Órtese vs. Prótese: Entendendo a Diferença Crucial no Cuidado

Na prática clínica e na reabilitação de pacientes, os termos órtese e prótese são frequentemente mencionados, mas muitas vezes ainda geram dúvidas. Apesar de ambos estarem relacionados a dispositivos utilizados no cuidado à saúde e no apoio funcional, eles possuem finalidades distintas e são aplicados em situações diferentes.

Entender essas diferenças é fundamental para quem atua na área da saúde, especialmente na enfermagem, que participa ativamente no processo de orientação, cuidados e acompanhamento desses pacientes.

O que é uma Órtese?

A órtese é um dispositivo externo, utilizado para suporte, correção, alinhamento, estabilização ou auxílio de uma função já existente. Ou seja, ela não substitui uma parte do corpo perdida, mas atua para melhorar ou corrigir funções comprometidas.

Exemplos de órteses:

  • Talas e Imobilizadores: Usados em fraturas ou lesões ligamentares.
  • Joelheiras e Tornozeleiras: Usadas para estabilizar articulações frágeis ou lesionadas.
  • Cintas Lombares: Para dar suporte à coluna e aliviar a dor.
  • Órteses para Pés (Palmilhas): Para corrigir a pisada e alinhar a postura.
  • Corretivos Posturais: Para problemas na coluna, como a escoliose.

A órtese pode ser temporária, como no uso após uma fratura, ou de longo prazo, como em casos de doenças crônicas neurológicas e ortopédicas.

O que é uma Prótese?

A prótese é um dispositivo que substitui total ou parcialmente um membro, órgão ou estrutura corporal ausente. Pode ser indicada em casos de amputação, malformação congênita ou remoção cirúrgica.

Exemplos de próteses:

  • Próteses de Membros: Pernas ou braços artificiais (por exemplo, uma prótese de perna para um paciente com amputação acima do joelho).
  • Próteses Oculares: Olhos de vidro ou acrílico.
  • Próteses Dentárias: Dentaduras ou implantes.
  • Próteses Internas: Válvulas cardíacas ou próteses de quadril.

As próteses podem ser funcionais, quando visam restaurar a função (como uma prótese de braço mecânica), ou estéticas, quando têm a finalidade de devolver a aparência próxima ao natural (como a ocular ou mamária).

Principais diferenças entre Órtese e Prótese

  • Finalidade: a órtese corrige ou auxilia uma função existente; a prótese substitui algo que foi perdido.
  • Local de uso: a órtese é aplicada em estruturas preservadas, já a prótese é utilizada em casos de ausência parcial ou total.
  • Exemplo prático: um paciente com sequelas de AVC pode usar uma órtese para punho, enquanto um paciente submetido à amputação de perna pode usar uma prótese de membro inferior.

Cuidados de Enfermagem

Com órteses

  • Orientar o paciente sobre a forma correta de colocação e retirada.
  • Observar sinais de desconforto, vermelhidão ou lesões de pele.
  • Reforçar a importância da higienização do dispositivo e da pele em contato.

Com próteses

  • Avaliar regularmente o coto (em amputados), observando sinais de infecção, inflamação ou úlceras de pressão.
  • Orientar sobre higiene adequada da prótese e do coto.
  • Estimular a adaptação gradual e o acompanhamento multiprofissional (fisioterapia, terapia ocupacional).

Resumo Rápido: A Regra do “S” e do “A”

Para memorizar a diferença de forma simples:

  • Prótese: Substitui (falta de membro/órgão).
  • Órtese: Apoia/Auxilia (membro/órgão existente).

Dominar essa diferença não só enriquece nosso vocabulário, mas aprimora nossa capacidade de planejar o cuidado, garantindo que o dispositivo, seja ele uma prótese ou uma órtese, cumpra sua função sem causar danos à pele ou à circulação do paciente.

Referências:

  1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ORTOPEDIA TÉCNICA (ABOTEC). Diretrizes e Conceitos em Órteses e Próteses. Disponível em: http://www.abotec.org.br/
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Diretrizes de Atenção à Pessoa Amputada. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2014. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_atencao_pessoa_amputada.pdf
  3. BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes de Atenção à Pessoa Amputada. Brasília: Ministério da Saúde, 2013. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_atencao_pessoa_amputada.pdf
  4. MORAES, D. A. et al. Órteses e Próteses: conceitos e aplicações na reabilitação. Revista Neurociências, v. 20, n. 4, p. 560-567, 2012. Disponível em: https://www.revneurociencias.com.br
  5. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Standards for Prosthetics and Orthotics. Geneva: WHO, 2017. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789241512480

Pressão Arterial: A Diferença entre o Braço e a Artéria (PNI vs. PAI)

O monitoramento da pressão arterial (PA) é essencial na prática clínica, especialmente em ambientes hospitalares. Ele fornece informações fundamentais sobre a circulação sanguínea e a função cardiovascular, auxiliando na tomada de decisões rápidas e eficazes.

Existem diferentes formas de aferição da PA, sendo as principais a pressão arterial não invasiva (PNI) e a pressão arterial invasiva (PAI). Cada uma delas possui características próprias, vantagens, limitações e indicações específicas.

O que é Pressão Arterial Não Invasiva (PNI)?

A PNI é o método mais utilizado no cotidiano clínico, especialmente em atendimentos ambulatoriais e hospitalares de rotina.

Ela é realizada por meio de esfigmomanômetro (manual ou automático) com o manguito posicionado no braço do paciente, ou por aparelhos multiparamétricos com tecnologia oscilométrica.

Vantagens

  • Simplicidade e rapidez na aferição.
  • Baixo custo.
  • Método não invasivo, sem risco de complicações.

Limitações

  • Pode ser menos precisa em pacientes críticos (hipotensos, com choque ou arritmias).
  • Sofre interferência de fatores externos, como movimento do braço, posição inadequada do manguito e calibre incorreto.

O que é Pressão Arterial Invasiva (PAI)?

A PAI é considerada o padrão-ouro para monitorização da pressão arterial.

Nesse método, é inserido um cateter em uma artéria periférica (geralmente a radial, femoral ou braquial), conectado a um transdutor de pressão e a um monitor multiparamétrico. Isso permite a aferição contínua e em tempo real da pressão arterial sistólica, diastólica e média.

Vantagens

  • Alta precisão e monitoramento contínuo.
  • Permite coleta de amostras de sangue arterial (como gasometria).
  • Fundamental em pacientes instáveis e em procedimentos de alta complexidade.

Limitações

  • Método invasivo, com risco de complicações como infecção, trombose, sangramento e lesão vascular.
  • Exige técnica asséptica rigorosa e profissionais treinados.

Indicações de uso

A escolha entre PNI e PAI depende do estado clínico do paciente, da necessidade de precisão e do tipo de acompanhamento necessário.

PNI (não invasiva)

Indicada em situações de rotina ou em pacientes estáveis, como:

  • Avaliação ambulatorial.
  • Monitorização em enfermarias e UTIs de pacientes sem instabilidade grave.
  • Acompanhamento de hipertensão arterial sistêmica.

