Exsudato de Feridas: O que precisa saber!

Um exsudato é um líquido que sai de uma ferida, como resultado de um processo inflamatório ou infeccioso. O exsudato pode ter diferentes características, dependendo da fase de cicatrização da ferida e do tipo de lesão. Existem os principais tipos de exsudato de feridas: seroso, serosanguinolento, sanguinolento, purulento e fibrinoso.

Características

  • O exsudato seroso é um líquido claro e aquoso, que contém poucas células e proteínas. Ele é normalmente produzido na fase inicial da cicatrização, quando a ferida está limpa e sem infecção. O exsudato seroso ajuda a hidratar a ferida e a remover as impurezas.
  • O exsudato serosanguinolento é um líquido avermelhado, que contém sangue e soro. Ele é comum em feridas traumáticas ou cirúrgicas, que envolvem danos aos vasos sanguíneos. O exsudato serossanguinolento indica que a ferida está vascularizada e em processo de granulação.
  • O exsudato Sanguinolento ou hemático é um líquido vermelho, rico em sangue e células inflamatórias. Indica uma ferida com sangramento ativo ou recente, que pode ser causado por trauma, infecção ou necrose.
  • O exsudato purulento é um líquido espesso e amarelado ou esverdeado, que contém células mortas, bactérias e pus. Ele é típico de feridas infectadas ou necrosadas, que apresentam sinais de inflamação e mau cheiro. O exsudato purulento prejudica a cicatrização e requer tratamento específico.
  • O exsudato fibrinoso é um líquido viscoso e esbranquiçado, que contém fibrina e restos celulares. Ele é formado em feridas crônicas ou estagnadas, que não evoluem para a fase de epitelização. O exsudato fibrinoso forma uma crosta sobre a ferida, impedindo a sua oxigenação e nutrição.

Por que o exsudato pode impedir a cicatrização da ferida?

Enquanto o exsudato é essencial ao processo de cicatrização, ele também pode impedir a cicatrização da ferida. Isso pode acontecer se:

  • a ferida tiver a quantidade errada de exsudato (muito ou pouco);​
  • o exsudato tiver a composição errada; ou​
  • o exsudato estiver no local errado.

Conforme uma ferida começa a cicatrizar, a quantidade de exsudato que ela produz geralmente diminui. No entanto, muitas feridas crônicas podem ficar estagnadas no estágio inflamatório em que bactérias prejudiciais podem se desenvolver.

Em tais casos, o exsudato pode:

  • interromper a cicatrização;​
  • retardar ou impedir o crescimento das células;​
  • interferir na disponibilidade do fator de crescimento; e​
  • conter níveis elevados de mediadores inflamatórios, por exemplo, plaquetas, neutrófilos, monócitos/macrófagos e mastócitos.

​Isso nos leva de volta ao ‘espaço morto’ e porque é tão importante que essa lacuna seja manejada adequadamente para que a ferida cicatrize.

Conforme a ferida cicatriza, o nível de exsudato que ela produz diminui. No entanto, se a ferida ficar estagnada na fase inflamatória, ela continuará a produzir níveis elevados de exsudato – de moderado a alto.

Por que é importante avaliar o espaço morto

Quando você trata um paciente com uma ferida crônica, seu principal objetivo é ajudar e apoiar o processo de cicatrização da ferida. Saber como conduzir uma avaliação precisa da ferida é essencial.

Avaliações inadequadas de feridas podem levar a escolhas de tratamento incorretos, resultados negativos para o paciente e maior custo de tratamento.  Saber o que procurar ao examinar a ferida – e a lacuna entre o leito da ferida e o curativo – lhe dará uma ideia mais clara da condição da ferida o que te ajudará a decidir como fornecer um ambiente ótimo para a cicatrização. 

O que procurar ao avaliar o espaço morto​

Antes de vermos o processo de avaliação real, é importante lembrar-se de que o tratamento efetivo de feridas vai além da ferida em si.

Ao tratar pessoas com feridas – crônicas ou agudas – é sempre importante realizar uma abordagem holística. Isso significa anotar o histórico do paciente e de sua saúde, além da condição de sua ferida.

Em uma avaliação detalhada da ferida – e do espaço morto, lacuna entre a ferida e o curativo – você deve considerar.

