Fototerapia e os cuidados de enfermagem

A fototerapia é um recurso terapêutico amplamente utilizado na área da saúde, especialmente na neonatologia e na dermatologia. Trata-se do uso controlado da luz para fins terapêuticos, capaz de promover benefícios clínicos importantes quando aplicada de forma correta e segura.

Na prática da enfermagem, a fototerapia exige conhecimento técnico, atenção contínua e cuidados específicos para evitar complicações. Compreender seus princípios, indicações e formas de aplicação é fundamental para garantir a eficácia do tratamento e a segurança do paciente.

O que é fototerapia?

A fototerapia é uma modalidade de tratamento que utiliza luz artificial com comprimento de onda específico para provocar reações químicas e biológicas no organismo. Essa luz pode ser emitida por lâmpadas fluorescentes, halógenas ou por dispositivos de LED.

O uso mais conhecido da fototerapia ocorre no tratamento da icterícia neonatal, mas também é aplicada em doenças dermatológicas, alterações metabólicas e algumas condições inflamatórias da pele.

O princípio básico da fototerapia é a capacidade da luz de modificar determinadas substâncias presentes no organismo, tornando-as mais fáceis de serem eliminadas.

A Fisiologia por Trás do Brilho Azul

Para entender a fototerapia, precisamos primeiro compreender o que ela combate. A bilirrubina é um subproduto da quebra dos glóbulos vermelhos. No recém-nascido, o fígado ainda é imaturo e muitas vezes não consegue processar essa bilirrubina (chamada de indireta ou não conjugada) de forma rápida o suficiente.

Como a bilirrubina indireta é lipossolúvel, ela tem afinidade por tecidos gordurosos e pelo sistema nervoso central, o que a torna perigosa.

O papel da luz azul, especificamente no comprimento de onda entre 425 nm e 475 nm, é realizar uma transformação química na pele do bebê. Através de processos chamados fotoisomerização e isomerização estrutural, a luz altera a estrutura molecular da bilirrubina indireta, transformando-a em lumirrubina. A grande mágica aqui é que a lumirrubina é hidrossolúvel, ou seja, ela pode ser excretada pela bile e pela urina sem precisar passar pelo processamento do fígado. É uma via alternativa de eliminação que a medicina utiliza para contornar a imaturidade hepática do neonato.

Indicações e Critérios para Início do Tratamento

Nem todo bebê com icterícia precisa de fototerapia. A decisão médica baseia-se em tabelas que cruzam o nível de bilirrubina sérica com a idade gestacional e o tempo de vida em horas. Recém-nascidos prematuros, por exemplo, têm limiares muito mais baixos para iniciar o tratamento do que bebês a termo.

A icterícia pode ser fisiológica, surgindo após as primeiras 24 a 36 horas de vida, ou patológica, que é aquela que aparece precocemente ou atinge níveis alarmantes rapidamente, muitas vezes por incompatibilidade sanguínea entre mãe e filho (como o sistema ABO ou Rh). A enfermagem desempenha um papel crucial na detecção precoce, observando a progressão cefalocaudal da icterícia através das Zonas de Kramer, onde a cor amarela começa na face e desce para o tronco e membros à medida que os níveis sanguíneos aumentam.

Outros usos da fototerapia

Além da neonatologia, a fototerapia é utilizada em diversas áreas da saúde. Na dermatologia, é indicada no tratamento de doenças como psoríase, vitiligo, dermatite atópica e algumas formas de acne.

Em pacientes adultos, também pode ser utilizada para tratamento de hiperbilirrubinemia, prurido associado a doenças hepáticas e algumas condições inflamatórias cutâneas.

Existem diferentes tipos de fototerapia, como a ultravioleta A (UVA), ultravioleta B (UVB) e luz azul, cada uma com indicação específica conforme a patologia.

Fototerapia no câncer e lesões pré-cancerosas

A fototerapia pode ser utilizada na forma de Terapia Fotodinâmica (TFD), que é diferente da fototerapia convencional da icterícia neonatal.

Na Terapia Fotodinâmica, aplica-se uma substância fotossensibilizante no paciente e, em seguida, expõe-se a área a um tipo específico de luz. Essa combinação produz radicais livres que destroem seletivamente as células doentes.

