Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica (PAVM)

A Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica (PAVM) é uma das infecções hospitalares mais comuns nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e representa um grande desafio para os profissionais de saúde.

Quando falamos de pacientes críticos em ventilação mecânica, o risco de desenvolver essa complicação é significativo, e por isso é tão importante que o time de enfermagem compreenda bem os fatores envolvidos, formas de prevenção e os cuidados diretos com esses pacientes.

Nesta publicação, vamos explorar a PAVM de maneira didática, compreensível e com profundidade suficiente para que estudantes e profissionais da enfermagem possam aplicar esse conhecimento no cuidado diário com segurança e qualidade.

O que é PAVM?

A Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica é definida como uma infecção pulmonar que ocorre após 48 horas da intubação orotraqueal e início da ventilação mecânica invasiva. É uma forma de pneumonia hospitalar, mas com características específicas, pois está diretamente relacionada ao uso do tubo orotraqueal e à presença do ventilador mecânico.

Quando o paciente é intubado, a barreira natural do trato respiratório é rompida, permitindo que microrganismos entrem com mais facilidade nos pulmões. Além disso, a própria manipulação do circuito do ventilador e a aspiração de vias aéreas podem contribuir para a colonização de bactérias nos pulmões.

Como a PAVM se desenvolve?

A PAVM geralmente é causada por bactérias gram-negativas, como Pseudomonas aeruginosa, Acinetobacter baumannii e Klebsiella pneumoniae, além de gram-positivos como Staphylococcus aureus (inclusive a forma resistente à meticilina – MRSA).

Essas bactérias podem alcançar os pulmões por várias vias:

  • Aspiração de secreções da orofaringe contaminada
  • Formação de biofilme no tubo endotraqueal
  • Contaminação cruzada pelas mãos dos profissionais de saúde
  • Falhas na higienização dos circuitos respiratórios

O risco aumenta conforme o tempo de ventilação se prolonga, sendo um fator de mortalidade significativo entre pacientes críticos.

Sinais de Alerta: Como Desconfiar da PAVM?

Reconhecer a PAVM precocemente é vital. Fique atento a esses sinais no paciente intubado:

  • Febre: É um dos primeiros e mais comuns sinais de infecção.
  • Secreção Traqueal Purulenta: A secreção que vem do tubo fica mais amarelada, esverdeada, espessa e em maior quantidade.
  • Alteração na Ausculta Pulmonar: Presença de roncos, sibilos ou crepitações novas que não estavam lá antes.
  • Piora da Troca Gasosa: O paciente começa a precisar de mais oxigênio no ventilador (aumenta a FiO2) ou o ventilador precisa fazer mais esforço para ventilar (aumenta a pressão de pico).
  • Leucocitose: Aumento do número de glóbulos brancos no hemograma, indicando infecção.
  • Radiografia de Tórax: O raio-X do pulmão pode mostrar infiltrados novos ou progressão de infiltrados anteriores.

Tratamento

O tratamento da PAVM envolve o uso de antibióticos de amplo espectro, muitas vezes ajustados de acordo com a cultura e o antibiograma. O tempo de uso costuma variar entre 7 a 14 dias, dependendo do microrganismo causador e da resposta clínica do paciente.

Mas mais importante do que tratar é prevenir, e é aí que a enfermagem exerce um papel fundamental.

Cuidados de enfermagem na prevenção da PAVM

A prevenção da PAVM exige uma abordagem multiprofissional, mas a enfermagem está na linha de frente dessa missão. Vários protocolos e bundles (conjuntos de medidas baseadas em evidência) são aplicados em UTIs para reduzir a incidência da infecção. Entre os principais cuidados, destacam-se:

Elevação da Cabeceira do Leito: Manter a cabeceira elevada entre 30 a 45 graus (semi-Fowler). Isso reduz o risco de microaspiração de conteúdo gástrico ou secreções da orofaringe para os pulmões.

  • Cuidado de Enfermagem: Avaliar e registrar a elevação da cabeceira regularmente, lembrando de ajustar ao realizar alguns procedimentos (como o banho no le leito ou mudança de decúbito).

Higiene Oral Rigorosa: A boca do paciente intubado é um reservatório de bactérias. A higiene oral deve ser feita com antissépticos (como clorexidina 0,12%) a cada 6 ou 8 horas.

  • Cuidado de Enfermagem: Utilizar escovas macias, gazes e soluções antissépticas. Aspirar as secreções da boca antes e durante a higiene para evitar que desçam para os pulmões. Não esquecer da língua e das gengivas.

Aspiração de Secreções Subglóticas: Alguns tubos orotraqueais especiais possuem um lúmen acima do cuff que permite aspirar as secreções que se acumulam logo acima do balonete.

  • Cuidado de Enfermagem: Verificar se o TOT é um tubo com essa via de aspiração e realizar a aspiração conforme rotina da unidade ou necessidade.

Monitorização da Pressão do Cuff (Balonete): O cuff do TOT deve ser inflado com a pressão correta para evitar vazamentos e microaspirações. Uma pressão muito baixa permite a passagem de secreções, e uma pressão muito alta pode causar lesões na traqueia.

  • Cuidado de Enfermagem: Verificar a pressão do cuff regularmente (a cada 4 a 8 horas, ou conforme protocolo da unidade) com um cuffômetro, mantendo-a entre 20-30 cmH2O.

Avaliação Diária da Necessidade de Sedação e Extubação (Desmame): Quanto menos sedado e menos tempo no ventilador, menor o risco!

  • Cuidado de Enfermagem: Participar ativamente da discussão da equipe sobre a redução da sedação e os critérios para o desmame. Observar o nível de consciência do paciente e sua capacidade de tolerar a diminuição do suporte ventilatório. Realizar testes de respiração espontânea conforme protocolo e com o médico.

Mobilização Precoce e Fisioterapia Respiratória: Manter o paciente o mais ativo possível (mesmo no leito) e realizar fisioterapia respiratória para ajudar na mobilização de secreções e na expansão pulmonar.

  • Cuidado de Enfermagem: Auxiliar a fisioterapia, mudar o paciente de posição, incentivar exercícios passivos e ativos.

Higiene das Mãos: A regra de ouro da prevenção de infecções. Lavar as mãos com água e sabão ou álcool em gel antes e depois de qualquer contato com o paciente, o ventilador ou os equipamentos.

Cuidados com o Circuito Ventilatório: Trocar o circuito (tubos que conectam o paciente ao ventilador) apenas quando sujo ou danificado, e não rotineiramente. Isso evita a manipulação desnecessária e a contaminação.

Papel da enfermagem no manejo do paciente com PAVM

Além da prevenção, o profissional de enfermagem também tem papel importante no cuidado do paciente que já desenvolveu a PAVM. Monitorar os sinais vitais, observar alterações na secreção respiratória, auxiliar na administração correta dos antibióticos, garantir a posição adequada no leito e colaborar para o desmame da ventilação são tarefas fundamentais para o sucesso do tratamento.

