se não responsivo às terapias acima;

Não foi demonstrado que a aspiração profunda de rotina (i. e., entubação para aspiração abaixo das cordas vocais) em neonatos nascidos com mecônio no líquido amniótico melhora o desfecho.

Entretanto, se a respiração do recém-nascido parece obstruída, faz-se aspiração com uma sonda endotraqueal ligada ao aspirador de mecônio. Indica-se entubação ou pressão positiva contínua das vias respiratórias por via nasal (CPAP) para desconforto respiratório, seguida de ventilação mecânica e internação na unidade de terapia intensiva neonatal conforme necessário.

Uma vez que a ventilação com pressão positiva aumenta o risco da síndrome de extravasamento de ar pulmonar, torna-se importante a reavaliação regular (incluindo exame físico e radiografia do tórax) para detectar essas complicações, que devem ser imediatamente investigadas em qualquer recém-nascido entubado e que subitamente apresente piora da pressão arterial, perfusão ou saturação de oxigênio.

Síndromes de extravasamento de ar pulmonar para tratamento das síndromes de extravasamento de ar.

Deve-se considerar surfactantes para neonatos sob ventilação mecânica com altos requisitos de oxigênio; pode diminuir a necessidade de ECMO (1, 2), mas não diminui a mortalidade.

Às vezes, administra-se antibióticos (geralmente ampicilina e um aminoglicosídeo—como usado para o tratamento padrão da doença bacteriana grave em um recém-nascido enfermo).

No entanto, estudos mostraram que o uso de antibióticos em recém-nascidos com aspiração de mecônio não reduz significativamente a mortalidade, a incidência de sepse, o tempo de internação ou a duração da necessidade de suporte respiratório.

Óxido nítrico inalável a até 20 ppm e ventilação de alta frequência são outras terapias usadas no caso de desenvolvimento de hipoxemia refratária; também podem diminuir a necessidade de ECMO.

Referências:

  1.  El Shahed AI, Dargaville PA, Ohlsson A, Soll R: Surfactant for meconium aspiration syndrome in term and late preterm infants. Cochrane Database Syst Rev 12(CD002054):1–36, 2014. doi: 10.1002/14651858.CD002054.pub3

  2. Natarajan CK, Sankar MJ, Jain K, et al: Surfactant therapy and antibiotics in neonates with meconium aspiration syndrome: A systematic review and meta-analysis. J Perinatol 36(Suppl 1):S49–S54, 2016. doi: 10.1038/jp.2016.32

Classificação de Killip na SCA

A classificação de (ou Killip-Kimball) é um sistema de pontuação que desempenhou papel fundamental na cardiologia desde há mias de três décadas, tendo sido usada como um critério de classificação para muitos outros estudos.

Durante o período de evolução do IAM, a migração dos portadores de uma classe mais baixa para uma mais alta está associada independentemente com elevação da mortalidade em muitos estudos, enquanto que os que evoluem com uma baixa pontuação têm uma menor probabilidade de morrer dentro dos primeiros 30 dias.

Como surgiu a classificação de Killip?

Em Outubro de 1967, os médicos Thomas Killip e John Kimball publicam no The American Journal of Cardiology a experiência de dois anos com 250 pacientes tratados por infarto agudo do miocárdio em uma unidade coronariana. A publicação falava de um sistema que, mais tarde, ficou conhecido como classificação Killip, que usamos até hoje no cenário de síndrome coronariana aguda.

Critérios de Classificação

  • Killip 1 (81/250 pacientes): sem sinais clínicos de insuficiência cardíaca, com ausculta pulmonar normal – cerca de um terço dos pacientes;
  • Killip 2 (96/250 pacientes): achados consistentes com insuficiência cardíaca leve a moderada (presença de B3, estertores pulmonares bibasais ou distensão venosa jugular) – cerca de um terço dos pacientes;
  • Killip 3 (26/250 pacientes): IC grave ou edema pulmonar franco;
  • Killip 4 (47/250 pacientes): choque cardiogênico, em que há evidência pulmonar e sistêmica de baixo débito cardíaco.

Este estudo tem, contudo, limitações, principalmente por ter sido uma série de casos, não cega, sem desfechos objetivos, não ajustada para fatores de confusão e não validada independentemente, além de ter sido feito em uma população de 250 indivíduos.

Apesar de todas estas dificuldades mostrou-se muito útil e a classificação de Killip permanece sendo empregada.

Referências:

  1. Killip T, Kimball JT. Treatment of myocardial infarction in a coronary care unit: a two year experience of 250 patients. Am J Cardiol. 1967; 20:457-464. ISSN 0002-9149
  2. http://en.wikipedia.org/wiki/Killip class

Síndrome da Unha Esverdeada

A síndrome da unha esverdeada é uma infecção paroniquial bacteriana que pode se desenvolver em indivíduos cujas mãos estão frequentemente submersas em água. Também pode ocorrer como listras verdes transversais que são atribuídas a episódios intermitentes de infecção.

