No intuito de garantir a segurança do paciente no ato cirúrgico, a Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou a primeira edição do manual “WHO Guidelines for Safe Surgery” (Diretrizes da OMS para Cirurgia Segura) em 2008.
Em 2016, a organização lançou as Diretrizes Globais para a Prevenção da Infecção do Sitio Cirúrgico. Os fatores de risco para a infecção cirúrgica são multifatoriais e a prevenção destas é complexa e requer a integração de uma série de medidas preventivas nos períodos antes, durante e após a cirurgia.
As principais diretrizes da OMS
A meta da OMS é que tais medidas forneçam uma gama de recomendações para intervenções que reduzam o risco de infecção do sítio cirúrgico durante os períodos pré, intra e pós-operatório.
Confira a seguir as orientações da instituição para manter o paciente seguro no pré, peri e pós-operatório:
Pré-operatório
- o paciente deve tomar banho antes da cirurgia. A sugestão é ele utilize um sabão simples ou antimicrobiano;
- recomenda-se o uso de pomada de mupirocina a 2% com ou sem a combinação de lavagem corporal com clorexidina aos pacientes que serão submetidos a cirurgia cardiotorácica ou ortopédica;
- de acordo com o tipo de cirurgia, a administração de profilaxia antibiótica antes da cirurgia ajuda a evitar infecção do sítio cirúrgico;
- não se deve fazer tricotomia nas salas de cirurgia em pacientes submetidos a qualquer procedimento cirúrgico. Quando absolutamente necessário, pelos e cabelos devem ser removidos apenas com máquinas de cortar;
- recomenda-se o uso de soluções antissépticas alcoólicas — baseadas em gluconato de clorexidina — para a preparação da pele do sítio cirúrgico de todos os pacientes que serão submetidos a cirurgias;
- não se deve utilizar selantes antimicrobianos após a preparação da pele nos pacientes do sítio cirúrgico;
- a preparação das mãos para a cirurgia é essencial: recomenda-se sabonete antimicrobiano apropriado e água ou lavagem com escova adequada à base de álcool antes de colocar luvas estéreis.
Intra-operatório
- recomenda-se a administração de fórmulas nutricionais orais ou entéricas reforçadas com múltiplos nutrientes em pacientes com baixo peso que passarão por grandes cirurgias;
- a OMS sugere não interromper medicações imunossupressoras antes da cirurgia com a finalidade de prevenir infecção do sítio cirúrgico;
- recomenda-se o uso de dispositivos de aquecimento na sala de cirurgia e durante o procedimento cirúrgico para o aquecimento do corpo do paciente;
- para prevenir infecção, podem ser usados tanto campos estéreis de tecido reutilizáveis quanto campos estéreis descartáveis que não sejam de tecido, assim como aventais cirúrgicos;
- o uso de campos fenestrados adesivos de plástico com ou sem propriedades antimicrobianas não são recomendados;
- recomenda-se o uso de dispositivos de proteção de feridas em cirurgias abdominais potencialmente contaminadas, contaminadas e infectadas a fim de prevenir infecção do sítio cirúrgico;
- a OMS sugere o uso de terapia profilática com pressão negativa em pacientes adultos em incisões cirúrgicas com fechamento primário, desde que sejam feridas de alto risco;
- não é recomendado o uso de sistemas de ventilação com fluxo de ar laminar para a procedimentos de cirurgia de artroplastia total.
Pós-operatório
- não é recomendado o prolongamento da administração de profilaxia antibiótica cirúrgica após a conclusão do procedimento;
- não se deve usar qualquer tipo de curativo avançado ao invés de um curativo padrão sobre feridas cirúrgicas com fechamento primário;
- a profilaxia antibiótica perioperatória não deve ser continuada na presença de um dreno na ferida;
- quando clinicamente indicado, recomenda-se a remoção do dreno da ferida.
Em vias gerais, a cultura da segurança do paciente envolve diferentes critérios atrelados a valores, atitudes, normas, estratégias, práticas, políticas e comportamentos.
Portanto, as diretrizes da OMS objetivam não apenas a redução dos danos nos eventos cirúrgicos, mas a reflexão sobre a importância da adequação às propostas do órgão.
Por fim, ao implementar as recomendações para prevenir infecção do sítio cirúrgico, os profissionais da saúde têm a oportunidade de melhorar o cuidado assistencial e a qualidade dos serviços.
Além disso, a adoção dessas medidas possibilita a substituição do sentimento de culpa quanto aos erros eventualmente cometidos pela oportunidade de um aprendizado constante.
Referências:










