
O diabetes mellitus tipo 2 é uma doença crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. O tratamento com medicamentos antidiabéticos é fundamental para controlar os níveis de glicose no sangue e prevenir complicações.
Nesta publicação, vamos explorar os principais grupos de antidiabéticos, seus mecanismos de ação e os cuidados de enfermagem essenciais para pacientes com diabetes.
Os Principais Grupos de Antidiabéticos
Biguanidas (Metformina)
- Mecanismo de ação: Diminui a produção de glicose pelo fígado, aumenta a sensibilidade à insulina e retarda a absorção de glicose no intestino.
- Cuidados de enfermagem: Monitorar função renal, orientar sobre o risco de acidose láctica, especialmente em situações de jejum prolongado, desidratação ou insuficiência renal.
- Exemplo mais comum: Metformina (Glucophage, Gliformin)
Sulfonilureias
- Mecanismo de ação: Estimulam a liberação de insulina pelo pâncreas.
- Cuidados de enfermagem: Monitorar hipoglicemia, especialmente em idosos e pacientes com função renal alterada. Orientar sobre a importância de uma alimentação regular e a associação com atividade física.
- Exemplos: Glibenclamida, Glipizida, Glimepirida
Inibidores da alfa-glicosidase
- Mecanismo de ação: Retardam a absorção de carboidratos no intestino, reduzindo os picos de glicose pós-prandial.
- Cuidados de enfermagem: Orientar sobre a importância de uma dieta equilibrada e a ingestão de fibras.
- Exemplos: Acarbose, Miglitol
Tiazolidinedionas (Glitazonas)
- Mecanismo de ação: Aumentam a sensibilidade à insulina nos tecidos periféricos.
- Cuidados de enfermagem: Monitorar ganho de peso, retenção hídrica e insuficiência cardíaca congestiva.
- Exemplos: Pioglitazona, Rosiglitazona
Agonistas do GLP-1
- Mecanismo de ação: Mimetizam a ação do hormônio incretina, estimulando a liberação de insulina, reduzindo a glucagonemia e retardando o esvaziamento gástrico.
- Cuidados de enfermagem: Monitorar hipoglicemia, náuseas e vômitos.
- Exemplos: Liraglutida (Victoza), Semaglutida (Ozempic), Exenatida (Byetta)
Inibidores da DPP-4
- Mecanismo de ação: Aumentam os níveis de incretinas endógenas, potencializando a ação da insulina e reduzindo a produção de glicose hepática.
- Cuidados de enfermagem: Monitorar infecções do trato respiratório superior.
- Exemplos: Sitagliptina (Januvia), Saxagliptina (Onglyza), Linagliptina (Trajenta)
Inibidores da SGLT2
- Mecanismo de ação: Inibem a reabsorção de glicose nos túbulos renais, aumentando a excreção urinária de glicose.
- Cuidados de enfermagem: Monitorar infecções urinárias e genitais, poliúria e polidipsia.
- Exemplos: Dapagliflozina (Forxiga), Canagliflozina (Invokana), Empagliflozina (Jardiance)
Cuidados de Enfermagem Gerais para Pacientes com Diabetes
- Educação: Oferecer educação sobre o diabetes, automonitoramento da glicemia, importância da dieta, atividade física e adesão ao tratamento.
- Monitoramento: Acompanhar regularmente os níveis de glicose, pressão arterial e peso.
- Identificação de complicações: Estar atento aos sinais e sintomas de hipoglicemia, cetoacidose diabética e outras complicações agudas e crônicas.
- Promoção da saúde: Estimular hábitos de vida saudáveis, como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e controle do estresse.
É importante ressaltar que esta publicação tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Cada paciente é único e o tratamento deve ser individualizado, considerando as características clínicas e as necessidades de cada um.

Referências:
- Ruy Lyra, Luciano Albuquerque, Saulo Cavalcanti, Marcos Tambascia, Wellington S. Silva Júnior e Marcello Casaccia Bertoluci. Manejo da terapia antidiabética no DM2. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes (2024). DOI: 10.29327/5412848.2024-7, ISBN: 10.29327/5412848.2024-7.
