Mielograma: Saiba tudo sobre este exame!

O mielograma, também conhecido como punção aspirativa da medula óssea, é um exame que permite analisar a medula óssea, o tecido responsável pela produção das células do sangue. Através dele, é possível identificar diversas doenças que afetam a medula óssea, como leucemias, linfomas e mieloma múltiplo.

Quem coleta o material para o mielograma?

O mielograma é um procedimento médico realizado por um profissional de saúde especializado, geralmente um hematologista ou oncologista. A coleta é feita em um ambiente hospitalar ou em um centro de diagnóstico por imagem.

Como é feito o mielograma?

O procedimento consiste em uma pequena punção em um osso, geralmente o ilíaco (osso do quadril), o esterno ou a tíbia. O local da punção é anestesiado com um medicamento local, para garantir o conforto do paciente. Em seguida, o médico insere uma agulha especial para coletar uma pequena amostra da medula óssea. A coleta pode causar um leve desconforto durante e logo após o procedimento, mas a dor é geralmente tolerável.

Que tubo de amostra é utilizado?

O material coletado no mielograma é geralmente colocado em um tubo com anticoagulante (EDTA), que impede a coagulação do sangue e permite a análise das células da medula óssea. O tipo de tubo utilizado pode variar de acordo com os exames que serão realizados.

Para que exames o mielograma é indicado?

  • Diagnosticar: diversas doenças que afetam a medula óssea, como leucemias, linfomas, mieloma múltiplo, anemia aplástica, síndromes mielodisplásicas e outras.
  • Acompanhar o tratamento: avaliar a resposta ao tratamento de doenças hematológicas e monitorar a recuperação da medula óssea após quimioterapia ou radioterapia.
  • Identificar a causa de: anemia, alterações nas plaquetas ou leucócitos, e outras alterações sanguíneas.

É importante ressaltar que o mielograma é um procedimento seguro e eficaz, mas como qualquer procedimento médico, apresenta alguns riscos, como:

  • Sangramento no local da punção
  • Infecção
  • Dor
  • Reações alérgicas ao anestésico

Referências:

  1. Lavoisier: https://lavoisier.com.br/saude/mielograma
  2. Grupo Oncoclínicas: https://grupooncoclinicas.com/servicos/mielograma-biopsia-de-medula-ossea

Tipos de Exames de Sangue

Os exames de sangue são ferramentas poderosas para avaliar a saúde geral de uma pessoa e diagnosticar diversas condições médicas. Ao analisar uma amostra de sangue, os profissionais de saúde podem medir níveis de substâncias como glicose, colesterol, hormônios e enzimas, além de identificar células sanguíneas anormais.

Exames de sangue para enzimas cardíacas são particularmente importantes na avaliação de problemas cardíacos. Quando o coração é danificado, como em um ataque cardíaco, ele libera enzimas específicas no sangue. A medição desses níveis pode ajudar a confirmar um diagnóstico e avaliar a extensão do dano.

A gasometria é outro exame de sangue que avalia a quantidade de oxigênio e dióxido de carbono no sangue, além do pH. Ela é fundamental para avaliar a função pulmonar e a capacidade do sangue de transportar oxigênio para os tecidos.

Exames de Sangue Comuns e suas Funções

Tipo de Exame O que Mede Para que serve
Hemograma Completo Número e tipo de células sanguíneas (glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas) Avalia anemia, infecções, distúrbios de coagulação e outros problemas.
Perfil Bioquímico Níveis de glicose, proteínas, enzimas, eletrólitos e outros componentes Avalia função renal, hepática, cardíaca, e metabólica.
Perfil Lipídico Níveis de colesterol total, HDL, LDL e triglicerídeos Avalia o risco de doenças cardíacas.
Tipagem Sanguínea e Fator Rh Tipo sanguíneo (A, B, AB ou O) e presença do fator Rh Essencial para transfusões de sangue e durante a gravidez.
Teste de Função Tireoidiana Níveis de hormônios tireoidianos (T3, T4 e TSH) Avalia a função da tireoide.
Teste de Glicose em Jejum Nível de glicose no sangue após um período de jejum Diagnostica diabetes e monitora o controle glicêmico.
Teste de Tolerância à Glicose Nível de glicose no sangue após a ingestão de glicose Confirma o diagnóstico de diabetes e avalia a resistência à insulina.
Teste de Hemoglobina Glicada (A1c) Nível médio de glicose nas últimas 2-3 meses Monitora o controle glicêmico em pacientes com diabetes.

