Medicamentos Nefrotóxicos

Os rins desempenham papel essencial na filtração do sangue, eliminação de toxinas e equilíbrio de eletrólitos e líquidos no corpo. No entanto, eles são órgãos altamente vulneráveis a lesões, especialmente causadas por alguns medicamentos. Esses fármacos, conhecidos como nefrotóxicos, podem comprometer a função renal, provocar insuficiência renal aguda ou crônica e gerar complicações graves se não forem utilizados com cautela.

Para o estudante e o profissional de enfermagem, é fundamental compreender quais são os principais medicamentos nefrotóxicos, como eles afetam os rins e quais cuidados devem ser observados durante seu uso.

O Que São Medicamentos Nefrotóxicos?

Medicamentos nefrotóxicos são aqueles capazes de provocar algum tipo de dano ao rim, seja reduzindo o fluxo sanguíneo renal, provocando inflamação ou levando à destruição de células renais. Esse efeito pode ser temporário ou permanente, dependendo da dose, do tempo de uso e das condições de saúde do paciente.

Principais Grupos de Medicamentos Nefrotóxicos

Anti-inflamatórios Não Esteroides (AINEs)

Os AINEs, como ibuprofeno, diclofenaco e naproxeno, são amplamente utilizados para controle da dor e inflamações. Seu uso prolongado ou em doses elevadas pode reduzir o fluxo sanguíneo renal, aumentando o risco de insuficiência renal, especialmente em idosos e pacientes com doenças crônicas.

Antibióticos

Alguns antibióticos, como aminoglicosídeos (gentamicina, amicacina), vancomicina e anfotericina B, são conhecidos pelo risco de toxicidade renal. Eles podem provocar necrose tubular aguda e perda progressiva da função renal quando não monitorados adequadamente.

Quimioterápicos

Medicamentos utilizados no tratamento do câncer, como cisplatina e ifosfamida, também apresentam potencial nefrotóxico. Eles podem causar lesões diretas nos túbulos renais, além de favorecer distúrbios eletrolíticos importantes.

Contrastes Radiológicos

Os contrastes iodados, usados em exames de imagem como tomografias e angiografias, podem causar nefropatia induzida por contraste, caracterizada por um declínio agudo da função renal horas ou dias após o procedimento. Pacientes diabéticos e com insuficiência renal prévia estão em maior risco.

Imunossupressores

Medicamentos como ciclosporina e tacrolimo, utilizados em transplantes e doenças autoimunes, podem comprometer a circulação renal e provocar hipertensão arterial, além de lesão progressiva do parênquima renal.

Outros Medicamentos

A lista é longa, mas outros exemplos incluem os antifúngicos (como a anfotericina B), antivirais (como a tenofovir, usados para tratar o HIV), inibidores da bomba de prótons (como o omeprazol, em uso prolongado), e até o lítio, usado em psiquiatria.

Fatores de Risco para Nefrotoxicidade

  • Idade avançada
  • Doença renal pré-existente
  • Diabetes mellitus
  • Hipertensão arterial
  • Uso simultâneo de múltiplos medicamentos nefrotóxicos
  • Desidratação

Cuidados de Enfermagem

O nosso papel é fundamental para proteger os rins dos pacientes. Não podemos simplesmente evitar o uso dessas medicações, mas podemos mitigar os riscos.