A comunicação com a equipe médica e fisioterapêutica também é essencial, pois as decisões devem ser sempre compartilhadas com base na evolução clínica do paciente.

A Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica é uma complicação grave, mas amplamente evitável com medidas simples e eficazes. Para os profissionais e estudantes de enfermagem, entender profundamente o processo de instalação da PAVM, os riscos envolvidos e as estratégias de cuidado pode fazer toda a diferença na vida dos pacientes internados em UTIs.

Estar atento aos protocolos, manter-se atualizado e aplicar o conhecimento técnico com sensibilidade são atitudes que elevam a qualidade da assistência e contribuem diretamente para a segurança do paciente.

Referências:

  1. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Medidas de prevenção de infecção relacionada à assistência à saúde. Brasília: ANVISA, 2017.
    Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/publicacoes/medidas-de-prevencao-de-infeccao-relacionada-a-assistencia-a-saude/view
  2. RUN-BUISSON, C. Pneumonia associada à ventilação mecânica: uma atualização sobre prevenção e tratamento. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, v. 29, n. 4, p. 399–407, 2017. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbti/a/3hKbZYgSPwTqKdWrTjPpNcB/
  3. KLEVENS, R. M. et al. Estimativa da incidência de infecções relacionadas à assistência à saúde nos Estados Unidos. Infection Control and Hospital Epidemiology, v. 28, n. 6, p. 409–414, 2007.Disponível em: https://www.cambridge.org/core/journals/infection-control-and-hospital-epidemiology/article/abs/estimating-healthcareassociated-infections/
  4. INSTITUTO BRASILEIRO PARA SEGURANÇA DO PACIENTE. Bundle para prevenção de pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV). 2022.
    Disponível em: https://segurancadopaciente.com.br/bundle-prevencao-pav/
  5. GARNICA, D. L.; LORENZI-FILHO, G.; AMANCIO, M. D. L. Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica: Fisiopatologia, Diagnóstico e Prevenção. Jornal Brasileiro de Pneumologia, São Paulo, v. 37, n. 6, p. 778-789, nov./dez. 2011. Disponível em: https://www.scielo.br/j/jbp/a/yK8gC6mF4hX3jS2pQ7zW/?lang=pt.

Pneumotórax: Entenda os Tipos, Diferenças e Cuidados de Enfermagem

O pneumotórax é uma condição clínica que pode gerar bastante preocupação nos serviços de emergência e unidades de terapia intensiva. Trata-se da presença anormal de ar na cavidade pleural — espaço entre a pleura visceral e a pleura parietal —, que pode provocar o colapso parcial ou total do pulmão.

Embora seja um tema delicado, compreender os diferentes tipos de pneumotórax e suas particularidades é essencial para o profissional de enfermagem prestar um cuidado seguro e eficaz.

O Que É Pneumotórax? 

Em termos simples, pneumotórax é a presença de ar no espaço pleural, entre o pulmão e a parede torácica. Esse ar pode entrar por uma lesão no próprio pulmão (vindo de dentro) ou por uma lesão na parede do tórax (vindo de fora). Independentemente da origem, o resultado é o mesmo: o pulmão perde sua capacidade de se expandir completamente, dificultando a respiração.

A gravidade do pneumotórax depende do volume de ar que entrou e da velocidade com que isso aconteceu. Pequenos pneumotórax podem ser assintomáticos, enquanto grandes e súbitos podem ser fatais.

Os Tipos de Pneumotórax

Podemos classificar o pneumotórax de diversas formas, mas as mais comuns se baseiam na sua causa:

Pneumotórax Espontâneo: O Que Surge Sem Um Motivo Óbvio

Como o próprio nome diz, ele surge “do nada”, sem um trauma evidente ou uma intervenção médica. É uma quebra na pleura (a membrana que reveste o pulmão) que permite o vazamento de ar do pulmão para o espaço pleural.

Pneumotórax Espontâneo Primário (PEP):

    • Características: Acontece em pessoas que, aparentemente, não têm doença pulmonar subjacente. É mais comum em homens jovens e altos, magros, e em fumantes. Acredita-se que seja causado pela ruptura de pequenas bolhas (bolhas subpleurais ou blebs) na superfície do pulmão.
    • Sintomas: Dor torácica súbita e aguda, que pode piorar com a respiração, e falta de ar (dispneia). A gravidade dos sintomas depende do tamanho do pneumotórax.
    • Tratamento: Pequenos pneumotórax podem ser apenas observados, pois o ar pode ser reabsorvido sozinho. Maiores podem precisar de aspiração com agulha ou, mais frequentemente, drenagem torácica (colocação de um dreno no tórax para retirar o ar e permitir que o pulmão se reexpanda).
    • Recorrência: É comum que aconteça novamente (recorrência) em até 50% dos casos.

Pneumotórax Espontâneo Secundário (PES):

    • Características: Ocorre em pessoas que já têm uma doença pulmonar de base, que enfraquece o tecido pulmonar e facilita a ruptura. As causas mais comuns são: Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), fibrose cística, asma grave, tuberculose, pneumonia por Pneumocystis jirovecii (em pacientes com HIV), câncer de pulmão.
    • Sintomas: Os mesmos do primário (dor e dispneia), mas tendem a ser mais graves, pois o pulmão já está comprometido pela doença subjacente. O paciente pode apresentar maior desconforto respiratório.
    • Tratamento: Geralmente exige intervenção (drenagem torácica) e tratamento da doença de base. O prognóstico é pior do que no pneumotórax primário, devido à condição pulmonar preexistente.

Pneumotórax Adquirido (Traumático e Iatrogênico): O Resultado de Uma Ação Externa

Esse tipo de pneumotórax é o resultado de uma causa externa, que lesiona a pleura e permite a entrada de ar.

Pneumotórax Traumático:

    • Características: Causado por algum tipo de trauma na região torácica. Pode ser:
      • Trauma Aberto (Penetrante): Ferimento por arma branca (faca), arma de fogo, objeto pontiagudo que perfura a parede torácica, permitindo que o ar entre diretamente da atmosfera para o espaço pleural. O paciente pode apresentar um “som de sucção” no local do ferimento.
      • Trauma Fechado (Contuso): Batidas fortes no tórax (acidentes de carro, quedas) que podem causar fraturas de costelas que perfuram o pulmão, ou uma ruptura do próprio pulmão sem perfuração da parede torácica.
    • Sintomas: Dor intensa no local do trauma, falta de ar, taquipneia (respiração rápida), taquicardia (coração acelerado).
    • Tratamento: Geralmente exige drenagem torácica de urgência. Em casos graves, pode evoluir para pneumotórax hipertensivo.

Pneumotórax Iatrogênico:

    • Características: É um pneumotórax que acontece como uma complicação de um procedimento médico. “Iatrogênico” significa “causado pelo médico/tratamento”.
    • Causas Comuns: Punção de veia central (subclávia ou jugular interna), biópsia pulmonar, toracocentese (retirada de líquido pleural), ventilação mecânica com pressões elevadas, colocação de cateter de diálise.
    • Sintomas: Podem ser discretos ou semelhantes aos outros tipos, dependendo do tamanho do pneumotórax.
    • Tratamento: Geralmente requer drenagem torácica.
    • Prevenção: É crucial que os procedimentos que podem causar pneumotórax sejam feitos com técnica adequada e monitorização constante.

