Manobra de Valsalva Modificada

A manobra de Valsalva modificada é uma técnica que visa melhorar a eficácia da manobra de Valsalva convencional na reversão de taquicardias supraventriculares (TSV).

Manobra de Valsalva Clássica

Antes de mergulharmos na versão modificada, vamos recapitular a manobra de Valsalva clássica:

  1. O paciente assume uma posição semi-reclinada.
  2. Ele deve produzir uma pressão de 40 mmHg por 15 segundos.
  3. Isso é feito soprando uma pequena mangueira ligada ao esfigmomanômetro.
  4. A pressão intra-abdominal aumenta, desencadeando o reflexo vagal.

Manobra de Valsalva Modificada

A manobra de Valsalva modificada foi proposta por um grupo inglês e demonstrou maior sucesso na reversão das TSV em comparação com a manobra clássica. Aqui está como ela funciona:

  1. O paciente também está em posição semi-reclinada.
  2. Ele produz a mesma pressão de 40 mmHg por 15 segundos, como na versão clássica.
  3. No entanto, em vez de soprar uma mangueira, o paciente pode usar uma seringa de 10 ml.
  4. Após os 15 segundos, o paciente é rapidamente colocado em posição supina com as pernas elevadas.
  5. Após este período, reposiciona-se o paciente a 45º e checa-se o ritmo.

Benefícios da Manobra Modificada

  • Taxa de sucesso: A manobra modificada reverteu as TSV em até 43% dos casos, em comparação com 17% na manobra clássica.
  • Segurança: Não há complicações associadas à manobra modificada.
  • Custo: Não requer custos adicionais.

Referências:

  1. Cardiopapers
  2. Pebmed

Manobra de Heimlich: O que você precisa saber!

A manobra de Heimlich ou manobra de desengasgo é um procedimento de primeiros socorros vital que pode salvar vidas em situações de engasgo. Quando um objeto estranho bloqueia as vias aéreas, é crucial agir rapidamente e com eficácia para restaurar a respiração normal.

Manobras

Bebês (menores de um ano)

    • Reconheça os sinais: Se o bebê estiver cianótico (com a boca roxa), sem respirar ou com muita dificuldade respiratória, é hora de agir.
    • Posicione o bebê: Coloque o bebê sobre sua perna, com a cabeça voltada para baixo.
    • Compressões nas costas: Dê cinco compressões firmes nas costas do bebê para tentar expelir o objeto estranho.
    • Abra a boca: Com um dedo, abra a boca do bebê e verifique se ele ainda está com dificuldades para respirar.
    • Compressões torácicas: Se necessário, aplique cinco compressões torácicas. Coloque dois dedos na linha entre os mamilos e empurre o tórax da criança.
    • Repetição: Se o bebê não se recuperar, repita a manobra.

Crianças, adolescentes e adultos

    • Posicione-se atrás da vítima: Enlace a pessoa com os braços ao redor do abdome (ajoelhe-se primeiro, se for uma criança).
    • Compressões abdominais: Aplique pressão firme para dentro, puxando os dois braços para trás. Repita rapidamente a compressão de 6 a 10 vezes conforme necessário.
    • Observação: Verifique se a pessoa consegue expelir o objeto estranho e se ela tem respiração normal.
    • Se não se recuperar: Leve a vítima imediatamente para um hospital. Se necessário, inicie manobras de reanimação cardiopulmonar.

Lembre-se de que todos nós podemos ajudar nos primeiros socorros.

Conhecer essas técnicas pode fazer a diferença em momentos críticos!

Referências:

  1. MSD Manuals
  2. Biblioteca Virtual em Saúde

 

Atropina: Não utilizado mais em PCR!

A atropina é um medicamento com diversas finalidades, que age bloqueando os receptores muscarínicos da acetilcolina e relaxando os músculos lisos dos órgãos internos. Vamos explorar mais sobre esse composto essencial:

O seu uso

A atropina é um remédio de uso injetável indicado para várias condições médicas:

  1. Intoxicação por inseticidas organofosforados ou carbamatos: A atropina atua como antídoto nesses casos, revertendo os efeitos tóxicos dessas substâncias.
  2. Arritmias cardíacas: Especialmente a bradicardia sinusal, a atropina é utilizada para aumentar a frequência cardíaca.
  3. Úlcera péptica: A atropina tem ação antiarrítmica e antiespasmódica, auxiliando no tratamento dessa condição.
  4. Cólica renal ou biliar: A atropina pode aliviar espasmos dolorosos nessas situações.
  5. Diminuição da produção de saliva e muco do trato respiratório durante a anestesia e intubação: É usada para preparar o paciente para procedimentos.
  6. Doença de Parkinson: Embora menos comum, a atropina pode ser empregada em alguns casos.
  7. Preparo para radiografias gastrointestinais: Ajuda a relaxar os músculos do trato gastrointestinal.

