Desvendando a Pressão Arterial Invasiva (PAI)

Se você está entrando no universo da enfermagem em unidades de terapia intensiva (UTI) ou em cenários de cuidado crítico, prepare-se para se familiarizar com um dispositivo que nos dá uma leitura da pressão arterial do paciente de forma contínua e incrivelmente precisa: a Pressão Arterial Invasiva (PAI).

Pode parecer um pouco intimidador no começo, com tantos componentes e cuidados envolvidos, mas acredite, entender a PAI é fundamental para o manejo hemodinâmico de pacientes graves.

Vamos juntos desmistificar esse sistema e descobrir como ele funciona?

Por Que “Invadir” para Medir a Pressão? A Precisão em Primeiro Lugar

Você já sabe como medir a pressão arterial de forma não invasiva com aquele manguito (esfigmomanômetro) tradicional, certo? Ele é ótimo para monitorização de rotina. Mas em pacientes criticamente enfermos, onde cada milímetro de mercúrio (mmHg) conta e as variações de pressão podem ser rápidas e significativas, a precisão e a monitorização contínua se tornam cruciais. É aí que a PAI entra em cena.

Ao inserir um cateter fino diretamente em uma artéria (geralmente a radial, mas também podem ser utilizadas a femoral, umeral ou pediosa), conseguimos uma leitura direta da pressão dentro do vaso sanguíneo.

Isso elimina as interferências que podem ocorrer com a medição não invasiva, como o tamanho do manguito inadequado, a movimentação do paciente ou a dificuldade em obter leituras em pacientes com perfusão periférica comprometida. A PAI nos oferece um panorama em tempo real das variações da pressão sistólica, diastólica e média (PAM), permitindo ajustes rápidos e precisos no tratamento.

Conhecendo os “Ingredientes”: Os Componentes do Sistema de PAI

O sistema de PAI é composto por alguns elementos essenciais que trabalham em conjunto para nos fornecer essa leitura contínua. Vamos conhecer cada um deles:

  • Cateter Arterial: É um tubo fino e flexível, geralmente feito de teflon ou poliuretano, que é inserido na artéria do paciente por meio de uma punção percutânea (com agulha) ou através de uma dissecção cirúrgica (em casos mais complexos). O tamanho e o tipo de cateter variam dependendo da artéria escolhida e do tamanho do paciente.
  • Linha de Pressão (ou Tubo Extensor): É um tubo não complacente (rígido) que conecta o cateter arterial ao transdutor de pressão. Essa não complacência é crucial para garantir que a onda de pressão arterial seja transmitida com precisão até o transdutor, sem perdas ou distorções. Geralmente, essa linha possui um lúmen único e é preenchida com uma solução salina heparinizada sob pressão.
  • Transdutor de Pressão: É o “coração” do sistema de PAI. Esse dispositivo eletrônico converte a energia mecânica da pressão arterial em um sinal elétrico. Existem diferentes tipos de transdutores, mas o princípio básico é o mesmo: um diafragma sensível à pressão se move conforme as variações da pressão arterial, e essa movimentação é convertida em um sinal elétrico que será exibido no monitor. Muitos transdutores modernos são descartáveis e vêm em um conjunto fechado com a linha de pressão.
  • Cabo do Transdutor: É um cabo elétrico que conecta o transdutor ao monitor multiparâmetros. Ele transmite o sinal elétrico gerado pelo transdutor para o monitor, onde a pressão arterial é processada e exibida em forma de números e ondas.
  • Bolsa de Infusão sob Pressão: Contém a solução salina heparinizada que preenche a linha de pressão e o cateter arterial. Essa bolsa é pressurizada (geralmente a 300 mmHg) para garantir um fluxo lento e contínuo da solução (cerca de 3-5 mL/hora). Esse fluxo contínuo impede que o sangue reflua para o cateter e oclua, mantendo o sistema pérvio e garantindo leituras precisas.
  • Sistema de Lavagem Contínua (Flush Contínuo): Geralmente integrado ao transdutor, esse sistema permite a lavagem rápida do cateter com a solução salina heparinizada. Isso é essencial para remover coágulos ou bolhas de ar que possam interferir na leitura da pressão. Um dispositivo manual ou automático permite liberar um volume maior de solução para essa lavagem rápida.
  • Suporte do Transdutor: O transdutor precisa ser posicionado corretamente em relação ao nível do coração do paciente (mais especificamente, no nível do átrio direito, que em decúbito dorsal corresponde aproximadamente à linha axilar média, no quarto espaço intercostal). Um suporte fixo e ajustável garante que o transdutor permaneça nessa posição de referência para leituras precisas.

Montando o Quebra-Cabeça: Como Montar o Sistema de PAI Passo a Passo

A montagem do sistema de PAI requer atenção aos detalhes e técnica asséptica para evitar infecções. Embora o procedimento exato possa variar ligeiramente dependendo do fabricante e do protocolo institucional, os passos gerais são os seguintes:

  1. Reúna os materiais: Certifique-se de ter todos os componentes necessários: cateter arterial estéril, linha de pressão estéril com transdutor (se descartável), cabo do transdutor, bolsa de infusão com solução salina heparinizada, equipo de infusão, bolsa pressurizadora, suporte do transdutor estéril, material para fixação do cateter e EPIs (luvas estéreis, avental, máscara e óculos).
  2. Prepare a solução salina heparinizada: Conecte o equipo de infusão à bolsa de solução salina heparinizada e purgue o ar do sistema. Insira a bolsa na bolsa pressurizadora e ajuste a pressão para 300 mmHg.
  3. Conecte a linha de pressão ao transdutor: Se o transdutor não vier pré-conectado à linha, realize a conexão de forma estéril, preenchendo a linha com a solução salina heparinizada e removendo todas as bolhas de ar. As bolhas de ar podem amortecer a onda de pressão e levar a leituras imprecisas.
  4. Conecte o cabo do transdutor ao transdutor: Encaixe o cabo do transdutor na porta apropriada do transdutor.
  5. Posicione e fixe o transdutor: Utilize o suporte estéril para fixar o transdutor na altura do átrio direito do paciente. Marque essa referência no paciente para garantir a consistência nas leituras, especialmente em caso de mudança de decúbito.
  6. Zere o transdutor: Essa etapa é crucial para calibrar o sistema e eliminar a influência da pressão atmosférica. Para zerar, abra o sistema para a pressão atmosférica (geralmente abrindo uma torneirinha do transdutor para o ar) e pressione a função “zero” ou “calibrar” no monitor. O monitor deve exibir “0 mmHg”. Após zerar, feche o sistema para o ar novamente.
  7. Conecte a linha de pressão ao cateter arterial: Após a inserção do cateter arterial pelo médico (que também é um procedimento estéril), conecte a extremidade da linha de pressão à conexão do cateter, utilizando técnica asséptica.
  8. Verifique a onda de pressão: No monitor, você deverá visualizar uma onda de pressão arterial nítida e com características normais (onda sistólica, incisura dicrótica e onda diastólica). Observe os valores numéricos da pressão sistólica, diastólica e média.
  9. Fixe o cateter arterial: Utilize curativos estéreis e dispositivos de fixação adequados para garantir que o cateter permaneça no lugar e evitar deslocamentos ou infecções.
  10. Documente o procedimento: Registre no prontuário a data e hora da inserção, o local, o tipo e calibre do cateter, o profissional que realizou o procedimento, o tipo de sistema de PAI utilizado, a solução de infusão, a pressão da bolsa, a presença de ondas adequadas e a resposta do paciente.