Pneumotórax Neonatal: O Colapso no Pequeno Pulmão do Recém-Nascido

O pneumotórax pode afetar até mesmo os recém-nascidos, especialmente os prematuros ou aqueles com problemas respiratórios ao nascer.

  • Características: Ocorre em neonatos, geralmente devido a imaturidade pulmonar ou doenças pulmonares neonatais (ex: Doença da Membrana Hialina). A ventilação com pressão positiva (seja com bolsa-máscara ou ventilador mecânico) pode romper os alvéolos imaturos, liberando ar para o espaço pleural.
  • Sintomas: Dificuldade respiratória progressiva, taquipneia, gemência, cianose (coloração azulada da pele), abaulamento do tórax, bradicardia (coração lento). Pode ser rapidamente fatal em neonatos.
  • Tratamento: Em alguns casos, pode ser apenas observação se for pequeno. Grandes pneumotórax exigem aspiração com agulha ou drenagem torácica.
  • Cuidados de Enfermagem: A observação contínua da função respiratória do recém-nascido é vital, pois a deterioração pode ser muito rápida.

O Tipo Mais Perigoso: Pneumotórax Hipertensivo

Embora não seja um tipo de origem, mas uma evolução grave, o pneumotórax hipertensivo merece destaque. Ele pode acontecer em qualquer um dos tipos acima, mas é mais comum em traumas e com ventilação mecânica.

  • Características: Ocorre quando o ar entra no espaço pleural, mas não consegue sair. Funciona como uma válvula unidirecional: o ar entra na inspiração, mas não escapa na expiração. Isso faz com que a pressão dentro do tórax aumente rapidamente, comprimindo não só o pulmão do lado afetado, mas também empurrando o coração, grandes vasos e a traqueia para o lado oposto (desvio de mediastino).
  • Sintomas: Falta de ar intensa e progressiva, dor torácica, taquicardia, hipotensão (queda da pressão), desvio da traqueia (sinal tardio e grave), distensão das veias do pescoço, cianose. O paciente entra em choque.
  • Tratamento: É uma emergência médica imediata que exige descompressão urgente, geralmente com uma punção de alívio com agulha (agulha calibrosa inserida no 2º espaço intercostal na linha hemiclavicular para liberar o ar) antes da drenagem torácica definitiva. A intervenção rápida é crucial para salvar a vida.

Cuidados de Enfermagem

Em todos os tipos de pneumotórax, a enfermagem desempenha um papel fundamental:

  1. Reconhecimento Precoce: Estar atento aos sinais e sintomas (dor torácica, dispneia, taquipneia, queda de saturação, assimetria torácica). Ausculta pulmonar com diminuição ou ausência de murmúrio vesicular no lado afetado é um sinal importante.
  2. Monitorização Constante: Monitorar sinais vitais (PA, FC, FR, SpO2) continuamente.
  3. Avaliação Respiratória: Observar padrão respiratório, uso de musculatura acessória, cianose, nível de consciência.
  4. Preparação para o Procedimento: Em caso de drenagem torácica, preparar o material, auxiliar o médico no procedimento, orientar o paciente.
  5. Cuidados com o Dreno Torácico: Se houver dreno, monitorar o sistema de drenagem (oscilação, borbulhamento, volume e aspecto do débito), manter o selo d’água, fixar o dreno, e observar o sítio de inserção para sinais de infecção.
  6. Manejo da Dor: Administrar analgésicos para controlar a dor, que pode ser intensa.
  7. Oxigenoterapia: Administrar oxigênio conforme prescrição e necessidade do paciente.
  8. Educação ao Paciente: Orientar sobre a condição, o tratamento, os sinais de alerta e os cuidados em casa (principalmente para pneumotórax espontâneo e recorrência).

O pneumotórax é uma condição que nos desafia a ser rápidos, precisos e vigilantes. Conhecer seus tipos e as particularidades de cada um nos permite oferecer o melhor cuidado, garantindo que o ar esteja sempre onde deve estar: dentro dos pulmões, para que a vida possa continuar respirando.

Referências:

  1. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PNEUMOLOGIA E TISIOLOGIA (SBPT). Diretrizes para o Manejo do Pneumotórax Espontâneo. Jornal Brasileiro de Pneumologia, Brasília, v. 37, n. 4, p. 556-578, ago. 2011. Disponível em: https://www.scielo.br/j/jbpneu/a/D5H8s4zP8wG4kS9v7xT5q7/?lang=pt
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Urgências e Emergências em Enfermagem. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2010. (Disponível em sites oficiais do Ministério da Saúde ou no portal da Biblioteca Virtual em Saúde).
  3. SMELTZER, S. C.; BARE, B. G.; HINKLE, J. L.; CHEEVER, K. H. Brunner & Suddarth: Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018. (Consultar capítulos sobre distúrbios respiratórios e trauma torácico).
  4. BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes para o tratamento do pneumotórax. 2020. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br
  5. LIGHT, R. W. Pneumothorax. The New England Journal of Medicine, 2002. Disponível em: https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMra020252
  6. SANTOS, A. M. et al. Pneumotórax espontâneo: revisão narrativa. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, v. 31, n. 4, p. 564-571, 2019. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbti
  7. TORRES, F. S. et al. Diagnóstico e manejo do pneumotórax neonatal. Jornal de Pediatria, v. 88, n. 5, p. 392-398, 2017. Disponível em: https://www.scielo.br/j/jped

Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC)

Imagine os seus pulmões como uma rede complexa de vias aéreas, responsáveis por levar o oxigênio essencial para o seu corpo e eliminar o dióxido de carbono. Na DPOC, essa rede enfrenta um obstáculo crescente.

A doença se caracteriza por uma limitação persistente do fluxo de ar nos pulmões, tornando a respiração cada vez mais difícil. Essa obstrução não é totalmente reversível e geralmente piora com o tempo.

A DPOC, na verdade, engloba principalmente duas condições que frequentemente coexistem: a bronquite crônica, marcada pela inflamação dos brônquios e produção excessiva de muco, e o enfisema pulmonar, caracterizado pela destruição dos pequenos sacos de ar nos pulmões (alvéolos) e pela perda da elasticidade pulmonar.

Essa combinação de fatores leva ao aprisionamento de ar nos pulmões (hiperinsuflação), dificultando a expiração completa e comprometendo a troca gasosa vital.

As Raízes do Problema: Desvendando as Causas da DPOC

A principal causa da DPOC é a exposição prolongada a substâncias irritantes que agridem os pulmões. O grande vilão nessa história é, sem dúvida, o tabagismo. A fumaça do cigarro, com suas inúmeras toxinas, desencadeia uma inflamação crônica nas vias aéreas e nos alvéolos, levando aos danos estruturais característicos da doença.