Exames de Sangue para o Coração

  • Enzimas Cardíacas: Troponina, CK-MB e LDH são as enzimas mais comumente medidas para avaliar danos ao músculo cardíaco.
  • Proteína C-reativa (PCR): Um marcador inflamatório que pode indicar a presença de doença arterial coronariana.
  • BNP (peptídeo natriurético cerebral): Um marcador de insuficiência cardíaca.

Gasometria Arterial

A gasometria arterial mede os seguintes parâmetros:

  • pH: Indica o equilíbrio ácido-base do sangue.
  • pO2: Pressão parcial de oxigênio no sangue arterial.
  • pCO2: Pressão parcial de dióxido de carbono no sangue arterial.
  • Bicarbonato: Um íon importante no equilíbrio ácido-base.
  • Saturação de Oxigênio: Porcentagem de hemoglobina saturada com oxigênio.

Referência:

  1. Hospital Albert Einstein

Coleta com seringa e agulha: Recomendações da SBPC/ML

A Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML), reconhecendo a importância da coleta de sangue venoso para a qualidade dos exames laboratoriais, publicou um documento com recomendações abrangentes para essa prática.

Este documento, fruto da colaboração de especialistas renomados, apresenta diretrizes detalhadas para profissionais da saúde, visando padronizar e otimizar o processo de coleta, assegurando a integridade das amostras e a confiabilidade dos resultados.

Pontos Abordados

  • Deixar o álcool secar antes de iniciar a punção.
  • Evitar usar agulhas de menor calibre. Usar esse tipo de material somente quando a veia do paciente for fina ou em casos especiais.
  • Evitar colher o sangue de área com hematoma.
  • Tubos com volume de sangue insuficiente ou em excesso alteram a proporção correta de sangue/aditivo, levando à hemólise e a resultados incorretos.
  • Em coletas com seringa e agulha, verificar se a agulha está bem adaptada à seringa, para evitar a formação de espuma.
  • Não puxar o êmbolo da seringa com muita força.
  • Ainda em coletas com seringa, descartar a agulha e passar o sangue deslizando-o cuidadosamente pela parede do tubo, cuidando para que não haja contaminação da extremidade da seringa com o anticoagulante ou com o ativador de coágulo contido no tubo.
  • Não executar o procedimento de espetar a agulha na tampa de borracha do tubo para a transferência do sangue da seringa para o tubo, pois poderá criar uma pressão positiva, o que provoca, além da hemólise, o deslocamento da rolha do tubo, levando à quebra da probe de equipamentos.
  • Homogeneizar a amostra suavemente por inversão de 5 a 10 vezes, de acordo com as instruções do fabricante, não chacoalhar o tubo.
  • Não deixar o sangue em contato direto com gelo, quando o analito a ser dosado necessitar desta conservação.
  • Embalar e transportar o material de acordo com as determinações da Vigilância Sanitária local, das instruções de uso do fabricante de tubos e do fabricante do conjunto diagnóstico a ser analisado.
  • Usar, de preferência, um tubo primário; evitar a transferência de um tubo para outro.

As Recomendações da SBPC/ML para Coleta de Sangue Venoso são um instrumento valioso para todos os profissionais envolvidos na coleta e análise de amostras de sangue.

A SBPC/ML reforça seu compromisso em promover a excelência na Medicina Laboratorial, disponibilizando recursos e ferramentas que contribuem para a melhor qualidade dos serviços laboratoriais no Brasil.

Acesse o documento completo das Recomendações: https://controllab.com/wp-content/uploads/guia_coleta_sangue.pdf

Referência:

  1. SPBC/ML

Tubo de coleta: Azul

No mundo das análises clínicas, a coleta de sangue é um procedimento fundamental para o diagnóstico e acompanhamento de diversas condições de saúde. Entre os diversos materiais utilizados para essa finalidade, o tubo azul de coleta de exame desempenha um papel crucial.

O que é o Tubo Azul?

O tubo azul é um recipiente utilizado para a coleta de sangue, especificamente para exames de coagulação.

Este tubo é facilmente identificável pela cor da tampa e contém citrato de sódio, um anticoagulante que impede a coagulação do sangue durante o armazenamento e transporte da amostra.

