Antieméticos: Grupos, Medicamentos e Cuidados de Enfermagem

Sentir náuseas e vomitar é algo desconfortável para qualquer pessoa, sobretudo para pacientes em tratamentos como quimioterapia, pós-operatório ou gravidez. É aí que entram os antieméticos — medicamentos com ação específica para prevenir e tratar esses sintomas. No entanto, cada grupo atua de forma distinta e exige atenção da equipe de enfermagem na escolha, administração e monitoramento.

Nesta publicação, explico de forma natural e prática os principais grupos de antieméticos, os medicamentos dentro deles e os cuidados necessários para usá-los de forma segura e eficaz.

Por Que Sentimos Náuseas e Vômitos? O Sistema de Alerta do Corpo

Antes de falar dos medicamentos, é importante saber que náuseas e vômitos não são doenças em si, mas sim sintomas. Eles são um mecanismo de defesa do nosso corpo, uma forma de expulsar substâncias que ele considera prejudiciais ou de sinalizar que algo não está bem.

O centro de vômito, localizado no cérebro, é ativado por diversas vias:

  • Estímulos do trato gastrointestinal: Irritação no estômago ou intestino.
  • Zona quimiorreceptora de gatilho (ZQG): Uma área no cérebro sensível a substâncias tóxicas no sangue (como quimioterápicos).
  • Sistema vestibular: Envolvido no equilíbrio, responsável pelo enjoo de movimento.
  • Córtex cerebral: Estímulos como dor, estresse, ansiedade, ou até mesmo cheiros e visões desagradáveis.

Os antieméticos atuam bloqueando esses diferentes sinais, impedindo que cheguem ao centro de vômito e causem o mal-estar.

Anticolinérgicos (Antimuscarínicos)

Os anticolinérgicos, também chamados antimuscarínicos, agem bloqueando os receptores de acetilcolina no sistema nervoso central e periférico, sendo eficazes em náuseas associadas a distúrbios vestibulares, como tontura e enjoos de movimento.

O exemplo mais conhecido é a escopolamina, usada em adesivo transdérmico para prevenir náuseas por movimento. Entre os efeitos adversos, são comuns boca seca, visão turva, retenção urinária e constipação.

Cuidados de enfermagem: observar sinais de retenção urinária, orientação para não expor a adolescentes/desconforto ocular e registrar a aplicação correta do adesivo.

Anti-histamínicos

Esses medicamentos bloqueiam receptores H1, reduzindo náuseas causadas por estimulação vestibular (como enjoo de movimento ou labirintite). Entre eles estão a prometazina, a dimenidrinato e a hidroxizina .

São eficazes, mas causam sedação, tontura e efeitos anticolinérgicos.

Cuidados de enfermagem: monitorar nível de consciência, orientar sobre evitar atividades que exijam atenção (como dirigir) e planejar administração à noite.

Antagonistas dos receptores de dopamina (principalmente D₂)

Atuam na zona gatilho quimiorreceptora, sendo úteis em vômitos por opióides, anestesia ou quimioterapia. Os principais são a metoclopramida, domperidona, clorpromazina e droperidol. Esses fármacos podem causar sintomas extrapiramidais e prolongar o intervalo QT.

Cuidados de enfermagem: monitorar sinais extrapiramidais (tremores, rigidez), avaliar ECG se houver risco, observar episódios de sonolência e avisar médicas sobre efeitos adversos.

Antagonistas dos receptores de serotonina (5‑HT₃)

São os fármacos mais usados atualmente para vômitos pós-quimioterapia ou pós-operatório. Entre eles destacam-se a ondansetrona, granisetrona, dolasetrona, tropisetrona e palonosetrona.

Esses medicamentos bloqueiam receptores 5‑HT₃ no sistema nervoso central e nas terminações vagais intestinais, reduzindo efetivamente a náusea. Têm efeitos adversos como cefaleia, constipação e prolongamento do QT.

Cuidados de enfermagem: verificar histórico cardíaco, monitorar frequência cardíaca, registrar resposta ao medicamento e ajustar doses conforme prescrição.

