Cuidados de Enfermagem no Cateterismo Cardíaco

cateterismo cardiaco

O cuidado após o cateterismo cardíaco não termina quando o paciente sai da hemodinâmica. Para a enfermagem, o acesso vascular vira um verdadeiro “ponto de vigilância”: é preciso acompanhar sangramento, hematoma, perfusão distal e sinais de complicação, além das condições clínicas do paciente.

Acesso radial: olhe além do curativo

No acesso radial, o cateter é introduzido pela artéria radial, geralmente no punho. Uma das vantagens é permitir mobilização mais precoce, já que não existe a mesma necessidade de manter o paciente em repouso prolongado no leito que pode ocorrer após o acesso femoral. Mesmo assim, isso não significa deixar de observar o membro.

Depois do procedimento, avalie o local da punção e observe sangramento, hematoma, dor, edema, temperatura e coloração da mão, além do pulso distal e da perfusão. Alterações como mão fria, mudança de coloração, déficit sensitivo ou motor e dor importante precisam ser comunicadas rapidamente.

Uma situação prática fácil de imaginar acontece quando o paciente chega da hemodinâmica com um dispositivo de compressão no punho. A mão pode estar aparentemente normal, mas uma avaliação comparativa mostra alteração de temperatura ou coloração em relação ao outro membro. É justamente esse tipo de comparação que ajuda a perceber uma alteração vascular precocemente.

Acesso femoral exige outra atenção

No acesso femoral, a punção ocorre na região da virilha e o risco de complicações vasculares e sangramento no local de acesso é maior do que no acesso radial. Por isso, a avaliação precisa ser cuidadosa, incluindo inspeção do local, controle de sangramento e acompanhamento da perfusão do membro.

Após a retirada do introdutor, a hemostasia pode ser obtida por compressão manual ou dispositivo de fechamento, conforme a técnica utilizada e o protocolo do serviço. O tempo de repouso e mobilização não deve ser tratado como um número universal, porque depende do procedimento, método de hemostasia, condição clínica e protocolo institucional.

É nesse acesso que uma avaliação aparentemente simples pode fazer muita diferença. Imagine o paciente algumas horas após o procedimento, ainda em decúbito, relatando dor lombar ou desconforto abdominal enquanto o curativo femoral parece seco. A enfermagem não deve olhar apenas para o curativo: alteração hemodinâmica, dor abdominal/lombar ou queda de hemoglobina podem levantar suspeita de sangramento oculto e precisam de avaliação imediata.

O que comparar nos dois acessos

Independentemente do local, o raciocínio é parecido: olhe, palpe quando indicado, compare os membros e acompanhe a evolução.

No radial, dê atenção especial à mão e ao antebraço. No femoral, observe principalmente a região da punção, o membro inferior e sinais sistêmicos de sangramento. Hematoma crescente, sangramento persistente, dor desproporcional, alteração de temperatura ou coloração e redução da perfusão são sinais que não devem ser banalizados.

Radial ou femoral: não confunda os cuidados

Uma maneira simples de memorizar:

  • Radial → punho, mão e perfusão distal.
  • Femoral → virilha, membro inferior e risco de sangramento oculto.

No radial, também é importante observar sinais relacionados à compressão excessiva, como dor, alteração de perfusão ou mudanças na coloração e temperatura da mão. A chamada hemostasia patente, quando indicada pelo dispositivo e protocolo utilizado, busca controlar o sangramento preservando o fluxo arterial.

No femoral, a mobilização deve respeitar o protocolo do serviço e a forma como a hemostasia foi realizada. Não é adequado simplesmente retirar a restrição de movimento porque o paciente está se sentindo bem.

A enfermagem precisa acompanhar o paciente inteiro

Além do acesso, monitore pressão arterial, frequência cardíaca, ritmo cardíaco, dor, nível de consciência e sinais de sangramento conforme o procedimento e a condição clínica. A observação do sítio vascular deve fazer parte da avaliação pós-procedimento, e não ser uma checagem isolada do curativo.

Também confira informações importantes na passagem de plantão: qual foi o acesso utilizado, qual procedimento foi realizado, se houve intercorrências, como foi feita a hemostasia, quais medicamentos antitrombóticos foram utilizados e quais são as orientações para mobilização.

Cuidados de enfermagem

Após o cateterismo, a enfermagem deve monitorar o sítio de punção, identificar precocemente sangramento e hematoma, avaliar perfusão distal, acompanhar sinais vitais e dor, manter o membro conforme orientação do procedimento e protocolo institucional, observar alterações neurológicas ou vasculares e comunicar imediatamente sinais de complicação.

No acesso radial, lembre-se principalmente de mão e perfusão. No femoral, pense em virilha, sangramento e perfusão do membro inferior.

O detalhe mais importante é não olhar somente para o curativo. Um curativo seco não exclui uma complicação vascular. A avaliação precisa considerar o local da punção, o membro e o estado clínico do paciente como um conjunto.

Resumo para salvar

Cateterismo Cardíaco Cuidados no Acesso

  • Acesso radial exige atenção à mão perfusão distal dor hematoma e coloração
  • Acesso femoral exige vigilância do local da punção sangramento e perfusão do membro inferior
  • Monitorização deve incluir sítio vascular sinais vitais dor e condição clínica
  • Curativo seco não exclui complicação vascular e a avaliação deve ser sistematizada

Referências:

  1. MASON, Patrick J. et al. An update on radial artery access and best practices for transradial coronary angiography and intervention in acute coronary syndrome: a scientific statement from the American Heart Association. Circulation: Cardiovascular Interventions, 2018. Disponível em: American Heart Association – Scientific Statement.
  2. GLADDEN, James D.; GULATI, Rajiv; SANDOVAL, Yader. Contemporary techniques for femoral and radial arterial access in the cardiac catheterization laboratory. Reviews in Cardiovascular Medicine, v. 23, n. 9, p. 316, 2022. DOI: 10.31083/j.rcm2309316. Disponível em: PMC — Contemporary Techniques for Femoral and Radial Arterial Access.
  3. SHEA, J. B. et al. Patient management following percutaneous coronary intervention. Journal of Clinical Medicine, 2024. Disponível em: PMC – Patient Management Following PCI.
  4. NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE. Percutaneous coronary intervention: recommendations for good practice. Disponível em: PMC – Postprocedural care and monitoring. 

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Christiane Ribeiro
SOBRE A AUTORA

Christiane Ribeiro

Técnica de Enfermagem Intensivista
✓ 16 anos de experiência em UTI

Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva, contribuindo também para a produção de conteúdos educativos voltados à enfermagem.

É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

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