Nossos Olhos Atentos: Cuidados de Enfermagem Essenciais com a PAI

Uma vez instalado, o sistema de PAI exige cuidados contínuos e rigorosos da equipe de enfermagem para garantir a precisão das leituras, prevenir complicações e manter a segurança do paciente:

  • Manutenção da Perviedade do Sistema: Garanta que a bolsa de infusão esteja sempre pressurizada a 300 mmHg e que haja fluxo contínuo da solução salina heparinizada. Verifique regularmente se há bolhas de ar ou coágulos na linha de pressão e realize o flush rápido conforme necessário.
  • Monitorização Contínua da Onda de Pressão e dos Valores: Observe atentamente a morfologia da onda de pressão no monitor. Uma onda amortecida pode indicar problemas no sistema (ar, coágulo, dobra na linha). Registre os valores da pressão arterial em intervalos regulares e sempre que houver alterações significativas no estado clínico do paciente.
  • Manutenção da Posição Correta do Transdutor: Verifique regularmente se o transdutor está posicionado na altura do átrio direito do paciente, especialmente após mudanças de decúbito. Qualquer alteração na altura do transdutor pode levar a leituras imprecisas.
  • Cuidados com o Sítio de Inserção do Cateter: Inspecione diariamente o local de inserção do cateter em busca de sinais de infecção (vermelhidão, calor, edema, secreção), hematoma ou sinais de flebite. Realize a troca do curativo conforme o protocolo institucional, utilizando técnica asséptica.
  • Prevenção de Complicações: Esteja atento a sinais de complicações como sangramento no local de inserção, trombose arterial, embolia gasosa ou lesão nervosa durante a inserção ou manutenção do cateter.
  • Educação da Equipe: Garanta que toda a equipe de enfermagem esteja devidamente treinada para manipular e monitorar o sistema de PAI, compreendendo a importância da técnica correta e dos cuidados contínuos.
  • Documentação Precisa: Registre todos os dados relevantes no prontuário do paciente, incluindo a data e hora de cada intervenção, as leituras da pressão arterial, as condições do sítio de inserção e qualquer intercorrência.

A Pressão Arterial Invasiva é uma ferramenta poderosa no cuidado ao paciente crítico, fornecendo informações valiosas para a tomada de decisões clínicas. Como futuros profissionais de enfermagem, dominar os princípios, a montagem e os cuidados com esse sistema nos permitirá contribuir de forma significativa para a segurança e o bem-estar dos nossos pacientes.

Lembre-se sempre da importância da técnica asséptica e da vigilância constante para garantir a precisão das leituras e prevenir complicações.

Referências:

  1. AMERICAN HEART ASSOCIATION (AHA). Manual de ACLS (Advanced Cardiovascular Life Support). [S. l.]: AHA.
  2. BARASH, P. G.; CULLEN, B. F.; STOELTING, R. K.; ORAL, J. A.; SWAN, J. T. Anesthesiology Clinical Pharmacology. 8th ed. Philadelphia: Wolters Kluwer, 2018.
  3. IRWIN, R. S.; RIPPE, J. M. Irwin and Rippe’s Intensive Care Medicine. 9th ed. Philadelphia: Wolters Kluwer, 2024.
  4. NANDA INTERNATIONAL. Diagnósticos de Enfermagem da NANDA-I: Definições e Classificação 2021-2023. 12. ed. Porto Alegre: Artmed, 2021. 

Emergências Pediátricas

Para quem escolhe a enfermagem pediátrica, o cuidado com os pequenos é uma arte delicada e, por vezes, desafiadora.

E em pediatria, algumas situações acendem um sinal de alerta máximo: as emergências pediátricas.

Nesses momentos, cada segundo conta e a nossa capacidade de reconhecer os sinais precocemente e agir de forma rápida e eficaz pode fazer toda a diferença entre a vida e a morte. Se você está trilhando esse caminho, prepare-se para conhecer algumas dessas patologias que exigem uma resposta imediata e os cuidados de enfermagem cruciais em cada cenário.

Quando o Tempo Urge: A Gravidade das Emergências Pediátricas

As crianças, com sua fisiologia e capacidade de comunicação ainda em desenvolvimento, podem apresentar quadros clínicos graves de forma rápida e, por vezes, silenciosa. A deterioração pode ser súbita e a janela de intervenção, estreita.

Por isso, o olhar atento, a avaliação criteriosa e o conhecimento das principais emergências pediátricas são ferramentas indispensáveis para nós, futuros profissionais de enfermagem. Reconhecer os sinais de perigo e priorizar o atendimento adequado são os primeiros passos para garantir o melhor desfecho para nossos pequenos pacientes.

Dificuldade para Respirar: O Sufoco que Não Espera

A insuficiência respiratória aguda é uma das emergências pediátricas mais comuns e graves. As vias aéreas menores e a menor reserva fisiológica tornam as crianças mais vulneráveis a quadros que comprometem a oxigenação e a ventilação. Diversas condições podem levar a essa emergência:

  • Crise de Asma Grave: A obstrução das vias aéreas por broncoespasmo, inflamação e hipersecreção de muco causa dificuldade respiratória intensa, com chiado no peito, tosse persistente, uso da musculatura acessória (batimento de asa de nariz, retração intercostal e supraesternal) e cianose (coloração azulada da pele e mucosas). Nossos cuidados aqui incluem: manter a criança em posição confortável (geralmente sentada ou semi-sentada), administrar oxigênio suplementar conforme prescrição médica, monitorizar continuamente a frequência respiratória, a frequência cardíaca e a saturação de oxigênio, auxiliar na administração de broncodilatadores de curta ação (como salbutamol) por via inalatória e estar preparado para auxiliar em procedimentos mais invasivos, como intubação orotraqueal, se necessário.
  • Bronquiolite Grave: Principalmente em lactentes, a infecção viral dos bronquiolos causa inflamação e obstrução das pequenas vias aéreas, levando a taquipneia (respiração rápida), sibilância, tosse, irritabilidade, dificuldade para se alimentar e, em casos graves, apneia (parada respiratória). Os cuidados de enfermagem envolvem: monitorizar os sinais vitais e a saturação de oxigênio, manter a criança em posição elevada, oferecer pequenas quantidades de líquidos por via oral se tolerado, aspirar secreções nasais para facilitar a respiração e administrar oxigênio suplementar conforme prescrito. Em casos graves, pode ser necessária ventilação não invasiva ou invasiva.
  • Pneumonia Grave: A infecção do parênquima pulmonar pode levar à insuficiência respiratória, especialmente em crianças pequenas. Os sinais incluem febre alta, tosse, taquipneia, batimento de asa de nariz, retração torácica e, em casos graves, cianose e gemido expiratório. Nossos cuidados incluem: monitorizar os sinais vitais e a saturação de oxigênio, administrar oxigênio suplementar, manter a criança em posição confortável, auxiliar na administração de antibióticos conforme prescrito e incentivar a hidratação.
  • Obstrução de Vias Aéreas por Corpo Estranho (OVACE): A aspiração de pequenos objetos é um risco em crianças, especialmente as menores. A obstrução pode ser parcial (com tosse eficaz) ou total (com incapacidade de tossir, falar ou respirar, cianose e perda de consciência). Nossa ação imediata é crucial: em caso de obstrução total em lactentes, realizar a manobra de Heimlich adaptada (compressões torácicas e golpes nas costas); em crianças maiores, realizar a manobra de Heimlich abdominal. Estar preparado para auxiliar em laringoscopia e remoção do corpo estranho, se necessário.

