Tipos de Embalagens na CME

No Centro de Material e Esterilização (CME), a escolha da embalagem correta é fundamental para garantir a segurança do paciente e a eficácia dos processos de esterilização. Cada tipo de embalagem tem características próprias e é indicado para situações específicas. Neste artigo, vamos explorar os principais tipos de embalagens utilizados atualmente, os menos utilizados e até aqueles que foram proibidos pela Anvisa. Tudo de forma clara, objetiva e acessível para estudantes e profissionais de enfermagem.

As Embalagens Mais Utilizadas na CME

Tecido Não Tecido (SMS)

O SMS (Spunbond-Meltblown-Spunbond) é uma das embalagens mais comuns na CME. Ele é feito de polipropileno em três camadas, o que garante alta resistência mecânica e barreira contra microrganismos.

É descartável e compatível com a maioria dos métodos de esterilização, como vapor saturado sob pressão e óxido de etileno. Por ser leve, flexível e seguro, é bastante utilizado para embalar conjuntos cirúrgicos, principalmente quando se deseja um equilíbrio entre custo, segurança e praticidade.

Cuidados de enfermagem: Verificar a integridade do material antes e após o uso, garantir que a selagem seja adequada e realizar o manuseio com técnica asséptica.

Papel Grau Cirúrgico

O papel grau cirúrgico é outro material amplamente utilizado, principalmente para embalagens individuais de instrumentos. Ele possui uma face de papel celulósico e outra de filme plástico transparente, permitindo visualização do conteúdo.

Além de oferecer boa barreira microbiana, é permeável aos agentes esterilizantes como vapor, óxido de etileno e formaldeído. Requer seladora térmica para vedação.

Cuidados de enfermagem: Inspecionar o fechamento da embalagem, observar a validade da esterilização e evitar empilhamento excessivo para não comprometer a integridade.

Papel TYVEK

Menos comum que o SMS e o grau cirúrgico, o Tyvek é um material de alta tecnologia, composto por fibras de polietileno. Ele é extremamente resistente a rasgos, perfurações e umidade.

É indicado para métodos de esterilização por baixa temperatura, como óxido de etileno e plasma de peróxido de hidrogênio, sendo ideal para dispositivos termossensíveis.

Cuidados de enfermagem: Utilizar exclusivamente com os métodos compatíveis, conferir a integridade antes da esterilização e respeitar as recomendações do fabricante.

Contêiner Rígido

O contêiner rígido é uma alternativa reutilizável e altamente segura. Fabricado em alumínio, aço inox ou polipropileno, ele possui filtros e válvulas que permitem a entrada e saída dos agentes esterilizantes, sem necessidade de embalagem adicional.

É indicado para grandes volumes, como bandejas cirúrgicas. Além de durável, oferece excelente proteção física e microbiológica.

Cuidados de enfermagem: Conferir os filtros e travas antes do uso, manter a limpeza e realizar controle periódico de integridade e funcionamento dos sistemas de barreira.

Tecido de Algodão

Apesar de estar em desuso em muitos serviços, o tecido de algodão ainda é utilizado em algumas instituições. Ele é reutilizável, sendo necessário realizar a lavagem, secagem, inspeção e reesterilização após cada uso.

É compatível somente com esterilização por vapor e deve ser usado em dupla camada para garantir uma barreira adequada contra microrganismos.

Cuidados de enfermagem: Realizar controle rigoroso do número de reutilizações, observar desgaste do tecido e manter registro de processamento.

Embalagens Menos Utilizadas e Proibidas

Papel Crepado

O papel crepado é flexível, descartável e biodegradável. Embora ainda seja usado, sua resistência é inferior aos materiais mais modernos. Exige dupla embalagem, especialmente para itens perfurocortantes.

Apesar de apresentar barreira bacteriana razoável, não é compatível com métodos de baixa temperatura, como plasma.

Cuidados de enfermagem: Verificar se o material está seco e sem rasgos antes de embalar e sempre utilizar dupla camada.

Papel Kraft – Proibido pela ANVISA

O papel kraft era usado como alternativa de baixo custo, porém não garante barreira microbiana eficaz nem resistência adequada. Por isso, foi proibido pela Anvisa, conforme determina a RDC nº 15/2002, que regula o reprocessamento de produtos para saúde.

Segundo o Art. 21 da norma, “não é permitida a utilização de papel kraft como material de embalagem para produtos para saúde a serem esterilizados.”