PAI (invasiva)

Indicada em situações que exigem alta precisão e monitorização contínua, como:

  • Pacientes em choque ou instabilidade hemodinâmica.
  • Cirurgias de grande porte, especialmente cardíacas ou vasculares.
  • Uso de drogas vasoativas (noradrenalina, dopamina, vasopressina).
  • Monitoramento em UTIs em casos graves (sepse, pós-operatório crítico, trauma grave).

Critérios para utilização

  • PNI: deve ser usada quando o paciente apresenta estabilidade clínica, quando não há necessidade de monitoramento contínuo e quando o risco de complicações por procedimento invasivo não se justifica.
  • PAI: deve ser escolhida em pacientes instáveis, que necessitam de controle hemodinâmico rigoroso, em uso de drogas vasoativas ou em procedimentos que exigem segurança máxima nos parâmetros de pressão arterial.

Cuidados de Enfermagem

Na PNI

  • Escolher corretamente o tamanho do manguito, cobrindo de 40% a 50% da circunferência do braço.
  • Garantir que o braço esteja na altura do coração.
  • Evitar aferir sobre roupas ou com o braço em movimento.
  • Reavaliar periodicamente em casos de leituras discrepantes.

Na PAI

  • Realizar e manter a técnica asséptica para prevenir infecção.
  • Monitorar constantemente o sítio de punção quanto a sinais de sangramento, hematoma ou isquemia distal.
  • Garantir a permeabilidade do sistema com solução heparinizada, conforme protocolo institucional.
  • Registrar as medidas e alterações em tempo real para subsidiar a conduta médica.

A escolha entre PNI e PAI deve ser baseada nas condições clínicas do paciente, nos recursos disponíveis e na necessidade de precisão dos dados. Enquanto a PNI é prática, segura e suficiente para a maioria dos casos, a PAI se destaca pela precisão e pela monitorização contínua, sendo indispensável em situações críticas.

Para a enfermagem, compreender essas diferenças é essencial para garantir um cuidado seguro, qualificado e centrado nas necessidades do paciente.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes para o cuidado das pessoas com doenças crônicas nas redes de atenção à saúde e nas linhas de cuidado prioritárias. Brasília: Ministério da Saúde, 2013. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_cuidado_doencas_cronicas.pdf.
  2. KAPLAN, J. A.; SIAK, J. M. Clinical considerations in invasive blood pressure monitoring. Journal of Clinical Monitoring and Computing, v. 24, n. 5, p. 281–290, 2010. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s10877-010-9243-2.
  3. MILLER, R. D. Miller’s Anesthesia. 9. ed. Philadelphia: Elsevier, 2020.
  4. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. (Consultar os capítulos sobre monitorização hemodinâmica).
  5. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Segurança do Paciente em Serviços de Saúde: Higienização das Mãos em Serviços de Saúde. Brasília, DF: ANVISA, 2013. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/manuais-e-guias/manual_seguranca_paciente_anvisa.pdf.  (Para orientações de assepsia aplicáveis a cateteres invasivos)

Classificação de Ferida Diabética da Universidade do Texas

O pé diabético é uma complicação grave e frequente do diabetes mellitus, podendo evoluir para infecções, ulcerações e até amputações, quando não tratado adequadamente. Para que o manejo seja mais eficaz, a Universidade do Texas desenvolveu uma classificação bastante utilizada na prática clínica. Ela auxilia médicos e profissionais de enfermagem na avaliação do risco e no planejamento do tratamento.

Compreender essa classificação é essencial para os estudantes e profissionais da saúde, pois permite identificar o estágio da lesão, prevenir complicações e oferecer o cuidado adequado a cada situação.

Como funciona a classificação da Universidade do Texas?

A classificação avalia o pé diabético a partir de graus e estágios.

  • Graus (0 a 3): descrevem a profundidade da lesão.
  • Estágios (A a D): indicam a presença ou ausência de infecção e isquemia (redução do fluxo sanguíneo).

Essa combinação fornece um panorama detalhado da condição, sendo fundamental para orientar a conduta clínica.

Os Graus: A Profundidade da Lesão

Os graus de 0 a 3 indicam o quanto a ferida penetrou nos tecidos do pé:

Grau Descrição da Lesão (Profundidade) Significado Clínico
Grau 0 Lesão Pré-Ulcerativa ou Pós-Ulcerativa A pele está intacta, mas há alto risco de desenvolver úlcera (ex: calosidade espessa, deformidade óssea).
Grau 1 Úlcera Superficial A úlcera atinge apenas a pele (epiderme e derme), sem atingir tendões, cápsulas articulares ou osso.
Grau 2 Úlcera Profunda (Penetra Tendão ou Cápsula) A úlcera se aprofundou e atinge estruturas como tendões ou cápsulas articulares.
Grau 3 Úlcera com Envolvimento Ósseo ou Articular A úlcera atingiu o osso ou a articulação (osteomielite). É a lesão mais profunda.

Os Estágios: A Complicação da Lesão

Os estágios de A a D acrescentam informações cruciais sobre o estado da ferida, que têm um impacto direto no prognóstico do paciente:

Estágio Condição Clínica Significado Clínico
Estágio A Sem Infecção e Sem Isquemia A ferida está “limpa”, sem sinais de infecção e a circulação para o pé é adequada. (Melhor prognóstico).
Estágio B Infecção Presente A ferida apresenta sinais clínicos de infecção (pus, vermelhidão, calor).
Estágio C Isquemia Presente A circulação do pé está comprometida. A falta de suprimento sanguíneo prejudica a cicatrização.
Estágio D Infecção e Isquemia Presentes A ferida está infectada e o pé apresenta má circulação. (Pior prognóstico e alto risco de amputação).

Exemplo de aplicação prática

Um paciente pode ser classificado como Grau II, Estágio C: isso significa que há uma úlcera profunda atingindo tendão ou cápsula articular, acompanhada de isquemia, mas sem sinais de infecção.

Já um Grau III, Estágio D indica a forma mais grave, onde existe comprometimento ósseo ou articular, associado a infecção e isquemia.

Cuidados de Enfermagem

Nosso papel é de vigilância constante e intervenção especializada:

  1. Avaliação e Documentação: A cada curativo, é nosso dever classificar a lesão de acordo com o Texas. Documentar o grau, o estágio, o tamanho e as características da ferida no prontuário.
  2. Manejo da Infecção (Estágio B e D): Administrar antibióticos conforme a prescrição, realizar a limpeza da ferida (debridamento) e monitorar os sinais de sepse (febre, taquicardia, confusão).
  3. Cuidados com a Isquemia (Estágio C e D): Orientar a proteção da perna contra traumas e frio, e nunca massagear a área. Monitorar pulsos periféricos e a temperatura da pele, alertando o médico sobre qualquer sinal de piora circulatória.
  4. Alívio da Pressão (Grau 0 a 3): O principal cuidado é o offloading (alívio de peso). Orientar o paciente a não pisar sobre a úlcera, utilizar botas especiais ou muletas. O alívio de pressão é essencial para a cicatrização de todos os graus.
  5. Educação em Saúde: Enfatizar a importância do controle glicêmico rigoroso, que é a base para a prevenção e o tratamento de todas as complicações do pé diabético.

