Curativo de Espuma com Ibuprofeno

Há uma situação que quem trabalha com feridas aprende rapidamente a reconhecer: o paciente começa a ficar tenso antes mesmo de o curativo ser retirado. Ele olha para o profissional, respira fundo e pergunta: “Vai doer muito para trocar?”

Essa pergunta parece simples, mas revela algo que muitas vezes fica em segundo plano durante o tratamento de feridas: a dor também faz parte da avaliação da lesão e precisa ser tratada. É justamente nesse cenário que surgiu uma tecnologia interessante dentro do cuidado de feridas: o curativo de espuma com liberação local de ibuprofeno.

Diferentemente de um curativo convencional, essa cobertura associa a capacidade de absorção de uma espuma de poliuretano à liberação contínua de uma baixa dose de ibuprofeno diretamente no leito da ferida, quando entra em contato com o exsudato. Um dos produtos mais conhecidos dessa categoria é o Biatain Ibu.

Mas existe um detalhe importante: não se trata simplesmente de “colocar ibuprofeno na ferida”. O mecanismo, as indicações, as contraindicações e a forma de utilização precisam ser compreendidos pelo profissional. E, principalmente, o curativo não substitui a avaliação da causa da ferida.

O que é o curativo de espuma com ibuprofeno?

O curativo de espuma com ibuprofeno é uma cobertura desenvolvida para feridas dolorosas e exsudativas. Na formulação do Biatain Ibu, por exemplo, o ibuprofeno está distribuído de maneira homogênea na matriz de uma espuma de poliuretano hidrofílica. A concentração informada pelo fabricante é de 0,5 mg/cm². Quando a espuma entra em contato com o exsudato da ferida, ocorre liberação local e sustentada do ibuprofeno durante o período de utilização.

Ao mesmo tempo, a espuma atua no gerenciamento do exsudato, absorvendo e retendo o líquido da ferida, isso significa que estamos diante de uma cobertura que reúne duas funções importantes: manejo do exsudato + ação analgésica local. É justamente essa associação que torna o produto diferente de uma espuma convencional.

Por que colocar ibuprofeno em um curativo?

Essa é provavelmente a primeira pergunta que um estudante de Enfermagem faria. Se o ibuprofeno já existe em comprimidos e outras apresentações, por que colocá-lo dentro de uma espuma? A resposta está na tentativa de atuar localmente sobre a dor da ferida.

Feridas exsudativas, especialmente algumas lesões crônicas, podem provocar dor persistente durante o intervalo entre os curativos e também dor aguda durante a limpeza e a troca da cobertura.

Os estudos realizados com espumas contendo ibuprofeno encontraram redução da intensidade da dor e maior relato de alívio quando comparadas a coberturas semelhantes sem ibuprofeno ou ao tratamento local habitual.

Em um ensaio clínico randomizado, duplo-cego, envolvendo 120 pacientes com úlceras venosas dolorosas e exsudativas, 34% dos pacientes que utilizaram a espuma com ibuprofeno atingiram o critério de resposta clínica para alívio da dor, contra 19% no grupo comparador. Os parâmetros de cicatrização e eventos adversos foram semelhantes entre os grupos. Isso é interessante porque mostra uma coisa importante: o principal benefício estudado da tecnologia é o controle da dor, e não a promessa de que o ibuprofeno sozinho fará a ferida cicatrizar.

Como o ibuprofeno é liberado?

O mecanismo é relativamente simples de entender. A espuma contém o ibuprofeno distribuído em sua estrutura. Quando o curativo entra em contato com o exsudato, o medicamento é liberado no leito da ferida, e a liberação ocorre de forma sustentada durante o período de uso, e a quantidade liberada está relacionada ao contato com o exsudato.

Portanto, não estamos falando de um comprimido triturado, de uma pomada de ibuprofeno ou de um medicamento simplesmente aplicado sobre a ferida.

É uma tecnologia de cobertura medicamentosa, na qual o princípio ativo faz parte da própria espuma, e essa diferença é fundamental.

O curativo também absorve o exsudato

Não podemos olhar para o produto apenas como um “curativo para dor”, a espuma também possui uma função importante no controle do exsudato. A estrutura tridimensional da espuma permite absorção e retenção do exsudato, ajudando a manter um ambiente úmido adequado para a cicatrização e a reduzir o acúmulo de líquido na superfície da ferida.

O manejo inadequado do exsudato pode contribuir para maceração da pele ao redor da ferida, vazamentos e desconforto. Por isso, na avaliação de uma ferida, não basta perguntar: “Está doendo?”

Também precisamos observar:

  • “Quanto está exsudando?”
  • “Qual é o aspecto desse exsudato?”
  • “A pele ao redor está íntegra?”
  • “Existe maceração?”
  • “Há sinais de infecção?”
  • “Qual é a causa dessa ferida?”

A escolha da cobertura precisa responder ao conjunto dessas perguntas.

Para quais feridas pode ser indicado?

De acordo com as informações do fabricante, o Biatain Ibu é indicado para uma variedade de feridas dolorosas e exsudativas, incluindo algumas feridas agudas e crônicas. Entre os exemplos estão úlceras de perna, lesões por pressão, úlceras de pé diabético não infectadas, queimaduras de segundo grau, feridas pós-operatórias, áreas doadoras e abrasões cutâneas.

O ponto que merece destaque é: a ferida precisa ser avaliada antes da escolha da cobertura. Não é porque existe dor que qualquer ferida dolorosa deve receber uma espuma com ibuprofeno. A indicação depende de fatores como etiologia, quantidade de exsudato, condição do leito, pele perilesional, presença ou ausência de infecção, profundidade, objetivo terapêutico e características do paciente.

Ferida dolorosa não é diagnóstico

Esse é um conceito que considero especialmente importante para quem está começando a estudar tratamento de feridas, a dor é um sintoma. Uma ferida dolorosa pode estar relacionada a diferentes causas.

Uma úlcera venosa, por exemplo, precisa ser abordada dentro do contexto da doença venosa. Uma lesão por pressão exige avaliação da pressão, cisalhamento, mobilidade, nutrição e condições clínicas. Uma lesão no pé de uma pessoa com diabetes precisa levar em consideração neuropatia, perfusão, controle metabólico e risco de infecção.

Portanto, colocar uma cobertura que diminui a dor pode melhorar o conforto do paciente, mas não corrige a causa da ferida, e essa diferença separa o cuidado baseado em avaliação de uma simples troca de curativo.

O que acontece quando o curativo entra em contato com a ferida?

Podemos imaginar três processos acontecendo simultaneamente: Primeiro, a espuma entra em contato com o exsudato, depois, a estrutura da cobertura absorve e retém parte desse exsudato. Ao mesmo tempo, ocorre a liberação do ibuprofeno presente na matriz da espuma, proporcionando uma ação analgésica local.

O fabricante descreve ainda que a espuma pode se adaptar ao leito da ferida e manter sua capacidade de absorção mesmo quando utilizada em conjunto com terapia compressiva. É essa combinação que diferencia a cobertura de uma espuma simples.

O que dizem os estudos sobre a dor?

Existe evidência clínica de que esse tipo de cobertura pode reduzir a dor relacionada a feridas exsudativas.

Em um estudo multicêntrico randomizado envolvendo 853 pacientes, aqueles que utilizaram espuma com ibuprofeno apresentaram maior alívio da dor e redução da intensidade dolorosa durante os primeiros sete dias, quando comparados ao grupo submetido ao tratamento local habitual. O estudo também observou melhora em aspectos relacionados à qualidade de vida, enquanto a ocorrência de eventos adversos foi baixa nos dois grupos.

Outro estudo, realizado em 185 pacientes com feridas dolorosas e exsudativas, encontrou maior relato de alívio da dor e menor intensidade dolorosa após sete dias no grupo que utilizou a espuma com ibuprofeno.

Uma revisão sistemática sobre intervenções destinadas a reduzir a dor durante a troca de curativos também identificou estudos com Biatain-Ibu nos quais os pacientes apresentaram menos dor em comparação com os grupos controle.

Portanto, existe fundamento científico para considerar a cobertura como uma opção no manejo local da dor de determinadas feridas.

O curativo com ibuprofeno acelera a cicatrização?

Essa é uma pergunta que precisa de uma resposta cuidadosa. Não devemos apresentar o curativo como se o ibuprofeno fosse um agente cicatrizante por si só.

Os estudos clínicos mostram principalmente benefício relacionado ao controle da dor. Em um ensaio clínico de seis semanas com úlceras venosas, os parâmetros de cicatrização e eventos adversos foram comparáveis entre a espuma com ibuprofeno e a espuma controle.

O produto contribui para um ambiente de cicatrização úmida e para o controle do exsudato, mas a evolução da ferida depende de uma série de fatores:

  • A etiologia precisa ser tratada.
  • A perfusão precisa ser adequada.
  • A infecção, quando presente, precisa ser reconhecida e tratada.
  • O estado nutricional precisa ser considerado.
  • As condições metabólicas precisam ser controladas.
  • E a cobertura precisa ser escolhida de acordo com as necessidades daquela ferida.

Portanto, uma frase mais correta seria: o curativo de espuma com ibuprofeno pode contribuir para o controle da dor e para o manejo do exsudato, dentro de um plano abrangente de tratamento da ferida.

Uma situação que quem trabalha com pacientes reconhece

Em ambientes hospitalares, principalmente quando o paciente já passou por vários procedimentos, é possível perceber que a dor relacionada ao curativo começa a produzir ansiedade antes mesmo de a troca acontecer, o paciente pode antecipar a dor e fica contraído, aí evita olhar para a ferida, pergunta várias vezes quanto tempo vai demorar,  e em uma situação assim, não basta simplesmente escolher uma cobertura que “não grude”.

A equipe precisa pensar no procedimento como um todo: explicar o que será feito, avaliar a dor antes da troca, realizar a limpeza de maneira cuidadosa, evitar manipulações desnecessárias e avaliar se a cobertura utilizada está realmente contribuindo para o conforto. É nesse contexto que uma espuma com liberação local de ibuprofeno pode ter valor clínico.

Não porque ela elimina a necessidade de técnica adequada, mas porque o controle da dor precisa fazer parte do planejamento do curativo.

Como realizar o curativo?

O procedimento deve seguir a indicação do produto, a prescrição ou protocolo institucional e a avaliação clínica da ferida. De maneira geral, o profissional começa pela avaliação da lesão e da pele ao redor.

Depois, realiza a higiene das mãos e utiliza os equipamentos de proteção indicados, o curativo anterior é removido cuidadosamente, observando a presença de dor, sangramento, alteração do exsudato, odor e condições do tecido. A ferida é então limpa conforme protocolo institucional e indicação da cobertura, e o tamanho adequado da espuma deve ser escolhido de acordo com a dimensão da ferida e as instruções específicas do produto.

No caso do Biatain Ibu, a cobertura deve entrar em contato com o leito da ferida para que ocorra a liberação do ibuprofeno. A cobertura deve ser posicionada de maneira adequada, evitando dobras e pressão desnecessária, quando necessário, utiliza-se uma cobertura secundária ou sistema de fixação compatível com o produto escolhido.

É importante lembrar que a técnica exata pode variar conforme a versão do produto, por isso a Instrução de Uso (IFU) vigente deve ser consultada antes da aplicação.

Quanto tempo o curativo pode permanecer?

O fabricante informa que determinadas versões do Biatain Ibu podem permanecer na ferida por até sete dias, dependendo da quantidade de exsudato e das condições da ferida. Mas isso não significa que todo paciente ficará sete dias com a mesma cobertura.

Essa é uma interpretação muito comum e equivocada, o intervalo da troca deve considerar a avaliação clínica, a saturação da cobertura, o volume de exsudato, a condição da pele ao redor, a presença de vazamento, a necessidade de inspeção da ferida e o protocolo utilizado.

Uma cobertura pode precisar ser trocada antes do período máximo indicado. “Até sete dias” não significa “deve ficar sete dias”.

E quando o exsudato é muito intenso?

A quantidade de exsudato é um dos fatores mais importantes na escolha de uma espuma:  Uma cobertura saturada deixa de cumprir adequadamente sua função, além disso, o excesso de exsudato pode atingir a pele perilesional e provocar maceração.

Por isso, durante cada troca, o profissional deve observar a capacidade de absorção da cobertura utilizada e a condição da pele. O fabricante descreve o Biatain Ibu como adequado para feridas com exsudação de baixa a alta quantidade, dependendo da apresentação. Mesmo assim, a avaliação individual continua sendo indispensável.

O curativo pode ser usado com compressão?

Sim, essa é uma possibilidade descrita para o Biatain Ibu. O fabricante informa que o produto pode ser utilizado em conjunto com terapia compressiva, isso é particularmente relevante no cuidado de algumas úlceras venosas, nas quais a terapia compressiva pode fazer parte do tratamento da causa subjacente. Mas aqui existe outro ponto importante: a espuma com ibuprofeno não substitui a terapia compressiva quando a compressão está indicada.

Ela é a cobertura, a compressão atua em outro aspecto do tratamento.

Um detalhe que faz diferença durante a troca

Uma coisa que a experiência prática ensina é que o sucesso de um curativo não pode ser medido somente pela aparência da ferida. É muito fácil olhar para uma lesão e pensar: “Está com um aspecto melhor.”

Mas pergunte ao paciente:

  • “Como está a dor?”
  • “Consegue dormir?”
  • “Consegue caminhar?”
  • “A troca anterior foi muito dolorosa?”
  • “Está tomando analgésico por causa da ferida?”

Essas respostas mudam a avaliação. Já acompanhei situações em que a preocupação da equipe estava muito concentrada no volume do exsudato e na aparência do leito, enquanto o paciente estava claramente sofrendo com a dor. Quando conseguimos controlar melhor a dor, o próprio cuidado fica mais fácil. O paciente relaxa, tolera melhor a manipulação e participa mais da assistência.

Esse é um ponto que nenhum curativo deve nos fazer esquecer: o objetivo final não é tratar uma fotografia da ferida; é cuidar da pessoa que está vivendo com aquela ferida.

Quais são os cuidados de Enfermagem?

A Enfermagem tem um papel fundamental antes, durante e depois da aplicação.

Avaliar a dor

A dor deve ser avaliada antes da troca, durante o procedimento e depois da aplicação da nova cobertura. Sempre que possível, utilize uma escala de dor adequada ao paciente e ao serviço.

Registrar a intensidade ajuda a comparar a resposta ao tratamento, não basta escrever “paciente com dor”. É muito mais útil documentar algo como: “Paciente refere dor 7/10 em região da lesão antes da troca, com piora durante a remoção da cobertura.”

Depois, avaliar novamente. Essa informação permite acompanhar a resposta de maneira objetiva.

Avaliar o leito da ferida

Observe tecido de granulação, esfacelo, necrose, sangramento, profundidade, aspecto do exsudato e alterações da pele ao redor. A avaliação deve ser sistemática.

Observar sinais de infecção

Febre, piora da dor, eritema progressivo, calor, edema, secreção purulenta, odor associado a outras alterações clínicas e deterioração da ferida precisam ser valorizados dentro do contexto clínico. Uma ferida clinicamente infectada não deve simplesmente receber uma cobertura de ibuprofeno como se o problema fosse apenas dor.

O tratamento da infecção precisa ser priorizado conforme avaliação e protocolo.

Avaliar alergias e contraindicações

Antes da utilização, deve-se verificar histórico de hipersensibilidade ao ibuprofeno, ácido acetilsalicílico ou outros anti-inflamatórios não esteroides, além das contraindicações específicas descritas na documentação do produto.

Avaliar a pele perilesional

A pele ao redor da ferida pode sofrer com excesso de umidade, adesivos, pressão ou contato prolongado com exsudato, isso precisa ser registrado e tratado.

Escolher o tamanho adequado

Uma cobertura muito pequena não controla adequadamente o exsudato, e uma cobertura excessivamente grande pode dificultar a aplicação e aumentar o consumo desnecessariamente. A escolha deve seguir a ferida e as orientações do fabricante.

Registrar a evolução

A anotação deve contemplar as características da ferida, exsudato, dor, cobertura utilizada, condições da pele perilesional e resposta observada. A documentação permite acompanhar a evolução e avaliar se o tratamento está funcionando.

Quando o curativo de espuma com ibuprofeno não deve ser utilizado?

Essa parte merece bastante atenção:

Segundo as informações do fabricante consultadas para o Biatain Ibu, não deve ser utilizado em pessoas com conhecida sensibilidade ao ibuprofeno ou aos componentes da cobertura, nem em pessoas com hipersensibilidade a ácido acetilsalicílico ou outros analgésicos relacionados, especialmente quando associada a histórico de asma, rinite ou urticária.

O fabricante também contraindica seu uso durante a gravidez e em crianças menores de 12 anos, salvo orientação médica para essa faixa etária.

Essas informações são específicas do produto e devem ser conferidas na Instrução de Uso vigente da apresentação disponível no serviço, porque diferentes produtos e mercados podem apresentar orientações próprias.

Também é fundamental não utilizar a cobertura como substituto para avaliação e tratamento de uma infecção clínica da ferida.

Atenção para o uso de outros anti-inflamatórios

O fato de a quantidade de ibuprofeno liberada localmente ser baixa não significa que o profissional possa ignorar a história medicamentosa do paciente. É importante saber se o paciente utiliza outros anti-inflamatórios, possui histórico de alergia a AINEs ou apresenta condições clínicas que precisam ser consideradas.

A cobertura é um dispositivo que libera um medicamento; portanto, não deve ser tratada como uma espuma completamente neutra do ponto de vista farmacológico. A avaliação deve considerar o paciente como um todo.

Curativo com ibuprofeno é igual a pomada de ibuprofeno?

Não, essa confusão pode acontecer principalmente entre estudantes. O ibuprofeno do curativo está incorporado à estrutura da espuma e é liberado quando entra em contato com o exsudato. Não significa que o profissional deva aplicar ibuprofeno tópico convencional diretamente no leito da ferida.

São produtos e tecnologias diferentes. Por isso, nunca se deve improvisar uma cobertura medicamentosa utilizando comprimidos triturados, pomadas ou outras apresentações de ibuprofeno.

Curativo com ibuprofeno pode substituir analgésico sistêmico?

Não devemos interpretar dessa forma!  O objetivo da tecnologia é proporcionar alívio local da dor da ferida. Alguns estudos observaram que pacientes que utilizaram a espuma apresentaram menor necessidade de analgésicos orais durante o período estudado, mas isso não significa que o curativo substitua automaticamente a analgesia sistêmica quando ela está indicada.

A decisão sobre analgesia deve considerar intensidade da dor, causa, condição clínica e plano terapêutico do paciente.

Uma troca de curativo não deve ser uma experiência traumática

Existe uma mudança de mentalidade importante acontecendo no cuidado de feridas. Durante muito tempo, a dor durante a troca foi quase tratada como uma consequência inevitável, hoje, sabemos que ela pode e deve ser manejada.

A escolha de uma cobertura atraumática, a preparação adequada do paciente, a limpeza cuidadosa, a redução de manipulações desnecessárias, a escolha correta da cobertura e, em situações selecionadas, o uso de uma cobertura com ação analgésica local fazem parte de uma abordagem mais humanizada.

O curativo com ibuprofeno entra nesse contexto. Ele não é “o curativo que resolve a ferida”, é uma ferramenta que pode ajudar a resolver um dos problemas da ferida: a dor.

O que o estudante de Enfermagem precisa memorizar?

Se você está estudando para estágio, prova ou concurso, guarde esta lógica:

  • Espuma com ibuprofeno: cobertura de espuma que associa absorção de exsudato à liberação local e sustentada de ibuprofeno.
  • Principal objetivo: auxiliar no controle da dor relacionada à ferida.
  • Indicação geral: feridas dolorosas e exsudativas, conforme avaliação e indicação do produto.
  • Mecanismo: o ibuprofeno é liberado quando a espuma entra em contato com o exsudato.
  • Exsudato: a espuma também atua na absorção e retenção do exsudato.
  • Infecção: não deve ser utilizada como substituto do tratamento de uma ferida clinicamente infectada.
  • Alergia: deve-se investigar hipersensibilidade ao ibuprofeno, AAS ou outros AINEs, conforme as contraindicações do produto.
  • Troca: o período máximo informado pelo fabricante pode chegar a sete dias em determinadas apresentações, mas a frequência deve ser definida pela condição da ferida, exsudato e avaliação clínica.

O curativo de espuma com ibuprofeno representa uma alternativa interessante para o manejo de determinadas feridas dolorosas e exsudativas, seu diferencial está na combinação de uma espuma absorvente com a liberação local e sustentada de ibuprofeno.

As evidências clínicas disponíveis apontam principalmente para redução da dor, inclusive durante o período de uso e na troca do curativo. Mas é importante não transformar essa tecnologia em uma solução universal.

A ferida continua precisando ser avaliada, sua causa precisa ser investigada, e a infecção precisa ser reconhecida. A perfusão, nutrição, mobilidade, controle metabólico e demais fatores relacionados à cicatrização precisam ser considerados, e a dor precisa ser levada a sério.

Para a Enfermagem, talvez essa seja a principal lição: um bom curativo não é apenas aquele que controla o exsudato ou mantém o leito em condições adequadas; é aquele que faz parte de uma estratégia de cuidado capaz de tratar a ferida sem esquecer a pessoa que sente a dor.

Resumo para salvar

Curativo de espuma com ibuprofeno: quando a cobertura também ajuda no controle da dor

  • Combina espuma absorvente com liberação local e sustentada de ibuprofeno
  • É indicado para determinadas feridas dolorosas e exsudativas, conforme avaliação clínica e instruções do produto
  • As evidências apontam principalmente para redução da dor durante o uso e na troca do curativo
  • Não substitui a avaliação da causa da ferida, o tratamento de infecções nem as demais medidas necessárias para a cicatrização

Referências:

  1. COLOPLAST. Biatain® Ibu Não Adesivo. São Paulo: Coloplast Brasil. Disponível em: Biatain Ibu Não Adesivo – Coloplast Brasil
  2. COLOPLAST PROFESSIONAL. Biatain Ibu. São Paulo: Coloplast. Disponível em: Biatain Ibu – Coloplast Professional
  3. FOGH, K. et al. Clinically relevant pain relief with an ibuprofen-releasing foam dressing: results from a randomized, controlled, double-blind clinical trial in exuding, painful venous leg ulcers. Wound Repair and Regeneration, v. 20, n. 6, p. 815-821, 2012. Disponível em: PubMed – estudo clínico sobre espuma com ibuprofeno.
  4. PALAO I DOMENECH, R. et al. Effect of an ibuprofen-releasing foam dressing on wound pain: a real-life RCT. Journal of Wound Care, v. 17, n. 8, p. 342, 344-348, 2008. Disponível em: PubMed – Effect of an ibuprofen-releasing foam dressing on wound pain.
  5. ROMANELLI, M. et al. Ibuprofen slow-release foam dressing reduces wound pain in painful exuding wounds: preliminary findings from an international real-life study. Journal of Dermatological Treatment, 2008. Disponível em: PubMed – Ibuprofen slow-release foam dressing.
  6. SIBBALD, R. G. et al. A pilot (real-life) randomised clinical evaluation of a pain-relieving foam dressing: ibuprofen-foam versus local best practice. International Wound Journal, 2007. Disponível em: PMC – estudo sobre espuma com ibuprofeno.
  7. NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE RESEARCH. Interventions to reduce pain at dressing change of chronic wounds: a mixed-methods systematic review. NCBI Bookshelf. Disponível em: NCBI Bookshelf – revisão sistemática sobre dor na troca de curativos
  8. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Diretrizes Nacionais para a Prevenção e Tratamento de Lesões por Pressão. Brasília: Ministério da Saúde, 2022. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_nacionais_prevencao_tratamento_lesoes_pressao.pdf.
  9. WORLD UNION OF WOUND HEALING SOCIETIES (WUWHS). Position Document: Wound pain management. Toronto: WUWHS, 2020.

O que faz um Enfermeiro Estomaterapeuta?

O enfermeiro estomaterapeuta é um profissional especializado, com formação específica para o cuidado de pacientes que apresentam estomias, feridas complexas e incontinências. Sua atuação é essencial para promover a reabilitação, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida das pessoas que necessitam de cuidados contínuos nessas áreas.

Formação e Especialização

Para atuar como estomaterapeuta, o enfermeiro precisa concluir a graduação em enfermagem e realizar uma especialização reconhecida pela Associação Brasileira de Estomaterapia (SOBEST). A formação aborda conhecimentos teóricos e práticos, englobando anatomia, fisiologia, técnicas de curativos, escolha de dispositivos e abordagem humanizada ao paciente.

O Que É Estomaterapia? A Ciência do Cuidado Especializado

A Estomaterapia é uma especialidade da enfermagem que se dedica à assistência de pacientes com três principais tipos de condições:

  1. Estomas: Aberturas cirúrgicas que conectam um órgão oco (como intestino ou bexiga) à pele, permitindo a saída de fezes, urina ou gases.
  2. Feridas: Lesões de pele agudas ou crônicas, como úlceras de pressão, úlceras de perna e feridas cirúrgicas complexas.
  3. Incontinências: Perda involuntária de urina ou fezes.

O enfermeiro estomaterapeuta, portanto, é um especialista nessas três áreas. Ele não apenas cuida do problema em si, mas também capacita o paciente e sua família a conviver com a condição, buscando sempre a reabilitação, a autonomia e a qualidade de vida.

O Que Faz um Enfermeiro Estomaterapeuta na Prática?

A atuação do estomaterapeuta é abrangente e vai muito além de uma simples troca de curativo. Seu trabalho se estende por diferentes fases do tratamento do paciente.

No Cuidado com Estomas

A criação de um estoma é um procedimento que muda a vida de uma pessoa. O estomaterapeuta é o principal profissional que acompanha o paciente nessa jornada, atuando no pré, trans e pós-operatório:

  • Pré-operatório: Avaliar o paciente, orientar sobre o que esperar e, mais importante, marcar o local ideal para a cirurgia do estoma. Uma marcação precisa evita problemas futuros e facilita a adaptação do paciente.
  • Pós-operatório: Ensinar o paciente a cuidar do estoma e da pele ao redor, a escolher e usar os equipamentos coletores (bolsas de colostomia, ileostomia ou urostomia), a lidar com possíveis complicações e a retomar suas atividades diárias.
  • Acompanhamento a Longo Prazo: O estomaterapeuta continua sendo um ponto de referência para o paciente, oferecendo suporte, ajustando equipamentos e resolvendo problemas que possam surgir ao longo da vida.

No Cuidado com Feridas

A expertise do estomaterapeuta em feridas crônicas é um diferencial enorme. O trabalho envolve:

  • Avaliação da Ferida: Fazer uma avaliação completa, identificando o tipo, tamanho, profundidade, exsudato e tipo de tecido, para um diagnóstico preciso e um plano de tratamento adequado.
  • Escolha da Cobertura Ideal: Eleger o curativo mais adequado para cada tipo e estágio da ferida, o que otimiza a cicatrização e reduz o tempo de tratamento. Ele domina o uso de curativos avançados, como alginatos, hidrocolóides, hidrogéis e curativos com prata, entre outros.
  • Prevenção: Atuar na prevenção de úlceras por pressão e outras lesões de pele, educando a equipe de enfermagem sobre o reposicionamento do paciente, o uso de superfícies de alívio de pressão e a importância da hidratação da pele.

No Cuidado com Incontinências

A incontinência urinária e fecal é um problema que afeta a autoestima e a vida social do paciente. O estomaterapeuta trabalha para minimizar o impacto dessa condição:

  • Avaliação e Diagnóstico: Identificar o tipo e a causa da incontinência para traçar um plano de tratamento.
  • Estratégias de Manejo: Ensinar o paciente a usar produtos de proteção (fraldas, absorventes), cateteres urinários e coletores, e orientar sobre a reabilitação do assoalho pélvico.
  • Educação: Ajudar o paciente a lidar com os aspectos emocionais e sociais da incontinência, melhorando sua qualidade de vida.

Por que a Estomaterapia é uma Carreira de Destaque?

A Estomaterapia é uma área de grande impacto porque transforma a vida dos pacientes. O estomaterapeuta não apenas trata um problema físico, mas também devolve a dignidade, a autonomia e a capacidade de viver plenamente a pessoas que, muitas vezes, enfrentam estigmas e desafios enormes.

É uma especialidade que exige conhecimento técnico apurado, mas também uma grande dose de empatia, paciência e habilidade para se comunicar e educar.

Para um estudante de enfermagem, conhecer essa área é abrir a mente para um mundo de possibilidades, onde o cuidado se torna uma verdadeira arte de reabilitação e humanização.

Referências:

  1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ESTOMATERAPIA (SOBEST). O que é estomaterapia. Disponível em: http://sobest.org.br/o-que-e-estomaterapia/.
  2. ERDMANN, A. L. et al. O papel do enfermeiro na prevenção e tratamento das úlceras de pressão. Revista da Escola de Enfermagem da USP, v. 45, n. 4, p. 1007-1014, 2011. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reeusp/a/Bv8y76yY7zSg4tPz9wWkMvD/?lang=pt.
  3. COLOMÉ, J. S.; MARIN, S. M.; GOMES, G. C. Atuação do enfermeiro estomaterapeuta: um olhar para a prática profissional. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 73, supl. 6, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/XYZ. Acesso em: 10 ago. 2025.

Curativo Oclusivo x Curativo Compressivo: Entendendo as Diferenças

O cuidado com feridas faz parte da rotina da enfermagem e exige conhecimento técnico aliado a um olhar sensível. Entre os muitos tipos de curativos, dois se destacam pelo uso frequente e por atenderem a objetivos bastante distintos: o curativo oclusivo e o curativo compressivo.

Para o estudante de enfermagem, entender as diferenças entre esses dois tipos é essencial para aplicar um cuidado seguro e eficaz. Nesta publicação, vamos explicar com detalhes o que caracteriza cada curativo, suas indicações, objetivos e cuidados de enfermagem.

O Curativo, Nosso Grande Aliado: Mais Que Um Simples Band-Aid

Antes de detalhar cada tipo, é bom lembrar qual é o objetivo geral de qualquer curativo:

  • Proteger a ferida: Contra contaminação externa, atrito e traumas.
  • Absorver exsudato: Gerenciar o fluido que a ferida produz.
  • Manter um ambiente úmido: Essencial para a cicatrização (a não ser em casos específicos).
  • Promover o conforto: Reduzir a dor e proteger o local.

Curativo Oclusivo: O Escudo Protetor e o Ambiente Ideal

Imagine um curativo que sela a ferida, isolando-a completamente do ambiente externo. É isso que faz o curativo oclusivo. Ele é como um “escudo” ou uma “barreira” que mantém a umidade ideal para a cicatrização e protege contra a entrada de bactérias e outros microrganismos.

Como é Feito?

    • Utiliza materiais que não permitem a passagem de ar ou fluidos, criando um ambiente fechado.
    • Exemplos comuns incluem filmes transparentes semipermeáveis (aqueles que parecem um plástico fininho e grudam na pele, permitindo ver a ferida), hidrocoloides, hidrogéis e algumas espumas.
    • É sempre fixado firmemente na pele ao redor da ferida, garantindo que não haja “brechas” para a entrada de ar ou bactérias.

Para Que Serve? Quais Suas Indicações?

    • Manter a Umidade: A principal função é criar um ambiente úmido. Isso é super importante, pois a cicatrização ocorre de forma mais eficiente em meio úmido, facilitando a migração celular e a formação de novo tecido. Feridas secas cicatrizam mais lentamente.
    • Prevenção de Contaminação: Por isolar a ferida, impede que bactérias, sujeira ou outras partículas do ambiente entrem em contato com a lesão.
    • Autólise: Alguns materiais oclusivos (como os hidrocoloides) promovem o desbridamento autolítico, que é a remoção natural de tecido morto do corpo, amolecendo-o.
    • Proteção de Cateteres: É amplamente utilizado em sítios de inserção de cateteres venosos centrais (CVC), como o PICC ou o cateter de curta permanência, para protegê-los de infecções. Nesses casos, usa-se o filme transparente que permite a visualização do sítio.
    • Feridas Limpas: Geralmente indicado para feridas limpas, com pouca ou nenhuma infecção, e que apresentem pouca exsudação.

Cuidados de Enfermagem Essenciais:

    • Avaliação Diária da Ferida: Mesmo sob oclusão, é crucial observar a ferida diariamente através do curativo transparente ou, se o material for opaco, na troca do curativo. Fique atento a sinais de infecção (vermelhidão, inchaço, dor, calor, pus), odor fétido ou aumento da exsudação.
    • Integridade do Curativo: Checar se o curativo está bem aderido, sem descolamento nas bordas, que comprometeria a oclusão.
    • Troca no Tempo Certo: Seguir as recomendações do fabricante do material ou o protocolo da instituição para a frequência de troca.
    • Limpeza Rigorosa: Sempre realizar a limpeza da pele ao redor da ferida e do próprio curativo (se transparente) com técnica asséptica.

Curativo Compressivo: A Força Contra o Sangramento e o Edema

Agora, pense em um curativo que não só cobre, mas também aplica uma pressão firme sobre a ferida ou a área lesionada. Esse é o curativo compressivo. Sua principal função não é selar, mas sim comprimir.

Como é Feito?

    • Utiliza gazes, compressas ou ataduras elásticas aplicadas com firmeza sobre a área, exercendo pressão.
    • Pode ser aplicado sobre um curativo de base (oclusivo ou não) para reforçar a pressão.
    • A pressão deve ser firme, mas nunca a ponto de prejudicar a circulação.

Para Que Serve? Quais Suas Indicações?

    • Controle de Hemorragias: É a indicação mais imediata e vital. A pressão direta sobre um sangramento ajuda a estancá-lo, favorecendo a formação do coágulo.
    • Prevenção de Hematomas e Edemas: Após cirurgias (especialmente plásticas ou ortopédicas) ou lesões, a compressão ajuda a limitar o acúmulo de sangue (hematoma) ou líquido (edema/inchaço) na área.
    • Fixação de Enxertos: Em cirurgias de enxerto de pele, o curativo compressivo ajuda a manter o enxerto bem aderido ao leito receptor, promovendo sua “pegada”.
    • Imobilização: Em alguns casos, pode auxiliar na imobilização de uma área, especialmente após torções ou fraturas.
    • Redução de Espaço Morto: Após a retirada de drenos cirúrgicos, uma compressão leve pode ajudar a obliterar o espaço que existia, evitando acúmulo de líquidos.

Cuidados de Enfermagem Essenciais:

    • Avaliação Circulatória: Crucial! Após aplicar um curativo compressivo, avaliar imediatamente e com frequência a circulação distal ao curativo. Checar:
      • Pulsos: Estão presentes e fortes?
      • Coloração: A pele está rosada, não pálida ou cianótica (azulada)?
      • Temperatura: A pele está aquecida, não fria?
      • Sensibilidade: O paciente sente dor, formigamento ou dormência?
      • Edema: Há inchaço abaixo do curativo?
    • Alívio da Dor: Se o paciente referir dor intensa ou crescente após a aplicação, pode ser sinal de que o curativo está muito apertado.
    • Reapertar se Necessário: Em sangramentos ativos, pode ser necessário reapertar o curativo e, se a hemorragia persistir, comunicar o médico imediatamente.
    • Monitoramento da Ferida: Se o curativo compressivo for opaco, a ferida só será visualizada na troca, que deve ser feita no tempo adequado, ou antes, se houver sinais de complicação.

As Diferenças no “Olho do Cuidado”:

Característica Curativo Oclusivo Curativo Compressivo
Principal Objetivo Proteger e manter ambiente úmido para cicatrização Estancar sangramento, prevenir hematomas/edema
Como Age? Cria uma barreira selada, impede entrada de ar/bactérias Aplica pressão física sobre a área
Materiais Típicos Filmes transparentes, hidrocoloides, hidrogéis, espumas Gaze, compressas, ataduras elásticas, faixas de crepe
Principal Risco Infecção se a ferida já estiver contaminada ou se oclusão for quebrada Compromisso circulatório se muito apertado (síndrome compartimental)
Tipo de Ferida Limpas, com pouca exsudação, proteção de sítios Com sangramento, pós-cirúrgico, prevenção de inchaço

Cuidados de enfermagem na aplicação dos curativos

No curativo oclusivo

  • Avaliar sinais de infecção antes da aplicação.
  • Garantir que a pele esteja seca ao redor da ferida.
  • Evitar excesso de umidade que possa causar maceração.
  • Orientar o paciente a não retirar o curativo antes do tempo indicado.

No curativo compressivo

  • Avaliar pulso distal antes e depois da aplicação para verificar perfusão.
  • Observar sinais de comprometimento circulatório (palidez, frialdade, dormência).
  • Manter a pressão uniforme, sem pontos de estrangulamento.
  • Reposicionar o membro elevado, quando indicado, para auxiliar o retorno venoso.

A correta escolha do tipo de curativo depende da avaliação do enfermeiro, das características da ferida e das condições clínicas do paciente. O uso inadequado pode causar complicações e atrasar o processo de cicatrização.

Embora ambos sejam chamados genericamente de “curativos”, o oclusivo e o compressivo têm propósitos distintos e complementares. O sucesso na cicatrização de uma ferida depende, entre outros fatores, da correta escolha do tipo de curativo, da técnica adequada e da observação constante dos sinais clínicos.

Para o estudante e profissional de enfermagem, dominar esses conhecimentos é fundamental para oferecer um cuidado eficaz, seguro e centrado no paciente.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Curativos: Normas Técnicas. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2013. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_curativos_normas_tecnicas.pdf
  2. SOBECC – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENFERMEIROS DE CENTRO CIRÚRGICO, RECUPERAÇÃO ANESTÉSICA E CME. Práticas Recomendadas. 8. ed. São Paulo: SOBECC, 2019. 
  3. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. (Consultar capítulo sobre cuidado de feridas e pele).
  4. SILVA, A. L. F. et al. Cuidados com feridas: práticas baseadas em evidências. Revista de Enfermagem UFPE, v. 8, n. 3, p. 6132-6139, 2014. Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem
  5. MEDEIROS, E. A. A. et al. Manual de curativos: prevenção, tratamento e cuidados. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2018.
  6. FERRARI, M. C. C. et al. Terapia compressiva no tratamento de úlceras venosas: uma revisão. Revista Brasileira de Enfermagem, 2017. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben

Feridas na Pele: Entendendo as Causas

Feridas abertas, cortes, escoriações… Quem nunca teve uma? As feridas na pele são uma parte natural da vida, mas cada uma delas tem suas particularidades, especialmente quando falamos sobre as causas.

Nesta publicação, vamos explorar os principais tipos de feridas, classificando-as de acordo com a causa: cirúrgicas, traumáticas, ulcerativas e por queimaduras.

Feridas Cirúrgicas

Resultantes de procedimentos cirúrgicos, são incisões feitas por um profissional de saúde com o objetivo de realizar uma cirurgia.

Por que acontecem?

 São planejadas e realizadas em ambiente controlado, com o objetivo de tratar alguma condição médica ou realizar uma cirurgia eletiva.

Características: Geralmente possuem bordas bem definidas e são mais previsíveis em termos de cicatrização.

Cuidados de Enfermagem:

  • Avaliação: Observar sinais de infecção (vermelhidão, calor, dor, edema, secreção purulenta), deiscência (abertura da ferida) e evisceração (protrusão de órgãos internos).
  • Limpeza: Realizar limpeza com solução salina 0,9% e técnica asséptica.
  • Curativos: Utilizar curativos adequados para cada fase da cicatrização, promovendo um ambiente úmido e protegendo a ferida.
  • Controle da dor: Administrar analgésicos conforme prescrição médica.
  • Promoção da mobilização: Incentivar o paciente a realizar movimentos leves para prevenir complicações como trombose venosa profunda.

Feridas Traumáticas

Causadas por acidentes, quedas, impactos ou objetos cortantes.

Por que acontecem?

 São imprevisíveis e podem ocorrer em qualquer lugar e a qualquer momento.

Características: Podem variar muito em tamanho, profundidade e localização, dependendo do tipo de trauma.

Cuidados de Enfermagem:

  • Controle da hemorragia: Aplicar pressão direta sobre a ferida e elevar o membro afetado.
  • Limpeza e debridamento: Remover corpos estranhos e tecido necrosado, utilizando técnicas adequadas.
  • Curativos: Utilizar curativos oclusivos para proteger a ferida e promover a cicatrização.
  • Profilaxia contra o tétano: Administrar imunoglobulina e vacina antitetânica, se necessário.

Feridas Ulcerativas

Lesões abertas e crônicas que não cicatrizam espontaneamente.

Por que acontecem?

Geralmente são causadas por problemas de circulação, pressão, infecções ou doenças como diabetes.

Características: São mais profundas e podem apresentar tecido necrosado (morto).

Cuidados de Enfermagem:

  • Avaliação: Identificar a causa da úlcera e avaliar fatores de risco.
  • Desbridamento: Remover tecido necrosado para promover a cicatrização.
  • Limpeza: Realizar limpeza com solução salina 0,9% e técnica asséptica.
  • Curativos: Utilizar curativos adequados para o tipo de úlcera, promovendo um ambiente úmido e protegendo a ferida.
  • Controle da dor: Administrar analgésicos conforme prescrição médica.

Feridas por Queimaduras

Lesões causadas por exposição a altas temperaturas, produtos químicos, radiação ou eletricidade.

Por que acontecem?

Acidentes domésticos, industriais ou exposição ao sol são as principais causas.

Características: A profundidade da queimadura determina a gravidade e a dificuldade de cicatrização.

Cuidados de Enfermagem:

  • Resfriamento: Resfriar a área queimada com água corrente.
  • Limpeza: Remover roupas e joias da área queimada.
  • Curativos: Aplicar curativos úmidos para aliviar a dor e prevenir a infecção.
  • Controle da dor: Administrar analgésicos e sedativos conforme prescrição médica.
  • Repor líquidos e eletrólitos: Monitorar o balanço hídrico e administrar soluções intravenosas.

Qual a importância de saber a causa da ferida?

Conhecer a causa da ferida é fundamental para:

  • Diagnóstico: Permite ao médico identificar a melhor forma de tratar a lesão.
  • Tratamento: Cada tipo de ferida requer um tratamento específico para promover a cicatrização e evitar complicações.
  • Prevenção: Ao identificar a causa, é possível tomar medidas para prevenir o surgimento de novas feridas.

As feridas na pele podem ter diversas causas, e cada uma delas possui características e necessidades de tratamento específicas. Se você tiver alguma ferida que não cicatriza ou que causa preocupação, procure um médico para avaliação.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Protocolo de tratamento de feridas. Brasília, 2010.
  2. EBSERH

Desbridamento Autolítico: Coberturas

O desbridamento autolítico é um processo natural de limpeza da ferida, onde o próprio organismo utiliza suas próprias enzimas para remover o tecido necrosado (morto). É como se o corpo fizesse uma limpeza interna, promovendo a cicatrização.

Como funciona?

As coberturas utilizadas nesse processo, como hidrogel e hidrocolóides, criam um ambiente úmido na ferida, o que facilita a ação das enzimas, e as enzimas presentes no organismo começam a decompor o tecido morto, transformando-o em um material gelatinoso que pode ser facilmente removido com a troca do curativo.

Coberturas para Desbridamento Autolítico

Cada cobertura possui características específicas que as tornam mais adequadas para diferentes tipos de feridas e estágios de cicatrização.

Hidrogel

    • Forma um gel na ferida, proporcionando um ambiente úmido e resfriante.
    • Indicado para feridas secas e com necrose.
    • Auxilia na remoção do tecido necrótico e na redução do odor.

Hidrocolóide

    • Forma um gel na superfície da ferida, mantendo a umidade e protegendo os tecidos saudáveis.
    • Indicado para feridas com pouco ou moderado exsudato.
    • Auxilia na remoção do tecido necrótico e na promoção da granulação.

Hidropolímero

    • Absorve o exsudato e mantém a umidade da ferida, proporcionando um ambiente ideal para a cicatrização.
    • Indicado para feridas com moderado a alto exsudato.
    • Auxilia na remoção do tecido necrótico e na prevenção da maceração.

Hidrofibra

    • Fibras altamente absorventes que formam um gel em contato com o exsudato.
    • Indicado para feridas com alto exsudato e cavitárias.
    • Auxilia na remoção do tecido necrótico e na manutenção de um ambiente úmido.

Fibras hidrodesbridantes

    • Fibras que interagem com o exsudato, formando um gel que facilita a remoção do tecido necrosado.
    • Indicado para feridas com tecido necrótico aderido.
    • Auxilia na remoção do tecido necrosado de forma suave e indolor.

Iodo cadexômero

    • Libera iodo de forma gradual, proporcionando ação antimicrobiana e auxiliando na remoção do tecido necrosado.
    • Indicado para feridas infectadas ou com risco de infecção.
    • Auxilia na prevenção da colonização bacteriana e na promoção da cicatrização.

Quando usar o Desbridamento Autolítico?

  • Feridas com tecido necrosado.
  • Feridas superficiais.
  • Pacientes com pouca dor.
  • Quando outros métodos de desbridamento não são adequados.

É importante ressaltar que a escolha da cobertura ideal e a condução do tratamento devem ser realizadas por um profissional de saúde qualificado.

Referência:

  1. SOBEST; URGO. Preparo do leito da ferida. 2016. Disponível em: https://sobest.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Preparo-do-leito-da-ferida_SOBEST-e-URGO-2016.pdf

Feridas Neoplásicas

Feridas neoplásicas, também conhecidas como feridas oncológicas ou tumorais, são lesões que se desenvolvem em decorrência da infiltração de células cancerígenas nas camadas da pele. Essa infiltração causa a quebra da integridade da pele, levando à formação de feridas que podem variar em tamanho, profundidade e características.

Como se formam?

A proliferação descontrolada das células cancerígenas, característica do processo de oncogênese, é a principal responsável pela formação dessas feridas. A infiltração das células malignas nas estruturas da pele causa a destruição dos tecidos saudáveis, resultando em feridas abertas e, muitas vezes, dolorosas.

Quais são as características das feridas neoplásicas?

As feridas neoplásicas apresentam características específicas que as diferenciam de outros tipos de feridas. Algumas das características mais comuns incluem:

  • Aparência: Podem ser ulceradas, vegetantes (semelhantes à couve-flor) ou apresentar uma combinação de ambos os aspectos.
  • Exsudato: Geralmente apresentam exsudato (líquido drenado da ferida) com odor fétido e coloração variável, desde amarelo claro até marrom escuro.
  • Necrose: Frequentemente há presença de tecido necrosado (morto) no leito da ferida.
  • Dor: A dor é um sintoma comum, podendo variar em intensidade de acordo com o estágio da ferida e a localização.
  • Sangramento: O sangramento também pode ocorrer, especialmente em feridas mais profundas ou com necrose.

Quais são os tipos de feridas neoplásicas?

A classificação das feridas neoplásicas pode variar, mas geralmente são divididas em estágios, considerando a profundidade da lesão, a presença de exsudato, necrose e outros fatores. Essa classificação é importante para guiar o tratamento e acompanhar a evolução da ferida.

Quais são as causas das feridas neoplásicas?

As feridas neoplásicas são consequência direta do câncer. A localização do tumor e o tipo de câncer podem influenciar o desenvolvimento e as características das feridas.

Quais são os tratamentos para feridas neoplásicas?

O tratamento das feridas neoplásicas é multidisciplinar e envolve diferentes profissionais da saúde. O objetivo principal é controlar os sintomas, promover a cicatrização, prevenir infecções e melhorar a qualidade de vida do paciente. As opções de tratamento podem incluir:

  • Desbridamento: Remoção do tecido necrosado e infectado.
  • Limpeza da ferida: Realizada com soluções antissépticas para prevenir a infecção.
  • Curativos: Utilização de curativos específicos para controlar o exsudato, proteger a ferida e promover a cicatrização.
  • Terapia medicamentosa: Uso de analgésicos para controlar a dor, antibióticos para tratar infecções e outros medicamentos conforme a necessidade.
  • Radioterapia: Utilizada para destruir as células cancerígenas e controlar o crescimento do tumor.
  • Quimioterapia: Tratamento sistêmico que utiliza medicamentos para destruir as células cancerígenas em todo o corpo.
  • Cirurgia: Em alguns casos, a cirurgia pode ser necessária para remover o tumor e os tecidos adjacentes.

Qual a importância do cuidado com feridas neoplásicas?

O cuidado adequado com feridas neoplásicas é fundamental para prevenir complicações, como infecções, sangramentos e dor intensa. Além disso, o tratamento precoce e eficaz pode contribuir para a melhora da qualidade de vida do paciente e aumentar a expectativa de vida.

Onde buscar ajuda?

Pacientes com feridas neoplásicas devem procurar atendimento médico e de enfermagem especializados em oncologia ou em feridas crônicas. A equipe multidisciplinar poderá avaliar a lesão, indicar o tratamento mais adequado e acompanhar a evolução do paciente.

Observação: Este texto tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Em caso de dúvidas ou suspeita de ferida neoplásica, procure um profissional de saúde.

Referências:

  1. SOBEST
  2. Conhecimento da equipe de enfermagem sobre cuidados com pacientes com feridas neoplásicas
  3. Cordeiro, J. N. B., de Lima, L. M., da Silva, T. S. N., & da Silva, T. E. A. (2023). Cuidados de enfermagem a pacientes com feridas neoplásicas mamárias . Brazilian Journal of Development, 9(6), 20410–20420. https://doi.org/10.34117/bjdv9n6-109

Coberturas e Correlatos de feridas: As diferenças

No contexto médico, especialmente no cuidado de feridas, coberturas e correlatos são termos distintos, embora interligados, com funções específicas no processo de cicatrização.

Entenda as diferenças

Coberturas

  • Função principal: Entrar em contato direto com a ferida, proporcionando um ambiente propício para a cicatrização.
  • Tipos: Variedade imensa, desde curativos simples (gaze, algodão) até produtos complexos (coberturas bioabsorvíveis, películas de hidrogel).
  • Características: Escolha depende das características da ferida (exsudato, profundidade, tecido necrosado, etc.), objetivo do tratamento (absorção, cicatrização úmida, controle de infecção) e perfil do paciente.
  • Exemplos:
    • Gaze: Absorve exsudato, facilita troca gasosa.
    • Cobertura de hidrogel: Mantém ambiente úmido, favorece desbridamento autolítico.
    • Alginato: Altamente absorvente, controla sangramento, indicado para feridas cavitadas.

Correlatos

  • Função principal: Complementar a ação das coberturas, auxiliando no processo de cicatrização.
  • Tipos: Antisépticos, soluções de limpeza, cremes, pomadas, gazes impregnadas com antimicrobianos, drenos, ataduras, bandagens, etc.
  • Características: Escolha depende da cobertura utilizada, características da ferida e comorbidades do paciente.
  • Exemplos:
    • Solução de salina: Limpa a ferida, remove sujidades e detritos.
    • Antisséptico: Combate microrganismos, reduz risco de infecção.
    • Pomada cicatrizante: Estimula cicatrização, reduz formação de queloides.
    • Drenos: Removem líquidos e secreções da ferida, impedem acúmulo e formação de hematomas.

Em resumo

  • Coberturas: “Vestem” a ferida, criando um ambiente ideal para cicatrização.
  • Correlatos: “Acessórios” que complementam as coberturas, otimizando o processo.

Juntas: Coberturas e correlatos trabalham em sinergia para promover a cicatrização rápida e eficaz, prevenindo infecções e complicações.

Observações importantes

  • A escolha correta de coberturas e correlatos deve ser feita por um profissional enfermeiro, com base em avaliação individual da ferida e do paciente.
  • Automedicação pode atrasar a cicatrização e colocar em risco a saúde.
  • Siga rigorosamente as instruções do profissional quanto à troca de curativos e uso dos produtos.
  • Mantenha dúvidas e preocupações em relação ao tratamento em aberto com o profissional responsável.

Referência:

  1. COREN-SP

Epíbole: O que é?

Vá direto ao ponto!

Uma Epíbole é um termo usado para descrever o crescimento excessivo das bordas de uma ferida, que se tornam enroladas e elevadas, impedindo a cicatrização adequada, e encontra-se presente na LPP de Estágio 4.

Causas

A epíbole pode ser causada por vários fatores, como infecção, trauma, isquemia, edema ou uso inadequado de curativos.

Tratamento

O tratamento da epíbole depende da causa e da gravidade do problema, mas geralmente envolve a remoção do tecido necrótico, a redução da pressão e a aplicação de agentes tópicos que estimulem a granulação e a epitelização.

A epíbole pode ser prevenida com uma limpeza cuidadosa da ferida, uma avaliação frequente do estado da pele e uma troca regular dos curativos.

Referências:

  1. https://www.coloplast.com.br/Global/Brasil/Product/A4_Triangulo_GuiaDeUso.pdf
  2. https://coren-df.gov.br/site/wp-content/uploads/2021/06/pt102021.pdf

Feridas Abertas Vs Fechadas: As diferenças

Entender a diferença entre feridas abertas e fechadas é crucial para um cuidado adequado e uma cicatrização eficaz.  Saiba sobre as diferenças entre feridas abertas e feridas fechadas:

Feridas Abertas

    • São feridas em que as bordas da pele estão afastadas.
    • Geralmente, envolvem uma ruptura interna ou externa nos tecidos do corpo, incluindo a pele.
    • Exemplos de feridas abertas incluem abrasões, escoriações, incisões e lacerações.
    • Essas feridas podem ser dolorosas e requerem cuidados específicos para evitar infecções.
    • Tratamento: Lave a ferida, aplique uma cobertura de curativo e siga as orientações médicas.

Feridas Fechadas

    • São feridas em que as bordas da pele estão justapostas.
    • Não há perda da integridade da pele.
    • Exemplos de feridas fechadas incluem contusões (ferimentos contundentes) e equimoses (manchas arroxeadas na pele causadas por contusões), feridas cirúrgicas suturadas.
    • Tratamento: Geralmente, não requerem cuidados específicos, mas é importante monitorar qualquer inchaço ou dor.

Referência:

  1. https://www.repositorio.furg.br/bitstream/handle/1/9385/Feridas.pdf?sequence=1&isAllowed=y

Competência ao cuidado de Feridas

A Resolução Cofen nº 501/2015 estabelece os critérios para a atuação dos profissionais de enfermagem na realização de curativos, de acordo com o grau de complexidade das lesões.

Entenda os graus de lesões das feridas

  • Os curativos de grau 1 são aqueles que envolvem lesões superficiais, com pouca ou nenhuma exsudação, sem sinais de infecção ou necrose.
  • Os curativos de grau 2 são aqueles que envolvem lesões parciais ou totais da derme, com moderada exsudação, sem sinais de infecção ou necrose.
  • Os curativos de grau 3 são aqueles que envolvem lesões que atingem o tecido subcutâneo, com grande exsudação, podendo apresentar sinais de infecção ou necrose.
  • Os curativos de grau 4 são aqueles que envolvem lesões que atingem o músculo, o osso ou as estruturas profundas, com grande exsudação, podendo apresentar sinais de infecção ou necrose.

Entenda as Competências

A Resolução Cofen nº 501/2015 determina que os curativos de grau 1 e 2 podem ser realizados por qualquer profissional de enfermagem, desde que capacitado e supervisionado pelo enfermeiro.

Já os curativos de grau 3 e 4 devem ser realizados exclusivamente pelo enfermeiro, que deve avaliar a lesão e prescrever o tratamento adequado, sendo que o auxiliar e o técnico devem auxiliar o Enfermeiro nos curativos de feridas em estágio 3 e 4.

Referências:

  1. – BLANCK, M.; GIANNINI, T. Ulceras e feridas – As feridas tem alma. Di livros editora ltda, 2014.
  2. BORGES, E. L. et al. Feridas – Como Tratar. Coopmed Editora Médica, 2009.
  3. BORGES, E. L. Feridas – Úlceras de Membros Inferiores. Editora Guanabara Koogan, 2012.
  4. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Procedimentos / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília : Ministério da Saúde, 2011 – BRASIL. Protocolo para prevenção de úlcera por pressão. Ministério da Saúde/Anvisa/Fiocruz, 2013.
  5. Conselho Federal de Enfermagem – COFEN (BR). Lei do Exercício Profissional, nº 7.498/86; Decreto nº 94.406/87 e Código de Ética dos profissionais de enfermagem.
  6. Conselho Federal de Enfermagem – COFEN (BR). Resolução 311 de 2007, que aprova o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem.
  7. Conselho Federal de Enfermagem – COFEN (BR). Resolução 358 de 2009, que dispõe sobre a Sistematização da Assistência de Enfermagem.
  8. Conselho Federal de Enfermagem – COFEN (BR). Resolução 429 de 2012, que dispõe sobre o registro das ações profissionais no prontuário do paciente.
  9. Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo – COREN SP. PARECER COREN – SP CAT Nº 011/2009. Uso do laser de baixa intensidade pelo profissional enfermeiro no tratamento clínico de feridas.
  10. Conselho Regional de Enfermagem de Rondônia – COREN RO. Parecer nº 06/2013, referente à solicitação de esclarecimentos sobre as competências dos Enfermeiros no tratamento de feridas, bem como o direito de atender consultas em estabelecimentos privados e o direito de usar lâmina de bisturi no desbridamento conservador.
  11. CUNHA, N. A. Sistematização da Assistência de Enfermagem no Tratamento de Feridas Crônicas. Monografia. Fundação de Ensino Superior de Olinda. Olinda, 2006.
  12. ERNANDES, L. R. A. Fisiologia da cicatrização: feridas e curativos. 2005. Disponível em URL: 
  13. EPUAP/NPUAP. Prevenção de Úlceras de Pressão – Guia de consulta rápido. Disponível em:http://www.epuap.org/guidelines/QRG_Prevention_in_Portuguese.pdf.
  14. MORAIS, G. F. da C.; OLIVEIRA, S. H. dos S.; SOARES, M. J. G. O. Avaliação de feridas pelos enfermeiros de instituições hospitalares da rede pública. Texto contexto – enferm., Florianópolis , v. 17, n. 1, p. 98-105, mar. 2008 .
  15. OLIVEIRA, Adriana Cristina. Infecções Hospitalares: Epidemiologia, Prevenção Controle. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A. 2005.
  16. PEREIRA, A. L. Revisão sistemática de literatura sobre produtos usados no tratamento de feridas. Goiânia, 2006. Dissertação de mestrado. Disponível em: HTTPS://repositorio.bc.ufg.br/tede/bitstream/tde/732/1/Angela%20Lima%20Pereira.pdf.
  17. SANTOS, J. B. et al. Avaliação e tratamento de feridas: orientações aos profissionais de saúde. Hospital de Clínicas de Porto Alegre RS. Disponível em: http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/34755/000790228.pdf.
  18. SANTOS, I. C. R. V.; OLIVEIRA, R. C. de; SILVA, M. A. da. Desbridamento cirúrgico e a competência legal do enfermeiro. Texto contexto – enferm., Florianópolis , v. 22, n. 1, p. 184-192, mar. 2013.