Antagonistas dos receptores de neurocinina‑1 (NK₁)

Principais representantes: aprepitanto, fosaprepitanto, casopitanto, rolapitant. Esses bloqueiam os receptores da substância P, sendo eficazes em vômitos tardios relacionados à quimioterapia.

Cuidados de enfermagem: acompanhar possíveis efeitos gastrointestinais (fadiga, diarreia), interações medicamentosas via CYP3A4 (com corticosteroides, por exemplo), e registrar o perfil hepático.

Canabidiol e canabinóides (como nabilona)

Os canabinoides atuam em receptores CB1 e modulam também os receptores 5‑HT₃, reduzindo náuseas. A nabilona, um canabinoide sintético, é aprovada pela FDA para náuseas induzidas por quimioterapia. Já o canabidiol (CBD) tem efeito antiemético e pode ser prescrito no Brasil sob controle especial .

Cuidados de enfermagem: monitorar efeitos como tontura, aumento de apetite, hipotensão ortostática, interações com outros medicamentos e orientar sobre possíveis efeitos psicoativos (mais prevalente com THC).

Outras classes mencionadas em prática

Embora não tenham sido foco principal, vale mencionar: benzodiazepínicos (lorazepam, diazepam) usados para náuseas emocionais, e glucocorticoides (dexametasona), frequentemente combinados com antagonistas 5‑HT₃ e NK₁ para tratar vômitos induzidos por quimioterapia.

Cuidados de Enfermagem

Nós, profissionais de enfermagem, temos um papel crucial no manejo das náuseas e vômitos:

  • Avaliação Abrangente: Não basta saber que o paciente está com náuseas. Precisamos investigar a causa, a intensidade, o que piora e o que melhora.
  • Administração Segura: Conhecer o medicamento, a dose correta, a via, o tempo de infusão e os principais efeitos colaterais.
  • Monitoramento da Eficácia: Observar se o medicamento fez efeito e se o paciente está mais confortável.
  • Manejo de Efeitos Colaterais: Estar atento aos efeitos adversos e saber como agir.
  • Conforto e Medidas Não Farmacológicas: Além do medicamento, oferecer conforto: ambiente calmo, ventilação, compressas frias, alimentos leves (se permitido), e apoio emocional.
  • Educação ao Paciente: Explicar sobre os medicamentos, seus efeitos esperados e os efeitos colaterais que deve relatar.

Os antieméticos não são soluções universais; cada grupo atua em receptores específicos e demanda cuidado dedicado na escolha e uso. Para o estudante de enfermagem, valorizar a farmacologia, aplicar técnicas seguras e observar sinais de complicações torna o cuidado mais eficiente e centrado no paciente.

Referências:

  1. GOODMAN & GILMAN. As Bases Farmacológicas da Terapêutica. 13. ed. Rio de Janeiro: McGraw Hill Brasil, 2018. (Consultar capítulos sobre fármacos que atuam no sistema nervoso autônomo, agentes procinéticos e antieméticos).
  2. KATZUNG, B. G.; TREVOR, A. J. Farmacologia Básica e Clínica. 14. ed. Porto Alegre: Artmed, 2018. (Consultar capítulo sobre fármacos que atuam no sistema nervoso central e antieméticos).
  3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE ONCOLOGIA CLÍNICA (SBOC). Guia de Recomendações SBOC: Manejo de Náuseas e Vômitos Induzidos por Quimioterapia (NVIQ). Disponível em publicações da SBOC (geralmente atualizadas periodicamente).
  4. LECTURIO. Antieméticos: classes e ação em diferentes receptores. 2022. Disponível em: https://www.lecturio.com/es/concepts/antiemeticos/
  5. NCBI. Cannabinoid Antiemetic Therapy. StatPearls, 2023. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK535430/
  6. MEDICINE.CANCER.GOV. Cannabis y canabinoides – náuseas e vômitos. 2025. Disponível em: https://www.cancer.gov/espanol/cancer/tratamiento/mca/pro/cannabis‑pdq/
  7. WIKIPEDIA. Nabilona. 2020. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Nabilona

Os Anti-Histamínicos: O que são?