Descontinuação no Suporte Avançado de Vida na PCR

Recentemente, as diretrizes de suporte avançado de vida durante a parada cardiorrespiratória (PCR) passaram por mudanças significativas em relação ao uso da atropina. Eis o que mudou:

  • Uso rotineiro descontinuado: Anteriormente, a atropina era frequentemente administrada para tratar ritmos cardíacos lentos durante a PCR. No entanto, as novas diretrizes não recomendam mais seu uso rotineiro nesses casos.
  • Estudos e evidências: Pesquisas mostraram que a atropina não oferece benefícios terapêuticos significativos em ritmos elétricos sem pulso (como assistolia) ou bradicardia grave. Portanto, seu uso foi descontinuado em situações de PCR.

O que estão fazendo agora?

  • Priorizando a RCP de alta qualidade: A ressuscitação cardiopulmonar continua sendo a base do tratamento durante a PCR.
  • Evitando a Atropina: Em ritmos elétricos sem pulso ou bradicardia, considerando outras opções terapêuticas.
Referência:
  1. Gonzalez M, Timerman S, Gianotto-Oliveira R, Polastri T, Canesin M, Schimidt A, et al.. I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Arq Bras Cardiol [Internet]. 2013Aug;101(2):1–221. Available from: https://doi.org/10.5935/abc.2013S006

Cuidados Essenciais Pós-PCR: Tratamento Imediato

A PCR é uma situação de emergência que requer uma rápida intervenção para restabelecer a circulação espontânea (RCE) e prevenir a morte ou sequelas graves.

Após o RCE, o paciente deve receber cuidados intensivos para identificar e tratar a causa da PCR, otimizar a função cardiopulmonar e neurológica, e minimizar as lesões de múltiplos órgãos causadas pela isquemia e reperfusão.

Tratamento Imediato: Os Cuidados Pós-PCR

  • Controle da temperatura: a hipotermia terapêutica (HT) consiste em reduzir a temperatura corporal entre 32°C e 36°C por 24 horas, com o objetivo de diminuir o metabolismo cerebral e proteger contra a lesão neuronal. A HT é indicada para pacientes comatosos após PCR de causa cardíaca, e pode ser considerada para outras causas de PCR. A HT deve ser iniciada o mais rápido possível após o RCE, e requer monitorização contínua da temperatura, da glicemia, do equilíbrio hidroeletrolítico e do ritmo cardíaco. Após a HT, a temperatura deve ser reaquecida lentamente até 37°C, e mantida nesse nível por 48 horas.
  • Otimização da ventilação e oxigenação: o paciente deve ter uma via aérea segura e uma ventilação adequada, evitando tanto a hipoxemia quanto a hiperóxia, que podem ser prejudiciais ao cérebro e ao coração. A meta é manter uma saturação de oxigênio (SatO2) maior ou igual a 94%, e uma pressão parcial de dióxido de carbono (PaCO2) entre 35 e 45 mmHg. A gasometria arterial deve ser realizada para ajustar a fração inspirada de oxigênio (FiO2) e a ventilação mecânica. A capnografia pode ser usada para verificar o posicionamento do tubo endotraqueal e a perfusão pulmonar.
  • Otimização hemodinâmica e da perfusão tecidual: o paciente deve receber suporte circulatório para garantir uma pressão arterial média (PAM) adequada, que varia de acordo com a causa da PCR e o estado clínico do paciente. A PAM deve ser monitorada de forma invasiva, e a pressão venosa central (PVC) pode ser usada para avaliar o estado volêmico. O paciente deve receber expansão volêmica, drogas vasoativas e inotrópicas conforme a necessidade. A meta é manter um débito cardíaco e um índice cardíaco suficientes para suprir a demanda de oxigênio dos tecidos. A lactacidemia pode ser usada como um marcador de hipoperfusão e hipóxia tecidual.
  • Avaliação e manejo neurológico: o paciente deve ser examinado quanto ao nível de consciência, aos reflexos pupilares, à atividade motora e à resposta à dor. As escalas de Glasgow e de Four podem ser usadas para avaliar o grau de comprometimento neurológico. O paciente deve receber sedação e analgesia adequadas, e evitar estímulos nocivos que possam aumentar a pressão intracraniana. A tomografia computadorizada de crânio pode ser realizada para descartar causas neurológicas de PCR, como hemorragia ou isquemia cerebral. O eletroencefalograma pode ser usado para detectar convulsões ou atividade elétrica cerebral. Outros exames, como potenciais evocados somatossensitivos ou testes de biomarcadores, podem auxiliar no prognóstico neurológico.
  • Investigação e tratamento da causa da PCR: o paciente deve ser submetido a um eletrocardiograma (ECG) e a dosagem de enzimas cardíacas para avaliar a presença de síndrome coronariana aguda (SCA), que é a causa mais comum de PCR. Se houver suspeita de SCA, o paciente deve ser encaminhado para uma angiografia coronariana e uma possível intervenção percutânea. Outras causas de PCR devem ser investigadas e tratadas conforme o quadro clínico e os exames complementares, como radiografia de tórax, ecocardiograma, ultrassonografia abdominal, entre outros.

