Placas de Identificação Beira Leito: Segurança do paciente

As placas de identificação beira leito são uma parte essencial dos protocolos de segurança em unidades de saúde.

Elas desempenham um papel fundamental na correta identificação dos pacientes, prevenindo erros que possam causar danos.

Importância das Placas de Identificação Beira-Leito

    • Meta Internacional de Segurança do Paciente: A identificação correta é a primeira meta da Organização Mundial de Saúde (OMS) para a segurança do paciente. Ela deve ser realizada em todas as unidades de saúde.
    • Redução de Riscos: A identificação adequada evita erros, como administração de medicamentos errados ou procedimentos incorretos.
    • Uniformidade: As instituições de saúde devem adotar métodos uniformes para identificar os pacientes.

Indicadores Utilizados

    • Pulseira de Identificação: Os pacientes devem usar uma pulseira branca padronizada com no mínimo três indicadores: nome completo, data de nascimento e número do registro (prontuário).
    • Placa Beira Leito: Além da pulseira, é recomendado o uso de uma placa de identificação beira leito.

Cuidados de Enfermagem

    • Conferência Obrigatória: Antes de qualquer cuidado, os profissionais de saúde devem conferir os dados na pulseira e na placa de identificação.
    • Atualização Diária: As informações nas pulseiras e placas devem ser mantidas atualizadas.
    • Participação do Paciente/Familiar: O paciente ou familiar deve conferir as informações antes da instalação da pulseira.
    • Identificação em Macas: Para pacientes internados em macas, a placa beira leito deve ser fixada à maca.

 

Referências:

  1. PR.QAS_.001-00-Identificação-Segura.pdf (ints.org.br)
  2. 480277b0-267e-c03e-f304-5767c547a775 (saude.df.gov.br)
  3. Escola de Saúde

Rolhas e Tampões na Ventilação Invasiva

As rolhas de secreções são tampões endurecidos que impedem ou dificultam a passagem do ar pelo tubo durante a respiração pela ventilação invasiva. Essa é uma das complicações mais comuns em pacientes sob uso de ventilação invasiva (tubo endotraqueal ou traqueostomia).

A umidificação inadequada e balanço hídrico negativo podem propiciar o aparecimento destes tampões.

A importância da higiene brônquica nos pacientes intubados previne o risco de acúmulo de exsudato na luz do tubo mantendo sua funcionalidade que é a oxigenação.

Cuidados

  1. Aspiração das secreções: Realize a aspiração regular das secreções acumuladas na traqueostomia ou no tubo endotraqueal. Isso ajuda a evitar a formação de rolhas de secreção que possam obstruir a passagem do ar.
  2. Umidificação adequada: O uso de umidificação auxilia por diminuir a formação de secreção e evitar a formação de rolhas que podem obstruir a cânula, embora a rolha seja produto da desidratação do paciente.
  3. Higiene regular da pele ao redor do estoma traqueal: Mantenha a área limpa para prevenir infecções e complicações.
  4. Prevenção de complicações: Além da aspiração, esteja atento à possibilidade de decanulação acidental (retirada da cânula) e obstrução por rolha de secreção. A rolha de secreção ocorre quando as secreções acumuladas formam uma espécie de “rolha” que bloqueia parcial ou totalmente a passagem de ar.

Referências:

  1. manual-traqueostomia.pdf (accamargo.org.br)
  2. PEBMED
  3. Ministério da Saúde

Tipos de Choque

O choque é um estado grave que afeta a circulação sanguínea e o fornecimento de oxigênio aos órgãos, podendo colocar a vida em risco.

Nos casos de choque, ocorre uma redução dos níveis de oxigênio circulando na corrente sanguínea, atrapalhando seu fornecimento para órgãos e sistemas, causando danos variados e risco à vida.

Os Tipos de Choque

Choque Séptico

    • Causa: Complicação da sepse (infecção generalizada) quando a infecção atinge o sangue, levando ao mau funcionamento de órgãos como coração e rins.
    • Sintomas: Febre, convulsões, coração acelerado, falta de ar e sonolência.
    • Tratamento: Antibióticos, vasopressores e soro intravenoso.
    • Cuidados de Enfermagem:
      • Monitorar sinais vitais e função cardíaca.
      • Administrar medicamentos conforme prescrição.
      • Avaliar resposta ao tratamento.