  1. Avaliação Inicial: Antes da administração, é crucial verificar o histórico do paciente. Perguntar sobre doenças renais pré-existentes, diabetes, hipertensão e idade. Avaliar os exames laboratoriais, como a creatinina e a ureia, que indicam a função renal.
  2. Monitoramento Contínuo: Durante o tratamento, monitorar a função renal é uma prioridade. Verificar a creatinina e a ureia em exames de rotina, e estar atento a sinais clínicos de lesão renal, como a diminuição do débito urinário, edema (inchaço), e alterações na pressão arterial.
  3. Hidratação: A hidratação adequada é a melhor forma de proteger os rins. Incentivar a ingestão de líquidos (oralmente ou, se necessário, por via intravenosa), especialmente antes e após o uso de contrastes radiológicos ou medicamentos altamente nefrotóxicos.
  4. Administração e Doses: Administrar os medicamentos na dose e frequência corretas, sem atrasos ou adiantamentos que possam alterar a concentração sérica. A administração de aminoglicosídeos, por exemplo, deve ser espaçada para permitir a eliminação e diminuir o risco de toxicidade.
  5. Educação ao Paciente: Educar o paciente sobre a importância da hidratação, a necessidade de relatar qualquer alteração na urina (cor, odor, frequência) e evitar o uso de automedicação, especialmente com AINEs.
  6. Comunicação com a Equipe: Relatar imediatamente ao médico qualquer alteração na função renal ou sinais clínicos de lesão. Essa comunicação é vital para que a medicação possa ser ajustada ou suspensa a tempo.

O conhecimento sobre medicamentos nefrotóxicos é indispensável para garantir a segurança do paciente. Embora esses fármacos sejam muitas vezes necessários, seu uso deve ser criterioso, acompanhado por monitoramento contínuo e pela atuação vigilante da equipe de enfermagem. Reconhecer precocemente os sinais de nefrotoxicidade pode evitar complicações graves e preservar a função renal.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Guia prático para o tratamento de nefropatias por medicamentos. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2011. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_pratico_tratamento_nefropatias_medicamentos.pdf
  2. SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEFROLOGIA (SBN). Doença Renal Crônica. Disponível em: https://www.sbn.org.br/leigos/doenca-renal-cronica/. 2025. (O site da SBN é uma excelente fonte de informação para pacientes e profissionais).
  3. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. (Consultar os capítulos sobre sistema urinário e administração de medicamentos).
  4. BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes clínicas para o cuidado ao paciente com doença renal crônica no Sistema Único de Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_clinicas_cuidado_paciente_renal.pdf.
  5. KELLUM, J. A.; LAMEIRE, N. Diagnosis, evaluation, and management of acute kidney injury: a KDIGO summary. Critical Care, v. 17, n. 1, p. 1-15, 2013. Disponível em: https://ccforum.biomedcentral.com/articles/10.1186/cc11454. 
  6. PERAZELLA, M. A. Pharmacology behind common drug nephrotoxicities. Clinical Journal of the American Society of Nephrology, v. 13, n. 12, p. 1897-1908, 2018. Disponível em: https://journals.lww.com/cjasn.

O Clearance de Creatinina: O que é?

Clearance de Creatinina

O Clearance de creatinina é um exame feito para avaliar a função dos rins. Ele faz isso comparando a quantidade de creatinina no sangue e na urina. Os rins servem para filtrar o sangue e entre outras substâncias eliminam a creatinina extra nele.

A creatinina é uma substância produzida naturalmente pelos músculos e eliminada pelos rins. Se os valores estiverem alterados, pode significar que a função dos rins está alterada.

Quanto mais massa muscular a pessoa possui, maior a quantidade de creatina em seu corpo e mais creatinina é produzida.

Esta substância é usada como marcador. Se a creatinina está elevada no sangue, significa que os rins não estão conseguindo filtrá-la de maneira efetiva. Se a creatinina não está sendo filtrada, é provável que outras substâncias, como toxinas, também estejam se acumulando no sangue.

O excesso de creatinina no sangue é sinal de que os rins podem estar trabalhando de maneira insuficiente.

O Excesso de Creatinina: Quais são seus sintomas?

São eles:

  • Cansaço;
  • Falta de ar;
  • Inchaço das pernas ou braços;
  • Confusão frequente;
  • Náuseas e vômitos.

Para que serve o clearance de creatinina?

O exame de clearance de creatinina serve para avaliar a funcionalidade dos rins. A comparação entre a creatinina do sangue e da urina pode indicar problemas nos rins. Os resultados são excessos da substância. Se houver pouca creatinina na urina e muita no sangue, os rins podem não estar conseguindo realizar seu trabalho, causando acúmulo de creatinina e de outros materiais que deveriam ser filtrados pelos rins.