Ela é indicada principalmente para:

  • No tratamento de lesões pré-cancerosas da pele, como a queratose actínica, que pode evoluir para carcinoma espinocelular.
  • No tratamento de câncer de pele não melanoma, especialmente o carcinoma basocelular superficial.
  • Em alguns tumores superficiais, como câncer de esôfago inicial, pulmão em estágio inicial (lesões endobrônquicas), bexiga e cavidade oral.

Como tratamento paliativo, para redução de massa tumoral e alívio de sintomas como sangramentos e obstruções.

A grande vantagem é que a terapia fotodinâmica atua de forma localizada, preservando tecidos saudáveis ao redor.

Fototerapia no câncer de pele

Na dermatologia oncológica, a fototerapia é amplamente utilizada no manejo de:

  • Queratose actínica
  • Doença de Bowen (carcinoma in situ)
  • Carcinoma basocelular superficial
  • Lesões cutâneas pré-malignas

Além disso, pode ser utilizada para tratar efeitos colaterais de quimioterapia e radioterapia, como mucosite oral, utilizando laser de baixa intensidade (fotobiomodulação).

Fototerapia nos distúrbios do humor

A fototerapia também é utilizada em psiquiatria e saúde mental, principalmente no tratamento da depressão sazonal, conhecida como Transtorno Afetivo Sazonal (TAS).

Essa condição ocorre devido à menor exposição à luz solar, principalmente no inverno, alterando a produção de melatonina e serotonina.

A exposição controlada à luz branca intensa ajuda a:

  • Regular o ritmo circadiano
  • Reduzir sintomas depressivos
  • Melhorar disposição e energia
  • Diminuir sonolência diurna

Também vem sendo estudada como terapia complementar em:

  • Depressão maior
  • Transtorno bipolar (com cautela)
  • Ansiedade
  • Síndrome da fadiga crônica

Fototerapia nos distúrbios do sono

A luz é um dos principais reguladores do relógio biológico (ritmo circadiano). A fototerapia é indicada em pacientes com:

  • Insônia
  • Síndrome do atraso da fase do sono
  • Trabalhadores de turno noturno
  • Jet lag
  • Distúrbios do sono em idosos
  • Distúrbios do sono em pacientes com demência

Ela atua ajustando a produção de melatonina, melhorando:

  • Qualidade do sono
  • Tempo para adormecer
  • Regularidade do ciclo vigília-sono
  • Estado de alerta durante o dia

Outras indicações clínicas da fototerapia

Além das áreas citadas, a fototerapia também é usada em:

  • Vitiligo
  • Psoríase
  • Dermatite atópica
  • Acne inflamatória
  • Prurido associado à insuficiência renal crônica
  • Icterícia do adulto
  • Mucosite oral em pacientes oncológicos
  • Feridas crônicas (laser de baixa intensidade)
  • Reabilitação muscular e dor crônica

Tipos de equipamentos utilizados

Os equipamentos de fototerapia variam conforme o tipo de luz emitida e a finalidade terapêutica. Na neonatologia, são utilizados aparelhos com lâmpadas fluorescentes ou LED que emitem luz azul-esverdeada.

Há também mantas de fibra óptica, conhecidas como biliblanket, que permitem maior mobilidade do recém-nascido e contato com a mãe durante o tratamento.

Na dermatologia, os equipamentos podem emitir radiação UV controlada, sempre sob prescrição médica e monitoramento rigoroso.

Indicações clínicas da fototerapia

A principal indicação é a icterícia neonatal com níveis de bilirrubina acima dos valores considerados seguros para a idade e peso do recém-nascido. Outras indicações incluem doenças dermatológicas inflamatórias, distúrbios pigmentares da pele e algumas condições associadas à insuficiência hepática.

A decisão de iniciar a fototerapia deve sempre ser baseada em critérios clínicos e laboratoriais, conforme protocolos estabelecidos.

Riscos e efeitos adversos

Embora seja um tratamento seguro, a fototerapia não é isenta de riscos. Os efeitos adversos mais comuns incluem desidratação, aumento da temperatura corporal, irritação cutânea, diarreia e alterações no padrão de sono.

A exposição inadequada pode causar queimaduras leves, lesões oculares e aumento do risco de instabilidade térmica no recém-nascido.