Choque Anafilático

    • Causa: Reação alérgica grave a substâncias como alimentos ou medicamentos.
    • Sintomas: Inchaço do rosto, dificuldade para respirar, aumento dos batimentos cardíacos e desmaio.
    • Tratamento: Adrenalina, anti-histamínicos, corticoides e soro intravenoso.
    • Cuidados de Enfermagem:
      • Monitorar vias aéreas e respiração.
      • Administrar adrenalina conforme protocolo.
      • Preparar para intubação se necessário.

Choque Hipovolêmico

    • Causa: Falta de sangue para levar oxigênio aos órgãos vitais, como coração e cérebro.
    • Subgrupos:
      • Hemorrágico: Perda de sangue devido a trauma, cirurgia ou úlcera.
      • Não Hemorrágico: Perda de fluidos (vômitos, diarreia, queimaduras).
    • Sintomas: Taquicardia, taquipneia, hipotensão, alteração do estado mental e oligúria.
    • Tratamento: Reposição de volume com soro intravenoso.
    • Cuidados de Enfermagem:
      • Avaliar sinais de hemorragia.
      • Monitorar balanço hídrico.
      • Manter acesso venoso permeável.

Choque Cardiogênico

    • Causa: Disfunção do coração, resultando em baixo débito cardíaco.
    • Sintomas: Insuficiência cardíaca, hipotensão e dificuldade respiratória.
    • Tratamento: Medicamentos para melhorar a função cardíaca e suporte circulatório.
    • Cuidados de Enfermagem:
      • Monitorar ECG e sinais de insuficiência cardíaca.
      • Administrar medicamentos conforme prescrição.
      • Avaliar necessidade de suporte mecânico.

Choque Distributivo

    • Causa: Vasodilatação excessiva, levando à queda da resistência vascular sistêmica.
    • Subgrupos:
      • Choque Séptico: Como mencionado anteriormente.
      • Choque Neurogênico: Disfunção do sistema nervoso.
      • Choque Anafilático: Como mencionado anteriormente.
    • Sintomas: Hipotensão, taquicardia e alterações na perfusão.
    • Tratamento: Tratar a causa subjacente e suporte hemodinâmico.
    • Cuidados de Enfermagem:
      • Monitorar sinais vitais e perfusão periférica.
      • Administrar medicamentos conforme necessidade.
      • Avaliar resposta ao tratamento.

Choque Obstrutivo

    • Causa: Obstrutivo ocorre quando há redução do débito cardíaco secundário devido a um inadequado preenchimento ventricular.
    • Subgrupos:
      • Tamponamento Pericárdico:
      • Acúmulo de sangue no pericárdio, prejudicando o enchimento cardíaco.
      • Cuidados de Enfermagem:
        • Monitorar sinais de tamponamento cardíaco, como hipotensão e distensão jugular.
        • Preparar para drenagem pericárdica se necessário.
    • Embolia Pulmonar Maciça:
      • Bloqueio de uma ou mais artérias dos pulmões por gordura, ar ou coágulos.
      • Cuidados de Enfermagem:
        • Monitorar sinais de insuficiência respiratória aguda.
        • Administrar oxigênio conforme prescrição.
        • Avaliar necessidade de anticoagulantes.
    • Pneumotórax:
      • Presença de ar entre as camadas da pleura, resultando em colapso dos pulmões.
      • Cuidados de Enfermagem:
        • Avaliar dor torácica e dificuldade respiratória.
        • Preparar para drenagem pleural se necessário.
    • Tumores Obstrutivos Intratorácicos:
      • Causam obstrução venosa direta.
      • Cuidados de Enfermagem:
        • Monitorar sinais de obstrução vascular.
        • Avaliar necessidade de intervenção cirúrgica.
    • Hipertensão Pulmonar Aguda e Dissecção da Aorta:
      • Comprometimento da contração sistólica.
      • Cuidados de Enfermagem:
        • Monitorar sinais de insuficiência cardíaca e hipertensão.
        • Preparar para tratamento específico da causa subjacente.