É mais comumente causada pela bactéria Pseudomonas aeruginosa,que se desenvolve em condições úmidas. A síndrome das unhas verdes está ligada à submersão regular das mãos em água, detergentes e sujeira. Existem várias atividades e lesões que estão ligadas à predisposição para contrair a doença.

Sintomas

O sintoma mais comum da síndrome da unha esverdeada é a descoloração da unha infectada, pois ela adquire uma coloração verde-escura, devido à secreção dos pigmentos verdes pioverdina e piocianina.

O paciente também pode sofrer de sensibilidade ao redor da unha infectada, juntamente com vermelhidão e inchaço.

Diagnóstico

O diagnóstico geralmente pode ser feito a partir de um exame físico da unha. Se necessário, uma coloração de Gram ou cultura bacteriológica de raspagem de unha pode ser realizada para identificar a presença de bactérias.

No entanto, existem deficiências na realização de uma cultura porque a infecção pode estar presente a uma distância do local da unha e, como resultado, retornar um resultado falso negativo. Uma amostra de unha infectada pode ser submersa em água destilada para realizar um teste de solubilidade do pigmento, dentro de 24 horas o líquido ficará com uma cor azul esverdeada indicando a presença de Pseudomonas aeruginosa.

O Diagnóstico errôneo

A síndrome das unhas esverdeadas pode ser diagnosticada erroneamente como infecções por Aspergillus, melanoma maligno, hematomas subungueais. O uso de corante verde, tinta ou lacas químicas também pode causar confusão.

Referências:

  1.  «Síndrome da unha esverdeada – Distúrbios da pele». Manual MSD Versão Saúde para a Família
  2. «Pseudomonas aeruginosa Infections: Clinical Presentation». eMedicine
  3. James, William; Berger, Timothy; Elston, Dirk (2005). Andrews’ Diseases of the Skin: Clinical Dermatology. (10th ed.). Saunders. ISBN 0-7216-2921-0.
  4. American Osteopathic College of Dermatology (2019). Green Nail Syndrome.
  5. «Green Nail Syndrome (GNS, Pseudomonas nail infection, chloronychia, green striped nails, chromonychia)». Dermatology Advisor (em inglês). 13 de março de 2019
  6. Clark, K., & Davison, L. (2006). Green Nail Syndrome. NJ, USA: MJH Healthcare holdings LLC.
  7. Matsuura, H.; Senoo, A.; Saito, M.; Hamanaka, Y. (1 de setembro de 2017). «Green nail syndrome». QJM: An International Journal of Medicine (em inglês). 110: 609–609. ISSN 1460-2725doi:10.1093/qjmed/hcx114
  8. Chiriac, Anca; Brzezinski, Piotr; Foia, Liliana; Marincu, Iosif (14 de janeiro de 2015). «Chloronychia: green nail syndrome caused by Pseudomonas aeruginosa in elderly persons». Clinical Interventions in Aging (em English).

Síndrome de Burnout na Enfermagem

A enfermagem é uma das profissões mais nobres e essenciais para o funcionamento do sistema de saúde. No entanto, a alta carga de trabalho, a exposição constante ao sofrimento humano e a pressão por resultados podem levar ao esgotamento físico e emocional, conhecido como Síndrome de Burnout.

Nesta publicação, vamos explorar o que é a Síndrome de Burnout, seus sintomas, causas e, principalmente, como preveni-la e cuidar da saúde mental dos profissionais de enfermagem.

O Que é a Síndrome de Burnout?

A Síndrome de Burnout é um distúrbio psicológico caracterizado por um estado de esgotamento profissional, resultante do estresse crônico no trabalho. Ela foi incluída na Classificação Internacional de Doenças (CID-11) da Organização Mundial da Saúde (OMS) como um fenômeno ocupacional.

Na enfermagem, o Burnout é especialmente preocupante devido à natureza exigente e emocionalmente desgastante da profissão.

Sintomas da Síndrome de Burnout

Os sintomas do Burnout podem ser físicos, emocionais e comportamentais. Entre os mais comuns estão:

Sintomas Físicos

  • Fadiga constante.
  • Dores de cabeça e musculares.
  • Distúrbios do sono (insônia ou excesso de sono).
  • Problemas gastrointestinais.

Sintomas Emocionais

  • Sensação de esgotamento e exaustão.
  • Irritabilidade e impaciência.
  • Sentimentos de impotência e desesperança.
  • Dificuldade de concentração.

Sintomas Comportamentais

  • Isolamento social.
  • Absenteísmo no trabalho.
  • Diminuição da produtividade.
  • Atitudes negativas em relação aos pacientes e colegas.