O Coração em Perigo: Emergências Cardiovasculares Pediátricas

Embora menos comuns que as respiratórias, as emergências cardiovasculares em pediatria exigem reconhecimento e intervenção rápidos:

  • Choque Séptico: A infecção grave pode levar a uma resposta inflamatória sistêmica intensa, resultando em disfunção orgânica e choque. Os sinais incluem febre (ou hipotermia), taquicardia, taquipneia, pele fria e pegajosa, livedo reticular (manchas na pele), oligúria (diminuição da produção de urina) e alteração do estado mental. Nossos cuidados são: monitorizar continuamente os sinais vitais (incluindo pressão arterial invasiva, se instalada), garantir acesso venoso rápido para administração de fluidos e medicamentos vasoativos conforme prescrição médica, administrar antibióticos de amplo espectro o mais rápido possível, monitorizar o débito urinário e a perfusão periférica e oferecer suporte ventilatório, se necessário.
  • Choque Hipovolêmico: A perda significativa de volume sanguíneo (por desidratação grave, hemorragia) leva à diminuição da perfusão tecidual. Os sinais incluem taquicardia, extremidades frias, pulsos periféricos filiformes, enchimento capilar lento, oligúria e alteração do estado mental. Nossos cuidados envolvem: garantir acesso venoso rápido para reposição volêmica agressiva conforme prescrição médica, monitorizar os sinais vitais e a perfusão periférica e identificar e tratar a causa da perda de volume.

A Mente em Crise: Emergências Neurológicas na Infância

As emergências neurológicas em pediatria podem ter diversas causas e exigem avaliação e intervenção rápidas:

  • Crise Convulsiva Aguda: Uma convulsão prolongada (geralmente > 5 minutos) ou crises repetidas sem recuperação da consciência entre elas (estado de mal epiléptico) é uma emergência. Nossos cuidados incluem: proteger a criança de lesões, manter as vias aéreas permeáveis (lateralizar a cabeça, se necessário), monitorizar os sinais vitais e a saturação de oxigênio, administrar benzodiazepínicos por via intravenosa conforme prescrição médica e estar preparado para auxiliar em intubação orotraqueal se a convulsão não cessar ou houver comprometimento respiratório.
  • Meningite/Encefalite: A infecção do sistema nervoso central pode levar a um quadro grave com febre, cefaleia intensa, rigidez de nuca, fotofobia, irritabilidade, letargia, convulsões e alteração do estado mental. Nossos cuidados envolvem: monitorizar os sinais vitais e o estado neurológico, manter a criança em ambiente calmo e com pouca luz, administrar antibióticos e antivirais conforme prescrição médica e estar atento a sinais de aumento da pressão intracraniana.

O Abdome Agudo: Dor que Clama por Atenção

O abdome agudo em pediatria pode ter diversas causas (apendicite, invaginação intestinal, volvo intestinal, etc.) e, em alguns casos, evoluir para sepse e choque se não tratado rapidamente.

A dor abdominal intensa e persistente, associada a outros sinais como vômitos, distensão abdominal, febre e irritabilidade, exige avaliação cirúrgica urgente.

Nossos cuidados incluem: manter a criança em jejum, monitorizar os sinais vitais, avaliar a intensidade e as características da dor, observar o abdome e preparar a criança para exames complementares e possível intervenção cirúrgica.

A Pele que Queima: Grandes Queimaduras em Crianças

As grandes queimaduras em crianças são emergências devido ao risco de choque hipovolêmico, perda de calor, infecção e comprometimento das vias aéreas (em queimaduras faciais ou por inalação de fumaça).

Nossos cuidados iniciais incluem: interromper o processo de queimadura, avaliar a extensão e a profundidade da queimadura, garantir a permeabilidade das vias aéreas, administrar oxigênio suplementar, iniciar reposição volêmica intravenosa conforme protocolo, monitorizar os sinais vitais e a diurese e manter a criança aquecida.

A Importância da Sistematização do Cuidado e da Comunicação

Em todas essas emergências pediátricas, a organização do cuidado é fundamental. A avaliação rápida e sistemática (utilizando, por exemplo, a abordagem ABCDE – Vias Aéreas, Respiração, Circulação, Incapacidade Neurológica e Exposição), a priorização das intervenções e a comunicação eficaz com a equipe médica são cruciais para otimizar o atendimento.

A nossa capacidade de trabalhar em equipe, de manter a calma sob pressão e de executar os cuidados de enfermagem de forma precisa e oportuna pode salvar vidas.

Lembrem-se, futuros profissionais de enfermagem, que a pediatria é uma área que exige estudo constante e atualização. Estar familiarizado com as principais emergências, seus sinais e sintomas e os cuidados de enfermagem específicos é um passo essencial para oferecer o melhor cuidado possível aos nossos pequenos pacientes em momentos críticos.

Referências:

  1. AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS (AAP). Pediatric Advanced Life Support (PALS) Provider Manual. [S. l.]: AAP
  2. NELSON, W. E.; BEHRMAN, R. E.; KLIEGMAN, R. M.; JENSON, H. B. Nelson Textbook of Pediatrics. [Edição mais recente]. Philadelphia: Elsevier. 
  3. WONG, D. L.; HOCKENBERRY, M. J.; LOWE, J. R.; PERRY, S. E.; DALLAS, C.; WILSON, D. Wong’s Nursing Care of Infants and Children.  St. Louis: Mosby Elsevier.

Protocolo de Dor Torácica

A dor torácica é um dos sintomas mais comuns e preocupantes na prática clínica, podendo indicar desde condições benignas até emergências graves, como infarto agudo do miocárdio.

Para auxiliar os profissionais de saúde no manejo adequado desses casos, o Ministério da Saúde desenvolveu um Protocolo de Manejo da Dor Torácica, disponível no portal Linhas de Cuidado.

Nesta publicação, vamos explorar as principais diretrizes desse protocolo e os cuidados de enfermagem essenciais para garantir um atendimento seguro e eficaz.

O Que é o Protocolo de Manejo da Dor Torácica?

O protocolo do Ministério da Saúde é um guia prático que orienta os profissionais de saúde no atendimento inicial de pacientes com dor torácica, desde a avaliação inicial até a tomada de decisões clínicas.

Ele visa identificar rapidamente as causas mais graves e encaminhar o paciente para o tratamento adequado.

Principais Causas de Dor Torácica

A dor torácica pode ter diversas origens, incluindo:

  1. Causas Cardíacas: Infarto agudo do miocárdio, angina, pericardite.
  2. Causas Pulmonares: Embolia pulmonar, pneumotórax, pneumonia.
  3. Causas Gastrointestinais: Refluxo gastroesofágico, esofagite.
  4. Causas Musculoesqueléticas: Costocondrite, lesões musculares.
  5. Causas Psicogênicas: Ansiedade, ataques de pânico.

Etapas do Protocolo de Manejo da Dor Torácica

  1. Avaliação Inicial

O primeiro passo é realizar uma avaliação rápida e sistemática para identificar sinais de gravidade.

  • Sinais de Alerta:
    • Dor intensa e prolongada (> 20 minutos).
    • Sudorese, náuseas, falta de ar.
    • História de doença cardíaca ou fatores de risco (hipertensão, diabetes, tabagismo).
  1. Anamnese e Exame Físico
  • Anamnese: Investigar características da dor (localização, intensidade, irradiação, fatores de melhora/piora) e sintomas associados.
  • Exame Físico: Avaliar sinais vitais (pressão arterial, frequência cardíaca, saturação de oxigênio) e ausculta cardíaca e pulmonar.
  1. Exames Complementares
  • Eletrocardiograma (ECG): Para identificar sinais de isquemia ou infarto.
  • Biomarcadores Cardíacos: Como troponina, para confirmar lesão miocárdica.
  • Raio-X de Tórax: Para avaliar causas pulmonares.
  1. Classificação de Risco

O protocolo classifica os pacientes em três categorias de risco:

  • Alto Risco: Sinais de infarto ou embolia pulmonar. Encaminhamento imediato para emergência.
  • Risco Intermediário: Sintomas sugestivos, mas sem confirmação. Monitoramento e investigação adicional.
  • Baixo Risco: Sintomas atípicos e sem sinais de gravidade. Conduta ambulatorial.
  1. Conduta e Encaminhamento
  • Alto Risco: Encaminhamento imediato para unidade de emergência.
  • Risco Intermediário: Monitoramento e exames complementares.
  • Baixo Risco: Orientação e acompanhamento ambulatorial.

Cuidados de Enfermagem no Manejo da Dor Torácica

A equipe de enfermagem desempenha um papel crucial no atendimento de pacientes com dor torácica. Aqui estão os principais cuidados:

  1. Acolhimento e Estabilização
  • Acolha o paciente com empatia e tranquilidade.
  • Monitore sinais vitais e forneça oxigênio suplementar, se necessário.
  1. Administração de Medicamentos
  • Nitratos: Para alívio da dor em casos de angina.
  • Analgésicos: Como dipirona ou morfina, para dor intensa.
  • AAS (Ácido Acetilsalicílico): Em casos suspeitos de infarto, conforme prescrição médica.
  1. Preparação para Exames
  • Auxilie na realização do ECG e coleta de exames laboratoriais.
  • Prepare o paciente para raio-X de tórax ou outros exames complementares.
  1. Monitoramento Contínuo
  • Observe sinais de piora, como aumento da dor, sudorese ou alterações nos sinais vitais.
  • Documente todas as intervenções e respostas do paciente.
  1. Educação do Paciente
  • Explique os procedimentos e a importância do tratamento.
  • Oriente sobre sinais de alerta e quando retornar ao serviço de saúde.

Dicas para a Equipe de Enfermagem

  1. Mantenha a Calma: Um atendimento tranquilo e organizado transmite segurança ao paciente.
  2. Trabalhe em Equipe: Colabore com médicos e outros profissionais para garantir um atendimento integrado.
  3. Atualize-se: Conheça os protocolos mais recentes e participe de treinamentos.

Referências:

  1. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Protocolo de Manejo da Dor Torácica. Disponível em: https://linhasdecuidado.saude.gov.br/portal/dor-toracica/unidade-de-atencao-primaria/manejo-inicial/.
  2. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Avaliação e Conduta – Dor torácica. Disponível em: https://linhasdecuidado.saude.gov.br/portal/dor-toracica/unidade-hospitalar/avaliacao-conduta/
  3. Protocolo de dor Torácica do Hospital Albert Einstein

Protocolo de Sepse: Pacote de 1 hora

A sepse é uma condição grave e potencialmente fatal, caracterizada por uma resposta desregulada do organismo a uma infecção.

Para reduzir a mortalidade e melhorar os desfechos dos pacientes, a Campanha Sobrevivendo à Sepse (Surviving Sepsis Campaign – SSC) lançou o “Pacote de 1 Hora”, um conjunto de intervenções que devem ser realizadas dentro da primeira hora após o diagnóstico.

Nesta publicação, vamos explorar o que é o Pacote de 1 Hora, suas diretrizes e a importância da equipe de enfermagem nesse processo.

O Que é o Pacote de 1 Hora?

O Pacote de 1 Hora é um protocolo baseado em evidências que orienta os profissionais de saúde a realizar intervenções críticas dentro da primeira hora após a identificação da sepse. Essas intervenções visam estabilizar o paciente, controlar a infecção e prevenir complicações.

A Campanha Sobrevivendo à Sepse 2018 reforçou a importância desse pacote, destacando que a rapidez no tratamento é um dos fatores mais importantes para reduzir a mortalidade por sepse.

Diretrizes do Pacote de 1 Hora

O Pacote de 1 Hora consiste em cinco etapas essenciais, conhecidas como “Bundle de 1 Hora”. Vamos detalhar cada uma delas:

  1. Medir o Nível de Lactato
  • Objetivo: Avaliar a presença de hipoperfusão tecidual, um marcador de gravidade na sepse.
  • Ação: Coletar lactato arterial ou venoso.
  • Meta: Lactato ≥ 2 mmol/L indica maior gravidade e necessidade de intervenção urgente.
  1. Coletar Hemoculturas Antes de Antibióticos
  • Objetivo: Identificar o microrganismo causador da infecção.
  • Ação: Coletar pelo menos duas amostras de hemocultura de locais diferentes, antes da administração de antibióticos.
  1. Administrar Antibióticos de Amplo Espectro
  • Objetivo: Iniciar o tratamento precoce da infecção.
  • Ação: Administrar antibióticos de amplo espectro dentro da primeira hora após o diagnóstico.
  • Meta: Reduzir a carga bacteriana e controlar a disseminação da infecção.
  1. Reposição Volêmica Rápida
  • Objetivo: Restaurar a perfusão tecidual e a pressão arterial.
  • Ação: Administrar 30 mL/kg de cristaloide (soro fisiológico ou Ringer lactato) em até 1 hora.
  • Cuidado: Monitorar sinais de sobrecarga hídrica, especialmente em pacientes com insuficiência cardíaca.
  1. Administrar Vasopressores (Se Necessário)
  • Objetivo: Manter a pressão arterial em níveis adequados.
  • Ação: Se a pressão arterial permanecer baixa após a reposição volêmica, iniciar vasopressores (ex.: noradrenalina).
  • Meta: Manter a pressão arterial média (PAM) ≥ 65 mmHg.