Referências:

  1. CONDUTAS EMERGENCIAIS DE ENFERMAGEM AO PACIENTE EM CHOQUE – SECAD (artmed.com.br)
  2. Medicina de Emergência: Choque: o que é, tipos e sinais e sintomas
  3. Choque – Medicina de cuidados críticos – Manuais MSD edição para profissionais (msdmanuals.com)

Manobra de Valsalva Modificada

A manobra de Valsalva modificada é uma técnica que visa melhorar a eficácia da manobra de Valsalva convencional na reversão de taquicardias supraventriculares (TSV).

Manobra de Valsalva Clássica

Antes de mergulharmos na versão modificada, vamos recapitular a manobra de Valsalva clássica:

  1. O paciente assume uma posição semi-reclinada.
  2. Ele deve produzir uma pressão de 40 mmHg por 15 segundos.
  3. Isso é feito soprando uma pequena mangueira ligada ao esfigmomanômetro.
  4. A pressão intra-abdominal aumenta, desencadeando o reflexo vagal.

Manobra de Valsalva Modificada

A manobra de Valsalva modificada foi proposta por um grupo inglês e demonstrou maior sucesso na reversão das TSV em comparação com a manobra clássica. Aqui está como ela funciona:

  1. O paciente também está em posição semi-reclinada.
  2. Ele produz a mesma pressão de 40 mmHg por 15 segundos, como na versão clássica.
  3. No entanto, em vez de soprar uma mangueira, o paciente pode usar uma seringa de 10 ml.
  4. Após os 15 segundos, o paciente é rapidamente colocado em posição supina com as pernas elevadas.
  5. Após este período, reposiciona-se o paciente a 45º e checa-se o ritmo.

Benefícios da Manobra Modificada

  • Taxa de sucesso: A manobra modificada reverteu as TSV em até 43% dos casos, em comparação com 17% na manobra clássica.
  • Segurança: Não há complicações associadas à manobra modificada.
  • Custo: Não requer custos adicionais.

Referências:

  1. Cardiopapers
  2. Pebmed

Cuidados de Enfermagem ao RN Prematuro

O recém-nascido prematuro é aquele bebê que nasceu antes de 37 semanas de gravidez. Devido ao nascimento precoce, seus órgãos podem estar subdesenvolvidos e não prontos para funcionar fora do útero.

Os Cuidados pré-natais realizados desde o início da gestação podem ajudar a reduzir o risco de parto prematuro.

Pontos Importantes

  1. Desenvolvimento dos órgãos: Como muitos órgãos estão subdesenvolvidos, o bebê prematuro pode enfrentar dificuldades para respirar e se alimentar. Além disso, ele é mais suscetível a hemorragias cerebrais, infecções e outros problemas.
  2. Classificação por idade gestacional:
    • Prematuro extremo: Nasceu antes da 28ª semana de gestação.
    • Muito prematuro: Nasceu entre a 28ª e a 32ª semana de gestação.
    • Moderadamente prematuro: Nasceu entre a 32ª e a 34ª semana de gestação.
    • Prematuro tardio: Nasceu entre a 34ª e a 37ª semana de gestação.
  3. Prevenção e tratamento:
    • Pré-natal: Cuidados pré-natais desde o início da gestação podem ajudar a evitar o parto prematuro.
    • Medicamentos: Em casos de expectativa de parto prematuro significativo, a mãe pode receber medicamentos para retardar ou interromper as contrações.
    • Corticosteroides: Quando necessário, o médico pode administrar injeções de corticosteroides na mãe para acelerar o desenvolvimento dos pulmões do feto e prevenir sangramento cerebral.
  4. Perspectiva:
    • Alguns recém-nascidos prematuros podem enfrentar problemas permanentes, mas a maioria dos sobreviventes não apresenta problemas de longo prazo.
    • A conscientização sobre a importância dos cuidados com o recém-nascido prematuro é fundamental para garantir seu bem-estar e desenvolvimento saudável.