No entanto, o cigarro não é o único culpado. A exposição a poluentes ambientais e ocupacionais, como poeiras industriais, produtos químicos e fumos, também pode contribuir significativamente para o desenvolvimento da DPOC, especialmente em indivíduos não fumantes. A inalação passiva da fumaça do cigarro, embora em menor grau, também representa um risco.

Outros fatores podem aumentar a suscetibilidade à DPOC, como infecções respiratórias recorrentes na infância, que podem prejudicar o desenvolvimento pulmonar, e uma predisposição genética, sendo a deficiência de alfa-1 antitripsina o exemplo mais conhecido.

A asma de longa data não tratada e o próprio processo de envelhecimento, que naturalmente causa uma perda gradual da função pulmonar, também podem contribuir. Além disso, fatores como baixo peso ao nascer e nível socioeconômico baixo, que pode estar associado a maior exposição a poluentes e menor acesso à saúde, também são considerados.

Os Sinais de Alerta: Reconhecendo as Características da DPOC

A DPOC pode se manifestar de diversas formas, e os sintomas podem variar em intensidade dependendo do estágio da doença. É fundamental estarmos atentos aos sinais que podem indicar a presença dessa condição:

  • Falta de Ar (Dispneia): Este é um dos sintomas mais comuns e angustiantes. Inicialmente, pode ocorrer apenas durante o esforço físico, mas com a progressão da doença, a falta de ar pode surgir mesmo em repouso, limitando severamente as atividades diárias.
  • Tosse Crônica: Uma tosse persistente, que pode ser seca ou acompanhada de secreção, é um sintoma frequente. Muitas vezes, o paciente pode atribuir essa tosse ao “cigarro” ou a “alergias”, retardando a busca por ajuda médica.
  • Produção Crônica de Muco (Expectoração): A tosse geralmente vem acompanhada da produção de escarro, que pode variar em cor e quantidade. Essa secreção é resultado da inflamação e da hipersecreção nas vias aéreas.
  • Chiado no Peito (Sibilos): Um som sibilante ou chiado durante a respiração, especialmente ao expirar, pode ocorrer devido ao estreitamento das vias aéreas.
  • Aperto no Peito: Alguns pacientes descrevem uma sensação de aperto ou peso no peito, que pode estar relacionada à dificuldade em respirar.
  • Fadiga: A dificuldade em obter oxigênio suficiente e o esforço extra para respirar podem levar a uma sensação de cansaço constante e diminuição da tolerância ao exercício.
  • Perda de Peso Involuntária: Em estágios mais avançados, alguns pacientes podem perder peso sem intenção, devido ao aumento do gasto energético para respirar e à diminuição do apetite.
  • Exacerbações: Períodos de piora súbita e intensa dos sintomas (aumento da falta de ar, tosse e produção de muco) são comuns na DPOC e podem exigir tratamento médico imediato, incluindo antibióticos ou corticosteroides.
  • Tórax em Barril: Em casos de enfisema avançado, a hiperinsuflação pulmonar crônica pode levar a uma alteração na forma do tórax, que assume um formato mais arredondado, semelhante a um barril.

O Cuidado de Enfermagem: Nosso Papel Essencial no Manejo da DPOC

Para nós, profissionais de enfermagem, o cuidado ao paciente com DPOC vai muito além do alívio dos sintomas agudos. Nosso papel é fundamental para melhorar a qualidade de vida, prevenir complicações e educar o paciente e seus familiares sobre o manejo da doença. Nossas ações incluem:

  • Avaliação Abrangente: Realizar uma anamnese detalhada, investigando o histórico do paciente, fatores de risco, sintomas, impacto da doença nas atividades diárias e qualidade de vida. Avaliar os sinais vitais, ausculta pulmonar e padrão respiratório.
  • Educação para a Saúde: Informar o paciente sobre a natureza da DPOC, suas causas, os mecanismos da doença e a importância da adesão ao tratamento. Reforçar a necessidade de cessação do tabagismo, caso aplicável, oferecendo apoio e recursos para auxiliar nesse processo.
  • Administração de Medicamentos: Garantir a administração correta dos medicamentos prescritos, como broncodilatadores (de curta e longa ação), corticosteroides inalatórios e orais, e outros fármacos. Orientar o paciente sobre a técnica correta de utilização dos dispositivos inalatórios (bombinhas e espaçadores) e a importância da regularidade do uso.
  • Oxigenoterapia: Administrar oxigênio suplementar conforme a prescrição médica, monitorando a saturação de oxigênio e ajustando o fluxo quando necessário. Educar o paciente e seus familiares sobre o uso correto e seguro do oxigênio domiciliar, se indicado.
  • Reabilitação Pulmonar: Encorajar e orientar o paciente a participar de programas de reabilitação pulmonar, que incluem exercícios respiratórios, treinamento físico, orientações nutricionais e suporte psicossocial. Esses programas são cruciais para melhorar a tolerância ao exercício, reduzir a falta de ar e melhorar a qualidade de vida.
  • Manejo das Exacerbações: Reconhecer precocemente os sinais de exacerbação e orientar o paciente sobre quando e como procurar ajuda médica. Seguir as prescrições médicas durante as exacerbações, administrando medicamentos, oxigênio e oferecendo suporte respiratório, se necessário.
  • Suporte Respiratório Não Invasivo (VNI): Em casos de exacerbação grave, auxiliar na implementação e monitorização da ventilação não invasiva, conforme a indicação médica.
  • Promoção da Nutrição Adequada: Avaliar o estado nutricional do paciente e oferecer orientações sobre uma dieta equilibrada e rica em nutrientes. Em casos de perda de peso, pode ser necessário o acompanhamento de um nutricionista.
  • Suporte Emocional: Oferecer apoio emocional e escuta ativa ao paciente e seus familiares, que podem enfrentar ansiedade, depressão e isolamento social devido à doença.
  • Prevenção de Infecções: Orientar sobre a importância da vacinação contra a gripe e pneumonia, além de medidas de higiene para prevenir infecções respiratórias.
  • Monitorização Contínua: Avaliar regularmente os sintomas, a função pulmonar (através de espirometria e oximetria), a capacidade de realizar atividades diárias e a resposta ao tratamento.

Nosso cuidado humanizado e a nossa expertise são fundamentais para ajudar os pacientes com DPOC a viverem da melhor forma possível, apesar dos desafios impostos pela doença.

Referências:

  1. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PNEUMOLOGIA E TISIOLOGIA. Diretrizes para o Manejo da DPOC – 2017. Jornal Brasileiro de Pneumologia, v. 43, n. 1, p. 1-46, 2017. Disponível em: https://jornaldepneumologia.com.br/detalhe_artigo.asp?id=3346.
  2. GLOBAL INITIATIVE FOR CHRONIC OBSTRUCTIVE LUNG DISEASE (GOLD). Global Strategy for the Diagnosis, Management, and Prevention of Chronic Obstructive Pulmonary Disease (2023 Report). [S. l.]: GOLD, 2023. Disponível em: https://goldcopd.org/2023-gold-report-2/.
  3. SMELTZER, S. C.; BARE, B. G.; HINKLE, J. L.; CHEEVER, K. H. Brunner & Suddarth’s textbook of medical-surgical nursing. 14. ed. Philadelphia: Wolters Kluwer, 2018.