Papel da Enfermagem no Pacote de 1 Hora

A equipe de enfermagem é fundamental para a implementação eficaz do Pacote de 1 Hora. Aqui estão os principais cuidados e responsabilidades:

  1. Reconhecimento Precoce
  • Identificar sinais de alerta de sepse, como febre, taquicardia, hipotensão e alteração do estado mental.
  1. Coleta de Lactato e Hemoculturas
  • Realizar a coleta de forma rápida e precisa, seguindo protocolos de assepsia.
  1. Administração de Antibióticos
  • Preparar e administrar os antibióticos dentro do prazo de 1 hora, conforme prescrição médica.
  1. Reposição Volêmica
  • Monitorar o paciente durante a infusão de fluidos, observando sinais de melhora ou complicações.
  1. Monitoramento Contínuo
  • Acompanhar sinais vitais, lactato e resposta ao tratamento.
  • Documentar todas as intervenções e evolução do paciente.
  1. Educação e Suporte
  • Explicar o tratamento para o paciente e familiares, oferecendo suporte emocional.

Desafios e Dicas para a Equipe de Enfermagem

  1. Trabalho em Equipe: A sepse exige uma abordagem multidisciplinar. Comunique-se de forma clara e eficiente com médicos, farmacêuticos e outros profissionais.
  2. Treinamento Contínuo: Participe de treinamentos e simulações para aprimorar suas habilidades no manejo da sepse.
  3. Organização: Mantenha os materiais e medicamentos necessários prontos para uso, garantindo agilidade no atendimento.

O Pacote de 1 Hora é uma estratégia comprovada para reduzir a mortalidade por sepse, mas seu sucesso depende da rapidez e precisão da equipe de saúde. Para enfermeiros, esse protocolo representa uma oportunidade de salvar vidas, demonstrando a importância do seu papel no cuidado ao paciente crítico.

Referência:

  1. Surviving Sepsis Campaign (SSC). Bundle de 1 Hora. 2018. Disponível em: https://www.sccm.org/SurvivingSepsisCampaign/Home.

Choque Refratário

O choque refratário é uma condição médica grave caracterizada pela persistência do choque, mesmo após a administração de terapias convencionais, como fluidos intravenosos e vasopressores. Isso significa que o corpo não responde adequadamente às medidas tomadas para restaurar a pressão arterial e o fluxo sanguíneo para os órgãos vitais.

Causas e Fisiopatologia

As causas do choque refratário são diversas e complexas, mas geralmente envolvem:

  • Sepse grave: A infecção generalizada é uma causa comum, desencadeando uma resposta inflamatória sistêmica que pode levar à disfunção de múltiplos órgãos.
  • Trauma: Grandes traumas podem causar perda significativa de sangue e lesões em órgãos vitais, dificultando a manutenção da pressão arterial.
  • Queimaduras extensas: Queimaduras graves levam à perda de fluidos e proteínas, causando choque hipovolêmico e desequilíbrios eletrolíticos.
  • Insuficiência cardíaca aguda: A incapacidade do coração de bombear sangue adequadamente pode levar ao choque cardiogênico.
  • Embolia pulmonar maciça: Um coágulo sanguíneo que obstrui uma grande artéria pulmonar pode causar choque obstrutivo.

Fisiopatologia

A fisiopatologia do choque refratário é multifatorial e envolve:

  • Vasodilatação excessiva: A liberação de mediadores inflamatórios causa vasodilatação, levando à diminuição da pressão arterial.
  • Aumento da permeabilidade vascular: Os vasos sanguíneos se tornam mais permeáveis, permitindo que líquidos vazem para os tecidos, piorando o choque.
  • Disfunção microcirculatória: A microcirculação é prejudicada, comprometendo a entrega de oxigênio aos tecidos.
  • Disfunção mitocondrial: As mitocôndrias, as “usinas de energia” das células, são danificadas, levando à falência multiorgânica.

Consequências

O choque refratário é uma condição potencialmente fatal e, se não for tratado adequadamente, pode levar à falência de múltiplos órgãos e à morte.

Tratamento

O tratamento do choque refratário é complexo e exige uma abordagem multidisciplinar. As medidas terapêuticas incluem:

  • Suporte hemodinâmico: Uso de vasopressores para aumentar a pressão arterial e drogas inotrópicas para aumentar a força de contração do coração.
  • Corrigir a causa subjacente: Identificar e tratar a causa do choque, como o controle da infecção ou a remoção de um coágulo sanguíneo.
  • Modulação da resposta inflamatória: Utilização de medicamentos para reduzir a inflamação sistêmica.
  • Terapias adjuvantes: Oxigenoterapia, ventilação mecânica, diálise e outras terapias de suporte.

Prognóstico

O prognóstico do choque refratário é reservado, com alta mortalidade. A sobrevida depende da causa subjacente, da gravidade da doença e da rapidez e eficácia do tratamento.

Prevenção

A prevenção do choque refratário envolve a identificação precoce e o tratamento agressivo de condições que podem levar ao choque, como a sepse, o trauma e a insuficiência cardíaca.

Referências:

  1. Wendy J Pomerantz, MD, MS, Scott L Weiss, MD. Systemic inflammatory response syndrome (SIRS) and sepsis in children: Definitions, epidemiology, clinical manifestations, and diagnosis. Disponível em: < https://bit.ly/3lFYLWq >.
  2. AZEVEDO, Luciano César Pontes de; TANIGUCHI, Leandro Utino; LADEIRA, José Paulo; MARTINS, Herlon Saraiva; VELASCO, Irineu Tadeu. Medicina intensiva: abordagem prática. [S.l: s.n.], 2018.

Hipotermia Terapêutica

A parada cardiorrespiratória é um evento de alta mortalidade, e a hipotermia terapêutica é reconhecida pela neuroproteção após parada cardiorrespiratória (PCR) sendo recomendada pelas diretrizes da ILCOR em 2015.

A isquemia cerebral difusa relacionada ao hipofluxo cerebral frequentemente leva à injúria neurológica grave e ao desenvolvimento de estado vegetativo persistente. No entanto, a hipotermia terapêutica representa um importante avanço no tratamento da encefalopatia anóxica pós-parada cardíaca.

O tratamento

A hipotermia terapêutica é o único tratamento que tem demonstrado, de forma consistente, reduzir a mortalidade e melhorar os desfechos neurológicos em pacientes sobreviventes pós-parada cardiorrespiratória até o presente momento.

