A Pressão Arterial Invasiva ou PAI

A Pressão Arterial Invasiva ou PAI

A Pressão Arterial Invasiva ou PAI é um procedimento de extrema importância em uma UTI. Indicado para pacientes mais críticos, para controle rígido de pressão juntamente com drogas vasoativas. A pressão por este método é medida através de um cateter introduzido na artéria, o qual é conectado em uma coluna líquida. A medida da pressão é obtida através do transdutor de pressão que faz a leitura; é obtida pressão sistólica, diastólica e média (PAM).

Quais são as preferências para as regiões do cateter?

-Radial (Imprecisa em situações de vasoconstrição extrema);
-Femoral.

Uma dica!

O valor da PAM (Pressão Arterial Média) não precisa necessariamente ter um cateter em radial ou femural para obter o resultado médio. Você pode usar seguinte fórmula:

PAM = PAS + (PAD x 2)
                        3

PAM = pressão arterial média
PAS= pressão arterial sistólica
PAD=pressão arterial diastolica

Quais são os valores normais da PAM?

Os valores normais da PAM variam de 75 a 105 mmHg.

Quais são as indicações para este tipo de procedimento?

  • Cirurgia cardiopulmonar;
  • Grandes cirurgias vasculares, torácicas, abdominais ou neurológicas;
  • Instabilidade hemodinâmica;
  • Uso de drogas vasoativas;
  • Uso de monitorização da pressão intracraniana;
  • Emergência hipertensiva associada à dissecção de aorta ou AVC;
  • Necessidade de gasometria arterial mais que três vezes ao dia;
  • Controle rigoroso da pressão arterial para conduta clínica.

E as suas contra-indicações?

  • Doença vascular periférica;
  • Doenças hemorrágicas;
  • Uso de anticoagulantes ou trombolíticos;
  • Punção em áreas infectadas;
  • Queimaduras no local de punção.

Há complicações, podemos citar:

  • Embolização arterial e sistêmica;
  • Insuficiência vascular;
  • Isquemia da região;
  • Trombose;
  • Alterações cutâneas : Hematomas,infiltrações;
  • Infecção;
  • Hemorragia maciça por desconexão do cateter.

O procedimento: Que materiais devo separar?

  • Mesa auxiliar;
  • Anti-sépticos padronizados na instituição;
  • Bandeja para acesso venoso profundo ou bandeja de pequena cirurgia;
  • Máscara;
  • Luva estéril;
  • Óculos;
  • Avental estéril;
  • Seringa descartável;
  • Agulha 13 x 0,38;
  • Agulha 40 x 12;
  • Anestésico local ( lidocaína a 2% sem vasoconstritor);
  • Fio de sutura agulhado para fixação cateter (de preferência mononylon);
  • Kit arterial;
  • Transdutor de pressão;
  • Bolsa pressurizadora, suporte para solução e suporte para transdutor;
  • Solução salina 0,9% ( 250 ou 500 ml);
  • Heparina sódica 5000 UI / ml.

 

Realização do procedimento ao técnico de enfermagem:

  • Verificar pacientes com indicação para cateterização arterial e solicitação médica para o procedimento;
  • Selecionar material para punção arterial, selecionar monitor com módulo de PAM;
  • Higienizar as mãos;
  • Abrir embalagem contendo circuito (transdutor eletrônico) de PAM estéril, observando para evitar contaminação;
  • Montar adequadamente transdutor de PAM acoplando ao soro fisiológico 0,9% de preferência 250ml, retirando ar do sistema, deixando-o pronto para conexão na linha arterial;
  • Preparar paciente posicionando o membro escolhido para punção;
  • Deixar bandeja com material para punção próxima do Box;
  • Oferecer ao médico material para punção, paramentação e anti-sepsia;
  • Calçar luvas acompanhando durante o procedimento;
  • Após punção da linha arterial, conectar via paciente do circuito de PAM, verificar refluxo de sangue arterial e realizar flush de solução fisiológica, para garantir permeabilidade do cateter;
  • Após proceder a zeragem do sistema, tendo como ponto zero a linha média axilar (eixo flebostático), 4º espaço intercostal;
  • Preferencialmente deve ser zerado com cabeceira a 30º, sendo que se a zeragem for outra deverá ser informada e registrada em local visível a equipe;
  • Zerar sistema no monitor (calibrar);
  • Observar curva;

Cuidados de Enfermagem ao manuseio do sistema:

  • Atentar para manutenção em pressurizador: o manter a permeabilidade do cateter pelo fluxo contínuo de SF 0,9% (250 ml) e a bolsa pressurizadora com 300 mmhg;
  • Realizar flush de SF a cada 6 horas;
  • Atentar para coágulos e permeabilidade do sistema;
  • Acompanhar fixação do cateter, e após realizar curativo estéril, atentando para possibilitar observação da equipe após;
  • Assegurar fixação do membro, prevenindo retirada acidental do cateter;
  • Descarte do material;
  • Realizar lavagem de mãos;
  • Registrar anotação do procedimento;
  • Datar local punção e sistema;
  • Observar curva constantemente, atentar para sinais infecção do sítio punção,e lavar mãos antes e após cada manipulação com o cateter ou sistema;
  • Realizar zeragem do sistema a cada 6 horas;
  • Atentar para alarmes acionando-o no inicio da conexão.

Resultado esperado:

  • Monitorizar a Pressão Arterial Invasiva ou PAI (PAM invasiva) de pacientes críticos de forma contínua e segura;
  • Possibilitar coleta de sangue arterial;
  • Manutenção da linha arterial com adequada permeabilidade.

NÃO CONFORMIDADE:

A Pressão Arterial Invasiva ou PAI pode obter alterações, se houver quaisquer alterações com o sistema ou cateter devem ser comunicadas ao intensivista para definição de conduta. Perda da linha arterial por obstrução/ contaminação/ desconexão devem ser registradas no prontuário e na folha de não conformidades do setor.

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Cuidado com os Medicamentos Viciantes!

Medicamentos Viciantes

Estas são apenas algumas dos medicamentos viciantes que pode ser encontrado em farmácias, mas a maioria precisa de receita médica para distribuição.

Eles são viciantes porque eles agem sobre o sistema nervoso central.

Opióides

Eles são derivados de ópio, com potência analgésica forte. Fazendo com que o efeito adverso seja a constipação, causando então um vício potente.

  • A Morfina: Com potência analgésica forte, é usado para tratar a dor severa e é frequentemente usado em cirurgias. O vício ocorre porque é ligado aos receptores de dor, e os opióides produzem um estado de bem-estar ao paciente. A prescrição é necessária, e é geralmente administrado por via intramuscular ou EV.
  • O Fentanil: Também atua sobre os receptores da dor e, consequentemente, a sua potência analgésica é forte. É utilizada no tratamento de dor crônica em pacientes críticos e é geralmente aplicado com sistemas transdérmicos ou também EV.
  • O Tramadol: É um analgésico opióide, usado como comprimidos ou EV para tratar a dor.
  • A Codeína: É um derivado de opiáceos, mas tem efeito antitússico, por isso, é útil contra a tosse seca. Está disponível nas farmácias, sob a forma de xarope e comprimidos, de modo que pode causar às pessoas dependência, sendo que muitas vezes leva a constipação.

Benzodiazepínicos

Parte do grupo das benzodiazepinas, são potentes e hipnótico viciante e causam dependência.

  • O Diazepam: é um ansiolítico de ação prolongada. É o primeiro do grupo a ser denominado como hipnótico, anticonvulsivante, sedativo e relaxante muscular. Pode ser administrado em comprimidos ou por via EV.
  • O Clonazepam: é um medicamento utilizado para tratar transtornos psicológicos e neurológicos, como crises epilépticas ou ansiedade, devido à sua ação anticonvulsivante, relaxamento muscular e tranquilizante. Pode ser encontrado sob forma de comprimidos ou EV.
  • O Alprazolam: ansiolítico de curta duração, é encontrado sob forma de comprimidos.
  • O Midazolam: é a substância ativa de um medicamento indutor do sono conhecido comercialmente como Dormonid. Esse medicamento de uso oral e injetável é indicado para indivíduos que sofrem de insônias e para sedação antes de cirurgia, sua ação altera o funcionamento dos neurotransmissores e deprime o sistema nervoso central.

Outros Estimulantes do SNC

  • O metilfenidato:  é um fraco estimulante do sistema nervoso central. Ele é usado para tratar a hiperatividade de déficit de atenção. É usado principalmente em crianças e em forma de comprimido.
  • O Oximetazoline: um formato inalador descongestionante nasal prontamente disponível em farmácias sem receita médica. Não é recomendável usar mais de 3 dias. Se usado muitos dias pode causar efeito rebote e sempre precisa dele para respirar melhor.
  • A Anfetamina: são uma classe de drogas sintéticas que estimulam o sistema nervoso central, da qual podem ser obtidos compostos derivados, como a metanfetamina e a metilenedioximetanfetamina, também conhecida por MDMA ou Ecstasy, que são as anfetaminas mais consumidas de forma abusiva e ilegalmente. Estas substâncias aumentam o estado de alerta  e reduzem a fadiga, aumentam a concentração, diminuem o apetite e aumentam a resistência física, induzindo um estado de bem-estar ou de euforia. No entanto, existem anfetaminas que são usadas para um fim terapêutico, como é o caso do transtorno do déficit de atenção, que pode afetar crianças e adultos, e para a narcolepsia, que é um distúrbio cujo principal sintoma é a sonolência excessiva.
  • A Cafeína: Indicado para a produção de estimulação cardíaca. Ele é usado como comprimidos de anti-enxaqueca, em combinação com outros analgésicos viciantes podem produzir esta dependência. Disponíveis em farmácia, em forma de comprimidos, xaropes, e injetáveis em âmbito hospitalar.

Veja mais em:

farmacologia

Hemorragia Digestiva

hemorragia digestiva

A Hemorragia digestiva é mais um sintoma de alguma doença do que uma doença por si mesma. Várias condições médicas podem ocasionar hemorragia. A maioria das causas de hemorragia digestiva está relacionada a condições que podem ser curadas ou controladas, como úlcera ou hemorróidas. Porém, algumas causas de hemorragia digestiva podem ser ameaça à vida.

A hemorragia digestiva é caracterizada por um sangramento em algum local do sistema digestivo. Ela pode ser classificada como hemorragia digestiva alta quando os locais do sangramento são acima do do ângulo de Treitz (Esôfago, o estômago e o duodeno) ou hemorragia digestiva baixa, quando o sangramento ocorre abaixo do ângulo de Treitz (intestino delgado, grosso ou reto).

Causas da hemorragia digestiva

Algumas das possíveis causas da hemorragia digestiva são:

Hemorragia digestiva alta:

  • Úlcera gástrica;
  • Úlcera duodenal;
  • Varizes esôfago-gástricas;
  • Câncer no esôfago, estômago ou duodeno;
  • Perfuração do esôfago, estômago ou duodeno.

Hemorragia digestiva baixa:

  • Hemorroida;
  • Fissura anal;
  • Pólipo intestinal;
  • Doença de Crohn;
  • Diverticulose;
  • Câncer no intestino;
  • Perfuração do intestino;
  • Endometriose intestinal.

Muito das vezes, para descobrir a causa da hemorragia, o médico poderá solicitar uma laparoscopia exploratória.

Sintomas da hemorragia digestiva

Os sintomas da hemorragia digestiva podem variar ligeiramente dependendo da região onde há o sangramento.

O sintomas da hemorragia digestiva alta podem ser:

  • Vômito com sangue ou coágulos de sangue (hematemese);
  • Sangue nas fezes: fezes pretas, pegajosas e muito mau cheirosas (melena);

Já os sintomas da hemorragia digestiva baixa podem ser:

  • Sangue nas fezes: fezes pretas, pegajosas e muito mau cheirosas (melena);
  • Sangue vermelho vivo nas fezes (enterorragia).

Quando se trata de uma hemorragia grave pode ainda haver os seguintes sintomas:

  • Tontura;
  • Suor frio;
  • Desmaio.

Entendendo as Terminologias relacionadas à Hemorragia Digestiva:

  • Hematêmese: é o vômito de sangue, que pode ser vermelho vivo ou com aspecto de pó de café. Não confundir a hematêmese com a hemoptise, uma expectoração de sangue que ocorre em problemas do sistema respiratório, frequentemente acompanhada de tosse e espuma.
  • Enterorragia: presença de sangue vivo nas fezes, em maiores quantidades do que nas hematoquezia.
  • Hematoquezia: presença de raias de sangue vermelho vivo nas fezes ou presença de sangue misturada as fezes (fezes castanho-avermelhadas).
  • Melena: eliminação de fezes negras, geralmente com odor fétido, que ocorre quando a hemorragia já é superior a 500 ml de sangue.

De uma forma geral, hematêmese e melena caracterizam um foco de sangramento alto (HDA), isto é, entre a faringe e o cólon direito (onde fica o ângulo de Treitz). Já a hematoquezia e enterorragia caracterizam quandro de HDB, isto é, um foco de sangramento localiza-se no intestino grosso, cólon, reto e sigmóide).

Cuidados de Enfermagem com o HDA ou HDB:

  • Reposição intravenosa de líquidos através de cateter de grosso calibre. Soluções cristalóides ou colóides de grande quantidade. Inclusão de dextrose e tiamina (se alcoólatra);
  • Providenciar amostra sanguínea: tipagem, reação cruzada, estudo da coagulação;
  • Notificar banco de sangue quanto à necessidade de: concentrado de hemácia, plasma fresco congelado, concentrado de plaquetas;
  • Identificar rapidamente sinais clínicos de choque hemorrágico: taquicardia, taquipnéia, depleção mínima 40%, pulsos finos, volume sanguíneo circulante, hipotensão, pele fria e pegajosa, obnubilação mental.

Sinais clínicos mais sutis:

  • Piloereção;
  • Perda de volume circulante 30 a 40%;
  • Pressão arterial baixa;
  • Enchimento capilar lento;
  • Oligúria;

OBS:

  • Instalação de cateter intra arterial para fornecer dados mais confiáveis da PA;
  • Baixa perfusão tissular durante o choque requer reposição volêmica mais agressiva;
  • Baixo débito cardíaco, o CO2 expirado está limitado pela baixa perfusão pulmonar, requer reposição volêmica para melhorar a perfusão pulmonar;Restabelecimento correto da volemia:

Hipervolemia – aumenta a pressão portal

Hipovolemia – restringe a perfusão hepática

CONTROLE DO SANGRAMENTO

  • Monitorização das pressões enchimento das câmaras cardíacas direita e esquerda;
  • Realizar SNG Resfriamento intragástrico – lavagem gástrica se prescrito;
  • Mensurar as perdas;
  • Controlar rigorosamente as infusões;
  • Monitorização dos gazes sanguíneos;
  • Administração adequada de O2;
  • Controle de PA;
  • Auxiliar durante a endoscopia digestiva alta – esclerose endoscópica;
  • Administrar medicação IV – vassopressina, somatostina atentando para os efeitos colaterais sob prescrição médica;
  • Realizar cuidados com balão de Sengstaken – Blackmore como:
    • Manter bem fixada na narina do paciente
    • Controlar volume e aspecto do débito
    • Monitorar a pressão dos balões com manometro, não deixando baixar a pressão
    • Trocar fixação, quando necessária
    • Avaliação neurologica
    • Jejum absoluto

Hemorragia

Veja também:

 

O Sistema Digestivo