Pneumonia Aspirativa

A pneumonia aspirativa é uma condição grave que ocorre quando substâncias estranhas, como alimentos, líquidos ou secreções, são aspiradas para os pulmões, causando inflamação e infecção. Essa condição é mais comum em idosos, pacientes com dificuldades de deglutição ou aqueles com alterações do nível de consciência.

Nesta publicação, vamos explorar as causas, os sintomas, os fatores de risco e os tratamentos da pneumonia aspirativa, além de destacar a importância dos cuidados preventivos.

Como ocorre?

A pneumonia aspirativa acontece quando o mecanismo de proteção das vias aéreas falha, permitindo que partículas estranhas entrem nos pulmões. Essas partículas podem conter bactérias, que desencadeiam uma resposta inflamatória e infecciosa.

Fatores de Risco

Entre os principais fatores de risco estão disfagia (dificuldade para engolir), doenças neurológicas como AVC ou Parkinson, uso de sedativos ou álcool, e condições que reduzem o nível de consciência, como coma ou anestesia geral.

Sintomas

Os sintomas da pneumonia aspirativa podem variar, mas geralmente incluem tosse persistente, febre, falta de ar, dor no peito e expectoração com odor desagradável.

Em casos graves, o paciente pode apresentar confusão mental, cianose (coloração azulada da pele) e queda na oxigenação.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito com base no histórico clínico, exame físico e exames complementares, como radiografia de tórax e tomografia computadorizada.

Tratamento

O tratamento da pneumonia aspirativa envolve o uso de antibióticos para combater a infecção, suporte respiratório com oxigênio ou ventilação mecânica, se necessário, e fisioterapia respiratória para ajudar na eliminação de secreções.

Em casos de aspiração recorrente, pode ser necessário ajustar a dieta do paciente para alimentos mais pastosos ou até mesmo considerar a alimentação por sonda.

Prevenção

A prevenção é um aspecto crucial no manejo da pneumonia aspirativa. Para pacientes com disfagia, é essencial realizar avaliações fonoaudiológicas para identificar e corrigir problemas de deglutição.

Cuidados como elevar a cabeceira da cama durante as refeições, evitar alimentos de consistência inadequada e supervisionar pacientes com dificuldades de alimentação podem reduzir significativamente o risco de aspiração.

Cuidados de Enfermagem

A equipe de enfermagem desempenha um papel fundamental na prevenção e no tratamento da pneumonia aspirativa. Cuidados como a higiene bucal regular, o posicionamento correto do paciente e a observação atenta durante a alimentação são medidas simples, mas eficazes, para evitar complicações.

Além disso, a educação dos familiares e cuidadores sobre os riscos e as práticas seguras de alimentação é essencial para garantir a segurança do paciente.

Em resumo, a pneumonia aspirativa é uma condição que exige atenção e cuidados específicos, especialmente em pacientes vulneráveis. Com diagnóstico precoce, tratamento adequado e medidas preventivas, é possível reduzir os riscos e melhorar a qualidade de vida desses pacientes.

Referências:

  1. TOUFEN JUNIOR, Carlos; CAMARGO, Fernanda Pereira de; CARVALHO, Carlos Roberto Ribeiro. Pneumonia aspirativa associada a alterações da deglutição: relato de caso. 1 Revista Brasileira de Terapia Intensiva, São Paulo, v. 2 19, n. 3, p. 371-374, set. 2007. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbti/a/RQq7f6DgSmHJBn6QG8PnnCR/?format=pdf
  2. Teramoto, S. (2022). The current definition, epidemiology, animal models and a novel therapeutic strategy for aspiration pneumonia. 1 Respiratory Investigation, 60(1), 45-55. https://doi.org/10.1016/j.resinv.2021.08.008

Hipocratismo Digital: Dedos em Baqueta

O baqueteamento digital, também conhecido como hipocratismo digital, é um sinal caracterizado pelo aumento (hipertrofia) das falanges distais dos dedos e unhas da mão.

O que causa o Hipocratismo?

Essa condição está associada a diversas doenças, principalmente cardíacas e pulmonares.

O baqueteamento digital parece estar relacionado com alterações na circulação sanguínea, causando uma dilatação dos vasos sanguíneos nos dedos. Isso geralmente está associado a fatores hereditários ou outras doenças, como:

  • Doenças cardíacas congênitas ou malformações de artérias pulmonares;
  • Linfoma pulmonar ou câncer de pulmão;
  • Bronquiectasia, tuberculose, fibrose ou abscesso pulmonar;
  • Endocardite bacteriana.

Sinais do Hipocratismo

  • Arredondamento da ponta dos dedos;
  • Alargamento da unha, que também pode estar curvada para baixo;
  • Amolecimento da unha, que pode ter uma aparência esponjosa;
  • Vermelhidão na base da unha;
  • Aspecto brilhante da pele em volta da unha;
  • Aparecimento de cianose em extremidades.

Como é diagnosticado?

O diagnóstico é feito pelo clínico geral através da avaliação dos sinais e sintomas apresentados pela pessoa, além de exame físico e exames laboratoriais. Exames para avaliar os pulmões e o coração também podem ser solicitados.

Como é tratado?

O tratamento depende da causa subjacente:

  • Mudanças no estilo de vida podem ser recomendadas;
  • Uso de medicamentos para tratar doenças pulmonares ou cardíacas e diminuir o inchaço no dedo.

Lembrando que o baqueteamento digital deve sempre ser avaliado por um profissional de saúde para determinar a causa e indicar o tratamento adequado.

Referências:

  1. Macedo AG, Fusari VC, Almeida JRP de, Dinato SLM e, Romiti N. Baqueteamento digital como manifestação inicial de neoplasia pulmonar. An Bras Dermatol [Internet]. 2004Jul;79(4):457–62. Available from: https://doi.org/10.1590/S0365-05962004000400007
  2. Moreira J da S, Porto N da S, Moreira ALS. Avaliação objetiva do hipocratismo digital em imagens de sombra de dedo indicador: estudo em pacientes pneumopatas e em indivíduos normais. J bras pneumol [Internet]. 2004Mar;30(2):126–33. Available from: https://doi.org/10.1590/S1806-37132004000200009

Tórax Instável

O tórax instável é uma condição grave que ocorre quando há múltiplas fraturas em pelo menos três arcos costais adjacentes, resultando na separação de um segmento da parede torácica do restante da caixa torácica.

Essa condição é um marcador de lesão pulmonar subjacente e pode ser observada clinicamente pelo movimento paradoxal do segmento instável durante a respiração.

Diagnóstico do Tórax Instável

O diagnóstico do tórax instável é clínico. Idealmente, observamos o movimento paradoxal do segmento instável durante a respiração.

No entanto, em alguns casos, a dor ou outras lesões podem dificultar a visualização desse movimento. A radiografia de tórax pode ajudar a confirmar as fraturas ósseas e geralmente mostra contusão pulmonar subjacente. Vale ressaltar que a radiografia não exibe ruptura de cartilagem.