Para quais exames é utilizado?

O citrato de sódio presente no tubo azul é essencial para preservar os fatores de coagulação do sangue, tornando-o ideal para exames que medem a capacidade de coagulação do paciente. Alguns dos exames mais comuns realizados com o sangue coletado em tubos azuis incluem:

  • Tempo de Protrombina (TP): Avalia a via extrínseca e comum da coagulação.
  • Tempo de Tromboplastina Parcial Ativada (TTPa): Mede a via intrínseca e comum da coagulação.
  • Fibrinogênio: Determina a concentração de fibrinogênio no sangue.

Esses testes são fundamentais para diagnosticar distúrbios hemorrágicos ou trombóticos, monitorar pacientes em terapia anticoagulante e preparar para procedimentos cirúrgicos que possam envolver riscos de sangramento.

Por que é importante seguir as instruções de uso?

A precisão dos resultados dos exames de coagulação depende diretamente da qualidade da amostra de sangue coletada.

O uso inadequado do tubo azul, como a mistura insuficiente com o anticoagulante ou a proporção errada de sangue para citrato, pode levar a resultados imprecisos e potencialmente perigosos.

Por isso, é crucial que os profissionais de saúde sigam rigorosamente as instruções de coleta e manuseio desses tubos.

O tubo azul de coleta de exame é um componente vital no diagnóstico laboratorial. Seu uso adequado garante a integridade das amostras de sangue e a precisão dos resultados dos testes de coagulação, contribuindo assim para um diagnóstico correto e o tratamento eficaz dos pacientes.

Referências:

  1. Educarhsaúde
  2. Diagnósticos do Brasil

Urocultura: Tempo de encaminhamento

Também chamada de urinocultura ou urocultura, a cultura de urina é uma maneira relativamente rápida (demanda cerca de 48 a 72 horas para o resultado final), eficiente, amplamente disponível e de baixo custo, utilizada para o diagnóstico e acompanhamento do tratamento de infecções urinárias.

A urina é semeada em uma placa com um meio de cultura apropriado (ex.: Ágar CLED), utilizando uma alça calibrada. Essa placa então é incubada em uma estufa a 37oC por cerca de 24-48 horas, tempo geralmente suficiente para se observar um crescimento bacteriano significativo.

Em culturas positivas, procede-se à realização da identificação bacteriana e do teste de sensibilidade aos antimicrobianos (TSA), de forma manual ou automatizada.

Entretanto, na urinocultura existe a possibilidade de que o crescimento bacteriano eventualmente detectado possa ser devido outros fatores, como a contaminação externa da amostra (geralmente devido a inadequações durante a coleta, transporte e/ou armazenamento), colonização da uretra e/ou colonização de forma assintomática da urina na bexiga.

Dessa maneira, faz-se necessário um controle rigoroso da fase pré-analítica do exame, atualmente a etapa mais crítica no que se refere aos erros laboratoriais, podendo corresponder a cerca de 46% a 84% das inadequações dos resultados.

Essa fase pré-analítica engloba desde uma solicitação médica pertinente, até dados como o uso prévio de antibióticos, internações recentes, instrução e preparo do paciente, forma de coleta, identificação da amostra, recipiente de coleta, acondicionamento e transporte do material, por exemplo.

Como mitigar a possibilidade de contaminação da amostra? 

A fim de evitar a contaminação da urina (jato médio) e o conseguinte crescimento polimicrobiano na cultura (definido como mais de 2 microorganismos com uma quantificação maior ou igual a 104 UFC/mL), melhorando a confiabilidade do resultado e diminuindo o índice de recoletas, algumas orientações gerais para a urocultura devem ser seguidas:

  • A coleta deve ocorrer em condições normais de hidratação, haja vista que a urocultura é um exame quantitativo, notadamente em relação às Unidades Formadoras de Colônias (UFC);
  • Deve-se utilizar um frasco estéril (com ou sem conservante), de boca larga e fundo chato, com tampa, e resistente a vazamentos (a coleta de urina em comadre ou urinol não é recomendada);
  • Coletar a primeira urina da manhã (mais concentrada), ou com um intervalo de, no mínimo, 2 horas entre a coleta e a última micção, para indivíduos com controle esfincteriano;
  • Identificar com nome, data e hora da coleta, na área externa do recipiente de coleta (não colocar essas informações na tampa);
  • Lavar as mãos, e realizar assepsia da região genital com água e sabão neutro, enxugando com o auxílio de gaze ou toalha limpa;
  • Iniciar a micção no vaso sanitário mantendo o prepúcio retraído ou os lábios afastados. Depois de desprezar a urina inicial, deve-se coletar o jato médio (meio) da urina, sem interromper o fluxo;
  • Após a coleta, fechar completamente o frasco, sem tocar na parte interna;
  • Volume mínimo de 1,0 mL (se somente a urocultura for solicitada). Para a cultura de micobactérias, recomenda-se a coleta de toda a micção, com um volume acima de 20 mL.
  • O tempo decorrido entre a coleta e a análise da amostra sem conservante é de no máximo 2 horas à temperatura ambiente, ou em até 24 horas sob refrigeração (4oC). Nas amostras coletadas com conservante (ex.: ácido bórico), o processamento da amostra pode se dar em até 24 horas após a coleta, à temperatura ambiente. 

Observações

  • Recomenda-se que o Laboratório Clínico forneça instruções orais e escritas, com desenhos ilustrativos, a fim de tornar a compreensão das orientações mais clara;
  • Em crianças menores, sem controle esfincteriano, o uso do saco coletor tem maior valor em descartar uma infecção, do que propriamente confirmá-la. Nesses casos, a sondagem vesical é mais pertinente, podendo ser realizada também a punção suprapúbica;
  • Em linhas gerais, o controle de cura após a terapia antimicrobiana, por meio da realização de uma nova urinocultura, deve ser realizado somente após 72 horas do término do tratamento.

Considerações finais

A positividade das urinoculturas, grau de crescimento microbiano, espécie(s) bacteriana(s) encontrada(s) e interpretação dos resultados dependem de vários fatores.

O tipo de coleta realizada (jato médio, saco coletor, sondagem vesical de alívio, sondagem de demora, punção suprapúbica), uso (ou não) de conservantes, controle esfincteriano, tempo entre a coleta e seu processamento, temperatura do transporte, perfil do paciente (sexo, idade, comorbidades), uso prévio de antimicrobianos, procedência (ambulatorial X hospitalar), sinais e sintomas apresentados, impactam diretamente no resultado final e interpretação clínica.

Utilizando os cuidados durante todo o processo pré-analítico, conseguimos diminuir a possibilidade de erros, garantindo o adequado preparo da amostra biológica e, por conseguinte, um resultado final fidedigno e clinicamente relevante.

Desse modo, apesar da urocultura ser um dos exames mais solicitados e rotineiros na prática clínica, sua correta apreciação exige uma abrangente e íntima correlação com os resultados de outros exames complementares, clínica do paciente, além da análise criteriosa dos diversos possíveis fatores interferentes.

Portanto, evita-se assim uma eventual e desnecessária utilização de antibióticos, a promoção de resistência bacteriana e o aumento dos gastos em saúde.

Referência:

  1. 27-EXA.PDF (ciencianews.com.br)

Tubo de Coleta: Vermelho

O tubo vermelho para coleta de sangue é um dos vários tubos coloridos usados na coleta de sangue, cada um com um propósito específico.

Ativador de Coágulo

O tubo vermelho é conhecido por conter um ativador de coágulo que acelera o processo de coagulação do sangue.

Isso resulta em uma amostra de soro de alta qualidade após a centrifugação, separando o soro das células do coágulo. Além disso, muitos desses tubos contêm um gel separador que ajuda a diferenciar ainda mais o soro das células do coágulo.

Exames Indicados

O tubo vermelho é indicado para uma variedade de exames, principalmente análises bioquímicas, sorológicas, imunológicas e para detecção de marcadores cardíacos e tumorais. Alguns exemplos de exames que utilizam o tubo vermelho incluem testes para colesterol, glicose, ureia e creatinina.