Cuidados de enfermagem: Jamais utilizar esse tipo de embalagem. Caso ainda esteja presente no setor, comunicar a supervisão e orientar a equipe quanto à norma vigente.

Conhecer os tipos de embalagens e suas indicações é essencial para garantir a segurança dos processos de esterilização e a integridade dos produtos para saúde. O papel do enfermeiro vai além de apenas embalar: ele precisa avaliar, escolher o material adequado e assegurar a qualidade do processo, protegendo tanto a equipe quanto o paciente.

Referências:

  1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENFERMEIROS DE CENTRO CIRÚRGICO, RECUPERAÇÃO ANESTÉSICA E CENTRO DE MATERIAL E ESTERILIZAÇÃO – SOBECC. Diretrizes de práticas em enfermagem perioperatória e processamento de produtos para saúde. 8. ed. São Paulo: SOBECC, 2017. Disponível em: https://sobecc.org.br
  2. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. Resolução RDC nº 15, de 15 de março de 2012. Dispõe sobre os requisitos de boas práticas para o processamento de produtos para saúde e dá outras providências. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/tecnovigilancia/publicacoes/rdc-no-15-de-15-de-marco-de-2012.pdf

Autoclave Hospitalar

Uma autoclave hospitalar é um equipamento essencial em qualquer estabelecimento de saúde, utilizado para esterilizar instrumentos cirúrgicos, materiais de curativo e outros artigos médico-hospitalares.

Através do uso de vapor sob alta pressão e temperatura, a autoclave elimina todos os microrganismos, garantindo a segurança dos pacientes e profissionais de saúde.

Principais Características

  • Câmara de Esterilização: É o compartimento onde os materiais a serem esterilizados são colocados. Geralmente fabricada em aço inoxidável para garantir resistência à corrosão e facilitar a limpeza.
  • Gerador de Vapor: Produz o vapor utilizado no processo de esterilização. A qualidade do vapor é fundamental para garantir a eficácia do processo.
  • Sistema de Controle: Permite programar os ciclos de esterilização, ajustando a temperatura, pressão e tempo de exposição ao vapor, de acordo com o tipo de material a ser esterilizado.
  • Sistema de Vácuo: Remove o ar da câmara antes da introdução do vapor, garantindo uma esterilização mais eficiente.
  • Sistema de Secagem: Remove o excesso de umidade dos materiais após a esterilização, evitando a recontaminação.
  • Registro de Dados: Permite registrar os parâmetros de cada ciclo de esterilização, garantindo a rastreabilidade e a segurança do processo.

Tipos de Autoclaves

  • Autoclaves Gravitacionais: São as mais simples e econômicas. A remoção do ar ocorre por gravidade, o que pode levar a um tempo de ciclo mais longo e a formação de bolhas de ar.
  • Autoclaves de Pré-Vácuo: Utilizam uma bomba de vácuo para remover o ar da câmara antes da introdução do vapor, garantindo uma esterilização mais rápida e eficiente.
  • Autoclaves de Vácuo Fracionado: Combinam as características das autoclaves gravitacionais e de pré-vácuo, oferecendo um bom desempenho a um custo relativamente baixo.

Ciclo de Funcionamento

  1. Pré-vácuo: O ar é removido da câmara, criando um vácuo.
  2. Injeção de Vapor: Vapor saturado sob alta pressão é injetado na câmara, elevando a temperatura e a pressão.
  3. Esterilização: Os materiais são expostos ao vapor por um determinado tempo, a uma temperatura e pressão específicas, para garantir a eliminação de todos os microrganismos.
  4. Secagem: O vapor é removido e a câmara é submetida a um vácuo para secar os materiais.
  5. Fim do Ciclo: A autoclave se resfria e os materiais podem ser removidos.