Causas do Burnout na Enfermagem

Vários fatores contribuem para o desenvolvimento da Síndrome de Burnout entre os profissionais de enfermagem:

  1. Carga de Trabalho Excessiva: Longas jornadas e alta demanda de tarefas.
  2. Falta de Recursos: Escassez de materiais, equipamentos e pessoal.
  3. Exposição ao Sofrimento: Lidar diariamente com a dor e a morte.
  4. Pressão por Resultados: Necessidade de tomar decisões rápidas e precisas.
  5. Falta de Reconhecimento: Pouca valorização do trabalho da equipe de enfermagem.
  6. Conflitos Interpessoais: Relações tensas com colegas ou superiores.

Como Prevenir a Síndrome de Burnout?

A prevenção do Burnout requer ações individuais e institucionais. Aqui estão algumas estratégias:

No Nível Individual

  1. Autocuidado: Reserve tempo para atividades que tragam prazer e relaxamento, como hobbies, exercícios físicos e meditação.
  2. Estabeleça Limites: Aprenda a dizer “não” quando necessário e evite levar trabalho para casa.
  3. Busque Apoio: Converse com colegas, amigos ou familiares sobre suas dificuldades.
  4. Invista em Formação: Participe de cursos e treinamentos para se sentir mais seguro e capacitado.

No Nível Institucional

  1. Promova um Ambiente Saudável: Incentive a comunicação aberta e o trabalho em equipe.
  2. Ofereça Suporte Psicológico: Disponibilize programas de assistência ao funcionário (PAE).
  3. Reduza a Carga de Trabalho: Contrate mais profissionais e organize escalas equilibradas.
  4. Reconheça e Valorize: Celebre conquistas e reconheça o esforço da equipe.

Cuidados para Quem Já Vive com Burnout

Se você ou alguém que você conhece está enfrentando a Síndrome de Burnout, é importante buscar ajuda. Aqui estão algumas ações:

  1. Procure um Psicólogo: A terapia pode ajudar a entender e lidar com as causas do esgotamento.
  2. Consulte um Médico: Em alguns casos, pode ser necessário tratamento medicamentoso.
  3. Reduza a Exposição ao Estresse: Converse com seus superiores sobre a possibilidade de ajustar suas funções.
  4. Pratique Mindfulness: Técnicas de atenção plena podem ajudar a reduzir a ansiedade e o estresse.

A Importância da Conscientização

A Síndrome de Burnout não é um sinal de fraqueza, mas uma consequência de um ambiente de trabalho desgastante. É essencial que os profissionais de enfermagem e as instituições de saúde reconheçam o problema e trabalhem juntos para criar um ambiente mais saudável e sustentável.

A Síndrome de Burnout é uma realidade preocupante na enfermagem, mas pode ser prevenida e tratada com ações individuais e coletivas. Cuidar da saúde mental dos profissionais de enfermagem não é apenas uma questão de bem-estar, mas também de qualidade no atendimento aos pacientes.

Referência:

  1. PERNICIOTTI, Patrícia et al . Síndrome de Burnout nos profissionais de saúde: atualização sobre definições, fatores de risco e estratégias de prevenção. Rev. SBPH, São Paulo , v. 23, n. 1, p. 35-52, jun. 2020 . Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-08582020000100005&lng=pt&nrm=iso&gt;.

SIADH Vs Diabetes Insipidus (D.I)

A SIADH e o diabetes insípido (DI) são distúrbios que afetam a regulação do equilíbrio hídrico no corpo. A principal diferença entre eles reside na produção ou ação do hormônio antidiurético (ADH), também conhecido como vasopressina.

Síndrome da Secreção Inapropriada de Hormônio Antidiurético (SIADH)

  • Causa: A SIADH ocorre quando o hormônio antidiurético (ADH), também conhecido como vasopressina, é secretado em excesso pela hipófise em situações inadequadas. Isso leva à retenção de líquidos e à diluição dos níveis de sódio no sangue.
  • Mecanismo: A vasopressina regula a quantidade de água no corpo, controlando a excreção de água pelos rins. Quando há excesso de vasopressina, mais água é retida, resultando em hiponatremia (baixos níveis de sódio).
  • Causas: A SIADH pode surgir em casos de câncer de pulmão, em idosos e em pacientes hospitalizados. Existem várias causas possíveis, que requerem exames adicionais para detecção.
  • Sintomas: Os sintomas incluem lentidão e confusão devido à hiponatremia.
  • Diagnóstico: O médico suspeita de SIADH quando a hiponatremia não pode ser explicada por outros fatores. Exames de sangue e urina são realizados para confirmar o diagnóstico.