Histamínicos

Os antihistamínicos, também conhecidos como antialérgicos, são um grupo de medicamentos que agem no organismo inibindo a ação de uma substância conhecida como histamina, responsável pelos processos alérgicos.

Têm como objetivo aliviar os sintomas da alergia caracterizada principalmente pela coceira, espirros, vermelhidão e secreção ocular e nasal.

O uso desses medicamentos se prolonga por vários dias até o desaparecimento dos sintomas. Também são mais efetivos quando utilizados no início da reação alérgica.

As Gerações dos Anti-Histamínicos

Existem dois tipos principais de anti-histamínicos que incluem:

  • Primeira geração: são remédios, como Hidroxizina ou Clemastina, que diminuem os sintomas de alergia mas que provocam sonolência;
  • Segunda geração: são medicamentos, como Cetirizina ou Desloratadina, que não provocam sono.

Os dois tipos de anti-histamínicos apenas variam na sua duração e efeitos colaterais, sendo que os de primeira geração não são recomendados para tratamento de problemas crônicos, como asma, por exemplo.

Conheça os Principais Anti-Histamínicos

Loratadina

É um remédio antialérgico usado no alívio dos sintomas de rinite alérgica como coceira nasal, tosse alérgica, coriza, espirros.

Koide D

É indicado para ajudar no tratamento de problemas respiratórios como asma brônquica grave ou rinite alérgica.

Hixizine

É indicado para o tratamento de problemas na pele como urticária, eczema atópico, prurido, angioedema, dermografismo.

Desloratadina

É indicado para o alívio dos sintomas da rinite alérgica, como nariz escorrendo, espirros e coceira.

Alektos

É indicado para tratamento dos sintomas da rinoconjuntivite alérgica, como espirros, nariz entupido, coceira.

Decongex Plus Gotas

É indicado para desentupir o nariz e diminuir o excesso de secreções no nariz e na garganta, aliviando os sintomas de gripe.

Polaramine

É indicado para o tratamento de alergias, urticária, coceira, vermelhidão, rinites alérgica, picada de inseto, conjuntivite alérgica.

Allegra

É indicado para manifestações alérgicas, no tratamento da rinite alérgica e urticária, em adultos e crianças com mais de 12 anos.

Maleato de dexclorfeniramina

Indicado para tratar alergias, coceira, rinite alérgica, urticária, picadas de inseto, conjuntivite alérgica, dermatite atópica ou eczemas.

Allegra D

É indicado para alívio dos sintomas associados aos processos congestivos das vias aéreas superiores, tais como espirros.

Notuss

É um medicamento para a gripe e para a tosse, indicado para o tratamento da tosse seca e irritante sem catarro, espirros, dores do corpo.

Dexmine

É  indicado no tratamento adjuvante das afecções alérgicas do aparelho respiratório, como asma brônquica grave e rinite alérgica.

Fenergan

Utilizado para aliviar os sintomas de alergia como coceira, coriza ou vermelhidão, assim como reações anafiláticas.

Maleato de dexclorfeniramina + betametasona

É indicado no tratamento adjuvante da asma brônquica grave e rinite alérgica, dermatite atópica.

Hidroxizina

É indicada para o tratamento da coceira na pele causada por reações de alergia como urticária ou dermatite atópica e de contato.

Zina

É um medicamento antialérgico indicado no tratamento dos sintomas associados a doenças alérgicas, como rinite alérgica sazonal.

Cetirizina

É indicada para o tratamento dos sintomas da rinite alérgica, como nariz entupido, coriza, coceira e espirros.

Histadin

É indicado para o alívio dos sintomas associados com a rinite alérgica (por exemplo: febre do feno), como: coceira nasal, nariz.

Desalex

Indicado para alivio dos sintomas de rinite alérgica como coriza, espirros, coceira no nariz, ardor e coceira nos olhos, lacrimejo.

Lastacaft

É um colírio antialérgico indicado para a prevenção da coceira nos olhos causada pelas conjuntivites alérgicas.