  • há quanto tempo o paciente está com esta ferida?​
  • qual é a etiologia da ferida (ou seja, o que a causou)?​
  • como ela está cicatrizando? Você vê sinais de progresso?
  • quais são as características da ferida?
    • Aqui você deve analisar:
      • a profundidade da ferida, descolamento, tunelização e fístula​
      • a estrutura e topografia do leito da ferida​
      • a qualidade do tecido: Há sinais de granulação ou necrose?​
      • a pele perilesão (ao redor da ferida) e a borda da ferida
      • o exsudato, ou líquido que sai da ferida – sua cor, consistência, odor e quantidade.

Com que frequência eu avalio a lacuna?​

Você deve fazer uma avaliação completa da ferida crônica pelo menos uma vez por semana ou, se possível, todas as vezes que trocar o curativo. Isso o ajudará a diagnosticar e tratar toda infecção no início. Ao detectar uma infecção no início, você reduz o risco de complicações sérias, tais como infecções que ameaçam o membro ou a vida.

Ao avaliar a ferida, procure pelos seguintes sinais de atenção:

  • excesso de exsudato, vazamento e sujidades​
  • dano na pele perilesão (por exemplo, maceração, desnudação ou erosão na pele)​
  • Atraso na cicatrização de ferida
  • sinais de infecção
  • trocas de curativos frequentes

Referências:

  1. Triangle in Practice (2019) Wound International
  2. Keast, David H. et al. Managing the gap to promote healing in chronic wounds – an international consensus. Wounds International 2020. Vol 11, issue 3
  3. World Union of Wound Healing Societies (WUWHS) Consensus Document. Wound exudate: effective assessment and management. Wounds International, 2019
  4. Adderly, U.J (2010) Managing wound exudate and promoting healing
  5. http://eerp.usp.br/feridascronicas/recurso_educacional_lp_4_2.html#:~:text=O%20exsudato%20ou%20fluidos%20da,e%20limitam%20o%20crescimento%20bacteriano.
  6. https://aps-repo.bvs.br/aps/qual-o-melhor-curativo-para-feridas-exsudativas/

Sulfadiazina de Prata

A Sulfadiazina de Prata é uma substância com ação antimicrobiana capaz de eliminar diferentes tipos de bactérias e alguns tipos de fungos.

Indicações

  • Feridas com grande potencial de infecção e risco de evolução para infecção generalizada;
  • Queimaduras;
  • Úlceras de perna, escaras de decúbito;
  • Feridas cirúrgicas.

Benefício

  • Valido por 24 meses;
  • Fácil aplicação.

Precauções e Contraindicações

  • Uso por gestantes no final da gestação, em crianças prematuras e recém-natos nos dois primeiros meses de vida;
  • Pacientes alérgicos às sulfas e aos demais componentes da formulação.

Frequência de Troca

  • Feridas secas ou pouco exsudativas: troca em até 24 horas;
  • Feridas de muito exsudato: troca até 12h.

Considerações

  • A longo prazo, o uso recorrente pode levar a impregnação por prata – Hipersensibilidade local ou sistêmica.

Classificação de Feridas

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 04/09/2026.

Uma ferida não deve ser descrita apenas como “aberta” ou “profunda”. Para a enfermagem, identificar como ocorreu, qual tecido foi atingido, quanto está contaminada e quais estruturas podem estar comprometidas muda completamente a avaliação e a conduta.

Principais classificações

As feridas podem ser classificadas por diferentes critérios. O mecanismo de trauma continua sendo útil para reconhecer o tipo de lesão:

  • Incisa ou cortante: apresenta bordas geralmente regulares e é provocada por objetos com gume, como lâmina ou bisturi.
  • Lacerada: ocorre por rasgo ou tração dos tecidos, apresentando bordas irregulares.
  • Contusa: resulta principalmente de impacto ou compressão, podendo existir dano tecidual mesmo sem grande abertura da pele.
  • Perfurante: provocada por objeto pontiagudo, como prego ou agulha, com predomínio da profundidade sobre a extensão superficial.
  • Perfuroincisa: causada por objeto que possui ponta e gume, podendo produzir uma pequena abertura externa e lesão profunda.
  • Perfurocontusa: está associada a mecanismos de alta energia, como projéteis de arma de fogo, podendo apresentar trajetos e comprometimento de estruturas profundas.
  • Escoriação: ocorre pelo atrito ou raspagem da superfície da pele, com perda principalmente superficial.

Já equimose e hematoma são manifestações de extravasamento sanguíneo nos tecidos, geralmente sem perda inicial da continuidade da pele.

Feridas e risco de contaminação

Na classificação cirúrgica tradicional, as feridas são divididas em limpas, limpas-contaminadas, contaminadas e sujas/infectadas.