Diabetes Insipidus (DI)

  • Causa: O DI ocorre devido à deficiência de ADH. Pode ser causado por defeitos no receptor V2R, uso de medicações, destruição da hipófise posterior por tumores ou trauma.
  • Mecanismo: No DI, há pouca ou nenhuma produção de ADH, resultando em excessiva excreção de água pelos rins. Isso leva à poliúria (urina excessiva) e sede intensa.
  • Sintomas: Sede extrema, micção frequente e urina diluída.
  • Diagnóstico: Testes de concentração urinária e resposta ao ADH são usados para diagnosticar o DI.

As Diferenças

No SIADH ocorre o excesso de ADH, retenção de líquidos, hiponatremia, já a DI ocorre a deficiência de ADH, poliúria, sede intensa.

Referência:

  1. Naves, L. A., Vilar, L., Costa, A. C. F., Domingues, L., & Casulari, L. A.. (2003). Distúrbios na secreção e ação do hormônio antidiurético. Arquivos Brasileiros De Endocrinologia & Metabologia, 47(4), 467–481. https://doi.org/10.1590/S0004-27302003000400019

Doença e Síndrome de Moyamoya

A Doença de Moyamoya é uma condição cerebrovascular rara e progressiva que se caracteriza pelo estreitamento das artérias carótidas internas e seus ramos.

Este estreitamento leva à formação de uma rede de vasos sanguíneos colaterais na base do cérebro, que tentam compensar a redução do fluxo sanguíneo.

A origem do nome

O nome “Moyamoya” vem do japonês e significa “nuvem de fumaça”, uma alusão à aparência nebulosa desses vasos colaterais em exames de imagem.

Causas e Fisiopatologia

Embora a etiologia exata da Doença de Moyamoya seja desconhecida, acredita-se que fatores genéticos possam desempenhar um papel importante, especialmente em indivíduos de origem japonesa.

A doença pode estar associada a outras condições, como neurofibromatose, anemia falciforme e síndrome de Down.

Na Doença de Moyamoya, ocorre um estreitamento crônico das artérias carótidas internas, levando a um suprimento sanguíneo insuficiente ao cérebro e, consequentemente, a uma carência de oxigênio.

Para compensar, o cérebro desenvolve uma rede de vasos colaterais. No entanto, esses vasos são mais frágeis e podem romper, causando hemorragias cerebrais.

Sintomas e Diagnóstico

Os sintomas da Doença de Moyamoya variam, mas frequentemente incluem ataques isquêmicos transitórios, acidentes vasculares cerebrais e, em alguns casos, hemorragias cerebrais.

Em crianças, pode ocorrer declínio intelectual, convulsões e movimentos involuntários.

O diagnóstico é feito através de exames de imagem, como angiografia por ressonância magnética (RM) ou tomografia computadorizada, que revelam o estreitamento das artérias e a presença da rede vascular anormal.

Tratamento e Prognóstico

O tratamento da Doença de Moyamoya é principalmente cirúrgico, visando restaurar o fluxo sanguíneo adequado ao cérebro.

As opções incluem procedimentos como a anastomose direta e a encefaloduroarteriossinangiose indireta.

O prognóstico da doença varia. Sem tratamento, pode levar a complicações graves e até fatais. No entanto, com intervenção cirúrgica adequada e acompanhamento médico, muitos pacientes conseguem levar uma vida relativamente normal.

Alguns Cuidados

  • Monitoramento Neurológico: Observar sinais de déficits neurológicos, como fraqueza, alterações na fala ou convulsões.
  • Prevenção de AVC: Acompanhar sinais vitais e realizar exames periódicos para detectar sinais precoces de acidente vascular cerebral.
  • Cuidados Pós-Operatórios: Após a cirurgia de revascularização, é importante monitorar sinais de infecção, garantir a administração adequada de medicamentos e avaliar a cicatrização.
  • Educação do Paciente e Família: Informar sobre a doença, o tratamento e as medidas preventivas para evitar lesões que possam levar a sangramentos.

Estes são aspectos gerais e cada paciente pode necessitar de cuidados específicos. É importante seguir as orientações da equipe médica e manter uma comunicação efetiva com todos os envolvidos no tratamento.

Referências:
  1. https://www.scielo.br/j/anp/a/73Y3WPvVXtwT77hZHgZSM4f/?format=pdf
  2. https://victorbarboza.com.br/doenca-de-moyamoya/

Síndrome de Reye

A síndrome de Reye é uma condição rara, mas potencialmente fatal, que afeta principalmente crianças e, ocasionalmente, adultos. Ela se caracteriza por inflamação do cérebro (encefalopatia) e acúmulo de gordura no fígado.

Causas e Desencadeadores

  • A causa exata da síndrome de Reye ainda não é completamente compreendida, mas existem fatores associados a seu desenvolvimento.
  • Infecções virais: A síndrome muitas vezes surge após infecções virais, como influenza (gripe) ou catapora (Vírus VVZ).
  • Uso de aspirina: O uso de aspirina (ácido acetilsalicílico) durante infecções virais aumenta o risco de desenvolver a síndrome de Reye. Por esse motivo, a aspirina não é recomendada para crianças, exceto em casos específicos, como o tratamento da doença de Kawasaki.