Prometazina

Indicado para o tratamento de reações alérgicas e anafiláticas, na prevenção de vômitos do pós-operatório e enjoos de viagens.

Fexofenadina

Está indicado como anti-histamínico no tratamento das manifestações alérgicas, tais como rinite alérgica.

Periatin

Anti-histamínico sistêmico.

Aerius

É um medicamento indicado para o alivio dos sintomas da rinite alérgica, como espirros, corrimento ou coceira nasal, coceira no céu da boca.

Teldane

Anti-histamínico no tratamento das manifestações alérgicas, tais como, rinites, alergias dermatológicas mediadas pela histamina (urticária).

Zyrtec

O Zyrtec é indicado para o tratamento de rinite alérgica, conjuntivite alérgica, urticária e outros tipos de alergia.

Cromolerg 4%

Por sua ação antialérgica, Cromolerg (cromoglicato dissódico) solução oftálmica é indicado no tratamento das afecções alérgicas.

Actifedrin

Actifedrin é um antialérgico encontrado na forma de xarope e comprimidos indicado para rinites, em adultos e crianças com mais de 2 anos de idade.

Claritin-d

É indicado para o alívio dos sintomas associados à rinite alérgica e ao resfriado comum.

Relestat

Relestat é um colírio indicado para o tratamento e prevenção dos sintomas de irritação e coceira nos olhos, que caracterizam a conjuntivite.

Rafex

Está indicado como anti-histamínico no tratamento das manifestações alérgicas, tais como rinite alérgica e urticária.

Zyxem

No tratamento dos sintomas associados às enfermidades alérgicas, como: rinite alérgica sazonal (incluindo os sintomas oculares), rinite alérgica.

Zyrtec Solução

Zyrtec é indicado para o tratamento de rinite alérgica, conjuntivite alérgica, urticária e outros tipos de alergia.

Benalet

Benalet é indicado como tratamento adjuvante (auxiliar) nos quadros de afecções das vias aéreas superiores como tosse, irritação da garganta.

Naricin

Tratamento das rinofaringites e suas manifestações. Resfriado comum; rinites alérgica, infecciosa ou vasomotora; faringites e sinusites.

Periactin

É indicado para reações de origem alérgica, no tratamento de alergias na pele, coceira da catapora.

Asmax

Está indicado na profilaxia da: asma brônquica, das bronquites, das rinites e das dermatites alérgicas.

Lastacaft Solução oftálmica

É indicado para a prevenção da coceira nos olhos causada pelas conjuntivites alérgicas.

Agasten

É indicado para o tratamento dos sinais e sintomas de reações alérgicas na pele, rinite alérgica.

Loralerg

Está indicado no tratamento sintomático de manifestações associadas a rinite alérgica tais como: coriza, espirros e prurido nasal, ardor.

Levolukast

Está indicado para aliviar os sintomas associados à rinite alérgica sazonal, que surge em algumas épocas do ano.

Loranil-d

É indicado para o alívio sintomático da congestão das vias aéreas superiores, em casos de resfriado e rinite alérgica.

Loranil

Alívio dos sinais e sintomas associados com rinite alérgica, urticária crônica e outras afecções dermatológicas.

Alguns Cuidados de Enfermagem

  • Instrua o paciente a tomar a medicação conforme o recomendado e a não interromper o tratamento sem antes procurar um medico especializado;
  • A medicação não deve ser usada em crianças prematuras ou recém nascida nem durante a gestação;
  • Informar sempre ao paciente sobre as reações adversas que o remédio pode causar;
  • Remendar ao paciente que evite o consumo de álcool;
  • Uso de roupas leves;
  • Evitar dirigir;
  • Orientar a evitar de realizar atividades que usam ferramentas ou máquinas que podem provocar acidentes;
  • Oriente a consultar o médico antes de tomar outro fármaco que possa causar sedação, como alguns medicamentos para tratar insônia, dores crônicas (codeína, tramadol) ou neuromoduladores (gabapentina, pregabalina).