Os Cuidados de Enfermagem

O nascimento prematuro requer cuidados específicos da equipe de enfermagem para garantir o bem-estar e o desenvolvimento adequado do recém-nascido:
  1. Monitoramento Contínuo:
    • Avalie constantemente os sinais vitais do bebê, incluindo frequência cardíaca, respiração, temperatura corporal e pressão arterial.
    • Registre qualquer alteração nos sinais vitais ou comportamento do recém-nascido.
  2. Controle do Ambiente:
    • Mantenha uma temperatura estável e adequada na incubadora ou na unidade de cuidados intensivos neonatais (UCIN).
    • Reduza o ruído e a luminosidade para promover o descanso do bebê.
  3. Alimentação Adequada:
    • Alimente o bebê com mamadeira ou por sonda nasogástrica, conforme necessário.
    • Monitore o ganho de peso e a tolerância alimentar.
  4. Cuidados com a Pele:
    • A pele do recém-nascido prematuro é delicada. Mantenha-a limpa e seca, evitando produtos irritantes.
    • Verifique a presença de lesões cutâneas e trate adequadamente.
  5. Prevenção de Infecções:
    • Recém-nascidos prematuros são mais suscetíveis a infecções. Siga rigorosamente as medidas de precaução padrão.
    • Esterilize adequadamente todos os equipamentos utilizados no cuidado do bebê.
  6. Estimulação Adequada:
    • Forneça estímulos sensoriais adequados, como contato pele a pele e suporte emocional.
    • Respeite o limite de tolerância do bebê.

Referências:

  1. MSD Manuals
  2. Cartilha de Cuidados do RN Prematuro

Atropina: Não utilizado mais em PCR!

A atropina é um medicamento com diversas finalidades, que age bloqueando os receptores muscarínicos da acetilcolina e relaxando os músculos lisos dos órgãos internos. Vamos explorar mais sobre esse composto essencial:

O seu uso

A atropina é um remédio de uso injetável indicado para várias condições médicas:

  1. Intoxicação por inseticidas organofosforados ou carbamatos: A atropina atua como antídoto nesses casos, revertendo os efeitos tóxicos dessas substâncias.
  2. Arritmias cardíacas: Especialmente a bradicardia sinusal, a atropina é utilizada para aumentar a frequência cardíaca.
  3. Úlcera péptica: A atropina tem ação antiarrítmica e antiespasmódica, auxiliando no tratamento dessa condição.
  4. Cólica renal ou biliar: A atropina pode aliviar espasmos dolorosos nessas situações.
  5. Diminuição da produção de saliva e muco do trato respiratório durante a anestesia e intubação: É usada para preparar o paciente para procedimentos.
  6. Doença de Parkinson: Embora menos comum, a atropina pode ser empregada em alguns casos.
  7. Preparo para radiografias gastrointestinais: Ajuda a relaxar os músculos do trato gastrointestinal.

Descontinuação no Suporte Avançado de Vida na PCR

Recentemente, as diretrizes de suporte avançado de vida durante a parada cardiorrespiratória (PCR) passaram por mudanças significativas em relação ao uso da atropina. Eis o que mudou:

  • Uso rotineiro descontinuado: Anteriormente, a atropina era frequentemente administrada para tratar ritmos cardíacos lentos durante a PCR. No entanto, as novas diretrizes não recomendam mais seu uso rotineiro nesses casos.
  • Estudos e evidências: Pesquisas mostraram que a atropina não oferece benefícios terapêuticos significativos em ritmos elétricos sem pulso (como assistolia) ou bradicardia grave. Portanto, seu uso foi descontinuado em situações de PCR.

O que estão fazendo agora?