Sintomas

  • Os sintomas variam em gravidade, mas geralmente começam com sinais semelhantes aos de uma infecção viral:
    • Febre.
    • Sintomas respiratórios superiores (como tosse e coriza).
    • Mal-estar geral.
  • Após alguns dias, a criança pode apresentar:
    • Náusea intensa.
    • Vômitos persistentes.
    • Confusão.
    • Letargia (estado de sonolência e fraqueza).
  • Em casos graves, essas alterações no estado mental podem evoluir para:
    • Convulsões.
    • Coma.
    • Morte.

Diagnóstico

  • O diagnóstico da síndrome de Reye envolve:
    • Avaliação clínica: O médico suspeita da síndrome com base nos sintomas e histórico do paciente.
    • Exames laboratoriais:
      • Painel metabólico abrangente (PMA): Avalia o funcionamento do fígado e outros órgãos.
      • Provas de função hepática: Verifica a saúde do fígado.
    • Biópsia hepática: Coleta de uma pequena amostra do tecido do fígado para análise.

Tratamento

  • O tratamento visa:
    • Diminuir a pressão intracraniana: Reduzindo o inchaço cerebral.
    • Suporte hepático: Manter a função do fígado.
    • Controle dos sintomas: Administração de líquidos, vitamina K e medicamentos para controlar a inflamação.

Prognóstico

  • O prognóstico varia conforme a gravidade dos danos cerebrais.
  • A rápida identificação e tratamento adequado são essenciais para melhorar as chances de recuperação.

Cuidados de Enfermagem

  1. Monitoramento Contínuo:
    • Observe atentamente o estado mental da criança. Qualquer alteração súbita, como confusão, agitação ou sonolência excessiva, deve ser relatada imediatamente.
    • Monitore os sinais vitais, incluindo frequência cardíaca, pressão arterial e respiração.
  2. Controle da Pressão Intracraniana:
    • Elevação da cabeceira da cama para reduzir a pressão intracraniana.
    • Administração de medicamentos conforme prescrição para diminuir o inchaço cerebral.
  3. Suporte Hepático:
    • Avalie a função hepática regularmente por meio de exames de sangue.
    • Mantenha o paciente bem hidratado para apoiar a função hepática.
  4. Restrição de Líquidos:
    • Monitorize o balanço hídrico e restrinja a ingestão de líquidos conforme necessário para evitar sobrecarga.
  5. Prevenção de Complicações Pulmonares:
    • Realize a higiene oral e pulmonar para prevenir infecções respiratórias.
    • Monitore a saturação de oxigênio e observe sinais de dificuldade respiratória.
  6. Comunicação com a Família:
    • Eduque os pais sobre a síndrome de Reye, seus sintomas e o tratamento.
    • Forneça suporte emocional à família durante o período de internação.

Lembre-se sempre de seguir as orientações médicas e evitar o uso inadequado de medicamentos, especialmente aspirina, em crianças. A síndrome de Reye é rara, mas sua gravidade exige atenção e cuidados adequados.

Referências:

  1. MSD Manuals

HIV Vs AIDS: As diferenças

O HIV (vírus da imunodeficiência humana) é um retrovírus transmitido através do contato com fluidos corporais, como sangue, leite materno e sêmen.

Como é adquirido?

Pode ser adquirido por meio de relações sexuais desprotegidas com uma pessoa infectada, compartilhamento de agulhas ou de mãe para filho durante a gravidez ou amamentação.

Os Sintomas

A infecção pelo HIV pode causar sintomas iniciais, como cansaço excessivo, dor muscular, dor de cabeça ou garganta, suor noturno e ínguas. Esses sintomas podem surgir na infecção inicial pelo HIV, chamada síndrome retroviral aguda.

Por outro lado, a AIDS (síndrome da imunodeficiência adquirida) é a evolução do HIV. Ela ocorre quando o vírus do HIV provoca danos no sistema imunológico, tornando-o menos capaz de combater infecções e doenças.

Os sintomas da AIDS são mais intensos e surgem quando o sistema imunológico já está muito debilitado pelo HIV. Isso favorece o surgimento de infecções ou doenças oportunistas, como herpes, candidíase, toxoplasmose, sarcoma de Kaposi ou hepatite.

Você sabia?

É importante destacar que ter a infecção pelo HIV não significa automaticamente ter AIDS. Uma pessoa pode ser portadora do vírus HIV e estar fazendo tratamento, sendo considerada saudável.

No entanto, a AIDS ocorre quando o vírus do HIV causa danos significativos ao sistema imunológico.

As diferenças sutis

  • HIV: Vírus que pode provocar a AIDS.
  • AIDS: Síndrome resultante da destruição do sistema imunológico pelo vírus HIV.