O tratamento imediato pós PCR é fundamental para melhorar a sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes que sofrem uma PCR.

O enfermeiro tem um papel importante nesse cuidado, pois deve monitorar os sinais vitais, administrar as medicações, realizar os exames, comunicar-se com a equipe multidisciplinar e prestar assistência humanizada ao paciente e à família.

Referências:

  1. Escola de Educação Permanente Fmusp
  2. Revista FT
  3. MedicinaNET
  4. Secad Artmed
  5. Revista da SOCESP

Time de Resposta Rápida (TRR)

Um Time de Resposta Rápida é constituído por um grupo interdisciplinar especializado em lidar com casos clínicos urgentes. Geralmente formada por médicos e enfermeiros, essa equipe é responsável por avaliar, tratar e agir em casos de parada cardíaca ou deterioração clínica aguda dos pacientes, que podem ser:

  • Mudanças nos sinais vitais, como pressão arterial, frequência cardíaca, frequência respiratória e temperatura;
  • Níveis de oxigênio insuficientes no sangue;
  • Alterações nos níveis de consciência, como sonolência, confusão ou agitação;
  • Dificuldade respiratória, como respiração rápida, superficial ou ofegante;
  • Dor aguda e intensa;
  • Sangramento ou hemorragia;
  • Hipoglicemia (baixo nível de açúcar no sangue) ou hiperglicemia (alto nível de açúcar no sangue);
  • Qualquer outra mudança súbita ou significativa no estado do paciente.

O Time de Resposta Rápida é treinado para reconhecer sinais precoces de deterioração, como mudanças nos sinais vitais, níveis de consciência ou sintomas respiratórios, e tomar medidas imediatas para estabilizar o paciente.

Entre as atitudes imediatas tomadas pelo time, encontram-se a administração de medicamentos, intervenções respiratórias ou a transferência do paciente para a UTI, caso necessário.

Objetivos

Os objetivos de um Time de Resposta Rápida incluem o aprimoramento da qualidade no atendimento médico, a promoção da redução de custos e um atendimento mais ágil para os pacientes que precisam de cuidados emergenciais:

  • Identificar precocemente pacientes em risco de deterioração clínica e intervir antes que a situação se agrave;
  • Reduzir a taxa de parada cardíaca em pacientes hospitalizados;
  • Reduzir a taxa de mortalidade hospitalar;
  • Melhorar a comunicação entre as equipes de saúde de distintos setores hospitalares.

Além disso, podemos incluir, entre os objetivos, o diagnóstico preciso em um menor espaço de tempo e a preservação da segurança física e bem-estar dos pacientes. São inúmeros os benefícios em contar com um TRR em seu hospital: além de melhorar os níveis da qualidade no atendimento em um hospital, o trabalho desse time aumenta a segurança dos pacientes, reduz os custos hospitalares e melhora a satisfação do paciente e dos profissionais de saúde.

