Exsudato de Feridas: O que precisa saber!

Um exsudato é um líquido que sai de uma ferida, como resultado de um processo inflamatório ou infeccioso. O exsudato pode ter diferentes características, dependendo da fase de cicatrização da ferida e do tipo de lesão. Existem os principais tipos de exsudato de feridas: seroso, serosanguinolento, sanguinolento, purulento e fibrinoso.

Características

  • O exsudato seroso é um líquido claro e aquoso, que contém poucas células e proteínas. Ele é normalmente produzido na fase inicial da cicatrização, quando a ferida está limpa e sem infecção. O exsudato seroso ajuda a hidratar a ferida e a remover as impurezas.
  • O exsudato serosanguinolento é um líquido avermelhado, que contém sangue e soro. Ele é comum em feridas traumáticas ou cirúrgicas, que envolvem danos aos vasos sanguíneos. O exsudato serossanguinolento indica que a ferida está vascularizada e em processo de granulação.
  • O exsudato Sanguinolento ou hemático é um líquido vermelho, rico em sangue e células inflamatórias. Indica uma ferida com sangramento ativo ou recente, que pode ser causado por trauma, infecção ou necrose.
  • O exsudato purulento é um líquido espesso e amarelado ou esverdeado, que contém células mortas, bactérias e pus. Ele é típico de feridas infectadas ou necrosadas, que apresentam sinais de inflamação e mau cheiro. O exsudato purulento prejudica a cicatrização e requer tratamento específico.
  • O exsudato fibrinoso é um líquido viscoso e esbranquiçado, que contém fibrina e restos celulares. Ele é formado em feridas crônicas ou estagnadas, que não evoluem para a fase de epitelização. O exsudato fibrinoso forma uma crosta sobre a ferida, impedindo a sua oxigenação e nutrição.

Por que o exsudato pode impedir a cicatrização da ferida?

Enquanto o exsudato é essencial ao processo de cicatrização, ele também pode impedir a cicatrização da ferida. Isso pode acontecer se:

  • a ferida tiver a quantidade errada de exsudato (muito ou pouco);
  • o exsudato tiver a composição errada; ou
  • o exsudato estiver no local errado.

Conforme uma ferida começa a cicatrizar, a quantidade de exsudato que ela produz geralmente diminui. No entanto, muitas feridas crônicas podem ficar estagnadas no estágio inflamatório em que bactérias prejudiciais podem se desenvolver.

Em tais casos, o exsudato pode:

  • interromper a cicatrização;
  • retardar ou impedir o crescimento das células;
  • interferir na disponibilidade do fator de crescimento; e
  • conter níveis elevados de mediadores inflamatórios, por exemplo, plaquetas, neutrófilos, monócitos/macrófagos e mastócitos.

Isso nos leva de volta ao ‘espaço morto’ e porque é tão importante que essa lacuna seja manejada adequadamente para que a ferida cicatrize.

Conforme a ferida cicatriza, o nível de exsudato que ela produz diminui. No entanto, se a ferida ficar estagnada na fase inflamatória, ela continuará a produzir níveis elevados de exsudato – de moderado a alto.

Por que é importante avaliar o espaço morto

Quando você trata um paciente com uma ferida crônica, seu principal objetivo é ajudar e apoiar o processo de cicatrização da ferida. Saber como conduzir uma avaliação precisa da ferida é essencial.

Avaliações inadequadas de feridas podem levar a escolhas de tratamento incorretos, resultados negativos para o paciente e maior custo de tratamento.  Saber o que procurar ao examinar a ferida – e a lacuna entre o leito da ferida e o curativo – lhe dará uma ideia mais clara da condição da ferida o que te ajudará a decidir como fornecer um ambiente ótimo para a cicatrização. 

O que procurar ao avaliar o espaço morto​

Antes de vermos o processo de avaliação real, é importante lembrar-se de que o tratamento efetivo de feridas vai além da ferida em si.

Ao tratar pessoas com feridas – crônicas ou agudas – é sempre importante realizar uma abordagem holística. Isso significa anotar o histórico do paciente e de sua saúde, além da condição de sua ferida.

Em uma avaliação detalhada da ferida – e do espaço morto, lacuna entre a ferida e o curativo – você deve considerar.

  • há quanto tempo o paciente está com esta ferida?
  • qual é a etiologia da ferida (ou seja, o que a causou)?
  • como ela está cicatrizando? Você vê sinais de progresso?
  • quais são as características da ferida?
    • Aqui você deve analisar:
      • a profundidade da ferida, descolamento, tunelização e fístula
      • a estrutura e topografia do leito da ferida
      • a qualidade do tecido: Há sinais de granulação ou necrose?
      • a pele perilesão (ao redor da ferida) e a borda da ferida
      • o exsudato, ou líquido que sai da ferida – sua cor, consistência, odor e quantidade.

Com que frequência eu avalio a lacuna?​

Você deve fazer uma avaliação completa da ferida crônica pelo menos uma vez por semana ou, se possível, todas as vezes que trocar o curativo. Isso o ajudará a diagnosticar e tratar toda infecção no início. Ao detectar uma infecção no início, você reduz o risco de complicações sérias, tais como infecções que ameaçam o membro ou a vida.

Ao avaliar a ferida, procure pelos seguintes sinais de atenção:

  • excesso de exsudato, vazamento e sujidades
  • dano na pele perilesão (por exemplo, maceração, desnudação ou erosão na pele)
  • Atraso na cicatrização de ferida
  • sinais de infecção
  • trocas de curativos frequentes

Referências:

  1. Triangle in Practice (2019) Wound International
  2. Keast, David H. et al. Managing the gap to promote healing in chronic wounds – an international consensus. Wounds International 2020. Vol 11, issue 3
  3. World Union of Wound Healing Societies (WUWHS) Consensus Document. Wound exudate: effective assessment and management. Wounds International, 2019
  4. Adderly, U.J (2010) Managing wound exudate and promoting healing
  5. http://eerp.usp.br/feridascronicas/recurso_educacional_lp_4_2.html#:~:text=O%20exsudato%20ou%20fluidos%20da,e%20limitam%20o%20crescimento%20bacteriano.
  6. https://aps-repo.bvs.br/aps/qual-o-melhor-curativo-para-feridas-exsudativas/

Sulfadiazina de Prata

A Sulfadiazina de Prata é uma substância com ação antimicrobiana capaz de eliminar diferentes tipos de bactérias e alguns tipos de fungos.

Indicações

  • Feridas com grande potencial de infecção e risco de evolução para infecção generalizada;
  • Queimaduras;
  • Úlceras de perna, escaras de decúbito;
  • Feridas cirúrgicas.

Benefício

  • Valido por 24 meses;
  • Fácil aplicação.

Precauções e Contraindicações

  • Uso por gestantes no final da gestação, em crianças prematuras e recém-natos nos dois primeiros meses de vida;
  • Pacientes alérgicos às sulfas e aos demais componentes da formulação.

Frequência de Troca

  • Feridas secas ou pouco exsudativas: troca em até 24 horas;
  • Feridas de muito exsudato: troca até 12h.

Considerações

  • A longo prazo, o uso recorrente pode levar a impregnação por prata – Hipersensibilidade local ou sistêmica.

Classificação de Feridas

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 04/09/2026.

Uma ferida não deve ser descrita apenas como “aberta” ou “profunda”. Para a enfermagem, identificar como ocorreu, qual tecido foi atingido, quanto está contaminada e quais estruturas podem estar comprometidas muda completamente a avaliação e a conduta.

Principais classificações

As feridas podem ser classificadas por diferentes critérios. O mecanismo de trauma continua sendo útil para reconhecer o tipo de lesão:

  • Incisa ou cortante: apresenta bordas geralmente regulares e é provocada por objetos com gume, como lâmina ou bisturi.
  • Lacerada: ocorre por rasgo ou tração dos tecidos, apresentando bordas irregulares.
  • Contusa: resulta principalmente de impacto ou compressão, podendo existir dano tecidual mesmo sem grande abertura da pele.
  • Perfurante: provocada por objeto pontiagudo, como prego ou agulha, com predomínio da profundidade sobre a extensão superficial.
  • Perfuroincisa: causada por objeto que possui ponta e gume, podendo produzir uma pequena abertura externa e lesão profunda.
  • Perfurocontusa: está associada a mecanismos de alta energia, como projéteis de arma de fogo, podendo apresentar trajetos e comprometimento de estruturas profundas.
  • Escoriação: ocorre pelo atrito ou raspagem da superfície da pele, com perda principalmente superficial.

Já equimose e hematoma são manifestações de extravasamento sanguíneo nos tecidos, geralmente sem perda inicial da continuidade da pele.

Feridas e risco de contaminação

Na classificação cirúrgica tradicional, as feridas são divididas em limpas, limpas-contaminadas, contaminadas e sujas/infectadas.

A ferida limpa ocorre sem inflamação e sem entrada nos tratos respiratório, gastrointestinal, genital ou urinário não contaminado. A limpa-contaminada envolve a entrada controlada nesses sistemas, sem contaminação incomum.

A classificação contaminada inclui, entre outras situações, feridas traumáticas abertas recentes, grande quebra da técnica asséptica ou derramamento importante do trato gastrointestinal. Já a categoria suja/infectada envolve feridas com infecção estabelecida, perfuração de víscera, tecido desvitalizado ou contaminação importante associada a atendimento tardio.

Um cuidado importante: contaminada não significa necessariamente infectada. Uma ferida pode conter microrganismos sem apresentar infecção clínica. O acompanhamento deve procurar sinais como aumento da dor, calor, vermelhidão, edema, secreção purulenta, mau odor e, em situações mais graves, manifestações sistêmicas.

Profundidade também precisa ser registrada

A classificação não termina no mecanismo do trauma. Na avaliação, observe localização, comprimento, largura, profundidade, tipo de tecido presente, exsudato, odor, condição das bordas e pele ao redor, além de possíveis lesões de nervos, vasos, tendões, músculos ou ossos.

Em uma ferida traumática da mão, por exemplo, uma abertura aparentemente pequena pode esconder comprometimento de tendões, nervos ou vasos. Por isso, o exame deve considerar função e estruturas profundas, e não somente o tamanho da lesão na pele.

Não confunda com lesão por pressão

Lesão por pressão possui um sistema próprio de classificação. Atualmente são reconhecidos Estágio 1, Estágio 2, Estágio 3, Estágio 4, lesão por pressão não classificável e lesão por pressão de tecido profundo. Lesões de membrana mucosa não devem ser classificadas nesses estágios.

Da mesma forma, úlceras relacionadas ao diabetes, especialmente as do pé, devem ser avaliadas por sistemas específicos, como os propostos pela IWGDF, que consideram características relevantes para prognóstico e tratamento.

Duas situações reais da assistência

  • Situação 1: um paciente chega ao pronto atendimento após pisar em um prego. A abertura plantar é pequena, mas existe uma lesão perfurante profunda. O erro seria avaliar somente o tamanho do orifício. O mecanismo, a profundidade, a possibilidade de corpo estranho, o estado vacinal e o risco de comprometimento de estruturas profundas precisam entrar na avaliação.
  • Situação 2: durante a troca de curativo de uma ferida traumática, observa-se aumento da dor, calor local, edema e secreção purulenta em comparação com a avaliação anterior. Nesse caso, não basta registrar “ferida contaminada”: a evolução sugere sinais clínicos de infecção e precisa ser comunicada e investigada conforme o protocolo do serviço.

Cuidados de enfermagem

Na avaliação, registre tipo e mecanismo da ferida, localização, dimensões, profundidade, tecido presente, exsudato, odor, bordas, pele adjacente e evolução. Observe também dor, perfusão, sensibilidade e mobilidade quando houver possibilidade de comprometimento neurovascular.

Na limpeza de feridas traumáticas, a irrigação e a remoção de contaminantes são fundamentais. A técnica deve ser adequada ao tipo de lesão, com analgesia quando necessária e avaliação para presença de corpo estranho, lesão profunda e necessidade de encaminhamento. Antibióticos não são indicados automaticamente para toda ferida; a decisão depende do risco e da avaliação clínica.

Um registro como “ferida em MID, 4 × 2 cm, bordas irregulares, profundidade aproximada de 0,5 cm, exsudato seroso pequeno, sem odor, pele perilesional íntegra, dor 3/10” comunica muito mais do que simplesmente “ferida com aspecto bom”.

Resumo para salvar

Classificação de Feridas: O Que Você Precisa Saber

  • Feridas podem ser classificadas pelo mecanismo, contaminação e profundidade
  • Ferida contaminada não é sinônimo de ferida infectada
  • A avaliação deve registrar tamanho, profundidade, tecido, exsudato, bordas e pele ao redor
  • Lesão por pressão e pé relacionado ao diabetes possuem sistemas próprios de classificação

Referências:

  1. WORLD SOCIETY OF EMERGENCY SURGERY; ACADEMY OF EMERGENCY MEDICINE AND CARE. Management of traumatic wounds in the Emergency Department: position paper. World Journal of Emergency Surgery, 2016. Acessar publicação
  2. NATIONAL PRESSURE INJURY ADVISORY PANEL; EUROPEAN PRESSURE ULCER ADVISORY PANEL; PAN PACIFIC PRESSURE INJURY ALLIANCE. The International Guideline: Prevention and Treatment of Pressure Ulcers/Injuries. International Guideline, 2025–2026. Consultar classificação internacional de lesões por pressão
  3. INTERNATIONAL WORKING GROUP ON THE DIABETIC FOOT. IWGDF Guidelines on the classification of diabetes-related foot ulcers: 2023 update. 2023. Consultar diretriz IWGDF de classificação
  4. NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE. Surgical site infections: prevention and treatment — recommendations. NICE. Consultar recomendações do NICE
  5. ROYAL CHILDREN’S HOSPITAL MELBOURNE. Wound dressings – acute traumatic wounds: clinical practice guideline. Melbourne: RCH. Consultar guideline sobre feridas traumáticas
  6. OLUTOYE, Oluyinka O. et al. Management of Acute Wounds—Expert Panel Consensus Statement. Wounds, 2024. Consultar publicação sobre manejo de feridas agudas

Hidrogel

O Hidrogel é indicado para o tratamento de feridas secas, pouco úmidas e de média exsudação, com presença de tecido inviável (necrose e esfacelo) e também para o estímulo da granulação e da epitelização através do meio úmido. Pode ser aplicado em feridas de qualquer etiologia, infectadas ou não, podendo estar associado ao alginato.

BENEFÍCIO:

  • Mantém o meio úmido;
  • Promove o desbridamento autolítico.

INDICAÇÃO DE USO:

  • Feridas secas ou pouco exsudativas;
  • Tecidos desvitalizados em feridas abertas;
  • Áreas doadoras de pele;
  • Queimaduras de 1º e 2º graus;
  • Desbridamento leve de necrose de liquefação (esfacelo) e de necrose de coagulação (escara).

PRECAUÇÃO/CONTRAINDICAÇÃO:

  • Feridas com exsudato em média ou grande quantidade;
  • Pele íntegra;
  • Queimaduras de terceiro grau;
  • Sensibilidade aos componentes do produto.

FREQUÊNCIA DE TROCA:

  • Troca em até 48 horas;
  • Feridas infectadas: no máximo a cada 24 horas.

CONSIDERAÇÕES:

  • Macera as bordas da lesão e a pele adjacente.

Técnicas de Curativos

Em um ambiente onde seja em uma Uti, enfermaria, ou na residência do cliente, é indispensável o bom conhecimento técnico para realizar os curativos, acompanhar as cicatrizações e controlar as possíveis infecções. Quem poderá  avaliar as feridas, e indicar o tipo de tratamento, é o enfermeiro, onde o mesmo realiza o exame físico e a anamnese. O técnico de enfermagem as executa, de forma correta, anota os aspectos e características da ferida, e acompanha juntamente com o enfermeiro a evolução da mesma.

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Exemplo de carrinho de curativo.

Um bom curativo começa com uma boa preparação do carro de curativos. Este deve ser completamente limpo. Deve-se verificar a validade de todo o material a ser utilizado. Quando houver suspeita sobre a esterilidade do material que deve ser estéril, este deve ser considerado não estéril e ser descartado. Deve verificar ainda se os pacotes estão bem lacrados e dobrados corretamente.

O próximo passo é um preparo adequado do paciente. Este deve ser avisado previamente que o curativo será trocado, sendo a troca um procedimento simples e que pode causar pequeno desconforto. Os curativos não devem ser trocados no horário das refeições. Se o paciente estiver numa enfermaria, deve-se usar cortinas para garantir a privacidade do paciente. Este deve ser informado da melhora da ferida. Esse métodos melhoram a colaboração do paciente durante a troca do curativo, que será mais rápida e eficiente.

A limpeza das mãos com água e sabão, que deve ser feita antes e depois de cada curativo. O instrumental a ser utilizado deve ser esterilizado; deve ser composto de pelo menos uma pinça anatômica (par de ferro), duas hemostáticas e um pacote de gaze; e toda a manipulação deve ser feita através de pinças e gazes, evitando o contato direto e consequentemente menor risco de infecção.

Material
Exemplo de bandeja de curativo.

Deve ser feita uma limpeza da pele adjacente à ferida, utilizando uma solução que contenha sabão, para desengordurar a área, o que removerá alguns patógenos e vai também melhorar a fixação do curativo à pele. A limpeza deve ser feita da área menos contaminada para a área mais contaminada, evitando-se movimentos de vai-e-vem.

Nas feridas cirúrgicas, a área mais contaminada é a pele localizada ao redor da ferida, enquanto que nas feridas infectadas a área mais contaminada é a do interior da ferida. Deve-se remover as crostas e os detritos com cuidado; lavar a ferida com soro fisiológico em jato, ou com PVPI aquoso (em feridas infectadas, quando houver sujidade e no local de inserção dos cateteres centrais); por fim fixar o curativo com atadura ou micropore.

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Em certos locais o micropore não deve ser utilizado, devido à motilidade (articulações), presença de pêlos (couro cabeludo) ou secreções. Nesses locais deve-se utilizar ataduras. Esta vede ser colocada de maneira que não afrouxe nem comprima em demasia. O enfaixamento dos membros deve iniciar-se da região dista para a proximal e não deve trazer nenhum tipo de desconforto ao paciente.

O micropore deve ser inicialmente colocado sobre o centro do curativo e, então, pressionando suavemente para baixo em ambas as direções. Com isso evita-se o tracionamento excessivo da pele e futuras lesões.

O micropore deve ser fixado sobre uma área limpa, isenta de pêlos, desengordurada e seca; deve-se pincelar a pele com tintura de benjoim antes de colocar o mesmo. As bordas devem ultrapassar a borda livre do curativo em 3 a 5 cm; a aderência do curativo à pele deve ser completa e sem dobras. Nas articulações o micropore deve ser colocado em ângulos retos, em direção ao movimento.

Durante a execução do curativo, as pinças devem estar com as pontas para baixo, prevenindo a contaminação; deve-se usar cada gaze uma só vez e evitar conversar durante o procedimento técnico. Os procedimentos para realização do curativo, devem ser estabelecidos de acordo com a função do curativo e o grau de contaminação do local.
Obedecendo as características acima descritas, existem os seguintes tipos de curativos padronizados:

Técnicas de Curativos

CURATIVO LIMPO

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  • Ferida limpa e fechada;
  • O curativo limpo e seco deve ser mantido oclusivo por 24 horas;
  • Após este período, a incisão pode ser exposta e lavada com água e sabão;
  • Utilizar PVPI tópico somente para ablação dos pontos.

CURATIVO COM DRENO

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  • O curativo do dreno deve ser realizado separado do da incisão e o primeiro a ser realizado será sempre o do local menos contaminado;
  • O curativo com drenos deve ser mantido limpo e seco. Isto significa que o número de trocas está diretamente relacionado com a quantidade de drenagem;
  • Se houver incisão limpa e fechada, o curativo deve ser mantido oclusivo por 24 horas e após este período poderá permanecer exposta e lavada com água e sabão;
  • Sistemas de drenagem aberta (p.e. penrose ou tubulares), devem ser mantidos ocluídos com bolsa estéril ou com gaze estéril por 72 horas. Após este período, a manutenção da bolsa estéril fica a critério médico.
  • Alfinetes não são indicados como meio de evitar mobilização dos drenos penrose, pois enferrujam facilmente e propiciam a colonização do local;
  • A mobilização do dreno fica a critério médico;
  • Os drenos de sistema aberto devem ser protegidos durante o banho.

CURATIVO CONTAMINADO

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Estas normas são para feridas infectadas e feridas abertas ou com perda de substância, com ou sem infecção. Por estarem abertas, estas lesões são altamente susceptíveis à contaminação exógena.

  • O curativo deve ser oclusivo e mantido limpo e seco;
  • O número de trocas do curativo está diretamente relacionado à quantidade de drenagem, devendo ser trocado sempre que úmido para evitar colonização;
  • O curativo deve ser protegido durante o banho;
  • A limpeza da ferida deve ser mecânica com solução fisiológica estéril;
  • A anti-sepsia deve ser realizada com PVP-I tópico;
  • As soluções anti-sépticas degermantes são contra-indicadas em feridas abertas, pois os tensoativos afetam a permeabilidade das membranas celulares, produzem hemólise e são absorvidos pelas proteínas, interferindo prejudicialmente no processo cicatricial;
  • Gaze vaselinada estéril é recomendada nos casos em que há necessidade de prevenir aderência nos tecidos;
  • Em feridas com drenagem purulenta deve ser coletada cultura semanal (swab), para monitorização microbiológica;

Tipos de Feridas

  • Agudas – São feridas traumáticas. Características de cicatrização:
    – O processo de cicatrização dura cerca de 06 dias.
                            Sangra ⇒ Coagula ⇒ Desidrata ⇒ Crosta.
  • Crônicas – São feridas de longa duração. Características de Cicatrização:
    – O processo de cicatrização é extenso.
    Migração Celular ⇒Limpeza da Lesão por Fagocitose ⇒ Granulação ⇒ Contração dos Bordos  ⇒Epitelização ⇒Remodelagem.

Finalidade

Tem como finalidade :

  • Aliviar a dor (Analisar a possibilidade de fazer analgesia prévia).
  • Evitar traumas (Aplicar e retirar as coberturas sem traumas, umedecendo a ferida sempre que necessário. Limpar a ferida com solução salina em jatos, utilizando seringa de 20Ml e agulha 40x 12)
  •  Evitar a Infecção (Utilizar técnica estéril e proteger as feridas abertas).
  • Manter a ferida com umidade natural (Após a limpeza da ferida, secar apenas os bordos da ferida).
  • Tratar as cavidades no caso de feridas crônicas (Ocupar o espaço morto com coberturas, favorecendo a cicatrização mais rápida).
  • Tratar as necroses no caso de feridas crônicas (Remover tecido necrótico para acelerar a cicatrização).

Tratamento para Feridas

Feridas Agudas:

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Feridas Crônicas:

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Materiais utilizados para tratamento de feridas

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O que observar e anotar sobre as Feridas:

  • Localização anatômica;
  • Aspecto dos Tecidos Adjacentes: Edema, Coloração, Pulso;
  • Em caso de dúvida, comparar com o membro não acometido pela ferida;
  • Medidas da Ferida – mensurar em sua extensão e profundidade em centímetros na admissão e semanalmente para observar a evolução do tratamento;
  • No caso de haver exposição óssea, prevenir osteomielite;
  • Aspecto e quantidade do exsudato: Seroso, purulento, Sanguinolento, misto;
  • Bordos da ferida: Contração, Maceração, Integridade;
  • Tecidos da ferida: Granulação, Esfacelo, Necrose.

Coleta de Material: A coleta de material, para avaliação de microorganismos nas feridas, deve ser feita com técnica asséptica, após a limpeza da ferida com soro fisiológico 0.9% e, preferencialmente, aspirar o exsudato (se houver coleções fechadas). Se não for possível, o swab só tem valor se colhido profundamente em tecido limpo (livre de esfacelo e necrose) para não dar falso resultado, ou seja, detectar apenas a colonização da ferida. O material colhido deve ser encaminhado ao laboratório o mais brevemente possível.

Placas de Hidrocolóides

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Os Hidrocolóides são curativos contendo agentes em formato gelatinoso, geralmente carboximetilcelulose sódica (NaCMC), pectina e gelatina. São normalmente embalados em placas de filme ou espuma de poliuretano, autoadesivas algumas e impermeáveis à água. De acordo com cada fabricante, a superfície de contato com a ferida pode apresentar variações. Estão disponíveis em placas mais finas ou mais espessas de diferentes formas. Pode ser encontrado também em formato de pasta, empregadas para preenchimento de cavidades.

Os Hidrocolóides atuam por interação com os exsudatos formando um composto úmido gelatinoso entre o curativo e o leito da úlcera; este composto propicia o desbridamento autolítico, otimizando assim a formação do tecido de granulação. Por outro lado, acredita-se que, proporcionando uma cobertura das terminações nervosas expostas no leito da ferida, os Hidrocolóides também auxiliam na diminuição da dor, muito embora os mecanismos que lhes conferem esse atributo ainda não estejam bem elucidados.

Em estado intacto os Hidrocolóides são impermeáveis aos vapores de água, mas com o processo de gelatinização no leito da ferida, o curativo se torna progressivamente mais permeável. A perda de água através do curativo aumenta sua capacidade de contribuir com a formação do exsudato. Por ocasião de sua retirada percebe-se a presença de componente líquido parecido com pus e a emissão de odor característico às vezes bastante intenso.

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Os Hidrocolóides diminuem os eventos infecciosos na medida em que oferecem certa barreira bacteriana. É preciso estar atento para a possibilidade de proliferação de anaeróbios em determinados pacientes.

Indicações principais:

  • Curativo primário ou secundário em feridas com exsudatomínimo ou leve.

Vantagens:

  • Propicia desbridamento autolítico;
  • Dificulta a invasão bacteriana;
  • Pode reduzir a dor;
  • Fácil de aplicar
  • É autoadesivo e de fácil modelagem ao local;
  • Capacidade de absorção de leve a moderada;
  • Pode ser utilizado sob terapia compressiva;
  • Reduz o trauma em áreas de pressão;
  • A troca pode ser feita de 03 a 07 dias (de acordo com as características da ferida).

Desvantagens:

  • Pode aderir fortemente à pele com possibilidade de trauma ao ser removido, razão pela qual sua remoção deve ser feita com os devidos cuidados. Atenção especial quando aplicado sobre pele friável;
  • Com o calor e a fricção amolece e perde o formato;
  • Pode provocar hipergranulação;
  • Não aplicável em feridas com espaços cavitários (exceto no formato pasta).

Obs.: Os hidrocolóides já são conhecidos e utilizados há mais de 20 anos e, apesar de raros, alguns podem provocar dermatite de contacto decorrente de substâncias usadas para conferir maior adesividade ao curativo.

Desaconselhável em:

  • Feridas com exsudato moderado ou abundante;
  • Feridas com franca infecção;
  • Pele do entorno da ferida: muito friável, com eczema ou muito macerada;
  • Feridas com exposição de músculos, tendões ou estruturas ósseas;
  • Alguns fabricantes desaconselham o uso em vasculite ativa;
  • Alguns autores recomendam EXTREMA CAUTELA em diabéticos, vasculite e feridas com componente isquêmico “devido risco aumentado de infecção por anaeróbios”.

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Dicas

Feridas e Curativos: De quem é a responsabilidade de executar?

Pergunta feita pela Sônia: “Sobre feridas, os curativos que são de competência do enfermeiro, a partir de qual tamanho ou profundidade uma escara deve ser cuidada exclusivamente pelo enfermeiro?” Cara Sônia, o tratamento de feridas tem sido desenvolvido por profissionais de Enfermagem desde o surgimento da profissão. Sabe-se que o profissional de enfermagem possui um […]