Lembre-se sempre da importância da prevenção e do tratamento adequado para controlar a infecção pelo HIV e evitar a progressão para a AIDS. Consultar um profissional de saúde é fundamental para receber orientações específicas sobre prevenção, diagnóstico e tratamento.

Referências:

  1. Ministério da Saúde

Síndrome de Sjögren

A Síndrome de Sjögren (SS) é uma doença auto-imune que se caracteriza principalmente pela manifestação de secura ocular e na boca associadas à presença de auto anticorpos ou sinais de inflamação glandular.

Algumas células brancas (chamadas de linfócitos) invadem vários órgãos e glândulas, principalmente as glândulas lacrimais e salivares, produzindo um processo inflamatório que acaba por prejudicá-los, impedindo suas funções normais.

Causas

Se uma pessoa apresenta olho seco ou boca seca, ela deverá ser avaliada para as possíveis causas desses sintomas.

Medicamentos (inclusive os usados para o tratamento da pressão alta, depressão, resfriados e alergias), infecções e outros problemas oculares também podem causar esses mesmos sintomas.

Será necessária a avaliação de um médico Oftalmologista para determinar se realmente há falta de lágrima e sinais de inflamação na córnea em decorrência desta secura. Se essas alterações se confirmarem, o paciente deve ser encaminhado a um Reumatologista para avaliação do diagnóstico da Síndrome de Sjogren (SS).

A secura dos olhos e da boca pode ocorrer por inúmeros motivos, dentre eles:

  • Síndrome Sicca –  é quando acontece uma diminuição da produção de lágrimas e saliva, e pode ocorrer com a idade.
  • Sarcoidose – doença que também pode lesionar as glândulas que produzem saliva e lágrimas
  • Medicamentos como anti-histamínicos ou anti-depressivos
  • Inflamação das glândulas nas pálpebras que produzem óleo (blefarite), causando uma evaporação em excesso das lágrimas

Como existem inúmeras causas e complicações do olho e boca secos, você precisará, além do reumatologista, de um oftalmologista e um dentista.

Sinais e Sintomas

Os pacientes com “SS” também podem apresentar secura na pele, nariz e vagina. Podem apresentar fadiga, artralgias e artrites.

Além disso, outros órgãos do corpo, como os rins, pulmões, vasos, fígado, pâncreas e cérebro também podem ser afetados. Esta doença é mais comum em mulheres de meia idade, mas também pode ocorrer em homens e em qualquer idade.

Olhos:

  • Dor
  • Irritabilidade
  • Sensação de areia
  • Incômodo com a luz.

Boca e Garganta:

  • Boca seca
  • Saliva espessa e pegajosa
  • Dificuldade para engolir
  • Alteração na percepção do gosto dos alimentos
  • Rouquidão
  • Tosse seca

Fadiga:
Um dos sintomas mais comuns é o cansaço extremo, que não melhora nem com uma boa noite de sono. Algumas pessoas podem também se sentir tristes ou deprimidas.

Dor:

  • Dor nas articulações
  • Inchaço nas articulações
  • Dor ao toque em vários pontos do corpo

Outros Sintomas:
Outras partes do corpo podem ficar mais secas do que o normal, como por exemplo:

  • Sistema digestivo, causando dificuldade para engolir
  • Intestino, com sintomas parecidos aos da síndrome do intestino irritável
  • Pele, que pode ficar sensível ao sol ou apresentar coceira
  • Vagina, causando desconforto na relação sexual
  • Vias aéreas, fazendo com que a pessoa fique mais suscetível a irritantes como fumaça e poeira

Existem muitos outros sintomas também, como:

  • Febre
  • Alteração na cor das mãos (Fenômeno de Raynaud)
  • Dor de cabeça/ enxaqueca
  • Aumento dos gânglios (linfonodos) do pescoço, axilas ou virilha
  • Problemas no sistema nervoso, como fraqueza e formigamentos
  • Inflamação dos vasos sanguíneos (vasculite)
  • Manchas cor de vinho nas pernas (púrpura)
  • Dor no peito ou falta de ar
  • Problemas no fígado ou nos rins
  • Fibrose dos pulmões, levando à falta de ar e tosse seca

Diagnóstico

Para a confirmação do diagnóstico, além de todos os sintomas já mencionados o paciente deverá apresentar alterações laboratoriais (exames de sangue), radiológicos e/ou anátomo-patológicos (biópsia das glândulas salivares menores feita no lábio) e/ou de medicina nuclear (cintilografia das glândulas parótidas).

Síndrome de Sjögren Primária

A Síndrome de Sjögren Primária ocorre quando a Síndrome de Sjögren (SS) ocorre de forma isolada, sem a presença de outra doença auto-imune.