A ferida limpa ocorre sem inflamação e sem entrada nos tratos respiratório, gastrointestinal, genital ou urinário não contaminado. A limpa-contaminada envolve a entrada controlada nesses sistemas, sem contaminação incomum.

A classificação contaminada inclui, entre outras situações, feridas traumáticas abertas recentes, grande quebra da técnica asséptica ou derramamento importante do trato gastrointestinal. Já a categoria suja/infectada envolve feridas com infecção estabelecida, perfuração de víscera, tecido desvitalizado ou contaminação importante associada a atendimento tardio.

Um cuidado importante: contaminada não significa necessariamente infectada. Uma ferida pode conter microrganismos sem apresentar infecção clínica. O acompanhamento deve procurar sinais como aumento da dor, calor, vermelhidão, edema, secreção purulenta, mau odor e, em situações mais graves, manifestações sistêmicas.

Profundidade também precisa ser registrada

A classificação não termina no mecanismo do trauma. Na avaliação, observe localização, comprimento, largura, profundidade, tipo de tecido presente, exsudato, odor, condição das bordas e pele ao redor, além de possíveis lesões de nervos, vasos, tendões, músculos ou ossos.

Em uma ferida traumática da mão, por exemplo, uma abertura aparentemente pequena pode esconder comprometimento de tendões, nervos ou vasos. Por isso, o exame deve considerar função e estruturas profundas, e não somente o tamanho da lesão na pele.

Não confunda com lesão por pressão

Lesão por pressão possui um sistema próprio de classificação. Atualmente são reconhecidos Estágio 1, Estágio 2, Estágio 3, Estágio 4, lesão por pressão não classificável e lesão por pressão de tecido profundo. Lesões de membrana mucosa não devem ser classificadas nesses estágios.

Da mesma forma, úlceras relacionadas ao diabetes, especialmente as do pé, devem ser avaliadas por sistemas específicos, como os propostos pela IWGDF, que consideram características relevantes para prognóstico e tratamento.

Duas situações reais da assistência

  • Situação 1: um paciente chega ao pronto atendimento após pisar em um prego. A abertura plantar é pequena, mas existe uma lesão perfurante profunda. O erro seria avaliar somente o tamanho do orifício. O mecanismo, a profundidade, a possibilidade de corpo estranho, o estado vacinal e o risco de comprometimento de estruturas profundas precisam entrar na avaliação.
  • Situação 2: durante a troca de curativo de uma ferida traumática, observa-se aumento da dor, calor local, edema e secreção purulenta em comparação com a avaliação anterior. Nesse caso, não basta registrar “ferida contaminada”: a evolução sugere sinais clínicos de infecção e precisa ser comunicada e investigada conforme o protocolo do serviço.

Cuidados de enfermagem

Na avaliação, registre tipo e mecanismo da ferida, localização, dimensões, profundidade, tecido presente, exsudato, odor, bordas, pele adjacente e evolução. Observe também dor, perfusão, sensibilidade e mobilidade quando houver possibilidade de comprometimento neurovascular.

Na limpeza de feridas traumáticas, a irrigação e a remoção de contaminantes são fundamentais. A técnica deve ser adequada ao tipo de lesão, com analgesia quando necessária e avaliação para presença de corpo estranho, lesão profunda e necessidade de encaminhamento. Antibióticos não são indicados automaticamente para toda ferida; a decisão depende do risco e da avaliação clínica.

Um registro como “ferida em MID, 4 × 2 cm, bordas irregulares, profundidade aproximada de 0,5 cm, exsudato seroso pequeno, sem odor, pele perilesional íntegra, dor 3/10” comunica muito mais do que simplesmente “ferida com aspecto bom”.

Resumo para salvar

Classificação de Feridas: O Que Você Precisa Saber

  • Feridas podem ser classificadas pelo mecanismo, contaminação e profundidade
  • Ferida contaminada não é sinônimo de ferida infectada
  • A avaliação deve registrar tamanho, profundidade, tecido, exsudato, bordas e pele ao redor
  • Lesão por pressão e pé relacionado ao diabetes possuem sistemas próprios de classificação

Referências:

  1. WORLD SOCIETY OF EMERGENCY SURGERY; ACADEMY OF EMERGENCY MEDICINE AND CARE. Management of traumatic wounds in the Emergency Department: position paper. World Journal of Emergency Surgery, 2016. Acessar publicação
  2. NATIONAL PRESSURE INJURY ADVISORY PANEL; EUROPEAN PRESSURE ULCER ADVISORY PANEL; PAN PACIFIC PRESSURE INJURY ALLIANCE. The International Guideline: Prevention and Treatment of Pressure Ulcers/Injuries. International Guideline, 2025–2026. Consultar classificação internacional de lesões por pressão
  3. INTERNATIONAL WORKING GROUP ON THE DIABETIC FOOT. IWGDF Guidelines on the classification of diabetes-related foot ulcers: 2023 update. 2023. Consultar diretriz IWGDF de classificação
  4. NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE. Surgical site infections: prevention and treatment — recommendations. NICE. Consultar recomendações do NICE
  5. ROYAL CHILDREN’S HOSPITAL MELBOURNE. Wound dressings – acute traumatic wounds: clinical practice guideline. Melbourne: RCH. Consultar guideline sobre feridas traumáticas
  6. OLUTOYE, Oluyinka O. et al. Management of Acute Wounds—Expert Panel Consensus Statement. Wounds, 2024. Consultar publicação sobre manejo de feridas agudas

Hidrogel

O Hidrogel é indicado para o tratamento de feridas secas, pouco úmidas e de média exsudação, com presença de tecido inviável (necrose e esfacelo) e também para o estímulo da granulação e da epitelização através do meio úmido. Pode ser aplicado em feridas de qualquer etiologia, infectadas ou não, podendo estar associado ao alginato.

BENEFÍCIO:

  • Mantém o meio úmido;
  • Promove o desbridamento autolítico.

INDICAÇÃO DE USO:

  • Feridas secas ou pouco exsudativas;
  • Tecidos desvitalizados em feridas abertas;
  • Áreas doadoras de pele;
  • Queimaduras de 1º e 2º graus;
  • Desbridamento leve de necrose de liquefação (esfacelo) e de necrose de coagulação (escara).

PRECAUÇÃO/CONTRAINDICAÇÃO:

  • Feridas com exsudato em média ou grande quantidade;
  • Pele íntegra;
  • Queimaduras de terceiro grau;
  • Sensibilidade aos componentes do produto.

FREQUÊNCIA DE TROCA:

  • Troca em até 48 horas;
  • Feridas infectadas: no máximo a cada 24 horas.

CONSIDERAÇÕES:

  • Macera as bordas da lesão e a pele adjacente.

Curativos: Técnicas e Cuidados Essenciais

técnicas de curativos

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 02/10/2026.

Um curativo pode ser trocado corretamente do ponto de vista técnico e ainda prejudicar a cicatrização se a cobertura escolhida não for adequada à ferida. Por isso, antes de abrir o material, é necessário avaliar a lesão, identificar o objetivo do procedimento e definir os cuidados conforme a condição clínica, a prescrição e o protocolo institucional.

Como preparar e realizar o curativo

Comece pela identificação do paciente, explicação do procedimento, higiene das mãos, organização do material e garantia de privacidade. Utilize os equipamentos de proteção indicados e mantenha técnica asséptica quando necessária, evitando contaminar materiais, luvas e superfícies durante a execução.

A limpeza deve remover resíduos e excesso de exsudato sem provocar trauma desnecessário. Em muitas feridas, utiliza-se solução fisiológica a 0,9%, conforme avaliação e protocolo. Antissépticos não devem ser aplicados indiscriminadamente em todo leito de ferida: a indicação depende do produto, da condição clínica e da finalidade do tratamento. A escolha da solução e da cobertura deve seguir evidências, orientações do fabricante e padronização institucional.

Na prática, durante um curativo pós-operatório, a cobertura pode estar limpa e seca, mas a pele ao redor apresentar vermelhidão, calor ou edema. Nessa situação, não basta substituir o curativo: é necessário avaliar a incisão, registrar os achados e comunicar alterações relevantes à equipe responsável.

Material
Exemplo de bandeja de curativo.

Curativo limpo, com dreno e ferida aberta

Incisões cirúrgicas fechadas: mantenha a cobertura conforme a orientação da equipe e o protocolo do serviço. Se estiver limpa, seca e íntegra, a troca não precisa ocorrer em intervalos arbitrários. Um curativo deve ser avaliado e substituído quando estiver úmido, sujo, solto ou comprometido, além das situações em que houver indicação clínica.

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Curativo Limpo

Curativos com dreno: observe o ponto de inserção, a fixação, a pele adjacente e as características da drenagem. O curativo do dreno pode exigir cuidado separado da incisão, conforme o dispositivo e a contaminação. Não traccione, mobilize ou retire o dreno sem indicação e autorização previstas no plano assistencial.

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Curativo com dreno

Feridas abertas: a cobertura deve proteger o leito, controlar o exsudato e preservar a umidade adequada à cicatrização. Feridas com secreção abundante podem exigir trocas mais frequentes; já outras permitem intervalos maiores, conforme o produto utilizado e a evolução clínica. Não existe um único esquema de troca válido para todas as lesões.

Curativo contaminado

Escolha da cobertura conforme a ferida

Gazes, espumas, alginatos, hidrofibras, hidrocoloides e coberturas com outras tecnologias apresentam características diferentes. A seleção depende de fatores como quantidade de exsudato, profundidade, tecido presente, condição da pele ao redor, dor, localização e suspeita de infecção.

Os hidrocoloides, por exemplo, podem ser úteis em determinadas feridas superficiais com exsudato baixo ou moderado, quando não houver contraindicações. Ao absorver o líquido, formam um gel que pode apresentar aspecto amarelado e odor durante a retirada. Isso, isoladamente, não confirma infecção. É necessário avaliar o conjunto de sinais clínicos e a evolução da lesão, respeitando as indicações e limitações descritas pelo fabricante.

Placa de Hidrocoloide

Em uma ferida que começa a apresentar maceração nas bordas, o problema pode estar relacionado ao excesso de umidade ou à capacidade insuficiente de absorção da cobertura. Nesse caso, é importante reavaliar o produto, a frequência de troca e a proteção da pele perilesional, em vez de simplesmente repetir o mesmo curativo.

O que observar e registrar

A avaliação deve acompanhar a evolução da ferida, incluindo:

  • Localização, comprimento, largura e profundidade, quando aplicável.
  • Leito: granulação, esfacelo, necrose ou outras características observadas.
  • Exsudato: quantidade, cor, viscosidade e odor.
  • Bordas e pele ao redor: maceração, edema, vermelhidão, calor, ressecamento ou lesões.
  • Dor e sinais de deterioração, além de alterações na drenagem ou na cicatrização.

Sempre que possível, utilize o mesmo método de mensuração e compare os registros anteriores. Cultura de ferida não deve ser coletada automaticamente toda semana nem apenas porque existe secreção; a necessidade depende da avaliação clínica e da suspeita de infecção. Quando indicada, a coleta deve seguir a técnica e o protocolo do serviço.

Cuidados de enfermagem

Antes de iniciar, confira a identificação do paciente, os materiais e a integridade das embalagens. Durante o procedimento, preserve a técnica adequada, evite trauma na retirada da cobertura e descarte os resíduos conforme as normas institucionais.

Ao finalizar, confirme se a cobertura está bem fixada, sem compressão excessiva, e se o paciente apresenta conforto. Registre o aspecto da ferida, o procedimento realizado, a cobertura utilizada, a resposta do paciente e as alterações comunicadas à equipe. A avaliação e a indicação do tratamento devem respeitar as competências profissionais e os protocolos vigentes; a equipe de enfermagem atua conforme suas atribuições e supervisão aplicável.

Resumo para salvar

Curativos: Técnicas e Cuidados Essenciais

  • Prepare o material e preserve a técnica asséptica
  • Escolha a cobertura conforme a ferida e o exsudato
  • Registre as características e a evolução da lesão
  • Comunique sinais de deterioração e suspeita de infecção

Referências:

  1. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Medidas de prevenção de infecção relacionada à assistência à saúde. Brasília, DF: Anvisa, 2017. Disponível em: Biblioteca Digital da Anvisa. 
  2. HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DA GRANDE DOURADOS (HU-UFGD). Protocolo de curativos na prevenção de infecção: PRT.CCIRAS.020. Dourados: HU-UFGD, 2026. Disponível em: Protocolo institucional de curativos. Acesso em: 2 out. 2026.
  3. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Nota Técnica GVIMS/GGTES/DIRE3/Anvisa nº 11/2025: orientações para implementação de protocolos de prevenção de infecção pelos serviços de saúde. Brasília, DF: Anvisa, 2025. Disponível em: Nota Técnica nº 11/2025. 
Dicas

Feridas e Curativos: De quem é a responsabilidade de executar?

Pergunta feita pela Sônia: “Sobre feridas, os curativos que são de competência do enfermeiro, a partir de qual tamanho ou profundidade uma escara deve ser cuidada exclusivamente pelo enfermeiro?” Cara Sônia, o tratamento de feridas tem sido desenvolvido por profissionais de Enfermagem desde o surgimento da profissão. Sabe-se que o profissional de enfermagem possui um […]