- Araújo, L. M. B., Britto, M. M. dos S., & Porto da Cruz, T. R.. (2000). Tratamento do diabetes mellitus do tipo 2: novas opções. Arquivos Brasileiros De Endocrinologia & Metabologia, 44(6), 509–518. https://doi.org/10.1590/S0004-27302000000600011

O escore APACHE II (Acute Physiology and Chronic Health Evaluation II) é um sistema de classificação amplamente utilizado em unidades de terapia intensiva (UTIs) para avaliar a gravidade da doença em pacientes criticamente doentes. Ele permite estimar a probabilidade de morte hospitalar e auxiliar na tomada de decisões clínicas.
Como o APACHE II Funciona?
O escore APACHE II atribui pontos com base em diversos parâmetros fisiológicos, laboratoriais e condições crônicas do paciente. Esses pontos são somados, resultando em um escore final que se correlaciona com a gravidade da doença e o risco de morte.
Critérios de Coleta para o Cálculo do APACHE II
A coleta dos dados para o cálculo do APACHE II envolve a avaliação de diversos sistemas orgânicos e a realização de exames laboratoriais. Os principais critérios incluem:
- Dados demográficos: idade, sexo.
- Sinais vitais: temperatura, frequência cardíaca, frequência respiratória, pressão arterial média.
- Exames laboratoriais: níveis séricos de sódio, potássio, ureia, creatinina, glicose, hematócrito, leucócitos.
- Função neurológica: nível de consciência, presença de déficits neurológicos.
- Função respiratória: necessidade de ventilação mecânica, uso de oxigênio suplementar, PaO2/FiO2.
- Função cardiovascular: presença de arritmias, uso de drogas vasoativas, pressão arterial sistólica.
- Função renal: taxa de filtração glomerular estimada (TFGe).
- Condições crônicas: doenças pré-existentes como diabetes, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), insuficiência cardíaca, etc.
É importante ressaltar que o cálculo do APACHE II deve ser realizado por profissionais de saúde qualificados e com experiência em terapia intensiva, pois exige conhecimento técnico e interpretação dos dados.
Utilidades do Escore APACHE II
- Estimação do risco de morte: permite prever a probabilidade de óbito hospitalar, auxiliando no planejamento terapêutico.
- Comparação de grupos de pacientes: possibilita comparar a gravidade de diferentes grupos de pacientes, como aqueles submetidos a diferentes tratamentos.
- Avaliação da qualidade da assistência: pode ser utilizado para avaliar a qualidade da assistência prestada em unidades de terapia intensiva.
- Alocação de recursos: ajuda na alocação de recursos, como leitos de UTI e pessoal especializado.
Limitações do Escore APACHE II
Apesar de ser uma ferramenta valiosa, o APACHE II apresenta algumas limitações:
- Heterogeneidade dos pacientes: a gravidade da doença pode variar significativamente entre os pacientes, mesmo com o mesmo escore APACHE II.
- Mudanças ao longo do tempo: o estado clínico do paciente pode mudar rapidamente, tornando o escore APACHE II obtido no momento da admissão menos preciso para prever o desfecho a longo prazo.
- Não considera todos os fatores: o APACHE II não considera todos os fatores que podem influenciar o prognóstico do paciente, como comorbidades complexas e respostas individuais ao tratamento.
A importância dos enfermeiros no cálculo do APACHE II
Os enfermeiros desempenham um papel crucial na coleta de dados para o cálculo do APACHE II. Isso porque eles são os profissionais que estão em contato mais próximo com o paciente, realizando a monitorização contínua dos sinais vitais, avaliações físicas e acompanhamento dos exames laboratoriais.
Por que os enfermeiros devem conhecer o APACHE II?
- Melhor compreensão da gravidade do paciente: Ao participar do cálculo do APACHE II, os enfermeiros adquirem uma visão mais clara da gravidade da condição clínica do paciente, o que os ajuda a priorizar os cuidados.
- Planejamento da assistência: O escore APACHE II auxilia no planejamento da assistência, permitindo que os enfermeiros antecipam as necessidades do paciente e ajustam os cuidados de acordo com a gravidade da doença.
- Comunicação com a equipe multiprofissional: O conhecimento do APACHE II facilita a comunicação com outros membros da equipe, como médicos e fisioterapeutas, permitindo uma abordagem mais integrada e eficaz.
- Avaliação da evolução do paciente: Ao calcular o APACHE II periodicamente, os enfermeiros podem acompanhar a evolução do paciente e identificar sinais de melhora ou deterioração.
Desafios e considerações
- Carga de trabalho: A coleta de dados para o cálculo do APACHE II pode aumentar a carga de trabalho dos enfermeiros, especialmente em unidades com alta demanda.