  • Priorizando a RCP de alta qualidade: A ressuscitação cardiopulmonar continua sendo a base do tratamento durante a PCR.
  • Evitando a Atropina: Em ritmos elétricos sem pulso ou bradicardia, considerando outras opções terapêuticas.
Referência:
  1. Gonzalez M, Timerman S, Gianotto-Oliveira R, Polastri T, Canesin M, Schimidt A, et al.. I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Arq Bras Cardiol [Internet]. 2013Aug;101(2):1–221. Available from: https://doi.org/10.5935/abc.2013S006

Cuidados Essenciais Pós-PCR: Tratamento Imediato

A PCR é uma situação de emergência que requer uma rápida intervenção para restabelecer a circulação espontânea (RCE) e prevenir a morte ou sequelas graves.

Após o RCE, o paciente deve receber cuidados intensivos para identificar e tratar a causa da PCR, otimizar a função cardiopulmonar e neurológica, e minimizar as lesões de múltiplos órgãos causadas pela isquemia e reperfusão.

Tratamento Imediato: Os Cuidados Pós-PCR

  • Controle da temperatura: a hipotermia terapêutica (HT) consiste em reduzir a temperatura corporal entre 32°C e 36°C por 24 horas, com o objetivo de diminuir o metabolismo cerebral e proteger contra a lesão neuronal. A HT é indicada para pacientes comatosos após PCR de causa cardíaca, e pode ser considerada para outras causas de PCR. A HT deve ser iniciada o mais rápido possível após o RCE, e requer monitorização contínua da temperatura, da glicemia, do equilíbrio hidroeletrolítico e do ritmo cardíaco. Após a HT, a temperatura deve ser reaquecida lentamente até 37°C, e mantida nesse nível por 48 horas.
  • Otimização da ventilação e oxigenação: o paciente deve ter uma via aérea segura e uma ventilação adequada, evitando tanto a hipoxemia quanto a hiperóxia, que podem ser prejudiciais ao cérebro e ao coração. A meta é manter uma saturação de oxigênio (SatO2) maior ou igual a 94%, e uma pressão parcial de dióxido de carbono (PaCO2) entre 35 e 45 mmHg. A gasometria arterial deve ser realizada para ajustar a fração inspirada de oxigênio (FiO2) e a ventilação mecânica. A capnografia pode ser usada para verificar o posicionamento do tubo endotraqueal e a perfusão pulmonar.
  • Otimização hemodinâmica e da perfusão tecidual: o paciente deve receber suporte circulatório para garantir uma pressão arterial média (PAM) adequada, que varia de acordo com a causa da PCR e o estado clínico do paciente. A PAM deve ser monitorada de forma invasiva, e a pressão venosa central (PVC) pode ser usada para avaliar o estado volêmico. O paciente deve receber expansão volêmica, drogas vasoativas e inotrópicas conforme a necessidade. A meta é manter um débito cardíaco e um índice cardíaco suficientes para suprir a demanda de oxigênio dos tecidos. A lactacidemia pode ser usada como um marcador de hipoperfusão e hipóxia tecidual.
  • Avaliação e manejo neurológico: o paciente deve ser examinado quanto ao nível de consciência, aos reflexos pupilares, à atividade motora e à resposta à dor. As escalas de Glasgow e de Four podem ser usadas para avaliar o grau de comprometimento neurológico. O paciente deve receber sedação e analgesia adequadas, e evitar estímulos nocivos que possam aumentar a pressão intracraniana. A tomografia computadorizada de crânio pode ser realizada para descartar causas neurológicas de PCR, como hemorragia ou isquemia cerebral. O eletroencefalograma pode ser usado para detectar convulsões ou atividade elétrica cerebral. Outros exames, como potenciais evocados somatossensitivos ou testes de biomarcadores, podem auxiliar no prognóstico neurológico.
  • Investigação e tratamento da causa da PCR: o paciente deve ser submetido a um eletrocardiograma (ECG) e a dosagem de enzimas cardíacas para avaliar a presença de síndrome coronariana aguda (SCA), que é a causa mais comum de PCR. Se houver suspeita de SCA, o paciente deve ser encaminhado para uma angiografia coronariana e uma possível intervenção percutânea. Outras causas de PCR devem ser investigadas e tratadas conforme o quadro clínico e os exames complementares, como radiografia de tórax, ecocardiograma, ultrassonografia abdominal, entre outros.