Cuidados de Enfermagem

Os cuidados de enfermagem na coleta de sangue com tubo vermelho são cruciais para garantir a segurança do paciente e a qualidade da amostra. Aqui estão algumas diretrizes importantes:

  1. Identificação Correta do Paciente: Verificar a identidade do paciente antes da coleta para evitar erros.
  2. Preparação Adequada: Organizar o material necessário, usar luvas e realizar a higiene das mãos antes e após a coleta.
  3. Técnica de Coleta: Seguir a técnica correta de coleta de sangue para minimizar o desconforto do paciente e reduzir o risco de hematomas.
  4. Armazenamento e Transporte: Etiquetar corretamente os tubos e armazená-los conforme as diretrizes para preservar a integridade da amostra.
  5. Pós-Coleta: Registrar o procedimento e o volume de sangue coletado no prontuário do paciente e instruir o paciente sobre cuidados após a coleta, como compressão do local da punção e evitar carregar peso no braço coletado por um período.

Essas práticas ajudam a evitar complicações e garantem que os resultados dos exames sejam confiáveis e precisos. É essencial que os profissionais de enfermagem estejam bem treinados e atualizados sobre as melhores práticas na coleta de sangue.

Referência:

  1. Labnetwork

Proteína C-reativa (PCR)

A proteína C reativa é uma substância produzida pelo fígado que costuma ter seus níveis aumentados quando o paciente está passando por condições como processos inflamatórios ou processos infecciosos. Ela também pode se elevar em casos de doenças reumáticas, traumatismos ou cânceres, ainda que o paciente não apresente sintomas.

É importante notar que este exame PCR não tem qualquer relação com o exame de RT-PCR, utilizado para testar a covid-19.

Para que serve o exame de proteína C reativa?

O exame de proteína C reativa funciona como um indicador de processos inflamatórios ou infecciosos do organismo, mesmo que o paciente não apresente sintomas claros e bem definidos. Ele pode servir como uma ferramenta no auxílio do diagnóstico de condições como o lúpus, a apendicite, a doença inflamatória do intestino, a pancreatite ou mesmo as infecções bacterianas.

O exame de proteína C reativa pode ser feito também depois de cirurgias para determinar sepse e outras condições, além de ajudar a avaliar o risco de doenças cardiovasculares.

Geralmente, o exame de proteína C reativa é feito como teste inicial e, posteriormente, caso seus valores estejam elevados, o paciente pode ter exames complementares realizados para saber onde está localizada a inflamação e o processo infeccioso ou ainda o porquê de seus indicadores de proteína C reativa estarem elevados.

Como é feito o exame de proteína C reativa?

O exame de proteína C reativa (PCR), em geral, não exige preparos prévios, como jejum. No entanto, o médico solicitante pode recomendar algum preparo especial, por isso é importante que essa e outras informações sejam confirmadas ao agendar o exame.

Os valores podem variar dependendo de qual laboratório foi feito o exame. Valores baixos do PCR podem ser observados em situações como de pessoas que tiveram grande perda de peso, prática de exercícios físicos, consumo de bebidas alcoólicas e uso de alguns medicamentos, sendo importante que o médico identifique a causa.

O exame de proteína C reativa (PCR) é um exame de sangue convencional, em que o técnico responsável coleta uma amostra de sangue venoso, geralmente do braço. A coleta é feita em segundos e depois o paciente é liberado.

Orientações

Preparo

Não há preparação para este exame. No entanto, se o sangue for coletado para outros exames, pode ser necessário jejuar. Portanto, pergunte ao médico qual orientação seguir. Também é importante informar ao médico se tomou medicamentos antes do exame, já que isso pode afetar o nível de PCR.

Como interpretar?

Antes dos valores e as possíveis causas, é importante sempre aliar a interpretação do valor com a correlação clínica do seu paciente. Dificilmente, decisões serão tomadas com base no valor isolado da PCR. Cuidado!

  • < 0,3 mg/dL: normal
  • 0,3 a 1 mg/dL: normal ou elevação pequena (pode ser visto em condições como obesidade, resfriado simples, sedentarismo, tabagismo, gestação);
  • 1 a 10 mg/dL: elevação moderada (inflamação sistêmica como artrite reumatóide, lúpus eritematoso sistêmico ou outras doenças auto-imunes, neoplasias, infarto agudo do miocárdio, pancreatite, bronquite);
  • > 10 mg/dL: elevação importante: infecções bacterianas agudas, infecções virais, vasculites sistêmicas, trauma);
  • > 50 mg/dL: elevação severa (infecção bacteriana aguda);

Fatores de confusão

  • Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) e estatinas: podem reduzir falsamente os níveis da PCR;
  • Doença ou trauma recente: podem elevar falsamente os níveis da PCR;
  • Mulheres e idosos têm níveis naturalmente mais elevados;
  • Obesidade, insônia, depressão, tabagismo e diabetes podem contribuir para elevações pequenas da PCR. Necessário sempre correlacionar os valores em indivíduos com tais comorbidades;

Como fica a interpretação da PCR na Covid-19?

