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Na assistência ao paciente crítico, alterações simultâneas de temperatura, frequência cardíaca e respiração podem ser os primeiros sinais de que o organismo está reagindo a uma agressão importante. Reconhecer esse padrão ajuda a identificar pacientes que precisam de avaliação rápida, mas a causa deve ser investigada antes de concluir que existe uma infecção ou sepse.
O que é a SIRS?
A Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SIRS, do inglês Systemic Inflammatory Response Syndrome) é uma resposta inflamatória generalizada que pode ocorrer diante de infecções e de condições não infecciosas, como trauma, queimaduras, pancreatite e cirurgias de grande porte. Sua presença indica uma reação sistêmica, mas não determina, sozinha, a gravidade nem a origem do problema.
Os quatro critérios clássicos da SIRS
Tradicionalmente, considera-se SIRS quando pelo menos dois dos quatro critérios abaixo estão presentes:
- Temperatura: acima de 38 °C ou abaixo de 36 °C.
- Frequência cardíaca: acima de 90 batimentos por minuto.
- Frequência respiratória: acima de 20 incursões por minuto ou PaCO₂ abaixo de 32 mmHg.
- Leucócitos: acima de 12.000/mm³, abaixo de 4.000/mm³ ou mais de 10% de formas imaturas.
Esses critérios são referências históricas e continuam úteis para o reconhecimento de alterações sistêmicas. Entretanto, devem ser interpretados em conjunto com o quadro clínico, os antecedentes, os exames e a evolução do paciente. (BONE et al., 1992).
SIRS, sepse e choque séptico: diferenças importantes
A SIRS pode ter origem infecciosa ou não infecciosa. A sepse é definida atualmente como uma disfunção orgânica potencialmente fatal causada por uma resposta desregulada do organismo à infecção. Já o choque séptico é uma forma mais grave de sepse, associada a alterações circulatórias e metabólicas que aumentam significativamente o risco de morte.
Por isso, não é necessário que uma infecção esteja comprovada por cultura para que exista suspeita de sepse, e a presença de dois critérios de SIRS não confirma esse diagnóstico. O termo “sepse severa” também deixou de ser recomendado, porque a disfunção orgânica já integra a definição atual de sepse.
Por que a SIRS exige atenção na UTI?
Imagine um paciente no pós-operatório que apresenta temperatura de 38,5 °C, frequência cardíaca de 112 bpm e frequência respiratória de 24 irpm. Ele preenche três critérios clássicos de SIRS, mas esses dados não esclarecem, isoladamente, se a causa é infecciosa, inflamatória ou outra condição clínica. O próximo passo é avaliar o estado geral, a perfusão, a pressão arterial, o nível de consciência, a diurese e a evolução dos sinais vitais.
Em outro cenário, um paciente internado começa a apresentar confusão mental, queda da pressão arterial e redução do volume urinário, mesmo sem febre. A ausência de temperatura elevada não deve tranquilizar a equipe: alterações novas podem indicar disfunção orgânica e exigem avaliação imediata, sobretudo quando há suspeita de infecção. A identificação precoce da deterioração clínica é essencial para acelerar a investigação e o tratamento.
Tratamento e conduta clínica
Não existe um tratamento único para a SIRS, pois a abordagem depende da causa identificada. Quando há suspeita de infecção, a equipe deve investigar a possibilidade de sepse e seguir o protocolo institucional. Em pacientes com alta probabilidade de sepse ou choque séptico, o tratamento deve ser iniciado imediatamente; a coleta de culturas é recomendada antes dos antimicrobianos sempre que isso não provocar atraso relevante. A escolha dos medicamentos, a reposição de fluidos e outras intervenções dependem da avaliação clínica e das diretrizes aplicáveis.
Cuidados de enfermagem
A enfermagem tem papel fundamental no reconhecimento de alterações precoces. É necessário monitorar e registrar os sinais vitais, comparar os valores com os anteriores, observar perfusão periférica, nível de consciência e diurese e comunicar rapidamente qualquer deterioração. Quando houver suspeita de sepse, deve-se acionar o fluxo institucional sem aguardar que todos os critérios clássicos de SIRS estejam presentes.
Também é importante preparar o paciente para exames e intervenções prescritos, acompanhar a resposta ao tratamento e registrar os horários das alterações e das medidas realizadas. A observação contínua e a comunicação objetiva entre os profissionais ajudam a reduzir atrasos na identificação de quadros graves.
O que guardar para a prática
A SIRS descreve uma resposta inflamatória sistêmica e pode ser provocada por diferentes condições. Seus quatro critérios clássicos ajudam a reconhecer alterações, mas não substituem a avaliação clínica. Para a enfermagem, o ponto decisivo é identificar mudanças relevantes, reconhecer sinais de disfunção orgânica e agir rapidamente diante da suspeita de sepse.
SIRS: Critérios e Sinais de Alerta
- SIRS pode ter causas infecciosas e não infecciosas
- Dois critérios clássicos sugerem SIRS, mas não confirmam sepse
- Disfunção orgânica exige avaliação rápida
- Monitore sinais vitais, perfusão, consciência e diurese
Referências:
- BONE, Roger C. et al. Definitions for sepsis and organ failure and guidelines for the use of innovative therapies in sepsis. Chest, v. 101, n. 6, p. 1644-1655, 1992. Disponível em: https://doi.org/10.1378/chest.101.6.1644.
- SINGER, Mervyn et al. The Third International Consensus Definitions for Sepsis and Septic Shock (Sepsis-3). JAMA, v. 315, n. 8, p. 801-810, 2016. Disponível em: https://doi.org/10.1001/jama.2016.0287.
- SOCIETY OF CRITICAL CARE MEDICINE. Surviving Sepsis Campaign: Adult Guidelines. Mount Prospect: SCCM. Disponível em: https://www.sccm.org/survivingsepsiscampaign/guidelines-and-resources/surviving-sepsis-campaign-adult-guidelines.
- PRESCOTT, Hallie C. et al. Surviving Sepsis Campaign: international guidelines for management of sepsis and septic shock 2026. Critical Care Medicine, v. 54, p. 725-812, 2026. DOI: 10.1097/CCM.0000000000007075. Disponível em: Critical Care Medicine.
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Christiane Ribeiro
Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva. Une a vivência clínica à inovação digital e criativa, atuando na produção de conteúdos educacionais, ilustração digital e no desenvolvimento web de ferramentas e recursos interativos (PHP, CSS e JavaScript).
É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

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