O tratamento imediato pós PCR é fundamental para melhorar a sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes que sofrem uma PCR.

O enfermeiro tem um papel importante nesse cuidado, pois deve monitorar os sinais vitais, administrar as medicações, realizar os exames, comunicar-se com a equipe multidisciplinar e prestar assistência humanizada ao paciente e à família.

Referências:

  1. Escola de Educação Permanente Fmusp
  2. Revista FT
  3. MedicinaNET
  4. Secad Artmed
  5. Revista da SOCESP

Time de Resposta Rápida (TRR)

Um Time de Resposta Rápida é constituído por um grupo interdisciplinar especializado em lidar com casos clínicos urgentes. Geralmente formada por médicos e enfermeiros, essa equipe é responsável por avaliar, tratar e agir em casos de parada cardíaca ou deterioração clínica aguda dos pacientes, que podem ser:

  • Mudanças nos sinais vitais, como pressão arterial, frequência cardíaca, frequência respiratória e temperatura;
  • Níveis de oxigênio insuficientes no sangue;
  • Alterações nos níveis de consciência, como sonolência, confusão ou agitação;
  • Dificuldade respiratória, como respiração rápida, superficial ou ofegante;
  • Dor aguda e intensa;
  • Sangramento ou hemorragia;
  • Hipoglicemia (baixo nível de açúcar no sangue) ou hiperglicemia (alto nível de açúcar no sangue);
  • Qualquer outra mudança súbita ou significativa no estado do paciente.

O Time de Resposta Rápida é treinado para reconhecer sinais precoces de deterioração, como mudanças nos sinais vitais, níveis de consciência ou sintomas respiratórios, e tomar medidas imediatas para estabilizar o paciente.

Entre as atitudes imediatas tomadas pelo time, encontram-se a administração de medicamentos, intervenções respiratórias ou a transferência do paciente para a UTI, caso necessário.

Objetivos

Os objetivos de um Time de Resposta Rápida incluem o aprimoramento da qualidade no atendimento médico, a promoção da redução de custos e um atendimento mais ágil para os pacientes que precisam de cuidados emergenciais:

  • Identificar precocemente pacientes em risco de deterioração clínica e intervir antes que a situação se agrave;
  • Reduzir a taxa de parada cardíaca em pacientes hospitalizados;
  • Reduzir a taxa de mortalidade hospitalar;
  • Melhorar a comunicação entre as equipes de saúde de distintos setores hospitalares.

Além disso, podemos incluir, entre os objetivos, o diagnóstico preciso em um menor espaço de tempo e a preservação da segurança física e bem-estar dos pacientes. São inúmeros os benefícios em contar com um TRR em seu hospital: além de melhorar os níveis da qualidade no atendimento em um hospital, o trabalho desse time aumenta a segurança dos pacientes, reduz os custos hospitalares e melhora a satisfação do paciente e dos profissionais de saúde.

A equipe

  1. Definir uma equipe, composta por profissionais de saúde treinados e experientes em cuidados críticos, como médicos e enfermeiros. Na equipe também pode-se incluir fisioterapeutas, farmacêuticos e outros profissionais de saúde, dependendo das necessidades do hospital;
  2. Estabelecer um protocolo com critérios de acionamento, papéis e responsabilidades da equipe, equipamentos e medicamentos necessários, entre outros aspectos;
  3. Treinamento de todos os membros da equipe de acordo com o protocolo estabelecido;
  4. Uma vez implementado é necessário monitorar e avaliar o desempenho regularmente.

A Tecnologia no TRR

A tecnologia está cada vez mais presente no dia a dia dos hospitais e instituições de saúde. Quando falamos de Times de Resposta Rápida, a tecnologia pode ser uma ferramenta essencial para ajudar as equipes a agir com rapidez e eficácia durante uma crise ou emergência:

  • Monitoramento remoto: a tecnologia pode ser usada para monitorar pacientes remotamente, permitindo que a equipe do TRR possa identificar rapidamente sinais de deterioração clínica aguda e agir antes que a situação se torne crítica. Por exemplo, sensores vestíveis podem ser usados para monitorar a frequência cardíaca, respiratória e outras funções vitais em tempo real;
  • Alertas automáticos: podem ser gerados em caso de deterioração clínica aguda;
  • Comunicação integrada: a comunicação entre a equipe do TRR e outros profissionais de saúde do hospital permite uma resposta mais rápida e eficaz em casos de emergência. Por exemplo, sistemas de mensagens instantâneas podem ser usados para enviar alertas e comunicações em tempo real;
  • Prontuários eletrônicos (PEPs): podem ser usados para acessar rapidamente informações sobre o histórico médico do paciente, incluindo alergias a medicamentos, histórico de doenças e medicamentos em uso. Isso pode ajudar a equipe do TRR a tomar decisões mais informadas e seguras em casos de emergência;
  • Telemedicina: pode ser usada para permitir que a equipe do TRR avalie rapidamente pacientes em diferentes partes do hospital ou até mesmo de outros locais remotamente, permitindo uma resposta ainda mais rápida em casos de emergência.

Como acionar o TRR?

O Time de Resposta Rápida pode ser acionado pelo Ramal padronizado por cada instituição que possui o TRR em qualquer caso de parada cardíaca, mesmo que suspeito. Após a ligação do profissional de saúde, o TRR chegará  rapidamente  ao local da ocorrência. Esse atendimento é chamado de Código Vermelho.

O TRR pode ser acionado também pelo Código Amarelo, que visa prevenir Códigos Vermelhos, via critérios disponibilizados pela equipe médica. O time oferece suporte à equipe responsável pelo paciente.

Referência:

  1. Ministério da Saúde e Educação

Hipervolemia Vs Hipovolemia: As diferenças

Hipervolemia e hipovolemia são condições médicas que se referem ao volume de sangue no corpo.

Entenda as diferenças

A hipervolemia, também chamada de sobrecarga de fluidos, ocorre quando há um acúmulo excessivo de plasma sanguíneo, que é a parte líquida do sangue.

Isso leva a um aumento do volume de sangue, que pode causar inchaço, aumento de peso, pressão alta e problemas cardíacos.

Pode ser causada por problemas renais, cardíacos ou hepáticos, uso excessivo de sal ou medicamentos que retêm líquidos.

A hipovolemia, por outro lado, é a diminuição do volume de sangue devido à perda de plasma sanguíneo.

Isso pode acontecer por hemorragias, vômitos, diarreias, queimaduras ou desidratação.

A hipovolemia pode levar a uma redução da oferta de oxigênio para os tecidos, causando choque hipovolêmico, que é uma emergência médica.

Os sintomas da hipovolemia incluem dor de cabeça, tontura, pele pálida e fria, confusão mental e desmaio.

As principais diferenças entre hipervolemia e hipovolemia são o volume de sangue no corpo, as causas e as consequências para a saúde.

Como é tratado?

O tratamento depende da causa e da gravidade da condição.

A hipervolemia pode ser tratada com diuréticos, restrição de sal e fluidos e tratamento da doença subjacente. A hipovolemia pode ser tratada com reposição de fluidos, transfusão de sangue e tratamento da causa da perda de sangue.

Referências:

  1. https://www.scielo.br/j/jbn/a/RFPchJJGFghT4BBQvhm4GqD/?format=pdf&lang=pt
  2. https://unasus2.moodle.ufsc.br/pluginfile.php/15745/mod_resource/content/5/un03/top04p03.html
  3. https://pt.wikipedia.org/wiki/Volemia

Anatomia de um Monitor Multiparâmetro

O monitor cardíaco ou multiparâmetro é um equipamento padrão usado em UTI e Centro Cirúrgico para monitoração contínua do ECG, detectando arritmias cardíacas.

Esse dispositivo mede e exibe a frequência cardíaca, a pressão arterial, o oxigênio no sangue e outros sinais vitais de um paciente.

Componentes

  • Um sensor que capta os sinais elétricos do coração do paciente, como um eletrocardiograma (ECG) ou um oxímetro de pulso.
  • Um processador que analisa os sinais e calcula os valores dos parâmetros vitais, como a frequência cardíaca, a pressão arterial sistólica e diastólica, a saturação de oxigênio e a variabilidade da frequência cardíaca.
  • Um display que mostra os valores dos parâmetros vitais em forma de números, gráficos ou curvas. O display pode ser integrado ao monitor ou conectado a um computador ou a uma rede sem fio.
  • Um alarme que alerta os profissionais de saúde quando os valores dos parâmetros vitais estão fora dos limites normais ou predefinidos. O alarme pode ser sonoro, visual ou vibratório.
  • Uma bateria ou uma fonte de energia que fornece eletricidade ao monitor e aos seus componentes.

De modo prático, em todos esses ambientes, o monitor cardíaco desempenha as seguintes funções:

  • Acompanhar a estabilidade cardíaca;
  • Alertar os profissionais sobre quaisquer variações cardíacas;
  • Avaliar a frequência respiratória;
  • Medir a pressão arterial com precisão e em tempo real;
  • Monitorar a saturação de oxigênio;
  • Alertar sobre níveis baixos de oxigênio.

QUAIS AS DIFERENÇAS ENTRE MONITOR CARDÍACO E MONITOR MULTIPARÂMETRO?

O monitor cardíaco hospitalar, como mencionado anteriormente, é projetado principalmente para monitorar os sinais vitais relacionados ao coração.

Ele se concentra na medição da frequência cardíaca, na análise do ritmo cardíaco e na detecção de qualquer anormalidade relacionada ao sistema cardiovascular do paciente.

As principais características do monitor cardíaco incluem:

  • Frequência Cardíaca: fornece uma leitura contínua da frequência cardíaca, permitindo a detecção precoce de arritmias cardíacas.
  • Eletrocardiograma (ECG): muitos monitores cardíacos também registram um ECG, que é um gráfico que mostra a atividade elétrica do coração.
  • Pressão Arterial: alguns modelos podem medir a pressão arterial, mas essa não é sua função principal.

Em contrapartida, o monitor multiparâmetro é um dispositivo mais abrangente.

Ele não se limita apenas ao monitoramento do coração, mas também acompanha vários outros sinais vitais e parâmetros clínicos. Isso o torna ideal para ambientes clínicos complexos, como unidades de terapia intensiva (UTIs).

As características distintivas do monitor multiparâmetro incluem:

  • Monitoramento Multifuncional: além da frequência cardíaca e do ECG, ele monitora pressão arterial, saturação de oxigênio e frequência respiratória.
  • Gráficos em tempo real: exibe essas informações em gráficos em tempo real, permitindo que os profissionais de saúde avaliem rapidamente o estado do paciente.
  • Alarmes configuráveis: pode ser configurado para acionar alarmes quando os valores dos parâmetros saem dos limites normais, o que é crucial para a segurança dos pacientes.

Dessa forma, a escolha entre um monitor cardíaco e um monitor multiparâmetro depende das necessidades específicas do ambiente clínico.

Em situações em que o foco está principalmente no coração, o monitor cardíaco é suficiente.

No entanto, em cenários mais complexos, nos quais vários sinais vitais devem ser monitorados simultaneamente, o monitor multiparâmetro é a melhor escolha.

PARÂMETROS BÁSICOS MONITORADOS

Os principais parâmetros monitorados por um monitor cardíaco hospitalar incluem:

  • Frequência Cardíaca: O número de batimentos cardíacos por minuto.
  • Pressão Arterial: A pressão exercida pelo sangue nas paredes das artérias, geralmente medida em milímetros de mercúrio (mmHg).
  • Saturação de Oxigênio (SpO2): A quantidade de oxigênio transportada pelo sangue em relação à quantidade máxima que poderia ser transportada.
  • Frequência Respiratória: O número de respirações por minuto.
  • Eletrocardiograma (ECG): O gráfico que representa a atividade elétrica do coração.

Referências:

  1. https://cmosdrake.com.br/blog/monitor-multiparametro-de-sinais-vitais/
  2. https://www.mindray.com/br/products/patient-monitoring/continuous-patient-monitoring/umec
  3. OMNIMED