Cuidados de Enfermagem para o Tórax Instável

  1. Cuidados de Suporte:
    • Administração de oxigênio umidificado aos pacientes com tórax instável.
    • Analgésicos podem melhorar a ventilação, reduzindo a dor durante a respiração. Em alguns casos, a ventilação pode precisar de suporte mecânico.
    • Monitoramento cuidadoso da volemia, pois a lesão pode resultar tanto de hipovolemia (por hipoperfusão pulmonar) quanto de hipervolemia (por edema pulmonar).
  2. Reparo Cirúrgico:
    • Em pacientes selecionados com tórax instável, a fixação cirúrgica dos arcos costais pode ser considerada. Isso reduz o risco de pneumonia, o tempo de internação, a duração da ventilação mecânica e a mortalidade.
  3. Fisioterapia Respiratória:
    • A fisioterapia é crucial para evitar complicações respiratórias. Ela ajuda a manter a expansão pulmonar, melhorando a ventilação e prevenindo complicações como atelectasia e pneumonia.
  4. Monitoramento Hidroeletrolítico:
    • É importante ter cuidado com a reposição hidroeletrolítica dos pacientes para evitar congestão e piora da troca respiratória.

Em resumo, o tratamento do tórax instável envolve uma abordagem multidisciplinar, com foco na estabilização, alívio da dor, suporte respiratório adequado e monitoramento rigoroso. A enfermagem desempenha um papel fundamental na avaliação contínua e na implementação desses cuidados para garantir o melhor resultado possível para o paciente.

Referências:

  1. MSD Manuals
  2. Medway
  3. ABCMED, 2017. Tórax instável – conceito, causas, características clínicas, diagnóstico, tratamento e possíveis complicações.

A Asma e seus gatilhos

A asma é uma doença respiratória crônica que afeta as vias aéreas, causando inflamação e estreitamento, dificultando a respiração. Ela pode ser desencadeada por diversos fatores, conhecidos como gatilhos.

Principais gatilhos da asma

Alérgenos

  • Ácaros: encontrados em poeira, colchões, tapetes e peluches.
  • Pêlos de animais: de cães, gatos, coelhos e outros bichos peludos.
  • Fungos: presentes em locais úmidos e mofo.
  • Pólen: de árvores, gramíneas e flores, especialmente na primavera e verão.

Irritantes no ar

  • Fumaça de cigarro e outros produtos do tabaco.
  • Poluição do ar, tanto externa quanto interna.
  • Produtos químicos fortes, como limpadores e sprays.
  • Ar frio e seco.

Outros gatilhos

  • Exercícios físicos, especialmente em clima frio ou seco.
  • Infecções respiratórias, como gripe e resfriado.
  • Estresse emocional forte.
  • Refluxo gastroesofágico.
  • Medicamentos, como aspirina e beta-bloqueadores.

Identificando seus gatilhos

O primeiro passo para controlar a asma é identificar seus gatilhos. Observe quais situações ou substâncias desencadeiam seus sintomas e registre-as em um diário. Isso te ajudará a evitá-los no futuro.

Prevenção da asma

Evitar os gatilhos é a principal forma de prevenir crises de asma.

Algumas dicas:

  • Mantenha sua casa limpa e seca: reduza o acúmulo de poeira, ácaros e mofo.
  • Use capas antialérgicas: para colchões, travesseiros e outros itens de cama.
  • Lave as roupas de cama com frequência: em água quente, pelo menos uma vez por semana.
  • Controle a umidade do ar: mantenha entre 30% e 50%.
  • Evite fumar e ambientes com cigarro: peça para as pessoas não fumarem perto de você.
  • Mantenha-se informado sobre os níveis de poluição do ar: e evite atividades ao ar livre quando os níveis estiverem altos.
  • Use medicamentos preventivos: conforme orientação médica, para reduzir a inflamação nas vias aéreas e diminuir a frequência das crises.
  • Tenha sempre à mão seu medicamento de resgate: para usar em caso de crise.

Lembre-se:

  • O controle da asma é fundamental para prevenir crises e melhorar a qualidade de vida.
  • Consulte um médico regularmente para acompanhamento e orientação individualizada.

Referências:

Lesão pulmonar aguda relacionada a transfusão (TRALI)

Lesão pulmonar aguda relacionada a transfusão (TRALI) é uma reação transfusional caracterizada por uma síndrome respiratória, causada por edema pulmonar de origem não cardiogênica, que se inicia em até 6 horas após a transfusão de hemocomponentes contendo produtos do plasma humano, caracterizada por desconforto respiratório agudo, hipóxia e edema pulmonar bilateral não cardiogênico, sem evidência anterior de lesão pulmonar.

Embora o quadro sindrômico tenha sido reconhecido e descrito como TRALI apenas em 1983, é possível observar relatos de casos mais antigos e compatíveis com a síndrome.

Epidemiologia

A TRALI é a maior causa de morbidade e mortalidade relacionada à transfusão sanguínea. Embora a real incidência de TRALI seja desconhecida, é provável que ocorra subdiagnóstico e sua incidência seja subestimada. Trata-se de uma complicação relativamente rara, com incidência variando entre 1/1.120 e 1/57.810. ]

Alguns estudos mostram incidência de 1 (um) caso em 7.900 unidades de sangue total e de 1 (um caso) em 432 unidades de plasma fresco congelado transfundidas.

Tal variação da incidência observada entre os estudos pode ser devido a algumas limitações: diferentes critérios de inclusão nos estudos; diversas definições de TRALI; perfil de pacientes incluídos no estudo (paciente de hospital geral versus paciente de cuidados intensivos); necessidade de critérios clínicos e/ou fisiopatológicos para inclusão; estudos realizados antes ou durante a implementação de estratégias preventivas de TRALI.

Além disso, TRALI é um dos diagnósticos diferenciais de desconforto respiratório agudo no ato transfusional imediato; logo, deve-se considerar outros diferenciais que podem ser fatores de confusão.

Devido a esse fato, é importante reforçar que provavelmente sua incidência seja maior que a diagnosticada e notificada. Sua distribuição não varia entre os sexos, é mais comum em adultos e é rara em crianças.

Fatores de risco

Os fatores de risco de desenvolvimento da TRALI podem ser divididos em fatores relacionados ao receptor do hemocomponente e fatores relacionados à transfusão.

Fatores de risco relacionados ao receptor

Observa-se maior incidência de TRALI em várias doenças, como na doença hepática em estágio terminal, bypass coronariano, neoplasias hematológicas, transfusão maciça, ventilação mecânica, sepse e etilismo pesado.

A maior incidência nesses casos provavelmente se deve à maior chance em receber hemocomponentes advindos de maior número de doadores. Além disso, a incidência aumenta com o número de unidades transfundidas e também se mostra aumentada em tabagistas e portadores de fibrose pulmonar.