A equipe

  1. Definir uma equipe, composta por profissionais de saúde treinados e experientes em cuidados críticos, como médicos e enfermeiros. Na equipe também pode-se incluir fisioterapeutas, farmacêuticos e outros profissionais de saúde, dependendo das necessidades do hospital;
  2. Estabelecer um protocolo com critérios de acionamento, papéis e responsabilidades da equipe, equipamentos e medicamentos necessários, entre outros aspectos;
  3. Treinamento de todos os membros da equipe de acordo com o protocolo estabelecido;
  4. Uma vez implementado é necessário monitorar e avaliar o desempenho regularmente.

A Tecnologia no TRR

A tecnologia está cada vez mais presente no dia a dia dos hospitais e instituições de saúde. Quando falamos de Times de Resposta Rápida, a tecnologia pode ser uma ferramenta essencial para ajudar as equipes a agir com rapidez e eficácia durante uma crise ou emergência:

  • Monitoramento remoto: a tecnologia pode ser usada para monitorar pacientes remotamente, permitindo que a equipe do TRR possa identificar rapidamente sinais de deterioração clínica aguda e agir antes que a situação se torne crítica. Por exemplo, sensores vestíveis podem ser usados para monitorar a frequência cardíaca, respiratória e outras funções vitais em tempo real;
  • Alertas automáticos: podem ser gerados em caso de deterioração clínica aguda;
  • Comunicação integrada: a comunicação entre a equipe do TRR e outros profissionais de saúde do hospital permite uma resposta mais rápida e eficaz em casos de emergência. Por exemplo, sistemas de mensagens instantâneas podem ser usados para enviar alertas e comunicações em tempo real;
  • Prontuários eletrônicos (PEPs): podem ser usados para acessar rapidamente informações sobre o histórico médico do paciente, incluindo alergias a medicamentos, histórico de doenças e medicamentos em uso. Isso pode ajudar a equipe do TRR a tomar decisões mais informadas e seguras em casos de emergência;
  • Telemedicina: pode ser usada para permitir que a equipe do TRR avalie rapidamente pacientes em diferentes partes do hospital ou até mesmo de outros locais remotamente, permitindo uma resposta ainda mais rápida em casos de emergência.

Como acionar o TRR?

O Time de Resposta Rápida pode ser acionado pelo Ramal padronizado por cada instituição que possui o TRR em qualquer caso de parada cardíaca, mesmo que suspeito. Após a ligação do profissional de saúde, o TRR chegará  rapidamente  ao local da ocorrência. Esse atendimento é chamado de Código Vermelho.

O TRR pode ser acionado também pelo Código Amarelo, que visa prevenir Códigos Vermelhos, via critérios disponibilizados pela equipe médica. O time oferece suporte à equipe responsável pelo paciente.

Referência:

  1. Ministério da Saúde e Educação

Hipervolemia Vs Hipovolemia: As diferenças

Hipervolemia e hipovolemia são condições médicas que se referem ao volume de sangue no corpo.

Entenda as diferenças

A hipervolemia, também chamada de sobrecarga de fluidos, ocorre quando há um acúmulo excessivo de plasma sanguíneo, que é a parte líquida do sangue.

Isso leva a um aumento do volume de sangue, que pode causar inchaço, aumento de peso, pressão alta e problemas cardíacos.

Pode ser causada por problemas renais, cardíacos ou hepáticos, uso excessivo de sal ou medicamentos que retêm líquidos.

A hipovolemia, por outro lado, é a diminuição do volume de sangue devido à perda de plasma sanguíneo.

Isso pode acontecer por hemorragias, vômitos, diarreias, queimaduras ou desidratação.

A hipovolemia pode levar a uma redução da oferta de oxigênio para os tecidos, causando choque hipovolêmico, que é uma emergência médica.

Os sintomas da hipovolemia incluem dor de cabeça, tontura, pele pálida e fria, confusão mental e desmaio.

As principais diferenças entre hipervolemia e hipovolemia são o volume de sangue no corpo, as causas e as consequências para a saúde.

Como é tratado?

O tratamento depende da causa e da gravidade da condição.

A hipervolemia pode ser tratada com diuréticos, restrição de sal e fluidos e tratamento da doença subjacente. A hipovolemia pode ser tratada com reposição de fluidos, transfusão de sangue e tratamento da causa da perda de sangue.