Tipos de Esterilização

  • Autoclave (vapor saturado sob pressão): Indicada para a esterilização de instrumentos de plástico, termoplástico, borracha, fibra, tecido, acrílico e aço.
  • Calor seco (flambagem, incineração, raios infravermelhos, estufas de ar quente): Indicada para a esterilização de instrumentos metálicos de ponta ou corte.
  • Radiação ionizante (alteração da composição molecular das células a partir da modificação do DNA): Indicada para a esterilização de materiais termossensíveis.
  • Formaldeído (função fungicida, virucida, bacteriana e (após 18h de ação) ação esporicida): Indicada para a esterilização de materiais críticos, como cateteres, drenos e tubos de borracha, náilon, teflon, PVC, poliestireno (em ambas as formulações – aquosa e alcoólica), laparoscópios, artroscópios e ventriloscópios, enxertos de acrílico – apenas na formulação aquosa.
  • Glutaraldeído (ação biocida, bacteriana, virucida, fungicida e esporocida): Indicada para a esterilização de materiais termossensíveis como enxertos de acrílico, drenos e tubos de poliestireno e equipamentos como endoscópios, conexões respiratórias, equipamentos de terapias respiratórias, dialisadores e tubos de espirometria.
  • Óxido de etileno (óxido de etileno – C2H4O + umidade relativa): Indicada para a esterilização de instrumentos de uso intravenoso e cardiopulmonar.
  • Peróxido de hidrogênio (água oxigenada): Indicada para a esterilização de materiais termossensíveis, como capilares hemodialisadores e lentes de contato.
  • Ácido peracético (peróxido de hidrogênio, ácido acético e água): Indicada para a esterilização de materiais como vidro, porcelana, polietileno, polipropileno, PTFE (Teflon®), PVC, polietileno e aço inox.
  • Plasma de peróxido de hidrogênio (água, ácido acético e peróxido de hidrogênio): Indicada para a esterilização de materiais como bronze, látex, alumínio, PVC, silicone, aço inoxidável, borracha, teflon e muitos outros.

Quais itens do ventilador mecânico podem fazer esterilização por autoclave?

Os itens do ventilador que podem ser esterilizados por autoclave são:

  • Circuito – espécie de cano que conduz o fluxo de gases.
  • Conectores – acessórios do circuito, que conecta as fonte de gases e o paciente.
  • Sensores de fluxo proximal.
  • Linha de silicone (linha de pressão) – acessório que auxilia a monitorização do paciente.
  • Válvula expiratória – realiza as funções de fechar o circuito de saída na inspiração e abrir o circuito de saída na expiração.
  • Diafragma – responsável pela mudança da fase inspiratória para a expiratória.

Referências:

  1. Pion G
  2. SPLabor
  3. Esterilav
  4. Bioxxi

Esterilização e seus Tipos

A esterilização é um processo que visa destruir todas as formas de vida microbianas que possam contaminar produtos, materiais e objetos voltados para a saúde. Portanto, são eliminados durante a esterilização organismos como vírus, bactérias fungos.

Dizemos que o processo de esterilização foi eficaz quando a probabilidade de sobrevivência dos microrganismos for menor do que 1:1.000.000.

A esterilização garante:

  • Segurança para pacientes e profissionais
  • Obediência às normas legais estabelecidas pela Anvisa
  • Maior vida útil aos materiais médicos
  • Economia e otimização de recursos

O Processo: Tipos de Esterilização

Existem várias formas de realizar a esterilização. No entanto, a decisão de qual processo utilizar deve ser baseada no tipo de material e no risco de contaminação.

Os métodos de esterilização podem ser divididos em químicos (compostos fenólicos, clorexidina, halogênios, álcoois, peróxidos, óxido de etileno, formaldeído, glutaraldeído e ácido peracético) e físicos (calor, filtração e radiação). Para a escolha do melhor método, deve-se levar em consideração, além da compatibilidade do material, a efetividade, toxicidade, facilidade de uso, custos, entre outros.

Métodos químicos de esterilização

É indicada para artigos críticos e termossensíveis, ou seja, aqueles que não resistem às altas temperaturas dos processos físicos.

Dentre os métodos químicos, alguns deles podem ser utilizados tanto para desinfectar como para esterilizar, depende apenas do tempo de exposição e concentração do agente. Os mais utilizados para produtos laboratoriais e hospitalares são:

  • Óxido de Etileno (ETO): é um gás vastamente utilizado na esterilização de materiais laboratoriais e hospitalares de uso único por causa do seu bom custo/benefício. Sua ação se dá pela reação com uma proteína no núcleo da célula, impedindo a reprodução. Todos os produtos devem ser colocados em embalagens permeáveis a gases para permitir que o ETO penetre. Seu uso não danifica os materiais e pode ser utilizado em vários tipos de materiais, inclusive os termossensíveis. Contudo, ele é altamente tóxico e agressivo ao ambiente externo.
  • Ácido Peracético: tem ação rápida, baixa toxicidade e é biodegradável. Porém, danifica metais. Uma grande vantagem é ser efetivo mesmo na presença de matéria orgânica (ou seja, os materiais não precisam ser previamente limpos). Em compensação, os materiais devem ser utilizados imediatamente após a esterilização por esse método, por isso não é muito utilizado.
  • Peróxido de hidrogênio (água oxigenada): em concentração de 3% e 6% tem ação rápida, é biodegradável e atóxico, mas tem alta ação corrosiva. Sua ação é mais eficaz em capilares hemodializadores e lentes de contato, mas esse processo não é muito utilizado.
  • Formaldeído: pode ser utilizado na forma gasosa e líquida e, para ter ação esporicida, necessita de um longo tempo de exposição. É indicado para cateteres, drenos e tubos, laparoscópios, artroscópios e ventriloscópios, enxertos de acrílico. Por ser carcinogênico e irritante das mucosas, seu uso está mais restrito.
  • Glutaraldeído: líquido com potente ação biocida e pode ser utilizado em materiais termossensíveis, mas necessita de um longo tempo de exposição para ser esporicida. É muito utilizado por ter baixo custo e baixo poder corrosivo, porém é irritante das vias aéreas; pode causar queimaduras na pele, membrana e mucosas; e materiais porosos podem reter o produto. Enxertos de acrílico, cateteres, drenos e tubos de poliestireno são os materiais rotineiramente esterilizados por esse processo.

Métodos físicos de esterilização

A esterilização por processos físicos pode ser através de calor úmido, calor seco ou radiação. A esterilização por radiação tem sido utilizada em nível industrial, para artigos médicos-hospitalares. Ela permite uma esterilização a baixa temperatura, mas é um método de alto custo. Para materiais que resistam a altas temperaturas a esterilização por calor é o método de escolha, pois não forma produtos tóxicos, é seguro e de baixo custo.

  • Radiação ionizante: destrói o DNA formando radicais super-reativos (superóxidos), matando ou inativando os micro-organismos (quando são incapazes de se reproduzir). Muitos materiais são compatíveis com esse tipo de esterilização, pois não há aumento da temperatura nesse processo. Caso dos materiais termossensíveis e tecidos biológicos para transplantes. Apesar de parecer, a radiação não é transmitida para os produtos processados. É um processo livre de resíduos e ecológico, pois não gera emissões tóxicas ou resíduos, além de não causar impactos na qualidade do ar ou da água. Destacaremos dois tipos delas:
    • Radiação Gama: a energia é gerada por fontes de Cobalto 60. Esse processo tem alto poder de penetração, permitindo que os produtos sejam esterilizados já na embalagem final, sem necessidade de manipulação.
    • E-beam (feixe de elétrons): utilizado preferencialmente para o processamento de produtos de alto volume/baixa densidade, como seringas médicas, ou produtos de baixo volume/alto valor, como dispositivos cardiotorácicos. Além disso, pode ser utilizado para produtos biológicos e tecidos. Podem ser esterilizados na embalagem final, pois a radiação E-beam também possui alto poder de penetração. A grande vantagem desse tipo de radioesterilização é que necessita menor tempo de exposição, evitando rompimentos e efeitos de envelhecimento a longo prazo que podem acontecer com polipropileno quando submetido à radiação prolongada
  • Calor úmido (ex.: autoclavagem, fervura e pasteurização): provoca a desnaturação e coagulação das proteínas e fluidificação dos lipídeos. Não pode ser utilizado em materiais termossensíveis, nem para materiais que oxidam com água. A autoclavagem é muito utilizada nos vários setores de serviços da saúde por ser de custo acessível e de fácil utilização. Além disso, consegue esterilizar uma infinidade de materiais, inclusive tecidos e soluções.
  • Calor seco (ex.: estufa, flambagem e incineração): provoca a oxidação dos constituintes celulares orgânicos. Penetra nas substâncias de uma forma mais lenta que o calor úmido e por isso exige temperaturas mais elevadas e tempos mais longos. Não pode ser utilizado para materiais termossensíveis.
  • Filtração: utilizada para soluções e gases termolábeis, quando atravessam superfícies filtrantes com poros bem pequenos, como velas porosas, discos de amianto, filtros de vidro poroso, de celulose, e filtros “millipore” (membranas de acetato de celulose ou de policarbonato).
  • Radiação não-ionizante (ex.: luz UV): altera a replicação do DNA no momento da reprodução. Muito utilizado em lâmpadas germicidas encontradas em centros cirúrgicos, enfermarias, berçários, capelas de fluxo laminar. Tem como desvantagens: baixo poder de penetração e efeitos deletérios sobre a pele e olhos, causando queimaduras graves.