A Classificação da Universidade do Texas é a nossa bússola no cuidado das lesões diabéticas. Dominá-la nos permite ser mais assertivos, eficazes e verdadeiramente defensores da integridade física e da qualidade de vida dos nossos pacientes.

Referências:

  1. SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES (SBD). Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (2023–2024). São Paulo: SBD, 2023. Disponível em: https://diretriz.diabetes.org.br/.
  2. ARMSTRONG, D. G. et al. Validation of a diabetic wound classification system. The contribution of depth, infection, and ischemia to risk of amputation. Diabetes Care, v. 20, n. 5, p. 855-859, 1997. Disponível em: https://diabetesjournals.org/care/article/20/5/855/20703/Validation-of-a-diabetic-wound-classification
  3. BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes para o cuidado das pessoas com doenças crônicas nas redes de atenção à saúde e nas linhas de cuidado prioritárias. Brasília: Ministério da Saúde, 2013. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_cuidado_doencas_cronicas.pdf

Indicações do uso do carrinho de emergência: o que você precisa saber

Em situações de urgência e emergência, cada segundo pode salvar uma vida. Por isso, a equipe de saúde precisa estar preparada não apenas em conhecimento, mas também em recursos. O carrinho de emergência, também conhecido como carrinho de parada, é um dos principais aliados nesse contexto. Ele reúne, em um único local, os materiais e medicamentos necessários para a reanimação cardiopulmonar e outras situações críticas.

Saber quando e como utilizar o carrinho de emergência é fundamental para garantir a segurança do paciente e a agilidade da assistência prestada.

O que é o carrinho de emergência?

O carrinho de emergência é um equipamento hospitalar padronizado, organizado em gavetas e compartimentos, que contém materiais como: desfibrilador/cardioversor, cilindro de oxigênio, medicamentos de reanimação, materiais para intubação orotraqueal, acesso venoso e monitorização.

Ele deve estar sempre funcional, organizado e acessível nos locais onde o risco de emergências é maior, como UTIs, pronto-socorro, salas cirúrgicas e unidades de internação.

Indicações do uso do carrinho de emergência

O carrinho de emergência não é utilizado em todas as situações, mas em momentos críticos, onde há risco imediato de morte ou necessidade de intervenção rápida. Entre as principais indicações, destacam-se:

Parada cardiorrespiratória (PCR)

A principal situação que exige o uso imediato do carrinho de emergência é a PCR. Nesse momento, cada minuto sem atendimento adequado reduz drasticamente a chance de sobrevivência do paciente. O carrinho fornece desde o desfibrilador até as drogas de primeira escolha, como adrenalina.

Instabilidade Hemodinâmica Grave

Pacientes com choque de qualquer origem (séptico, cardiogênico, hipovolêmico) que apresentam hipotensão severa, bradicardia (frequência cardíaca baixa) ou taquicardia (frequência cardíaca alta) sintomáticas, podem precisar de vasopressores, líquidos ou medicamentos para reverter o quadro, todos disponíveis no carrinho.

Arritmias graves

Em casos de arritmias ventriculares ou supraventriculares que ameaçam a vida, o carrinho de emergência permite acesso rápido a fármacos antiarrítmicos e ao cardioversor.

Insuficiência respiratória aguda

Situações em que o paciente apresenta obstrução de vias aéreas ou falência respiratória requerem o uso de materiais de intubação e ventilação disponíveis no carrinho.

Choque anafilático

O carrinho contém adrenalina, anti-histamínicos e corticoides que devem ser administrados imediatamente para evitar o agravamento do quadro.

Crises convulsivas refratárias

Além dos medicamentos de controle, o carrinho garante acesso rápido a equipamentos para suporte ventilatório, caso o paciente evolua para rebaixamento de consciência ou instabilidade clínica.

Situações intraoperatórias

No centro cirúrgico, o carrinho é indispensável para manejar complicações anestésicas, arritmias, reações alérgicas graves e instabilidades hemodinâmicas.

Cuidados de enfermagem relacionados ao carrinho de emergência

O papel da enfermagem é essencial para manter o carrinho sempre pronto para uso. Alguns cuidados fundamentais incluem:

  • Verificação diária do carrinho, checando validade e quantidade dos medicamentos.
  • Testar equipamentos como o desfibrilador e aspirador.
  • Organização padronizada, para que todos da equipe saibam onde encontrar cada item.
  • Reposição imediata de materiais e fármacos após cada uso.
  • Registro em planilha ou checklist das checagens realizadas.
  • Treinamento contínuo da equipe, para que todos saibam manusear os equipamentos em situações reais.

Esses cuidados garantem que, no momento da emergência, não haja perda de tempo procurando materiais ou lidando com falhas de funcionamento.

O carrinho de emergência é um recurso vital na prática hospitalar. Seu uso é indicado em situações de risco iminente de morte, como parada cardiorrespiratória, arritmias graves, insuficiência respiratória, choque anafilático, convulsões refratárias e complicações intraoperatórias.

Para o enfermeiro e sua equipe, não basta apenas conhecer o carrinho: é necessário mantê-lo em condições ideais, treinado e organizado. Afinal, na emergência, a diferença entre a vida e a morte pode estar a apenas alguns segundos.

Referências:

  1. BRASIL. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução COFEN nº 376/2011 – Normatiza a utilização do carrinho de emergência. Brasília, 2011. Disponível em: http://www.cofen.gov.br/resoluo-cofen-n-3762011_7410.html
  2. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Circulation, v. 142, n. 16, 2020. Disponível em: https://www.ahajournals.org/doi/full/10.1161/CIR.0000000000000918
  3. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de suporte avançado de vida em cardiologia (SAVC). Brasília: MS, 2019. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br.
  4. AMERICAN HEART ASSOCIATION (AHA). ACLS Suporte Avançado de Vida em Cardiologia. 2020. Disponível em: https://cpr.heart.org/en/resources/aha-guidelines/aha-acls-guidelines-cpr-and-ecc
  5. BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Segurança do Paciente em Serviços de Saúde. Brasília, DF: ANVISA, 2013. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/manuais-e-guias/manual_seguranca_paciente_anvisa.pdf
  6. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. (Consultar os capítulos sobre emergência e reanimação cardiopulmonar).

Os tipos de Bordas de Feridas

Quando falamos em avaliação de feridas, muitos focam apenas no tamanho, na profundidade ou na presença de exsudato. Porém, um detalhe que pode revelar muito sobre a evolução do processo cicatricial é a observação das bordas da ferida. As bordas indicam se o processo de cicatrização está ocorrendo de forma adequada ou se há fatores que dificultam a reparação tecidual.