Fatores de risco relacionados à transfusão

Apesar de a TRALI estar relacionada à transfusão de hemocomponentes que contêm plasma, observa-se maior ocorrência dessa complicação quando os doadores são mulheres, sobretudo as multíparas, e quando se faz uso de sangue total, de plaquetas por aférese ou de plasma fresco congelado.

Alguns estudos mostram que o tempo de estoque do hemoderivado pode aumentar o risco de TRALI, provavelmente em decorrência de alterações ligadas ao metabolismo dos lipídeos e à hemólise. Entretanto, esses achados não foram confirmados em todos os estudos.

Apresentação clínica e diagnóstico

Devido ao fato de a disfunção pulmonar aguda ser um achado inespecífico, TRALI é um diagnóstico de exclusão, essencialmente clínico e dependente de alto grau de suspeição.

O quadro clínico de TRALI se caracteriza por dificuldade respiratória que surge durante ou nas 6 horas após a transfusão de hemocomponentes que contenham alto volume de plasma, como transfusão de sangue total, de plasma fresco congelado ou de concentrado de plaquetas.

Infiltrado pulmonar bilateral sem evidência de cardiomegalia, na radiografia de tórax, e hipoxemia confirmada por gasometria arterial estão presentes em quase todos os pacientes com TRALI.

Metade dos pacientes apresenta expectoração espumosa. Taquicardia e taquipneia são frequentemente observados, enquanto febre, hipotensão e cianose ocorrem em menos de um terço dos pacientes.

Os critérios de diagnóstico da TRALI foram definidos após consenso realizado em 2004 (Consensus Conference Committee in Toronto) e classificados como:

  1. suspeita de TRALI;
  2. possível TRALI e;
  3. TRALI tardia.

Não existe teste laboratorial ou exame complementar específico para o diagnóstico de TRALI.

Contudo, é mandatória a confirmação da hipoxemia, a realização de radiografia de tórax e a avaliação dos sinais vitais. A alteração mais notável nos exames laboratoriais é a queda da contagem neutrofílica no hemograma, provavelmente secundária ao sequestro dos neutrófilos na circulação pulmonar.

Para o diagnóstico, é necessária a exclusão de outras causas determinantes de edema pulmonar, particularmente da sobrecarga circulatória.

Reações transfusionais sépticas e hemolíticas, além de anafilaxia, podem simular um quadro de TRALI, embora nesta os sinais de obstrução de vias aéreas sejam predominantes, facilitando o diagnóstico diferencial.

O principal diagnóstico diferencial com TRALI na insuficiência respiratória aguda no ato transfusional é a sobrecarga circulatória associada à transfusão (TACO).

Essas síndromes são de difícil diferenciação, mas diversos parâmetros clínicos auxiliam no diagnóstico diferencial. Na TRALI, a gravidade do quadro respiratório do paciente é, na maioria das vezes, desproporcional ao volume do hemocomponente transfundido, que é, em geral, muito pequeno para resultar em hipervolemia.

Outros diagnósticos diferenciais a serem considerados em pacientes com insuficiência pulmonar após transfusão são: reação transfusional anafilática, transfusão de produtos sanguíneos contaminados com bactéria e síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA).

TRALI no Brasil

Considerando o subdiagnóstico e a subnotificação, no Brasil ainda se desconhece a incidência de TRALI, o que se deve, em parte, ao desconhecimento dessa síndrome clinica por parte de médicos e hemoterapeutas.

Em 2015, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) divulgou o “Marco conceitual e operacional de hemovigilância: guia para hemovigilância no Brasil”. Nessa publicação, é definida a classificação da correlação dos casos de TRALI com a transfusão.

No Brasil, todas as suspeitas de reação transfusional devem ser notificadas (ficha de notificação de reação transfusional).

Tratamento e prognóstico

Não existe tratamento específico para a TRALI. Em casos suspeitos, a transfusão deve ser interrompida imediatamente e o serviço de hemoterapia comunicado, para que se determine a presença de anti-HLA e anti-HNA no plasma dos doadores e, assim, sejam impedidos de futuras doações.

O manejo de TRALI é suportivo: manutenção do equilíbrio hemodinâmico do paciente e medidas precoces de suporte ventilatório, como oxigenoterapia e ventilação mecânica, se necessário. A resolução do quadro de TRALI é rápida e ocorre entre 48 e 96 horas, considerando a evolução da hipoxemia.

Devido à hipotensão, presente na maioria dos pacientes, não responder a infusão de líquidos, pode ser necessário o uso de vasopressores. Não é indicado o uso de corticosteroides.

A TRALI não causa fibrose pulmonar relevante, assim como não determina qualquer outro dano estrutural ao parênquima pulmonar. Sendo assim, não há sequela tardia aparente.

A mortalidade devido à TRALI é de 5 a 10%, mas a mortalidade em 90 dias pode chegar a 47% em populações com comorbidades de alto risco.

Prevenção

Diminuir o número de transfusões de hemocomponentes leva à redução da incidência de TRALI e deve ser considerada especialmente no caso de pacientes em cuidados críticos que possam necessitar de transfusão. Além disso, a aplicação sistemática dos protocolos pode diminuir transfusões desnecessárias e morbidades associadas.

O reconhecimento de anticorpos anti-HLA na unidade transfundida, associado à confirmação do antígeno correspondente no receptor, não tem utilidade para o manejo agudo da reação transfusional, porém tem implicações relacionadas ao doador.

Os doadores identificados que foram implicados em casos prévios de TRALI, por terem maior risco de desencadear reações em outros receptores, devem ser descartados de novas doações, especialmente para o preparo de plasma ou plaquetas.

Para aumentar a segurança do ato transfusional, o Reino Unido desqualificou, em 2004, mulheres multíparas – doadoras que tiveram três ou mais gestações – da doação de plasma devido à maior possibilidade desse hemocomponente conter anticorpos leucocitários, sendo um fator de risco para TRALI.

Com essa estratégia, houve importante redução da incidência de TRALI. Além disso, o uso predominante de plasma de doadores do sexo masculino para a transfusão de plasma congelado e concentrado de plaquetas foi adotado pelo Canadian Blood Service em 2007 como prevenção à TRALI.

Em 2009, iniciaram a coleta para aférese de plaquetas de doadores homens e mulheres sem histórico de gravidez.