Por isso, o monitoramento constante é indispensável durante todo o período de uso da fototerapia.

Cuidados de enfermagem na fototerapia

A enfermagem possui papel central na condução segura da fototerapia. Antes de iniciar o procedimento, é essencial verificar a prescrição médica, identificar corretamente o paciente e avaliar as condições clínicas.

No recém-nascido, deve-se manter o paciente despido, exceto pela fralda, para maximizar a área de exposição da pele à luz. Os olhos devem ser protegidos com óculos apropriados para evitar lesões na retina.

A equipe deve posicionar corretamente o equipamento, respeitando a distância recomendada entre a fonte de luz e o paciente, conforme orientação do fabricante.

Durante o tratamento, é necessário monitorar sinais vitais, temperatura corporal, hidratação, aspecto da pele e comportamento do paciente. O balanço hídrico deve ser rigorosamente controlado, pois a fototerapia aumenta a perda de líquidos.

A mudança de decúbito deve ser realizada periodicamente para garantir exposição uniforme da pele à luz. A higiene da pele deve ser mantida, evitando o uso de cremes ou óleos que possam interferir na absorção da luz.

É importante observar sinais de complicações, como hipertermia, lesões cutâneas, irritabilidade excessiva ou alterações nos exames laboratoriais.

Orientações à família

A enfermagem também tem papel educativo junto aos familiares, explicando o motivo da fototerapia, sua importância e os cuidados necessários durante o tratamento.

Muitos pais demonstram ansiedade ao ver o recém-nascido sob luz artificial, com olhos protegidos. Esclarecer que o procedimento é seguro e temporário ajuda a reduzir o medo e aumenta a adesão ao tratamento.

O estímulo ao aleitamento materno deve ser mantido sempre que possível, com interrupções breves da fototerapia para alimentação e cuidados básicos.

Importância da monitorização laboratorial

Durante o uso da fototerapia, os níveis de bilirrubina devem ser monitorados periodicamente para avaliar a eficácia do tratamento. A suspensão da fototerapia ocorre quando os valores retornam a níveis seguros para a idade do paciente.

A enfermagem deve estar atenta aos horários das coletas laboratoriais e ao registro adequado das informações no prontuário.

A fototerapia é um recurso terapêutico eficaz, seguro e amplamente utilizado na prática clínica, especialmente na assistência ao recém-nascido com icterícia. Seu sucesso depende diretamente da correta indicação, do uso adequado dos equipamentos e da atuação vigilante da equipe de enfermagem.

O conhecimento técnico, aliado à observação contínua e à humanização do cuidado, garante que o tratamento seja realizado de forma segura, prevenindo complicações e promovendo a recuperação do paciente.

Para o estudante e o profissional de enfermagem, compreender os fundamentos da fototerapia é essencial para uma prática clínica responsável e baseada em evidências científicas.

 

Referências:

  1. AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS. Clinical Practice Guideline Revision: Management of Hyperbilirubinemia in the Newborn Infant 35 or More Weeks of Gestation. Pediatrics, v. 150, n. 3, 2022. Disponível em: https://publications.aap.org/pediatrics
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Atenção à Saúde do Recém-Nascido: guia para os profissionais de saúde. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/
  3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA (SBP). Icterícia no recém-nascido com idade gestacional > 35 semanas. Departamento de Neonatologia, 2021. Disponível em: https://www.sbp.com.br/
  4. TAMEZ, Eloísa A.; SILVA, Maria Jones P. Enfermagem na UTI Neonatal: Assistência ao Recém-Nascido de Alto Risco. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.
  5. BRASIL. Ministério da Saúde. Atenção à saúde do recém-nascido: guia para os profissionais de saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/atencao_saude_recem_nascido_profissionais.pdf
  6. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Segurança no uso de equipamentos médicos. Brasília: ANVISA, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/tecnovigilancia
  7. KRAMER, L. I. Advancement of dermal icterus in the jaundiced newborn. American Journal of Diseases of Children, v. 118, p. 454–458, 1969. Disponível em: https://jamanetwork.com
  8. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA (SBP). Diretrizes para o manejo da icterícia neonatal. São Paulo: SBP, 2021. Disponível em: https://www.sbp.com.br
  9. RANG, H. P. et al. Farmacologia. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.
  10. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Guidelines on neonatal jaundice and phototherapy. Geneva: WHO, 2022. Disponível em:
    https://www.who.int

Hiperbilirrubinemia Neonatal (Icterícia Neonatal)

Icterícia

A hiperbilirrubinemia do recém-nascido ou neonatal é uma doença que surge logo nos primeiros dias de vida do bebê, sendo causada pelo acúmulo de bilirrubina no sangue, e deixando a pele amarelada.