Síndrome de Sjögren Secundária

A Síndrome de Sjögren Secundária ocorre quando os sintomas da “SS” são acompanhados de uma outra doença auto-imune como a Artrite Reumatóide, o Lúpus Eritematoso Sistêmico ou Esclerodermia.

Tratamento

Ainda não existe uma cura definitiva para esta doença, mas o diagnóstico e intervenções precoces podem melhorar em muito o prognóstico. O tipo do tratamento vai depender dos sintomas (que podem ser bastante variados) e da sua gravidade.

No caso do paciente somente apresentar secura nos olhos e boca, eventualmente, poderão ser utilizados como tratamento somente lágrimas artificiais e substitutos de saliva. Remédios anti-inflamatórios, corticoides e/ou imunossupressores poderão ser utilizados quando houver manifestação mais graves, objetivando melhora da inflamação e evitando sequelas.

Olho Seco:

  • Colírios lubrificantes podem ser usados várias vezes ao dia, conforme a orientação do oftalmologista.
  • Se precisar usar os colírios mais de 6x ao dia, é melhor utilizar fórmulas sem conservantes, pois eles podem aumentar a secura e a sensibilidade.

Boca Seca:

  • Saliva artificial
  • Se você ainda é capaz de produzir um pouco de saliva, pode ser que o reumatologista indique comprimidos de pilocarpina, que age estimulando as glândulas. Algumas pessoas podem ter efeitos colaterais como suor, vermelhidão, diarreia e aumento da necessidade de urinar. Esses efeitos costumam melhorar com o tempo, e para evita-los é melhor começar com uma dose menor e aumentar gradativamente.

Dor ou Inchaço nas Articulações:

  • Seu médico poderá indicar analgésicos, anti-inflamatórios, corticoides ou hidroxicloroquina, dependendo do caso

Fadiga:

  • Talvez seja necessário investigar outros problemas como doença da tireoide e doença celíaca
  • Em alguns casos a hidroxicloroquina pode ajudar
  • Uma das coisas mais importantes para aliviar a fadiga são as mudanças nos hábitos de vida, como a prática de exercícios leves, a adaptação do ritmo das atividades  e a qualidade do sono. É importante encontrar o equilíbrio entre a quantidade de exercício e de repouso para se sentir bem.

Dor com origem nos nervos:

  • Pode ser tratada com medicamentos específicos, como gabapentina ou pregabalina

Sintomas mais graves:
Alguns pacientes com doença mais grave podem precisar de tratamento com corticoides e drogas imunossupressoras, como a azatioprina e o micofenolato.  O rituximab, um biológico direcionado para as células B do sistema imune, pode ser útil em alguns casos.

É importante ressaltar que a maioria das pessoas não precisa desse tipo de tratamento, pois os sintomas geralmente estão confinados às glândulas salivares e lacrimais.

Alguns Cuidados

Muitos sintomas podem ser aliviados com medidas simples:

  • Utilizar óculos de sol com proteção lateral, para ajudar a evitar a evaporação das lágrimas
  • Manter as pálpebras e áreas ao redor limpas para maximizar a secreção de óleo das glândulas das pálpebras
  • Evitar lentes de contato
  • Aumentar a umidade da casa pode ajudar com os sintomas de olho seco e tosse seca, e isso pode ser feito com umidificadores, plantas ou bacias com água
  • Evitar sabonetes com cheiro forte se tiver pele seca ou coceira
  • Utilizar cremes hidratantes na pele
  • Utilizar filtro solar
  • Cuidar muito bem da higiene bucal

Exercícios:
São recomendados para manter a mobilidade, principalmente se tiver sintomas nas articulações.

É necessário encontrar um equilíbrio entre a quantidade de repouso e de exercício para driblar a fadiga causada pela doença. O fisioterapeuta e o educador físico são profissionais que podem te ajudar a encontrar o melhor tipo de exercício e a aumentar o nível gradativamente.

Dieta:
Para minimizar os problemas dentários é importante reduzir os alimentos e bebidas açucarados. O álcool e as bebidas com cafeína devem ser evitados, pois pioram a secura.

Sexo e Gestação:
Um sintoma menos frequente da síndrome de Sjogren é a secura vaginal, e os lubrificantes são de grande utilidade. Converse com o seu ginecologista sobre este sintoma, e ele poderá te recomendar um tratamento adequado.

Cerca de 2% das mulheres que tem os anticorpos anti-Ro ou La positivos podem passar para o bebê durante a gravidez, e levar a problemas de pele e alteração nos exames de sangue. Com o passar dos meses esses anticorpos são eliminados do corpo do bebê.

Em alguns desses casos os anticorpos podem afetar o coração do bebê, fazendo com que ele bata mais lentamente. Mas lembre-se, 98% das gestações não tem essas alterações. O importante é informar o seu obstetra caso você tenha estes anticorpos, para que ele monitore o coração do bebê durante a gestação.