Seus efeitos neuroprotetores têm sido amplamente demonstrados em várias situações de isquemia neuronal. A hipotermia terapêutica consiste no resfriamento do corpo para diminuir o risco de lesões neurológicas e a formação de coágulos, aumentando as chances de sobrevivência e prevenindo sequelas.

Apesar disso, a hipotermia ainda é um tratamento subutilizado no manejo da síndrome pós-ressuscitação. Um protocolo assistencial simples pode ser implantado em qualquer unidade de terapia intensiva para garantir que a hipotermia seja aplicada de forma eficaz em pacientes críticos reanimados após parada cardiorrespiratória.

Em resumo, a hipotermia terapêutica é uma técnica médica valiosa após uma parada cardíaca, com o objetivo de proteger o cérebro e melhorar os resultados neurológicos em pacientes sobreviventes.

A Técnica

Essa técnica médica consiste no resfriamento do corpo para diminuir o risco de lesões neurológicas e a formação de coágulos, aumentando as chances de sobrevivência e prevenindo sequelas.

Ela deve ser iniciada o mais rápido possível após a parada cardíaca, pois o sangue deixa imediatamente de transportar a quantidade necessária de oxigênio para o funcionamento do cérebro.

No entanto, pode ser atrasada até 6 horas após o coração voltar a bater, mas nesses casos, o risco de desenvolver sequelas é maior.

A hipotermia terapêutica serve para diminuir o risco de formação de coágulos e lesões neurológicas, sendo principalmente indicada após um infarto. Além disso, ela também pode ser recomendada em situações como trauma cranioencefálico em adultos, AVC isquêmico e encefalopatia hepática.

O procedimento consiste em três fases:

  • Fase de indução: a temperatura corporal é reduzida até alcançar temperaturas entre os 32 e 36ºC;
  • Fase de manutenção: é monitorada a temperatura, pressão arterial, ritmo cardíaco e frequência respiratória;
  • Fase de reaquecimento: a temperatura da pessoa vai-se elevando de forma gradual e controlada de forma a atingir temperaturas entre os 36 e 37,5º.

Para o resfriamento do corpo os médicos podem utilizar várias técnicas, no entanto, as mais utilizadas incluem o uso de compressas de gelo, colchões térmicos, capacete de gelo ou soro gelado direto na veia dos pacientes, até que a temperatura atinja valores entre os 32 e 36°C.

Além disso, a equipe médica também utiliza remédios relaxantes para garantir o conforto da pessoa e evitar o surgimento de tremores.

Geralmente, a hipotermia é mantida durante 24 horas e, durante esse tempo, a frequência cardíaca, a pressão arterial e outros sinais vitais são constantemente vigiados por um enfermeiro de forma a evitar complicações graves. Após esse tempo, o corpo é lentamente aquecido até atingir a temperatura de 37ºC.

Possíveis complicações

Embora seja uma técnica bastante segura, quando é feita no hospital, a hipotermia terapêutica também tem alguns riscos, como:

  • Alteração do ritmo cardíaco, devido à diminuição acentuada dos batimentos cardíacos;
  • Diminuição da coagulação, aumentando o risco de sangramentos;
  • Aumento do risco de infecções;
  • Aumento das quantidades de açúcar no sangue.

Devido a estas complicações, a técnica só pode ser feita em uma Unidade de Terapia Intensiva e por uma equipe médica e de enfermagem treinadas, uma vez que é necessário fazer várias avaliações ao longo das 24 horas, para diminuir as chances de desenvolver qualquer tipo de complicação.

Referências:

  1. ANJOS, Cláudia Nogueira et- al.. O potencial da hipotermia terapêutica no tratamento do paciente crítico. O Mundo da Saúde São Paulo. 32. 1; 74-78, 2008
  2. RECH, Tatiana Helena; VIEIRA, Sílvia Regina Rios. Hipotermia terapêutica em pacientes pós-parada cardiorrespiratória: mecanismos de ação e desenvolvimento de protocolo assistencial . Rev Bras Ter Intensiva. 22. 2; 196-205, 2010
  3. 2015 International Consensus on Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care Science With Treatment Recommendations Circulation. 2015; 132:
    S2-S39 / Resuscitation 95 (2015) e1-e31
  4. CEPETI

Trauma Facial e seus tipos

O trauma facial é qualquer lesão que afeta a face, podendo envolver a pele, músculos, ossos, nervos e até mesmo os dentes. Ele pode variar desde um simples arranhão até fraturas complexas que afetam múltiplas estruturas.

As causas mais comuns de trauma facial incluem:

  • Acidentes de trânsito: Colisões veiculares são uma das principais causas de traumas faciais.
  • Quedas: Principalmente em crianças e idosos.
  • Agressões físicas: Brigas, acidentes de trabalho e esportes de contato podem causar traumas faciais.
  • Acidentes domésticos: Quedas, objetos pontiagudos e queimaduras podem lesionar a face.

Os Tipos de Trauma Facial

Por tipo de trauma

  • Trauma contuso: Causado por um impacto direto, como um soco, um acidente de carro ou uma queda. Pode resultar em hematomas, contusões, fraturas e lacerações.
  • Trauma penetrante: Causado por um objeto que penetra a pele, como uma faca, um pedaço de vidro ou um projétil de arma de fogo. Pode resultar em lacerações profundas, fraturas, danos aos tecidos moles e órgãos internos.
  • Trauma crânio-encefálico (TCE): Envolve danos ao crânio e ao cérebro. Pode ser classificado em leve, moderado ou grave, dependendo da severidade dos sintomas.
  • Trauma térmico: Causado por queimaduras ou exposição a temperaturas extremas. Pode resultar em danos à pele, tecidos moles e ossos.

Por região afetada

  • Trauma orbitário: Envolve o olho e a órbita. Pode resultar em hematoma periorbital (olho roxo), fraturas orbitais, perda da visão e outros problemas oculares.
  • Trauma maxilofacial: Envolve a maxila, mandíbula, dentes e outros ossos da face. Pode resultar em fraturas, perda de dentes, deformidades faciais e problemas de mastigação.
  • Trauma nasal: Envolve o nariz. Pode resultar em fraturas nasais, hematomas, deformidades nasais e problemas respiratórios.
  • Trauma do ouvido: Envolve o ouvido externo, médio e interno. Pode resultar em perda de audição, zumbido, desequilíbrio e outras complicações.
  • Trauma da pele: Envolve a pele da face. Pode resultar em cortes, lacerações, abrasões, hematomas e queimaduras.

Por gravidade

  • Trauma leve: Envolve lesões superficiais e sem complicações graves.
  • Trauma moderado: Envolve lesões mais graves, mas sem risco de vida.
  • Trauma grave: Envolve lesões que colocam a vida em risco, como fraturas múltiplas, danos aos tecidos moles, perda de sangue e comprometimento de órgãos vitais.