- Treinamento: É fundamental que os enfermeiros recebam treinamento adequado para a coleta correta dos dados e o cálculo do escore APACHE II.
- Atualização: O escore APACHE II pode ser complexo e sujeito a atualizações. É importante que os enfermeiros estejam sempre atualizados sobre as últimas versões e modificações.
Referências:
- COREN-SP
-
Freitas, Eliane Regina Ferreira Sernache de; Perfil e gravidade dos pacientes das unidades de terapia intensiva: aplicação prospectiva do escore APACHE II. Rev. Latino-Am. Enfermagem [Internet]. mai-jun 2010. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rlae/a/G4GDSjjJfFRfvHy76XGRtXw/?format=pdf&lang=pt

A Resolução Cofen nº 501/2015 estabelece os critérios para a atuação dos profissionais de enfermagem na realização de curativos, de acordo com o grau de complexidade das lesões.
Entenda os graus de lesões das feridas
- Os curativos de grau 1 são aqueles que envolvem lesões superficiais, com pouca ou nenhuma exsudação, sem sinais de infecção ou necrose.
- Os curativos de grau 2 são aqueles que envolvem lesões parciais ou totais da derme, com moderada exsudação, sem sinais de infecção ou necrose.
- Os curativos de grau 3 são aqueles que envolvem lesões que atingem o tecido subcutâneo, com grande exsudação, podendo apresentar sinais de infecção ou necrose.
- Os curativos de grau 4 são aqueles que envolvem lesões que atingem o músculo, o osso ou as estruturas profundas, com grande exsudação, podendo apresentar sinais de infecção ou necrose.
Entenda as Competências
A Resolução Cofen nº 501/2015 determina que os curativos de grau 1 e 2 podem ser realizados por qualquer profissional de enfermagem, desde que capacitado e supervisionado pelo enfermeiro.
Já os curativos de grau 3 e 4 devem ser realizados exclusivamente pelo enfermeiro, que deve avaliar a lesão e prescrever o tratamento adequado, sendo que o auxiliar e o técnico devem auxiliar o Enfermeiro nos curativos de feridas em estágio 3 e 4.

Referências:
- – BLANCK, M.; GIANNINI, T. Ulceras e feridas – As feridas tem alma. Di livros editora ltda, 2014.
- BORGES, E. L. et al. Feridas – Como Tratar. Coopmed Editora Médica, 2009.
- BORGES, E. L. Feridas – Úlceras de Membros Inferiores. Editora Guanabara Koogan, 2012.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Procedimentos / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília : Ministério da Saúde, 2011 – BRASIL. Protocolo para prevenção de úlcera por pressão. Ministério da Saúde/Anvisa/Fiocruz, 2013.
- Conselho Federal de Enfermagem – COFEN (BR). Lei do Exercício Profissional, nº 7.498/86; Decreto nº 94.406/87 e Código de Ética dos profissionais de enfermagem.
- Conselho Federal de Enfermagem – COFEN (BR). Resolução 311 de 2007, que aprova o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem.
- Conselho Federal de Enfermagem – COFEN (BR). Resolução 358 de 2009, que dispõe sobre a Sistematização da Assistência de Enfermagem.
- Conselho Federal de Enfermagem – COFEN (BR). Resolução 429 de 2012, que dispõe sobre o registro das ações profissionais no prontuário do paciente.
- Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo – COREN SP. PARECER COREN – SP CAT Nº 011/2009. Uso do laser de baixa intensidade pelo profissional enfermeiro no tratamento clínico de feridas.
- Conselho Regional de Enfermagem de Rondônia – COREN RO. Parecer nº 06/2013, referente à solicitação de esclarecimentos sobre as competências dos Enfermeiros no tratamento de feridas, bem como o direito de atender consultas em estabelecimentos privados e o direito de usar lâmina de bisturi no desbridamento conservador.
- CUNHA, N. A. Sistematização da Assistência de Enfermagem no Tratamento de Feridas Crônicas. Monografia. Fundação de Ensino Superior de Olinda. Olinda, 2006.
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- EPUAP/NPUAP. Prevenção de Úlceras de Pressão – Guia de consulta rápido. Disponível em:http://www.epuap.org/guidelines/QRG_Prevention_in_Portuguese.pdf.
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- OLIVEIRA, Adriana Cristina. Infecções Hospitalares: Epidemiologia, Prevenção Controle. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A. 2005.
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