Para a prática da enfermagem, compreender as características dessas bordas é essencial, já que esse olhar clínico orienta a escolha da conduta e dos cuidados. Vamos conhecer melhor os principais tipos: bordas justapostas, epíbole, maceradas, com hiperqueratose e descolamento.

Bordas justapostas

As bordas justapostas são aquelas em que as margens da ferida se encontram lado a lado, bem definidas, sem retrações ou elevações. É o que se espera em um processo de cicatrização saudável.

Esse aspecto sugere que há boa perfusão sanguínea, ausência de infecção e um processo adequado de regeneração tecidual.

Cuidados de enfermagem:

  • Manter a ferida limpa e protegida.
  • Escolher curativos que preservem o ambiente úmido ideal.
  • Avaliar periodicamente para garantir que não surjam complicações.

Bordas em epíbole

O termo epíbole se refere a bordas enroladas ou encurvadas para dentro. Esse fenômeno geralmente ocorre quando a epitelização (formação de novas células de pele) não avança corretamente, interrompendo o fechamento da ferida.

Feridas com bordas em epíbole tendem a se tornar feridas crônicas, de difícil cicatrização.

Cuidados de enfermagem:

  • Retirar tecidos inviáveis, se necessário, com orientação da equipe multiprofissional.
  • Utilizar curativos que estimulem a granulação e a epitelização.
  • Monitorar sinais de estagnação do processo cicatricial.

Bordas maceradas

A maceração ocorre quando as bordas da ferida ficam esbranquiçadas e frágeis devido ao excesso de umidade. Isso pode acontecer por uso inadequado de coberturas ou pelo contato constante com exsudato.

Bordas maceradas aumentam o risco de alargamento da ferida e atraso da cicatrização.

Cuidados de enfermagem:

  • Avaliar a quantidade de exsudato e ajustar o tipo de curativo.
  • Proteger a pele perilesional com barreiras protetoras.
  • Reduzir o excesso de umidade, mantendo o equilíbrio da hidratação.

Bordas com hiperqueratose

A hiperqueratose é caracterizada pelo espessamento da borda da ferida, geralmente endurecida e de coloração amarelada ou esbranquiçada. Esse processo pode dificultar a cicatrização, pois impede que as células epiteliais avancem sobre a lesão.

É comum em feridas crônicas, como úlceras de pressão ou de pé diabético.

Cuidados de enfermagem:

  • Orientar avaliação médica para possível desbridamento.
  • Manter curativos que auxiliem na remoção do excesso de tecido queratinizado.
  • Reforçar cuidados com hidratação da pele adjacente.

Bordas em descolamento

As bordas em descolamento aparecem quando há separação entre o leito da ferida e a pele adjacente. Esse tipo de borda é preocupante, pois pode indicar presença de infecção, necrose ou má perfusão tecidual.

Além de aumentar o risco de complicações, o descolamento prejudica a cicatrização e pode evoluir para feridas mais profundas.

Cuidados de enfermagem:

  • Investigar sinais de infecção (odor, exsudato purulento, eritema).
  • Utilizar curativos que favoreçam a aproximação das bordas.
  • Garantir avaliação multiprofissional em casos persistentes.

Mais cuidados de Enfermagem

A nossa responsabilidade vai além de apenas observar as bordas. A partir do nosso olhar, podemos planejar o cuidado e garantir que a cicatrização avance.

  1. Avaliação: A cada troca de curativo, é nosso papel inspecionar a ferida e classificar suas bordas. Documentar a aparência e o tipo de borda é crucial para o acompanhamento.
  2. Identificação e Comunicação: Identificar se a borda está “estacionada” (epíbole, hiperqueratose) ou com problemas (macerada, descolamento). Comunicar a equipe multidisciplinar (médico, estomaterapeuta) sobre as nossas descobertas para que o plano de tratamento possa ser ajustado.
  3. Escolha do Curativo: A escolha do curativo depende do tipo de borda.
    • Bordas Maceradas: Usar curativos que absorvam o excesso de exsudato (alginato, espumas) e proteger a pele ao redor com barreiras cutâneas.
    • Bordas Epíbole ou Hiperqueratose: É preciso debridar (remover) o tecido que impede a cicatrização, seja com um debridamento mecânico, autolítico ou cirúrgico.
    • Bordas com Descolamento: O tratamento envolve preencher o “bolso” com curativos que estimulem a cicatrização de dentro para fora.
  4. Educação ao Paciente: Orientar o paciente e a família sobre a importância do cuidado e de como as bordas da ferida podem indicar progresso ou estagnação.

As bordas de uma ferida são uma linguagem silenciosa que, se compreendida, nos dá o poder de intervir de forma precisa e eficaz. O nosso conhecimento e nossa atenção aos detalhes são a chave para a melhora do paciente.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Hospitalar e de Urgência. Manual de Terapia Nutricional em Unidade de Terapia Intensiva. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2011. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_terapia_nutricional_uti.pdf
  2. FERREIRA, A. M. et al. Avaliação de feridas: aspectos essenciais para a prática clínica. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 73, n. 2, p. 1-8, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/cRLTN8FJtD9LpJ6fG7HvF7y/. 
  3. CARVILLE, K. Wound Care Manual. 6. ed. Osborne Park: Silver Chain Foundation, 2017.
  4. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo para prevenção de úlcera por pressão. Brasília: MS, 2013. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/protocolo_prevencao_ulcera_pressao.pdf

Doenças intestinais: conhecendo os principais tipos

O intestino é um dos órgãos mais importantes e complexos do corpo humano. Ele participa da digestão, da absorção de nutrientes, da formação das fezes e ainda abriga grande parte do nosso sistema imunológico. Por isso, quando algo não vai bem no intestino, as consequências podem ser sentidas em todo o organismo.

As doenças intestinais são variadas e podem ter causas infecciosas, inflamatórias, anatômicas, autoimunes ou até tumorais. Conhecer os principais tipos, seus sinais clínicos e os cuidados de enfermagem é essencial para qualquer estudante ou profissional da área da saúde.

Nesta publicação, vamos abordar com clareza os principais tipos de doenças intestinais, desde os parasitas até o câncer colorretal.

Infecções e Invasores: Quando Micro-Organismos Causam Problemas

São as doenças mais comuns, muitas vezes agudas, que podem afetar o intestino.

Infecções Bacterianas:

    • O que são: Causadas por bactérias como Salmonella, Escherichia coli ou Shigella, geralmente por meio de alimentos ou água contaminados.
    • Sintomas: Diarreia, cólicas abdominais, febre, náuseas e vômitos. A gravidade varia muito, mas podem levar à desidratação.
    • Cuidados de Enfermagem: Focar na hidratação (soro de reidratação oral ou endovenosa em casos graves), monitorar sinais vitais e o balanço hídrico, orientar sobre higiene das mãos e preparo de alimentos.