ATENÇÃO: Uma importante dica para informar aos seus pacientes é esclarecer a nomenclatura dos exames. A proteína C reativa, também conhecida como PCR, é um exame laboratorial obtido a partir do sangue coletado. O RT-PCR (Reação de Transcriptase Reversa seguida de Reação em Cadeia da Polimerase) para Covid-19 (popularmente chamado de “PCR para Covid-19”) é um teste molecular para detecção de material genético do SARS-CoV-2, via swab nasal e nasofaríngeo.

A Covid-19 é uma doença pró-inflamatória. Logo, marcadores inflamatórios são interessantes nesse tipo de doença. A proteína C reativa (PCR) tem sido bastante utilizada e traz informações interessantes na Covid-19.

  • Durante a fase inflamatória da doença, é possível flagrar uma elevação progressiva e marcada da PCR, chegando a valores acima de 10 a 20 mg/dL;
  • A PCR elevada na Covid-19 nem sempre significa coinfecção bacteriana. Assim como a presença de febre na fase inicial não indica a necessidade de cobertura antibiótica;
    • Leve em conta o tempo de duração da doença (dificilmente ocorrerá coinfecção bacteriana nos primeiros 7 dias de doença viral);
    • Utilize biomarcadores como procalcitonina para guiar a melhor decisão sobre o início de antibióticos. Quando acima de 0,2 ng/mL, sugere-se coinfecção. Cuidado na avaliação em pacientes com disfunção renal (valores estarão falsamente elevados);
  • A Covid-19 é uma doença viral. Elevação da PCR e febre elevada em um primeiro momento são esperados, repercutindo o quadro inflamatório agudo. O uso de antibióticos precisa ser considerado com cautela. Nunca use o valor isolado da PCR para o início de ATBs.

Referências:

  1. Nehring SM, Goyal A, Bansal P, et al. C Reactive Protein. [Updated 2021 May 10]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2021 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK441843/
  2. ​​Stone et al. Efficacy of Tocilizumab in Patients Hospitalized with Covid-19. N Engl J Med. 2020 Dec 10;383(24):2333-2344. doi: 10.1056/NEJMoa2028836. Epub 2020 Oct 21. PMID: 33085857; PMCID: PMC7646626.
  3. Vanderschueren S, Deeren D, Knockaert DC, Bobbaers H, Bossuyt X, Peetermans W. Extremely elevated C-reactive protein. Eur J Intern Med. 2006 Oct;17(6):430-3. 
  4. RECOVERY Collaborative Group. Tocilizumab in patients admitted to hospital with COVID-19 (RECOVERY): a randomised, controlled, open-label, platform trial. Lancet. 2021;397(10285):1637-1645. doi:10.1016/S0140-6736(21)00676-0

Antígeno Prostático Específico (PSA)

O antígeno prostático específico (PSA) é um exame usado principalmente para rastreamento do câncer de próstata em homens assintomáticos. É também um dos primeiros exames realizados em homens que apresentam sintomas que podem ser causados ​​pelo câncer de próstata.

Como funciona?

O PSA no sangue é medido em unidades de nanogramas por mililitro (ng/ml). A chance de um homem ter câncer de próstata aumenta à medida que o nível de seu PSA aumenta, mas não há um ponto de corte definido que possa ter certeza se ele tem (ou não) a doença.

Muitos médicos usam um ponto de corte para o PSA de 4 ng/ml ou superior para decidir se um homem pode precisar de mais exames, enquanto outros recomendam um nível mais baixo, a partir de 2,5 ou 3 ng/ml.

  • A maioria dos homens sem câncer de próstata tem níveis de PSA inferiores a 4 ng/ml de sangue. Ainda assim, um nível abaixo desse valor não é uma garantia de que um homem não tenha câncer.
  • Homens com níveis de PSA entre 4 ng/ml e 10 ng/ml, têm uma chance de 25% de ter a doença.
  • Se o PSA for superior a 10, a chance de ter câncer de próstata é superior a 50%.