Referências:

  1. https://www.scielo.br/j/jbn/a/RFPchJJGFghT4BBQvhm4GqD/?format=pdf&lang=pt
  2. https://unasus2.moodle.ufsc.br/pluginfile.php/15745/mod_resource/content/5/un03/top04p03.html
  3. https://pt.wikipedia.org/wiki/Volemia

Ordem de medicamentos para a sequência rápida de intubação (SRI)

A sequência rápida de intubação (SRI) é uma técnica usada para garantir a ventilação e a proteção das vias aéreas em pacientes com risco de aspiração ou instabilidade hemodinâmica.

A SRI envolve o uso de medicações para sedação, analgesia e relaxamento muscular, além de manobras para facilitar a laringoscopia e a inserção do tubo endotraqueal.

Ordem/Sequência da SRI

  • Indutores: Fentanil ou lidocaína: para reduzir a resposta adrenérgica e a reatividade das vias aéreas causadas pela laringoscopia. A dose recomendada é de 2-6 mcg/kg para o fentanil e 1,5 mg/kg para a lidocaína.
  • Hipnóticos: Etomidato, quetamina, midazolam ou propofol: para induzir a perda de consciência e a hipnose. A escolha da droga depende das condições clínicas do paciente e dos efeitos adversos potenciais. A dose recomendada é de 0,3 mg/kg para o etomidato, 0,2-0,4 mg/kg para a quetamina, 0,5-0,3 mg/kg para o midazolam e 1-2,5 mg/kg para o propofol.
  • Bloqueadores Neuromusculares: Succinilcolina ou rocurônio: para produzir o relaxamento muscular e facilitar a intubação. A succinilcolina tem um início de ação rápido e uma duração curta, mas pode causar hiperpotassemia, hipertermia maligna e outras complicações. O rocurônio tem um início de ação mais lento e uma duração mais longa, mas não tem os mesmos efeitos adversos da succinilcolina. A dose recomendada é de 0,5-1,5 mg/kg para a succinilcolina e 0,6-1,2 mg/kg para o rocurônio.

A SRI requer uma equipe treinada e preparada, com equipamentos adequados e monitorização contínua do paciente. Deve ser realizada com cuidado e seguindo protocolos estabelecidos para evitar complicações como hipoxemia, hipotensão, arritmias, lesões de vias aéreas e aspiração.

Referência:

  1. 1. Yamanaka CS, Góis AFT de, Vieira PCB, Alves JCD, Oliveira LM de, Blanes L, et al.. Intubação orotraqueal: avaliação do conhecimento médico e das práticas clínicas adotadas em unidades de terapia intensiva. Rev bras ter intensiva [Internet]. 2010Apr;22(2):103–11. Available from: https://doi.org/10.1590/S0103-507X2010000200002

Máscara Facial Neonatal

Há muito mais no processo de fornecimento de VENTILAÇÃO COM PRESSÃO POSITIVA INTERMITENTE do que simplesmente escolher uma máscara de tamanho correto: Posição da cabeça, retenção da máscara, pressão aplicada, taxa de ventilação e experiência clínica também para determinar a eficácia da VPPI.

No entanto, usar um tamanho de máscara adequado é importante e é destacado em programas de treinamento, a fim de evitar vazamento de oxigênio e a falta de vedação no rosto do RN para promover uma oxigenação eficaz.

Por isso, existem diversos tamanhos e tipos de máscaras faciais de reanimação para ser utilizada ao ajuste de variedades de pacientes, pois é necessário considerar cuidadosamente o tamanho, o ajuste e a fixação da máscara, pois uma boa vedação com vazamento minimizado é importante para estabelecer uma ventilação eficaz.

Tamanhos e Tipos

As máscaras faciais estão disponíveis em três tamanhos, para o RN a termo, para o prematuro e para o prematuro extremo, e em dois formatos, o redondo e o anatômico, sendo mais importante o tamanho do que o formato para o ajuste na face do RN.

Pesquisas mostram que as máscaras de 35 milímetros de diâmetro são mais adequadas para bebês com menos de 29 semanas de idade gestacional, enquanto as máscaras com diâmetro de 42 milímetros são recomendadas para bebês entre 27 e 33 semanas de idade gestacional.

Referências:

  1. Diretrizes de 2022 da Sociedade Brasileira de Pediatria – Reanimação do recém-nascido maior ou igual a 34 semanas em sala de parto. Sociedade Brasileira de Pediatria, Programa de Reanimação Neonatal.