Verminoses (Helmintíases):

    • O que são: Infecções causadas por vermes parasitas, como lombrigas (Ascaris lumbricoides) e tênias (Taenia solium). Transmissão por alimentos contaminados ou falta de saneamento básico.
    • Sintomas: Dor abdominal, diarreia, anemia, perda de peso e, em casos de Ascaris, tosse e eliminação do verme pelas fezes.
    • Cuidados de Enfermagem: Educar sobre higiene, saneamento básico e o tratamento medicamentoso. Orientar sobre o preparo correto dos alimentos e a importância da lavagem das mãos.

Condições Inflamatórias: A Guerra Interna

Aqui, o sistema imunológico tem um papel central, causando inflamação crônica do intestino.

Colite:

    • O que é: Inflamação do cólon (intestino grosso). Pode ser causada por infecções, isquemia, uso de medicamentos, ou doenças autoimunes como a Retocolite Ulcerativa.
    • Sintomas: Dor abdominal, diarreia, urgência para evacuar, sangramento retal.
    • Cuidados de Enfermagem: Controlar a dor, monitorar sangramento, orientar sobre o uso de medicamentos (anti-inflamatórios, imunossupressores) e apoiar o paciente no manejo de uma doença crônica.

Doença de Crohn:

    • O que é: Outra doença inflamatória intestinal (DII), mas que pode afetar qualquer parte do trato digestivo, da boca ao ânus, de forma segmentada.
    • Sintomas: Diarreia, dor abdominal intensa, perda de peso, febre, fadiga e, em alguns casos, lesões perianais.
    • Cuidados de Enfermagem: Acompanhamento nutricional, monitoramento dos sintomas, educação sobre a doença e sobre os medicamentos imunossupressores e biológicos.

Síndrome do Intestino Irritável (SII):

    • O que é: Um distúrbio funcional do intestino. Não causa inflamação ou danos ao órgão, mas altera sua motilidade.
    • Sintomas: Dor e desconforto abdominal, inchaço, diarreia e/ou constipação, que melhoram após a evacuação. Os sintomas variam e são muito influenciados pelo estresse.
    • Cuidados de Enfermagem: Focar no apoio psicológico e na educação. Orientar sobre o manejo do estresse, dietas específicas (como a FODMAP) e a importância de manter um diário alimentar.

Obstáculos e Tumores: Quando a Passagem é Bloqueada ou Alterada

Essas condições alteram a anatomia e a função do intestino, podendo ser agudas ou crônicas.

Apendicite:

    • O que é: Inflamação do apêndice, um pequeno órgão em forma de dedo ligado ao intestino grosso.
    • Sintomas: Dor que começa ao redor do umbigo e se move para o lado inferior direito do abdômen, febre, náuseas e perda de apetite. É uma emergência cirúrgica!
    • Cuidados de Enfermagem: Avaliar a dor (usando escalas), monitorar sinais vitais, preparar o paciente para a cirurgia (jejum, acesso venoso) e oferecer cuidados no pós-operatório (controle da dor, deambulação precoce).

Aderências Intestinais:

    • O que são: Bandas de tecido cicatricial que se formam após cirurgias abdominais, traumas ou infecções.
    • Sintomas: Podem ser assintomáticas ou causar obstrução intestinal, levando a dor abdominal tipo cólica, inchaço, náuseas e vômitos.
    • Cuidados de Enfermagem: Monitorar sinais de obstrução intestinal, oferecer cuidados de conforto e, no pós-operatório, monitorar a ferida cirúrgica e incentivar a deambulação.

Pólipos Intestinais:

    • O que são: Crescimentos de tecido na parede interna do intestino. A maioria é benigna, mas alguns podem se tornar cancerosos.
    • Sintomas: Geralmente assintomáticos, mas podem causar sangramento retal ou alterações nos hábitos intestinais.
    • Cuidados de Enfermagem: Educar sobre a importância do rastreamento (colonoscopia) e da remoção dos pólipos. Preparar o paciente para exames e procedimentos.

Câncer Colorretal:

    • O que é: O crescimento de células malignas no cólon ou no reto.
    • Sintomas: Sangramento nas fezes, anemia, alteração nos hábitos intestinais, dor abdominal, perda de peso.
    • Cuidados de Enfermagem: Atuar na prevenção (educação sobre colonoscopia de rastreamento), no suporte ao paciente durante o tratamento (quimioterapia, radioterapia, cirurgia) e no cuidado de estomas (ostomias), se necessário.

Problemas Vasculares e Anorretais

Estas condições afetam as veias e a passagem final do trato intestinal.

Hemorroidas:

    • O que são: Veias inchadas e inflamadas no ânus e na parte inferior do reto.
    • Sintomas: Sangramento indolor, coceira, dor e, em casos mais graves, a presença de uma protuberância no ânus.
    • Cuidados de Enfermagem: Educar sobre hábitos intestinais saudáveis (dieta rica em fibras, hidratação), evitar esforço excessivo para evacuar e orientar sobre banhos de assento com água morna para alívio.

Diverticulite:

    • O que é: Inflamação dos divertículos, que são pequenas bolsas na parede do cólon.
    • Sintomas: Dor abdominal no lado esquerdo inferior, febre, calafrios, náuseas e alteração do ritmo intestinal.
    • Cuidados de Enfermagem: Focar no controle da dor, administrar antibióticos e, em casos mais leves, orientar sobre uma dieta líquida. Em casos graves, preparar para a cirurgia.

Nosso Papel Crucial: Acolher, Educar e Cuidar

O intestino é um reflexo de muitos aspectos da nossa vida, da alimentação ao estresse. Como profissionais de enfermagem, nossa atuação vai muito além de procedimentos técnicos. Somos os educadores, os ouvintes e os defensores do paciente.

  • Anamnese Detalhada: Questionar sobre hábitos intestinais, dieta, uso de medicamentos e histórico familiar é o primeiro passo para identificar um problema.
  • Avaliação Holística: Observar a aparência do paciente, seu nível de dor, seus sinais vitais e o estado do abdômen (distensão, ruídos intestinais).
  • Educação em Saúde: Explicar a importância da fibra, da água, do exercício físico e do rastreamento de câncer.
  • Suporte Emocional: Muitas doenças intestinais, especialmente as crônicas, causam grande impacto psicológico. Oferecer um ombro amigo e encaminhar para apoio psicológico é fundamental.

Entender as doenças intestinais é entender uma parte fundamental da saúde humana. Com nosso conhecimento, podemos ser a bússola que guia o paciente para o diagnóstico, o tratamento e a recuperação, garantindo que o universo intestinal funcione em harmonia.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas: Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2021. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/protocolos-clinicos-e-diretrizes-terapeuticas-pcdt/arquivos/2021/pcdt-doenca-de-crohn-e-retocolite-ulcerativa.pdf
  2. SOCIEDADE BRASILEIRA DE COLOPROCTOLOGIA (SBCP). Doenças Intestinais. Disponível em: https://www.sbcp.org.br/
  3. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. (Consultar capítulos sobre avaliação gastrointestinal e cuidados de enfermagem).