Se o nível do PSA for alto, o homem precisará fazer outros exames para verificar a possibilidade de estar com câncer de próstata.

O PSA também pode ser útil após o diagnóstico do câncer de próstata:

  • Em homens diagnosticados com câncer de próstata, o PSA pode ser usado em conjunto com os achados do exame físico e do estadiamento da doença para decidir se são necessários outros exames, como tomografia computadorizada ou cintilografia óssea.
  • O PSA é parte do estadiamento e ajuda a determinar se a doença ainda está confinada à próstata. Se o nível do PSA é muito alto, a doença provavelmente está disseminada, o que ajudará na escolha das melhores opções terapêuticas para o paciente. .
  • O PSA também é uma parte importante do monitoramento do câncer de próstata durante e após o tratamento.

Referências:

  1. American Cancer Society

Flebotomia: Entenda o termo!

flebotomia é uma incisão praticada na veia, com objetivos diversos.

A mais frequente utilização da flebotomia é destinada à inserção de um cateter em uma veia periférica, seja para a administração de fármacos em um paciente de difícil acesso venoso (dificuldade em puncionar veias), seja para a inserção de cateter até o coração, para monitorização da pressão venosa central em pacientes graves.

Atualmente, o termo flebotomia é mais associado à coleta de sangue para exames laboratoriais e para doação.

A flebotomia é um procedimento delicado e que deve ser realizado por um profissional devidamente treinado para esta função, como um enfermeiro, pois qualquer erro na coleta pode alterar o resultado dos exames.

Sua Indicação

A flebotomia é mais utilizada com a finalidade de diagnóstico, sendo o sangue coletado enviado para o laboratório para que sejam realizadas as análises com o objetivo de auxiliar o diagnóstico e acompanhamento do paciente.

A flebotomia corresponde à primeira etapa de diagnóstico, devendo ser realizada por um enfermeiro, ou outro profissional capacitado, para evitar alterações nos resultados.

Além de ser essencial para a realização de exames laboratoriais para diagnóstico e acompanhamento do paciente, a flebotomia pode ser realizada como opção de terapia, sendo então denominada sangria.

A sangria tem como objetivo solucionar os problemas relacionados ao número aumentado de hemácias, no caso da policitemia vera, ou grande acúmulo de ferro no sangue, que é o que acontece na hemocromatose.

Flebotomia na Transfusão Sanguínea

A flebotomia é uma parte também essencial no processo de doação de sangue, que tem como objetivo coletar cerca de 450 mL de sangue, que passa por uma série de processos até poder ser utilizado por uma pessoa que precisa, auxiliando no seu tratamento.

O Flebotomista

O profissional que coleta o sangue para qualquer finalidade médica é o Flebotomista. O Profissional não se restringe apenas ao hospital. Eles podem se deslocar de casa em casa coletando doações de sangue de pessoas ou amostras de sangue para vários propósitos, quando estes não conseguem se deslocar aos laboratórios por restrição de mobilidade.

Curso Profissionalizante

Existem cursos profissionalizantes à aqueles que querem se dedicar à coleta de sangue. A flebotomia é um procedimento delicado e que deve ser realizado por um profissional devidamente treinado para esta função, como um enfermeiro, pois qualquer erro na coleta pode alterar o resultado dos exames.

Como é feito uma Flebotomia?

A coleta de sangue da flebotomia pode ser feita em hospitais e laboratórios e o jejum depende do tipo de exame que foi solicitado pelo médico.

A coleta pode ser feita com seringa, em que é retirada uma quantidade total de sangue e depois distribuído nos tubos, ou a vácuo, que é mais comum, em que são coletados vários tubos de sangue seguindo uma ordem pré-estabelecida.

Depois, o profissional de saúde deverá seguir o seguinte passo-a-passo:

  1. Reunir todo o equipamento necessário para a coleta, como o tubo em que o sangue será armazenado, luvas, garrote, algodão ou gaze, álcool, agulha ou seringa.
  2. Conferir os dados do paciente e identificar os tubos em que será realizada a coleta;
  3. Posicionar o braço da pessoa sob uma folha de papel ou toalha limpa;
  4. Localizar uma veia com bom tamanho e que seja visível, reta e clara. É importante que a veia seja visível sem aplicar o garrote;
  5. Colocar o garrote 4 a 5 dedos acima do lugar em que será feita a coleta e reexaminar a veia;
  6. Calçar as luvas e desinfectar o local em que será colocada a agulha. A desinfecção deve ser feito com álcool a 70%, passando em movimento circular o algodão. Após a desinfecção, não se deve tocar a área ou passar o dedo por cima da veia. Caso isso aconteça, é necessária fazer nova desinfecção;
  7. Inserir a agulha no braço e coletar o sangue necessário para os frascos.

