Tempo de Infusão dos Hemocomponentes

A transfusão de sangue é um procedimento médico fundamental que salva vidas, sendo utilizada para tratar diversas condições médicas, como anemia grave, hemorragias e distúrbios da coagulação.

No entanto, para garantir a segurança e a eficácia desse procedimento, é essencial que todos os profissionais envolvidos compreendam os aspectos técnicos da transfusão, incluindo o tempo de infusão dos hemocomponentes.

O que são Hemocomponentes?

Hemocomponentes são componentes sanguíneos obtidos a partir do sangue doado. Eles podem ser concentrados de hemácias, plaquetas, plasma fresco congelado, entre outros. Cada um desses componentes possui funções específicas no organismo e requer cuidados específicos durante a transfusão.

A Importância do Tempo de Infusão

O tempo de infusão de um hemocomponente é o período durante o qual ele é administrado ao paciente. Esse fator é crucial por diversos motivos:

  • Eficácia da transfusão: Cada hemocomponente possui um tempo ideal de infusão para garantir a máxima eficácia da transfusão. Infusões muito rápidas ou muito lentas podem comprometer os resultados esperados.
  • Reações adversas: A velocidade de infusão pode influenciar a ocorrência de reações adversas à transfusão, como febre, calafrios e reações alérgicas.
  • Sobrecarga circulatória: A infusão rápida de grandes volumes de sangue pode sobrecarregar o sistema cardiovascular, especialmente em pacientes com condições cardíacas preexistentes.
  • Risco de coagulação: A formação de coágulos dentro da bolsa de sangue ou no cateter pode ocorrer se a infusão for muito lenta, comprometendo a qualidade do produto.

O Guia para Uso de Hemocomponentes do Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde, em seu guia para uso de hemocomponentes, estabelece diretrizes claras sobre o tempo de infusão de cada tipo de hemocomponente. Essas diretrizes são fundamentadas em evidências científicas e visam garantir a segurança e a qualidade da transfusão sanguínea no Brasil.

Tempo de Infusão dos Principais Hemocomponentes

  • Concentrado de Hemácias: O tempo de infusão geralmente varia entre 1 hora e 30 minutos e 4 horas. No entanto, em situações específicas, como em pacientes com sobrecarga volêmica ou doença cardíaca grave, o tempo de infusão pode ser mais prolongado, sempre respeitando o limite máximo de 4 horas.
  • Concentrado de Plaquetas: O tempo de infusão costuma ser mais curto, variando entre 5 e 30 minutos.
  • Plasma Fresco Congelado: O tempo de infusão é de aproximadamente 30 minutos em adultos e crianças, não excedendo a velocidade de infusão de 20-30mL/kg/hora.

É importante ressaltar que esses são valores médios e que o tempo de infusão ideal para cada paciente pode variar de acordo com diversos fatores, como idade, peso, condição clínica e tipo de hemocomponente.

O conhecimento do tempo de infusão dos hemocomponentes é fundamental para garantir a segurança e a eficácia da transfusão sanguínea. O guia para uso de hemocomponentes do Ministério da Saúde oferece orientações valiosas para os profissionais de saúde, mas é essencial que cada caso seja avaliado individualmente.

Ao seguir as recomendações do guia e realizar um acompanhamento rigoroso do paciente durante a transfusão, é possível minimizar os riscos e otimizar os resultados do tratamento.

Referência:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Guia para o uso de hemocomponentes. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2015. 64 p. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_uso_hemocomponentes_2ed.pdf

Urocultura: Tempo de encaminhamento

Também chamada de urinocultura ou urocultura, a cultura de urina é uma maneira relativamente rápida (demanda cerca de 48 a 72 horas para o resultado final), eficiente, amplamente disponível e de baixo custo, utilizada para o diagnóstico e acompanhamento do tratamento de infecções urinárias.

A urina é semeada em uma placa com um meio de cultura apropriado (ex.: Ágar CLED), utilizando uma alça calibrada. Essa placa então é incubada em uma estufa a 37oC por cerca de 24-48 horas, tempo geralmente suficiente para se observar um crescimento bacteriano significativo.

Em culturas positivas, procede-se à realização da identificação bacteriana e do teste de sensibilidade aos antimicrobianos (TSA), de forma manual ou automatizada.

Entretanto, na urinocultura existe a possibilidade de que o crescimento bacteriano eventualmente detectado possa ser devido outros fatores, como a contaminação externa da amostra (geralmente devido a inadequações durante a coleta, transporte e/ou armazenamento), colonização da uretra e/ou colonização de forma assintomática da urina na bexiga.

Dessa maneira, faz-se necessário um controle rigoroso da fase pré-analítica do exame, atualmente a etapa mais crítica no que se refere aos erros laboratoriais, podendo corresponder a cerca de 46% a 84% das inadequações dos resultados.

Essa fase pré-analítica engloba desde uma solicitação médica pertinente, até dados como o uso prévio de antibióticos, internações recentes, instrução e preparo do paciente, forma de coleta, identificação da amostra, recipiente de coleta, acondicionamento e transporte do material, por exemplo.

Como mitigar a possibilidade de contaminação da amostra? 

A fim de evitar a contaminação da urina (jato médio) e o conseguinte crescimento polimicrobiano na cultura (definido como mais de 2 microorganismos com uma quantificação maior ou igual a 104 UFC/mL), melhorando a confiabilidade do resultado e diminuindo o índice de recoletas, algumas orientações gerais para a urocultura devem ser seguidas:

  • A coleta deve ocorrer em condições normais de hidratação, haja vista que a urocultura é um exame quantitativo, notadamente em relação às Unidades Formadoras de Colônias (UFC);
  • Deve-se utilizar um frasco estéril (com ou sem conservante), de boca larga e fundo chato, com tampa, e resistente a vazamentos (a coleta de urina em comadre ou urinol não é recomendada);
  • Coletar a primeira urina da manhã (mais concentrada), ou com um intervalo de, no mínimo, 2 horas entre a coleta e a última micção, para indivíduos com controle esfincteriano;
  • Identificar com nome, data e hora da coleta, na área externa do recipiente de coleta (não colocar essas informações na tampa);
  • Lavar as mãos, e realizar assepsia da região genital com água e sabão neutro, enxugando com o auxílio de gaze ou toalha limpa;
  • Iniciar a micção no vaso sanitário mantendo o prepúcio retraído ou os lábios afastados. Depois de desprezar a urina inicial, deve-se coletar o jato médio (meio) da urina, sem interromper o fluxo;
  • Após a coleta, fechar completamente o frasco, sem tocar na parte interna;
  • Volume mínimo de 1,0 mL (se somente a urocultura for solicitada). Para a cultura de micobactérias, recomenda-se a coleta de toda a micção, com um volume acima de 20 mL.
  • O tempo decorrido entre a coleta e a análise da amostra sem conservante é de no máximo 2 horas à temperatura ambiente, ou em até 24 horas sob refrigeração (4oC). Nas amostras coletadas com conservante (ex.: ácido bórico), o processamento da amostra pode se dar em até 24 horas após a coleta, à temperatura ambiente. 

Observações

  • Recomenda-se que o Laboratório Clínico forneça instruções orais e escritas, com desenhos ilustrativos, a fim de tornar a compreensão das orientações mais clara;
  • Em crianças menores, sem controle esfincteriano, o uso do saco coletor tem maior valor em descartar uma infecção, do que propriamente confirmá-la. Nesses casos, a sondagem vesical é mais pertinente, podendo ser realizada também a punção suprapúbica;
  • Em linhas gerais, o controle de cura após a terapia antimicrobiana, por meio da realização de uma nova urinocultura, deve ser realizado somente após 72 horas do término do tratamento.

Considerações finais

A positividade das urinoculturas, grau de crescimento microbiano, espécie(s) bacteriana(s) encontrada(s) e interpretação dos resultados dependem de vários fatores.

O tipo de coleta realizada (jato médio, saco coletor, sondagem vesical de alívio, sondagem de demora, punção suprapúbica), uso (ou não) de conservantes, controle esfincteriano, tempo entre a coleta e seu processamento, temperatura do transporte, perfil do paciente (sexo, idade, comorbidades), uso prévio de antimicrobianos, procedência (ambulatorial X hospitalar), sinais e sintomas apresentados, impactam diretamente no resultado final e interpretação clínica.

Utilizando os cuidados durante todo o processo pré-analítico, conseguimos diminuir a possibilidade de erros, garantindo o adequado preparo da amostra biológica e, por conseguinte, um resultado final fidedigno e clinicamente relevante.

Desse modo, apesar da urocultura ser um dos exames mais solicitados e rotineiros na prática clínica, sua correta apreciação exige uma abrangente e íntima correlação com os resultados de outros exames complementares, clínica do paciente, além da análise criteriosa dos diversos possíveis fatores interferentes.

Portanto, evita-se assim uma eventual e desnecessária utilização de antibióticos, a promoção de resistência bacteriana e o aumento dos gastos em saúde.

Referência:

  1. 27-EXA.PDF (ciencianews.com.br)

O tempo de troca de uma Sonda Vesical de Demora

Não há recomendação para a troca de sonda vesical de demora com intervalo fixo.

Indicações de troca

Deve ser trocada quando há:

  • alterações clínicas do paciente;
  • episódios de infecção;
  • drenagem inadequada ou incrustações.

Caso o paciente tenha histórico de infecções e um padrão de tempo entre a colocação da sonda e o surgimento dos primeiros sinais de infecção ou de obstrução da sonda, a troca pode ser planejada com intervalos regulares, uma semana antes do provável início das manifestações clínicas ou conforme indicado pelo fabricante da sonda (geralmente a cada 12 semanas).

Deve-se elaborar um projeto terapêutico para o paciente, levando em consideração a história clínica, os achados do exame físico, a pactuação de metas entre paciente, família e equipe e o contexto onde o cuidado será realizado.

Referências:

  1. BVS
  2. Mitchell N. Long term urinary catheter problems: a flow chart to aid management. Br J Community Nurs. 2008 Jan;13(1):6, 8, 10-2. Disponível em: https://www.magonlinelibrary.com/doi/abs/10.12968/bjcn.2008.13.1.27977#
  3. National Clinical Guideline Centre (UK). Infection: Prevention and Control of Healthcare-Associated Infections in Primary and Community Care: Partial Update of NICE Clinical Guideline 2. London: Royal College of Physicians (UK); 2012 Mar. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK115271/
  4. Schaeffer AJ. Placement and management of urinary bladder catheters in adults. Waltham (MA): UpToDate, 2017. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/placement-and-management-of-urinary-bladder-catheters-in-adults
  5. Santos DWCL, Harbert A, Oliveira FN, Ferreira KAS, Souza PN. Prevenção de infecção em assistência domiciliar. In: APECIH. Associação Paulista de Epidemiologia e Controle de Infecção Relacionada a Assistência a Saúde. Prevenção e controle de infecções associadas à assistência extra-hospitalar. Coordenação; Padoveze MC; Figueiredo RM. 2a. ed ampliada e revista. São Paulo: APECIH. Cap. 4.1, 2019:363-408.
  6. https://transparencia.corensc.gov.br/wp-content/uploads/2020/08/RT-026-2020-Cateterismo-vesical-de-demora-.pdf

Cateteres Intravenosos: Tempo de Permanência

Os acessos intravasculares são procedimentos que permitem e facilitam diversas formas de tratamentos aos doentes, desde administração de medicamentos até a realização de nutrição parenteral.

A ANVISA determina recomendações para a troca destes dispositivos, a fim de evitar infecções relacionadas ao uso de dispositivos intravenosos.

Tempo de Permanência

  • Scalp: Até 24 horas;
  • Jelco: Até 96 horas;
  • CVC: curto: até 7 dias, longo: após 7 dias, temporário: até 30 dias, definitivo: mais de 30 dias;
  • PICC: Até 1 ano.

Referências:

  1. ANVISA
  2. http://biblioteca.cofen.gov.br/cateteres-perifericos-novas-recomendacoes-anvisa-garantem-seguranca-assistencia/
  3. http://al.corens.portalcofen.gov.br/wp-content/uploads/2020/08/PARECER-T%C3%89CNICO-N%C2%BA-007_2020-PAD-N-047_2020-e-064_2020.pdf
  4. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/inca/Cinco_passos_prevencao_infeccoes.pdf
  5.  Infusion Nurses Society (INS)