Referência:

  1. Freitas, Tarsila M. C. et al. Síndrome de Sjögren: revisão de literatura e acompanhamento de um caso clínico. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia [online]. 2004, v. 70, n. 2 [Acessado 26 Setembro 2022] , pp. 283-288. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0034-72992004000200023&gt;. Epub 29 Jun 2004. ISSN 0034-7299. https://doi.org/10.1590/S0034-72992004000200023.

Síndrome de Encarceramento

A Síndrome do Encarceramento, ou Síndrome de Locked-In, é uma doença neurológica rara, em que ocorre paralisia de todos os músculos do corpo, com exceção dos músculos que controlam o movimento dos olhos ou das pálpebras.

Nesta doença, o paciente fica ‘preso’ dentro do seu próprio corpo, sem conseguir se movimentar ou comunicar, mas continua consciente, percebendo tudo o que acontece à sua volta e a sua memória continua intacta.

Esta síndrome não tem cura, porém existem procedimentos que podem ajudar a melhorar a qualidade de vida da pessoa, como uma espécie de capacete que consegue identificar o que a pessoa está precisando, para que possa ser atendida.

Sintomas

Os sintomas da Síndrome do Encarceramento podem ser:

  • Paralisia dos músculos do corpo;
  • Incapacidade de falar e de mastigar;
  • Braços e pernas rígidas e esticadas.

Geralmente, os pacientes conseguem somente movimentar os olhos para cima e para baixo, pois até mesmo os movimentos laterais dos olhos estão comprometidos. A pessoa também sente dor, mas não consegue se comunicar e por isso não consegue esboçar nenhum movimento, como se não tivesse sentindo nenhuma dor.

O diagnóstico é feito com base nos sinais e sintomas apresentados e pode ser confirmado com exames, como ressonância magnética ou tomografia computadorizada, por exemplo.

O que causa essa síndrome?

As causas da Síndrome do Encarceramento podem ser lesões cerebrais traumáticas, após um AVC, efeitos colaterais de medicamentos, esclerose lateral amiotrófica, traumatismos cranianos, meningite, hemorragia cerebral ou mordida de cobra.

Nesta síndrome, as informações que o cérebro emite para o corpo não são totalmente captadas pelas fibras musculares e por isso o corpo não responde às ordens enviadas pelo cérebro.

Como é feito o tratamento?

O tratamento da Síndrome do Encarceramento não cura a doença, mas ajuda a melhorar a qualidade de vida da pessoa.

Atualmente, para facilitar a comunicação são utilizadas tecnologias que conseguem traduzir através de sinais, como piscar de olhos, o que a pessoa está pensando em palavras, permitindo que a outra pessoa o entenda. Outra possibilidade é usar uma espécie de touca com eletrodos na cabeça que interpreta o que a pessoa está pensando para que possa ser atendida.

Pode ser usado também um pequeno aparelho que possui eletrodos que são colados na pele que são capazes de promover uma contração muscular para reduzir a sua rigidez, mas dificilmente a pessoa consegue recuperar os movimento e a maior parte morre no primeiro ano após ter surgido a doença.

A causa da morte mais comum é devido ao acumulo de secreções nas vias respiratórias, que acontece naturalmente quando a pessoa não se movimenta.

Assim, para melhorar a qualidade de vida e evitar este acumulo de secreções é indicado que a pessoa faça fisioterapia motora e respiratória pelo menos 2 vezes ao dia. Uma máscara de oxigênio pode ser usada para facilitar a respiração e a alimentação deve ser feita por sonda, sendo necessário uso de fraldas para conter a urina e as fezes.

Os cuidados devem ser os mesmos de uma pessoa acamada inconsciente e se a família não prestar este tipo de cuidados a pessoa pode falecer devido a infecções ou acumulo de secreções nos pulmões, que podem causar pneumonia.

Alguns Cuidados de Enfermagem

  • Cuidados de suporte;
  • Treinamento em comunicação;
  • Cuidados de suporte são a base do tratamento para pacientes com síndrome de encarceramento e devem incluir:
  • Prevenção de doenças sistêmicas devido à imobilização (p. ex., pneumonia, infecção do trato urinário, doenças tromboembólicas);
  • Proporcionar boa nutrição;
  • Prevenir o desenvolvimento de úlceras de pressão;
  • Fornecer fisioterapia para prevenir contraturas nos membros.

Referências:

  1.  Milekovic T, Sarma AA, Bacher D, et al: Stable long-term BCI-enabled communication in ALS and locked-in syndrome using LFP signals. J Neurophysiol 120 (1):343–360, 2018.
  2. Bruno MA, Nizzi MC, Laureys S, Grosseries O. Chapter 12 – Consciousness in the Locked-In Syndrome. The Neurology of Conciousness (Second Edition). Academic Press, 2016. Pages 187-202