Cianose: Periférica e Central

A cianose representa uma condição patológica caracterizada por uma coloração azulada da pele ou mucosa, que pode ter etiologia multissistêmica. Ela é classificada em central ou periférica:

  • Cianose central: que ocorre devido à oxigenação inadequada secundária a condições que levam ao aumento da hemoglobina desoxigenada ou presença de hemoglobina anormal, na presença de saturação de oxigênio de 85% ou menos.
  • Cianose periférica: Ocorre principalmente cianose de extremidades e ocorre como ocorre como resultado do aumento da extração de oxigênio pelo tecido periférico no leito capilar. Diferente da central, os pacientes com cianose periférica têm uma saturação de oxigênio arterial sistêmica normal, mas há uma diferença significativa na saturação entre o sangue arterial e venoso.

Etiologia e Fisiopatologia

A cianose ocorre devido à oxigenação inadequada do sangue devido a quantidade de oxigênio ligado à hemoglobina ser muito baixa. Ocorre uma maior proporção de desoxihemoglobina que ultrapassa 5,0 g/dL.

Como a coloração avermelhada do sangue arterial é derivado do conteúdo adequado de oxigênio no sangue, muda para um vermelho mais escuro quando o nível de O2 está reduzido, fazendo com que a pele pareça ter uma tonalidade azul.

A cianose pode então ser causada por condições que diminuam o fornecimento de oxigênio aos tecidos (hipóxia hipoxêmica) ou uma maior extração de oxigênio pelos tecidos periféricos devido ao fluxo sanguíneo reduzido ou irregular para os tecidos (hipóxia estagnada).

O fornecimento de oxigênio é determinado pelo produto do débito cardíaco e do conteúdo de oxigênio arterial. O débito cardíaco é determinado pela pré-carga, pós-carga e contratilidade, enquanto o conteúdo arterial de oxigênio é a soma do oxigênio ligado à hemoglobina e dissolvido no plasma, aproximadamente 1,34 mL por 1 g de hemoglobina e 0,003 mL de oxigênio por 100 mL de plasma.

Central: Causas

  • Hipoventilação devido a condições que afetam o sistema nervoso central, como hemorragia intracraniana, convulsões tônico-clônicas e overdose de heroína.
  • Broncoespasmo (asma), embolia pulmonar, pneumonia, bronquiolite, hipertensão pulmonar, hipoventilação e DPOC ou outras condições pulmonares onde há distúbio ventilação-perfusão (V/Q).
  • Insuficiência cardíaca, doenças cardíacas congênitas (shunts) e doenças cardíacas valvares.
  • Metemoglobinemia, sulfemoglobinemia
  • Policitemia
  • Alta altitude
  • Hipotermia
  • Apneia obstrutiva do sono

Em lactentes e neonatos as causas de cardiopatia congênita cianótica incluem tetralogia de Fallot, atresia tricúspide, truncus arteriosus ou retorno venoso anômalo total.

Periférico: Causas

Observação: todas as causas de cianose central também podem causar cianose periférica.

  • Débito cardíaco diminuído (cianose periférica congestiva)
  • Vasoconstrição local devido à exposição ao frio, hipotermia, acrocianose e fenômeno de Raynaud
  • instabilidade vasomotora
  • Obstrução arterial isquêmica
  • Estase ou obstrução venosa, como na trombose venosa profunda
  • Hiperviscosidade sanguínea, como ocorre em mielomas múltiplos, policitemia e macroglobulinemia

Manifestações clínicas da cianose

Na cianose central, a coloração azulada é generalizada no corpo e nas mucosas visíveis, enquanto na periférica a descoloração azulada ocorre geralmente nas extremidades distais como mãos, pontas dos dedos, pés e, às vezes, pode envolver as região perioral e periorbital. Na periférica geralmente não há acometimento de mucosas.

Tipicamente, quando o nível de hemoglobina desoxigenada está em torno de 3 a 5 g/dL, a cianose torna-se muito evidente. As bochechas, nariz, orelhas e mucosa oral são as melhores áreas para avaliar a cianose, pois a pele nessas áreas é fina e o suprimento sanguíneo é bom, além de ajudar a determinar se a cianose é generalizada ou limitada às extremidades.