Consequências do Trauma Facial

As consequências do trauma facial variam de acordo com a gravidade da lesão e podem incluir:

  • Dor: A dor é um sintoma comum após um trauma facial.
  • Inchaço: O inchaço é uma resposta inflamatória normal do corpo à lesão.
  • Hemorragia: Sangramento nasal ou oral pode ocorrer.
  • Deformidades: As fraturas podem causar deformidades faciais.
  • Problemas de visão: As fraturas orbitais podem afetar a visão.
  • Dificuldade para respirar: As fraturas nasais e maxilares podem obstruir as vias aéreas.
  • Alterações na fala: As fraturas de mandíbula podem afetar a fala.
  • Infecções: As feridas abertas estão sujeitas à infecção.

Tratamento

O tratamento do trauma facial depende do tipo e da gravidade da lesão e pode incluir:

  • Limpeza e sutura da ferida: Para lacerações e avulsões.
  • Redução e fixação de fraturas: Utilizando técnicas cirúrgicas.
  • Antibióticos: Para prevenir infecções.
  • Analgésicos: Para controlar a dor.
  • Cirurgia reconstrutiva: Para corrigir deformidades e restaurar a função.

Cuidados de Enfermagem

Avaliação Inicial

  • Via aérea: Avaliar a permeabilidade das vias aéreas, buscando sinais de obstrução, como dificuldade para respirar, ruídos respiratórios anormais ou cianose.
  • Respiração: Observar a frequência respiratória, o padrão respiratório e a saturação de oxigênio.
  • Circulação: Verificar os sinais vitais (pressão arterial, frequência cardíaca), presença de sangramento ativo e perfusão periférica.
  • Neurologia: Avaliar o nível de consciência, pupilas, força muscular e sensibilidade facial.
  • Lesões: Inspecionar cuidadosamente a face, identificando lacerações, fraturas, hematomas e outras lesões.

Cuidados Diretos

  • Controle do sangramento: Aplicar compressas frias e realizar pressão direta sobre o local do sangramento, se necessário.
  • Limpeza e curativos: Limpar as feridas com soluções antissépticas e aplicar curativos estéreis.
  • Monitorização: Monitorar os sinais vitais, o nível de dor e a presença de complicações, como infecção ou edema.
  • Administração de medicamentos: Administrar analgésicos, antibióticos e outros medicamentos conforme prescrição médica.
  • Orientação: Orientar o paciente sobre os cuidados pós-operatórios e a importância de seguir as recomendações médicas.

Cuidados Pós-Operatórios

  • Controle da dor: Administrar analgésicos conforme prescrição médica e utilizar técnicas não farmacológicas para aliviar a dor, como compressas frias e massagem.
  • Monitorização da ferida: Observar a ferida cirúrgica quanto a sinais de infecção, como vermelhidão, inchaço, calor e secreção purulenta.
  • Higiene oral: Orientar o paciente sobre a importância da higiene oral adequada para prevenir infecções.
  • Dieta: Recomendar uma dieta líquida ou pastosa nos primeiros dias após a cirurgia e, gradualmente, introduzir alimentos mais sólidos conforme a tolerância do paciente.
  • Repouso: Encorajar o repouso e evitar atividades físicas intensas.

Complicações Potenciais e Monitoramento

  • Infecção: Monitorar sinais de infecção, como febre, vermelhidão, inchaço e drenagem purulenta.
  • Hematoma: Observar o aparecimento de hematomas e comunicar ao médico caso haja aumento significativo.
  • Deiscência da ferida: Verificar se há abertura da ferida cirúrgica.
  • Alterações sensoriais: Avaliar a presença de alterações na sensibilidade facial.
  • Dificuldade respiratória: Monitorar a frequência respiratória e a saturação de oxigênio, especialmente em casos de fraturas nasais ou maxilares.

Papel da Enfermagem

O enfermeiro desempenha um papel fundamental na assistência ao paciente com trauma facial. Além dos cuidados diretos, o enfermeiro também deve:

  • Estabelecer um bom relacionamento com o paciente e a família.
  • Oferecer suporte emocional.
  • Promover a autonomia do paciente.
  • Educar o paciente e a família sobre a importância do tratamento e dos cuidados pós-operatórios.
  • Comunicar-se de forma clara e objetiva com a equipe multidisciplinar.

Referências:

  1. UnaSUS
  2. Medway
  3. Silva, J. J. de L., Lima, A. A. A. S., Melo, I. F. S., Maia, R. C. L., & Pinheiro Filho, T. R. de C.. (2011). Trauma facial: análise de 194 casos. Revista Brasileira De Cirurgia Plástica, 26(1), 37–41. https://doi.org/10.1590/S1983-51752011000100009

Carrinho de Emergência Pediátrico

Um carrinho de emergência pediátrico é especialmente equipado para atender às necessidades únicas de crianças e adolescentes em situações de emergência. Ele contém uma variedade de materiais e medicamentos que permitem ao profissional de saúde estabilizar o paciente e iniciar o tratamento de forma rápida e eficiente.

O que deve conter?

A composição exata de um carrinho de emergência pediátrico pode variar entre instituições, mas geralmente inclui os seguintes itens:

Medicamentos e diluentes   Quantidade 
Adenosina 6mg/2ml 03 ampolas
Água destilada 10ml 10 ampolas
Amiodarona, cloridrato 150mg/3mL 02 ampolas
Atropina, sulfato 0,25mg/1mL 05 ampolas
Bicabornato de Sódio 8,4% 250mL 04 frascos
Dexametasona, fosfato 4mg/ml 02 ampolas
Diazepan 10mg/2mL 04 ampolas
Dobutamina, cloridrato 250mg/20mL 02 ampolas
Dopamina, cloridrato 50mg/10mL 02 ampolas
Epinefrina 1mg/mL (Adrenalina) 10 ampolas
Fenitoína sódica 5% 250mg/5mL 02 ampolas
Fenobarbital sódico 200mg/2ml 02 ampolas
Fentanila, citrato 0,05mg/mL 20mL 04 frascos
Furosemida 20mg/2ml 03 ampolas
Flumazenil 0,5mg/5mL 02 ampolas
Glicose Hipertônica 25% 10mL 05 ampolas
Glicose Hipertônica 50% 10mL 05 ampolas
Gluconato de Cálcio 10% 0,5mEq/mL 10mL 02 ampolas
Hidrocortisona, succinato 100mg 02 frascos
Hidrocortisona, succinato 500mg 02 frascos
Lidocaína, cloridrato 2% sem vaso 20mg/mL 20mL 01 frasco
Lidocaína, cloridrato 2% sem vaso 20mg/mL 5mL 02 ampolas
Metilpredinisolona, succinato Sódico 125mg 02 frascos
Metilpredinisolona, succinato Sódico 500mg 01 frasco
Midazolan, cloridrato 15mg/3mL 03 ampolas
Naloxona, cloridrato 0,4mg/mL 02 ampolas
Nitroprusseto de sódio 25mg/2mL 01 ampola
Norepinefrina, hemitartarato 8mg/4mL (Noradrenalina) 02 ampolas
Prometazina, cloridrato 50mg/2mL 02 ampolas
Soro Fisiológico 0,9% 10 ml 10 frascos
Succinilcolina, cloridrato 500mg 01 frasco
Tiopental sódico 1000mg 01 frasco
          