Qualquer criança pode desenvolver a hiperbilirrubinemia, sendo que as principais causas são alterações fisiológicas na função do fígado, doenças no sangue, como anemia hemolítica, doenças hepáticas, provocadas por infecções ou doenças genéticas, ou até mesmo por reações no aleitamento materno.

Os cuidados para redução da quantidade de bilirrubina no sangue devem ser iniciados rapidamente, e o tratamento com fototerapia é o mais utilizado. Em alguns casos, o uso de remédios ou transfusões de sangue podem ser necessários, e são orientados pelo pediatra.

Principais causas

A icterícia acontece quando o bebê não consegue eliminar corretamente a bilirrubina, que é produzida pela metabolização do sangue, pois, antes do nascimento, a placenta exercia esta função. As principais causas da hiperbilirrubinemia do recém nascido são:

1. Icterícia fisiológica

Acontece, geralmente, após 24 a 36 horas do nascimento, sendo o tipo de icterícia mais comum, pois o fígado do bebê está pouco desenvolvido e pode apresentar algumas dificuldades em transformar e eliminar a bilirrubina do sangue através da bile. Esta alteração, normalmente, se resolve em alguns dias, com o tratamento com fototerapia e exposição ao sol.

  • Como tratar: a fototerapia com luz fluorescente é útil para reduzir a quantidade de bilirrubina no sangue. Em casos leves, a exposição ao sol pode ser suficiente, mas em casos muito graves, pode ser necessária uma transfusão sanguínea ou uso de medicamentos, como o fenobarbital, para se obter melhores resultados.

2. Icterícia do leite materno

Este tipo de aumento da bilirrubina pode acontecer por volta de 10 dias após o nascimento, em alguns bebês que estão em aleitamento materno exclusivo, pelo aumento de hormônios ou substâncias do sangue que elevam a reabsorção de bilirrubina no intestino e dificultam a sua eliminação, apesar de ainda não se saber a forma exata.

  • Como tratar: em casos de icterícia mais importante, pode ser feita a fototerapia para controlar seus níveis no sangue, mas o aleitamento materno não deve ser interrompido, a não ser que seja orientado pelo pediatra. Esta icterícia desaparece naturalmente por volta do segundo ou terceiro mês do bebê.

3. Doenças do sangue

Algumas doenças podem causar acúmulo de bilirrubina no bebê, como alterações auto-imunes ou genéticas, sendo que podem ser graves e aparecem nas primeiras horas após o nascimento. Algumas doenças são a esferocitose, talassemia ou incompatibilidade com o sangue da mãe, por exemplo, mas a principal é a doença hemolítica do recém nascido, também conhecida como eritroblastose fetal.

  • Como tratar: além da fototerapia para controlar a quantidade de bilirrubina no sangue, o tratamento é feito, geralmente, com transfusão sanguínea e, em alguns casos, podem ser feitos medicamentos para controlar a imunidade.

4. Doenças do fígado

O bebê pode nascer com alterações na função do fígado, por diversas causas, como deformidades das vias biliares, fibrose cística, rubéola congênita, hipoteireoidismo congênito, infecções por vírus ou bactérias, ou por síndromes genéticas, como síndrome de Crigler-Najjar, síndrome de Gilber e doença de Gaucher, por exemplo.

  • Como tratar: para controlar a hiperbilirrubinemia do sangue, em conjunto com a fototerapia, são feitos tratamentos para melhorar a doença que causou o aumento da bilirrubina, como tratamento da infecção com antibiótico, cirurgia para correção de mal-formações do fígado ou reposição de hormônios no hipotireoidismo, por exemplo.