Enzimas Digestivas

A digestão é um processo fundamental para a manutenção da vida, pois garante que os alimentos ingeridos sejam transformados em nutrientes capazes de serem absorvidos e utilizados pelo organismo. Dentro dessa engrenagem complexa, as enzimas digestivas desempenham papel essencial.

Essas proteínas atuam em diferentes partes do sistema digestivo, quebrando moléculas maiores em partículas menores, como glicose, aminoácidos e ácidos graxos. O interessante é que cada região do trato digestivo possui enzimas específicas, adaptadas ao tipo de alimento que está sendo processado naquele ponto.

Para o estudante de enfermagem, compreender essa localização é essencial para reconhecer alterações digestivas e colaborar nos cuidados a pacientes que necessitam de suporte nesse processo.

Enzimas Digestivas da Boca

A digestão começa já na cavidade oral. As glândulas salivares produzem saliva, que contém a amilase salivar (ptialina). Essa enzima inicia a quebra do amido em moléculas menores de maltose.

Apesar de a boca ter um papel curto no tempo de digestão, esse primeiro contato enzimático é fundamental para preparar os carboidratos para etapas posteriores.

Enzimas Digestivas do Estômago

No estômago, o pH ácido é ideal para a ativação da pepsina, enzima que atua na digestão de proteínas, quebrando-as em peptídeos menores. A pepsina é derivada do pepsinogênio, uma forma inativa secretada pelas células principais do estômago, e só se torna ativa na presença do ácido clorídrico.

Além disso, no estômago de recém-nascidos, há presença da renina (ou quimosina), responsável pela digestão das proteínas do leite, especialmente a caseína.

Enzimas Digestivas do Pâncreas

O pâncreas é a principal glândula produtora de enzimas digestivas, liberando sua secreção no intestino delgado através do suco pancreático. Nele encontramos:

  • Amilase pancreática, que continua a digestão dos carboidratos.
  • Lipase pancreática, essencial para quebrar gorduras em ácidos graxos e glicerol, auxiliada pelos sais biliares.
  • Tripsina e quimotripsina, responsáveis por fragmentar proteínas em peptídeos menores.
  • Carboxipeptidase, que finaliza a quebra das proteínas em aminoácidos.

Esse conjunto garante que a maior parte da digestão ocorra de forma eficiente no intestino delgado.

Enzimas Digestivas do Intestino Delgado

A mucosa intestinal também contribui com a produção de enzimas, principalmente através das chamadas enzimas de borda em escova, presentes nas vilosidades do duodeno e jejuno. Entre elas, destacam-se:

  • Maltase, que converte maltose em glicose.
  • Lactase, que degrada lactose em glicose e galactose.
  • Sacarase, responsável por quebrar sacarose em glicose e frutose.
  • Peptidases, que atuam na etapa final da digestão de proteínas, transformando peptídeos em aminoácidos livres.

Essas enzimas garantem a conclusão do processo digestivo, deixando os nutrientes prontos para serem absorvidos pelas células intestinais.

Cuidados de Enfermagem

O conhecimento sobre a localização e função das enzimas digestivas auxilia o profissional de enfermagem em diferentes situações clínicas. Alguns pontos importantes incluem:

  • Reconhecimento de sinais clínicos: diarreia crônica, distensão abdominal, perda de peso e fezes gordurosas podem indicar deficiência enzimática.
  • Apoio ao diagnóstico: anotar alterações nos hábitos alimentares e sintomas pode contribuir para que a equipe médica investigue déficits enzimáticos, como a intolerância à lactose.
  • Administração de terapias enzimáticas: em pacientes com insuficiência pancreática, como nos casos de pancreatite crônica, a suplementação com cápsulas de enzimas deve ser administrada conforme prescrição, com atenção ao horário e associação correta com as refeições.
  • Orientação ao paciente: reforçar a importância da adesão ao tratamento e da alimentação adequada em condições como intolerância à lactose ou má absorção.

As enzimas digestivas são fundamentais em cada etapa da digestão, e seu funcionamento adequado depende da interação harmoniosa entre diferentes órgãos. Saber quais enzimas estão localizadas na boca, estômago, pâncreas e intestino delgado permite que o estudante e o profissional de enfermagem compreendam melhor tanto a fisiologia quanto as alterações clínicas que podem surgir.

Esse conhecimento é essencial na prática, pois garante maior segurança na assistência a pacientes com doenças gastrointestinais e melhora a adesão ao tratamento.

Referências:

  1. GUYTON, A. C.; HALL, J. E. Tratado de fisiologia médica. 14. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021.
  2. MURRAY, R. K. et al. Harper: Bioquímica ilustrada. 31. ed. Porto Alegre: AMGH, 2019.
  3. NATIONAL INSTITUTE OF DIABETES AND DIGESTIVE AND KIDNEY DISEASES (NIDDK). Your Digestive System & How It Works. Bethesda: NIH, 2023. Disponível em: https://www.niddk.nih.gov/health-information/digestive-diseases/digestive-system-how-it-works.
  4. BRASIL. Ministério da Saúde. Atenção à saúde no sistema digestivo. Brasília: Ministério da Saúde, 2020. Disponível em: https://www.gov.br/saude. Acesso em: 18 ago. 2025.

Vamos relembrar? Tipos de banho na prática de enfermagem

O banho é um cuidado essencial que vai muito além da higiene corporal. Ele está relacionado ao conforto, à prevenção de infecções, à melhora da circulação sanguínea e até mesmo ao bem-estar psicológico do paciente. No ambiente hospitalar e domiciliar, o profissional de enfermagem deve dominar os diferentes tipos de banho e suas indicações, garantindo que o procedimento seja realizado de forma segura e humanizada.

Vamos relembrar juntos os principais tipos de banho: aspersão, imersão, ablução e banho no leito.

O Banho de Aspersão: O Mais Comum e Revigorante

O banho de aspersão, popularmente conhecido como banho de chuveiro, é a forma mais comum de banho para pacientes que têm autonomia e mobilidade suficientes para se locomover.

  • Indicação: Pacientes que podem se sentar ou ficar em pé no chuveiro e que não apresentam risco de queda ou instabilidade.
  • Vantagens: Proporciona maior autonomia e privacidade ao paciente, além de ser revigorante e ajudar na circulação.
  • Cuidados de Enfermagem: A nossa atuação é de total importância para a segurança.
    • Avaliação Inicial: Avaliar a força muscular e o equilíbrio do paciente.
    • Preparação: Deixar todos os materiais (toalha, sabonete, shampoo) ao alcance da mão.
    • Supervisão: Permanecer por perto, supervisionando o paciente, sem invadir sua privacidade, mas pronto para intervir em caso de tontura ou fraqueza.

O Banho de Imersão: Um Cuidado Mais Terapêutico

O banho de imersão é o banho de banheira. Ele é menos comum em hospitais hoje em dia, mas ainda é uma opção para cuidados específicos.