Circulação Quantidade 
Cateter intravenoso periférico flexível (abocath®) n° 24 / 22 04 unidades cada
Cateter intravenoso periférico flexível (abocath®) n° 20 /18 / 16 / 14 02 unidades cada
Cateter intravenoso periférico rígido (Scalp) n° 19 / 21 / 25 / 27 02 unidades cada
Agulha hipodérmica descartável 13X4,5 02 unidades
Agulha hipodérmica descartável 25×7 03 unidades
Agulha hipodérmica descartável 25×8 03 unidades
Agulha hipodérmica descartável 40×12 ou 30×10 03 unidades
Equipo Macrogotas 02 unidades
Equipo Parenteral 02 unidades
Equipo Fotossensível 02 unidades
Multivias ou Torneira de 3 vias (three ways) 03 unidades
Seringa 3 mL / 5 mL / 10 mL / 20 mL / 60 mL 02 unidades cada
Eletrodo descartável infantil 01 pacote
Gel condutor 01 unidade
Vias Aéreas Quantidade
Luva estéril 6,0/ 6,5 / 7,0 / 7,5 / 8,0 / 8,5 01 par cada
Cânula Endotraqueal nº 4,0 / 4,5 sem cuff 03 unidades cada
Cânula Endotraqueal nº 5,0 / 5,5 / 6,0 / 6,5 / 7,0 com cuff 03 unidades cada
Cateter de aspiração nº 8 / 10 / 12 01 unidade cada
Guia pequeno para cânula traqueal 01 unidades
Guia grande para cânula traqueal 01 unidades
Cânula orofaríngea (Guedel)  nº 1 / 2 / 3 / 4 01 unidade cada
Máscara de reanimação nº 01 / 02 / 03 01 unidade cada
Reanimador manual (AMBU) 500 mL e 1000 mL 01 unidade cada
Cateter Oxigênio Tipo Óculos 01 unidade
Umidificador 01 unidade
Máscara de nebulização contínua 01 unidade
Materiais Complementares Quantidade 
Cateter uretral Levine  nº 8 / 10 / 12 / 14 01 unidade cada
Cateter vesical de demora nº/ 8 / 10 / 12 / 14 01 unidade cada
Coletor de urina sistema fechado 02 unidades
Coletor de urina sistema aberto 02 unidades
Cateter gástrico nº 8 / 10 / 12 / 14 / 16 01 unidade cada
Borracha de silicone 03 unidades
Soluções Quantidade 
Soro fisiológico 0,9% 250 mL 01 frasco
Soro fisiológico 0,9% 500 mL 01 frasco
Soro glicosado 10% 500 mL 01 frasco
Soro glicosado 5% 250 mL 01 frasco
Água destilada 500 mL 01 frasco
Bicarbonato de sódio 250 mL 01 frasco
Solução Ringer Lactato 500 mL 01 frasco

 

É importante ressaltar que o conteúdo do carrinho de emergência pediátrico deve ser verificado regularmente para garantir que todos os materiais estejam disponíveis, em condições adequadas de uso e com validade dentro do prazo.

Referências:

  1. EBSERH
  2. Cmos DRAKE

Tórax Instável

O tórax instável é uma condição grave que ocorre quando há múltiplas fraturas em pelo menos três arcos costais adjacentes, resultando na separação de um segmento da parede torácica do restante da caixa torácica.

Essa condição é um marcador de lesão pulmonar subjacente e pode ser observada clinicamente pelo movimento paradoxal do segmento instável durante a respiração.

Diagnóstico do Tórax Instável

O diagnóstico do tórax instável é clínico. Idealmente, observamos o movimento paradoxal do segmento instável durante a respiração.

No entanto, em alguns casos, a dor ou outras lesões podem dificultar a visualização desse movimento. A radiografia de tórax pode ajudar a confirmar as fraturas ósseas e geralmente mostra contusão pulmonar subjacente. Vale ressaltar que a radiografia não exibe ruptura de cartilagem.

Cuidados de Enfermagem para o Tórax Instável

  1. Cuidados de Suporte:
    • Administração de oxigênio umidificado aos pacientes com tórax instável.
    • Analgésicos podem melhorar a ventilação, reduzindo a dor durante a respiração. Em alguns casos, a ventilação pode precisar de suporte mecânico.
    • Monitoramento cuidadoso da volemia, pois a lesão pode resultar tanto de hipovolemia (por hipoperfusão pulmonar) quanto de hipervolemia (por edema pulmonar).
  2. Reparo Cirúrgico:
    • Em pacientes selecionados com tórax instável, a fixação cirúrgica dos arcos costais pode ser considerada. Isso reduz o risco de pneumonia, o tempo de internação, a duração da ventilação mecânica e a mortalidade.
  3. Fisioterapia Respiratória:
    • A fisioterapia é crucial para evitar complicações respiratórias. Ela ajuda a manter a expansão pulmonar, melhorando a ventilação e prevenindo complicações como atelectasia e pneumonia.
  4. Monitoramento Hidroeletrolítico:
    • É importante ter cuidado com a reposição hidroeletrolítica dos pacientes para evitar congestão e piora da troca respiratória.

Em resumo, o tratamento do tórax instável envolve uma abordagem multidisciplinar, com foco na estabilização, alívio da dor, suporte respiratório adequado e monitoramento rigoroso. A enfermagem desempenha um papel fundamental na avaliação contínua e na implementação desses cuidados para garantir o melhor resultado possível para o paciente.

Referências:

  1. MSD Manuals
  2. Medway
  3. ABCMED, 2017. Tórax instável – conceito, causas, características clínicas, diagnóstico, tratamento e possíveis complicações.

Diferenças entre: Cardioversão Elétrica VS Farmacológica

A cardioversão é um procedimento utilizado para restaurar o ritmo cardíaco normal em pacientes com arritmias.

Existem duas principais formas de cardioversão:

Cardioversão Elétrica:

    • Nesse método, descargas elétricas (choques) são aplicadas ao paciente por meio de eletrodos colocados no tórax.
    • É preferida em casos graves, como fibrilação ventricular, que ocorre durante uma parada cardíaca.
    • A cardioversão elétrica é rápida e eficaz na interrupção de arritmias potencialmente fatais.

Cardioversão Farmacológica:

    • Envolve a administração de medicamentos antiarrítmicos específicos.
    • É mais adequada para arritmias bem toleradas ou quando o paciente está em boas condições físicas.
    • A eficácia depende do tipo de arritmia e do momento de início do tratamento.

A cardioversão elétrica é mais indicada para emergências graves, enquanto a cardioversão farmacológica é uma opção quando a arritmia é menos crítica.

Porém ambas visam restabelecer o ritmo sinusal e melhorar a função cardíaca.

Referências:

  1. CTSEM – Cardioversão elétrica: saiba diferenciá-la da desfibrilação
  2. Cardioversão elétrica: o que é, quando salva uma vida (emergency-live.com)