O tratamento para reduzir a bilirrubina muito aumentada do organismo, principalmente a fototerapia, deve ser feita rapidamente após detecção da alteração, pois o excesso de bilirrubina no organismo do bebê pode causar complicações graves, como a intoxicação do cérebro conhecida como kernicterus, que causa surdez, convulsões, coma e morte.

Tabela de Kramer

A Tabela de Kramer é utilizada no diagnóstico de pacientes recém-nascidos com hiperbilirrubinemia, a intensidade de bilirrubina indireta aumenta conforme a manifestação visual se apresenta no sentido céfalo-caudal.

  • Zona 1 (cabeça) : BI = 6 mg%
  • Zona 2 (zona 1 + tórax) : BI = 9 mg%
  • Zona 3 (zona 2 + abdômen e coxas) : BI = 12 mg%
  • Zona 4 (zona 3 + braços e pernas) : BI = 15 mg%
  • Zona 5 (zona 4 + mãos e pés) : BI = 16 mg%

Quando a bilirrubina em plasma é maior a 15mg/dL é necessário começar acompanhamento e tomar medidas preventivas, como mudar um tratamento ou começar fototerapia.

O que é Kernicterus?

kernicterus é uma complicação da icterícia neonatal que provoca lesões no cérebro do recém-nascido, quando o excesso de bilirrubina não é tratado de forma adequada.

A bilirrubina é uma substância que é produzida pela destruição natural dos glóbulos vermelhos e seu excesso é eliminado pelo fígado na produção da bile. No entanto, como muitos bebês nascem com o fígado ainda pouco desenvolvido, a bilirrubina acaba se acumulando no sangue, dando origem a uma icterícia neonatal que causa sintomas como coloração amarelada da pele.

Quais são as manifestações clínicas?

  • Nos primeiros 3-4 dias de vida o neonato apresenta letargia, hipotonia e quase não suga o seio materno.
  • Numa 2ª fase apresenta hipertonia com espasticidade e solta gritos estridentes.
  • No fim da primeira semana apresenta melhora aparente com diminuição da espasticidade.
  • Cerca de 2-3 meses ou mais tarde detecta-se encefalopatia crônica (coreoatetose, espasticidade, surdez, atraso mental).

Como é feito o tratamento com Fototerapia

A fototerapia consiste em deixar o bebê exposto a uma luz fluorescente, geralmente azul, durante algumas horas, todos os dias, até a melhora. Para que o tratamento surja efeito, a pele do bebê deve estar totalmente exposta à luz, mas os olhos não devem ser expostos, por isso ficam cobertos um tecido ou óculos especial.

A luz penetra na pele estimulando a destruição e eliminação da bilirrubina através da bile, fazendo com que a ictericia e cor amarelada desapareçam aos poucos.

Quais são os Cuidados de Enfermagem com o RN em tratamento da Hiperbilirrubinemia?

Relacionados com a aparelhagem

·         Aparelho deve ser supervisionado quanto a segurança mecânica, elétrica e térmica;

·         Manter a lâmpada a 20-30 cm da superfície a ser irradiada;

·         Anotar o tempo de uso da lâmpada.

Relacionados à criança:

·         Retirar toda a roupa da criança;

·         Proteger os olhos do recém-nascido com máscara de cor negra, faixa crepe ou gaze;

·         Mudar decúbito a cada duas horas;

·         Observar hidratação da criança;

·         Verificar a temperatura a cada 4 a 6 horas;

·         Colher amostras de sangue conforme prescrição;

·         Observar as características das fezes e da urina;

·         Interromper a fototerapia durante procedimento como banho, amamentação.;

·         Não usar óleo na higiene da criança;

·         Estimular aleitamento materno;

·         Aplicar a fototerapia conforme os períodos e intervalos indicados;

·         Observar o estado geral da criança;

·         Orientar os pais sobre a indicação da fototerapia e procedimento efetuados.

Com a Exsangüineotransfusão (ET)

Método utilizado quando o risco de Kernicterus é significante, considerando-se um determinado RN.

– A quantidade de sangue a ser trocado é de duas volemias;

– Sangue deverá ser o mais fresco possível;

– Duração de uma ET deve ser de 1 a 2 horas;

– Controle rigoroso da temperatura.

Quais são as possíveis complicações?

Bradicardia, cianose, trombose, apneia e morte.

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A UTI Neonatal