Este exame é capaz de detectar a insuficiência renal em fases iniciais.

Como é feito o exame de clearance de creatinina?

Há dois processos:

  • A Coleta de urina

A coleta de urina deve ser feita no decorrer de 24 horas. É fornecido um recipiente onde o paciente deve urinar durante este tempo e, no final, ele deve ser fechado e levado para o laboratório ou hospital.

No caso de mulheres, recomenda-se que a coleta da urina não seja realizada durante o período menstrual.

  • A Coleta de sangue

A coleta de sangue é realizada no hospital ou laboratório. Ela precisa ser realizada com no máximo 72 horas de diferença da coleta de urina, então é comum que seja realizada logo no início ou no final do processo de coleta de materiais.

O Exame

No laboratório, é feita a medição da quantidade de creatinina no sangue e na urina. Os valores são colocados em uma fórmula que leva em consideração o peso, idade e sexo biológico do paciente. Os valores que resultam da fórmula são os resultados, que saem em poucos dias após a realização da coleta.

Quando o exame deve ser feito?

O exame de clearance de creatinina deve ser realizado a pedido do médico, que decide se ele será necessário. Algumas indicações são:

Histórico de doença renal na família

Doenças renais podem ser genéticas, portanto se você tem alguém na família com este tipo de doença, o exame é recomendado de tempos em tempos para que haja o acompanhamento do estado dos rins.

Pacientes de doenças que podem causar problemas nos rins

Algumas condições podem representar riscos para o sistema renal. Entre elas estão a diabetes, hipertensão, obesidade, infecções urinárias, gota, pessoas com ácido úrico elevado, rins policísticos, entre outras. O exame é recomendado nesses casos para prevenir doenças renais.

Uso de medicamentos que alteram função renal

Diversos medicamentos são filtrados pelos rins e podem alterar a função renal. É necessário acompanhar os pacientes que tomam este tipo de medicamento. Seu médico irá lhe informar ao receitar um medicamento que possa alterar suas funções renais.

Fumantes

Tabagismo pode causar disfunções em todos os órgãos do corpo. Fumantes devem estar sempre atentos ao seu estado de saúde, e exames como o clearance de creatinina devem estar inclusos nessa atenção.

Acima dos 50 anos

Com a idade, os órgãos podem começar a mostrar falhas. Fazer exames de rotina para acompanhar o funcionamento dos rins pode ser indicado acima dos 50 anos de idade.

Há contraindicações do exame de clearance de creatinina?

O exame de clearance de creatinina envolve apenas a retirada de uma pequena quantidade de sangue e coleta de urina, portanto não existem contraindicações.

Os Cuidados pré-exame e pós-exame

Por ser um exame extremamente simples, poucos cuidados são necessários.

Pré-exame

  • Carne: Recomenda-se evitar comer carne durante no dia anterior e durante a coleta de urina, já que a carne altera a quantidade de creatinina no sangue.
  • Jejum: Alguns tipos de exame de sangue pedem jejum, mas nem todos os laboratórios o requisitam para o exame de creatinina. Quando ele for requisitado, deve ser em torno de 3 a 8 horas antes da retirada de sangue.

Pós-exame

  • Movimentos: Após a retirada de sangue, recomenda-se não fazer força ou movimentar muito o braço do qual o sangue foi removido durante o resto do dia para evitar sangramentos.
  • Comer: Nos casos em que o jejum é requisitado para o exame de sangue, recomenda-se uma alimentação leve logo após a retirada do sangue.

Os Valores de referência

Estes são os resultados esperados do exame. Se seu exame de clearance de creatinina está dentro destes valores, ele está saudável. A medida mostra a quantidade de creatinina que é filtrada por minuto nos rins.

  • Homens: 85 – 125 mL/min/1,73 m²;
  • Mulheres: 75 – 115 mL/min/1,73 m²;
  • Crianças: 70 – 140 mL/min/1,73 m².