Existe um padrão de cianose diferencial que está relacionada a cardiopatias graves, onde ocorre a descoloração azulada assimétrica entre as extremidades superiores e inferiores.

Observação:  A metemoglobinemia deve ser pensada nos diferenciais se a cianose central não melhorar com a administração de oxigênio.

Referências:

  1. Adeyinka A, Kondamudi NP. Cyanosis. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2022 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK482247/
  2. Pahal P, Goyal A. Central and Peripheral Cyanosis.. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2022 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK559167/
  3. Sarah M. McMullen, Ward Patrick. Cyanosis. Physical findings| Volume 126, ISSUE 3, P210-212, March 2013. DOI:https://doi.org/10.1016/j.amjmed.2012.11.004

Classificação de Queimaduras

A Queimadura é toda lesão provocada pelo contato direto com alguma fonte de calor ou frio, produtos químicos, corrente elétrica, radiação, ou mesmo alguns animais e plantas (como larvas, água-viva, urtiga), entre outros. Se a queimadura atingir 10% do corpo de uma criança ela corre sério risco. Já em adultos, o risco existe se a área atingida for superior a 15%.

Os Tipos

  • Queimaduras térmicas: são provocadas por fontes de calor como o fogo, líquidos ferventes, vapores, objetos quentes e excesso de exposição ao sol;
  • Queimaduras químicas: são provocadas por substância química em contato com a pele ou mesmo através das roupas;
  • Queimaduras por eletricidade: são provocadas por descargas elétricas.

Quanto à profundidade, as queimaduras podem ser classificadas como:

  • 1º grau: atingem as camadas superficiais da pele. Apresentam vermelhidão, inchaço e dor local suportável, sem a formação de bolhas;
  • 2º grau: atingem as camadas mais profundas da pele. Apresentam bolhas, pele avermelhada, manchada ou com coloração variável, dor, inchaço, despreendimento de camadas da pele e possível estado de choque. Queimaduras de 2º grau profundas são aquelas que acometem toda a derme, sendo semelhantes às queimaduras de 3º grau. Como há risco de destruição das terminações nervosas da pele, este tipo de queimadura, que é bem mais grave, pode até ser menos doloroso que as queimaduras mais superficiais. As glândulas sudoríparas e os folículos capilares também podem ser destruídos, fazendo com a pele fique seca e perca seus pelos. A cicatrização demora mais que 3 semanas e costuma deixar cicatrizes;
  • 3º grau: atingem todas as camadas da pele e podem chegar aos ossos. Apresentam pouca ou nenhuma dor e a pele branca ou carbonizada.

Os Primeiros socorros

Colocar a parte queimada debaixo da água corrente fria, com jato suave, por, aproximadamente, dez minutos. Compressas úmidas e frias também são indicadas. Se houver poeira ou insetos no local, mantenha a queimadura coberta com pano limpo e úmido.

No caso de queimaduras em grandes extensões do corpo, por substâncias químicas ou eletricidade, a vítima necessita de cuidados médicos urgentes.

– nunca toque a queimadura com as mãos;
– nunca fure bolhas;
– nunca tente descolar tecidos grudados na pele queimada;
– nunca retire corpos estranhos ou graxa do local queimado;
– nunca coloque manteiga, pó de café, creme dental ou qualquer outra substância sobre a queimadura – somente o médico sabe o que deve ser aplicado sobre o local afetado.

Prevenção

– ao acender um fósforo, mantenha o palito longe do rosto. Assim, se escapar alguma chama, não irá atingir o cabelo ou a sobrancelha;
– ao acender uma vela, observe se está longe de produtos inflamáveis, como botijões de gás, solventes ou tecidos;
– manter crianças longe da cozinha durante o preparo dos alimentos, e sempre direcionar o cabo das panelas para a área do fogão;
– não manipular álcool, querosene, gasolina ou outros líquidos inflamáveis perto do fogo. Esses produtos devem ser guardados longe do alcance das crianças;
– em festas juninas, dar preferência às fogueiras pequenas, que só devem ser acesas longe de matas, de depósitos de papel, de produtos inflamáveis ou ventanias.

Referências:

  1. Ministério da Saúde e Confederação Nacional dos Transportes. Queimaduras
  2. Sociedade Brasileira de Queimaduras
  3. Sociedade Brasileira de Queimaduras. Dia de Luta Contra as Queimaduras (cartaz)