Por fim, a agulha deve ser retirada delicadamente e logo em seguida deve ser aplicada uma leve pressão sobre o sítio da coleta com uma gaze limpa ou algodão.

No caso da coleta realizada em bebês, o sangue normalmente é retirado através de uma picada no calcanhar ou, mais raramente, no lóbulo da orelha.

Veja Também:

Tubos de Coleta para Exames Laboratoriais

Qual a sequência de tubos para coleta de sangue?

Referências:

  1.  WHO guidelines on drawing blood: best practices in phlebotomy. 2010. Disponível em: <https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/44294/9789241599221_eng.pdf;jsessionid=E62BAC37A96F7D31F71A810BA53A56F2?sequence=1>.

Qual a sequência de tubos para coleta de sangue?

Tubos de coleta

Há muitas décadas sabemos da grande importância em seguir a correta ordem dos tubos de coleta de sangue venoso na obtenção de resultados de testes precisos e confiáveis. Tanto é que hoje existem diretrizes internacionais que os locais de coleta devem seguir (Clinical and Laboratory Standards Institute – CLSI), visto que existe a real possibilidade de contaminação com aditivos de um tubo para outro, durante a troca de tubos, no momento da coleta de sangue.

Atualmente muitos laboratórios de análises clínicas passaram a utilizar tubos plásticos para a coleta de sangue venoso, o que levou à reformulação das diretrizes para a sequência dos tubos de coleta. Tubos plásticos para soro (tampa vermelha ou amarela com gel separador) contêm ativador de coágulo em seu interior, podendo levar a alterações nos resultados dos testes de coagulação. Dessa forma, esses tubos devem ser colhidos depois do tubo para coagulação (tampa azul), como veremos adiante.

Sequência de coleta para tubos plásticos de coleta de sangue

  1. Frascos para hemocultura.
  2. Tubos com citrato (tampa azul-claro).
  3. Tubos para soro com ativador de coágulo, com ou sem gel separador (tampa vermelha ou amarela).
  4. Tubos com heparina com ou sem gel separador de plasma (tampa verde).
  5. Tubos com EDTA (tampa roxa).
  6. Tubos com fluoreto (tampa cinza).

Sequência de coleta para tubos de vidro de coleta de sangue

  1. Frascos para hemocultura.
  2. Tubos para soro vidro-siliconizados (tampa vermelha).
  3. Tubos com citrato (tampa azul-claro).
  4. Tubos para soro com ativador de coágulo com gel separador (tampa amarela).
  5. Tubos com heparina com ou sem gel separador de plasma (tampa verde).
  6. Tubos com EDTA (tampa roxa).
  7. Tubos com fluoreto (tampa cinza).

Imediatamente após a coleta, é extremamente importante que todos os tubos sejam suavemente homogeneizados pelo procedimento de inversão. Caso esse procedimento não seja devidamente realizado, pode haver o risco de ativação plaquetária e interferência nos testes de coagulação (formação de microcoágulos). O número de inversões pode variar de acordo com o fabricante dos tubos, dessa maneira é sempre indicado consultar o fornecedor de tubos sobre as recomendações para a homogeneização.

Referências

Bowen RAR, Remaley AT. Interferences from blood collection tube components on clinical chemistry assays. Biochemia Medica. 2014;24(1):31-44. doi:10.11613/BM.2014.006.

CLSI H3-A6, Procedures for the Collection of Diagnostic Blood Specimens by Venipunctures; Approved Standard, 6thed.

Nikolac N, Šupak-Smolčić V, Šimundić A-M, Ćelap I. Croatian Society of Medical Biochemistry and Laboratory Medicine: national recommendations for venous blood sampling. Biochemia Medica. 2013;23(3):242-254.

Recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial para coleta de sangue venoso – 2. ed. Barueri, SP: Minha Editora, 2010.

Veja também: