Kit Curativo

Um Kit curativo é preparado para auxiliar na higienização de feridas e pequenos procedimentos cirúrgicos.

Para realizar um simples curativo, é necessário que tenha em mãos os instrumentais cirúrgicos estéreis apropriados para a situação, que geralmente já são separados em ‘KITS’ pelas instituições hospitalares, em embalagens já esterilizadas.

É importante também que tenha um campo estéril para algumas situações.
* Ressaltando que cada kit montado pode variar de acordo com cada protocolo hospitalar.

Composição

Um kit curativo pode ser composto por:

  • 1 pinça kelly reto;
  • 1 pinça anatômica;
  • 1 pinça dente-de-rato;
  • 1 campo cirúrgico (separado dos instrumentais).

Escala de Morse

A escala de quedas de Morse, criada por Janice Morse em 1985,  é uma escala amplamente utilizada na Enfermagem para avaliar o paciente no que confere o risco de queda. Para a autora, as quedas podem ser:

  1. Quedas acidentais;
  2. Quedas fisiológicas não antecipáveis:  queda em pacientes sem fatores de risco,  ocorrido por fatores fisiológicos como perda de força, convulsões, etc;
  3. Quedas fisiológicas antecipáveis: queda em pacientes com alterações fisiológicas e que apresentam o risco.

A avaliação possui seis itens principais, com opções de respostas e pontuação relacionada. Quanto maior o escore, maior o risco de queda.

  1. Antecedentes de queda;
  2. Diagnóstico secundário;
  3. Deambulação;
  4. Dispositivo intravenoso;
  5. Marcha;
  6. Estado Mental.

A escala de Morse é composta por seis critérios para a avaliação do risco de quedas. Cada critério avaliado recebe uma pontuação que varia de zero a 30 pontos, totalizando um escore de risco, cuja classificação é a seguinte: risco baixo, de 0 – 24; risco médio, de 25 – 44 e risco alto, ≥452.

Escala de Morse e o panorama das queda de pacientes nas instituições

O uso da escala de Morse é  uma importante ferramentas que a Enfermagem pode implementar no seu dia a dia, auxiliando assim na segurança do paciente.

Vários estudos mostram que a queda de pacientes em instituições de saúde podem trazem danos graves, como fraturas, hematomas subdurais e sangramentos, que podem levar ao óbito. Pacientes idosos e neurológicos requerem uma atenção redobrada.

É importante ressaltar que não devemos utilizar a escala de morse isoladamente, ou seja, deve-se instituir um protocolo específico para trabalhar com a prevenção de quedas nas instituições de saúde, sendo a escala de Morse apenas um dos instrumentos.

Fatores de risco para quedas

Os fatores de risco para quedas que devem ser observados incluem:

  • Crianças abaixo de 5 anos e idosos;
  • História anterior de queda;
  • Falta de equilíbrio corporal e marcha alterada;
  • Obesidade severa;
  • Deformidade em membros;
  • Depressão;
  • Comprometimento sensorial relacionada à visão, audição ou tato;
  • Uso de certos medicamentos como antidepressivos, relaxante musculares e benzodiazepínicos;
  • Presença de doenças como acidente vascular encefálico prévio, anemia, convulsão, tontura, hipotensão postural, osteoporose, artrite, entre outros.

Prevenção de quedas

Na instituição de saúde podemos adotar medidas para prevenir quedas dos pacientes.  A seguir, listaremos as principais medidas recomendadas:

  • utilização de pisos antiderrapantes;
  • iluminação adequada;
  • corredores com corrimão e livre de obstáculos;
  • educação dos pacientes e familiares quanto aos riscos;
  • utilizar as escalas de avaliação diária do risco de quedas dos pacientes;
  • utilização de dispositivos de auxílio de deambulação como muletas, cadeiras de roda;
  • alocar pacientes com alto risco de queda próximo ao posto de Enfermagem;
  • entre outros.

Escala de Morse, Enfermagem e indicadores de queda

Através da aplicação de um protocolo de prevenção de quedas e da utilização de instrumentos como a escala de Morse, é possível construirmos indicadores assistenciais nesta temática.

Segundo consta na série da Anvisa Assistência Segura: Uma Reflexão Teórica Aplicada à Prática temos que o “índice de quedas faz parte dos chamados indicadores de segurança do paciente, representativos das estruturas e dos processos assistenciais, sendo fundamental seu acompanhamento para identificar aspectos relevantes das causas de quedas nas instituições” (ANVISA, 2017, p.71).

A queda representa um evento adverso relacionado à assistência, devendo o mesmo ser notificado, atentando aos seguintes itens de caracterização:

  • tipo de queda (tropeçar, escorregar, desmaio, perda do equilíbrio);
  • local de ocorrência;
  • queda envolvendo: berço, cama, cadeira, maca, banheiro, equipamento terapêutico ou diagnóstico, escadas e degraus, etc;
  • turno;
  • presença de acompanhante.

Quais os indicadores de queda?

Os indicadores de queda mais utilizados são:

  • Número de quedas com dano por setor e geral;
  • Número de quedas sem dano por setor e geral;
  • Número de pacientes com alto risco de queda avaliados no período/por setor/geral;
  • Índice de quedas total.

Referência:

  1. Assistência Segura: Uma Reflexão Teórica Aplicada à Prática – Anvisa (2017) e Protocolo de Prevenção de Quedas – Ministério da Saúde (2013).

Antagonista: Flumazenil

O flumazenil (nome comercial: Lanexat) é um antagonista dos efeitos hipnóticos, sedativos e da inibição psicomotora provocados pelos benzodiazepínicos. Sua ação após aplicação intravenosa é rápida (1-2 minutos) e os efeitos provocados pelos benzodiazepínicos são neutralizados.

É usado como antídoto no tratamento de superdosagens provocados por benzodiazepínicos e, portanto, a simples prescrição de flumazenil pode servir como um indicativo de que um evento adverso relacionado ao uso de benzodiazepínicos possa ter ocorrido.

Como funciona?

O flumazenil é um imidazobenzodiazepínico, e se comporta como um antagonista benzodiazepínico específico (Hoffman e Warren, 1993).

Ele se liga com alta afinidade a locais específicos sobre o receptor GABA, onde impede a ligação e os efeitos hipnóticos dos benzodiazepínicos.

Em estudos realizados em animais, o flumazenil não influenciou nos efeitos de substâncias que não demonstram afinidades pelos receptores benzodiazepínicos, como por exemplo, barbitúricos, etanol, meprobamato, GABA-miméticos e agonistas de receptores de adenosina.

Entretanto, são bloqueados os efeitos de agonistas não benzodiazepínicos dos receptores benzodiazepínicos, tais como as ciclopirrolonas (zopiclone, por exemplo) e as triazolopiridazinas.

Alguns benzodiazepínicos, tais como o diazepam possuem uma meia-vida longa. Por isso, outras doses de flumazenil são indicadas.

Indicações de Uso

As principais indicações para o seu uso são o tratamento das suspeitas de superdosagem por benzodiazepínicos e a reversão dos efeitos sedativos produzidos por benzodiazepínicos administrados durante a anestesia geral ou durante procedimentos diagnósticos e/ou terapêuticos.

Convulsões ou outros sintomas de abstinência também podem ser precipitados em pacientes que estiveram tomando benzodiazepínicos por períodos prolongados e nos quais podem ter-se desenvolvido tolerância e/ou dependência.

No Brasil, seu uso é restrito a hospitais.

Cuidados de Enfermagem

  • Cuidados especiais são necessários quando Flumazenil for usado em casos de intoxicações mistas, porque os efeitos tóxicos (como convulsões ou arritmias cardíacas) desses fármacos associados na superdose (especialmente antidepressivos cíclicos) podem surgir com a reversão dos efeitos do benzodiazepínico por flumazenil;
  • O uso de Flumazenil não é recomendado a pacientes epilépticos que estejam recebendo tratamento benzodiazepínico por um período prolongado. Apesar de Flumazenil exercer leve efeito anticonvulsivante intrínseco, a supressão abrupta dos efeitos protetores de um agonista benzodiazepínico pode levar a quadros de convulsão em pacientes epilépticos;
  • Os pacientes que recebem Flumazenil para reversão dos efeitos de benzodiazepínicos devem ser monitorados com relação à recorrência da sedação, depressão respiratória ou outro efeito residual do benzodiazepínico, durante um período apropriado, dependendo da dose e da duração dos efeitos do benzodiazepínico empregado. Uma vez que pacientes com insuficiência hepática de base podem apresentar efeitos tardios do benzodiazepínico (conforme descrito acima), um período prolongado de observação pode ser necessário;
  • Quando Flumazenil for usado com bloqueadores neuromusculares, ele não deve ser injetado até que os efeitos destes últimos estejam completamente revertidos;
  • Quando usado em anestesiologia ao final da cirurgia, Flumazenil não deve ser administrado antes do desaparecimento do efeito miorrelaxante periférico;
  • Flumazenil deve ser usado com precaução em pacientes com traumatismo craniano que estejam utilizando benzodiazepínicos, pois ele pode desencadear convulsões ou alterar o fluxo sanguíneo cerebral;
  • Injeções rápidas de Flumazenil devem ser evitadas em pacientes expostos a altas doses e/ou por longos períodos aos benzodiazepínicos, até uma semana antes do uso de Flumazenil, pois podem ser desencadeados sintomas de abstinência, incluindo agitação, ansiedade, labilidade emocional, leve confusão e distorções sensoriais;
  • Flumazenil não é recomendado para o tratamento de dependência de benzodiazepínicos nem para o tratamento da síndrome de abstinência de benzodiazepínicos;
  • Flumazenil deve ser usado com cuidado em pacientes com insuficiência hepática ou doenças importantes do fígado;
  • Flumazenil deve ser usado com cuidado para a reversão da sedação consciente em crianças menores que 1 ano, para o tratamento de superdose em crianças, para a ressuscitação em recém-nascidos e para a reversão dos efeitos sedativos dos benzodiazepínicos usados para indução de anestesia geral em crianças, uma vez que a experiência com Flumazenil para essa faixa etária é limitada;
  • Embora após administração intravenosa de Flumazenil os pacientes tornem-se despertos e conscientes, eles devem ser alertados para que não dirijam nem operem máquinas perigosas durante as primeiras 24 horas, pois efeitos dos benzodiazepínicos podem reaparecer;
  • Embora estudos em animais tratados com altas doses de Flumazenil não tenham revelado evidência de mutagenicidade, teratogenicidade ou prejuízo da fertilidade, a segurança do uso de Flumazenil durante a gestação em humanos não foi estabelecida. Portanto, os benefícios do uso de Flumazenil durante a gestação devem ser considerados contra os possíveis riscos para o feto. Deve-se observar o princípio médico de não se administrar medicamentos nos primeiros meses da gravidez, exceto quando absolutamente necessário. A administração de Flumazenil em situações de emergência não está contraindicada durante a lactação.

Referências:

  1. Goodman & Gilman: As bases farmacológicas da terapêutica, 11 ed., 2006, 16: 360-370
  2. Hoffman, E.J., and Warren, E.W. Flumazenil: A benzodiazepine antagonist Clin. Pharm, 1993, 12:641-656
  3. Roncari, G., Timm, U., Zell, M., ET AL. Flumazenil kinetics in the elderly. Eur. J.Clin. Pharmacol., 1993, 45:585-587
  4. Spivey, W.H. Flumazenil and seizures: An analysis of 43 cases. Clin Ther., 1992, 14:292-302

Sulfadiazina de Prata

A Sulfadiazina de Prata é uma substância com ação antimicrobiana capaz de eliminar diferentes tipos de bactérias e alguns tipos de fungos.

Indicações

  • Feridas com grande potencial de infecção e risco de evolução para infecção generalizada;
  • Queimaduras;
  • Úlceras de perna, escaras de decúbito;
  • Feridas cirúrgicas.

Benefício

  • Valido por 24 meses;
  • Fácil aplicação.

Precauções e Contraindicações

  • Uso por gestantes no final da gestação, em crianças prematuras e recém-natos nos dois primeiros meses de vida;
  • Pacientes alérgicos às sulfas e aos demais componentes da formulação.

Frequência de Troca

  • Feridas secas ou pouco exsudativas: troca em até 24 horas;
  • Feridas de muito exsudato: troca até 12h.

Considerações

  • A longo prazo, o uso recorrente pode levar a impregnação por prata – Hipersensibilidade local ou sistêmica.

Aspiração de Secreção e sua sequência

A aspiração das Vias Aéreas consiste na remoção de secreções por meio de sucção das Vias Aéreas Superiores (VAS – cavidade nasal, laringe, faringe) e/ou Vias Aéreas Inferiores (VAI- traqueia). Tendo como finalidade remover secreções acumuladas, Prevenir infecções e obstruções respiratórias, Promover conforto, Permitir a ventilação e a oxigenação e Prevenir broncoaspiração.

Indicação

  • Presença de secreção visível na VA;
  • Presença de ruído no tubo traqueal;
  • Presença de roncos e/ou crepitações e redução dos sons pulmonares na ausculta pulmonar;
  • Desconforto respiratório;
  • Queda da SpO2;
  • Oscilações na curva de fluxo do ventilador.

Materiais Necessários

  • Equipamentos de Proteção Individual – EPI – ( luvas de procedimento, óculos protetor, gorro e máscara cirúrgica);
  • luva estéril para aspirar VAI;
  • Cateter de aspiração adequado;
  • Frascos de soro fisiológico 0,9% de 10 mL;
  • extensões de silicone/látex esterilizadas ;
  • Oxímetro de pulso ;
  • estetoscópio;
  • gazes esterilizadas;
  • Fonte de vácuo (canalizada ou portátil);
  • Papel toalha.

Etapas do Procedimento

  1. Identificar a necessidade para aspiração;
  2. Higienizar as mãos;
  3. Reunir todo o material necessário;
  4. Paramentar-se com EPI;
  5. Explicar ao paciente o procedimento e o seu propósito;
  6. Posicionar o paciente, preferencialmente em semi-Fowler;
  7. Instalar o oxímetro de pulso e observar saturação;
  8. Colocar o papel toalha sobre o tórax do beneficiário;
  9. Calçar luvas de procedimento;
  10. Abrir o vácuo e testá-lo;
  11. Abrir o pacote da sonda;
  12. Conectar a sonda no látex, segurando a sonda com a mão dominante;
  13. Interromper dieta administrada por SNE antes de proceder à aspiração, caso o beneficiário esteja fazendo uso do dispositivo;
  14. Aspirar nasofaringe introduzindo a sonda em uma das narinas, com o vácuo fechado, fazendo movimento oblíquo e para baixo, de preferência no tempo inspiratório ou durante a tosse, e aspirar liberando o vácuo de forma intermitente. O tempo entre a introdução e a retirada da sonda deve durar no máximo de 10 a 12 segundos enquanto houver secreção, mantendo uma pausa entre uma introdução e outra da sonda (no máximo, três vezes, no intervalo de 1 minuto);
  15. Retirar a sonda devagar, com movimentos rotatórios;
  16. Imergir a sonda em SF 0,9% entre uma aspiração e outra;
  17. Aspirar nasofaringe enquanto houver secreção, mantendo uma pausa entre uma introdução e outra da sonda (no máximo, três vezes, no intervalo de 1 minuto);
  18. Aspirar orofaringe, se necessário, utilizando a mesma sonda, introduzindo a sonda pela boca, com o vácuo fechado, fazendo movimento oblíquo e para baixo, de preferência no tempo inspiratório ou durante a tosse, e aspirar liberando o vácuo de forma intermitente;
  19. O tempo entre a introdução e a retirada da sonda deve durar no máximo de 10 a 12 segundos enquanto houver secreção, mantendo uma pausa entre uma introdução e outra da sonda (no máximo, três vezes, no intervalo de 1 minuto);
  20. Desconectar a sonda do látex;
  21. Desprezar todo material utilizado (sonda, frasco SF, luvas, máscara, papel toalha, etc);
  22. Posicionar o paciente confortavelmente;
  23. Deixar a unidade em ordem;
  24. Retirar as luvas;
  25. Higienizar as mãos;
  26. Registrar no prontuário o procedimento realizado.

Etapas do procedimento de Vias Aéreas Invasivas

  1. Explicar o procedimento a ser realizado;
  2. Higienizar as mãos;
  3. Reunir os materiais necessários;
  4. Colocar o cliente na posição de Fowler ou semi-Fowler, se não for contraindicado;
  5. Aplique proteção facial;
  6. Calce uma luva estéril em cada uma das mãos, ou use luva não estéril na mão não dominante e luva estéril na mão dominante;
  7. Pegue a sonda com a mão dominante sem tocar nas superfícies não estéril, prenda o látex ao conector;
  8. Faça o teste do equipamento de vácuo;
  9. Se o beneficiário estiver recebendo ventilação mecânica, remova o dispositivo liberador de oxigênio ou umidade com a mão dominante;
  10. Sem aplicar aspiração, insira suave, mas rapidamente o cateter usando o polegar dominante e o dedo indicador na via aérea artificial ate encontrar resistência ou o paciente tossir, então puxe de volta 1 cm;
  11. Aplique sucção intermitente colocando e liberando o polegar não dominante sobre a abertura do cateter, retire lentamente o cateter enquanto o gira de volta e para frente entre o polegar dominante e o dedo polegar. Encoraje o beneficiário a tossir. Observe sofrimento respiratório;
  12. Se o beneficiário estiver recebendo ventilação mecânica, feche o adaptador ou substitua o dispositivo de liberação de oxigênio;
  13. Avalie o estado cardiopulmonar do beneficiário com relação à depuração de secreções e complicações. Repita as etapas do procedimento até obter melhora do padrão respiratório ou ausculta de secreções;
  14. Posteriormente, aspire nasofaringe e orofaringe nesta ordem, após esta passagem o cateter estará contaminado, não o insira novamente no tubo;
  15. Reconecte o sistema de oxigenação (se em utilização);
  16. Desconecte o cateter do sistema de vácuo, enrole o tubo na mão dominante. Retire o papel toalha e retire a luva de modo que o cateter fique nela. Descarte-as em local indicado. Desligue o sistema de sucção;
  17. Deixe o paciente em posição confortável e organize o ambiente;
  18. Higienizar as mãos;

Qual a ordem da aspiração da via aérea?

  1. VAI ( tubo endotraqueal ou cânula de traqueostomia);
  2. Cavidade nasal;
  3. Cavidade oral.

Por que essa sequência?

Se o paciente estiver com a ventilação aérea invasiva ou aérea avançada (VAI OU VAA), conforme BALBINO (2016), deve-se seguir a sequência pois se justifica pela utilização de uma mesma sonda para aspirar a área ESTÉRIL para a área LIMPA, sendo então, a utilização de luvas estéreis no caso de aspiração em TOT ou TQT.

Técnico em enfermagem pode realizar aspiração de Via Aérea?

Sim, desde que se enquadre nas considerações descritas na resolução abaixo, artigos 4 e 5:

De acordo COFEN Nº 557/2017 RESOLVE:

Art. 2º Os pacientes graves, submetidos a intubação orotraqueal ou traqueostomia, em unidades de emergência, de internação intensiva, semi intensivas ou intermediárias, ou demais unidades da assistência, deverão ter suas vias aéreas privativamente aspiradas por profissional Enfermeiro, conforme dispõe a Lei do Exercício Profissional da Enfermagem.

Art. 3º Os pacientes atendidos em Unidades de Emergência, Salas de Estabilização de Emergência, ou demais unidades da assistência, considerados graves, mesmo que não estando em respiração artificial, deverão ser aspirados pelo profissional Enfermeiro, exceto em situação de emergência, conforme dispõe a Lei do Exercício Profissional de Enfermagem e Código de Ética do Profissional de Enfermagem – CEP.

Art. 4º Os pacientes em unidades de repouso/observação, unidades de internação e em atendimento domiciliar, considerados não graves, poderão ter esse procedimento realizado por Técnico de Enfermagem, desde que avaliado e prescrito pelo Enfermeiro, como parte integrante do Processo de Enfermagem.

Art. 5º Os pacientes crônicos, em uso de traqueostomia de longa permanência ou definitiva em ambiente hospitalar, de forma ambulatorial ou atendimento domiciliar, poderão ter suas vias aéreas aspirada pelo Técnico de Enfermagem, desde que devidamente avaliado e prescrito pelo Enfermeiro, como parte integrante do Processo de Enfermagem.

Referências:

  1. BALBINO, Carlos Marcelo et al. Avaliação da técnica de aspiração de paciente em ventilação mecânica realizada pela enfermagem. Revista de Enfermagem UFPE on line, [S.l.], v. 10, n. 6, p. 4797-4803, nov. 2016. ISSN 1981-8963. Disponível em: <https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/view/11258>. Acesso em: 28 out. 2022. doi:https://doi.org/10.5205/1981-8963-v10i6a11258p4797-4803-2016.
  2. TIMBY, Barbara Kuhn. Conceitos e Habilidades Fundamentais no Atendimento de Enfermagem. 8ed. Porto Alegre: Artmed, 2007.
  3. FURTADO, Érida Zoé Lustosa et al. Aspiração endotraqueal: práticas da equipe de saúde no cuidado ao paciente crítico. Rev enferm UFPE. Recife, dez., 2013.
  4. FAVRETTO, Débora Oliveira et al. Aspiração endotraqueal em pacientes adultos com via aérea artificial: revisão sistemática. Rev. Latino-Am. Enfermagem, v. 20, n. 5, set.
    /out. 2012.

Aspiração Manual Intra Uterina (AMIU)

AMIU ou “Aspiração Manual Intra-Uterina”, é um procedimento médico, rápido, simples e seguro de esvaziamento uterino, indicado preferencialmente pela Organização Mundial da Saúde e pelo Ministério da Saúde como o método mais seguro para o tratamento do aborto incompleto e para a biópsia endometrial.

Este procedimento é realizado pelo chamado “Kit AMIU”, que consiste num aspirador à vácuo (seringa de válvula dupla) acoplado a cânulas de plástico semi-flexíveis de diferentes espessuras (de 4mm – 12mm).

Vantagens

Comprovadamente superior à curetagem, esse procedimento médico apresenta vantagens importantes sobre aquela, tais como:

  • Menor necessidade de recursos para controle da dor;
  • Habilitação profissional médica simplificada;
  • Possibilidade de realização fora do centro cirúrgico;
  • Menor tempo de permanência hospitalar;
  • Alta eficácia no esvaziamento uterino;
  • Menor incidência de complicações.

Como é realizado o AMIU?

Para realizar o procedimento, é necessário que o colo do útero esteja dilatado. Dessa forma, quando a dilatação não ocorre naturalmente (como no abortamento incompleto), pode ser feita por meio do uso de comprimidos que são colocados no colo uterino e estimulam sua abertura.

A curetagem é um procedimento rápido, em que a paciente é submetida à uma anestesia (que pode ser raquidiana, peridural ou geral), com duração média de 15 minutos. Uma complicação possível, porém pouco frequente, é a perfuração uterina. Entretanto, na maioria das vezes o procedimento ocorre sem problemas. Por isso, a paciente costuma ter alta em até 24 horas.

Pós operatório

Cólicas e sangramento podem ocorrer, porém em uma intensidade menor. As recomendações para o pós-operatório são semelhantes às recomendações da curetagem.

Curetagem Vs. AMIU: Quais são as diferenças?

Enquanto a AMIU é feita com uma cânula acoplada a uma seringa que aspira os resíduos internos, podendo ser feito num espaço ambulatorial, a Curetagem consiste na raspagem do útero. Com isso, aumentam as chances de perfuração uterina e de consequências que comprometem uma próxima gestação.

Referência:

  1. Ministério da Saúde

Bandeja para Traqueostomia

Para que serve?

Procedimento invasivo de acesso de vias áreas pela traqueia com colocação de prótese ventilatória (cânula) para ventilação pulmonar.

Executor:

Médico

Materiais Necessários

  • Cânulas de traqueostomias para uso adulto;
  • Cadarço ou fixador próprio para traqueostomia;
  • Seringa de 20 ml;
  • Seringa de 10 ml e 5 ml;
  • Agulhas descartáveis 30×8 e 13×4;
  • Luvas estéreis;
  • Máscaras;
  • Gorro;
  • Capote estéril;
  • Campo estéril;
  • Bandeja de traqueostomia;
  • Xylocaína ampola;
  • Fio de nylon 3,0;
  • Sondas de aspiração ou frasco coletor rígido para aspiração traqueal;
  • Ambú conectado à fonte de oxigênio;
  • Foco.

Etapas do Procedimento

  1.  Reunir material para o procedimento;
  2. Explicar ao paciente acerca do procedimento;
  3. Posicionar-se para realização do procedimento;
  4. Testar o balonete da cânula selecionada;
  5. Realizar o procedimento;
  6. Fixar Cânula;
  7. Realizar aspiração traqueal;
  8. Proceder aos registros de Enfermagem.

Observações

  • A equipe de suporte para a realização do procedimento deverá constar de 1 médico auxiliar, 1 enfermeiro e 1 técnico de Enfermagem;
  • A troca da cânula deverá ser realizada pelo enfermeiro ou médico, 5 dias após a instalação;
  • A troca do cadarço deverá ser realizada quando necessário;
  • A aspiração traqueal deverá ser realizada sempre antes da manipulação da cânula;
  • No caso do uso de cânula metálica, a subcânula deverá ser limpa diariamente, utilizando técnica estéril, com água oxigenada, para remoção de crostas, soro fisiológico 0,9%, terminando com fricção com álcool a 70%, por 3 vezes.

Referências:

  1. KNOBEL, Elias. Terapia Intensiva, enfermagem. São Paulo: Editora Altheneu, 2006.

Dreno de Blake

O Dreno de Blake é um dispositivo de silicone para a drenagem de fluidos no período pós-operatório. Possui canais de fluxo ao longo de seu corpo, que diminuem a possibilidade de obstrução e possibilitam uma drenagem mais eficiente.

O seu centro sólido proporciona uma maior resistência às tensões, evitando assim a obstrução.

Indicação

O Dreno de  Blake é indicado para drenagem corporal no período pós-operatório onde fluidos tendem a se acumular e aumentar o risco de infecção.

Excelente indicação onde há necessidade de um maior contato com o tecido que necessita de drenagem, pois possibilita uma drenagem mais rápida e eficaz.

Como exemplo de uso temos: cirurgias plásticas, cardíacas, transplantes, grandes cirurgias abdominais, cirurgias bariátricas e cirurgias em geral.

Qual é a diferença do Dreno de Blake e Jackson Pratt (JP)?

Somente pelo nome do fabricante, pois ambos são praticamente os mesmos, com as mesmas funções.

Cuidados de Enfermagem

  • Manter vácuo (então culmina por alterar o volume drenado, podendo acumular o que provocaria dor, desconforto, alteração de sinais vitais e outras;
  • Observar aspectos da drenagem;
  • Troca de curativo ao redor do peridreno diariamente ou quando houver sujidade;
  • Despejar o conteúdo do dreno em local apropriado como o expurgo hospitalar ou em vaso sanitário.

Referências:

  1. https://docs.bvsalud.org/biblioref/2018/03/880496/drenos-abdominais-indicacoes-e-utilizacao-na-pratica-cirurgica.pdf

Kit Derramamento

Os antineoplásicos são fármacos usados no combate ao câncer, que representa uma das principais causas de morte no mundo todo. O tratamento dessa doença é uma área prioritária para a saúde pública e, da mesma forma, o transporte e armazenamento de medicamentos utilizados exige atenção especial.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), todos os tipos de câncer estão relacionados com mutações genéticas. Assim, as células cancerígenas possuem quatro características que as diferenciam das células normais:

  • Elevada capacidade de multiplicação celular;
  • Perda de suas funções normais;
  • Alta capacidade de se espalhar pelo organismo;
  • Facilidade de invadir outros órgãos, prejudicando seu funcionamento.

Em contrapartida, os medicamentos antineoplásicos, também conhecidos como quimioterápicos, agem diretamente no metabolismo das células tumorais. Infelizmente, muitas dessas drogas possuem baixa seletividade e podem atingir também células normais.

Assim, são particularmente afetados pela quimioterapia o trato gastrointestinal, as células sanguíneas e o couro cabeludo. Além disso, esses medicamentos possuem efeitos teratogênicos e carcinogênicos, sendo classificados como drogas perigosas, que demandam precauções adicionais em toda a cadeia logística.

Vale destacar também que o tratamento do câncer envolve tecnologias inovadoras e, não raras vezes, esta cadeia logística depende da importação de produtos.

Enfim, existem várias razões pelas quais os quimioterápicos envolvem cuidados especiais desde o momento em que são fabricados, transportados, distribuídos, consumidos e até descartados.

A seguir, abordaremos os principais aspectos legais a serem observados durante o transporte e armazenamento de medicamentos oncológicos, utilizados para combater o câncer.

Peculiaridades no manuseio de quimioterápicos

De acordo com a Resolução RDC Anvisa nº 220, de 21 de setembro de 2004, os quimioterápicos exigem cuidados específicos de armazenamento de medicamentos, bem como precauções diferenciadas durante o transporte e o preparo.

Vale destacar que as soluções administradas por via parenteral precisam ser preparadas em uma sala limpa, devidamente equipada com capela de exaustão. Esses cuidados visam garantir a esterilidade dos medicamentos e proteger as pessoas e o ambiente de contaminação.

De acordo com a RDC nº 220/2004, a manipulação é uma atribuição exclusiva do farmacêutico. Este profissional é um dos membros essenciais da equipe de terapia antineoplásica, composta ainda por enfermeiros e médicos dedicados ao tratamento do câncer.

Rótulos e Informações

Cabe ao farmacêutico avaliar a adequação das prescrições com relação à dose, compatibilidade e estabilidade dos componentes. Também é de sua responsabilidade a elaboração dos rótulos, com informações que garantam segurança no transporte de medicamentos e na administração ao paciente.

Dessa forma, o rótulo das preparações deve incluir dados de identificação do paciente, composição detalhada, prazo de validade e o modo de conservação. O rótulo deverá, ainda, contemplar cuidados na administração e a identificação do profissional que manipulou a solução.

Na prática, é desejável acrescentar também no rótulo a informação se a solução é irritante ou vesicante. Isso facilita a adoção de providências em caso de escape acidental da solução para os tecidos (extravasamento), durante a infusão da quimioterapia.

Os antineoplásicos vesicantes são capazes de causar necrose dos tecidos quando escapam dos vasos sanguíneos para os tecidos adjacentes. Os irritantes, por sua vez, são aqueles que produzem ardor e inflamação temporária no local de extravasamento.

Por fim, as soluções manipuladas são acondicionadas em embalagem impermeável e transparente para protegê-las até o momento de utilização. O transporte de medicamentos, por sua vez, deverá ser realizado em recipientes isotérmicos exclusivos e respeitar as medidas de biossegurança.

Biossegurança no armazenamento e transporte de medicamentos

Todo o pessoal envolvido no manuseio de quimioterápicos deverá receber treinamento para lidar com derramamento acidental ou quebra de frascos. Isso inclui não apenas a equipe de saúde, mas também os colaboradores responsáveis pelo transporte de medicamentos externo.

Para fins de biossegurança, obrigatoriamente, os serviços de Terapia Antineoplásica devem manter um “Kit” de derramamento em todas as áreas onde são realizadas atividades de manipulação, armazenamento, administração e transporte de medicamentos antineoplásicos.

Esse Kit deve conter luvas de procedimento, avental de baixa permeabilidade, compressas absorventes, máscara de proteção respiratória, proteção ocular, pá e sabão. Além disso, deve incluir instruções escritas, formulário para registro do acidente e recipiente para coleta de resíduos tóxicos.

Caso o derramamento desses medicamentos atinja o colaborador, este deve remover a roupa contaminada imediatamente e lavar a pele atingida com água e sabão. Adicionalmente, se houver contaminação dos olhos, deve-se lavá-los com água ou solução fisiológica.

Importante destacar, ainda, que o funcionário acidentado deve passar por avaliação e acompanhamento médico, em conformidade com a legislação vigente, incluindo-se a NR 32.

Com relação ao local do acidente, é preciso realizar a descontaminação de superfícies. Antes disso, porém, o colaborador deve vestir os equipamentos de proteção individual (EPI) presentes no kit de derramamento, visando evitar contato com resíduos tóxicos dispersos no ambiente.

Uma vez equipado com os EPIs, o colaborador deve limitar a superfície atingida com compressas absorventes. Os pós devem ser recolhidos com compressas umedecidas, já os líquidos com compressas secas.

Em seguida, a área deve ser limpa com água e sabão em abundância. Se houver fragmentos de vidro, estes devem ser recolhidos com auxílio de uma pá e colocados em recipiente próprio para descarte de perfurocortante.

Sobre o transporte de medicamentos em trânsito

Nem todo serviço de saúde possui pessoal e equipamento para manipular quimioterápicos. Tanto esta operação, como o transporte até o local onde o produto será administrado ao paciente podem ser terceirizadas.

Assim, a legislação prevê a possibilidade de contratação de serviços de transporte externo. Uma das condições para isso é que as empresas sejam qualificadas e prestem assistência para eventuais acidentes envolvendo os medicamentos transportados por elas.

Outro aspecto a ser observado na contratação de terceiros é que a transportadora precisa monitorar as condições de temperatura e umidade com instrumentos calibrados e fornecer esses dados para o contratante.

Assim, veículos, equipamentos e contêineres devem garantir a estabilidade e integridade dos quimioterápicos e evitar contaminação. O transporte requer também o monitoramento e controle da temperatura de maneira contínua, de preferência por meio de sistemas informatizados.

Além disso, recomenda-se que os instrumentos utilizados no monitoramento de temperatura possuam alarmes visuais e/ou sonoros. Assim, pode-se identificar precocemente excursões fora das faixas de aceitação e agilizar a implementação do plano de contingência para evitar a perda de produtos.

Segundo a RDC Anvisa nº 430/2020, o monitoramento de temperatura e umidade não é necessário quando o tempo máximo de transporte for inferior a oito horas. Em contrapartida, exige-se a utilização de embalagens térmicas qualificadas até o local de dispensação.

Por último e não menos importante, é a disposição das cargas no veículo. As embalagens devem ser dispostas de modo a evitar a exposição direta dos medicamentos aos agentes refrigerantes usados para manter a temperatura.

Cuidados com armazenamento de medicamentos antineoplásicos

Com relação ao armazenamento de medicamentos antineoplásicos, os serviços devem atender à Resolução RDC Anvisa nº 430/2020. Esta norma visa promover melhor controle e rastreabilidade sobre a cadeia de distribuição, armazenamento e transporte de medicamentos e coibir falsificação e adulteração.

O armazenamento de medicamentos deve ser acompanhado de rígido controle de estoque para evitar perdas, desvios ou faltas, que possam prejudicar, sobretudo, aqueles que aguardam tratamento para o câncer. Assim, toda movimentação deve ser documentada e os registros prontamente recuperáveis.

Paralelamente, deve-se proteger as informações contra modificações não autorizadas, danos ou perdas. Vale destacar, ainda, a importância de realizar backups eletrônicos e de todos os registros e a necessidade de manter esses arquivos por período mínimo de cinco anos.

Monitoramento de Temperatura

O acesso às áreas de armazenamento de medicamentos deve ser restrito ao pessoal autorizado. Destaca-se também a necessidade de manter equipamentos para controle e monitoramento de temperatura e umidade, que pode ser realizado por meio de registro físico ou eletrônico.

Os instrumentos para monitoramento da temperatura e umidade das áreas de estocagem devem estar posicionados de acordo com o estudo prévio de qualificação térmica. As leituras, por sua vez, se não puderem ser realizadas de forma contínua, precisam ser aferidas pelo menos nos períodos de maior criticidade.

Adicionalmente, a legislação exige que se mantenha os registros de monitoramento por, pelo menos, dois anos. É válido destacar a possibilidade de adotar armazenamento de dados em nuvem e monitoramento remoto para conferir maior agilidade e segurança ao processo.

As salas para armazenamento de medicamentos antineoplásicos devem possuir superfícies lisas e de fácil limpeza. O local também precisa ser protegido de intempéries e animais, além de ser bem iluminado para que todas as operações sejam realizadas com precisão e segurança.

As condições de armazenamento de medicamentos devem respeitar as especificações dos fabricantes. Nesse sentido, quando houver troca de fornecedor, é importante que o farmacêutico verifique se há alguma nova recomendação que precise ser repassada para a equipe.

Precauções adicionais no armazenamento de medicamentos termolábeis

Alguns quimioterápicos são termolábeis desde o momento da fabricação, enquanto outros exigem refrigeração só depois de preparados. Nesse sentido, a RDC nº 220/2004 prevê que o serviço ofereça infraestrutura que garanta a integridade desses medicamentos até seu destino.

Desse modo, os refrigeradores devem possuir fonte de energia alternativa para suprir eventual falha da fonte primária. Outrossim, esse cuidado deverá estar contemplado no plano de contingência para garantir o armazenamento de medicamentos de modo adequado, mesmo diante de adversidades.

Referência: Ministério da Saúde

Sistema Condutor do Coração

O coração é um órgão do sistema cardiovascular e gera seus próprios impulsos elétricos que cursam um trajeto próprio, especialmente desenhado para ajudar na distribuição de um potencial de ação através do músculo cardíaco.

Os nós e redes das células “especializadas” do coração constituem o sistema de condução cardíaca. Os componentes deste sistema são os nós sinoatrial e aurículo-ventricular, o feixe aurículo-ventricular, com os seus ramos esquerdo e direito e o plexo subendocárdico das células de condução ventricular (fibras de Purkinje).

O ritmo de pacemaker do coração é gerado ao nível deste sistema, sendo influenciado por nervos e transmitido especificamente das aurículas até aos ventrículos e, a partir daí, a toda a musculatura.

Nó sinoatrial

O nó sinoatrial é o marcapasso do coração, e está localizado superior ao sulco terminal do átrio (aurícula) direito, próximo à abertura da veia cava superior. Esse feixe de tecido nervoso propaga os impulsos elétricos e portanto governa o ritmo sinusal de minuto a minuto.

Se esse nó falhar, o nó atrioventricular (aurículo-ventricular) possui a capacidade de assumir o papel de marcapasso.

Nó atrioventricular (aurículo-ventricular)

O nó atrioventricular (aurículo-ventricular) também está localizado no átrio direito, em um nível que o dispõe póstero-inferiormente ao septo interatrial (interauricular) e próximo à cúspide septal da valva (válvula) tricúspide.

Ele recebe e continua os potenciais de ação produzidos pelo nó sinoatrial e em alguns casos pode mesmo propagar alguns potenciais de ação próprios. Essa área cobre os átrios (aurículas) do coração, assim como faz o nó sinoatrial.

Feixe de His

O feixe de His é uma coleção de fibras nervosas que se encontram no septo interatrial (interauricular). Eles encaminham os impulsos elétricos do nó atrioventricular e os enviam para os ramos direito e esquerdo. Os ramos direito e esquerdo são um acúmulo contínuo de nervos que inervam os ventrículos e o septo interventricular do coração.

O lado direito possui um único feixe que atinge o ápice do ventrículo direito antes de se curvar sobre si mesmo e voltar ao longo do lado direito do coração.

O lado esquerdo possui uma divisão anterior e posterior. A divisão anterior cursa ao longo do ventrículo direito através de sua parede anterossuperior, enquanto a divisão posterior se comporta da mesma forma que o ramo direito e circula ao redor do lado esquerdo do coração após atingir seu ápice.

Fibras de Purkinje

Os feixes terminais de tecido nervoso são conhecidos como fibras de Purkinje, e essas são responsáveis por garantir que cada pequeno grupo de células é atingido pelo estímulo elétrico, de forma que uma contração muscular máxima possa ocorrer.

O sistema de condução do coração controla o ritmo cardíaco, porém, ele sofre influência da inervação parassimpatica e simpática. Leia o artigo abaixo para compreender melhor como isso acontece.

Referências:

  1. Frank H. Netter, MD, Atlas of Human Anatomy, Fifth Edition, Saunders – Elsevier, Chapter 3 Thorax, Subchapter 22 Heart, Guide Thorax: Heart Page 114.
  2. Ramin Assadi, MD, Richards A. Lange, MD. Conduction system of the Heart. Emedicine. November 6, 2013.
  3. Cardiology teaching package. University of Nottingham.