  • Indicação: Pacientes que necessitam de uma imersão completa para fins terapêuticos, como alívio da dor, relaxamento muscular ou para limpeza de grandes áreas do corpo.
  • Vantagens: Proporciona um grande alívio e relaxamento, sendo eficaz para alguns tipos de lesões de pele.
  • Cuidados de Enfermagem: O risco de queda e de hipotermia é maior.
    • Preparação: Testar a temperatura da água e ajudar o paciente a entrar e sair da banheira com segurança.
    • Monitoramento: Permanecer ao lado do paciente durante todo o processo.
    • Atenção: Verificar se o paciente não tem contraindicações para o banho de imersão (como febre alta ou feridas abertas).

O Banho de Ablução: Para os Mais Dependentes

O banho de ablução é realizado com a ajuda de uma bacia ou de uma jarra com água, com o paciente sentado ou em pé.

  • Indicação: Pacientes que não podem ir para o chuveiro, mas que têm alguma capacidade de ficar sentados. É comum em pacientes em cadeiras de rodas ou em idosos mais fragilizados.
  • Vantagens: Permite uma limpeza completa do corpo sem a necessidade de uma banheira ou de um chuveiro, sendo mais seguro do que um banho de imersão.
  • Cuidados de Enfermagem:
    • Preparação: O material (bacia, água, toalhas, sabão) deve estar organizado.
    • Assistência: Auxiliar o paciente a se lavar, sempre respeitando a sua autonomia e privacidade.
    • Segurança: Evitar molhar o chão para não causar acidentes.

O Banho no Leito: O Mais Desafiador e Essencial

O banho no leito é a forma de banho mais realizada na enfermagem hospitalar. Ele é destinado a pacientes que estão totalmente dependentes e não podem se mover, como pacientes em coma, acamados, em pós-operatório imediato ou em quadros clínicos graves.

  • Indicação: Pacientes com mobilidade restrita ou ausente.
  • Vantagens: Proporciona higiene, conforto, estimulação da circulação e nos dá a oportunidade de realizar uma avaliação completa do paciente.
  • Cuidados de Enfermagem:
    • Planejamento: Explicar o procedimento ao paciente (mesmo que ele esteja inconsciente). Reunir todo o material antes de começar.
    • Privacidade: Expor apenas a parte do corpo que está sendo lavada, mantendo o restante coberto.
    • Segurança e Conforto: A água deve estar em uma temperatura agradável. A lavagem deve ser realizada de forma rápida para evitar o resfriamento do paciente. Ao lavar o corpo, fazer movimentos de longa duração, de cima para baixo, ativando a circulação.
    • Avaliação: Durante o banho, avaliar a pele do paciente em busca de lesões, como úlceras por pressão, feridas ou áreas de vermelhidão.
    • Finalização: Deixar o paciente seco, com a cama arrumada e em uma posição confortável, garantindo sua segurança.

Relembrar os diferentes tipos de banho é fundamental para a prática de enfermagem, já que cada modalidade possui indicações específicas e exige cuidados direcionados. Mais do que promover a higiene, o banho é um momento de atenção, carinho e avaliação clínica, onde o profissional observa alterações na pele, no estado geral e no bem-estar do paciente.

Referências:

  1. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. (Consultar os capítulos sobre higiene e conforto do paciente).
  2. TIMBY, B. K.; SMITH, N. E. Habilidades e Procedimentos de Enfermagem. 11. ed. Porto Alegre: Artmed, 2016. (Consultar os capítulos sobre higiene e cuidados com a pele).
  3. SMELTZER, Suzanne C.; BARE, Brenda G. Brunner & Suddarth: Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012.
  4. MACHADO, Flávio S. Semiologia e Propedêutica da Enfermagem. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.
  5. BRASIL. Ministério da Saúde. Segurança do paciente: higiene das mãos em serviços de saúde. Brasília: MS, 2009. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/seguranca_paciente_higiene_maos.pdf.

Tipos de drenos cirúrgicos: o que todo estudante de enfermagem precisa saber

Os drenos cirúrgicos são dispositivos utilizados para remover líquidos, secreções ou ar acumulados em cavidades ou feridas após procedimentos cirúrgicos. Sua finalidade principal é prevenir complicações, como infecções, hematomas, seromas ou até mesmo o colapso pulmonar, dependendo do local onde estão instalados.

Para a enfermagem, compreender os tipos de drenos, seus mecanismos de funcionamento e os cuidados necessários é fundamental para garantir uma assistência segura e eficaz ao paciente.

Por que Usamos Drenos?

O acúmulo de fluidos no local da cirurgia (conhecido como seroma) pode ser um ambiente ideal para o crescimento de bactérias, levando a infecções e atrasando a cicatrização. Os drenos agem como um “aspirador”, removendo o excesso de líquido ou ar, permitindo que os tecidos se recuperem adequadamente.

Tipos de Drenos: Um Guia Prático

Os drenos podem ser classificados de várias formas, mas a maneira mais simples de entendê-los é por seu mecanismo de ação: por gravidade ou por sucção.

Drenos por Gravidade

Esses drenos funcionam com a ajuda da gravidade para que o líquido saia do corpo.

  • Dreno de Penrose: É um dos mais antigos e simples. É um tubo de látex, fino e macio, que fica aberto nas duas extremidades. Ele não tem reservatório e o líquido é coletado em uma gaze ou bolsa. É frequentemente usado em cirurgias menores, como abscessos.
    • Cuidados de Enfermagem: Avaliar a quantidade e o aspecto do líquido drenado. Proteger a pele ao redor do dreno, pois o líquido pode ser irritante. Trocar o curativo frequentemente.
  • Dreno Tubular Aberto: São drenos simples, em formato de tubo, que podem ser conectados a sistemas bolsa de coleta. São bastante versáteis, podendo ser utilizados em procedimentos abdominais, ortopédicos e de partes moles.

Drenos por Sucção

Esses drenos utilizam uma força de vácuo para “puxar” o líquido para fora do corpo, sendo mais eficientes.

  • Dreno de Portovac: É um sistema fechado que utiliza um reservatório em formato de sanfona ou de pera. Quando o reservatório é comprimido, ele cria um vácuo que suga o líquido para dentro. É muito utilizado em cirurgias de grande porte, como mamoplastias e cirurgias abdominais.
    • Cuidados de Enfermagem: Manter a sucção do reservatório. Esvaziar o reservatório periodicamente, medir o volume drenado e registrar as características do líquido. Observar se há vazamentos ou obstruções no tubo.
  • Dreno de Blake: Similar ao Portovac, mas com um tubo de silicone que tem múltiplos canais. Ele também usa um sistema de sucção e é menos propenso a obstruções.
  • Dreno de Sucção Seca: É um sistema de sucção que utiliza um regulador de pressão de parede, sem a necessidade de um reservatório manual. É comumente usado em drenagem de tórax.
  • Dreno de Tórax: É um dreno tubular que é inserido no espaço pleural (entre o pulmão e a parede torácica) para remover ar (pneumotórax), líquido ou sangue. Ele é conectado a um sistema de selo d’água, que impede que o ar volte para o tórax.
    • Cuidados de Enfermagem: Manter o sistema de drenagem abaixo do nível do tórax do paciente. Observar o borbulhamento no selo d’água (que indica saída de ar) e as oscilações da coluna d’água, que mostram que o dreno está funcionando. Nunca clampear (fechar) o dreno de tórax sem uma prescrição médica rigorosa.