Referências:

  1. Kim J, Na S. Transfusion-related acute lung injury; clinical perspectives. Korean J Anesthesiol. 2015;68(2):101-5.
  2. Brittingham TE. Immunologic studies on leukocytes. Vox Sang. 1957;2(4):242-8.
  3.  Blatyta PF, Custer B, Liu J, Mendrone-Junior A, Wright DJ, Leao SC, et al.; NHLBI Retrovirus Epidemiology Donor Study-II (REDSII), International Component. The impact of policies to restrict the use of plasma containing products and apheresis platelets from female donors to mitigate transfusion related acute lung injury (TRALI) in Brazil. Transfus Apher Sci. 2013;48(1):15-20.
  4. AuBuchon JP. TRALI: reducing its risk while trying to understand its causes. Transfusion. 2014;54(12):3021-5.
  5. Silliman CC, Ambruso DR, Boshkov LK. Transfusion-related acute lung injury. Blood. 2005;105(6):2266-73.
  6. Fabron A Jr, Lopes LB, Bordin JO. Transfusion-related acute lung injury. J Bras Pneumol. 2007;33(2):206-12.
  7. Middelburg RA, van Stein D, Briët E, van der Bom JG. The role of donor antibodies in the pathogenesis of transfusion-related acute lung injury: a systematic review. Transfusion. 2008;48(10):2167-76.
  8. Brasil. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Marco conceitual e operacional de hemovigilância: Guia Para Hemovigilância no Brasil. Brasília: Anvisa; 2015. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/documents/33868/404938/guia_hemovigilancia15.pdf/495fd617-5156-447d-ad22-7211cdbab8a7
  9. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Atenção Especializada. Aspectos Hemoterápicos Relacionados a Trali (Lesão Pulmonar Aguda Relacionada à Transfusão): Medidas Para Redução do Risco. Brasília: Ministério da Saúde; 2010. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/aspectos_hemotrapicos_relacionados_trali.pdf
  10. Zago MA, Falcao RP, Pasquini R. Tratado de Hematologia. 1ª ed. São Paulo: Editora Atheneu; 2013. p. 793-5.
  11. Triulzi DJ, Kleinman S, Kakaiya RM, Busch MP, Norris PJ, Steele WR, et al. The effect of previous pregnancy and transfusion on HLA alloimmunization in blood donors: implications for a transfusion-related acute lung injury risk reduction strategy. Transfusion. 2009;49(9):1825-35.

Tipos de pneumonia: Área do Pulmão Afetado

Broncopneumonia, pneumonia lobar e pneumonia intersticial são três tipos de pneumonia que afetam os pulmões de maneiras diferentes.

As diferenças

A broncopneumonia é uma inflamação dos brônquios e dos alvéolos, que são as pequenas bolsas de ar nos pulmões.

A pneumonia lobar é uma infecção que atinge um ou mais lobos do pulmão, que são as grandes divisões do órgão.

A pneumonia intersticial é uma doença que causa fibrose e cicatrização do tecido pulmonar, reduzindo a capacidade respiratória.

Causas

As causas desses tipos de pneumonia podem variar, mas geralmente envolvem bactérias, vírus, fungos ou agentes inalatórios.

Sintomas

Os sintomas também podem ser diferentes, dependendo da gravidade e da extensão da infecção. Alguns sintomas comuns são febre, tosse, falta de ar, dor no peito e expectoração.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito por meio de exames clínicos, radiológicos e laboratoriais.

Tratamento

O tratamento depende do tipo e da causa da pneumonia. A broncopneumonia e a pneumonia lobar geralmente são tratadas com antibióticos, oxigenoterapia e hidratação.

A pneumonia intersticial pode requerer corticoides, imunossupressores e até transplante pulmonar em casos graves. A prevenção é feita por meio de vacinação, higiene das mãos e evitar o contato com pessoas infectadas.

Referências:

  1. Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. Pneumonia: o que é? Disponível em: https://sbpt.org.br/portal/pneumonia-o-que-e/
  2. Ministério da Saúde. Pneumonia: causas, sintomas, diagnóstico e tratamento. Disponível em: https://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/pneumonia
  3. Mayo Clinic. Interstitial lung disease. Disponível em: https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/interstitial-lung-disease/symptoms-causes/syc-20353108

EVALI: A Nova Doença Pulmonar

A EVALI, sigla em inglês para lesão pulmonar induzida pelo cigarro eletrônico, é uma doença pulmonar relacionada ao uso dos DEFs, descrita pela primeira vez no ano de 2019, nos Estados Unidos.

Essa lesão pulmonar foi atribuída, inicialmente, a alguns solventes e aditivos utilizados nesses dispositivos, provocando um tipo de reação inflamatória no órgão, podendo causar fibrose pulmonar, pneumonia e chegar à insuficiência respiratória.

Em 2009, a ANVISA estabeleceu a regulamentação que proibiu venda, importação e propaganda desses produtos (RDC 46/2009). Contudo, a comercialização online dos DEFs é comum e, apesar da proibição, até mesmo grandes lojas de departamento vendem dispositivos eletrônicos para fumar, livremente, para crianças e adolescentes.

Mesmo as ações e multas da ANVISA parecem não inibir esse comércio.

Como surgiu o termo Evali?

Em 2019, nos Estados Unidos, o CDC começou a investigar alguns casos de internações com sinais e sintomas semelhantes, em locais diferentes, e com um fator em comum na história: o uso do cigarro eletrônico.

A condição foi investigada e recebeu o nome de EVALI. Em fevereiro de 2020, o CDC já tinha reportado mais de 2800 internações hospitalares e mais de 68 mortes. Esses números já mostram as dimensões que o problema vem tomando, pensem nos recursos.

Vale ressaltar que, de acordo com o CDC, 15% desses pacientes têm menos de 18 anos. Não temos ainda dados nacionais sobre a incidência e mortalidade dessa doença.

Como é diagnosticado?

É uma doença de difícil diagnóstico e de exclusão. Não há testes laboratoriais ou marcadores específicos da doença e sinais/sintomas patognomônicos, e pelo contrário, os sinais e sintomas são comuns a diversas doenças respiratórias (como influenza).

Deve ser suspeitada principalmente quando há uso de vapes e cigarros eletrônicos identificados na anamnese.

Os principais sintomas são:

  • dispneia;
  • tosse;
  • dor torácica;
  • febre e calafrios;
  • diarreia, náusea, vômitos e dor abdominal;
  • taquicardia

A causa, até agora, não se sabe exatamente. Foi identificado como possível causa o acetato de vitamina E, um dos aditivos químicos. Um estudo publicado no NEJM em 2020 que avaliou o lavado broncoalveolar de 51 pacientes encontrou vitamina E em 48 dessas amostras.

É importante ressaltar também que o vaping pode exacerbar diversas pneumopatias crônicas como a asma. O que contribui para internações e aumento da morbimortalidade dessas condições.

Nos Estados Unidos, a maioria dos casos hospitalizados e dos óbitos ocorreram em pacientes que utilizavam substância contendo THC, a maconha líquida.

Tratamento

O tratamento consiste em oferecer suporte conforme necessidade do paciente. Tratamento de suporte ambulatorial ou internação hospitalar.

Tratamento de suporte ambulatorial é indicado para casos sem:

  • estabilidade clínica como saturação acima de 95% em ar ambiente,
  • sinais de dispneia,
  • graves comorbidades e
  • comorbidades pulmonares.

O tratamento de suporte ambulatorial deve ser feito com monitorização frequente a cada 24 a 48h.

Internação hospitalar é considerado para casos de:

  • queda do estado geral,
  • queda da saturação,
  • coinfecção viral ou bacteriana e
  • exacerbação de doenças de base.

Corticosteroides têm demonstrado redução do tempo de internação e melhor recuperação, porém ainda é necessário mais estudos sobre sua utilização.

Referências: