Abreviações na Prescrição Médica e o Que Evitar

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 14/09/2026.

Uma abreviação na prescrição pode economizar alguns segundos, mas uma interpretação errada pode alterar completamente o medicamento, a dose ou a via de administração. Por isso, conhecer as siglas mais usadas é importante para a enfermagem, mas saber quais abreviações não devem ser utilizadas é ainda mais importante.

Abreviações comuns na prescrição

Entre as abreviações encontradas com frequência na rotina hospitalar estão:

Abreviação Significado
ACM A critério médico
BIC Bomba de infusão contínua
EV Via intravenosa
IM Via intramuscular
SC Via subcutânea
VO Via oral
SL Via sublingual
S/N Se necessário
SF Solução fisiológica
SG Solução glicosada
SNE Sonda nasoenteral
SNG Sonda nasogástrica
NPT Nutrição parenteral total
PA Pressão arterial
PAM Pressão arterial média
FC Frequência cardíaca
FR Frequência respiratória
SSVV Sinais vitais
UI Unidade internacional
mL Mililitro
mg Miligrama
mcg Micrograma
mEq Miliequivalente

A existência de uma abreviação nesta lista não significa que ela seja automaticamente segura para qualquer prescrição. Cada serviço deve possuir um padrão institucional e, quando houver dúvida, a informação deve ser confirmada antes da administração do medicamento. O Protocolo Nacional de Segurança na Prescrição, Uso e Administração de Medicamentos recomenda a padronização das abreviaturas, símbolos e expressões de dose que não devem ser utilizadas.

As abreviações que merecem atenção

Algumas formas são particularmente importantes porque podem ser confundidas durante a leitura da prescrição. U e UI, por exemplo, podem gerar interpretação equivocada da dose; cc pode ser confundido com outras informações; e símbolos como µg podem provocar erros de leitura.

Também devem ser evitados nomes de medicamentos abreviados e fórmulas químicas utilizadas para representar medicamentos quando isso não estiver previsto pelo padrão institucional. Para medicamentos, escrever a informação de forma completa e clara é uma barreira simples contra erros de administração. O ISMP Brasil inclui U, UI, µg e fórmulas como KCl e NaCl entre exemplos de abreviaturas, símbolos e formas consideradas perigosas.

Na prática da UTI, é comum encontrar uma prescrição com várias informações concentradas em poucas linhas. Quando uma dose ou unidade não está clara, parar a administração e confirmar a prescrição é mais seguro do que tentar interpretar pelo contexto. Já aconteceu de uma informação aparentemente óbvia precisar ser confirmada antes de preparar um medicamento porque uma pequena diferença na escrita mudava completamente a interpretação da dose.

Exemplos que devem ser evitados

  • U → escrever unidade.
  • UI → escrever unidade internacional, quando aplicável.
  • µg → preferir mcg conforme padronização de segurança do serviço.
  • cc → utilizar mL.
  • 5,0 mg → escrever 5 mg.
  • ,5 mg → escrever 0,5 mg.
  • Nome de medicamento abreviado → escrever o nome completo.
  • Abreviações de frequência que possam gerar dúvida → escrever a frequência por extenso.

Essas medidas seguem o princípio de tornar a prescrição legível, inequívoca e padronizada, reduzindo possibilidades de erro na interpretação.

O que a enfermagem deve conferir

Antes de administrar um medicamento, não basta reconhecer a sigla. É necessário conferir paciente, medicamento, apresentação, dose, via, horário, diluição quando aplicável e demais informações exigidas pelo protocolo institucional.

Se a prescrição estiver ilegível, apresentar abreviação não padronizada ou permitir mais de uma interpretação, a conduta segura é não presumir o significado. A dúvida deve ser esclarecida com o prescritor ou conforme o fluxo definido pela instituição.

Isso faz diferença especialmente durante trocas de plantão. Em uma situação de rotina na UTI, uma anotação aparentemente simples sobre uma medicação precisou ser conferida diretamente na prescrição porque a abreviação utilizada poderia ser interpretada de duas maneiras. A conferência levou poucos minutos e evitou que a equipe trabalhasse baseada em uma suposição.

O COFEN recomenda que os profissionais utilizem abreviaturas previstas na literatura e no siglário padronizado pela instituição, reforçando que a organização e a clareza dos registros fazem parte da segurança do paciente.

Cuidados de enfermagem

A enfermagem deve conhecer as abreviações utilizadas no próprio serviço, evitar interpretar siglas desconhecidas por conta própria e comunicar qualquer inconsistência encontrada na prescrição. Em medicamentos de maior risco, a conferência deve ser ainda mais rigorosa, principalmente quando houver dúvida sobre unidade de medida, concentração, dose, via ou frequência.

Vale lembrar: nem toda abreviação encontrada em uma prescrição deve ser reproduzida automaticamente no registro de enfermagem. O padrão institucional e as recomendações de segurança devem orientar a forma correta de documentação.

Para memorizar

O objetivo não é decorar centenas de siglas. O mais importante é reconhecer as abreviações frequentes, identificar aquelas que apresentam risco de confusão e saber quando interromper o processo para confirmar uma informação.

Em segurança do paciente, uma palavra escrita por extenso pode valer muito mais do que alguns segundos economizados com uma abreviação.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde; AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Protocolo de segurança na prescrição, uso e administração de medicamentos. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2013. Atualizado/disponibilizado pelo Ministério da Saúde. Protocolo de Segurança na Prescrição, Uso e Administração de Medicamentos – Ministério da Saúde
  2. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Recomendações para registros de enfermagem no exercício da profissão. Brasília, DF: COFEN, 2024. Recomendações para Registros de Enfermagem – COFEN
  3. INSTITUTO PARA PRÁTICAS SEGURAS NO USO DE MEDICAMENTOS – ISMP BRASIL. Abreviaturas proibidas com elevado potencial de indução a erros. Belo Horizonte: ISMP Brasil. ISMP Brasil – Abreviaturas e símbolos de risco
  4. REDE DE HOSPITAIS SÃO CAMILO DE SÃO PAULO. Manual de siglas e abreviaturas. São Paulo: Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.
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Christiane Ribeiro
SOBRE A AUTORA

Christiane Ribeiro

Técnica de Enfermagem Intensivista
16 anos de experiência em UTI

Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva, contribuindo também para a produção de conteúdos educativos voltados à enfermagem.

É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

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