Outros tipos de drenos utilizados em procedimentos médicos

Além dos já citados, existem outros drenos bastante comuns na prática clínica:

  • Dreno de Kehr: em forma de “T”, usado principalmente em cirurgias das vias biliares para drenagem de bile.
  • Dreno Malecot: com extremidade alargada em “asas”, muito usado em urologia, como na drenagem vesical ou renal.
  • Dreno de Pezzer: semelhante ao Malecot, mas com extremidade em formato de cogumelo, também empregado em drenagem urinária ou gástrica.
  • Drenos de aspiração fechada (como Jackson-Pratt): semelhantes ao Portovac, mas com reservatório em forma de bulbo, comuns em cirurgias de pequeno porte.

Cuidados de enfermagem com drenos

A nossa atuação é o elo entre a técnica e a segurança do paciente. Para o cuidado com os drenos, devemos seguir alguns passos:

  1. Avaliação: A cada plantão, avaliar o local de inserção do dreno, buscando sinais de infecção (vermelhidão, inchaço, calor, dor).
  2. Monitoramento: Medir o volume do líquido drenado a cada 6 ou 12 horas, dependendo do protocolo, e registrar as características do líquido (cor, odor, consistência).
  3. Higiene: Realizar a limpeza da pele ao redor do dreno com técnica asséptica e trocar o curativo, se necessário.
  4. Manutenção do Sistema: Em drenos de sucção, garantir que o vácuo seja mantido. Em drenos de tórax, verificar o borbulhamento e a oscilação.
  5. Fixação: Certificar-se de que o dreno esteja bem fixado à pele para evitar que ele seja puxado acidentalmente.
  6. Educação do Paciente: Explicar ao paciente a função do dreno, a importância de não puxá-lo e como ele pode ajudar a manter o sistema seguro.

Os drenos cirúrgicos são recursos indispensáveis na prática médica e de enfermagem, pois garantem a cicatrização adequada e previnem complicações graves. Cada tipo de dreno possui características próprias e é indicado para situações específicas.

Para o estudante de enfermagem, compreender os diferentes modelos e os cuidados necessários é um passo essencial para prestar uma assistência segura, qualificada e humanizada no período pós-operatório.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Boas Práticas para o Processamento de Produtos para Saúde. 2. ed. Brasília, DF: ANVISA, 2013. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/manuais-e-guias/manual_reprocessamento_produtos.pdf
  2. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. (Consultar os capítulos sobre cirurgia e cuidados com drenos).
  3. BRUNNER, Lillian Sholtis; SUDDARTH, Doris Smith. Tratado de enfermagem médico-cirúrgica. 13. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015.
  4. SMELTZER, Suzanne C.; BARE, Brenda G. Brunner & Suddarth: Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012.
  5. COELHO, Maria Sílvia. Drenos cirúrgicos: indicações e cuidados de enfermagem. Revista de Enfermagem Referência, Coimbra, v. 4, n. 5, p. 133-140, 2012. Disponível em: https://revistas.rcaap.pt/referencia/article/view/1462

A Pinça de Carretel (Ou de Ordenha)

A pinça de carretel, também conhecida como pinça de ordenha, é um instrumento bastante utilizado em enfermagem, principalmente em procedimentos hospitalares que envolvem sondas, cateteres e drenos.

Embora seu nome possa soar estranho para quem está começando na área, trata-se de uma ferramenta simples, mas extremamente útil para garantir a segurança do paciente e a eficiência de determinados cuidados.

O Que É a Pinça de Carretel?

A pinça de carretel é formada por um corpo cilíndrico, que lembra um pequeno carretel, e uma superfície que permite realizar pressão controlada sobre tubos flexíveis. Sua principal função é interromper ou controlar temporariamente o fluxo de líquidos, como no caso de drenos, sondas nasogástricas, sondas vesicais ou equipos de infusão.

O material de fabricação costuma ser plástico ou metal, com design anatômico para facilitar o manuseio. Por não perfurar ou cortar o tubo, ela preserva a integridade do material, evitando danos que poderiam levar a vazamentos ou contaminações.

Indicações de Uso

A pinça de carretel é indicada para diversas situações no ambiente hospitalar, como:

  • Interrupção temporária do fluxo de líquidos em sondas e drenos durante a troca de bolsas coletoras.
  • Ordenha de drenos cirúrgicos para manter a permeabilidade e evitar obstruções por coágulos.
  • Controle momentâneo de fluxo em equipos de infusão para troca de frascos ou ajuste de medicações.
  • Auxílio em procedimentos de higiene ou transporte de pacientes, evitando extravasamento de fluidos.

Como Usar a Pinça de Carretel?

O uso da pinça de carretel deve ser cuidadoso e seguir protocolos de segurança para evitar complicações. O processo básico inclui:

  1. Higienização das mãos antes de qualquer manipulação.
  2. Posicionamento correto da pinça no tubo ou dreno, pressionando de forma suficiente para interromper o fluxo, mas sem danificar o material.
  3. Ordenha, se necessário, realizando movimentos suaves no sentido do corpo do paciente para o reservatório, a fim de deslocar coágulos ou detritos.
  4. Retirada da pinça somente no momento adequado, para restabelecer o fluxo de forma controlada.

É importante nunca deixar a pinça fechada por tempo prolongado sem indicação médica ou de protocolo, pois isso pode levar a complicações como refluxo, aumento de pressão no sistema ou falha na drenagem.

Cuidados de Enfermagem

  • Sempre confirmar a necessidade e o tempo de uso da pinça conforme prescrição ou protocolo institucional.
  • Observar o paciente durante e após o procedimento, monitorando sinais de dor, desconforto ou alteração no fluxo.
  • Manter a pinça limpa e, quando reutilizável, realizar a devida desinfecção ou esterilização conforme as normas.
  • Evitar uso excessivo de força para não deformar ou romper a sonda/dreno.
  • Registrar no prontuário o motivo, o tempo e o resultado da utilização da pinça.

A pinça de carretel é um recurso simples, mas essencial na prática de enfermagem. Seu uso correto garante segurança, eficiência nos procedimentos e conforto para o paciente. Para o estudante e o profissional de enfermagem, compreender sua função e técnica de utilização é parte fundamental do cuidado qualificado.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de cuidados com sondas, drenos e cateteres. Brasília: Ministério da Saúde, 2020. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_cuidados_sondas_drenos_cateteres.pdf.
  2. FERNANDES, A. T.; SILVA, A. P. Procedimentos de enfermagem: fundamentos técnicos e científicos. 9. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br.
  3. SOBECC – Associação Brasileira de Enfermeiros de Centro Cirúrgico. Práticas recomendadas. 7. ed. São Paulo: SOBECC, 2017. Disponível em: https://www.sobecc.org.br.