Validação dos processos de esterilização

Indicadores químicos e biológicos servem para verificar se o processo de esterilização está validado. Os indicadores químicos incluem o teste de Bowie e Dick, que testa a eficácia do vácuo na autoclave. Existem os indicadores colocados dentro do pacote, que avalia a penetração do agente esterilizante; e as fitas termocrômicas, que são colocados na parte externa dos pacotes e ficam listradas após a esterilização por calor.

O uso da fita é recomendado em todos os pacotes ou caixas, uma vez que indicam pelo menos se o material passou pelo processo.

Entretanto, os indicadores biológicos são os mais seguros com relação à qualidade da esterilização. Podem ser tiras impregnadas com esporos ou suspensões-padrão de esporos bacterianos, que são submetidos à esterilização juntamente com os materiais a serem processados em autoclaves, estufas e câmaras de irradiação. Terminado o ciclo de esterilização, os indicadores são colocados em meios de cultura adequados para verificação do desenvolvimento destes esporos. Se não houver crescimento, significa que o processo de esterilização está validado.

Atualmente, existem também as tiras de esporos com meio de cultura e ampolas contendo bacilos e meio de cultura líquido (autocontido), que também devem ser processados juntos com o material a ser analisado, para posterior análise após finalizado o ciclo.

Referências:

  1. Orientações gerais para central de esterilização – Ministério da saúde
  2. Irradiação por feixe de elétrons – Sterigenics
  3. Quais as diretrizes básicas de esterilização e desinfecção de artigos clínicos e médico-hospitalares? – Biblioteca virtual em saúde
  4. Monitoramento dos Métodos de Esterilização
  5. Radioesterilização – Instituto de pesquisas energéticas e nucleares
  6. Irradiação por raios gama é alternativa eficiente para esterilização
  7. 9 Tipos de Esterilização de materiais: qual é o mais seguro?
  8. Manual de Biossegurança para serviços de saúde – FIOCRUZ

Central de Material e Esterilização (CME)

A Central de Material e Esterilização (CME) é a área responsável pela limpeza e processamento de artigos e instrumentais médico-hospitalares. É na CME que se realiza o controle, o preparo, a esterilização e a distribuição dos materiais hospitalares.

Os Tipos de CME

A CME pode ser de três tipos, de acordo com sua dinâmica de funcionamento:

  • Descentralizada : utilizada até o final da década de 40, neste tipo de central cada unidade ou conjunto delas é responsável por preparar e esterilizar os materiais que utiliza;
  • Semi-centralizada : teve início na década de 50, cada unidade prepara seus materiais, mas os encaminha para serem esterilizados em um único local;
  • Centralizada: utilizada atualmente, os materiais do hospital são processados no mesmo local, ou seja, os materiais são preparados, esterilizados, distribuídos e controlados quantitativa e qualitativamente na CME.

A CME centralizada apresenta inúmeras vantagens, das quais podem-se destacar: a eficiência, a economia e a maior segurança para a equipe e para os clientes.

Esterilização

Esterilização é a total eliminação da vida microbiológica destes materiais. É diferente de limpeza e diferente de assepsia.

Como exemplo, uma tesoura cirúrgica pode ser lavada, e ela estará apenas limpa. Para ser esterilizada é necessário que seja submetida ao calor durante um determinado tempo, destruindo todas as bactérias, seus esporos, vírus e fungos.

Existem várias técnicas de esterilização, que apresentam vantagens e desvantagens; contudo, a técnica usada mais regularmente é a autoclavagem.

Métodos físicos

Esterilização por vapor

O vapor quente sob pressão é o método mais usado para esterilização de materiais médico-hospitalares do tipo crítico. É não tóxico, de baixo custo e esporicida.

Por esses motivos, deve ser usado para todos os itens que não sejam sensíveis ao calor e à umidade. O calor úmido destrói os micro-organismos por coagulação e desnaturação irreversíveis de suas enzimas e proteínas estruturais.

Este tipo de processo é realizado em autoclaves.

  • Gravitacional – O vapor é injetado forçando a saída do ar. A fase de secagem é limitada uma vez que não possui capacidade para completa remoção do vapor. Sua desvantagem é que pode apresentar umidade ao final pela dificuldade de remoção do ar. As autoclaves verticais são mais indicadas para laboratórios, na venturi, o ar é removido através de uma bomba, e a fase de secagem é limitada uma vez que não possui capacidade para completa remoção do vapor. Sua desvantagem é que pode apresentar umidade pelas próprias limitações de remoção do ar do equipamento;
  • Alto vácuo Introduz vapor na câmara interna sob alta pressão com ambiente em vácuo. É mais seguro que o gravitacional devido a alta capacidade de sucção do ar realizada pela bomba de vácuo.

Esterilização por calor seco

Este método é reservado somente aos materiais sensíveis ao calor úmido. Guarda suas vantagens na capacidade de penetração do calor e na não corrosão dos metais e dos instrumentos cortantes, sendo porém um método que exige maior tempo de exposição para alcançar seus objetivos, por oxidação dos componentes celulares.

Abaixo, alguns exemplos de temperatura e respectivo tempo de exposição necessário:

Temperatura – Tempo

  • 171°C – 60 minutos;
  • 160°C – 120 minutos;
  • 149°C – 150 minutos;
  • 141°C – 180 minutos;
  • 121°C – 12 horas.

Métodos físico-químicos

De forma geral, os métodos físico-químicos são processos realizados com baixas temperaturas. A esterilização a baixa temperatura é requerida para materiais termo sensíveis e/ou sensíveis à umidade. O método ideal não existe e todas as tecnologias têm limitações.

Óxido de etileno

É quase que exclusivamente utilizado para esterilização de equipamentos que não podem ser autoclavados. A efetividade do processo depende da concentração do gás, da temperatura, da umidade e do tempo de exposição.

Age por alcalinização de proteínas, DNA e RNA. As desvantagens para sua aplicação são o tempo necessário para efetivar o processo, o custo operacional e os possíveis riscos aos pacientes e aos profissionais envolvidos. Apresenta potencial carcinogênico e mutagênico, genotoxicidade, podendo alterar sistema reprodutor e nervoso e, ainda, causar sensibilização aos profissionais envolvidos no processo, devendo haver supervisão médica constante nos mesmos.

Radiação ionizante

Método extremamente caro de esterilização, tendo sido usado para tecidos destinados a transplantes, drogas, entre outros. Para outros artigos, perde para o óxido de etileno, justamente devido a seu custo.

As vantagens do processo estão em permitir aos produtos serem tratados na sua embalagem de transporte e também no fato dos prestadores de serviço possuírem irra­diadores de grande porte, onde pallets inteiros são processados ao mesmo tempo sem a necessidade de desconfigurar a carga, e os produtos não necessitam retornar ao fabricante inicial para serem reembalados.

Nesta condição, podem ser despachados diretamente para o consumidor final reduzindo substancialmente os custos de logística.

Desinfecção

É o método capaz de eliminar a maioria dos organismos causadores de doenças, com exceção dos esporos. É classificada em vários níveis e possui alguns fatores que influenciam na eficácia da sua operação.

Fatores que Interferem na Eficácia da Desinfecção

  • Limpeza prévia mal executada;
  • Tempo de exposição ao germicida insuficiente;
  • Solução germicida com ação ineficaz;
  • Temperatura e pH do processo.

Quanto aos níveis, a desinfecção é classificada em:

  • Baixo Nível: Na desinfecção de baixo nível são destruídas bactérias em forma vegetativa, alguns vírus e fungos. É eficaz, porém sobrevivem a este método esporos bacterianos, o vírus da hepatite B (HBV), vírus lentos e o bacilo da tuberculose. As soluções utilizadas neste nível são o álcool etílico, n-propílico e isopropílico, o hipoclorito de sódio e o quaternário de amônia;
  • Alto Nível: nesse nível de desinfecção são destruídas bactérias, fungos e alguns esporos. Sobrevivem apenas alguns esporos bacterianos e os vírus lentos. As soluções adotadas são o hipoclorito de sódio, glutaraldeído, solução de peróxido de hidrogênio, cloro e compostos clorados, ácido peracético, ortophtalaldeído, água superoxidada.